Posts da categoria “Música”

O Primo recomenda - NTS

2018-06-29 03:08:49 +0000

Quando me perguntam sobre música eu consigo conversar fluentemente sobre estilos, épocas, discos, quem influenciou quem, etc. Mas se tem uma pergunta que me deixa absolutamente confuso é:

Onde foi que você descobriu isso?

É que eu tenho MUITAS origens de descobrir música nova. Pode ter vindo de um comentário de Twitter, de uma referência usada num dos (excelentes) vídeos da Estelle Caswell (da Vox), do lineup de um festival, do algoritmo de recomendação do Google Play... eu não me preocupo muito com de onde veio, e sim pra onde vai.

É por esse motivo que eu não consigo dizer com precisão como diabos eu descobri a NTS - uma rádio que só transmite online, de uma cabinezinha de uns cinco metros quadrados em um bairro pobre de Londres, mas que tem filiais em Los Angeles, Manchester e na China e é extremamente influente no underground musical. Foi ela que resolveu o meu problema de muitas origens de música nova, já que faz meses que ela é praticamente a única coisa que escuto.

[caption id="attachment_8630" align="aligncenter" width="560"]NTS home page A home page da NTS, mostrando a "sede" da rádio. Conhece os artistas? Não? Nem eu.[/caption]

Uma das coisas que me entediava no processo "normal" de descobrir coisas novas pra ouvir é que você sempre acaba caindo em variações das bandas/artistas que você sempre ouve. O que me interessa mesmo são as coisas autênticas, feitas por gente que gosta genuinamente de música e quer simplesmente se expressar, sem preocupação com dinheiro ou fama, e as coisas surpreendentes, a inventação de moda que é extremamente complicada num universo musical onde todo mundo já fez de tudo, e que, justamente por isso, dá muito certo quando dá certo. A curadoria de shows da NTS vai justamente nessa linha: você não vai conhecer ninguém, a maioria é uma molecada de vinte anos ou gente muito focada em um nicho bem específico, e eles tocam coisas inacreditáveis - tem vaporwave, tem especial de música dos Andes, tem metal, tem mixes de música da Índia, tem música ambiente mixada com gravações do rádio da polícia, tem música de videogame, e tem todas as variedades de música dançante (house, techno, etc.), mas fresquíssima, tipo comida japonesa cujo peixe foi pescado no mesmo dia. Frequentemente é coisa saída direto do Bandcamp/Soundcloud e que está prestes a estourar.

Quando esbarrei com a NTS, o slogan da rádio me chamou a atenção: "don't assume" (algo como "não julgue"). De fato, você precisa entrar pra ouvir com este espírito, porque na programação da rádio vale absolutamente tudo. Enquanto escrevo este post estou ouvindo o programa do Mobbs (pela primeira vez - explico porque em breve), que é descrito assim:

As produções de Mobbs passam pela linha do grime e outras culturas sonoras, mas a especialidade de seu show é aquela atmosfera da madrugada - seja a da batida porrada, das fitas cassete semidestruídas, ou da música ambiente dopada. Pluga aí.

Nos últimos minutos ele tocou um trecho de entrevista de um cara falando dos atentados do 11 de Setembro (entrecortado com uns ruídos digitais), e mixou com um jazz standard daqueles clássicos de trumpete/piano/bateria, mas com um blues tocado por cima na metade da velocidade (o vocalista soa como um urso bêbado), e agora tá tocando uns instrumentais de sintetizador... e tá valendo.

A diversidade musical da NTS só não é maior do que a diversidade dos artistas que tocam por lá. Gente nova, velha, artistas consagrados (a Bjork fez um show lá mês passado), gente que começou outro dia, héteros, gays, grupos queer/não-binários, russos, latinos, africanos, brasileiras, asiáticos... outro dia um cara levou a mãe pra tocar com ele! Como eu mencionei, vale absolutamente tudo. E o mais legal disso é que, em nenhum momento, a rádio faz alarde do tipo "olha só como o nosso lineup é diversificado", porque isso acontece naturalmente, como deveria acontecer no resto do mundo. O lineup é diversificado em quantidade também, já que o povo que toca "frequentemente" tem um show de duas horas a cada quinze dias - são CENTENAS de pessoas ativas na programação todo mês. É por isso que, por mais que eu escute a rádio todo santo dia, sempre tem alguma coisa que nunca ouvi antes.

Mas o pior (melhor?) aspecto da NTS é que todos os shows ficam arquivados no Mixcloud. Isso significa que, a qualquer momento, você tem acesso a um acervo de LITERALMENTE CENTENAS DE MILHARES DE HORAS DE MÚSICA CATEGORIZADA POR ARTISTA E TAGUEADA POR GÊNERO. Se você não sabe o que ouvir, tem sempre coisa boa na seção de "recomendados". Se você quer um gênero específico (tipo, "baile funk"), é só botar a tag no link de "explorar". Basicamente, agora eu tenho um acervo praticamente infinito de opcões pra descobrir novos artistas, pra tocar enquanto eu lavo a louça, pra ouvir na academia, pra botar no trabalho, pra espantar a insônia, etc.

Alguns artistas/shows que eu particularmente curto muito e faço questão de acompanhar de perto são:

  • Pra música dançante melhor do que tudo isso que tá por aí: A Moxie tem o show mais "alto astral" (como diria o Felipe Cabeça) da NTS. A Shanti Celeste tem praticamente doutorado em house music, e o casal Nadia/Dan, do Rhythm Connection, também são muito fodas.
  • Pra ouvir de manhã: vá de Charlie Bones e seu "Do!! You!!! Breakfast Show" e seu dia vai ser garantidamente bom. Músicas que até seu pai curtiria.
  • Pra música que conta histórias: o Life is Away é uma espécie de ensaio para o rádio, algo como uma história contada por meio de filmes/séries/entrevistas entremeados com música ambiente. Se você vai ouvir só uma das mil recomendações deste post, ouça essa. Brilhante e absolutamente imperdível. O "Who's That Girl" tem a mesma pegada, mas com a dona do show (Leyla Pillai) fazendo uma espécie de "terapia temática zen" com música e texto. É tipo drogas, mas sem as drogas. Falando nisso...
  • Pra se preparar para a legalização da maconha: tem tanta gente fazendo beats, mas o NahhG ainda consegue filtrar o que tem de melhor por aí. E o Ian, do Minimal Effort é um santo restaurador de vibes.
  • Pra ouvir o que vai tocar amanhã no resto do mundo: Lukid, o cara para quem eu faria questão de pagar uma cerveja se estivesse em Londres. A London Contemporary Orchestra é outra que está na vanguarda da vanguarda.
  • Pra meditar: Perfect Sound Forever é o show cujo título está mais próximo do conteúdo. O Nosedrip também é lindo. E eu ainda vou comprar a camiseta da Kranky que diz "hugs and/or drugs" (abraços e/ou drogas) porque é genial demais.
  • Para não entender porra nenhuma do que está acontecendo: Don't Trip vai gratinar seus neurônios, Reverie é o que toca no seu subconsciente e você não sabe, Alien Jams é transmitido diretamente de Marte, Beatrice Dillon te pesca no techno e te come no experimental, e a Coucou Chloé é uma DJ/modelo que definitivamente me mete medo.

TNT, Sete Lagoas, e isolamento musical

2018-03-13 04:20:03 +0000

Hoje o TNT, o famoso álbum do Tortoise, fez 20 anos.

Eu ouço música todo santo dia. Muita música. Meus ouvidos de quase 40 anos devem ter dezenas de milhares de álbuns no seu odômetro, fácil fácil. E se você me perguntar qual álbum eu levaria para uma ilha deserta, é o TNT.

O TNT me lembra uma história de quase duas décadas atrás. Eu estava em Sete Lagoas, terra natal do meu pai, com o primo que indiretamente dá nome a este blog e cujo gosto musical é bem parecido com o meu: "esquisito", na nomenclatura das pessoas normais. Como Sete Lagoas é uma cidade do interior, musicalmente ela é dominada pelo mainstream, sertanejo e similares, mas naquele dia a banda brasileira mais irmã do Tortoise que existe, o Hurtmold, ia tocar na cidade. Graças à minha fissura com backups e curadoria digital, o registro desse dia tá aqui no blog também. O que não tá registrado é um detalhe que me lembro até hoje. Enquanto esperávamos o show, alguém botou pra tocar o TNT.

Ironicamente, música é um negócio que eu amo profundamente, mas que me isola de todo mundo. É que não dá pra chegar no trabalho e falar "cara, tu já ouviu o mix do Sakamoto na NTS onde ele toca até uma do Dilla?". Eu ainda não decidi como me sinto com isso, ou se deveria tentar sair da minha bolha e procurar outras pessoas com gosto musical parecido pra compartilhar mais e tornar a experiência menos introvertida. E é por isso que eu me lembrei do TNT tocando em Sete Lagoas antes do show do Hurtmold - naquela tarde eu estava ouvindo um dos discos mais importantes da minha vida com um monte de outras pessoas.

A Bê costuma dizer que música pra mim não tem vínculo com memória afetiva, que eu busco é criatividade e inovação sonora. Essa parte da criatividade é muito verdade, mas eu tenho sim meus vários momentos de memória afetiva vinculados à música. Por exemplo, ouvir Fennesz e Cocteau Twins me lembra imediatamente dos meus projetos de consultoria no interior de São Paulo (Windturn City, alguém lembra?). Me lembro, inclusive, de ouvir o Donuts, o disco mágico do J Dilla - aquele que mencionei ali atrás - numa das minhas viagens semanais de quatro horas de ônibus pra chegar no trabalho; me lembro até hoje do buzão cruzando a Dutra e eu sentado na janela, maravilhado com a ingenuidade despretensiosa nos meus fones. E o TNT me lembra aquela tarde em Sete Lagoas. Me lembro de olhar em volta e ver todo mundo, sem exceção, curtindo a música - que de fato calhou perfeitamente pra uma tarde de sol e boa música entre amigos. E, principalmente, me lembro de me sentir no meu mundo musical, mas sem estar isolado do mundo.

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O show do Godspeed You! Black Emperor

2015-09-29 05:07:09 +0000

Pausa nas sagas sofridas do meu estágio canadense (spoiler: tá um saco) pra contar uma coisa muito, muito boa: o show do Godspeed You! Black Emperor de sábado passado.

Preâmbulo: show de quem?

"Saco, lá vem ele falar dessas músicas esquisitas", você está aí pensando que eu sei. Então eis aqui uma pergunta: você é apaixonado por alguma coisa? Pelo Galão Doido da Massa? Pelo seu carro? Pela sua mulher? Por um livro que putaquepariu cara esse livro explica a VIDA, mano? Claro que é. Tem alguma coisa aí que tu curte pra caralho. A minha é música, particularmente a música que sai do lugar comum e explora um lado inédito, mesmo que esquisito, dessa coisa maluca que é descrever coisas indescritíveis empilhando frequências sonoras.

O Godspeed You! Black Emperor faz isso, e faz usando um som absolutamente colossal, uma massa enorme de fúria composta por três guitarras, dois baixos, duas baterias e uma mocinha tocando violino no meio de tudo. Os guitarristas tocam sentados porque precisam usar os dois pés pra operar suas pedaleiras - e com isso eles conseguem conjurar um som único, uma espécie de leviatã guitarrístico sobrenatural. "Storm", a faixa que abre o álbum "Lift your skinny fists like antennas to heaven" é uma das músicas mais bonitas que já ouvi.

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Nenhuma banda no mundo soa como eles. Eu descobri a banda em 2005, e pra variar dei azar: eles estavam numa espécie de hiato, sem fazer shows ou lançar música nova. O hiato só acabou em 2012, quando veio do nada um (premiado) álbum novo. E esse ano eles não somente lançaram outro álbum como também botaram o pé na estrada pra tocar. E um detalhe muitíssimo importante: eles são canadenses.

Aí esse ano eu tinha tudo pra dar sorte: morando no Canadá, com a banda ressuscitada e fazendo turnê. Mas, como de costume, não alimentei expectativa nenhuma. Até que em julho, o Songkick - um site que te manda alertas de shows das bandas que você curte - mandou o email que eu esperava há décadas.

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O show

É claro que precisamente às dezenove horas eu já estava dentro do Danforth Music Hall, bebericando minha cerveja de R$ 301 e morrendo de expectativa.

Duas horas de espera depois, começa o ritual: sem anúncio nem nada, os caras vão entrando, um a um, pegam os instrumentos e começam a fazer o que aparentemente convencionou-se chamar de "hope drone". Sabe quando a orquestra tá afinando os instrumentos e eles sempre tocam aquela mesma coisa no começo do espetáculo? "Hope drone" é todo mundo da banda esmerilhando os instrumentos e criando uma massa elétrica de ruído absolutamente delicioso por alguns minutos, enquanto quatro projetores Super8 passam rolos de filme semidestruído atrás do palco onde é possível ler apenas uma palavra: "hope".

Um comentário sobre o ruído: antes do show começar, eu comecei a olhar em volta e todas as pessoas ao meu redor estavam usando protetores auriculares. Honestamente, nem precisou: o show foi muito alto, mas nada fora do comum. E fica aqui o meu abraço pro engenheiro de som, que acertou magistralmente a mão. Há tempos eu não ia num show com acústica tão boa (e não tem nada mais irritante do que ver músicos brilhantes serem assassinados por uma acústica ruim). Eu me lembro de um momento onde os guitarristas tocavam com chaves de fenda, o baixista usava um arco de violoncelo em um dos pratos da bateria, os bateristas esmigalhavam os bumbos, uma bola de dissonância ensurdecedora, mas dava pra ouvir tudo. Aí a banda parava inteira e o guitarrista solo começava um dedilhado baixinho, e o silêncio era tão perfeito que dava pra ouvir a bartender, no fundo do teatro, colocando uma moeda na jarra das gorjetas. Foi mágico. Em termos de som, nesse sábado deu tudo certinho.

De fato, tudo deu certo nesse show. A começar pela primeira música: para surpresa minha e de todos, Storm. Total "gentileza canadense" da banda. Um cara na plateia ainda gritou: "Thank you!!!!!" e todo mundo caiu na risada. E caras... Storm ao vivo. Eu podia morrer ali naquela hora, cabou, a minha existência estava completa, tudo soou alto e lindo e épico exatamente como eu sempre imaginei que soaria. A sequência das músicas do show também foi perfeita, porque eu mal me recuperava de Storm e eles entram com "Peasantry", a primeira música do último disco, onde o leviatã das guitarras diz o riff mais "agora a porra ficou séria" de toda a história da banda. E teve música nova (!!!), e depois música velha, e no meio do show eles param tudo e o Moya (o guitarrista) entra com "Moya" (a música), que é praticamente o hino não-oficial do Canadá. Foi de chorar. Gritaram "thank you" da plateia de novo e tudo.

Até o final do show foi perfeito. Lá pelas duas horas de barulheira, do mesmo jeito que entraram no palco, sem alarde, os caras começam a abandonar os instrumentos, um a um. A plateia fica lá, estática, enquanto por algum motivo o palco ainda está elétrico, fazendo barulho sozinho. Então um dos bateristas volta e, solenemente, começa a desligar os amplificadores2, um por um. Não teve bis, ninguém pediu, não precisava.

(1) CAD$ 9, mais $1 de gorjeta, mais dólar canadense a R$ 3,00...
(2) Um deles tinha, bastante apropriadamente, uma bandeira canadense de ponta-cabeça.

Por que Daft Punk, Pharrell e Stevie Wonder fizeram a performance mais picareta da história do Grammy

2014-01-28 13:53:02 +0000

No domingo eu não vi o Grammy, optei por uma sessão de O Azul é a Cor Mais Quente (que belo filme, por sinal!). Aí na segunda-feira, como esperado, vi as notícias que Daft Punk ganhou um monte de prêmios e que fizeram uma performance inacreditável juntamente com Stevie Wonder. E aí no Feice uma pessoa comentou do Daft + Pharrell + Stevie. E depois outra. E saiu no Lúcio Ribeiro. E saiu no Pitchfork. E no Reddit uns três posts diferentes falando do assunto. "Então tá, vamo ver", pensei.

O primeiro link que achei tava com a qualidade meio ruim. Aí caçei um link melhor no YouTube, pra ver em HD. Aí vi de novo. Corri pra esquerda e pra direita na barrinha vermelha do player algumas vezes. Revi cenas. Aumentei o volume. Pausei. Olhei com cuidado.

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Sabe, quando alguma coisa me desagrada eu normalmente reclamo no Twitter. Se me irrita muito, eu acabo reclamando no Facebook. Mas quando eu fico realmente furioso, eu ressuscito este blog e escrevo posts enormes como este. Até separo os quilômetros de texto com subtítulos, como este:

A ascensão e queda do Daft Punk (em dois discos)

Eu tenho vontade de pegar todo mundo que ainnnnn eu ammmooooo Get Lucky e botar pra ouvir Rollin' & Scratchin', faixa do primeiro disco deles. Mas não é por despeito: é pra que eles entendam o que a adorada bandinha robótica deles estava fazendo em 1994.

Nessa época a dupla, apesar de não mostrar a cara, ainda usava os nomes de batismo e era bem ativa no cenário de festas rave parisienses. Thomas Bangalter (uma das metades da dupla) fazia produções incríveis de um french house de finíssima qualidade. Mas aí eles lançaram o Homework e ficou evidente que o público curtia muito mais as músicas puxadas pro lado do pop ("Around the World, Around The World...") do que as puxadas pro lado da pista de dança (como a excelente Indo Silver Club, que nem parece mas está no mesmo disco).

Este foi o momento crucial da carreira da dupla: deste disco em diante o Daft Punk, ao invés de optar por fazer música boa, optou por fazer sucesso. E aí eles começaram a seguir o gosto do público. E o que acontece quando você segue o gosto do público? Acontecem dez edições do Big Brother Brasil, acontece o Brasil Urgente, acontece o Sertanejo Universitário, acontece o óxi...

O álbum seguinte (o Discovery) não foi exatamente um sucesso de crítica - porque ainda não era evidente a guinada de objetivo deles. Mas você com certeza conhece One More Time ou Harder Better Faster Stronger - repetidas e remixadas à exaustão. Pra mim pessoalmente, Discovery foi uma enorme decepção. Onde foram parar os produtores geniais? "Por que esses riffs plastificados, essa idiotização musical toda?", eu me perguntava, ainda fazendo força pra tentar ver algum resquício da genialidade das antigas músicas da dupla. Mas era tarde demais, eles foram para o lado fácil da música. Pararam de servir suas finas iguarias musicais e começaram a produzir Big Macs.

Foi nessa época também que eles começaram a experimentar com divulgação diferenciada (lembram do desenho japonês feito em cima das músicas do álbum?). Mas ainda não era suficiente. Isso não faria o Daft Punk famoso na medida em que eles queriam. E então veio a segunda grande sacada genial da dupla rumo ao sucesso absoluto.

Não basta seguir o gosto do público: é preciso ditar o gosto do público.

Aprendendo a surfar o hype

Random Access Memories, o bizarramente laureado último trabalho da dupla, foi o disco mais hypado que já vi na vida. Foi a mais incrível estratégia de mídia e PR que já vi para criar uma caralhada de interesse por um álbum totalmente paumolescente, mero eco de estilos musicais de décadas passadas, mas que foi erguido ao Olimpo da música sob gritos estapafúrdios de "uoooohhhhh eles reinventaram o funk e a disco music!".

Ao longo do ano passado boatos foram espalhados, músicas foram vazadas, depois disseram que eram fake, depois foram vazadas de novo, depois surgiram vídeos de "fãs" no YouTube montando versões completas de Get Lucky (ainda não lançada) com base em previews de 30 segundos estrategicamente tocados de surpresa (ah tá) em telões de grandes festivais de música pelo mundo... só se falava desse bendito disco.

Naquela época eu ainda não estava furioso, então restringi minhas reclamações apenas ao Twitter.

 

 

 

Neste último tweet errei por pouco: o álbum tirou 8.8, num review obviamente comprado.

Este disco marca o momento onde o Daft Punk abraça totalmente o lado negro da força e torna-se o Kelly Slater de surfar a onda do hype: o multiplatinado (e agora Grammyzado) Random Access Memories é um disco irrisório, movido apenas pelo efeito autocolante de Get Lucky. Ou você lembra de cabeça de alguma outra faixa do disco? (dica: tem a do Giorgio Moroder lá.. e aquela do "doin' it right"... lembrou?) Eu mesmo confesso que não consigo ouvir o álbum inteiro até o final, sob pena de extinguir o que ainda me restava de fé na humanidade.

Este restinho durou até agora há pouco, quando vi a "inacreditável performance" da dupla no Grammy. E esta é a deixa para o último subtítulo desse texto enorme - que, de tão drástico, dá título também a este post:

Por que Daft Punk, Pharrell e Stevie Wonder fizeram a performance mais picareta da história do Grammy

Sério. Eu olho pra todo mundo chamando aquele momento de "histórico" e penso "não, cara". Pelo visto o hype cega mais que o amor.

Logo que as luzes se acendem e a banda começa, uma coisa terrível fica muito evidente: Stevie Wonder não sabia cantar Get Lucky. Um Stevie normal normalmente balança a cabeça sorridente e canta com um groove infinitamente superior. O Stevie de "Get Lucky" estava... mudo. Completamente fora de lugar. Até agora, depois de algumas dezenas de audições do vídeo, eu não consigo ouvir o som do harpejji que ele estava tocando.

Pharrell olha para Stevie, sem entender direito o que estava acontecendo. A confusão era tanta que, instantes depois, Pharrell ainda gesticula para Stevie, indicando que era hora dele cantar também. Pense bem nisso: Pharrell está gesticulando para um cego.

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Depois de empurrar o primeiro verso todo com a barriga, para meu completo embasbacamento, Pharrell canta totalmente desafinado no refrão. Mas grosseiramente desafinado, quase meio tom abaixo. Vocês podem achar que é picuinha minha e nem deu pra perceber, mas desculpe: isto não é o karaokê da Liberdade, isto é o maldito Grammy. Não é um monte de japonês bêbado cantando "eu perguntava do you wanna dance", são músicos profissionais muito bem remunerados. O desastre só não ficou pior porque tem um playback acompanhando o vocal.

E aí - tcharam! - o fundo do palco se abre e eis os Daft Punks. Enquanto a platéia vai ao delírio, a câmera corta para dentro da cabine onde eles estavam e mostra que eles não estavam tocando absolutamente nada. O "equipamento" deles era um painel de luzinhas de disco voador da Xuxa: nenhum instrumento, sampler ou sequencer.

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Só pra vocês terem uma base de comparação, eis aqui um músico que efetivamente toca usando samples. Repare que tudo que acontece na música é de fato comandado pela enorme botoeira à sua frente.

Pra piorar ainda mais o show de horrores, a câmera corta para a plateia. Um auditório lotado com os maiores nomes da música mundial - incluindo a metade viva dos Beatles - e nenhum deles sabe dançar. Yoko Ono faz uns símbolos de "paz e amor". Stephen Tyler finge dançar uma espécie de "conga" com "macarena". Ringo era o único cara balançando certinho no ritmo da música, até parece um baterista.

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E o que vem agora?

Felizmente, nas artes existe o inclemente teste do tempo. Daqui a uns dez, vinte anos, quando comentarmos sobre a música da segunda década do século XXI, se Random Access Memories for realmente isso tudo que dizem ele será respeitosamente lembrado. Vai constar na edição nova do "500 discos para ouvir antes de morrer". Vai ser compartilhado no (site que substituirá o) Facebook com posts do tipo "RAM, a obra-prima do Daft Punk, completa 20 anos - reveja a histórica apresentação do Grammy de 2014". Mas, honestamente, eu não vejo isso acontecendo. Na verdade eu não vejo ninguém se lembrando do Grammy deles ano que vem. É um fato que será esquecido da mesma forma que ninguém lembra em quem votou na última eleição.

Vamos torcer pra este blog continuar vivo até lá para o tira-teima.

Update: E agora começou a boataria que nem eram eles dentro das roupas de robô.

Retrospectiva 2013

2013-12-20 15:28:26 +0000

Eu me lembro de tudo desse dia - menos do ano. Um chute mais ou menos calculado diria que foi há dezessete anos, em 1996. Eu tinha 18 anos e estava começando a faculdade.

Eram seis e pouco da manhã de uma terça-feira e eu seguia com mais uma tentativa frustrada de me acostumar a fazer exercícios físicos: havia me matriculado numa aula de natação na piscina do Colégio Santo Agostinho, ainda em Belo Horizonte, onde estudei durante o ensino fundamental. Mas naquele ano eu já era maior de idade e tinha um Uno Mille 1.0, que por sua vez tinha uma coisa muito importante: um toca-fitas com auto-reverse.

Morrendo de sono, irritado e arrependido da ideia idiota de fazer natação de madrugada, resolvi colocar a fita com uma cópia do "Millions now living will never die", do Tortoise, que havia sido lançado naquele ano. Eu nunca havia ouvido Tortoise até aquele dia, por isso gravei a fita de um dos CDs do meu primo.

Importante lembrar que, no ano de 1996, desvendar o universo musical não era fácil como hoje. Mas, felizmente, a minha tendência de não-conformidade musical já estava valendo: enquanto todos os meus amigos achavam o rock do Metallica o máximo, eu gostava era de ver os videoclipes da madrugada na MTV. Lembro que foi assim que cheguei ao Sonic Youth, por exemplo: vi o clipe de Little Trouble Girl e fiquei fascinado com aquele som "errado" das guitarras, e a atmosfera ao mesmo tempo familiar e incômoda que elas construíam. O lado B do universo musical ia ficando cada vez mais fascinante.

Felizmente meus primos estavam na mesma pegada, e foi com eles que eu ouvi falar pela primeira vez em uma coisa chamada pós-rock, e foi daí que eu cheguei ao Tortoise.

Os 20 minutos do trajeto de carro até o colégio encaixaram certinho com "Djed", a longa e intrincada faixa que abre o álbum. Ela começa como uma banda normal de baixos e guitarras mas de repente um dos bateristas assume um vibrafone e a música se transfigura, metamorfoseando timbre, ritmo e estrutura. "Rapaz, isso é bom mesmo", pensava eu enquanto estacionava o carro e a música ia acabando.

Aí veio a segunda faixa, chamada Glass Museum, que é o motivo de eu estar escrevendo este post enorme e relembrando esta manhã sonolenta dos meus dezoito anos - e tudo que aconteceu desde então. Eu já ia descer do carro e ir pra aula quando Glass Museum começou a tocar.

Mas, como disse, eu não sou bom de memórias. Não me lembro de muita coisa nessa vida. Esqueço quantos anos de casado eu tenho, nunca lembrei o dia do aniversário de nenhum amigo... mas me lembro perfeitamente dos cinco primeiros segundos de Glass Museum naquela manhã. Lembro da sombra que a árvore do canteiro central fazia sobre o capô do Uno Mille, parado a 45 graus na rua íngreme do colégio. Lembro do display âmbar e de todos os botões da frente do toca-fitas, do macete de apertar "FW" e "REW" ao mesmo tempo pra ele inverter o lado da fita. E nunca vou esquecer do arrepio que me subiu dos calcanhares até a nuca por cinco longos segundos. Foi a maior epifania musical que já tive na vida.

O motivo técnico de tamanha surpresa é que, musicalmente falando, logo no início Glass Museum quebra todas as "regras informais" do rock que eu havia ouvido até aquele dia. O compasso da música passava longe do "um dois três quatro" básico, a mistura das guitarras com o vibrafone era inédita, a estrutura não seguia o clássico "verso-refrão-verso" de sempre. Aquilo era completamente diferente de tudo que eu já havia ouvido - e por isso era incrivelmente lindo.

E o mais interessante desta nova beleza é que ela evidenciava todo um novo universo de criatividade estética que só é possível encontrar quando se sai do lugar comum musical. Musicalmente falando, naquele momento eu me senti como um cego que passou de repente a enxergar e que fica, ao mesmo tempo, assustado e fascinado porque descobriu que o mundo não é apenas aquilo que ele achava que era: ele é muito mais. Foi uma espécie de expansão sensorial do meu conhecimento musical.

Não demorou muito e eu desisti de fazer aulas de natação de manhã cedo. Por outro lado as madrugadas na MTV e as cópias piratas em fitas cassete aumentaram drasticamente. E o Tortoise transformou-se na minha banda preferida.

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Daí tudo foi mudando. Mudou a cidade onde moro, mudou meu estado civil, mudou até meu emprego - duas vezes só este ano, e vai mudar ainda uma terceira vez, quando eu arrumar outro trabalho. Este talvez tenha sido o evento mais marcante de 2013: deixei a publicidade em novembro e não pretendo voltar.

2013, definitivamente, não foi um ano bom. Talvez ele tenha sido o pior ano desde que comecei a fazer retrospectivas aqui no blog. Tentando entender onde foi que a coisa toda começou a dar errado, passei algum tempo revendo posts antigos e levei um susto grande ao perceber que, no processo de me tornar uma pessoa completamente diferente do moleque de dezessete anos atrás, aconteceu uma mudança muito, muito séria: eu parei de sonhar.

O principal motivo disso é o tanto de podridão que vi ao longo destes últimos anos. Eu tive que lidar com situações estapafúrdias e com um sem-número de gente má e oportunista, e isso foi profundamente desgastante. Em 2013, por exemplo, eu cheguei a ter um chefe que estava roubando dinheiro da agência. E como diz o ditado, quando você olha pro abismo o abismo olha de volta para você, e acabei me contaminando com essa visão torpe de mundo. Bethania até me apelidou de Boris, o personagem neurótico e misantropo do "Tudo Pode Dar Certo", do Woody Allen.

Mas este pessimismo todo é apenas o sonho de antigamente com a polaridade negativa. Basta inverter. Está na hora de me reacostumar a ver o mundo com aquele olhar mais simples de dezessete anos atrás.

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No mês passado, enquanto fazia uma pausa no envio de currículos pra dar uma passada de olho no Facebook, vi que o SESC anunciou nada menos do que quatro shows seguidos do Tortoise em São Paulo. Não pensei duas vezes e comprei ingresso para ir a todos eles, mesmo porque a promessa era de um setlist diferente em cada um dos dias.

Com isso eu comecei a pensar na possibilidade de realizar um sonho antigo: ouvir Glass Museum ao vivo. O impulso inicial foi de não alimentar muitas esperanças disso acontecer. "Expectativas levam ao desapontamento!", era o que eu sempre dizia. Além do mais, àquela altura a banda já tinha décadas de estrada e repertório suficiente pra não precisar ficar ressuscitando músicas dos primeiros álbuns.

Apesar dos ingressos esgotados, muita gente não foi e logo no primeiro dia eu consegui me sentar na primeira fileira, e o teatro do SESC era tão bom que eu me sentia como se a banda estivesse tocando na sala da minha própria casa. E foi assim que vi o show em todos os quatro dias: colado na banda e confortavelmente sentado numa poltrona tipo de cinema.

Foi demais. O Tortoise é outra coisa ao vivo. Começa pelo fato de que o setup deles, além dos vibrafones e sintetizadores, usa duas baterias completas, uma de frente pra outra, no meio do palco. Quando eles as tocaram, juntas, em "Monica" - que é uma das músicas que eu também queria muito ver ao vivo, depois que vi este vídeo deles tocando em Barcelona - eu fiquei maravilhado. Ao longo dos shows muitas outras coisas ficaram evidentes. Por exemplo, eu nunca tinha reparado em como as músicas do Standards - o disco com a bandeira dos EUA na capa - soam mesmo norte-americanas, e isso só ficou evidente quando finalmente vi aquelas caras branquelas, caucasianas, fazendo a música acontecer. Também entendi um pouco mais do álbum mais recente, o "Beacons of Ancestorship", que com sua pegada mais barulhenta e guitarreira está de fato reverenciando as estrelas ancestrais do punk rock. E essa epifania toda veio só pelo fato do John Herndon ter tocado num dos dias usando uma camiseta do Black Flag.

Mas no meio disso tudo o sonho de Glass Museum continuava: em todos os silêncios que precediam uma nova música, eu olhava pra guitarra de Jeff Parker, pra ver se ele daria as mesmas seis notas que ouvi dentro do meu Fiat Uno, naquela manhã de 1996, e que iniciaram um novo ciclo na minha vida.

Foi no terceiro show, o de sábado. Naquele momento o péssimo ano de 2013 foi, oficialmente, encerrado. Dezessete anos depois, chegou a hora de voltar a sonhar.

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Estudando a Dance Music

2013-04-29 00:47:49 +0000

Parte 1 - Estudando a DANCE MUSIC?!

Sim, porque se você me conhece deve estar se perguntando por que diabos eu vou escrever um post enorme sobre - gasp! - dance music. Então é importante uma explicação e um pedido. O pedido é que você faça como eu e abra seu coração a uma opinião que pode soar completamente discordante, ou até mesmo diametralmente oposta, a que você possa ter sobre o assunto. Isto posto, a explicação é a seguinte.

A chegada da idade adulta me trouxe uma série de vantagens inesperadas, como não sentir tanto sono quanto antes e também deixar de ter aquele desejo adolescente bobo de me apegar às coisas como verdades absolutas, de achar que meu ponto de vista tem que ser apaixonadamente defendido até a morte. Isso me fez passar a ver as coisas com olhos mais maduros, imparciais e, principalmente, mais abrangentes para entender/analisar as coisas da vida, especialmente aquelas que eu nunca gostei. Como a homossexualidade, por exemplo (brincadeira).

Para a música, especificamente, isso me fez deixar de frescura e entender que há um valor intrínseco em todos os estilos musicais. "Até funk carioca?", pergunta você. Meu amigo, o funk carioca talvez seja uma das manifestações culturais mais geniais que nosso país tenha produzido desde a bossa nova. Mas isso é assunto para outro post.

E, se você não parou de ler depois do que falei sobre a bossa nova (obrigado!), concluo dizendo que, quando você se dispõe a deixar o preconceito de lado e tentar entender um estilo musical pela sua própria estética, pelo seu propósito e como ele busca cumprí-lo, você pode se divertir um bocado no processo. E é interessante começar nosso estudo justamente por aí...

Parte 2 - Música para dançar: propósito e escopo

Olha, nem tem como enrolar muito aqui: o propósito de um gênero musical chamado dance music é óbvio.

É importante frisar aqui que o que eu estou encaixando na alcunha de dance music não é só aquilo que os leitores com mais de 30 anos (meu caso) ouviam na boate nos anos 90: é tudo que tenha sido construido, como bem diz a Wikipedia, "com o objetivo específico de facilitar ou acompanhar o ato de dançar". Ou seja, é música pra fazer você mexer a sua bunda. Aqui entram os estilos clássicos com batida 4x4 (o velho "tumtistum" quadradinho, como o house, techno, trance e similares) como também os estilos modernos, com batida quebrada (drum'n bass, dubstep).

Mas para facilitar a análise vamos estreitá-la a alguns poucos gêneros, notadamente eletrônicos, para poder isolar os aspectos que eu considero fundamentais para se entender a dance music. Vamos chegar neles em breve.

Parte 3 - Eu me remexo muito: os fundamentos de uma música dançante

Pense na música como veículo de expressão emocional. Você ouve o "OK Computer" do Radiohead, por exemplo, e toda a angústia de Thom Yorke é evidente em cada lamento e cada riff de guitarra. E repare que você não precisa entender a letra para capturar este significado; o diálogo da música com o ouvinte acontece em um nível de significância que não é lógico nem evidente. Há gêneros musicais inteiros batizados puramente na base do seu tom emocional (como o emocore) ou com base no fato de serem mais analíticos do que emotivos (math rock). Já a dance music, de uma certa maneira, transcende a obviedade de significado e também todo o aspecto emocional - ou a ausência dele - porque, para ser eficiente, ela precisa falar ao ouvinte em um nível muito mais básico. Ela precisa estimular em você não uma emoção, mas sim um instinto, como o instinto de sobrevivência ou o instinto - tcharammm... - sexual. Afinal, não é para você ponderar sobre a inexorabilidade da vida: é para você mexer a sua bunda.

Talvez não seja exagero dizer que a dance music conversa diretamente com o homo sapiens que existe dentro de cada um de nós. É por isso que uma boa faixa de dance music é marcada não pelo som rebuscado, pela complexidade harmônica ou pelo virtuosismo dos instrumentistas (quais, né?), e sim pela exploração máxima dos elementos mais básicos da música.

Vamos aprender com um exemplo de um dos grandes mestres da dance music: Fatboy Slim e sua icônica Rockafeller Skank. Aperte play no vídeo, siga lendo e repare em como ele constrói a faixa inteira trabalhando, basicamente, quatro elementos:

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  • Repetição, o elemento mais importante de qualquer música dançante, usada para deixá-la previsível e, por isso, confortável. Com 30 segundos de música, você já tem que ser apresentado à praticamente todos os elementos que a compõem. A estrutura da música muito raramente foge do padrão verso/refrão/verso, normalmente preenchendo o intervalo entre cada parte com "breaks" onde você pisa um pouco no freio mas vai aumentando a pressão gradativamente até explodir de volta no verso principal.
  • Ritmo, sempre cru, intenso e marcado. Principal responsável por lhe provocar sensações estranhas do umbigo pra baixo, nunca foge muito do bumbo/caixa/prato.
  • Textura sonora, sempre gritante (nunca discreta) e sempre contemporânea - também para conforto. Em Rockafeller Skank os elementos são samples bastante familiares de guitarra e baixo, repetidos (lembra?) ao longo da faixa.
  • Vocais, para humanização da música e com letras "postiças", usadas só pra reforçar o efeito pretendido e/ou dar instruções de como a música deve ser apreciada/dançada. "Check it out now! The funk soul brother" não é uma letra de música: são as instruções de como ouví-la.

Parte 4 - A semelhança entre o sushi e a dance music

Agora que aprendemos que a estrutura da dance music é básica e previsível, você pode estar imaginando que "qualquer idiota faz isso". Mas não se iluda: tornar-se um grande produtor de dance music é algo muito mais difícil que parece, por um motivo muito simples: na dance music você tem muito menos espaço para trabalhar.

Puramente para fins científicos, vamos comparar a composição de uma música dançante com o trabalho de um sushiman. O sushi japonês tradicional (desconsiderando essas viagens com morango e cream cheese que servem nos restaurantes aqui no Brasil) é apenas uma fatia de peixe sobre um punhado de arroz. Na alta culinária você tem uma infinidade de sabores, temperos e preparos que pode usar pra fazer pratos deliciosos, mas se você quiser fazer um sushi maravilhosamente gostoso, você pode variar apenas dois elementos: o peixe e o arroz. Não dá pra botar sal, cozinhar mais (ou menos) ou acrescentar qualquer outro elemento sem descaracterizar o sushi. Na dance music é a mesma coisa: qualquer tentativa de quebrar sua estrutura ou forma praticamente padronizada a transforma em "não-Dance Music", então o produtor se vê forçado a fazer tudo "igual mas diferente".

E é aí que reside a genialidade: em conseguir um nível enorme de qualidade em um espaço muito pequeno de manobra. Outro dia assisti Jiro Dreams of Sushi, documentário sobre um sushiman japonês cujo restaurante tem meses de fila de espera e três estrelas no guia Michelin. O sushi dele é exatamente "peixe sobre arroz", mas com tudo, desde a seleção dos ingredientes até a forma de preparo, aperfeiçoada em ínfimos detalhes e ao longo de décadas de trabalho. Esta é exatamente a característica dos mestres da música dançante: é tudo "tumtistum", mas uns são evidentemente melhores que os outros.

Parte 5 - Os grandes mestres: uma exploração ilustrada

Aperte play nos vídeos e siga lendo.

Estudo de caso "a": The Chemical Brothers

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É importante começar pelos clássicos: os caras praticamente ajudaram a inventar/popularizar a música eletrônica, então deles você não espera nada menos do que genialidade. "Star Guitar" é um ótimo primeiro exemplo. Construída em cima da mesma harmonia da guitarra da introdução de "Starman", de David Bowie, Star Guitar gira em torno de uma mesma nota praticamente o tempo todo, algumas notas se repetem em ritmo de metralhadora e, principalmente, ela abusa dos "filter sweeps": quando você coloca um filtro no som e ele desliza do agudo pro grave (bzzzziouunnnn!) e depois pro agudo de novo (whooooosh!). Repare bem: Star Guitar é inteirinha filtrada, e os filtros lhe dão um movimento único e um tom místico, quase astral, reforçado pelo vocal do refrão que diz que "you should feel what I feel, you should take what I take". Estariam eles falando de drogas, talvez? :)

Repare também que o clipe (dirigido por Michel Gondry) é uma representação visual da música: todos os elementos que você vê se repetem no ritmo dela, e se transformam conforme o som se transforma.

Os trabalhos mais recentes dos Brothers estão cada vez mais "dancefloor-oriented". A música da cena da boate em "O Cisne Negro", por exemplo, é deles, e contém um único vocal, que diz: "Don't think - just let it flow". Na dance music o espírito é exatamente este.

Estudo de caso "b": Basement Jaxx

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Se existe um Olimpo da música dançante, os caras do Basement Jaxx estão lá. "Back 2 The Wild" é o single mais recente deles.

O Basement Jaxx está num nível completamente jedi de produção musical. O normal é você ter uns 5 canais numa mixagem de música dance: a batida, alguma coisa como baixo, um lead qualquer, um vocal por cima e alguns efeitos, e fazer isso tudo soar bem junto dá mais trabalho do que parece. Mas nas músicas do Basement Jaxx sempre tem tipo quarenta e cinco coisas diferentes tocando ao mesmo tempo, e nada é invasivo, nada briga com nada. Eu já ouvi "back 2 the wild" umas 50 vezes e toda vez eu acho algum elemento que não tinha ouvido antes.

Exercício: tente encontrar, em "Back 2 The Wild":

  1. Um apito
  2. O "woop!" de "Sound of da police", do KRS-One
  3. Uma buzina de carro (esse é difícil, mas acredite, tá lá)

E o mais legal é que eles também conseguem perverter a regra da repetição: alguns destes elementos são usados apenas uma vez na música toda, e nunca mais voltam.

Estudo de caso "c": Crookers

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Se você jogou "Ballad of Gay Tony", a expansão do Grand Theft Auto 4, você já ouviu Crookers: foram eles os responsáveis pelas músicas da boate onde o protagonista trabalha.

A genialidade dos Crookers é seu "custo-benefício": faixas extremamente simples e incrivelmente poderosas. Ao contrário do Basement Jaxx, as faixas tem uma batida seca com no máximo três elementos (bumbo, caixa, prato), um lead muitas vezes dobrado junto com o baixo, e... apenas isso. Só que eles tem uma capacidade ímpar de escolher exatamente a batida certa, exatamente o lead certo, e de repetir isso na linha extremamente tênue entre o divertido e a idiotice. A impressão inicial ao ouvir Crookers é a de que você está tendo um derrame, mas que isso é divertido.

Repare que "Knobbers" tem apenas um instrumento na música toda... mas ele pesa uma tonelada.

Apêndice: Leitura (auditiva) Complementar

Outros nomes interessantes da música dançante para explorar:

  • Buraka Som Sistema - Produtores portugueses que "recolonizaram" a África e pegaram emprestado seus melhores elementos rítmicos. Fora que dance music cantada em português é sempre engraçado. (Amostra: Sound of Kuduro - não é aquela porcaria da novela, é "the real deal", direto de Angola)
  • Simian Mobile Disco - Eles tem uns discos ruins, mas o Attack Decay Sustain Release é um espetáculo, e alguns álbuns menos conhecidos (como o "Delicacies") são feitos bem especificamente para a pista de dança. (Amostra: Hustler)
  • Rustie - Décadas ouvindo música eletrônica e nunca ouvi nada como esse cara. A energia contida em cada uma das suas faixas poderia alimentar uma pequena cidade por 6 meses. (Amostra: Ultra Thizz)
  • Vitalic - No mesmo estilo "Crookers", mas para um público mais classe A, faixas simples mas que pesam uma tonelada. (Amostra: La Rock 01)
  • Toy Selectah - Essa história de globalização tem uns produtos engraçados, tipo essa mistura de raggaton colombiano com música de festa rave. (Amostra: La Ravertona)

Observações pertinentes e oportunas sobre assuntos totalmente aleatórios

2013-01-23 21:01:53 +0000

Achei que tinha desenvolvido uma tolerância à cafeína depois que comecei a ficar com sono logo depois de beber café espresso. Mas aí reparei que a forma que bebo cafeína é que faz diferença no tanto que ele me acorda.

Donde temos a seguinte escala:

  • Espresso - Efeito nulo ou negativo (me dá sono)
  • Café de coador - Efeito leve. Os cafés ruins de escritório (estilo 'café de asa de barata'), sem açúcar, são um pouquinho mais eficientes.
  • Café solúvel - Efeito considerável. Destaque para o Nestlé DuoGrão (a.k.a. "do ogrão"), que mistura café solúvel com pó de café puro. A cafeína lhe dá um tabefe na cara quando você bebe.
  • Café americano (aquele do Starbucks) - Efeito bastante consideravel, mesmo no tamanho pequeno ("tall"). No final do copo eu já estou me sentindo meio Papaléguas.

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Estava vendo minha music library e pensando: é praticamente um milagre eu não usar drogas. Nos últimos tempos eu ando ouvindo muuuuita música de noiado/frito/v1d4l0k4. Exemplos:

  • Mad Lib: Discos com 50 faixas de 1 minuto cada, todas feitas de uma brisa das mais abstratas. É filosofia stoner, versão musical.
  • Ras G: Eu ouço e dá pra imaginar o próprio Ras no meio da nuvem de fumaça, falando, arrastado: "Dude.... duuuude... u feelin this?..." (ps.: a faixa 11 do disco se chama "jus feel")
  • Emeralds: A música se repete, repete, repete, repete, repete... e então o ácido bate.
  • OOIOO: Versão japonesa do Santo Daime.
  • Rustie: É tipo o cara que cheira uma linha e sai andando pela pista de dança se sentindo o próprio Alexandre Frota.
  • SugarBeats: Tu toma um "E" e aquele show de funk (não o carioca, o de James Brown) subitamente fica... crocante.

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Eu continuo naquelas de contratar gente, o que significa ver milhares de CVs, o que significa ver coisas bizarras como:

  • Gente que manda CV e no cabeçalho, logo debaixo do nome, vem o nome artístico.
  • Gente que coloca hashtags no subject do email. Tipo: #Curriculo #Vaga #Projetos.
  • Teve uma menina que incluiu uma citação de Mary Poppins no final do CV. Dizia assim:

Em cada trabalho a ser feito há um elemento de diversão. Você acha a diversão e - pronto! - o trabalho vira um lazer!

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Num fim de semana desses aí fomos conhecer Campos do Jordão. Sim, tá no verão, mas os dias estavam chuvosos e frios (a.k.a. "verão em São Paulo").

As pessoas chamam Campos do Jordão de "a Suíça brasileira". Na verdade é uma "Suíça wannabe", como bem definiu Bethania. Os caras fazem os telhados pontudinhos, servem fondue por tudo que é canto e - voilá! - eis a Suíça... versão brega.

Pra piorar, a cidade não funciona/não entrega:

  • No posto de informações turísticas, logo na porta da cidade, ao ser perguntada sobre opções de turismo para dias chuvosos como aquele, a mocinha respondeu: "então né... chovendo assim é complicado..."
  • Agendamos uma visita à fábrica da Baden Baden, quando o tour começou a mocinha disse que não teríamos acesso à fábrica por questões de segurança e o "tour" foi ela levando a gente pra ver uns barris de cerveja e lendo uma timeline com a história da cervejaria pregada na parede. Durou 10 minutos. No final deram dois copos de cerveja pra cada um, possivelmente pra ver se, bebendo, a gente esquecia aquela picaretagem.
  • O Palácio da Boa vista fecha pro almoço (bem na hora que chegamos lá). Aí, pra não perder a viagem, resolvemos ir ao Café do Palácio, que - surpresa! - não tinha café.
  • A aclamada "Fazenda Lenz Gourmet" é uma terrível armadilha pra turistas: de gourmet só o nome, porque o garçom errou tudo do nosso pedido, do ponto da carne às bebidas. A "área de lazer" da fazenda é deprimente, parece um galpão abandonado.

Você não precisa nem do seu nome

2012-08-19 14:47:34 +0000

Toda vez que eu escuto o podcast do The Hype Machine eu acabo tendo altos insights, não apenas sobre música mas sobre um monte de coisas.

O podcast tem um quadro onde eles entrevistam gente da "blogosfera musical" e pedem indicações musicais. Na edição de agosto os entrevistados foram os caras do No Fear of Pop, e eles contaram uma história fantástica...

Eles receberam um email anônimo, de uma linha, dizendo apenas: "oi, eu sou um produtor anônimo e esta é uma das minhas músicas". Foram ver e a faixa era tipo um pós-UK-grime estilo Burial, mas muito bem produzido, e então eles acabaram postando a música. E a partir daí toda semana foram recebendo outros emails anônimos com mais faixas.

E acabou que esse cara totalmente anônimo foi a recomendação musical deles no Hype Machine. Foi curioso ouvir o locutor anunciando: "All right, let's check it out, this is 'unknown' on Hype Machine Radio".

Pensa bem: um cara anônimo produziu umas coisas em casa, mandou um email pra um casal de blogueiros berlinenses e isso foi parar em vários outros ouvidos mundo afora - simplesmente surfando no hype. Não foi preciso nenhuma divulgação, jabá, publicidade, endosso de celebridade, nada. Não precisou nem do nome do compositor.

E é interessante como a "máquina do hype" é poderosa. No mesmo podcast comentaram sobre o disco novo do Tame Impala que sai em outubro e dizendo que a banda soltou alguns singles online e os blogs todos repostaram. E só então me toquei que eu nunca vi sequer um bannerzinho em flash em nenhum canto da internet dizendo "Ouça o novo do Tame Impala". O fato é que, fora do mainstream, simplesmente não existe publicidade para bandas e ainda assim o Tame Impala lotou o Cine Jóia aqui em SP semana passada.

O que me leva a crer que há uma grande chance de que a minha nova profissão não exista mais daqui a algumas décadas.

O fracasso total da minha primeira compra na iTunes Store BR

2012-06-16 17:12:19 +0000

O Satanique Samba Trio é uma das pouquíssimas bandas brasileiras que eu sou realmente fã: comprei todos os discos, a maioria no saudoso eMusic, (que por uma imbecilidade jurídica está bloqueado para brasileiros), fui em vários shows deles (um deles na maldita Brasília)... até a única camiseta de banda que tenho é deles.

O último disco deles era de 2010, e como não tenho mais tempo pra acompanhar música, só na última quinta descobrir que eles tinham lançado um disco novo em janeiro desse ano. Fiquei louco e, na pressa de descobrir a maneira mais rápida de adquirir o disco, lembrei da iTunes Store brasileira. E ele tava lá, a US$ 10, preço mais do que justo. Comprei na hora.

Resolvi separar o pouquíssimo tempo diário que eu consigo passar sozinho e sem interrupções - ou seja, o trajeto de trem que eu faço de casa pro trabalho - pra poder saborear o disco novo tranquilamente. Aí me preparei todo, botei o disco em dois iPods diferentes pra não ter erro, peguei meus caríssimos fones de ouvido novos, saí de casa e, sorridente, apertei o play.

E então eu descobri que todas as faixas tinham sido baixadas pela metade.

Sim, faixas originais, compradas diretamente da Apple na iTunes Store brasileira... todas com a porra do download corrompido! Arruinou completamente a minha primeira audição de um disco que eu esperava desde 2010.

Mas o que mais me indignou é que, se eu tivesse baixado o disco no torrent ou nos inumeros blogspots de música pirata da internet, com toda certeza do mundo o disco ia estar perfeitamente funcional.

Foi minha primeira e última compra na iTunes Store. E se bobear minha primeira e última compra em qualquer distribuição digital que não seja diretamente relacionada ao artista.

Update: Nas últimas semanas tá rolando um rebuliço na internet por causa da história de Ellen White, estagiária da NPR (uma rádio norte-americana), que escreveu um post dizendo que tem 11000 músicas no iTunes e que só comprou 15 CDs até hoje. Uma das melhores respostas foi uma longa carta aberta do músico David Lowery que é tão tocante que me fez abandonar completamente e de uma vez por todas o download de música pirata na internet. É sério, acabo de gastar US$ 30 no Bleep.com inclusive :)

Silêncio

2012-02-26 07:09:56 +0000

Se você parar pra pensar, a ideia usual que se tem do silêncio é uma ausência, um vazio.

Daí hoje de madrugada eu aproveitei a quietude da cidade pra pensar nisso e percebi que há um aspecto que normalmente a gente não considera: o do silêncio como uma possibilidade. A falta de sons como a chance de qualquer um deles.

Talvez seja isso que John Cage pensou ao conceber 4'33, sua composição mais famosa, composta unicamente de silêncio. Não usar nenhum som não significa nada, na verdade implica em um universo interpretativo onde tudo é possível.

Alem disso, a não-coisa não existe apenas para que a coisa ao qual ela contrasta exista. Se a sombra é a ausência de luz, isso não faz com que a sombra seja uma não-coisa, pois ela é também um conceito concreto, mesmo que seja feita da ausência de algo. Mas no universo sonoro o silêncio - a não-coisa que define o som - é, por alguma razão, desvalorizado ou até desconsiderado.

Da próxima vez em que tiver a (rara) oportunidade de ouvir o silencio, observe como ele é aquilo que "podia ter sido e que não foi"*. Talvez nisto esteja a base da sua intrínseca beleza.

* - Aproveitando aqui a frase de Manuel Bandeira, para descrever o indescritível.

Shows que merecem um post: Girl Talk

2010-11-28 15:27:11 +0000

Shows sempre são cheios de surpresas pra mim. Da última vez, quis ver o Radiohead mas acabei fritando mesmo com o Kraftwerk. Sábado passado, no Planeta Terra, não foi diferente: fui pra ver o Pavement, mas gostei mesmo foi de ninguém menos que Girl Talk.

Já eram duas da manhã e eu estava exausto, desidratado, e gastando minha última ficha de cerveja em frente ao "palco Indie" (que nomezinho) quando Girl Talk subiu sozinho no palco. Ainda não tinha nada tocando mas o cara já estava em cima da mesa de som, gritando, alucinado: "LEMME HEAR YOU MAKE SOME NOOOOOOOOOOOOOOISE!!!!". E aí entra a música e uns assistentes dele pegam uns leafblowers (sabe, aqueles sopradores de folha?) com rolos de papel higiênico amarrados na ponta e começam, numa gambiarra genial, a disparar papel higiênico no público como se fosse serpentina. E era MUITO papel higiênico. Ironicamente, no outro palco Billy Corgan tocava um show chato usando uma camiseta escrito "NATURE", ao invés do clássico "ZERO", enquanto a gente tava lá desperdiçando metros e mais metros de papel. E quando o caos já estava completamente instalado, de repente sobem umas TRINTA pessoas no palco - gente aleatória, da produção, de outras bandas, VIPs, repórteres, etc. - que começam a dançar e jogar ainda mais papel higiênico uns nos outros. Gregg Gillis (o Girl Talk em si) era de longe o mais animado: o cara estava absolutamente elétrico, pulando e dançando e gritando o tempo todo com um vigor indescritível, inacreditável.

Entendi a proposta na hora.

Instantes depois, apesar de exausto e desidratado, eu fui parar na grade em frente ao palco, pulando e cantando junto. E foi assim que eu vi um dos shows mais divertidos de toda a minha vida.

Aí você deve estar pensando "Porra! Mas teve PAVEMENT no mesmo dia e cê tá aí pagando pau pra um cara que não faz nada além de tocar Britney Spears misturado com Kanye West misturado com Rihanna?". Sim, porque a proposta de Girl Talk não era a de fazer um show "musical", como o das outras bandas, que efetivamente tocaram alguma coisa, que possuem importância histórica e uma discografia ilibada (como o Pavement). A proposta do show do Girl Talk era justamente a de largar toda essa seriedade de lado e simplesmente se divertir. E nada mais divertido que música pop, pirateada e misturada de forma avacalhada - o que, em si, é uma forma de perverter a indústria do entretenimento, coisa que sempre dá uma satisfação interior. Claro que teve um monte de indies cabeçudos que não se permitiram curtir o show porque tocava 30 segundos de Britney Spears ou porque misturava Jay-Z com Black Sabbath. Eu mesmo confesso um breve instante de descrença de mim mesmo quando me peguei cantando, a plenos pulmões, o refrão de "Living on a prayer". Mas era justamente isso a parte divertida do show: a oportunidade de abandonar preconceitos e festejar.

E, convenhamos, tem umas combinações que você jamais imaginaria que funcionariam tão bem, como Lady Gaga e Aphex Twin...

Veja uma parte do show aqui (dá até pra me ver em 5:50), ou baixe All Day, o disco novo de Girl Talk, gratuito e ilegal, aqui.

Músicas que merecem um post: "A Real Woman", Squarepusher

2010-11-26 03:34:04 +0000

Primeiro, contexto. Você precisa saber de quem estou falando, se é que ainda não sabe. Segundo o olhar penetrante de Jimmy Wales:

Squarepusher é o pseudônimo de Tom Jenkinson, um músico inglês contratado pela Warp Records. Ele é especializado nos gêneros de música eletrônica chamados drum and bass e acid, com influências significativas de jazz e musique concrète.

É importante você saber também que Tom Jenkinson não é apenas um "produtor" que sabe operar um laptop e alguma parafernália eletrônica: ele é um baixista. Isto é importante para entender por que "A Real Woman", a quarta faixa do disco "Just a Souvenir" (de 2008), é tão genial que, sozinha, mereceu este post enorme.

Agora você já pode clicar no "play" aí embaixo e continuar lendo.

"A Real Woman" já garante uma "simpatia" inicial ao partir de uma combinação simples mas extremamente eficiente de punk rock, Kraftwerk e jungle/drum and bass. Mesmo que seja pra ouvir só en passant, sem prestar muita atenção, enquanto lê/come/vê TV/etc., a música já funciona bem pela facilidade com a qual os três elementos se misturam. As qualidades de cada um deles - o repique do drum and bass, o vigor do punk e a voz "vocoderzada" do Kraftwerk - foram cuidadosamente orquestradas para se misturar sem disputar espaço, complementando uma à outra.

Daí você pega os fones de ouvido e escuta "A Real Woman" de novo, desta vez prestando bastante atenção nos detalhes. E aí ela vai ficando cada vez mais genial.

Comecemos pela mixagem: a faixa abre só com a bateria, que soa fabulosamente bem, a ponto de eu não conseguir distinguir se ela é eletronicamente programada ou não. Artistas do drum and bass tomam um cuidado todo especial com a bateria (porque, oras, ela é 50% do drum and bass), e em especial com o snare drum (a "caixa"). Ela, assim como o bumbo, é repetida à exaustão e é quem sustenta todo o som da bateria - o bumbo marcando o tempo e a caixa, no contratempo. Sabendo que a combinação bumbo-caixa é a "alma" de uma boa música, Squarepusher obteve, sei lá como, o som mais lindo de snare drum que eu já ouvi em toda a minha vivência musical e botou nesta faixa. Na mixagem eu quase consigo enxergar (sim, com os olhos, sinestesia FTW) a pele do tambor vibrando, tamanha a precisão e clareza sonora. Repare também que nenhum outro tambor é usado na música - simplesmente porque não precisa. Todos os fills são feitos só com os pratos, o bumbo e variações do repique da caixa - todos inacreditáveis.

E então a música abre e segue sua levada punk. Uma das notoriedades do punk rock é sua "pobreza harmônica". Mas sem ofensa; refiro-me ao fato de que o punk rock é baseado na "simplicidade com intensidade": letras fáceis, guitarra tocada de forma básica e - aqui vem o principal - uma harmonia muito, muito simples. Quatro acordes, no máximo. Nada de firulas como "Sol com quinta aumentada" ou "Fá diminuto" - é tudo simplão, toscão, são todos acordes que qualquer um aprenderia a tocar só de ler numa revistinha, daquelas de banca, com músicas cifradas da Legião Urbana (hehe) e tal. Só que Squarepusher é conhecido pelas suas influências de jazz - e jazz está no extremo oposto da simplicidade harmônica do punk. Além do mais, ele é um baixista, e baixistas, como fazem uma espécie de "base harmônica" no som de uma banda, tendem a entender muito bem de harmonia e não se intimidar para fazer modulações, usar dissonâncias e fazer transições bem pouco intuitivas ao longo de uma música. Só que em "A Real Woman" Squarepusher se propôs a fazer um punk rock. E é aí que reside outro aspecto da genialidade da música: ele usa a simplicidade do punk como elemento de contraste, intercalando, em três momentos no meio da música, uma longa frase de baixo, complexa, dissonante e em tercinas - que, por ser o oposto de todo o resto da música, a completa como obra de arte.

Tá, essa foi difícil de entender, eu admito. Mas vamos por partes: primeiramente, estou falando de uma frase musical, ou seja, não é nada que ele canta, e sim uma sequência rápida de notas que ele toca no baixo. Esta frase aparece pela primeira vez aos 0:41 segundos e termina aos 0:51. Ouviu? Agora repare que a estrutura da música é assim:

  • Introdução e o primeiro verso
  • A frase maluca do baixo (aos 0:41, durando 10 segundos), que quebra a sequência simples que a música tinha até então, circula por uma série de tons malucos, mas termina no mesmo tom do primeiro verso (lá bemol).
  • Um segundo verso, musicalmente igual ao primeiro mas com a letra diferente.
  • A frase maluca de novo, aos 1:26 segundos - mas repare que desta vez ela está quatro segundos mais longa (vai até 1:40), e não termina no mesmo tom do verso anterior, e sim uma quinta menor abaixo (em mi), o que permite introduzir...
  • ...um verso todo novo, um pouco mais, digamos, "agressivo", que começa a quebrar a sequência punk-rockeira simples e até termina dissonante (aos 1:57), como que para dar a entender que há algo muito mais complexo querendo sair de dentro da faixa.
  • Aí vem um terceiro verso, também musicalmente igual ao primeiro, mas com pequenas variações na letra e nos fills da caixa da bateria. E aí a música caminha para o fim...
  • ...aos 2:46, quando a frase maluca de baixo volta e é tocada inteira, fechando a música.

A beleza desta frase de baixo (que, após algumas audições, vai ficando mais amistosa e fácil de entender) é que ela é o que "costura" os versos da música: se você deixa de lado os 4 segundos finais dela, você "desce" da sequência de notas em lá bemol e pode engatar os versos-base. Se você toca ela inteira, vai "descer" dela numa quinta menor, e aí pode tocar o verso diferente ou finalizar a música. É como se a sequência de notas fosse o DNA da faixa.

A discografia de Squarepusher é bastante rica. Além do "Just a Souvenir", valem uma audição o "Hard Normal Daddy" (de 1997, um clássico) e o "Go Plastic". O "Big Loada" tem o clipe mais divertido da história (o de "Come on my selector", imperdível), mas o disco é meio mais ou menos.

Bang on the putty pad all day

2010-06-17 01:47:45 +0000

Nas minhas muitas aulas de bateria (leia-se: Google + YouTube) uma lição ficou bem evidente: estudar rudimentos. Sem parar. Mas como diabos poderia eu praticar quando se trabalha a mais de 1000 km de seu instrumento?

Felizmente você não precisa da bateria inteira pra estudar: basta um practice pad, ou “praticável”, ou “trequinho redondo que te dá o feeling de um tambor mas que não faz som”. Então no último sábado saí para procurar algo que eu pudesse usar e que não ocupasse muito espaço na mala. E tive uma grata surpresa.

Meu amigo, minha amiga, apresento-lhes o Remo Putty Pad.

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“Pô, mas é muito pequenininho esse tambor, não?”. Calma, vai vendo…

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O Putty Pad é uma massa plástica, semi-rígida. Você tira do potinho, “desenrola” na mesa como se fosse massa de pão e, quando toca em cima, as baquetas repicam exatamente como num tambor.

Isso é a tecnologia a serviço da AWESOMENESS MUSICAL.

Alesis DM6 Electronic Drum Set… SUA LINDA.

2010-05-30 17:46:07 +0000

Eu comentei bem rapidamente no post da viagem de férias pra NY que acabei trazendo uma bateria eletrônica na mala. Na época achei que foi uma compra não planejada, mas hoje vi que me enganei.

Não foi uma compra por impulso. Foi amor à primeira vista.

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Já tive “casos” com vários instrumentos musicais ao longo da vida: quando adolescente, tímido e socialmente inadequado, me eduquei em teoria musical tocando um tecladinho Yamaha (quase um casiotone for the painfully alone). Depois, achando que era preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, tive uma breve incursão pelas (gasp!) rodinhas de violão. Mas meu conhecimento musical em tais instrumentos nunca passou do nível “engana bem”.

Bastaram apenas alguns segundos em frente à bateria e eu tive certeza que ali estava minha alma-gêmea.

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Meu primeiro contato com a bateria foi também meu segundo contato com uma bateria de verdade – a última (e única) vez em que havia tocado uma delas foi há mais de uma década, em Sete Lagoas, interior de Minas, quando o Postal Oitenta (extinta banda de uns amigos) ia fazer um show e a bateria que as bandas da noite usariam ficou algumas horas montada no palco – e eu, intrometido, fui lá brincar um pouco. Não me lembro quanto tempo toquei, mas de uma coisa eu não esqueço: do tanto que me dei bem com o instrumento.

Mas na época acabei cismando que ter uma bateria era um luxo inalcançável – basicamente porque é um troço muito grande, caro e que eu só poderia ter se não morasse em apartamento, por causa do barulho. O tempo, os milagres da microeletrônica e o casamento com uma esposa bastante compreensiva foram reacendendo a vontade.

O que mais me fascina na bateria é que eu me sento no banquinho, pego nas baquetas e é tudo natural, é como se eu tivesse apenas que ensinar aos meus músculos o que o cérebro já quer fazer – possivelmente porque passou centenas de milhares de horas com os ouvidos enfiados em fones ouvindo absolutamente tudo que é tipo de ritmo maluco que existe no mundo. Passei anos ouvindo “aulas” de gênios da bateria (como John McIntyre do Tortoise), aprendi sobre ritmos fisicamente impossíveis com os mais “esquizofrênicos” da música eletrônica (Squarepusher, Aphex Twin)... e, como contra-exemplo, estudei também a ausência de ritmo e a dilatação temporal que a acompanha, ao ouvir os grandes nomes da ambient music. Ou seja, tenho bastante “embasamento teórico”.

O modelo de bateria que comprei permite conectar um MP3 player nela e tocar junto com as músicas. Vocês não tem ideia do quanto isso é divertido: se não fosse a fome, sono ou cansaço eu poderia passar DIAS nessas “jam sessions particulares”. Este exercício tem também outro efeito colateral: os bons bateristas que você já ouviu tornam-se ainda melhores quando você tenta tocar o que eles tocam. “Não é possível, esse cara tem uns quatro braços. Ou uns dois cérebros”, você fica pensando.

Tem pouco mais de um mês que eu trouxe a bateria, e só tenho chance de usá-la aos fins-de-semana, e ainda assim por algumas horas, então tou longe de tocar algo que preste. Mas já dá pra brincar de avacalhar músicas dos amigos e pagar mico no YouTube… :)

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Mouths Trapped in Static (ou: letras de [não] música)

2010-05-05 03:03:06 +0000

Em 2007 escrevia eu sobre "Telegraphs in Negative/Mouths Trapped in Static", disco do Set Fire to Flames:

No site da gravadora Alien8, a história de Telegraphs in Negative é contada. Basicamente, os 13 integrantes da banda acharam um grande celeiro abandonado na área rural de Ontario, no Canadá, levaram o equipamento e se trancaram lá. "O álbum foi formado numa situação de isolamento auto-imposto, com a banda funcionando tanto individualmente quanto comunitariamente, em estágios de pouco ou nenhum sono, níveis variados de intoxicação, e confinados fisicamente", diz o site.

Telegraphs in negative NÃO é um disco divertido. NÃO é um disco fácil. NÃO é um passeio no parque. É uma jornada difícil por consciências atormentadas, por demônios escondidos atrás de cada pilha de feno e de madeira velha.

Mas a penúltima música, uma semi-faixa-título, é o tema deste post. Possivelmente ela foi produzida espontaneamente por algum dos integrantes da banda telefonando para a namorada, após dias de sofrimento auto-imposto. Como ela é a penúltima faixa você chega nela emocionalmente esgotado após passar pelo resto do disco - mais ou menos como a banda deveria estar após os muitos dias de gravação. E "Mouths Trapped in Static" é o necessário contraponto de tudo isso. Não fosse por esta faixa e "Telegraphs in Negative" seria um disco inaudível.

Creio ser uma das maiores músicas de amor que já ouvi.

(P.s.: Se o inglês estiver ruim:)

- Você pode falar aí?
- Sim.
- Quem está aí?
- ...nos caminhões. Não, posso falar sim.
- Tem mais alguém aí?
- Não.
(pausa)
- Um minuto.
- *longo suspiro* Cara...
- Você está realmente cansado. Eu sei. Sua voz está horrível.
(pausa)
- Te amo.
- Também te amo. (pausa) Eu não quero ficar aqui, quero ficar com você.

*ESTÁTICA*

- Eu estava sentada na cama...
- Sim.
- E estava meio que sonhando acordada...
- Mm-hm.
- E estava me lembrando... (longa pausa) hmm... sei lá, estava me lembrando de um monte de coisa.
- Como o quê?
- Estava me lembrando de quando você veio me ver depois da... coleção?
- Sim.
- E de como você simplesmente entrou pela porta.
- Sim.
- E largou tudo no chão.
- Sim.
- Eu estava só me lembrando disso, fazia muito tempo que eu não pensava nisso.
- Sim.
- E do quanto isso foi incrível.
- Sim. Mm-hm.
- Você tem que desligar?
- Não. Sei lá, não vou desligar com você conversando assim comigo.
- (Risos)
- Hm...
- Tem alguém perto de você?
- Ah, eles não estão prestando atenção.
- Hmm.
- Continue.

*ESTÁTICA*

- Você pode falar comigo quanto tempo quiser falar comigo ou você tem que desligar?
- Não, posso falar com você quanto tempo quiser.
- Eu quero falar com você.

*ESTÁTICA*

- ...saudades suas. Não é incrível *ESTÁTICA* quanto eu tenho saudades suas? *ESTÁTICA* E o quanto eu quero sentir meu corpo *ESTÁTICA* estar contra o seu?
- Bem, eu *ESTÁTICA* sentimento. *ESTÁTICA*
- Isso é bom!
- Sim. *ESTÁTICA*
- É bom que seja m*ESTÁTICA*útuo.
- Sim (risos).
- *ESTÁTICA* o quê?
- Mm-hm.
- Sabe, *ESTÁTICA*ensando hoje?
- O quê?
- *ESTÁTICA*mais sortudos do mundo porq*ESTÁTICA* isto, vai *ESTÁTICA* cada vez mais forte e *ESTÁTICA* sempre.
- E no *ESTÁTICA*

--

(Este post foi originalmente publicado no Impop, saudoso blog da Verbeat, hoje extinto)

Black Sea, Fennesz (ou: Retrospectiva 2009)

2009-11-30 03:59:36 +0000

Primeiro é preciso olhar bem para a capa do disco.

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Em um mundo normal uma imagem vale por mil palavras. Nos mundos (porque não são músicas, são mundos) construídos por Christian Fennesz apenas com "guitarras elétricas e acústicas, sintetizadores, aparelhos eletrônicos,lloopp e computadores", são os sons que valem por mil imagens como a da foto - sons de tom frio e monocromático, sons de um longo trajeto cujo destino é obscuro. De fato, "obscuridade" e "amplidão" é o que deve ser lido do nome do disco.

E não há facilidades. "Black Sea" é denso e difícil. As melodias são escassas: todo o resto do espaço sonoro não é nem preenchido, e sim consumido por sons graves e distorção árida. Mas no fundo, bem no fundo de suas paisagens tristes e monótonas, "Black Sea" carrega consigo uma beleza autêntica, autêntica por não ser plástica, por não ser ordinária, uma beleza que surge justamente da aceitação de que todas as outras aproximações da beleza que são vistas espalhadas pelas artes são, de certa forma, tentativas de negação do que realmente somos: torpes, imperfeitos e maus. "Black Sea" não tenta se distanciar desta realidade; ao contrário, é uma enorme imersão nela - e é nessa franqueza que sua beleza se encontra.

"Black Sea" é a melhor coisa que ouvi no ano de 2009. E "Black Sea" é a representação perfeita de como foi o meu ano de 2009 - vazio, ácido e difícil, mas salutar à sua maneira. Por muitas e muitas vezes eu coloquei os fones de ouvido e me sentei naquela praia cinzenta, sozinho, e olhei o mar por horas a fio enquanto a música ilustrava o lento submergir dos cadáveres das minhas utopias, que desciam lentamente, solenemente, até o fundo do oceano.

MySpace - Official Site

PS.: Este post foi originalmente publicado no Impop, blog da Verbeat, hoje extinto.

Do porquê de eu gostar de música

2009-11-11 02:51:42 +0000

Era sexta-feira e eu estava entrando no avião para voltar pra casa. Os cinco dias de trabalho da semana haviam sido absolutamente caóticos e tanta coisa complicada e estapafúrdia havia acontecido que minha cabeça estava tentando amarrar as pontas soltas e conceber alguma sequência lógica, algum significado de dentro daquela bagunça completa que havia sido minha semana. Até que as duas pontas dos fones foram inseridas dentro dos ouvidos e me veio a epifania que, agora, culmina neste post e que tentarei (ou possivelmente falharei em) detalhar nos parágrafos a seguir.

balmorhea

Primeiro, consideremos a necessidade humana de atribuir sentido a tudo. É natural, biológico; o que nos torna humanos é a insistência do cérebro em contextualizar tudo com o qual tem contato, em buscar padrões, entender processos, motivos, razões. Se você pergunta as horas a alguém e esse alguém responde “desculpe, não sei falar português”, você será automaticamente capturado pelo nonsense de uma resposta como essa e tentará desesperadamente conceber alguma razão para que a pessoa tenha respondido aquilo – mesmo que esta razão não exista. Ou você conseguirá simplesmente ignorar uma resposta como essa? Por alguns instantes, pelo menos, aquela pessoa terá domínio total e completo da sua mente. É por essa insistência do cérebro em produzir sentido que as pessoas vêem borboletas em testes de Rorschach, concluem que :) é um sorriso ou ouvem mensagens satânicas em discos da Xuxa reproduzidos de trás pra frente.

E então temos a música – e não se sabe até hoje ao certo pra que fim prático ela serve ou por que diabos o ser humano resolveu se expressar através dela. Música não é necessária como comer ou dormir, música é efeito mas não é causa, é um fim em si mesma. Música, em essência, não faz sentido - nem sequer estruturalmente. Ao escrever este parágrafo, por exemplo, meus fones tocam “We will rebuild with smooth stones”, música do Balmorhea (que empresta uma de suas capas de disco para ilustrar este post). É uma música tocada por dois violões e apenas por eles. São grupos de sons tocados em tons e volumes diferentes, às vezes ritmados e repetidos – uma descrição que poderia servir para descrever também o barulho de um canteiro de obra.

Mas no final daquela sexta-feira caótica, num mundo que lhe obriga a questionar o tempo todo qual o propósito das coisas que você gasta o dia fazendo – e onde, em vários momentos, esse propósito simplesmente não existe – é que a música nos fones de ouvido apareceu como algo reconfortante, como uma entidade de um universo aonde é permitido não fazer sentido. E isso é a melhor coisa sobre música: é uma das únicas coisas que pode existir confortavelmente sem porquê ou ser sem razão de ser.

A melhor coisa da música é que ela não precisa fazer sentido.

Beacons of Ancestorship, faixa a faixa

2009-10-14 03:05:36 +0000

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Depois de um hiato de cinco anos sem lançar material inédito, eis o retorno do Tortoise, banda das mais caras ao coração deste que vos escreve, retorno este que deu-se da seguinte forma:

1. High Class Slim Came Floatin' In - É o início do disco, mas você chega logo a uma conclusão: Toda banda muito boa tem, obrigatoriamente, um PUTA baterista - coisa mais do que confirmada a cada disco do Tortoise. Foi assim em "Djed", foi assim em "Seneca", e dessa vez não é diferente. "High Class Slim Came Floating' In" é longa (8'14'') mas contém umas cinco músicas diferentes dentro de si. Mais umas duas ou três audições e você terá a surpresa de notar que as cinco músicas fazem referências umas às outras. Sim, Tortoise tem muitas camadas.

2. Prepare Your Coffin - Bem, digamos que é uma daquelas "putaquepariu que filhos da puta como é que eles fazem isso" kind of song.

3. Northern Something - A terceira faixa traz duas certezas: uma é a que a distorção veio FORTE nesse disco, e a outra é que toda banda muito boa, sim, tem um PUTA baterista. Mas note que a parte do "puta" em "puta baterista" refere-se menos à técnica e mais a um certo senso rítmico, uma compreensão dos alicerces de uma boa batida.

4. Gigantes - O título em provável-português, as palmas e as cordas beliscadas dão uma impressão meio "capoeira" à coisa toda. Mas da segunda metade da música em diante o norte-americanismo do Tortoise volta a dominar.

5. Penumbra - É uma "música-pintura" de um minuto: mais estática que dinâmica, pinta uma paisagem de timbres muito mais do que desenvolve uma história.

6. Yinxianghechengqi - Barulhenta demais numa primeira audição e genial em todas as subsequentes. Pense na estética do punk rock usado como veículo para a técnica de progressão harmônica do jazz moderno. Pouquíssimas bandas teriam os colhões para tentar uma coisa dessas. Menos ainda a habilidade de se dar bem no final.

E deste ponto em diante o disco muda COMPLETAMENTE:

7. The Fall of Seven Diamonds Plus One - É a versão musical de um pai dizendo ao filho, num tom preocupado: "Sente aqui, meu filho. Preciso lhe dizer umas verdades". A analogia com uma conversa não é por acaso: as guitarras dedilhadas tocam melodias tão evidentes, tão expressivas, que são mais diálogo que música. Destaque para o ritmo "assombrado", marcado de quatro em quatro tempos ora por um baque seco, ora pelo tilintar de correntes metálicas.

8. Minors - O título dá a dica: progressões harmônicas em acordes menores, tocadas com timbres veranescos. Serve para resgatar o ouvinte do clima taciturno da faixa anterior e para dar o tom do resto do disco (basicamente: menos distorção).

9. Monument Six One Thousand - O disco começa a esfriar a partir daqui. As guitarras escalam escalas modernas sobre um chão de baixo meio ácido. A música parece não saber bem para onde está indo - coisa rara nos discos do Tortoise.

10. De Chelly - É um pequeno interlúdio de menos de dois minutos, bem solene. Lembra Bach e Laranja Mecânica.

11. Charteroak Foundation - Uma faixa bem cerebral, pra fechar o disco. Teclados dançando sobre um ever-repeating baixo tocado fora do ritmo, tanto do jeito certo (tercinas) quanto do jeito errado (realmente fora do tempo em alguns momentos). E, onze faixas depois, você tem a reconfortante certeza de que o Tortoise continua desgraçadamente bom.

Twerk - A obra prima do Basement Jaxx

2009-09-27 12:43:47 +0000

Nas últimas décadas produziu-se muita música eletrônica. Muita MESMO, especialmente a de variedade “dançante”. A esmagadora maioria deste universo foi feita, infelizmente, com o único objetivo de ganhar dinheiro e encher os sets de DJs de qualidade duvidosa por aí – o que resultou na dance music sendo taxada de boba e/ou comercial.

Mas se existe alguém que realmente entendeu a dance music e lhe tratou com o devido respeito, esse alguém é o Basement Jaxx. Suas produções podem até usar os mesmos modelos e estética do dance-farofa-de-rádio-FM, mas são feitos de forma TÃO superior que suas músicas são verdadeiramente geniais. É como se eles fossem o Cirque du Soleil da coisa.

Outro dia estava ouvindo pela primeira vez o “Scars”, seu quinto e mais recente disco, quando esbarrei com “Twerk”, aquela que talvez seja a obra-prima do Basement Jaxx – e talvez de toda a dance music da última década.

Mas estamos num universo taxado de bobo e comercial, então a genialidade de “Twerk” tem que ser melhor explicada para separarmos o joio do trigo. Por isso dê um clique no “play” do vídeo abaixo e continue lendo.

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Twerp tem dois começos. A primeira é uma linha de synths, densa, única e tão boa que daria pra montar uma outra música inteira em cima dela – mas que acaba e não reaparece em mais nenhum momento da faixa. Isso são os produtores esfregando na sua cara o quanto eles são fodas: “sim, eu vou jogar fora isso aqui e levar a música pra um outro lado AINDA melhor”, dizem eles. E aí vem o começo de verdade da música: a introdução da batida e o baixo – e apenas deles. O Basement Jaxx sabe que 90% de uma boa música dançante está contido nestes dois elementos – e, de fato, mal se passaram 20 segundos de música e ela já está ESCORRENDO groove e dizendo a que veio: veio para fazer você mexer a sua bunda. Mesmo porque “twerk” significa exatamente isto, segundo o Urban Dictionary:

Twerk: Trabalhar o corpo através da dança, em especial a parte traseira.

E os vocais de Yo Majesty entram para completar a bomba sonora, cantando sobre… sobre absolutamente nada. E é EXATAMENTE isso que o vocal de uma música dançante deve fazer: não é hora de contar histórias, é hora de mexer a bunda. A função dos vocais é puramente estética; servem para, ao mesmo tempo, emprestar um toque humano ao monte de sons sintéticos e – nas mãos de bons produtores como o Basement Jaxx – funcionarem como um segundo instrumento percussivo. Reparem bem como as sílabas e a fonética que Yo Majesty usa soam muito mais como batidas do que como palavras, especialmente no refrão (que parece música indiana mas que eu acho que é em inglês):

Get bangin’ on
Get down, get here, show me l[ow me l]ove

Mas são os inúmeros detalhes sonoros e o esmero na produção que elevam “Twerk” de uma simples faixa 9 ao status de obra prima. Se você ouve sem prestar atenção acha que a faixa é apenas batida, baixo e vocais. Mas repare que tem no mínimo umas TRINTA coisas tocando ao mesmo tempo, e TODAS concordam entre si e somam para o conjunto ficar completo e rico, ao invés de confuso. Quem entende alguma coisa sobre produção musical ou já teve uma banda de garagem e sofreu pra fazer guitarra, baixo e bateria não soarem embolados sabe o quanto isto é difícil de conseguir.

E o mais legal é que estes detalhes contém um monte de referências, algumas mais técnicas – como o trechinho de TB-303 que toca lá pelo 1m15s –, outras mais óbvias, como o finalzinho dos versos onde Yo Majesty canta:

She’s a maniac, maaaniac, on the dance floor (she’s on the dance floor!)
She’s dancing like she’s never danced before

Notou alguma coisa familiar? Sim, porque estes versos são emprestados da trilha sonora do filme Flashdance (relembre clicando aqui). Além da referência estar dentro do contexto da música (menina doidinha “trabalhando o corpo” na pista de dança), ainda tem o detalhe que Yo Majesty “canta” através do manjado efeito de auto-tune (aquele, lembra?) - assim, usando o que há de mais moderno na música dançante de hoje para reverenciar a música dançante de ontem.

E ainda sobram mais inúmeros detalhes pra mencionar: a maestria na dinâmica de construir/resolver tensão tonal entre os versos, o high end do espectro sonoro – que é diferente em todos os versos, o toque do phazer nos versos do finalzinho da faixa (“get crazy, get sick / i see you working it”) que deixa o vocal minuciosamente crazy e sick... Dava pra escrever uma tese de mestrado em cima dessa música, mas vou parar por aqui.

O fim de um relacionamento

2009-07-24 22:44:32 +0000

Lembra da minha “lojinha de MP3 predileta” da internet, a eMusic, que tem até uma categoria de posts nesse blog e era onde eu comprava (sim, COMPRAVA) todas as minhas músicas? Minha relação com ela deu uma guinada e passou de namoro intenso para divórcio azedo, daqueles com advogados, porta na cara e agressividade velada.

Começou com um acordo que ela fez com a Sony (e que provocou um aumento de preços) e culminou nisso aí embaixo:

 emusic

Então é isso, indústria fonográfica. Já que você está PEDINDO pra eu baixar música no torrent, é isso que eu vou fazer.

Fly Pan Am

2009-07-23 03:08:16 +0000

Nas artes visuais, especialmente as modernas, aonde conceitos de forma, estética e plástica foram bastante, digamos, "dilatados", paira sempre aquele incômodo do que é que separa o trabalho de um artista real do que "qualquer criança de cinco anos faria igual". Mas uma coisa que eu percebi em minhas observações (absolutamente amadoras, vale lembrar) é que o trabalho dos bons artistas, apesar de parecer sem sentido ou pueril, sempre "cutuca" algum lugar diferente dentro da sua mente.

É como um quadro de Basquiat. Uma olhada rápida dá a impressão de que é desenho de jardim de infância. Mas continue olhando e um certo incômodo se apresenta, como se sua mente dissesse que "aquilo não é o que parece" ou que há algo muito mais profundo por trás da impressão inicial.

BasquiatUntitled1981.jpg

Isso é o que eu acho mais fascinante na arte: a capacidade de se adulterar percepções inconscientes e de visitar recônditos da alma que jamais seriam tocados pela ciência, religião ou coisa que o valha.

E depois dessa explicação toda aí em cima podemos, finalmente, falar da banda que torna-se cada vez mais uma das minhas favoritas: o Fly Pan Am. Que faz EXATAMENTE ISTO que eu falei, mas usando música.

A formação da banda, formada por canadenses de Montreal, segue as convenções de guitarra/baixo/bateria costumeiras. Aí você vai ouvir as músicas e elas são longas, difíceis e até sufocantes... e depois de algum tempo de aclimação, absolutamente geniais. Acostumar-se com Fly Pan Am é mais ou menos como aprender a fumar - aparte as complicações para a saúde.

Não dá pra dizer que Fly Pan Am é experimental, porque ele sabem muito bem o que estão fazendo. Os riffs que se repetem longamente não são experimentos: são a forma de acessar aqueles recônditos intocados da alma, de transparecer musicalmente coisas que você jamais esperava encontrar em uma gravação, como o sarcasmo de "La Vie Se Doit D'Etre Vecue Ou Commençons a Vivre" ou a sabotagem (explicitada inclusive no nome) de "Partially Sabotaged Distraction Partiellement Sabotee" - aonde você será enganado e vai achar que há algo de errado com seu aparelho de som. São músicas que andam por caminhos que eu jamais imaginava existirem.

Uma pena o Fly Pan Am estar em um "hiato" indefinido e ter nos deixado apenas três discos e um EP. Mas o que falta em quantidade é fartamente compensado em profundidade.

Site oficial - Página do All Music Guide

P.s.: Este post foi originalmente publicado no Impop, blog da Verbeat, hoje extinto.

Vai virar igreja

2009-05-24 00:16:44 +0000

Ontem. Augusta. Uma da manhã e eu na porta do Club Roxy para, finalmente, ver Pet Duo tocar - corrigindo, por sinal, um arrependimento de 3 anos atrás.

Aí ouço uma HORDA de pessoas descendo a rua, gritando e fazendo zona. "Normal, Augusta", pensei.

O pessoal foi chegando mais perto e os gritos foram ficando mais audíveis e eu percebi que a horda gritava, na mesma métrica do "ahh, eu tô maluco": "AAAAH!!! JESUS TE AMA!!!". "Normal, turminha ultrajovem dando uma de herético contracultural", pensei.

Aí o pessoal foi chegando ainda mais perto e eu pude então ler o conteúdo das camisetas: "Jesus te ama", "Arrependa-se", e o escambau. E foi aí que eu percebi que aquilo era realmente uma turma de igreja, que veio descendo a Augusta para pregar a nós, "pecadores", nos bares e portas de boate. Todos estavam empolgadíssimos, sentindo-se o máximo por serem supostos enviados de Deus excursionando valentes em missão sagrada bem no meio da perdição.

E a turba parou em frente à Roxy e, em coro, gritou: "VAI VIRAR IGREJA! VAI VIRAR IGREJA!".


Aí você pergunta: e o Pet Duo?

Meu amigo, minha amiga... PUTA QUE PARIU. Destruição TOTAL e ABSOLUTA por HORAS. Saí de lá surdo e feliz.

Radiohead na rua, na chuva, na fazenda.

2009-03-24 16:03:37 +0000

Thom Yorke. (Foto by Sérgio Carvalho -

Show do Radiohead? Fui sim. Não vou discorrer aqui longamente sobre o quão FODA foi o show, mas gostaria de contar uma coisinha que me aconteceu por lá.

Uma das músicas mais bonitas do Radiohead é You And Whose Army. A maior parte dela é apenas Thom Yorke cantando e Johnny Greenwood dedilhando sua guitarra ao fundo, num longo e intenso lamento. Mas o ápice da música vem no final, quando Thom começa a tocar o piano e a banda toda entra enquanto ele canta “we ride tonight / ghost horses”.

E foi este EXATO momento, no meio do show mais esperado da década, que minha mente imbecil escolheu para se dar conta de que a melodia daquela parte é IDÊNTICA ao “tchu tchuru tchu” que tem no finalzinho de Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda, estragando You And Whose Army na minha memória para sempre.

Duvida? Clique nos links aí embaixo e veja você mesmo.

P.s.: Os links levam ao ponto certinho do vídeo, então você não precisa assistir tudo.

P.p.s.: Não posso encerrar este post sem mencionar o show do Kraftwerk. Eu não seria ninguém se aqueles alemães safados não tivessem reinventado a música nos anos 70, então pra mim o show foi também um momento de adoração aos meus deuses musicais particulares. Na multidão, num raio de 100m de onde eu estava eu era, de longe, o mais empolgado, pulando, cantando e gritando enquanto o pessoal à minha volta bocejava e mandava mensagens no celular.

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A hora que o telão escreveu "COMPUTERWORLD" eu quase tive um troço de alegria. (Foto: Wikipedia)

Reviews de música que não falam de música

2008-11-18 04:10:14 +0000

"Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não vêem; e ouvindo, não ouvem nem entendem." - Jesus Cristo (Mt, 13:13)

Então outro dia eu estava com os fones de ouvido numa estrada qualquer, olhando pela janela, e pensando no quanto a música é uma experiência que existe num nível diferente, separado da realidade, e que por isso é difícil de descrever em palavras. "Escrever sobre música é como dançar sobre arquitetura", disse Elvis Costello, em frase relembrada aqui no Impop pelo Renmero. Então veio a idéia maluca: "E se pudéssemos escrever sobre música sem falar de música?"

Este post é uma tentativa de implementação desta idéia, em oito mini-reviews de discos que tenho ouvido recentemente.

As diretrizes para os mini-reviews são simples: não posso comentar sobre a música nem sobre nada relacionado à sua sonoridade. Não vale, por exemplo, citar bandas parecidas nem usar adjetivos que se refiram ao tipo do som. Mas posso fazer analogias com qualquer outra coisa, citar experiências similares, etc. Vale tudo para falar da música - menos falar de música.

Então vamos lá. (P.s.: Os links apontam para algum lugar onde você possa ouvir alguma coisa do disco, caso queira).

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Qua - Painting Monsters on Clouds: É como um livro de colorir, que pertence a uma criança bastante hiperativa. Nele ela inventa aquelas histórias fantásticas e cheias de reviravoltas, que nem sempre tem a continuidade de uma narrativa adulta mas que deixam transparecer, nas suas "entrelinhas", a maturidade do futuro adulto escondido ali.

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Steve Roach - Darkest before dawn: Uma hora e vinte minutos olhando o planeta Terra da janela da Estação Espacial Internacional, enquanto ela orbita lentamente. A cada volta você vê o planeta exatamente do mesmo jeito; as variações são mínimas e, de tão lentas, são quase imperceptíveis (uma nuvem que saiu do lugar, o sol batendo diferente numa montanha, etc.), mas a paisagem em si é absolutamente fascinante e, de uma maneira misteriosa, absorve toda a sua atenção.

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Dabrye - One/Three: É um ciborgue ao contrário. Pense bem: o ciborgue tem a aparência humana e, por dentro, é uma máquina. Neste caso nós temos algo que cospe digital por todas as suas interfaces de saída mas que, por dentro, não somente é um ser humano como é um negão de sunga, passeando sorridente por Miami Beach.

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Flying Lotus - 1983: Um Ford conversível, daqueles largos e achatados, modelo 1975, cruzando nem rápida nem lentamente pelas ruas sujas do Brooklin novaiorquino. E o negão-ciborgue do review do disco do Dabrye está dirigindo.

cinco.jpg
Deadmau5 - Get Scraped: Um moleque norte-americano, até gente boa, que trabalha no Wal Mart, mora com os pais e vai pro trabalho ouvindo sempre a mesma rádio FM no carro.

seis.jpg
Lindstrom - It's a feedelity affair: É a porta de uma casa noturna da Rua Augusta num sábado, por volta da meia-noite.

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Nightmares on Wax - Thought so... : Aquela festa na praia está começando a desacelerar. Todos os seus amigos estão lá, se divertindo horrores. O dia foi excelente. Você adorou cada momento e, levemente bêbado, se senta na areia, olha o sol se pondo e pensa no quanto a vida é boa.

oito.jpg
Rovo - MON : Deus, criando o universo.

(P.s.: Este post foi originalmente publicado no Impop, blog da Verbeat, hoje extinto)

Tom Zé, de graça, no interior de São Paulo

2008-10-29 22:34:29 +0000

Eu estou a 400 quilômetros da capital, nesta cidadezinha carinhosamente apelidada de "Dead Cow City", onde não são só as vacas do frigorífico onde trabalho que levam o "dead" do pseudônimo a sério: aqui, diariamente, quase nada acontece.

Então foi com muita surpresa que recebi a notícia de que Tom Zé estava na cidade - e mais, para fazer um show gratuito na pracinha em frente à rodoviária.

Tom Zé e banda

O show é iniciativa do Sesc de São Paulo (que tem twitter, olha só!), como parte de um tal Circuito das Artes. Circuito este que é surpreendentemente ousado: nada de turminha do colégio local fazendo pecinha de teatro ou coral da igreja cantando. O Sesc bateu forte, fugiu da mesmice e apresentou arte de qualidade, abrindo a noite com um espetáculo de dança profissional e de altíssimo nível chamado “Tudo que se espera”, depois passando o premiado (e excelente) curta metragem "Os Filmes que Não Fiz" e, no fim, entregando Tom Zé e sua música nada convencional.

Tom Zé e o violão entre as pernas O público, definitivamente, não estava preparado. Das muitas vezes em que me virei pra conferir a reação da platéia a expressão geral era de perplexidade. As senhoras tricotadeiras de Dead Cow City não escondiam o espanto de ver Tom Zé rasgar a própria roupa, cantar versos como "vá tomar na virgem/seu filho da cruz" ou, fechando os olhos em êxtase, meter o violão no meio das pernas. Mas isso é ótimo, tira o povo da zona de conforto e mexe naqueles cantinhos da consciência que o povo insiste em esconder quando vai à missa ou assiste novela.

E ninguém melhor que Tom Zé para esta missão. Tanto que sua primeira ação logo após subir ao palco foi DESCER e mandar, pessoalmente, o público vir se sentar perto dele (já que havia um vão de uns 10 metros entre o palco e as primeiras fileiras de cadeiras de plástico onde a platéia estava). Mesmo com boa parte do seu trabalho sendo bem pouco acessível para a platéia, a intenção de Tom Zé de se aproximar do público era clara - entre uma música e outra ele fazia piadinha com o mascote do time de futebol local, contava histórias de quando compunha com Rita Lee ou de quando foi chamado para discursar na ONU e até explicava os porquês do seu trabalho: por exemplo, antes de cantar "Atchim" (do disco "Danc-Êh-Sá"), cuja letra é "atchim" e nada mais, ele explicou que a idéia do disco nasceu quando viu uma pesquisa da MTV onde os jovens declaravam que detestavam músicas com letra muito comprida.

Tom Zé e a backing vocal O show teve várias músicas do seu próximo disco, "Estudando a Bossa". Acho que nunca um nome de disco descreveu tão bem o seu conteúdo, porque todas as canções que ouvi eram exatamente isso: estudos da bossa nova feitos em bossa nova. As letras eram quase "documentarísticas", com versos do tipo "Carnegie Hall foi quem pinçou João Gilberto", mas o divertido eram as performances, todas altamente simbólicas e referenciativas: Tom Zé desmontou e montou várias vezes o violão que tocava - e que era falso, tinha cordas de elástico (gominha, borracha, chame como quiser); botou as "backing vocals" para cantar em banquinhos - vários banquinhos, de todos os tamanhos, numa referência clara ao mesmo João Gilberto da letra da música; cantou em português e, na sequência, botou o guitarrista cantando a mesma música em inglês, e por aí vai. O problema é que o "miolo" do show foi com essa bossa nova do disco novo, que é mais lenta e intimista que todo o resto do repertório, e eu achei que isso acabou quebrando o ritmo da apresentação.

Destaque também para a execução de "Augusta, Angélica e Consolação" - três mulheres cujos nomes são os mesmos de três famosas ruas da capital paulistana. Confesso que perdi a compostura e saí cantando o refrão ("Augusta... queeeee saudaaaaade...") a plenos pulmões, com dor de cotovelo de estar tão longe de São Paulo, essa cidade feia e suja que eu gosto tanto.

O show fechou com o famoso “xique xique” e com a turma dançando forró em frente ao palco enquanto a banda cantava o refrão: “Sacode a cultura, sacode a cultura”. Sacudiu, de fato. E me deu, finalmente, uma lembrança divertida pra guardar de recordação desse fim de mundo…

Tom Zé estilo

RjDj – A trilha sonora da sua vida

2008-10-15 00:53:55 +0000

Esse é mais um da série “links legais demais para simplesmente jogar ali no meu delicious”.

Eis a coisa com maior potencial que já vi na história da música… o RjDj.

RjDj logo

Imagine ouvir música. Mas imagine que a música que você ouve toma forma de acordo com o ambiente onde você está ou o jeito que você se movimenta. Imagine ouvir batidas agitadas nos fones de ouvido enquanto você anda pela rua, e então entrar num elevador e perceber a música diminuir o ritmo, ficando mais suave… ou então imagine música sendo construida, em tempo real, com os ruídos que acontecem à sua volta, como o barulho do mar, as buzinas de um engarrafamento ou a conversa animada de uma mesa de bar…

Acontece que isso já está disponível desde o último dia 10 de outubro, através de um applet que funciona em qualquer iPhone. E o melhor: uma das versões (a “single”, com uma música) é gratuita.

Tecnicamente o RjDj funciona assim: cada “música” dele é chamada de “scene” (cena), e na verdade é um software que toca sons sequenciados mas que adapta o que é tocado de acordo com dados recebidos pelo microfone ou pelo acelerômetro do iPhone. Para ouvir um exemplo de cair o queixo, dê uma olhada neste trecho de um vídeo que mostra um dos desenvolvedores brincando com seus filhos. Ele está com os fones de ouvido e o RjDj está ligado, captando os sons ambientes pelo microfone do iPhone e transformando, em tempo real, os gritos e passos da criançada em uma trilha sonora suave e etérea. Ficou tão bonito, mas TÃO bonito, que eu quis comprar um iPhone pra mim NA HORA só pra ter este programa.

Outro vídeo legal é esse aí embaixo, mostrando as reações de algumas pessoas ao ouvir as “scenes” pela primeira vez. É simplesmente lindo. Note como todo mundo entende, intuitivamente, como a coisa funciona e começa a cantar no microfone ou a chacoalhar o aparelho. Eu nunca vi algo proporcionar uma experiência tão envolvente em tão pouco tempo e com uma curva de aprendizado inexistente.

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A coisa é muito, muito revolucionária. Conforme apontado pelo pessoal do Create Digital Music, isso pode alterar fundamentalmente o que se considera, atualmente, como “música”:

Isso reflete também um novo modelo de como produzir, possuir e precificar música. As cenas que tocam no RjDj são escritas em Pd (Pure Data), um ambiente open-source para criação multimídia. Os artistas normalmente também abrem o código das músicas. Isso cria um tipo de propriedade completamente novo. A música, na verdade, é o software, de uma forma ainda mais direta do que acontece, por exemplo, com a música eletrônica. O software é lançado mais ou menos com o mesmo preço de uma faixa musical vendida online, com a exceção de que, quando você a compra, ela se torna totalmente sua e vai tocar para você de um jeito totalmente diferente do que para qualquer outra pessoa.

Pois é, só sei que estou embasbacado até agora. Alguém tem um iPhone da primeira geração pra me vender, baratinho? :)

Providência

2008-10-01 03:12:59 +0000

Eu tinha algo entre 15 e 20 anos, nunca vou me lembrar corretamente e, de fato, datas não importam muito. Mas graças à boa-vontade de Luiz, meu primo, eu ouvia o Daydream Nation do Sonic Youth, numa fita cassete. É, uma fita cassete, cara.

E o Sonic Youth ia entregando obra-prima atrás de obra-prima. "Teenage riot" abria o disco como o hino nacional abre um jogo de copa do mundo, depois vinha "Silver Rocket" se fazendo de punk-rock, depois emendava com "The Sprawl" e "Cross the breeze" e as guitarras seguiam resolutas, naquele timbre lindo que só o Sonic youth sabe fazer e que ninguém mais fará igual.

Até que chega "Providence", a oitava faixa. Tudo muda. O vigor das guitarras dá lugar a uma atmosfera escura e solene, pontuada pelo zumbido grave de um amplificador estourado e pelo lamento triste de um piano mal gravado.

E então, a letra. Falada e entregue por ninguém menos do que duas gravações de secretária eletrônica:

Watt here, I'm downstairs in this window.. yr uh, punk phone booth..

*beep*

Thurston, Watt.. Thurston.. I think it's 10:30.. we're callin' from Providence, Rhode Island. Did you find your shit? You gotta watch the mota, Thurston.. Yr fuckin memory just goes out the window. We couldn't find it in the van at all, we were wondering if you looked in that trash can.. when we threw out that trash, man.. with the bag in yr hand, did you dump it? Call later, bye.

Por alguma razão a faixa 8 caiu exatamente no finalzinho do lado A, então depois de "Providence" a fita parou e eu fui entregue a um silêncio levemente desconfortável. E no meio desse silêncio e em algum nível muito obscuro da minha cabeça, eu entendi a coisa toda, como que numa epifania.

Até hoje "Providence" continua sendo uma das melhores músicas que já ouvi.

Felizmente hoje temos Wikipedia pra enriquecer meu entendimento "formal" sobre a música:

Distante da maioria das sensibilidades roqueiras do álbum está a peça de musique concrete "Providence", mostrando algumas das tendências mais experimentais da banda. A música consiste de um solo de piano tocado por Thurston Moore e gravado com um walkman na casa de sua mãe, o som de um amplificador superaquecido e duas mensagens telefônicas mixadas, deixadas por Mike Watt, que ligou para Moore de um telefone público em Providence, Rhode Island. A música foi inusitadamente lançada como single e recebeu até um vídeoclipe de uma tomada só.

O clipe é esse aqui, meio tosquinho e com os palavrões censurados, mas vá lá. Fuçando mais os tubos da internet ainda descobri que a "letra" da música é por conta de uma sacola com cabos de guitarra e fitas cassete que Thurston havia comprado na noite anterior, quando a banda tocou em NY, e que havia sumido. Mike Watt estava ligando de Providence por conta de um show do Firehose que seria feito lá. A "Mota" que ele se refere é o apelido deles para maconha, que aparentemente andava lesando com a memória de Thurston.

O Primo's Guided Musical Tour 2

2008-09-26 02:45:15 +0000

E lá vamos nós de novo! O episódio dois chama-se "Isso não é música de gente séria". Acho que vocês vão entender rapidinho...

Pra quem ligou agora seu televisor e tá boiando: veja antes o episódio 1.

[youtube]http://br.youtube.com/watch?v=xvNP_z-DnnQ[/youtube]

Acústico Zeca Pagodinho - Uma obra prima

2008-09-26 00:01:10 +0000

Ontem eu saí da minha rotina noturna padrão (ficar na internet até dormir) e fui à um churrasco. Carne vai, cerveja vem, então alguém bota um CD do Zeca Pagodinho pra tocar. Acho que é o "Acústico MTV", o da capinha aí embaixo. Eu já tinha ouvido, incidentalmente (e acidentalmente), vários trechos do CD por aí, mas nunca havia sido exposto à coisa toda de cabo a rabo. E percebi, horrorizado, que o CD é feito de uma genialidade torpe, uma premeditação comercial assustadora e executada com uma perfeição que eu nunca havia visto antes.

20080925 A coisa começa nos arranjos. Na minha cabeça o pagode original era pra ser um ritmo informal, pra tocar batendo na mesa do boteco e chacoalhando a caixinha de fósforo, mas o CD do Zeca Pagodinho tem o oposto disso: arranjos orquestrados, cordas e flautas e o escambau numa produção impecável. Até aí tudo bem, isso é coisa que qualquer Emmerson Nogueira da vida faria, mas o problema é que no CD do Zeca Pagodinho os instrumentos não são tocados, e sim executados - pois há uma diferença entre "fazer música" e "reproduzir o que está numa partitura". O pagode do Sr. Pagodinho é milimetricamente quadrado, minuciosamente pasteurizado, e soa como um hambúrger do McDonalds. Mas isso tudo é parte do plano.

Outra coisa que me assustou foi o esmero dos músicos em cobrir expectativas. Se existem "clichês musicais", eles fizeram todos. Sem exceção. Não há absolutamente NADA de surpreendente, nada fora do usual. Pelo contrário: se existe um procedimento padrão para produzir pagode(*), eles seguiram tudo à risca. No lugar aonde a letra pede aquela frase solta cantada mais aguda, típica de pagode, ele ia lá e cantava. Quando o refrão dá um espaço para você pensar "putz, aqui é exatamente o lugar aonde deveria entrar aquele backing vocal cantando lá-laiá", pronto, lá estava o backing vocal cantando lá-laiá.

Isso, somado com a execução milimétrica dos instrumentos, gera um ambiente musical que, para meu horror, carregava uma semelhança absurda com a identidade sonora da Rede Globo. É sério, pense naquele som lavado e artificial do jingle de abertura de um Jornal Hoje ou de um Jornal da Globo. Temas musicais como esses tem que ser "não desafiantes", afinal o telespectador continua assistindo quando se sente confortável, e a música fácil ajuda a construir esse sentimento de conforto. E o CD do Zeca Pagodinho era planejado para ser exatamente assim, para entregar exatamente o que o ouvinte esperava ouvir, e portanto soar confortável e familiar.

Com as letras das músicas a palavra de ordem era a mesma: manter-se dentro do ordinário, não ser desafiante e investir no que se tornaria facilmente acessível e que, portanto, geraria facilmente uma identificação do ouvinte. Como neste verso:

Se eu quiser fumar eu fumo
Se eu quiser beber eu bebo
Pago tudo que eu consumo
Com o suor do meu emprego

Eu confesso um certo medo ao perceber o poder de um verso desses. De certa forma isso é manipulação em forma de música. 90% dos brasileiros que ouvem isso devem, instantaneamente (e instintivamente), sorrir no canto da boca e pensar: "porra, eu ralo mesmo, eu deveria ter o direito de tomar a minha cervejinha sem encheção de saco". E aí um Zeca Pagodinho virtual dá uns tapinhas no ombro dessa pessoa e diz: "Viu? Eu te entendo, cara!". E o elo se forma.

O reforço do elo vem com as outras letras, relatos de histórias fáceis da vida de todo o dia e de todo mundo. Elas não tinham NENHUMA poesia, NENHUM lirismo. O foco era pintar uma imagem mental fácil, um capítulo de novela em forma de música, então algumas eram relatos secos, factuais, quase jornalísticos de coisas como um penetra numa festa de aniversário.

Bebeu demais
Comeu de tudo
Dançou sozinho
Encheu o bolso de salgadinho
Foi pra fila da pipoca
Roubou o pedaço de bolo e o refrigerante
que estava na mão do aniversariante
Fez a criança chorar

E no churrasco meus colegas de trabalho cantavam junto e exclamavam entre si:

- Cara, esse CD é perfeito. É bom pra caralho.

Eles têm razão. O CD é, de fato, perfeito. Como produto, o disco de Zeca Pagodinho é uma das maiores obras-primas que a indústria da música brasileira já produziu.

(*) - Quanto pê, hein? Dá até uma sigla: PPPPP, ou P5, pra ficar muderrrrno.

Blip.fm - Um Twitter que faz barulho

2008-08-31 01:28:38 +0000

Na última sexta-feira só se falava no Twitter de um tal site novo chamado Blip.fm. À noite, chegando de viagem, liguei o computador e fui conhecer a razão de tanto hype.

Usei o Blip.fm por cinco minutos. Foi o suficiente para dar o meu veredito final sobre o site, que pode ser resumido nesta frase: "A coisa mais genial que vi na internet este ano".

20080830 

O Blip.fm é um microblog, como o Twitter, mas com um diferencial matador: músicas anexadas aos seus micro-posts (chamados de "blips"). Então, na verdade, o que você posta são as músicas, junto com pequenos comentários sobre elas. Ou o inverso: comentários sobre qualquer coisa, mas "ilustrados" por músicas.

Se no Twitter a pergunta era "what are you doing?" ("o que você está fazendo?"), no Blip.fm a pergunta é "what are you listening to?" ("o que você está ouvindo?").

"Ah, mas a RIAA vai fechar o Blip.fm rapidinho!". Sim, eu e metade da internet pensamos exatamente a mesma coisa, mas enquanto eu escrevia este post percebi OUTRA sacada genial dos caras: as músicas que o Blip.fm toca NÃO estão hospedadas no próprio site - ele simplesmente toca músicas que estão espalhadas por toda a internet e que são facilmente encontráveis através do próprio Google ou de serviços especializados, como o Seeqpod.

É só dar uma olhada na barra de status do Firefox na hora em que você dá "play" numa faixa qualquer: cada hora os dados são lidos de um site diferente...

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Uma olhadinha no FAQ do Blip.fm parece confirmar esta suspeita (grifo meu)...

Eu blipei uma música ontem e hoje ela está "não disponível", o que houve?

As músicas são armazenas por toda a internet em diferentes servidores e websites. Às vezes o servidor cai e a música não está disponível para tocar, ou o dono do arquivo o removeu da internet de uma vez por todas.

Assim eles têm o maior acervo de músicas do mundo, não tem problemas com largura de banda ou capacidade de armazenamento e - o melhor de tudo - não são legalmente responsáveis por eventuais quebras de copyright. Bom, pelo menos eu acho.

E não é só isso: além de tudo o Blip.fm já tem integração com o Twitter, Last.fm e vários outros (FriendFeed, Pownce, Tumblr, Livejournal e Jaiku). Você pode "blipar" músicas que ouviu recentemente - e que ele "pesca" do Last.fm pra você - e twittar automaticamente a cada vez que você "blipa" uma música. É muito prático.

Genial, fácil de usar, integrado com o que você já usa... o Blip.fm é quase bom demais pra ser verdade.

Meus melhores de 2008 (so far)

2008-08-20 03:20:19 +0000

É uma lista altamente parcial (no sentido de "incompleta", não de "tendenciosa"), já que eu não fico caçando lançamentos do ano pra ouvir. Tanto que meu vício mais recente tem sido "Heaven or Las Vegas", disco do Cocteau Twins lançado em 1990. Além do mais faltam links e imagens das capas dos discos porque a maldita internet desse maldito hotel dessa maldita cidade está, mais uma vez, me deixando na mão.

Mas chega de disclaimer, vamulá:

Girl Talk - Feed The Animals

É o último trabalho de Greg Gillis, o mestre do mashup pop/rock/rap/Billboard top 100. Infelizmente, "Feed The Animals" repete EXATAMENTE a mesma fórmula do disco anterior, o "Night Ripper", validando a afirmativa de que Girl Talk é um mágico de um truque só.

Só que o truque dele é MUITO divertido!

Vampire Weekend

É a melhor coisa que ouvi em 2008. O som dos caras - que por alguma estranha razão anda sendo chamado de afro-pop - é muito amistoso, as letras são espertas e a dinâmica das músicas passeia num espaço agradável entre o vigoroso e o tranquilo. Mexidas no andamento, nos instrumentos (um órgão retrô ali, uma flauta acolá, um bongô mais adiante) e até na "estética" do som (às vezes puxando pro punk, pro caribenho ou pro kitsch) mantém o interesse firme e forte ao longo do disco. E ainda tem os competentes vocais de Ezra Koenig - que é homem, apesar do nome.

É uma obra-prima cujo único problema é ter apenas 34 minutos.

E, sim, tem muito hype em cima dos caras, mas não se deixe levar por isso.

Portishead - Third

Yeah, yeah, terceiro e antecipadíssimo disco dos papas do trip-hop e tal. Normalmente expectativas elevadas geram uma decepção proporcional, que, felizmente, não aconteceu. Mesmo depois de um hiato de 10 anos, o Portishead entrega o que todos esperavam - e com muita classe.

O disco é denso e construído sob os velhos (e funcionais) pilares do trip-hop: arranjos espartanos, tocados lentamente e em performances fortemente emocionais. Puxa pra baixo o mesmo tanto que o Vampire Weekend puxa pra cima - o que, portanto, o torna des-recomendável pra quem não curte navegar em emoções tristes.

Fly Pan Am - Ceux Qui Inventent N'Ont Jamis Vecu (?)

Olha, apesar deste disco fazer parte desta lista eu confesso que não entendo direito o rock experimental dos franco-canadenses do Fly Pan Am.

As músicas não parecem ir à lugar algum: os caras constróem uma "cena sonora" repetindo acordes nas guitarras por longos minutos, depois misturam live recordings com ruído e vocais perdidos, depois passam longos minutos em hiatos semi-silenciosos, depois "estragam" de propósito trechos das músicas, fazendo-as soar como se fossem glitches de um CD riscado ou um MP3 mal "encodado", e assim por diante. Só que existe uma "moral da história" no meio dessa bagunça: uma construção abstrata mas palpável e, num nível muito estranho da mente, perfeitamente compreensível.

E é isso que, de alguma forma, os torna geniais.

Bonus Tracks: Comentários rápidos sobre outros lançamentos 2008itenses que ouvi.

Daedelus - Love To Make Music To é delicioso como todos os outros discos de Daedelus. Mas, diferentemente do "Daedelus Denies the Day's Demise", esse investe numa atmosfera mais neutra ao invés daquela "animação toda" de sempre e, portanto, demora um pouco mais pra "bater"

O "Með suð í eyrum við spilum endalaust" (também conhecido como "disco do Sigur Rós com os caras pelados na capa")... bem, esse aí é uma grande incógnita. Comprei, ouvi e ele ficou lá, encostado na prateleira virtual do meu iTunes. Não que o disco seja ruim, mas, sei lá, parece que foi apagado pela sombra do disco anterior (o absurdamente maravilhoso "Takk").

A faixa 4 de "The Midnight Organ Fight", do Frightened Rabbit, é tão boa que, sozinha, me fez comprar o disco na hora. Agora pergunta se eu tive tempo de ouvir o resto das músicas... :/

A eMusic inventou uma tal selo chamado "eMusic Selects" para promover bandas. Sim, é jabá, então fiquei olhando torto até que, de repente, apareceu "Keeper's", do Deastro...

E o Tape lançou "Luminarium" em 2008, disco atmosférico e rico de texturas que, infelizmente, não tive tempo de ouvir direito até agora.

Um pouco de muitos ou muito de poucos?

2008-08-13 03:21:36 +0000

"Bati 2300 artistas no Last.fm", disse um transeunte do meu timeline do Twitter. O mesmo que, alguns dias antes, disse também: "fico orgulhoso quando faço download de uma banda que não tem nada mencionado no last.fm". Ficou claro que esse aí investe na variedade e se orgulha disso.

Já eu às vezes sofro com meus 65 downloads mensais da eMusic. É que eles expiram se você não utilizá-los, e às vezes eu estou apenas começando a realmente aproveitar as compras do mês anterior quando me vejo obrigado a apressar a compra do mês atual. Além disso, às vezes eu curto ouvir bandas e discos já "velhos de guerra" (especialmente com fones de ouvido) e perceber detalhes, nuances e tudo aquilo que normalmente só se revela depois que o disco é revisitado.

São dois prazeres distintos. Um é horizontal: varrer o mundo buscando novidades - e como o mundão musical é bem amplo ouvem-se muitos discos poucas vezes. O outro é vertical, onde a idéia é aprofundar audições em um número pequeno de discos e bandas "eleitas". São poucos discos ouvidos muitas vezes.

Mas o que é melhor? Poucas bandas ouvidas com profundidade ou muitas bandas ouvidas superficialmente?

Pra piorar a escolha, alguns gêneros musicais parecem privilegiar uma ou outra abordagem. Discos esteticamente complexos, que investem mais em texturas e camadas, normalmente recompensam audições sucessivas. Isso é muito comum na música eletrônica, normalmente construída na base da "sobreposição" de sons. Já os álbuns que investem no clássico "verso-refrão-verso" e em conjuntos de timbres conhecidos (como o campeão "guitarra-baixo-bateria") não costumam guardar muitas surpresas sonoras na manga - mesmo se forem, como o velho e bom rock'n roll, uma delícia de se ouvir várias vezes.

Taí uma discussão sem fim - o que não é exatamente um problema. De qualquer forma aguardo para saber o que meus colegas de Impop (e você, meu querido telespectoleitor) tem a dizer...

Assistir American Idol me lembra por que eu gosto tanto de música

2008-08-05 02:00:57 +0000

No último sábado eu apresentei à Bethania um clássico do YouTube: o vídeo do "American Idol" belga onde a participante canta uma música de Mariah Carey chamada... "Ken Lee".

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Risadas à parte, isso só me fez lembrar por que eu acho música uma coisa tão legal. É que, quando a performance é tosca, não é incomum que a intenção do artista seja a mais pura possível.

Música é uma coisa acessível, talvez mais do que todas as outras artes. Mas música também é muito acessível do ponto de vista emocional. É fácil se identificar com aquilo que está tocando, mesmo que a música seja em inglês e a pessoa não saiba uma palavra do que o cantor está dizendo. Ou mesmo se o ouvinte não souber distinguir qual é o som de uma guitarra e qual é o de um violão. Ainda assim a pessoa é tocada - e de uma forma muito intensa, tão intensa que a vontade de "participar" dessa coisa chamada música fica tão grande que ofusca a noção do ridículo.

É claro que há muitos casos onde a pessoa se expõe por vaidade, mas falo aqui dos casos onde a falta de noção fica muito evidente. Como exemplos cito Delfin Quishpe, o equatoriano que canta a tristeza de ter o amor de sua vida assassinado nos atentados de 11 de Setembro...

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Ou então Ednaldo Pereira, o cantor e compositor paraibano que, de tão "bom", foi parar até no Programa do Jô.

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Música é legal por isso, por ser algo que converte, facilmente, um sentimento intangível em algo tão concreto que afeta profundamente as pessoas. Aí a vontade enorme de "viver" a música - e principalmente a emoção/sensação/sentimento que aquilo representa - fica maior do que qualquer preocupação com reputação ou amor-próprio. O resultado pode até ser um mico, mas nenhum dos "artistas" dos vídeos acima pareceu arrependido...

O Primo's Guided Musical Tour

2008-07-18 20:58:11 +0000

Eu vinha mastigando essa idéia há tempos... aí resolvi executar.

A idéia é usar o YouTube pra "mini-podcasts legendados": uma mistura de texto e som, tornando-o uma mídia bastante apropriada para, por exemplo, falar sobre música. Você pode ler os comentários no vídeo e, ao mesmo tempo, ouvir a música que estou comentando.

Fiz uma primeira experiência aí embaixo, falando sobre como a música que eu ouço costuma ser feita sobre paradigmas muito diferentes do normal e tentando explicar alguns aspectos deles que acho interessantes. Veja aí então, diga o que achou depois nos comentários...

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=tddAVwWVG4c[/youtube]

Qual o instrumento musical mais difícil de tocar?

2008-07-14 22:57:32 +0000

Taí uma pergunta onde o que é mais interessante não é a resposta, e sim o raciocínio para chegar nela...

Temos muitas coisas pra considerar: pra começar, pense na facilidade (ou não) de fazer o instrumento tocar uma única nota corretamente. Em alguns casos, como num piano, é moleza: você aperta a tecla e o som sai, certinho e sempre afinado. Instrumentos "pré-programados" para tocar sempre as mesmas notas numa afinação fixa são chamados "temperados" e incluem, por exemplo, o violão, a guitarra, a flauta e o saxofone. Richard Clayderman e Kenny G, estão, portanto, fora do nosso páreo.

Tirar o "tempero" dos instrumentos aumenta a dificuldade, já que a afinação passa a depender diretamente do seu bom ouvido e/ou da técnica de tocar: se você achava difícil aprender violão pra poder tocar Legião Urbana nas festinhas e impressionar as garotas, compare-o com o violino...

20080714

Note que no "braço" do violão existe um monte de "travas" metálicas (chamadas trastes) que, quando cruzam com as cordas, formam "casas" que indicam o lugar exato onde você deve segurar a corda para tocar uma nota musical. Já o violino não tem isso, então é seu dedo que segura a corda - e se ele estiver um milímetro fora do lugar, a nota sai desafinada.

Ao contrário do piano, que é "tocou, levou", alguns instrumentos de sopro requerem muito esforço do aprendiz para produzir algum som sequer. Quem estuda flauta, por exemplo, sofre para conseguir acertar a chamada "embocadura" - a posição certa dos lábios e da língua para soprar no instrumento. Normalmente são dias e dias frustrantes soprando assim...

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=i1cyrWlJpzY[/youtube]

...até que, depois de MUUUUITA prática, você fica ninja como o cara aí embaixo, que toca a música do Mario e, ao mesmo tempo, faz as batidas com a boca:

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=gZww6urHGL0[/youtube]

E alguns instrumentos de sopro ainda tem as tais palhetas, uma espécie de bocal aonde o músico sopra. Quem toca oboé, por exemplo, além de aprender o instrumento e a embocadura, tem também que saber como construir suas próprias palhetas, já que a anatomia da boca de cada um é diferente e, por isso, não dá pra fabricar palhetas em série numa fábrica. Além de músico o cara tem que ter, também, um certo talento para o artesanato...

Agora imagine um instrumento que, além de precisar da embocadura certa, não é "temperado" e requer um cuidado extra com a afinação: eis aí os trombones, trumpetes e a tuba, famosa nos desenhos animados do Pernalonga. E ainda tem os instrumentos aonde o que complica é a coordenação motora para tocá-los, como a bateria. Às vezes o baterista está tocando um ritmo com o pé direito, outro ritmo na mão esquerda, mais um terceiro ritmo com a outra mão e, em alguns casos, cantando num andamento totalmente diferente de todo o resto. É de fundir o cérebro. Não é atoa que os bateristas são conhecidos por fazer aquela cara de "estou prestes a ter um derrame" enquanto tocam...

20080714_2Outro instrumento que parece ter sido construído pra complicar é o bandoneón - essa "sanfona" aí do lado, que os tocadores de tango usam. Sabia que cada botãozinho do bandoneon dá uma nota diferente quando você está abrindo o fole... e outra diferente quando você está fechando o fole?

Moral da história: não dá pra definir um ou outro instrumento como "o mais difícil de todos os tempos". Cada um é complicado à sua própria maneira, cada um tem um problema diferente. E é bom que seja difícil; a variedade de desafios para ser produzida ajuda a deixar a música ainda mais interessante.

“Kind of Blue” – Um comentário sobre jazz feito por quem não entende nada de jazz

2008-06-11 03:22:23 +0000

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Semana passada eu ia lendo meus blogs e feeds quando topei com um post, favoritado pelo grande chapa Tiagón, sobre "Kind of Blue", o megaboga disco de Miles Davis. O post dizia que era "o disco mais vendido da história do jazz", "um dos mais importantes e influenciais de toda a música" e tal. Aí encasquetei que, naquela semana mesmo, ouviria "Kind of Blue" pela primeira vez.

O que me motivou foi o fato de que eu não sei nada de jazz. De fato, eu só tenho UM disco de jazz ("Giant Steps", de John Coltrane) e li algumas coisas muito picadas sobre como é que os músicos fazem jazz. Então resolvi me usar de cobaia para ver qual o efeito que "Kind of blue", erigido ao status de master-obra-prima-música-dos-deuses por quem entende da coisa, teria em meus ouvidos de neófito, despreparados para receber tais divindades.

Decidi ouvir o disco na sexta-feira, enquanto voava de Brasília para São Paulo - era o momento mais agradável do fim da semana de trabalho e ainda me dava a garantia de que eu não seria interrompido por ninguém durante uma hora e meia.

A primeira faixa, "So what", abriu, cuidadosamente, os trabalhos. A primeira sensação foi de conforto por perceber que os músicos estavam seguindo o "padrão jazz" que eu já conhecia: apresentar um setting - tipo um tema musical - e depois improvisar por cima. O tema me pareceu simples, duas notinhas, uma longa e uma curta - que até parecem mesmo dizer: "so what?". No entanto as progressões harmônicas eram bastante agradáveis - e desafiantes. Atualmente eu já ouvi o disco umas três vezes mas ainda não consegui me localizar totalmente nas mexidas de tom que os caras dão, especialmente em "Freddie Freeloader", a segunda faixa, que de repente descamba para um tom diminuto que, sei lá, eu não queria ser o cara que ia improvisar em cima daquilo.

Falando em improvisos, eles eram bem do jeito que eu havia lido: o esquema não era exibir técnica e velocidade, e sim trabalhar o lado melódico da coisa - coisa que, pelo que percebi, nosso amigo Miles faz tomando um cuidado todo especial não somente com a melodia, mas com a dinâmica e a expressão. E se considerarmos a melodia como ostorytelling da música, a experiência de ver a história do disco sendo "escrita" em tempo real fez os quase 20 minutos das duas primeiras faixas passarem voando.

"Blue in green", a terceira faixa, reduziu a marcha do disco ainda mais, o que deixou bastante espaço para os instrumentos ficarem ainda mais expressivos. Eu acho isso bastante interessante, essa coisa de dizer mais com menos, de colocar intensidade no meio de discrição (até comentei disso no meu blog "normal" outro dia), mas eu ainda não sabia que o melhor estava guardado para o final. Prosseguindo, em "All Blues", a faixa seguinte, reparei que até então os músicos praticamente não haviam caído em nenhum daqueles "clichês melódicos" - sabe, aquelas sequências manjadas que você vê espalhadas por aí, desde o fim das frases na música clássica (seeempre voltando pro tom básico e resolvendo a tensão construída anteriormente) até nas melodias pop de rádio. E aí eu pensava na base de "All Blues" e aquilo parecia induzir as progressões mais óbvias. Mas é como eu disse antes, não entendo nada de jazz - talvez não seja nada disso, mas pra mim o aparente esforço dos músicos em andar por um caminho genuinamente criativo deixava tudo ainda mais interessante.

E aí veio "Flamenco Sketches" - "esboços de flamenco", numa tradução livre. Meu amigo, minha amiga, eu lhes digo que "Flamenco Sketches" me propiciou uma experiência que tem que ser descrita no detalhe:

Nos primeiros 30 segundos, apoiado pelo piano e pelo contrabaixo, Miles expõe a primeira parte do tema no seu trompete. Melodicamente aquilo não tinha nada de mais, mas eram notas tão bem escolhidas, tocadas de um jeito tão bonito... era um daqueles casos onde o músico pega um punhado de notas simples, descompromissadas, e na hora de junta tudo acaba nascendo uma frase inesquecível - como as notas do tema de Star Wars ou da introdução de Come As You Are, do Nirvana.

Aí, na sequência, a base do piano/contrabaixo faz uma curva de, sei lá, um tom e meio e, para minha surpresa, vai parar num acorde ainda mais bonito. E Miles entra com uma nota - uma única nota - longa, alta e pungente em seu trumpete. Precisamente nesse instante me passaram algumas centenas de coisas na cabeça: a primeira foi "Uou!"; a segunda foi "ah, então é ISSO que aquelas cantoras ficam tentando fazer quando dão aqueles agudos chatérrimos e que todo mundo acha lindo e fica aplaudindo". É que no caso das cantoras elas até acertam a nota, dão a entonação certinha, botam um vibrato pra dar "um plus a mais" mas ainda assim sempre faltava alguma coisa... precisamente a coisa que estava, de alguma forma, contida naquele agudo pungente do trumpete de Miles Davis. Daquele instante em diante a fama de obra-prima de "Kind of Blue" estava plenamente justificada pra mim.

Só na terceira (ou quarta parte, sei lá) do tema, quando o piano toca aquela sequência realmente típica de flamenco (sabe a música do Vega, do Street Fighter? Mais ou menos aquilo ali) é que a música explica seu nome. E Miles vai acompanhando e, de uma forma que eu nunca vi antes, colocando música em todo e qualquer movimento do seu trumpete - inclusive na hora de silenciar as notas ou de tocar, bem en passant, um semitom. É mais ou menos como se o cara produzisse beleza musical até quando está parando de tocar, revestindo tudo de uma expressividade com a qual eu, definitivamente, não estava acostumado.

Fechando o disco veio um take diferente da mesma "Flamenco Sketches", também muito bom mas que não teve muita graça por causa do meu nível de fascínio com o take anterior. E aí o disco acabou e eu fiquei ali, perdido em algum ponto do céu do interior de São Paulo, sem saber que disco eu teria condições psicológicas de ouvir na sequência.

O veredito, portanto, é esse: eu posso não entender muito da coisa, mas achei o "Kind of Blue" fenomenal.

Para ouvir agora – DF Tram

2008-06-05 03:25:31 +0000

No MySpace do cara tá escrito assim:

DF Tram is one of the most respected chillout djs/producers in north america and also one of the brains behind the band jumpcut and the ambisonic collective.

Os sets dele são simplesmente geniais: faixas clássicas de ambient temperadas com samples obscuros, divertidos ou inusitados: jingles de comerciais dos anos 60, trechos de palestras sobre drogas, canções infantis, áudio de missões da NASA e o que mais der na telha. Acontece bem do jeitinho que o slogan da Rádio AmbiSonic diz: "tuning you in, chilling you out".

Uma boa iniciação ao trabalho de DF Tram são os sets da Chillits, pequena (e exclusiva) festa anual do gênero. Todos os sets de todos os DJs que tocaram na festa, desde o ano 2000, estão disponíveis para download. Os de 2005 e 2007eu garanto.

Isso não é música de gente séria

2008-06-05 03:24:09 +0000

Tom Zé, lá em 1973, abriu seu disco "Todos os Olhos" cantando:

Todo compositor brasileiro é um complexado. Porque então esta mania danada, essa preocupação de falar tão sério, de parecer tão sério, de ser tão sério...

Eu, particularmente, adoro quando a música perde a compostura e vira piada, sarcasmo, nonsense ou coisa que o valha. E tem gente muito boa nisso, como por exemplo...

Kid Koala

Like Irregular Chickens - Kid Koala

O garoto coala canadense pode até ser absurdamente habilidoso nas turntables, mas o que eu mais gosto no seu trabalho é o senso de humor. Quem clicou no "play" ali em cima deve ter percebido que "Like Irregular Chickens" é feita com scratches de sons de galinhas (e de gente imitando galinha!). "Flu Season" segue o mesmo processo criativo, mas dessa vez com espirros, tosse e outras pneumopatias. E "Barhopper 2" é a primeira música da história a conter o som de um autêntico "silêncio desconfortável" em um encontro amoroso.

The Rip Off Artist

Sim, o nome do cara é "o artista da cópia descarada". Todos os seus discos copiam nomes de discos famosos, como o "Pump" do Aerosmith, o "In through the out door" do Led Zeppelin ou o "Pet Sounds" dos Beach Boys. E, ironicamente, o som é um IDM/Glitch cuidadosamente preparado e absolutamente original. E bem humorado, como a faixa abaixo deixa bem claro:

Vibrating Vegetable - The Rip Off Artist

O site dele continha um monte de biografias fantásticas - todas falsas. Atualmente elas foram substituídas por uma mensagem informando que o artista "se aposentou". Eu estou rezando pra que seja mais uma brincadeira...

Cex

Cex é, literalmente, um moleque. Seu primeiro lançamento foi em 1998, quando ele tinha 16 anos. Os discos da sua fase de IDM seriam um trabalho de altíssima seriedade... não fossem algumas faixas de gozação que sempre abrem, fecham ou entremeiam os seus discos: "High Scores", por exemplo, é uma pegadinha sonora envolvendo um casal de lésbicas e um Playstation (sério!). "Furcoat" abre com um casal de músicos falsos chegando no tapete vermelho do MTV Music Awards e confrontando um Cex versão gangsta, com facas e tudo.

Beastie Boys

Os caras já são naturalmente espirituosos, mas o lado "piadinhas" dos Beastie Boys sai mesmo do armário é na coletânea "Anthology - The Sounds of Science", cheia de faixas, digamos, "descompromissadas", como o inesperado country em "Railroad Blues" e "Country Mike's Theme", ou a hilária "Boomin' Granny" que versa sobre o amor pelas velhinhas, e que merece um trechinho da letra reproduzido aqui:

Because I saw you at the check-out line
You dropped your coupons, and you were looking fine
Sophisticated, and so mature
I couldn't really care if you're sixty or seventy-four
Because I want ya, and I need ya...

Mas a melhor é "Netty's Girl", uma baladinha dor-de-cotovelo cantada por um Mike D. e um Ad Rock que, ou estavam realmente bêbados, ou fizeram a melhor performance pseudo-etílica da história. Ouça você mesmo:

Nettys Girl - Beastie Boys

Como funciona um maestro

2008-05-27 17:26:24 +0000

20080526 A figura do maestro é um tanto quanto "mitológica". Tanto que, recentemente, a Folha deu a notícia que um robô regeu a orquestra sinfônica de Detroit e todo mundo se encheu de "oohs" e "aahs". Mas você sabe o que o maestro realmente faz na hora de reger uma orquestra?

Da próxima vez que você for a um concerto, repare nos músicos: eles raramente olham para o maestro. Eu sempre achei isso muito estranho, até que um dia, conversando com o tio da minha esposa (que toca oboé numa orquestra), o mistério começou a se dissipar. Segundo ele:

Nas apresentações a orquestra toca praticamente sozinha. O maestro poderia apenas dar a primeira nota e sair do palco que não faria diferença.

De fato, o maestro até parece ser o responsável por tudo que está acontecendo - e portanto é quem leva o crédito pela apresentação (e os aplausos) no final. Mas na verdade ele é responsável pela função mais ridícula de todas: a de metrônomo.

Tudo que o maestro faz é marcar, com o movimento dos braços e da batuta, o tempo (andamento) da música - ou seja, se é pra ir mais rápido ou devagar. Ele também pode indicar as "entradas" (a hora de um instrumento começar a tocar) e também a dinâmica da música (se é pra tocar mais forte, mais fraco, etc.), mas isso já vem anotado na partitura. É um trabalho tão simples que um violinista pode tocar e reger seus colegas ao mesmo tempo - usando o arco do violino ou mexendo a própria cabeça. Isso acontece mesmo, tá lá no verbete da Wikipédia sobre regência, pode olhar se quiser.

Falando assim o maestro parece ser o maior de todos os picaretas. Mas seu mérito é merecido. Segundo o mesmo tio oboísta da minha esposa...

O maestro é realmente importante para preparar a orquestra.

Essa sim, meus caros, é a grande função do maestro: os melhores são os que, nos ensaios, conseguem tirar o melhor som possível de seus músicos - habilidade esta que tornou famoso o regente austríaco Herbert von Karajan: ele era tão bom nisso que seu jeito de moldar a orquestra resultava no chamado "som Karajan"...

...um som multifacetado, altamente refinado, laqueado, calculadamente voluptuoso que podia ser aplicado, com as modificações de estilo que ele julgasse apropriadas, à Bach e Puccini, Mozart e Mahler, Beethoven e Wagner...

Confesso que eu não me importaria se chamassem o meu trabalho de "calculadamente voluptuoso"...

20080526_2
Karajan, possivelmente fingindo que está trabalhando

Além de talentoso, Karajan (que, dizem, já foi do partido nazista) parecia também ser um ótimo businessman: ele foi um dos maiores apoiadores do CD na época do seu lançamento. Dizem até que foi por insistência dele que os CDs tem 72 minutos: era para, segundo ele, caber a nona sinfonia de Beethoven num único disco. Karajan também é tido como responsável por inflacionar os preços das apresentações, pagando salários exorbitantes para músicos convidados e fazendo subir o preço das apresentações. No fim, ele, como maestro, recebia mais.

De fato, os bons maestros são verdadeiros gênios - mas não necessariamente na hora em que pegam na batuta...

Acselerêitor

2008-05-06 03:26:10 +0000

Eu adoro o podcast da revista XLR8R - Não tem locução nem conversa fiada: ou é um apanhado de música nova ou umDJ set de gente muito fina.

Hoje fui almoçar tirando o atraso dos podcasts e ouvi muita música interessante vinda de lá. Clique nos links pra ouvir a faixa que eu comento:

MC Gringo - Alemão - Isso é globalização, meu amigo! MC Gringo é realmente alemão - um jornalista que mora no Rio e canta funk carioca em português com um sotaque hilário. Note que a base da música é emprestada do Kraftwerk...

Christopher Bissonnette - Jour et Nuit - Ah, o ambient. Aquele gênero musical onde cada faixa tem 10 minutos deporra nenhuma acontecendo. Por isso que, quando o ambient é bom, ele é realmente bom: afinal, é complicado fazer uma música boa usando apenas harmonias, texturas e reverb.

Otic Angst - Need That Love - Tem só 23 anos o tal Otic Angst, mas o moleque produz seu "electro-soul" com esmero: cuida da batida, escolhe bem seus samples, inclui uma ou outra variação inusitada para manter o interesse e depois mistura tudo na medida certa. O resultado? "Need That Love" faz você levantar as duas sobrancelhas e sentir vontade de mexer a bunda.

Débruit - Pointy - Soa quebrada, como se o cérebro estivesse doidão de alguma coisa e só conseguisse pensar pelas metades. Pra quem não usa drogas (meu caso) esse tipo de coisa é sempre interessante, é o jeito "limpo" de conseguir uma experiência mental parecida.

Don Cavalli - New Hollywood Babylon - Imagine Wesley Wilis compondo folk rock para filmes de Bollywood. Coisa linda! E o tal Don Cavalli é, surpreendentemente, francês.

Bonus: Synth Tax, DJ set de Kid Kameleon (que escreve para a revista), contém funk carioca e Bonde do Rolê, mas AINDA ASSIM é a coisa mais divertida do universo e é absolutamente IMPERDÍVEL. Baixe djá e ouça sem preconceitos.

Meus discos do mês

2008-04-29 03:27:10 +0000

Comprei na eMusic. Sim, babo ovo mesmo.

20080428.jpgFennesz & Sakamoto - Sala Santa Cecilia

As paredes de barulho sonoro que o austríaco Christian Fennesz constrói com sua guitarra e seu Mac não são exatamente "acessíveis". Tanto que a comunidade dele no Orkut, por exemplo, tem minguados 37 membros.

"Sala Santa Cecília" é uma parceria de Fennesz e Ryuichi Sakamoto, gravada ao vivo na Itália para o festival Romaeuropa. Sakamoto contribuiu com pitadas eletrônicas, Fennesz entrou com sua sempre competente guitarra "ambient", e o resultado são 19 minutos* de uma sintonia ímpar - e olha que não é exatamente simples "sintonizar" barulho de guitarra hiperprocessado com pops/clicks/glitches aparentemente aleatórios. (Myspace - Site oficial)

* - DICA QUENTE: Músicas longas são o melhor custo benefício da eMusic, já que você paga por faixa. Neste disco você leva 19 minutos de música por US$ 0,26 (sim, vinte e seis CENTAVOS de dólar).

20080428_2.jpgOOIOO - Kila Kila Kila

É meu terceiro disco do OOIOO. Nesse ritmo eu vou completar minha coleção rapidinho...

"Kila Kila Kila" segue a receita básica do OOIOO, ou seja, loucura psicodélica total, guitarras e batidas semi-tribais se repetindo por longas faixas, vocais meio "mantra" meio "coisas que o xamã da sua tribo cantaria". E é por isso que eu aprecio esse pessoal, pois há uma linha muito, muuuuito tênue entre o nonsense puro e simples e a música extraída do meio do nonsense - habilidade esta que eles esbanjam e que me fascina. (Myspace -Site oficial)

20080428_3.jpgTape - Opera

Opera é uma espécie de joguinho entre texturas "analógicas" e "digitais": acordeons misturados com glitches, violões e gaitas mesclados com ruído rosa e por aí vai.

A abordagem do trio de multi-instrumentistas suecos responsáveis por este disco é bem evidente logo na primeira audição. Os instrumentos não são usados do jeito convencional - ao invés de tocar músicas (sequências de notas) eles emprestam texturas, timbres e cores para as faixas. A "moral da história" de cada faixa não está na sequência das notas que são tocadas, e sim em como estas texturas se misturam e se alternam. Se bobear, o título do disco (Opera) deve até ser uma piadinha com este jeito convencional de compor... (Myspace - Site oficial)

A música mais desagradável do mundo

2008-04-22 03:16:44 +0000

Komar e Melamid, dois artistas, fizeram uma pesquisa online para descobrir quais são as características mais indesejáveis em uma música.

O resultado? "A música mais indesejada tem 25 minutos aproximadamente, varia entre partes calmas e barulhentas, tempos rápidos e lentos, timbres extremamente altos ou baixos, e essa dicotomia deve ser apresentada de forma abrupta" - ou seja, como qualquer faixa do Godspeed You! Black Emperor, uma das minhas bandas prediletas.

Mas o melhor é que os caras resolveram montar uma música com estas características, compondo o que seria uma música cientificamente desagradável (que pra mim é perfeitamente audível). Tem também o oposto, uma música construída apenas com características desejáveis, que - previsivelmente - soa como uma mistura de Kenny G com qualquer faixa que toque na Jovem Pan.

No ramo da música "desagradável" (note as aspas), minha melhor recomendação é uma banda "irmã" do Godspeed, chamada Set Fire To Flames, e seu disco duplo intitulado "Telegraphs in Negative". Citando eu mesmo:

No site da gravadora Alien8, a história de Telegraphs in Negative é contada. Basicamente, os 13 integrantes da banda acharam um grande celeiro abandonado na área rural de Ontario, no Canadá, levaram o equipamento e se trancaram lá. "O álbum foi formado numa situação de isolamento auto-imposto, com a banda funcionando tanto individualmente quanto comunitariamente, em estágios de pouco ou nenhum sono, níveis variados de intoxicação, e confinados fisicamente", diz o site.

Telegraphs in negative NÃO é um disco divertido. NÃO é um disco fácil. NÃO é um passeio no parque. É uma jornada difícil por consciências atormentadas, por demônios escondidos atrás de cada pilha de feno e de madeira velha. É um disco que vai incomodar e vai lhe deixar deprimido.

No entanto, Telegraphs in negative é intenso, e por isso mesmo profundamente expressivo, atingindo extremos onde, por exemplo, uma faixa contendo apenas trechos gravados de telefonemas ("Mouths trapped in static") fica linda e é mais emocional do que quaisquer 20 minutos de guitarra urrando no último volume.

(Links da música desagradável/agradável via MeioBit)

Do que é preciso para fazer 10 minutos de música

2008-04-04 03:18:43 +0000

Porque vivemos na era do rapidshare, do speeddating, do quicktime e do fasttracking.

Nem todo mundo anda com tempo de ouvir música comprida. Exemplinho: lembra do Daft Punk? Fez "One More Time", que tem 6:05 minutos na sua versão original. Aí botou pra tocar no rádio. E o rádio não tinha "time" para "one more time" inteira, então passaram a faca no break de dois minutos que ela tinha bem no meio, sem cerimônia. Dois minutos, cara! "Dá pra tocar uma Rihanna nesses dois minutos", devem ter dito.

Aí tem gente que faz músicas com oito, dez, vinte minutos. Algumas são tão boas que é o resto do mundo que pára para elas tocarem. Assim, para inaugurar minha participação neste blog (primeiro post êêê!), aqui vai meu TOP 10 músicas longas.

10) "Everything lay still", Colleen (10 minutos e 47 segundos)
Imagine que você ficou preso dentro de uma caixinha de música...

9) "Another near miss", Laura (8 minutos e 51 segundos)
Laura é australiana e muito interessante. Esta faixa fecha o disco "Radio Swan is Down", a obra-prima da banda. Mas atenção para o spoiler: a música morre no final.

8) "13 angels standing guard 'round the side of your bed", A Silver Mt. Zion (7 minutos e 22 segundos)
É exatamente como 13 anjos da guarda em volta da sua cama soariam. E o engraçado é que esta faixa é uma exceção no trabalho normal do A Silver Mt. Zion, que normalmente faz música bem mais seca e difícil. (Curiosidade: "A Silver Mt. Zion" é apenas um resumo do nome correto da banda, "Thee Silver Mt. Zion Memorial Orchestra & Tra-La-La Band")

7) "Autobahn", Kraftwerk (22 minutos e 43 segundos)
A música é mais velha que eu. E os mais velhos tem muito a ensinar. Vovô Schneider e Vovô Hutter já sabiam, há 34 anos, como construir belas experiências através de música - até mesmo experiências como a de viajar de carro.

(p.s.: descanse em paz, Klaus Dinger)

6) "Milano", Sigur Rós (10 minutos e 25 segundos)
O segredo da boa música longa são longos crescendos que desembocam em momentos de completa apoteose sonora, guitarra esmigalhando, bateria destruíndo, etc., como a que acontece bem no meio de "Milano". Você nem repara a voz de mulherzinha do vocalista....

5) "First breath after coma", Explosions in the sky (9 minutos e 33 segundos)
É como "Milano", mas não tem vocalista com voz de mulherzinha. De fato, não tem vocal nenhum. Mas muita coisa é dita pela melodia das guitarras.

4) "TNT", Tortoise (7 minutos e 33 segundos)
Essa música me lembra um amigo que, ao ouví-la pela primeira vez, fez uma cara inesquecível de "estou absolutamente fascinado com essa bateria".

3) "Djed", Tortoise (20 minutos e 59 segundos)
Os caras do Tortoise parecem se relacionar com a música em um patamar diferente das pessoas comuns. É como se eles morassem naquele andar 7 e 1/2 do filme "Quero Ser John Malkovich".

2) "La canción de gurb", Migala (8 minutos e 30 segundos)
É meio que uma versão mais longa para "Gurb's song", gravada três anos antes. "Gurb's song" conta, com um inglês cheio de sotaque español, a história de um amor súbito e incrivelmente intenso. E "La canción de Gurb" mostra, sem vocais mas com incrível nitidez de detalhes, a intensidade desse amor. Ouça com fones, bem alto.

1) "Storm", Godspeed You! Black Emperor (22 minutos e 32 segundos)
Storm é perfeição. Primeiro a música sobe aos céus num looongo e maravilhoso crescendo de 10 minutos. Depois você é arrebatado por sete minutos da "tempestade" que dá nome à faixa. E o que resta pelos últimos cinco minutos não é a bonança, e sim uma paisagem destruída, pós-apocalíptica, magistralmente bela em sua tristeza profunda.

Eu conto na mão esquerda do Lula as bandas que eu tenho vontade de ver ao vivo. O GY!BE é a banda do dedão, a primeirona da lista. Reza a lenda que o som ao vivo é tão alto que o público tem que ir se afastando do palco aos poucos. Eu acho que nessa hora eu também me afastaria. De joelhos.

A regra de ouro do sampling

2008-03-10 19:32:48 +0000

...é a seguinte: Não sampleie músicas melhores do que a música que você está fazendo.

Sabe, isso é tão óbvio, mas só hoje me dei conta. Músicas que usam samples de músicas muito boas tendem a ser uma droga.

É um caso de matemática bizarra, onde o resultado final piora conforme você vai somando músicas boas a ele. Um exemplo: Funky Shit, do Prodigy. A música abre com um sample de Root Down, dos Beastie Boys - com Mike D gritando "Oh my god that's the funky shit". Desse instante em diante, meu cérebro passa a ignorar a música do Prodigy e eu só consigo pensar no quanto o Ill Communication é um disco bom...

E o mais legal é que o inverso também funciona: você soma um monte de porcarias que não valem nada e o resultado final pode ficar 10 vezes melhor que as músicas ruins todas juntas. Quer um exemplo? Girl Talk, o cara que joga um monte de maluquices no liquidificador e, no fim, serve o melhor milk shake que você já viu. Ou você acreditaria que "Bounce That", mostrada no vídeo abaixo, usa samples de Britney Spears, Ludacris + Ciara, Elastica e Stevie Wonder?

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(Por sinal esse vídeo aí não é oficial: foi feito por Matthew Soar - professor da Universidade de Concórdia, em Montreal - junto com seus alunos, como contribuição para o Open Source Cinema Project. Ficou duca.)

TOP discos de 2007

2008-01-05 04:59:26 +0000

Pra mim, 2007 foi um ano bem rico do ponto de vista musical. Ouvi muita coisa nova, descobri muita coisa boa. Mas muita coisa lançada em 2007 eu só estou ouvindo agora, por ocasião das inúmeras listas de TOP discos que me deixam com água na boca, querendo ouvir tudo ao mesmo tempo. Assim, esse meu TOP ficou um tanto quanto migué. Mesmo assim, vamos lá:

Simian Mobile Disco - Attack Decay Sustain Release

20080105 De longe, a melhor coisa musical que me aconteceu em 2007. É dançante, é divertido, é bem produzido, é original e atropela algumas centenas de lançamentos de gente que se considera moderninha mas que, no fim, é bem ruinzinha (cof cof LCD Soundsystem cof cof).

Os seis primeiros segundos de "It's the beat" são suficientes para me dar arrepios, de tão boa que a faixa é; "Tits and Acid" é tudo que o canastrão do Fatboy Slim poderia mas não fez com sua TB-303. "Hotdog" é pra rir da letra e depois cantar junto, perdendo completamente a noção, numa pista de dança; e "Hustler" é, sem sombra de dúvida, a música do ano de 2007.

(Clique aqui para ver o clipe de "Hustler")

Justice - "Cross"

20080105_2 Esse eu nem comentei aqui antes, pois o disco entrou no páreo aos 45 do segundo tempo: baixei o disco no final de dezembro, seguindo a sugestão do blog de André X, o baixista da Plebe Rude. E o diabo do disquinho é simplesmente magnífico - a ponto de me deixar em dúvida se o troféu de "melhor do ano" vai pra ele ou pro Simian Mobile Disco!

Musicalmente, o disco do Justice (que não tem nome, só a cruz na capa, e que o faz ser chamado de "cross") é mais intenso, mais "rock", mais épico, enquanto o do Simian é mais eletrônico, mais classudo, mais musical. O que é ótimo e faz com que terminemos 2007 com duas pérolas divertidíssimas, perfeitas para serem ouvidas uma na sequência da outra.

Em tempo: já que "Hustler" roubou o título de música do ano, pelo menos o de videoclipe do ano tem que ir para "D.A.N.C.E.", a terceira faixa.

(Clique aqui para ver o clipe de D.A.N.C.E.)

Stars Of The Lid - and Their Refinement of the Decline

20080105_3 E, no extremo oposto do Justice e do Simian Mobile Disco, vem isto. "And their refinement..." é música ambient.

O disco - duplo e com duas horas de duração - se desenvolve sem pressa. Suas 18 faixas se espreguiçam ao longo do tempo, revelando beeem devagar do que são feitas. E são feitas de uma beleza magnífica, construída sobre harmonias simples mas sempre eficientes. Vocais? Bem, apenas DUAS frases são ditas durante todo o disco, em "humectez la mouture".

O fato de eu ter chegado neste disco é culpa do The Dead Texan, disco de 2004 que, de tão bonito, me fez pesquisar e descobrir que seu autor era Adam Witzie - uma das metades do Stars Of The Lid.

(Clique aqui para ver um "pseudo clipe" de Apreludes in C Sharp Major - Ignore as imagens, foi um muleque que montou o vídeo)

M.I.A. - Kala

20080105_4 Acho que só eu consigo gostar de M.I.A...

Sim, "Kala" é um disco tosco, com capa tosca. Mas a tosquice, o jeitão meio funk meio "world music" das faixas, os elementos indianos, as letras politizadas ("You think it's tought now? Come to Africa!") e tudo o mais caem muito bem com a belíssima voz da diaba da mulher. Pensa bem: não existe NENHUM outro estilo musical para o qual a voz de M.I.A. serviria. Ela tinha que cantar exatamente o que canta hoje.

Mesmo quando a produção das faixas atinge níveis absurdos de tosquice, ao invés disto "esvaziar" as faixas, o efeito é o inverso: a voz de M.I.A. brilha ainda mais e músicas que tinham tudo pra fracassar (como, por exemplo, "World Town" ou "XR2") ficam ótimas.

(Clique aqui para ver o clipe de Boyz. Dói o olho mas é legal.)

Colleen - Les Ondes Silencieuses

20080105_5 "Les ondes" é, simplesmente, Cécile Schott - uma linda mulher francesa, professora de inglês de um liceu parisiense - brincando de tocar violoncelo, viola da gamba, clarinete, espineta (um tipo de clavicórdio) e outras coisas delicadas, como copos de cristal.

Digo "brincando" porque Coleen não é proficiente em nenhum destes instrumentos. Ela, inclusive, toca devagar porque não sabe tocá-los bem. E isto, que deveria servir de limitador para a música, acaba deixando aflorar melodias de um aspecto muito mais autêntico e poético. Em "Les Ondes Silencieuses", não são as notas que compõem as músicas, e sim os espaços entre elas. O foco não é produzir melodias bonitas, e sim naturais, fruto de uma exploração de como soa o instrumento, ao invés do que é possível fazer com ele.

(Não tem clipe deste disco, mas tem o de "I'll read you a story", do disco anterior dela, que é absolutamente lindo)

Algumas observações adicionais

  • O novo do Of Montreal, chamado "Hissing fauna, are you the destroyer", possivelmente estaria nesta lista. Só que não tenho mais créditos para comprá-lo na eMusic, aí optei por esperar.
  • O do Panda Bear, que eu ouvi logo que foi lançado, que aparece na lista de melhores da eMusic e é campeão da lista do Pitchfork, também deveria estar aí, mas... sei lá.
  • O do Battles eu também só estou ouvindo agora, e me parece realmente bom.
  • Não, não dá pra gostar do LCD Soundsystem. Não sei o que as pessoas vêem nesses caras. E o "In Rainbows" do Radiohead é até legal, mas nem de longe é um dos melhores de 2007.
  • Vale mencionar as coisas boas lançadas em outros anos mas que descobri só em 2007, como por exemplo: Girl Talk, Asobi Seksu, Lemon Jelly, OOIOO, The Dead Texan e Laura.

O Primo recomenda - 1001 discos para ouvir antes de morrer

2008-01-02 21:24:49 +0000

20080102 "1001 discos..." tem a maior pinta de livro oportunista. Pra começar, ele pega carona na modinha atual de lançamentos estilo "coisas a fazer antes de morrer" - o que é, inclusive, considerado tétrico demais por vários amigos meus. Além disso, ele foi lançado estrategicamente antes do natal e tem um formato gráfico estilo "presente ideal para aquele seu neto que não larga o iPod" e "livrinho para mesa de centro de sala de gente rica e metida-a-besta". Só que, disfarçado por trás disso tudo, está um belo registro histórico da evolução da música - em especial do rock - desde os anos 50 até os dias atuais.

Por definição, qualquer lista de "top discos" é extremamente arriscada: o universo a se explorar é complexo demais e, por mais que se esmiuçe discografias por aí, sempre tem alguém que vai criticar a lista e dizer que "foi um absurdo ter esquecido do disco tal". É meio que a síndrome do suporte técnico: não adianta fazer tudo certo centenas de vezes; um erro é suficiente para colocar em xeque a competência do autor. Felizmente, a lista tem mil e um discos, o que reduz bastante a chance de que alguém seja deixado de lado.

Não obstante, é bem visível a preocupação dos editores em incluir todo mundo que seja, de alguma forma, significativo para a história da música. Britney Spears, por exemplo, está na lista com "Baby One More Time" - afinal, como o livro diz, "é inegável o estrondo que a estréia de Britney produziu na música popular". Outros grandes marcos históricos estão todos lá, como o "Thriller" de Michael Jackson (o disco sem "nenhuma nota fora do lugar"), o "Nevermind" do Nirvana ("sem dúvida alguma, o álbum de rock mais importante dos anos 90"), o "The Number of The Beast" do Iron Maiden ("um dos melhores discos de heavy metal de todos os tempos") e vários outros.

O esforço dos editores torna o livro especialmente gratificante para os fãs de música mais "diversificados" - aqueles que tem o ouvido aberto e apreciam as figurinhas manjadas (Rolling Stones, Dire Straits), as aberrações obscuras (Einstürzende Neubaten), os grotescos (Marilyn Manson), os amistosos (Belle and Sebastian), os hiperfamosos (Beatles), os ilustres desconhecidos (Minutemen), os caras do rap e do hip-hop, brancos (Beastie Boys) e negros (Public Enemy), os caras da música eletrônica (Kraftwerk, Chemical Brothers, Daft Punk, Underworld), os caras do jazz (Miles Davis, John Coltrane), os caras do começo do rock (Elvis Presley) e de depois do rock (Tortoise), as cantoras (Björk, PJ Harvey), os cantores (Elvis Costello), os gays (Pet Shop Boys), os politicamente engajados (Rage Against The Machine), os que não ligam pra nada (Pavement, Supergrass), os brasileiros (Mutantes, Caetano, Chico, Sepultura, Elis), etc. Tá todo mundo lá, e sempre em seus melhores discos.

Como se não bastasse a magnífica seleção, o livro tem um formato agradável tanto para folhear como para uma leitura minuciosa: cada página é dedicada a um único disco e inclui a arte da capa, uma lista das músicas com as faixas de destaque devidamente marcadas e comentários sobre cada álbum. Os comentários são curtos, bem escritos, cheios de notas históricas de bastidores, curiosidades e citações dos artistas. O livro mostra os discos em ordem cronológica, desde 1955 até os dias atuais - atuais mesmo, tanto que deu tempo de incluir o Arctic Monkeys, o "Arular" de M.I.A. e até o "Neon Bible" do Arcade Fire.

Por isso tudo, "1001 discos..." é altamente recomendado. O único problema do livro é que ele gera muita ansiedade nos viciados em música com pouco tempo livre (meu caso). Cada página virada gera pensamentos do tipo "eu preciso ouvir este disco"; então, imagine-se pensando nisso algumas centenas de vezes...

P.s.: Para os cinéfilos, vale a lida no review da Larissa Herbst sobre o "1001 filmes para assistir antes de morrer".

"Dizia ele, estou indo pra Brasíliaaaa"...

2007-12-07 01:56:47 +0000

20071206
É mais ou menos isso o que João de Santo Cristo viu ao descer do ônibus.

Tou trabalhando em Brasília, nesta e na próxima semana.

Está sendo um saco porque, por todo lugar que passo, me lembro das músicas da Legião Urbana. De manhã eu vejo a rodoviária e penso em Faroeste Caboclo, quando João de Santo Cristo "saiu da rodoviária e viu as luzes de natal". Aí alguém menciona a Ceilândia e eu me lembro que foi lá, em frente ao lote 14, que Jeremias, "um hooomem que atirava pelas costas", matou o pobre João. E tem também o Parque da Cidade - que é escrito em maiúsculas porque não é simplesmente um parque numa cidade, é um nome próprio - e que foi onde Eduardo se encontrou com Mônica. Ela de moto, ele de "camelo".

O cliente brasiliense é, obviamente, do governo. Então passo os dias usando gravata, debaixo de ar condicionado, e me deprimindo ao ver como o dinheiro dos meus impostos é mal gasto.

Até que, no final da tarde de hoje, tive uma surpresa espetacular.

Eu e a trainee estávamos trabalhando quando um dos caras do governo entra na sala pra discutir umas coisas. Depois do assunto de trabalho, ele pergunta:

- Ei, vocês vão passar o fim de semana na cidade?
- Só ela vai - digo eu, apontando para a trainee - Por quê?
- É que vai ter show da minha banda no sábado...
- Ah é, você tem banda? Legal! O que vocês tocam?
- Uhh... nossas próprias músicas mesmo. Eu toco baixo. É a Plebe Rude.
- Cover do Plebe Rude? - pergunta a trainee.
- Não, é a banda original mesmo. Eu sou o baixista da Plebe Rude.

Sim, meus amigos. Aquele cara engravatado ali na nossa frente era ninguém menos do que André X, o baixista da Plebe Rude - famosa banda brasiliense formada nos anos 80, período áureo do rock nacional, e autora de vários sucessos como "Proteção", "Até quando esperar" e "Sexo e Caratê" (minha predileta, hehe).

20071206_2
André X (esq.) e seus colegas de banda, na atual formação da Plebe Rude (foto deste site aqui)

Eu estou estupefato até agora. E eu perdendo tempo pensando em Legião Urbana...

Update: Dica da Lori - O blog do André X

Compras do mês d'O Primo

2007-12-06 03:55:23 +0000

Esse mês quase não deu pra fazer esse post, por causa da mudança.

Como de costume, tudo comprado na eMusic, exceto o cabeça-de-rádio. E não, eu não ganho jabá da eMusic nem nada. Sou apenas um cliente feliz.

Simian Mobile Disco - Attack Decay Sustain Release

20071204

Este disco gira na esfera daquela modinha chata de lançamentos meio "electro" meio "new rave". Entretanto, meus amigos... ele é um dos melhores discos do ano de 2007.

Lembram de 1996, quando o Daft Punk lançou o "Homework", aquele disco que não tinha nada de mais, que havia sido produzido no quarto dos caras, mas que era absurdamente bom e virou um clássico? O A.D.S.R. é bastante parecido: não tem nenhuma firula de produção, não usa sintetizadores supermodernos, não tem vocalistas maravilhosas cantando letras poéticas nem nada. Mas é autêntico, é energético, é cru e vibrante como há muito tempo não se ouvia.

Chega a dar pena a comparação do Simian Mobile Disco com o resto das bandas da ondinha modernosa "electro new rave", que se levam muito à sério e fazem um esforço sobre-humano para soarem divertidas e parecerem cool - e falham miseravelmente ao fazer música prepotente e artificial. É justamente este o erro que o Simian Mobile Disco não comete e que o coloca anos-luz à frente dos seus compatriotas de gênero.

"Hustler", a faixa 4, é, de longe, a melhor música que ouvi este ano. Tanto que devo tê-la ouvido umas duas ou três vezes só enquanto escrevia este post. E, segundo meu iTunes, mais umas vinte vezes desde que comprei o disco. E "Hustler" não tem absolutamente nada de mais: bateria, texturas ácidas e uma menina contando (nem é cantando) algo sobre roubar discos de uma loja. Mas funciona de um jeito que chega a dar arrepios - literalmente. Os clipes de "Hustler" (tem duas versões) não deixam por menos e são imperdíveis. Destaque também para "Hotdog", cuja letra imbecil acaba ficando divertidíssima, e "It's the beat", que vai te ganhar nos cinco primeiros segundos.

Radiohead - In Rainbows

20071204_3 Pois é. Eu fui uma das raras pessoas que pagou pelo In Rainbows. E confesso que foi uma das piores compras do mês.

Ok, neste momento eu tenho certeza que suas sobrancelhas subiram e/ou o queixo caiu. Talvez até minha mãe tenha sido xingada. Então vou medir muito bem as palavras que escreverei daqui pra frente, mas conto com você pra lê-las com atenção e sem preconceitos.

Observe que eu não disse que o "In Rainbows" é ruim - de fato, ele é muito melhor do que o que anda sendo produzido pelo mundo. Mas o Radiohead não é uma bandinha iniciante: eles tem uma carreira sólida, uma puta reputação (desculpe a cacofonia) e um histórico de lançamentos que inclui clássicos de renome, como o "OK Computer" e o "Kid A". Assim sendo, é natural que as expectativas para uma banda do cacife do Radiohead sejam, naturalmente, altos. O que se espera de um disco de uma grande banda - seja o segundo, o sétimo ou o décimo nono disco - é que ele apresente uma evolução da música que a banda produz - mesmo que o disco não seja melhor que o anterior.

Considere, por exemplo, o Sonic Youth. Thurston Moore não tem mais seus vinte-e-poucos anos. Kim Gordon já é mamãe. Lee Ranaldo hoje é um tiozão. Mas o som do Sonic Youth continua decidido a andar por caminhos diferentes e a buscar novidades. A raiz de experimentalismo dadaísta da época do "Confusion is Sex" foi se refinando até ficar quase pop com o "Dirty", depois melódica-desafinada em "Washing Machine", depois psicodélica e progressiva em "Sonic Nurse" e depois rock'n roll como-nos-velhos-tempos em "Rather Ripped". O Sonic Youth tem uma alma fixa e um corpo diferente a cada "encarnação" em forma de disco - e, pra mim, essa é a característica mais marcante de uma boa banda.

Acontece que, no caso do Radiohead, a sequência de inovação, de renovação que começou na dupla "Kid A/Amnesiac" começou a se perder no "Hail to the thief". E aí veio o "In Rainbows", que, sonoricamente, parece não pertencer a lugar nenhum dentro da linha do tempo do Radiohead. As músicas parecem ocas. Algumas faixas se apóiam apenas na voz de Thom Yorke, que, convenhamos, não é nenhuma Björk. E a produção, espartana, faz escolhas esquisitas como em "Faust Arp" - o que diabos aquelas cordas estão fazendo ali? E que violão estilo "Garth Brooks" é aquele?

Por isso, é com muita pena que eu digo que o In Rainbows é o Radiohead em um de seus piores momentos. É uma pena mesmo, considerando o contexto inovador do lançamento e a repercussão que teve. Pudesse eu pagar pelo disco depois de ouví-lo e eu não pagaria nem a metade do que paguei.

Harmonic 33 - Extraordinary People

20071204_4Viagens hip-hop inspiradas em soundtracks de antigamente, com uma levada sossegada, samples "amigos" e um eventual clima retrô para acompanhar. Até sua vó poderia gostar de "Extraordinary People" - e, não, isto não é uma ofensa. Pelo contrário!

Aparentemente o Harmonic 33 pertence ao time de bandas como o Nightmares on Wax ou o Lemon Jelly, que fazem discos para descansar as pessoas musicalmente, er, "ousadas". O "Extraordinary People" é uma massagem para os ouvidos estropiados com texturas dissonantes, contrastes exagerados e outras esquisitices. Desce macio e reanima.

E, por incrível que possa parecer, Mark Pritchard e Dave Brinkworth, os produtores do disco, NÃO são dois negões.

Kavinsky - 1986

20071204_2 Este EP segue o mesmo caminho despretensioso do Simian Mobile Disco, com a diferença de que soa mais anos 80, mais música de videogame - o que fica óbvio já a partir da capa.

É uma fórmula batida, eu sei, mas funciona que é uma beleza. Os únicos pecados deste disco são seu tamanho e a similaridade um pouco exagerada com o Daft Punk das antigas. Afinal, uma coisa é usá-los como inspiração, outra é usá-los como... bem, muita inspiração.

Destaque para "Grand Canyon", que parece ter sido tirada diretamente de uma propaganda do Commodore 64.

Telefon Tel Aviv - Fahrenheit Fair Enough

20071204_5 Em Fahrenheit Fair Enough, o nome de disco mais difícil de digitar que existe, o Telefon Tel Aviv fez algo que poderia ser resumido como "caprichado".

As músicas transitam numa faixa bem no meio do digital e do analógico, compondo um eletrônico "des-artificializado", melódico. Texturas acústicas, "normais", navegando entre batidas digitalescas que às vezes parecem estar prestes a ter um ataque de nervos - mas numa boa, sem perder a pose.

O resultado é um disco que, apesar de às vezes pegar emprestada a dislexia e a falta de coordenação de alguns gêneros de música eletrônica (leia-se IDM), acaba produzindo faixas ricas, narrativas, concisas. Como "John Thomas on the Inside Is Nothing But Foam" que, de tão bem concebida, parece uma música do Tortoise.

Compras do mês d'O Primo

2007-10-22 20:48:34 +0000

Chegou o post que Luiz adora, onde o André só vê as capinhas dos discos e o resto do pessoal passa direto.

Fora o último disco, todo o resto foi comprado na eMusic. Cês viram o Radiohead e o Nine Inch Nails chutando a bunda das gravadoras, né? Pois é. Tou te falando. Daqui a uns 10 anos vocês vão estar todos comprando MP3 online como eu.

Clique nas capas dos discos para visitar a página correspondente na eMusic e dar uma sacada nas amostras das músicas. Ou clique no "play" abaixo:

Podcast do Primo 03 - Compras do mês de setembro

Tracklist
1) Manual - A.M. (0:00 - 2:12)
2) Proem - Sputterfly (2:12 - 4:03)
3) Farben - Beautone (4:04 - 6:15)
4) Isotope 217 - Looking after life on mars (6:16 - 9:00)
5) Oval - faixa 8, sem título (9:01 - 10:31)
6) Worm is Green - Love will tear us apart (10:32 - 12:47)

Manual - Ascend

Manual - Ascend Definição rápida para o som de Manual: é um Proem com guitarras e violões. Só que, possivelmente, só eu conheço Proem por aqui.

Portanto, detalhando, Manual é um eletrônico metade ambient e metade IDM "alto-astral". É um Lemon Jelly sem vocais, com menos groove, mais reverb e mais sobriedade. A ilustração da capa é proposital, pois é o clima geral das músicas: um fim-de-tarde musical bastante sossegado.

Pela sua característica ambient, Manual não aprofunda muito a complexidade ao longo das faixas e, portanto, rende melhor como música de fundo (aquela que você coloca pra trabalhar ou ler).

Uma observação adicional: na minha ida ao FAD tive a grata surpresa de descobrir o Janete & Claire, duo mineiro que faz um som bem na linha Proem/Manual. Bateu um orgulho "roots" ao ouví-los :). Vale a conferida.

Proem - A Permanent Solution

20071022_2 Depois do Socially Inept, que é uma jóia, eu tinha que ouvir mais alguma coisa do Proem. Mas antes uma explicação técnica:

Pode-se separar discos em duas categorias distintas: os "glower" e os "grower". Os "glower" (do inglês "glow", brilhar) são os que te pegam na primeira audição e você adora e ouve até enjoar. Por outro lado, os "grower" (do inglês "grow", crescer) não dão aquele estalo logo na primeira audição - muitos até parecem ruins da primeira vez. Mas conforme o tempo passa você percebe que o disco vai, gradativamente, ficando bom.

Confesso que o A Permanent Solution ainda está "crescendo" em mim (puta frase gay essa, viu). Mas o que já posso afirmar em relação ao disco é que ele não desenvolve idéias muito diferentes do Socially Inept, tornando-se, portanto, "mais do mesmo". A diferença mais marcante é uma nota adicional de introspecção, aparente em faixas sem batida que usam instrumentos leves e analógicos (piano, flauta, etc.), introspecção esta que, conforme o final do disco vai chegando, fica um pouco auto-indulgente demais.

Farben - Textstar

20071022_3 Se você não é DJ, deve concordar comigo que a melhor forma de consumir techno é em sets mixados por um DJ. As faixas soam muito melhor coladas entre si, numa sequência infinita de transições de texturas sobre batidas bem marcadas. Afinal de contas elas foram feitas pra isso.

Só que de vez em quando aparece alguém que faz um disco multi-utilidade, servindo tanto pra colar num mix e ser dançado quanto para ouvir quietinho, sentado num sofá. É o caso de Textstar, do prolífico produtor Jan Jelinek.

Jelinek parece entender mais do que ninguém a razão do minimal techno ser tão bom: a sua característica analítica, de mostrar mais conteúdo e sofisticação com cada vez menos som. E ele parece entender também o porquê do techno propriamente dito ser bom: a música tem que ter um caráter, uma idéia, uma atmosfera que a coloque acima do tuntistum tradicional. Textstar - lançado apenas em CD, coisa rara para produtores de techno - tem tudo isso em abundância.

Outros discos comprados mas que não vou reviewzar com tanto detalhe:

Isotope 217 - Utonian Automatic - Comprei porque é da Thrill Jockey e é de uma banda "irmã" do Tortoise. O "Utonian Automatic" contém a mesma alma de jazz e toda a parte de "guitarras pós-rock" que o Tortoise usou no TNT e no Standards. Se você não suporta esse tanto de eletrônicos que eu fico colocando aqui, vá de Isotope. Mas passe antes pelo Tortoise.

Oval - Ovalcommers - A grande vantagem do Ovalcommers é que ele parece muito com "So" - feito pelo Markus Popp (Oval) e Eri (Microstoria), e que é um dos melhores discos da minha coleção. Mas, alto lá: se você não for um "iniciado" em bizarrices eletro-acústicas vai achar o Ovalcommers "um monte de barulho" e o So "um monte de barulho". Já eu definiria o monte de barulho como "um delicioso paradigma musical".

Worm is Green - Automagic - É melancolia eletrônica entremeada por belos vocais femininos. E ainda tem um cover de "Love will tear us apart" que é de chorar.

Cesar de Melero - Clap your hands vol. 2 - Bethania esteve na Europa mês passado e, ao passar pela Espanha, não conseguia decidir o que trazer para mim de lembrança. Aí entrou numa loja de CDs e decidiu trazer pra mim a coisa mais esquisita que encontrasse. É por isso que eu amo minha esposa :)

Cesar de Melero é um DJ, e "Clap your Hands" é um CD duplo mixado. E eu não sei definir que diabo de música esse cara mixou. Parece "disco house de brincadeirinha" - as músicas parecem saídas diretamente dos anos 80, tem aquela cara de amadoras, os vocais são simplinhos, as letras cantadas são óbvias ("move your feet, get on the dance floor", etc) e o nome dos artistas das faixas mixadas são... er, bem, veja só, temos "DJ Weight Problem", "Frank Chickens", "El General", "Manu Dibango" e por aí vai. Tem como não gostar de um disco desses?

Júnior, o torturador

2007-10-16 02:24:08 +0000

Hoje, fim de noite, eu estava chegando em casa com minha mulher.

No carro, o iPod dela estava ligado no modo "shuffle songs". E São Random (pra quem não conhece, é o santo padroeiro de Cris Dias) resolveu fazer um atentado à minha vida.

Botou "Enrosca", do Júnior (A.K.A. "irmão da Sandy") pra tocar. E ainda por cima em versão "acústico".

(A partir deste ponto eu gostaria de dividir meu sofrimento contigo, caro leitor. Assim, abra o clipe da música no YouTube e deixe tocando enquanto lê o resto do meu post, para sentir comigo o drama).

Júnior pega sua guitarrinha e começa a tocar aquela velha levada de blues padrão ISO 6213 e, por cima disso, começa a cantar tentando fazer uma voz sexy e fracassando miseravelmente - se bem que, pensando bem, ninguém conseguiria cantar a primeira frase da letra sem parecer ridículo:

"Enrosca no meu corpo, dá um beijo no meu queixo e geme..."

A voz "séquiçi" de Júnior deu tão errado, mas TÃO errado que parecia que ele estava sendo torturado e segurando uma gargalhada ao mesmo tempo. E isso tudo sem a menor noção do ridículo que estava fazendo. Aquilo era, sem a menor sombra de dúvida, uma das piores coisas que eu já tinha ouvido em toda a minha vida. Cachorrinhos chorando de dor, unhas arranhando uma lousa, até a risada de Fafá de Belém é mais agradável do que Júnior cantando aquela música.

Eu não aguentei e comecei a me... bem, a me "enroscar" em mim mesmo. Enquanto Bethania manobrava o carro na garagem de casa eu já estava em posição fetal, encolhidinho no banco do passageiro. E, quando a coisa não podia ficar pior do que já estava, adivinha quem começa a cantar junto com Júnior? IVETE SANGALO!!!

Meu cérebro começou a chacoalhar por dentro do crânio, pedindo pra sair (no melhor estilo Tropa de Elite - "Eu desisto, senhor!!!"). Bethania olhou pra mim e percebeu que eu não estava gostando da música (também pudera) e, num ato de profundo descaso pela minha integridade mental, aumentou o volume.

Na mesma hora eu abri a porta e saí correndo do carro. É sério, não estou escrevendo isso pro post ficar mais emocionante - eu realmente saí correndo e fui pra trás do prédio, e de lá não saí enquanto Bethania não abaixou o volume.

Site analisa seu perfil do last.fm e calcula se você é mesmo eclético

2007-10-03 20:12:20 +0000

Agora aquelas típicas discussões de boteco sobre música onde um fica tentando provar que é mais "indie" que o outro estão encerradas para sempre.

A culpa é do OMI Generator, site que calcula matematicamente o quanto você é mente aberta usando os dados dos artistas que você ouve no last.fm. OMI, segundo os autores do site, é o "open mind index" (índice de mente aberta), que varia de zero (fanático obsessivo que só ouve um estilo musical a vida toda) até 200 (aquele cara que começa o dia ouvindo Sandy & Júnior, depois ouve Massacration, depois umas sonatas de Bach e no fim do dia põe um Einsturzende Neubaten pra tocar antes de dormir).

Meu OMI deu exatamente 100 pontos, só um pouquinho mais "eclético" que a média. Confesso que achei que daria mais. Mas o gráfico de gostos musicais deixa claro que o que eu mais escuto mesmo é música eletrônica com pitadas de indie/post rock. O legal é que minha atual fase ambient e meu recente apreço pelo turntablism ficaram bem evidentes no gráfico.

Depois conte aí nos comentários quanto deu o seu OMI.

(Link via Twitter do @emfoco)

 

Descubra quem são os bonecos

2007-09-25 17:16:02 +0000

Apareceu num tal blog do Inexistent Man* FlipFlopFlying uma coleção de bonequinhos de personalidades do mundo da música.

É bem legal tentar adivinhar quem é quem. Abaixo, como exemplo, está o pessoal do Flaming Lips:

The Flaming Lips

Se você não souber quem é quem, deixe o mouse em cima da figura que o nome do artista aparece.

(Via Uêba)
* - O tal "Inexistent Man" apenas "chupou" o conteúdo do FlipFlopFlyin', e como eu odeio isso tirei os links pro blog dele)

You've been Rick Rolled!

2007-09-17 12:34:55 +0000

A nova mania nas internetchas da gringolândia é mandar pra seus amigos um link do YouTube, dizendo algo do tipo...

"Ei, cara! Saca só, um dos senadores filmou a votação secreta do Renan Calheiros pelo celular! - http://www.youtube.com/watch?v=eBGIQ7ZuuiU

Aí você abre a parada e dá de cara com o vídeo abaixo. A descrição do vídeo diz apenas: "You've been Rick Rolled!" ("você tomou um Rick Roll", numa tradução livre).

O vídeo é de lascar. É nada menos do que esse moleque ruivo, chamado Rick Astley, cantando "Never gonna give you up", o seu hit de 1987. Tudo no clipe é ridículo: as dancinhas, os ângulos de câmera, o figurino, o cenário, o barman negão dançarino...

O verbete do Rick Astley na Wikipedia já cita o fenômeno do Rick Rolling. A coisa também já está no Urban Dictionary e nas citações do Bash.org. Tem até um hilário clipe do Family Guy com a mesma música. E, obviamente, tem site "oficial".

Como o meme nasceu na língua inglesa, parece que no Brasil ninguém reparou. Mas bem que ia ser divertido ter um "Rick Roll" nacional. Talvez um "Sidney Magal pegou você!", sei lá. Sugestões nos comentários, por favor!

Britney Spears: a que ponto chegamos?

2007-09-11 20:27:07 +0000

Em agosto de 2002 eu escrevia neste blog:

Eu, sinceramente, tenho pena da Britney pelo fato da imprensa cair em cima dela igual urubu em carniça. Qualquer coisa é motivo pra escárnio. Se ela vai numa boate e peida, vira notícia de capa do The Sun...

Veja bem, há CINCO anos eu já tinha pena do tanto que a imprensa demoliu Britney Spears. E a coisa só foi piorando desde então.

No domingo passado teve o VMA e, na abertura, uma apresentaçãozinha da Britney. Obviamente, não assisti. Mas eu ia ler meus feeds e os blogs só falavam da Britney. No Twitter só se fala de Britney. Na imprensa só se fala de Britney. Aí eu recebi um link pro vídeo da apresentação dela e fui obrigado a assistir.

Sabe, eu já vi muita coisa nojenta e repugnante na internet, mas nada, NADA tão deprimente quanto a apresentação dela. Segundo a Folha de São Paulo:

A cantora, que apareceu atrapalhada e fora de forma, tentou apresentar sua nova canção "Gimme More", mas por mais de uma vez foi ajudada pelas dançarinas a mover-se no palco e pareceu confusa.

"Confusa"? Os jornalistas da Folha foram gentis ao usar esse termo. Isso fica evidente logo nos primeiros segundos, quando dão um close bem no meio da cara dela. Os olhinhos se moviam desorientadamente para os lados e dava pra perceber, claramente, que ela não tinha a menor idéia do que estava fazendo. Num espaço de uns 10 segundos ela erra a dublagem da própria música umas duas vezes e o editor da MTV, talvez por piedade, corta para uma câmera mais distante - e não dá mais nenhum zoom até o final da música.

A dança estava razoavelmente bem ensaiada, tanto que Britney não pareceu errar nenhum movimento, não tropeçou ou caiu. Mas ela se movia como uma sonâmbula, uma morta-viva. Ela não se movia para dar um show, ela simplesmente seguia o que lhe programaram pra fazer. Britney simplesmente não era mais personagem de si mesma, e isso estava mais do que evidente. Ela não sabia mais fazer o papel de menina/mulher fatal, que foi o que a alavancou para o sucesso; aliás, ela sequer sabia fazer o papel de cantora pop. E não é difícil entender o porquê: depois de ser consumida pela mídia da forma que ela foi, eu fico surpreso de ainda ter sobrado coragem para ela subir ao palco.

Nenhum ser humano deveria ser submetido ao tratamento que ela teve pela mídia, por pior que seja a música dela. Pense bem: o MUNDO viu ela engordar, emagrecer, raspar a cabeça, ter um filho, ir ao Burger King, etc... Quando houve o incidente da foto sem calcinha a coisa chegou a níveis inimagináveis de divulgação. Aposto que muitos meninos espalhadas pelo mundo vão ver a genitália de Britney Spears antes mesmo de ver, ao vivo, a das primeiras namoradas.

Talvez eu esteja sendo extremista, mas eu realmente acho que Britney Spears é o exemplo mais gritante do quanto a humanidade pode ser podre e impiedosa.

Compras do mês d'O Primo

2007-09-09 15:24:00 +0000

Sim, eu comprei tudo na eMusic e continuo achando que você também deveria. E, sim, eu também fiz um "mini-podcast" com músicas de cada um dos discos, pra você ouvir enquanto lê. Aperte o play aí embaixo e seja feliz.

Podcast do Primo 02 - Compras do mês de Agosto

Tracklist
1) Girl Talk - Cleveland, Shake (0:00-3:38)
2) M.I.A. - Boyz (3:39 - 6:57)
3) Lusine - The Stop (6:58 - 10:32)

Girl Talk - Unstoppable

Capa do ‘Unstoppable’É engraçado: eu me lembro perfeitamente de, alguns meses atrás, ter dado uma olhada no "Night Ripper", o disco mais novo do Girl Talk. Na época minha opinião foi algo parecida com "ah nem" e eu deixei o disco passar batido.

Agora, todas as (muitas) repetidas vezes em que eu escuto o Unstoppable, eu me pergunto como diabos não percebi o quanto a música desse cara é genial.

O processo criativo de Gregg Gillis é totalmente Frankenstein: as músicas são mashups, construídos com zilhões de samples de outras músicas. E é exatamente aí que a diversão começa: ele sampleia desde os píncaros da Billboard (50 Cent, Beyoncé, Justin Timberlake, etc.) até clássicos dos anos 80 e 90, e também obscuridades como Christian Fennesz ou - Deus que me perdoe! - Pixies. E o bicho que sai dessa mistureba toda pode ser definido com apenas uma palavra: divertidíssimo.

Tudo na música de Girl Talk evoca diversão. Desde a batida freneticamente acelerada até a distorção proposital dos vocais e a mistura de trechos da letra de um com a letra de outro formando combinações inimagináveis e bem-humoradas. O resultado final é extremamente diferente dos originais, mas continua sendo estranhamente familiar, porque, afinal, ali no meio daquela bagunça toda tem músicas que você, com certeza, já ouviu antes.

É daí que nasce outro aspecto divertido do Unstoppable: o de reconhecer os samples que Girl Talk usa. Para os viciados em música (como eu) é muito legal botar Cleveland Shake pra tocar e pensar: "ei, esta guitarrinha é do começo de Celebrity Skin!" (do Hole). E logo na sequência vê-la misturada com vocais que dizem "Shake that ass! Bitch here let me see what you got!". Bem, eu, pelo menos, racho de rir.

Girl Talk consegue operar o milagre de transformar porcarias pop em música da melhor qualidade.

M.I.A. - Kala

Capa do ‘Kala’, de M.I.A.Pela popularização de M.I.A. depois do primeiro disco, e o consequente networking advindo desse sucesso, eu estava esperando que Kala fosse vir empesteado de participações especiais. É a maldição do "featuring": avacalhou com o Daft Punk, matou e enterrou Fatboy Slim (lembram das músicas com a Macy Gray, que desastre?), deu um soco no rim dos até então inatacáveis Chemical Brothers...

Kala, felizmente, tem só três participações especiais: Timbaland (ugh!), Afrikan Boy e The Wilcannia Mob. Elas passam rápido e não obscurecem a verdadeira qualidade de Kala, que é, obviamente, a própria M.I.A.

A moça está cada vez melhor. Boyz, a terceira faixa, é a prova cabal disso: tudo que M.I.A. precisa fazer para cativar o ouvinte é cantar "boys, eh!". Acho que eu nunca vi tanto talento vocal em tão pouca letra. A produção do disco praticamente não mudou e continua lo-fi, multifacetada e com a quela cara de "foi feito no meio da rua" - o que é bom.

Lusine - Serial Hodgepodge

Capa do ‘Serial Hodgepodge’, do LusineDefinir o som de Lusine é difícil. Pense numa atmosfera entre o Boards of Canada e o minimal, tocando sobre uma base rítmica que transita entre o soul do Nightmares on Wax e o house do Basement Jaxx. É mais ou menos isso que este produtor de Seattle anda fazendo.

Esse trânsito amplo entre o som ambient intimista e o house mais largado faz com que o Serial Hodgepodge funcione tanto como música de fundo - pra ouvir no trabalho, por exemplo - quanto música "de frente", aquela que você ouve atentamente, com um par de fones, consumindo todas as nuances, as viradas, as mexidas de textura, etc.

Do ponto de vista criativo, não tem nenhuma novidade no trabalho de Lusine. Nada é inédito, nada é inovador: é tudo mais do mesmo. E é justamente por isso que o disco é bom, pois funciona perfeitamente naqueles momentos onde você quer descansar o ouvido com sons familiares, de qualidade e que nem sempre requerem sua total atenção.

13 excelentes recursos online para descobrir novas bandas

2007-08-29 22:54:00 +0000

Blogs sobre música

17dots - É um blog do pessoal da eMusic, minha loja de música online predileta. É atualizado com muita frequência e comenta a maioria dos lançamentos do site. O blog é "não oficial", então nada impede que os editores desçam o pau nas bandas ruins ou ignorem os lançamentos pouco importantes, portanto pode ir com fé que as opiniões são imparciais.

Lúcio Ribeiro - Tem gente que detesta o cara, tem gente que idolatra o cara. Eu não dou a mínima pra essas rixas, mas presto bastante atenção nas bandas que ele menciona, pois ele usualmente está à frente de tudo que é hype. Uns são horríveis (vide Cansei de Ser Sexy), mas muitos são bem interessantes.

London Burning - Primeiramente tenho que citar que eu detesto o editor do site, o Luciano Viana. Ele é um babaca metido a fodão. Pra provar que não é implicância minha, acesse o site e veja a frase que ele deixa lá em cima, no topo do cabeçalho do site.

Egos inflados à parte, nada impede que eu faça uma visitinha ao seu site de vez em quando (hehehe). Principalmente na virada do ano, época das famigeradas listas de "Top 100".

Fail - É de um paquistanês doido. Todos os lançamentos que ele comenta são eletrônicos experimentais obscuríssimos, ou seja, uma delícia.

Networking Social Musical

Last.fm - É a maior meca musical da Internet. Acho até que todo mundo deveria, diariamente, rezar ajoelhado e virado para Londres, onde o site fica hospedado.

Para recomendações esporádicas, vale usar a rádio streaming do site. Você digita um artista de sua preferência e o Last.fm monta um playlist baseado em artistas/bandas semelhantes. Mas o lado "social" do site é o mais legal: usando um plugin que manda todas as músicas que você ouve no computador (ou no seu iPod) pro site, ele casa seu gosto musical com o de outras pessoas e gera as recomendações musicais mais personalizadas que já vi.

eMusic - Sim, além do blog que mencionei ali em cima, o próprio site da eMusic é um achado. Mesmo que você vá "adquirir" seus MP3 por meios cuja legalidade é questionável, a visita vale o boi só pra ouvir umas amostras das músicas, dar uma sacada nos "similar artists" das bandas que você curte, etc.

Como se não bastasse, o eMusic tem também "dozens" - listas de 12 discos criadas em volta de um tema. Dá pra perder horas achando coisas legais nestas listas. Tem dozens sobre gêneros musicais (como a de microhouse/minimal techno ou a de pós punk inglês), tem dozens criadas por artistas (como a de Sam Prekop, do The Sea and Cake)...

Orkut - Antes de torcer o nariz ("Aargh! Orkut não!!"), faça uma visita nas comunidades das bandas que você gosta. Quando o bate-papo nelas é bom, rola de descobrir coisas boas e similares. Um exemplo: Foi na comunidade do Godspeed You! Black Emperor, num tópico sobre projetos paralelos da banda, que descobri Explosions In The Sky, Set Fire to Flames e A Silver Mt. Zion.

Podcasts

XLR8R - O melhor podcast do meu iTunes. É bem alternativão e às vezes puxa muito pro lado do hip-hop/rap, mas frequentemente revela algumas pérolas: foi por ele que descobri Daedelus e J Dilla, por exemplo. E as músicas do podcast da semana ficam disponíveis pra download, de grátis, no site.

Banana Mecânica - Esse é brazuca. Muito bom para saber o que anda rolando fora do mainstream brasileiro, embora o podcast também inclua umas bandas gringas de quando em vez.

Outros

Musicovery - É uma rádio streaming que tem uma bela interface e um jeito muito criativo de dar sugestões musicais. Você escolhe os gêneros musicais que prefere e, usando um gráfico cartesiano (é sério!) marca se quer músicas mais calmas, energéticas, tristes ou alegres. Dá pra escolher também se você quer velharias ou coisas mais novas, hits ou não hits. A qualidade do áudio para a versão free do site é bem chinfrim, mas se o que interessa é descobrir bandas, ele dá pro gasto.

YouTube - Vale praqueles momentos onde você só quer saber como diabos é o som daquela banda que você vive ouvindo falar mas nunca se dispôs a baixar um disco e conferir. O "VocêTubo" normalmente tem um clipe ou um pedaço de show ao vivo do artista/banda que você procura.

Sites das gravadoras - Este é um estágio mais grave de vício musical: depois de descobrir de quais bandas você mais gosta, chega o ponto onde você descobre quais as gravadoras que tem mais bandas que você gosta. Eu, por exemplo, que adoro Tortoise, nunca me decepcionei ao experimentar outros artistas da mesma gravadora (a Thrill Jockey). Meus melhores eletrônicos estão em gravadoras que lembro de cabeça: Warp, Tigerbeat... Já Luiz, meu primo, é fã das bandas da Matador...

Não negligencie a gravadora das suas bandas, especialmente se ela for mais alternativa/obscura/independente. Às vezes eles tem preciosidades escondidas...

Outras listas com recursos online para descobrir músicas que são muito melhores que os meus - Não gostou das minhas sugestões? Ora, vá pra... esta lista do Mashable com 90 itens (!!) e seja feliz.

Ah, e me conte nos comentários o que você faz pra achar bandas novas.

Love (in the DJ booth)

2007-08-29 14:19:00 +0000

Tá muito legal acompanhar os comentários do meu post sobre o dia que fui ao Hard Rock Café.

Colocaram um link para meu post na comunidade do DJ Rhommel, por causa dos elogios que fiz. Agora os comentários vindos de lá estão abundantes. O último que chegou é o mais legal, é da esposa do DJ...

Bom, tenho muitas coisas pra falar desse magnifico DJ... Além de ser um puta de um profissional, animando a galera por onde passa e principalmente tocando maravilhosamente bem, é um ótimo companheiro para todas as horas e acima de tudo um ótimo amigo....
Amor, sempre estarei ao seu lado, te apoiando nas suas decisões e principalmente, estarei ao seu lado sempre que precisar... É isso ai... torço muito pelo seu crescimento profissional e sei que daqui a pouco tempo vc será o melhor DJ que todo o planeta já viu e ouviu...
TE AMO!

Digno de nota

2007-08-09 18:02:00 +0000

Quote número #791482, do Bash.org

So, an E-flat, a G-flat, and a B-flat walk into a bar.
And the bartender says,
"I'm sorry, we don't serve minors."
That struck a chord.
Careful with those puns, you'll get in treble.
But they're key to my humour.
And very noteworthy.

What goes around comes around

2007-08-09 14:04:00 +0000

O divertido de ter um blog é o feedback: Começa quando você escreve um post simples, falando como foi a balada do sábado à noite.

De repente o DJ da noite pipoca no seu MSN porque ficou alucinado com os elogios:

cara eu tenho que agradeçer pelo que vc escreveu no blog ... eu nao tenho nem palavras pra te falar ... foi du caralho ... fiquei feliz que vc gostou do meu set....e mais uma vez muito obrigado ! ! ! !

Algum tempo depois o vocalista da banda (horrível) da noite aparece no seu orkut:

De início eu achei que o comentário era sarcástico mas, agora, pensando bem... talvez o moleque saiba que, como diz o ditado, "não existe publicidade ruim".

Compras do mês d'O Primo

2007-08-04 23:31:00 +0000

Tudo via eMusic, como de costume. E, curiosamente, esse mês foi quase tudo da Thrill Jockey...

Se você gostar da idéia de comprar MP3 online, me fale que eu te indico no site. Você ganha 50 downloads grátis pra fazer um "test-drive" e se, no final, quiser virar assinante, EU ganho 50 downloads, portanto, me ajuda aí.

Agora, aos discos:

OOIOO - Taiga

Depois do maravilhoso Gold and Green eu simplesmente tinha que continuar ouvindo a discografia do OOIOO.

"Taiga" soa como "tiger" e significa "grande rio" em japonês e "floresta" em russo, ou seja, podemos esperar mais daquela sonoridade estilo "no meio do mato comendo cogumelos alucinógenos". De fato, a viagem começa nos nomes das músicas do disco: UMA, KMS, UJA, GRS, ATS, SAI, UMO e IOA. Sim, é sério: aparentemente, elas sortearam três letras pra formar os nomes das músicas e depois montaram as músicas partindo dos seus títulos. Digo isso porque as primeiras palavras cantadas em UMA e em IOA são, respectivamente, "uma" e "ioa",e da segunda metade de UJA pra frente as meninas cantam alguma coisa que começa com "Uja, uja!".

A beleza artística de Taiga reside justamente no fato de que o que, aparentemente, é uma bagunça aleatória de mulheres doidas, na verdade é um trabalho minuciosamente construído. Por isso é muito divertido ouvir o álbum repetidas vezes e, a cada audição, encontrar uma nova surpresa: por exemplo, descobrir que "UMO" é uma versão diferente para "UMA", inclusive com a mesma letra tribal maluca. Eu bem que queria saber como diabos elas decoram aquilo. Taiga também tem referências a outros trabalhos da banda: a faixa final, IOA, repete o mesmo grito tribal de Ina, do Gold and Green.

As músicas longas (SAI tem 15 minutos!) e "desconstrutivas" de Taiga também dão asas para a imaginação: a terceira faixa, UJA, soa de um jeito psicodélico na primeira metade e de um jeito completamente oposto na outra metade, o que me faz lembrar que o próprio nome da banda é dividido ao meio. E isso não parece ser fruto do acaso.

Agora eu estou contando os dias para meus downloads do eMusic darem refresh e eu poder baixar o resto dos discos. Ééé, amigo... basicamente, Taiga é tão recomendado quanto o Gold and Green. Mas, novamente, apenas para os mais musicalmente doidos, como eu e Luiz.

Jeff Parker - The Relatives

The Relatives é o trabalho "solo" de Jeff Parker, também conhecido como "o negão guitarrista do Tortoise" (hehe).

Eu não entendo nada de jazz, portanto o que escreverei aqui é o que meus calejados ouvidos puderam perceber. E o que ficou mais evidente a eles é que The Relatives é como se você "decantasse" a parte jazz do som do Tortoise e fizesse um disco só com ela. Em alguns momentos a guitarra de Jeff Parker é bem melódica (como em Beanstalk), em outros bem experimental (como em The Relative). Mas a habilidade do cara em tecer belas melodias em real time é evidente em todas elas.

Lemon Jelly - Lost Horizons

Desde o título fica bem claro que Lost Horizons é feito para viajar. Seja com drogas, seja numa estrada, seja no espaço, não importa.

Os horizontes perdidos de Nick e Fred (os ingleses que compoem o duo) são compostos de muito groove, pitadas de jazz, de ambient e de dub, ritmos intensos mas nunca invasivos, e uma base melódica simples e classuda. É como se você pegasse o Nightmares on Wax e trocasse o estilo "moleque maconheiro" por "escritor beatnik usando LSD". Vai por mim, é exatamente isso.

Como se não bastasse, o Lost Horizons, ao contrário do OOIOO, é ultra-acessível. A coisa toda é tão amistosa que você poderia usá-lo como trilha do filme do seu casamento. Altamente recomendado.

The Dead Texan (auto-intitulado)

Confesso que estava preocupado comigo mesmo quando comprei o disco do Jeff Parker. Pensava: "Putz... estou gostando de jazz... estou odiando essa modinhas novas de 'new rave', 'electro rock', 'disco punk'... estou ficando musicalmente velho"...

Se minhas preocupações tiverem alguma realidade, The Dead Texan marca a minha entrada oficial no mundo dos velhos da música. É que, a
despeito da alcunha de "texano morto", este é um disco de ambient. Sim, de ambient... faixas etéreas, que se esticam pelo tempo em texturas suaves e longas... como uma propaganda de amaciante em câmera lenta.

Piadas à parte, The Dead Texan tem bastante piano, notas longas de cordas sustentando uma base harmônica elegante e bonita... e nenhuma pressa de acabar. É um belo disco, perfeito para um final de sexta-feira ou uma manhã de domingo.

Vendo a música passar

2007-07-31 19:59:00 +0000

Essa semana o Resident Advisor tem um podcast com um mix de um tal Samim. O cara tocou um techno meio minimal com pitadas de jazz e coisas latinas que ficou uma delícia.

Mas o melhor é ver que no blog dele tem o tracklist do mix, com links para todas as faixas, incluindo vídeos do YouTube para algumas delas. E a forma gráfica de mostrar as faixas tocadas é muito interessante:

Isso aí é um timeline do mix. Tipo, da esquerda pra direita, o mix começa com a faixa 1 tocando junto com a 2, depois entra a faixa 3, a 2 sai, e assim por diante...

Cachorrada

2007-07-24 22:17:00 +0000

Caninus é uma banda cujo vocalista é um pit-bull.

Não é força de expressão. O vocalista é, realmente, um cachorro.

Ok, pra não deixar dúvida: o vocalista não é um Homo sapiens, e sim um Canis familiaris*. Na verdade dois, chamados Budgie e Basil...

(Vi no 17 dots)

(*) - Agradecimentos ao leitor Roberto pela correção (e pela aula de taxonomia)!

Música brasileira - Diversidade, mistureba e... satanismo

2007-07-20 15:41:00 +0000

Esses dias o eMusic publicou uma "dozen" - lista temática com 12 discos - sobre música brasileira, feita por Peter Margasak, e batizada de The New Sound of Brazil.

A lista ficou interessante não pelos artistas que selecionou, mas por mostrar a visão que o pessoal de fora tem sobre a nossa música - que é o oposto do que eu esperava.

O texto introdutório diz:

Considerando o que George W. Bush bem comentou, há alguns anos, com o presidente Lula, "Uau, o Brasil é grande.", e baseando-se na música que a grande nação sul-americana exporta - bossa nova e samba - alguém poderia pensar o contrário. Mesmo com estes dois ricos, maravilhosos meta-gêneros musicais, a verdade é que o Brasil é o lar de uma variedade espetacular de estilos e tradições, equiparando-se, ou até ultrapassando, a diversidade musical dos Estados Unidos. A famosa Tropicália - que elevou artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Tom Zé e Os Mutantes ao nível internacional - continua a exercer influência pelo país; o tempo todo, artistas absorvem, trasmutam e colidem todos os tipos de estilos, tanto domésticos quanto estrangeiros.

Além disso, o tamanho do Brasil e seu senso de orgulho lutam ativamente contra o imperialismo cultural; a música americana e européia é popular, mas não apaga a música brasileira das paradas. Enquanto a cultura americana regularmente descarta seu passado, o Brasil abraça-o e adora-o, mesmo quando seus artistas o fatiam e misturam de forma criativa com novos sons e abordagens. Existem incontáveis estilos regionais, ainda bem vivos - entre eles o coco, forró, axé, brega, choro, frevo, mangue beat, pagode, funk carioca e sertanejo - tanto em suas formas puras quanto em iterações pós-modernas. Os brasileiros também conseguiram dar seu toque característico ao hip-hop, jazz, funk e rock, e os melhores músicos acrescentam uma qualidade regional muito distinta às suas criações. Infelizmente, é difícil o não-brasileiro conseguir se orientar pela prolífica cornucópia de lançamentos espetaculares, embora difíceis de achar, que a indústria musical brasileira produz.

Mesmo com lançamentos agradáveis e interessantes no mercado internacional, como Bebel Gilberto, Céu, Cibelle, CSS e Bonde do Rolê, existe muito mais a ser explorado. Em uma viagem que fiz ao Brasil no ano passado, fiquei impressionado ao constatar que havia muito mais acontecendo do que eu esperava - e minhas expectativas já eram altas. Este guia é apenas a ponta do iceberg; a maior parte desta seleção vem de jovens artistas com uma sensibilidade aguçadíssima, mas também estão incluídos alguns da linha mais tradicional e também alguns veteranos que se recusam a deixar sua música ficar no passado. Mas cuidado: quando o bichinho te morder, vai ficar difícil parar de explorar mais e mais.

Confesso que fiquei feliz ao ler tudo isso. Eu não diria que nós "lutamos ativamente contra o imperialismo cultural", nem que temos uma "cornucópia" de lançamentos espetaculares, mas se o pessoal de fora acha que estamos com essa bola toda...

Os doze discos elencados incluem muita coisa regional (principalmente pras bandas de Recife), funk carioca (obviamente) e outras coisinhas. São esses:

- "Cabeça elétrica coração acústico", de Silvério Pessoa
- "Cão", de Rômulo Froes
- "Res Inexplicata Volans", do Apollo Nove
- "Narradores de Javé Remix", do Instituto & DJ Dolores
- "Tocar na banda", de Comadre Fulozinha
- "Sincerely hot", de Domenico + 2
- "Dadi", de Dadi
- "Simples", de Jair Oliveira
- "Lenine", de Lenine
- "E o método túfo de experiências", do Cidadão Instigado
- "Slum Dunk presents Funk carioca", coletânea feita por Tetine.
- "Futura", da Nação Zumbi

Essa lista é uma vergonha. Vergonha pra mim, que só conheço um dos doze discos: o da Nação Zumbi. Confesso que meu gosto e minhas explorações musicais sempre passaram longe do Brasil, acho que mais por hábito do que por preconceito. Tanto que comecei a querer corrigir esta falha e descobrir coisas boas, do lado alternativo, aqui na terrinha. E a melhor das minhas descobertas foi o Satanique Samba Trio.


O trio em um culto satânico (vulgo "jam session")

SST foi a novidade brasileira mais genial que já ouvi. O som dos caras (que são quatro, e não três) só pode ser descrito como sendo um encontro do Primus com a gafieira; uma soma de jazz moderno com samba de roda que, no fim, dá algo parecido com um chorinho errado.

A habilidade deles é a de cuidadosamente destruir o fluxo original dos ritmos brasileiros. Digo "cuidadosamente" porque, no meio da bagunça toda, o cavaquinho soa bem, o pandeiro soa bem, tudo soa bem, como um bando de instrumentos bem tocados, mas em pânico. O esmero técnico só faz melhorar algo que, com uma premissa genial dessas, tinha tudo pra dar certo por si só.

O trio tem dois lançamentos, Misantropicalia (disponível no eMusic) e Sangrou (disponível no site da gravadora). Ouça algumas músicas do "Sangrou" no MySpace dos caras.

Bump, tick, scratch - desconstruindo para construir

2007-07-16 22:55:00 +0000

Tipo que eu parei de fazer posts que só replicam conteúdo de outros sites: o que eu vejo na net e acho interessante eu boto no meu del.icio.us e aparece ali na coluninha à direita.

Mas esse é muito foda e precisa ser mostrado aqui, com destaque.

Vi no Urbe um pequenino curta chamado "Bump, tick, scratch" que mostra o processo de criação de loops usado por John Pugh, baterista do !!! (leia-se "chk chk chk"). É lindo. É muito lindo. É genial. É um Ctrl+C, Ctrl+V só que de verdade.

O Primo recomenda: OOIOO - Gold and Green

2007-07-04 20:14:00 +0000

Antes de falar do disco, a banda precisa ser apresentada: OOIOO (assim mesmo, em maiúsculas) nasceu em 1996 como uma banda fictícia para um artigo de revista, e acabou ganhando uma rápida popularidade após abrirem shows do Sonic Youth.

A banda é formada por quatro japonesas: Kyoto, Maki, Yoshiko e Yoshimi, que também é guitarrista dos Boredoms. Isso faz com que o OOIOO seja mais conhecido como "o projeto paralelo da guitarrista dos Boredoms". E eu ainda sequer ouvi Boredoms.

Em fotos, as quatro garotas sempre aparecem uma ao lado da outra e com alguma coisa grande e "vertical" no meio delas, como que para formar, visualmente, o nome da banda. Todas as fotos que vi da banda, até agora, eram assim.

A música que elas fazem já foi descrita como experimental, psicodelia e rock alternativo. De fato, OOIOO soa como uma banda onde as peças não se encaixam direito: um "samba do crioulo japonês doido". Qualquer pessoa desacostumada com música alternativa acharia que trata-se apenas de um bando de meninas que não sabem cantar e que ficam gemendo nos microfones enquanto vão socando seus instrumentos a esmo. Mas o ouvido já calejado por outras esquisitices do gênero consegue perceber que, diferentemente dos outros "psicodélicos", elas sabem muito bem o que estão fazendo: a aparente ingenuidade da música é a forma de dar vazão a uma musicalidade muito mais primal, instintiva e, consequentemente, belíssima.

O som, cheio de elementos e referências da própria natureza, não nasce com a pretensão de agradar o ouvido ou a mente, e sim de falar muito mais fundo a quem ouve - de criar um vínculo em um nível muito mais primitivo, naqueles pontos do seu espírito mais distantes do ser humano civilizado e mais próximos do bicho que todo mundo tem dentro de si mesmo. Pois é... é assim, desprendendo-se da forma "formal" de compor e tocar, usando e abusando de repetições e simplesmente "vendo no que dá", o OOIOO consegue mostrar a alma da própria música.

Se minha descrição mais confundiu do que esclareceu, veja você mesmo o clipe de UMO, faixa do disco "TAIGA". Ou, se preferir, veja a banda ao vivo, tocando "Mountain Book" (minha música predileta até agora).

Só sei que há tempos eu não ouvia nada tão "poderoso". Altamente recomendado (mas só para os mais doidos, obviamente).

Live Earth suspenso - Graças a Deus!

2007-07-04 17:57:00 +0000

Agora há pouco eu fiquei sabendo que uma liminar do MP suspendeu o show 'Live Earth', que aconteceria no Rio.

A justificativa deles é que a PM não teria condições de garantir a segurança do público, estimado em 1 milhão de pessoas. Mas eu acho que a causa real é o line up:

16h00 - Xuxa
16h30 - Jota Quest
17h10 - Marcelo D2
18h10 - Pharrell
18h50 - Vanessa da Mata
19h20 - O Rappa
20h00 - Macy Gray
20h45 - Jorge Ben Jor
21h30 - Lenny Kravitz

Eu leio e releio este line up e fica difícil pensar em algo diferente de "o line up mais pior de horrível de todos os tempos". Veja só: a Xuxa logo de cara é pra dar aquela sensação de "what the fuck" inicial. No meio tem o "kit POP básico": Jota Quest, Rappa, Marcelo D2, tudo junto, como o equivalente à uma promoção número 1 do McDonalds. E as três últimas atrações são as três maiores aberrações do mundo musical: Macy Gray é rouca mas é cantora, Jorge Ben Jor é um sucesso estrondoso com letras do tipo "jacarezinho, avião, cuidado com o disco voador, chama o síndico Tim Maia" e Lenny Kravitz é uma criatura surreal, meio que um rock star que no fundo quer ser um Justin Timberlake.

Compras musicais d'O Primo

2007-06-27 03:55:00 +0000

Tudo comprado na eMusic, como de costume. E só os melhores dessa vez, porque comprei muita coisa e não posto sobre meus discos há um tempão.

E, André, pode pular este post :)

Asobi Seksu - Citrus

Isso é bom. Muito, muito bom. Imagine My Bloody Valentine com vocais em japonês e em arranjos menos "shoegazer" e mais "The Strokes" e você terá uma leve idéia do rock intenso e agradável que o Asobi Seksu produz.

"Citrus" é o segundo disco deste quarteto novaiorquino que, nos vocais, tem uma talentosa menina chamada Yuki. Ora em japonês, ora em inglês, ela entrega uma performance com um toque "rock grrl" adolescente e, ao mesmo tempo, a segurança de uma cantora com vários anos de carreira. Seus "band mates" fazem um som cuja comparação sonora com o My Bloody Valentine é inevitável. Mas isso não é ruim: não se trata de plágio, e sim de estruturar músicas modernas sobre uma sonoridade que funciona desde que foi inventada nos anos 80/90.

E, pra completar, "asobi seksu" significa... "sexo divertido". Que beleza!

Colleen - Everyone Alive Wants Answers, The Golden Morning Breaks e Les Ondes Silencieuses


Os Bit Cousins - projeto musical meu e do meu primo - brincaram muitas vezes com uma faixa do Anal Cunt chamada "Windchimes are gay". Nosso terceiro disco, Poligonal, tem nada menos do que cinco remixes da música. A fixação foi tanta que acabou sendo até mencionada num trabalho sobre música lésbica e gay, publicado na Universidade da Califórnia.

Trabalhos acadêmicos à parte, os windchimes - que são aqueles penduricalhos de metal que você pendura na janela e que tocam ao sabor do vento - são matéria-prima bastante presente nos discos de Colleen. Ela também usa violoncelos, clavicórdios, caixinhas de
música e tudo quanto é coisa que produza sons... delicados. E nos últimos dois meses eu comprei três discos de música feita apenas com estas delicadices.

É que Colleen é muito competente ao trabalhar estas texturas mais suaves. Justamente hoje em dia, em tempos de exageiro nos baixos, com as Pussycat Dolls da vida abusando de sub-frequências graves - aquelas que parecem que vão explodir o seu tórax -, Colleen trabalha no extremo oposto: o dos agudos, das frequências leves, dos harmônicos, da parte do som que é construída para relaxar ao invés de estimular. Nas músicas, as notas são longas, justamente para permitirem que os "restos" do som ecoem com tanta presença quanto as notas em si, já que, melodicamente, as músicas são construídas sem pretensão, sem pressa, apenas passeando calmamente por um lugar sonoro cheio de ressonâncias, ecos e harmônicos.

Pois é, pra vocês verem o que eu, aquele mesmo cara que metia o pau nos windchimes, anda ouvindo...

Além dos discos, a própria vida de Colleen é interessante: ela vive em Paris e passa os dias dando aulas de inglês em um colégio. Em um artigo do site Boomkat ela conta os discos que marcaram sua vida, mostra fotos dos seus CDs e fitas cassete (!?) gravadas na adolescência, conta que não compõe usando batidas por causa de um disco do Autechre ("eles eram tão bons com ritmo que eu decidi não usá-lo em minhas músicas"), que toca seus instrumentos devagar porque não sabe tocá-los bem e que acha o "Isn't Anything", do My Bloody Valentine, melhor que o "Loveless".

Uma nota rápida sobre os discos: Everyone Alive Wants Answers é o primeiro e o mais experimental. Por ser catalogado como música eletrônica (só porque usava samples) acabou impulsionando a carreira de Colleen. Já em The Golden Morning Breaks e Les Ondes Silencieuses, o segundo e terceiro discos, Colleen assume o amor pelas caixinhas de música - às vezes desmanchadas e tocadas com as próprias mãos - e com o violoncelo. O sugestivo título do terceiro disco refere-se às "ondas silenciosas", produzidas por terremotos prestes a acontecer, e que só são captadas pelos animais.

Lemon Jelly - '64 - '95

Há tempos eu procurava alguma coisa boa como Nightmares on Wax: leve, com um bom balanço, fácil de ouvir como música pop mas com tanta substância quanto música independente. Lemon Jelly atendeu direitinho às minhas expectativas.

As faixas de '64 - '95 são longas e repetem temas simples, amistosos e com um belo swing, o que provoca ótimos momentos de viagem mental descompromissada. Cada nome de cada faixa começa com o número de um ano, indicando que a música segue a estética da época: o retrô instrumental dos anos 60 e 70, o pop com sintetizadores dos anos 80 e as produções modernas dos anos 90. E o conjunto da obra desce redondo como uma Skol.

Na balada

2007-06-15 01:35:00 +0000

Às vezes eu me pego pensando que devia sair mais. Então eu acabo saindo mais, o que me faz lembrar do por que de eu não sair tanto.

Foi assim no último sábado. Eu e Bethania fomos ao Hard Rock Café para "ciceronear" uma prima dela que mora em Joinville e que estava visitando Belo Horizonte. Ela queria conhecer a "night" belorizontina, então lá fomos nós.

As atrações da noite incluíam um show de uma tal banda chamada "Plano Piloto", que começaria por volta da meia-noite, e uns DJs que ficariam enchendo linguiça até a hora do show. O palco já estava todo pronto, com os instrumentos e o equipamento do DJ posicionado... em cima de um colchão. Imagine você, um lugar milimetricamente decorado com adereços "Rock'n Roll", guitarras pelas paredes, um conversível estilo anos 60 pendurado no teto... e um colchonete sobre o palco. Mau sinal.

Aí veio o primeiro DJ: um cara de uns 30 anos, com pinta de "riquinho que ainda mora com os pais", todo serelepe, fazendo caras e bocas enquanto tocava... hip-hop mela-cueca de rádio. O pior é que ele não sabia mixar: uma música acabava, ele botava outra, e ficava só nisso. Se tivessem colocado um CD qualquer e apertado o "play" dava exatamente no mesmo.

Eu já pensava em como iria pedir meu dinheiro de volta quando, depois de uma meia hora, ele entregou os fones de ouvido para outro cara que estava perambulando pelo palco. Era o "DJ 2 - A missão". Eu sabia que devia esperar o pior, mas assim que bati o olho no cara, alguma coisa me disse que ele sabia o que estava fazendo. A confiança no meu instinto foi tanta que eu cochichei pra Bethania, segundos depois dele subir ao palco:

- Presta atenção, agora você vai ouvir um DJ de verdade.

Eu não podia estar mais correto. O cara, chamado DJ Rhommel, era absurdamente bom. Ele tocou tudo do bom e do melhor do electro-pop atual (incluindo versões fantásticas de clássicos da dance music remixados) com uma intensidade tamanha que, em questão de minutos, o restaurante inteiro largou as mesas para trás e foi dançar em frente ao palco. E o DJ trabalhava com muito gosto: ele pulava, dançava, sacudia os braços, cantava junto...

Este, pra mim, é o diferencial entre o DJ bom e o DJ ótimo. O bom DJ apenas toca músicas: o DJ ótimo se diverte com as pessoas.

Assim, para minha grata surpresa, o tal DJ Rhommel ia mandando um dos sets mais espetaculares que já vi. Mas o tempo ia passando, a meia-noite ia passando... e Bethania perguntava: "Cadê a banda"? Eu bem que estava rezando pra banda desistir de tocar, porque, do jeito que estava, estava ótimo. E meus instintos diziam que a banda seria um lixo.

Infelizmente eu estava certo novamente. A certeza veio no instante em que estas três criaturas aí embaixo subiram no palco. Da esquerda para a direita, temos "baixista rejeitado pelo Jota Quest", "imitador de Alemão do BBB" e "Personagem de Dragon Ball Z".


Este é o Plano Piloto, uma mistura de N-Sync com Vila Boys...

Antes de vocês continuarem lendo, dêem uma sacada no site oficial da banda, que foi de onde eu tirei a foto acima. Notem que o site é produzido por uma das agências de propaganda mais famosas de BH e que as fotos foram todas tiradas em estúdio (porque isso é importantíssimo para produzir boa música, não acham?).

Durante os 10 primeiros minutos do show eu fiquei sentado, olhando e tentando entender como diabos eu fui convencido a pagar para ver aquilo. O vocalista cantava como se estivesse no Domingão do Faustão. O resto da banda seguia o "procedimento padrão de bandinha pop": o baixista fazia cara de mau, o baterista rodava as baquetas no ar, era tudo tão... pasteurizado!

Meia hora de show depois e fomos obrigados a ir embora.

Quando os instrumentos não tocam...

2007-06-01 22:19:00 +0000

Das vezes em que assisti a um concerto, uma coisa que me chamou muito a atenção é o momento onde a orquestra afina os instrumentos: o violinista spalla ou alguém nos instrumentos de sopro toca uma nota (um lá) e a orquestra inteira vai afinando os instrumentos apropriadamente. Pra mim esta parte, muitas vezes, era mais interessante que o concerto em si.

Felizmente, hoje descobri que existem outros malucos como eu: vi no BoingBoing que um cara chamado Christopher DeLaurenti lançou um disco com gravações de intervalos de concertos de música clássica. Ele colecionou 50 horas de gravações "piratas", feitas com um gravador de MD no bolso e microfones binaurais costurados na própria roupa (obviamente, gravações são proibidas em concertos).

Uma pena não ter este disco no eMusic. Mas pelo menos tem uma das faixas pra download no site dele. No meio dela, um flautista se diverte tocando "oh suzana". Genial.

Apple esconde informações do usuário nas músicas sem DRM

2007-05-31 14:10:00 +0000

Nem bem foi lançado e o pessoal do Ars Technica já viu um problema muito, muito sério no iTunes Plus: As faixas "plus" (sem DRM) vem com o nome e o email do usuário que as comprou embutidos no arquivo.

Segundo o artigo, o palpite é que isso seria usado pela Apple para monitorar a "pirataria casual" - aquela cópia ocasional que você faz pra um amigo -, já que o fato de acharem seu nome em músicas que circulam pelas redes P2P da vida não vale como prova suficiente para um processo judicial.

Acontece que as faixas do iTunes que tem DRM também continham o nome de quem as comprava, o que me leva a pensar que tudo pode não passar de um esquecimento da Apple. Imagine só: antes do iTunes Plus, toda e qualquer faixa era "etiquetada" antes de ser entregue ao usuário. E se eles se esqueceram de reconfigurar esta parte do software na hora do lançamento do iTunes Plus?

Update: A coisa é pior do que eu pensava. A EFF achou, além do nome e email do comprador, mais 360 kb de informação oculta nos arquivos. Pois é...


Ainda sobre música online: li hoje no BoingBoing sobre o lançamento da PayPlay, loja de música online que, segundo eles, é "a maior de todas as que vendem MP3", contendo um acervo de 1,3 milhão de faixas, a maioria de música independente e tal, vendida a US$ 0,88 (MP3 sem DRM) ou US$ 0,77 (WMA com DRM).

Este papo de "maior de todas" é marketing furado do pessoal do BoingBoing, já que a eMusic é maior, com mais de dois milhões de faixas em MP3. E o modelo de negócio da PayPlay parece ser a promoção de bandas minúsculas que se parecem com o que você gosta. Por exemplo, se eu procurar faixas do Nine Inch Nails no site deles, a resposta que obtenho é: "Não temos Nine Inch Nails mas temos 350 álbuns de artistas parecidos com Nine Inch Nails"... e segue a lista de bandinhas iniciantes de bairro que, quando se cadastraram no site, escreveram que "Nine Inch Nails" é uma de suas influências. Arcade Fire também não tem, mas tem 20 bandas "semelhantes". Tortoise também não, mas tem 73 discos "parecidos".

"Não temos tênis da Nike, mas temos este da marca 'Naique' que também é muito bom"... hmmm, não, obrigdo.

iTunes Plus: é "plus" mesmo?

2007-05-30 14:20:00 +0000


Hoje de manhã a Apple liberou a versão 7.2 do iTunes. Ela contém correçõezinhas, suporte ao iPod Shuffle de segunda geração e (surpresa!) acesso ao iTunes Plus, a loja do iTunes que vende música sem o famigerado DRM (digital rights management).As faixas do iTunes Plus podem ser copiadas livremente em CDs ou outros MP3 players além do iPod e são gravadas em 256 kbps, o dobro da bitrate das faixas normais, o que significa uma melhor qualidade de áudio.

Isto deveria significar um marco na história do comércio de música online, não fossem as "pegadinhas" por trás deste lançamento. Pra começar, as faixas "plus" são são vendidas a US$ 1,29 - 30 centavos mais caras. E esta "melhor qualidade de áudio", que até poderia justificar o aumento de preço, gera arquivos com o dobro do tamanho e é imperceptível para a maioria das pessoas normais. Duvida? Faça o teste você mesmo: compare uma música de um CD de áudio normal (equivalente a 1.411 kbps) com um MP3 da mesma música a 128 kbps. Se você não perceber nenhuma diferença, tente comparar as duas faixas usando bons fones de ouvido, em um lugar silencioso, e usando um bom aparelho de som. Ainda assim vai ser muito difícil notar alguma diferença.

(Update: Os caras do Gizmodo fizeram o teste! O veredito? "A diferença foi sutil. Muito pouca - às vezes nenhuma - diferença foi percebida. (...) Se qualquer pessoa alegar poder diferenciar um do outro, eu sugiro um teste cego para ver se consegue adivinhar corretamente em mais de 50% dos casos")

O que eu quero dizer com essa história toda é que a melhoria de qualidade das faixas "plus" me parece apenas um esquema para justificar os US$ 0,30 a mais, que na verdade devem ser apenas uma transferência de possíveis perdas financeiras (com pirataria ou queda nas vendas de iPods) para o bolso do consumidor. É uma pena.

Agora eu fico na torcida para que a imprensa aproveite a oportunidade pra dar o devido valor à eMusic, o "ilustre desconhecido" segundo lugar na venda de música online. O acervo da eMusic é de mais de 2 milhões de faixas, todas em MP3 sem DRM e muito mais baratas (entre US$ 0,33 e US$ 0,27 por faixa). Eu sou um cliente satisfeito da eMusic há tempos e recomendo pra todo mundo - mesmo porque a loja do iTunes, vergonhosamente, não vende para o Brasil.


eMusic - Minha lojinha predileta.
O lançamento do iTunes Plus ainda não está 100% completo: até hoje de manhã as faixas "plus" ainda não apareciam, mas até o final da semana já devem estar disponíveis. O cliente que quiser pode fazer upgrade das suas músicas para as versões "plus", pagando os US$ 30 de diferença por faixa.

Winnie the Poo

2007-05-23 06:45:00 +0000

Depois o pessoal duvida do frio canadense.

Winnipeg, no estado canadense de Manitoba, é conhecida por ter duas estações: um inverno de 8 meses (com temperaturas de até 40 graus negativos) e depois 4 meses da "estação dos mosquitos". Porque você não faz idéia do tamanho dos pernilongos no verão canadense.

Mas aí estava eu aproveitando a queda do dólar e comprando meus disquinhos no eMusic e descobri que Aaron Funk, produtor de IDM/Breaks conhecido como Venetian Snares, fez um disco em homenagem a Winnipeg chamado Winnipeg is a frozen shithole (Winnipeg é um buraco de merda congelado).

A capa é alegremente ilustrada com uma granada, e todas as faixas são intituladas "Winnipeg alguma coisa", então temos "Winnipeg é um dildo de cocô de cachorro", "Morra Winnipeg morra morra morra seus bostas fudidos morra" e por aí vai.

E o mais legal é que, se fosse pra eu me mudar pra Winnipeg, eu iria. Ah, saudades do Canadá...

Meu nome é Monome

2007-05-18 04:17:00 +0000

Quando Daedelus esteve em São Paulo (e eu, obviamente, nem fiquei sabendo) ele se apresentou usando algo que foi descrito no fórum do Rraurl como "um controlador MIDI com 300 botões".

Na verdade são 64 e a coisa se chama Monome 40h.

De acordo com o site deles: "O Monome 40h é uma matriz de 64 botões iluminados e configuráveis. Os botões podem ser configurados como chaves liga-desliga, agrupamentos e controles deslizantes, ou organizados em sistemas mais sofisticados para monitorar e disparar porções específicas de samples, exibir vídeo de 1 bit, interagir com modelos físicos dinâmicos e jogos. O pressionar dos botões e a indicação visual são, por design, independentes: a correlação é definida por cada uma das aplicações"

Eu ví o videozinho que tem logo na página inicial e... nerdgasm!!!! Bem que eu queria um, mas custa quinhentas doletas e não tem mais pra vender, já que o Monome 40h é feito à mão...

Quanto pior, melhor

2007-05-11 13:20:00 +0000

Eu bem que queria entender essa vertente da nova música independente do "quanto pior melhor", que anda lançando aberrações como Cansei de Ser Sexy e Bonde do Rolê.

Digo isso porque ontem liguei a TV e, naquele programa da Trama, tinha uma banda chamada Montage cantando.

A vocalista loira, de camiseta branca e calça de lycra roxa, ficava passeando inquieta pelo palco com o microfone. O guitarrista tocava apenas uns dois acordes enquanto outro membro da banda, atrás de um notebook (Apple por sinal), balançava a cabeça para frente e para trás enquanto o computador cuspia uma batida do mais puro... funk carioca.

E aí veio a letra:

M-O-N-T-A-G-E
Montage!! Electro gang bang
Beginning the bocket Show
Leco is Dj
Dani sing and shake
In Fortaleza beach
Teen prostitution paradise...

"Mas que bosta é essa???", pensei.

Trinta segundos de música depois e eu percebi que a vocalista era homem. Ou melhor, homem só no sentido biológico do termo. Depois, o câmera cortou para atrás do notebook, onde o tal "Leco" fazia uma cara de mau, estilo "putamerda isso é rockenrou pracaraio", emquanto mexia freneticamente no touchpad do computador. Não acontecia nada de novo com o som, então eu suponho que ele estava apenas balançando o cursor do mouse pela tela, pra fingir que estava fazendo alguma coisa além de apertar "play" e "stop". A impressão que eu tinha daquilo é que ele queria, desesperadamente, ir ao banheiro.

No rodapé da tela iam passando umas notas explicativas sobre a banda, contando que ela é de Fortaleza e que o guitarrista é convidado. Sorte dele. E "Dani" rebolava até o chão no melhor estilo "travesti funkeiro de Amsterdam" enquanto continuava cantando coisas que, mesmo cantadas de brincadeira pelo Sérgio Mallandro, ainda assim seriam patéticas.

Floor floor floor
Go Straight to the Floor
A hand in the head
Another in the ass
Shake shake shake
Your Ass

Aquilo era um novo patamar da música ruim. Era funk piorado. Era igual um acidente de trânsito: catastrófico, mas eu não conseguia parar de olhar.

No entanto eu lia no rodapé da tela que o Montage estava gravando disco, preparando turnê na Europa e que já tinha tocado com o Gang Of Four, The Cardigans e mais um tanto de gente. Cuméquié?

Eat rapadura
Fuck rapariga
Go straight to the floor
Dance like a whore
Just whore on the floor

Sim, você leu certo, "eat rapadura, fuck rapariga". Aparentemente isso aí é música brasileira boa pra exportação.

Se quiser ver o desastre todo, aqui tem outra matéria do mesmo programa sobre a "banda", tocando no Campari Rock.

O produto de uma mente ociosa há 25 dias

2007-05-09 02:43:00 +0000

Adicionei mais uma coisa para o ranking das coisas que realmente me irritam: DVDs de locadora que te obrigam a assistir os traileres.

Já alugou um destes? Você taca o DVD pra tocar e ele passa 10, 15 minutos de trailers. "Next" não funciona. "FF" não funciona. "Menu" não funciona.

É incrível como o pensamento da indústria do entretenimento parece ser: "Você vai se divertir com nossos produtos. Mas tem que ser do jeito que a gente quer."

Falando em indústria do entretenimento, eu vi o Homem-Aranha novo. Engraçado como a primeira metade de um filme pode ser excelente e a segunda metade ser um lixo total.

Vou dar um exemplo (não é spoiler, pode ler): numa das cenas da segunda parte, o Aranha chega para salvar o dia. A tomada mostra o aracnídeo pulando de sua teia e correndo por um telhado... com a bandeira dos US and A como pano de fundo. A música "gloriosa" aumenta e as pessoas na rua aplaudem.

Outro dia, na cadeira do engraxate do Aeroporto de Ribeirão Preto (?!), eu li uma matéria na Folhinha, da Folha de São Paulo, sobre os jovens que rejeitam tudo que é estrangeiro. Não entram no McDonalds, só escutam música brasileira, só se vestem com grifes nacionais e tal.

Pra mim estes jovens são uns idiotas.

Antes que as pedras que vocês, mentalmente, jogaram sobre mim me acertem, eu me justifico: No mundo de hoje, principalmente sob o ponto de vista cultural, não faz o menor sentido você classificar as coisas por causa do país de onde elas vêm. Se você pensar em termos de Internet e globalização, não existem países do ponto de vista cultural. Não dá pra separar músicos, atores ou escritores em prateleirinhas com os nomes dos lugares de onde eles vieram: é como se, no universo cultural, Tom Zé, Thom Yorke e Thomas Bangalter estivessem lado a lado. Segmentar o mundo cultural em países, e restringir seu consumo a apenas um deles é, para mim, um contrasenso enorme, é jogar fora o que de melhor o mundo moderno nos oferece: cultura de todos os tipos, jeitos, países, raças e cores. E o que é pior: só pra pagar uma de patriota.

Sim, a cultura brasileira é rica e digna de apreciação. A dos outros países também, inclusive a dos US and A, que todo mundo adora odiar ultimamente. Em termos culturais, a única comparação que vale é a de mentes, não de lugares de nascimento.

Falando em "US and A", alguém mais já reparou que, no Street Fighter 2, quando o narrador fala o nome dos países, a narração para a extinta União Soviética é a que ele faz com menos empolgação?

Para os outros países é como se ele botasse uma exclamação no final: Japan! Brazil! Spain! USA! Mas na hora de falar da terra do Zangief, ele desanima: U.S.S.R...

Compras do mês d'O Primo

2007-05-09 02:04:00 +0000

Atrasado quase dois meses. Mas.. vamulá:

Blonde Redhead - 23

Esta era uma compra imperdível após "Misery is a butterfly", o último lançamento da banda e que, pra mim, foi o melhor disco de 2004.

Até os videoclipes da banda denunciam que o Blonde Redhead está cada vez mais atraído para uma sonoridade cada vez menos "rock sujo" e cada vez mais bem-produzida, melódica, esteticamente bonita. Portanto, "23" nasce como um disco-irmão de "Misery is a butterfly", igualmente agradável, igualmente classudo. Faz sentido, se considerarmos que dois membros da banda são irmãos gêmeos...

As faixas alternam momentos de sonhos tristes, nas faixas onde Kazu Makino canta, com momentos mais "reality" na voz de Simone (ou Amedeo, sei lá, um dos gêmeos). O vocal não é convencional e quem nunca ouviu a banda acaba estranhando a voz aveludada e assustadora de Kazu e os agudos miados de Simone (ou Amedeo). Mas após umas duas ou três ouvidas, o disco desce igual uma Skol.

Destaque para "Silently", com uma letra melosa, vergonhosa e clichezenta e que, ainda assim, consegue ser a melhor faixa do disco.

Daedelus - Rethinking the weather

Daedelus basicamente copia e reorganiza samples e trechos de música dos outros, o que, teoricamente, nem poderia classificá-lo como um "criador". No entanto, Daedelus é um dos maiores gênios criativos que já vi na música eletrônica. Afinal, é preciso ser muito foda pra misturar coisas diametralmente opostas, como folclore japonês e batidas de hip-hop, e deixar tudo soando como se tivesse nascido um para o outro.

O interessante é que cada faixa se desenvolve em volta de um sample específico, que puxa variações do tema, que puxam improvisos diversos e assim em diante. Mais ou menos como quando você pensa alguma coisa e um pensamento puxa outro, que por sua vez puxa outro, e quando você vê já está viajando em uma idéia muito diversa da original. Pois é: a música de Daedelus é mais ou menos assim.

Destaque para "Dark days", que junta um coral de menininhas dos anos 60 com uma batida jungle e cujo efeito colateral é fazer você sair ricocheteando pelas paredes.

N.LN - Astronomy for Children

É engraçado: as músicas do The Sea and Cake são muito mais gays, e os discos deles não tem capas com pinturas de viadinhos...

Bem, mas falando do que realmente importa, N.LN praticamente implora para ser comparado ao Boards of Canada. As premissas musicais são as mesmas: sonoridade bem "amiga", ampla e suave, casada com melodias e batidas simples que se repetem por longos períodos. Mas ao contrário das "pranchas canadenses", o espectro por onde o N.LN passeia é mais variado, onde são usados elementos "glitch", arranjos mais sombrios - ou com menos climão de "sonho" -, batidas mais complexas e tal. Apesar disso, no fundo, o DNA da música é o mesmo do Boards of Canada. Taí, comparei de novo.

Destaque para a faixa "That spun my head", que significa "aquilo fez minha cabeça rodar" e é perfeita para ouvir quando você está na janela do avião, à noite, e a paisagem passa beeeeeeem lentamente debaixo de você.

Taylor Deupree - Nodal Points

Eu não sei por que compro essas coisas. Na verdade só eu devo comprar essas coisas. O próprio Taylor Deupree deve acessar o eMusic de vez em quando e falar: "que bosta, só uma pessoa comprou meu disco". E essa pessoa sou eu.

O desabafo é porque "Nodal Points" é um disco de música eletrônica experimental. Ou "eletroacústica", como chamam alguns. Essas coisas, quando não soam como CD riscado, soam como computadores dando erro ou como ruído elétrico do seu amplificador velho. Mas na verdade não é isso, é o compositor, supostamente um gênio musical de vanguarda, que está compondo de uma forma muito fora do comum: trabalhando timbres ultra-agudos, usando fórmulas matemáticas para gerar ondas sonoras (ou adulterá-las), explorando a expressividade que pode nascer de pedaçículos ínfimos de som repetidos muito rapidamente, e por aí vai.

Escrevendo assim parece que eu odiei o disco. Na verdade não, porque uma parte de mim entende o que ele está fazendo e aprecia com avidez cada blip ou tóing da maluquice toda.

Destaque para "Cell_H. 65.69.87", um ótimo exemplo de que, quando muita pouca coisa acontece, muita coisa está acontecendo. Entendeu? Meu Deus, comecei a escrever como aqueles críticos de arte...

Panda Bear - Person pitch

Vocais, reverb, mais vocais, muito reverb... hmm... aposto que substâncias ilegais foram usadas na concepção deste disco.

"Person pitch" vai pro lado da psicodelia estilão "anos 60". Guitarrinha, vocais, tudo embebido em quantidades absurdas de reverb. É basicamente isso, e... eu já disse que tem reverb o tempo todo?

Panda Bear, ao que parece, está em todas atualmente. Está entre os mais baixados do eMusic, se deu bem no Pitchfork (9.4), surgiu no (maravilhoso) podcast da XLR8R, e tal. O disco é bem bonzinho mesmo, apesar de ser um pouco "mesmice" demais. Sacumé, muito reverb.

A Igreja do Trance Divino

2007-04-11 17:08:00 +0000

Não, não é piada. Na verdade, eu bem que queria que fosse.

O troço existe mesmo, fica em Alto Paraíso (Goiás), tem até site, e foi mostrada numa matéria do Jornal Globo (texto e vídeo aqui).

Palavras da "ministra da fé" Anirit Kuyana (??), só pra vocês verem o nível:

"Nossa religião é basicamente musical. Então não existe muita coisa escrita. Existe coisa tocada. Ela te leva em um ritmo enorme e te solta lá em cima sozinho. E aí a mente esvazia, você fica no nirvana, sem o pensamento".

Gauthana (?!), o missionário, explica melhor como é a igreja:

"Tem missionário, o profeta, a bispa, o monge. E tem os santos. A única santa viva é a Rita Lee".

É por isso, crianças, que papai fala pra vocês não usarem drogas. Pra não acabar desse jeito.

(Via Boteco HardMOB)

Black Eyed Alanis

2007-04-03 03:34:00 +0000

E, com vocês, Alanis Morissette cantando um dos ápices da criatividade musical contemporânea: My Humps, do Black Eyed Peas.

(Via Waxy.org)

Grandes Discos da coleção d'O Primo

2007-03-23 19:36:00 +0000

Air - Trilha do filme "The Virgin Suicides"

O artista "normal", aquele que grava e lança discos em vez de trabalhar como compositor profissional de trilhas, passa maus bocados quando é chamado para fazer música para um filme. Após anos de destaque, compondo livremente, sem amarras, o cara é obrigado a fazer música de fundo para o trabalho de outra pessoa e, normalmente, fracassa.

Em "The Virgin Suicides", fica difícil dizer se o Air fracassou ou não, porque toda a minha opinião do disco foi construída antes de ver o filme. Na verdade, tudo o que eu sabia do filme era que ele se chamava "As virgens suicidas" e que contava a história de cinco irmãs que se suicidaram. Mais nada. Assim sendo, tudo o que eu tinha nas mãos era uma pergunta: Como seria o universo musical de virgens suicidas? E é isto que o Air responde de forma magistral...

O duo francês compôs como qualquer compositor de trilha sonora: desenvolveu o disco inteiro ao redor de um tema melódico único, manteve a sonoridade "arredondada", os timbres uniformizados num formato básico de órgão-vibrafone-guitarra-bateria-baixo, sem destaque para nada, para não brigar pela atenção do público com o resto do filme. Mas ao mesmo tempo em que formatou seu modo de compor para atender o cinema, o Air manteve a sua identidade musical retrô-moderna, atmosférica e suave. A soma disso com um tema intenso como o do suicídio - e os sentimentos misturados que se relacionam com ele - fez com que a trilha de "As Virgens Suicidas" se tornasse um disco de rara intensidade e beleza.

Praticamente todas as faixas são música "de fundo", discretas, feita para completar e ilustrar ao invés de aparecer e se destacar. Mas apesar da discrição, todas possuem uma carga sentimental forte e inocente da depressão adolescente, devida em grande parte ao tema melódico básico: forte, bonito, mas infinitamente triste. Conforme ele se repete ao longo das faixas, toda aquela ansiedade típica de suicida vai se remexendo entre um som e outro. O Air, definitivamente, acertou em cheio.

Curiosamente, o filme (que nem é lá tão bom) usa muito pouco as músicas que estão neste disco. Talvez porque a diretora (Sofia Coppola), no roteiro, optou por uma abordagem pouco emocional e mais documental para contar a história das cinco irmãs. Já o pessoal do Air foi todo emoção: "Suicide Underground", antepenúltima faixa do disco, usa uma longa narração do filme e a ilustra com a música, formando uma obra-prima que mostra até onde o filme poderia ter ido e não foi.

So - So

Primeiramente, não. A banda não se chama "So-so" (que significa "mais ou menos", em inglês). A banda chama-se "So", e o disco tem o mesmo título.

Eu já mencionei este disco aqui no blog várias vezes, e vou mencionar de novo. "So" é um projeto de Markus Popp (Oval) com Eri (Microstoria). O disco tem 10 faixas sem título, compostas de MUITO ruído, sons desconexos, um pouco mais de ruído, blips ocasionais e a voz de Eri (cantando em japonês e ao violão) processada eletronicamente até o extremo. E é um disco que me abriu os olhos para o quanto a música pode ser bonita quando é apreciada pelo que ela é, sem influência cultural ou expectativas oriundas de velhos paradigmas.

A primeira audição de "So" é profundamente incômoda, porque nenhum som é amistoso. A digestão daquela massa amorfa de barulho ácido não é fácil. No entanto, o esforço para vencer a rejeição inicial compensa muito, porque aí fica possível perceber o que é, na verdade, aquela barulheira toda. Os ouvidos, "desconvencionalizados", percebem a ternura no cantar de Eri, a suavidade dos movimentos harmônicos, a beleza própria, substancial, de cada um daqueles sons desajeitados. Tudo está lá, mas coberto por uma aparência que a princípio parece desagradável, mas que na verdade poderia ser melhor descrita como "complexa" ou "densamente elaborada".

Uma vez confortável com esse universo musical diferente, quem ouve "So" vai conseguindo perceber cada faceta da complexidade toda, e tendo surpresas novas a cada audição - mesmo depois de muitas audições. Até a capa reflete esta temática do belo escondido atrás do tosco, que se mostra pra quem tem "olhos de ver": o que, a princípio, parece ser apenas rabiscos, é na verdade o desenho de um grande navio.

As compras do mês d'O Primo

2007-03-06 06:41:00 +0000

Tortoise - A Lazarus Taxon

Esse CD eu não comprei em MP3: acabei importando do jeito "analógico" mesmo, já que A Lazarus Taxon não é exatamente um CD novo do Tortoise, e sim um "box" com 3 CDs e 1 DVD cheios de remixes, versões ao vivo, faixas bônus, etc. Coisa de colecionador.

Musicalmente falando, A Lazarus Taxon é ótimo. Os remixes são formas de revisitar tudo de bom que o Tortoise já produziu. As faixas bônus são uma dose extra daquela sonoridade de jazz moderno, característica marcante da banda. E encerram em si algumas surpresas experimentais, como "Sexual for Elizabeth" que parece Tortoise tocando na Jovem Pan FM (!?) ou "A Grape Dope", que reinventa o tema usados em "The Taut and Tame" (do Millions now living...). Já o DVD eu ainda não tive tempo de ver direito.

Daedelus - Daedelus denies the day's demise

Todo dia de manhã eu rezo pra Deus e agradeço assim: "Senhor, obrigado por me fazer assinar o podcast da revista XLR8R". Pois é deste podcast que tenho tirado algumas coisas simplesmente geniais (como, por exemplo, J Dilla).

Daedelus apareceu num desses podcasts tocando "Remix for Nothing", uma faixa eletrônica-experimental feita de tudo misturado com tudo, com um objetivo muito bem definido: nenhum. Só pra ver no que dá. O resultado, despretensioso, divertido, ficou muito interessante. A letra do refrão é o máximo:

This... is it.
Yes it is, I say.
The remix, this is.
This is it, the remix.

Para aprofundar meu conhecimento de Daedelus, comprei o seu disco mais recente, chamado Daedelus denies the day's demise. E aí, surpresa: É nele que Daedelus descobriu o Brasil. Mais especificamente, o samba.

As faixas, batizadas de "Samba legrand", "Petite Samba", "Viva Vida", deixam bem claro que Daedelus anda curtindo bastante o repique do pandeiro e a miada da cuíca. Praticamente todas as faixas tem algum samba sampleado, ou usam a mesma estrutura rítmica do nosso velho e bom "paticumbum". "Bahia", então, dava pra tocar fácil neste carnaval. E ainda sobra espaço nas faixas para Daedelus esbanjar genialidade, usando ao contrário tudo que normalmente se usa em música eletrônica: os sintetizadores sóbrios tocam linhas melódicas animadas; os samples de músicas de antigamente não soam nostálgicos, e sim se empilham uns sobre os outros, tocando "chutadinhos", bem século 21. Tocando tudo errado, Daedelus acerta em cheio.

Em resumo, Daedelus denies the day's demise é imperdível. Taí um gringo que samba muito bem...

Set Fire to Flames - Telegraphs in negative

Set Fire to Flames é uma banda "irmã" do Godspeed You! Black Emperor. Ambas compartilham integrantes, soam similares, e tem uma atração forte pelo apocalíptico, pelo obscuro e pelo depressivo.

No site da gravadora Alien8, a história de Telegraphs in Negative é contada. Basicamente, os 13 integrantes da banda acharam um grande celeiro abandonado na área rural de Ontario, no Canadá, levaram o equipamento e se trancaram lá. "O álbum foi formado numa situação de isolamento auto-imposto, com a banda funcionando tanto individualmente quanto comunitariamente, em estágios de pouco ou nenhum sono, níveis variados de intoxicação, e confinados fisicamente", diz o site.

Telegraphs in negative NÃO é um disco divertido. NÃO é um disco fácil. NÃO é um passeio no parque. É uma jornada difícil por consciências atormentadas, por demônios escondidos atrás de cada pilha de feno e de madeira velha. É um disco que vai incomodar e vai lhe deixar deprimido.

No entanto, Telegraphs in negative é intenso, e por isso mesmo profundamente expressivo, atingindo extremos onde, por exemplo, uma faixa contendo apenas trechos gravados de telefonemas ("Mouths trapped in static") fica linda e é mais emocional do que quaisquer 20 minutos de guitarra urrando no último volume.

É preciso uma certa dose de coragem para ouvir telegraphs in negative. Coragem para se trancar com a banda naquele celeiro, no escuro, e ficar ouvindo os próprios fantasmas.

Laura - Radio Swan is Down

Este disco começa bem logo na bela pintura da capa. Já a música é rica, intensa. As guitarras cantam, guiando e construindo o som das cordas, do baixo e da bateria rumo a "paredes sonoras" espetaculares.

Quem conhece Explosions in the Sky vai achar esta fórmula bem familiar. Mas há diferenças. A intensidade rasgada de Radio swan is down é mais constante, e o que evolui nas músicas não é a melodia, e sim variações do timbre da banda inteira, que giram em torno de acordes mais sérios, solenes. Como se fosse um "Explosions in the Earth". Há também uma ou outra pitada eletrônica aqui e ali, como que para garantir o interesse ao longo do disco. Nem precisava: Radio swan is down soa maduro e seguro como poucas bandas conseguem.

Múm - Yesterday was dramatic, today is OK

Eu não entendi nada.

Na minha listinha de "saved for later" do emusic.com, este disco tinha a seguinte observação, feita por mim: "Baixar assim que der refresh nos downloads". Aí baixei, e até agora estou me perguntando por quê.

O disco é todo certinho: Ele soa quase como se não quisesse incomodar. Nenhum timbre é agressivo, todos ficam exatamente em seus lugares: a bateria sustenta, o baixo apóia, a linha melódica dá a... bem, a linha da música, e assim vai. É como um time que joga certo, faz o gol, ganha o jogo, mas só. Falta a ânsia de ganhar, de fazer coisas novas, de dar uma de Maradona e fazer gol com a mão.

Dizendo assim o disco parece uma porcaria, mas não. Yesterday was dramatic, today is OK tem seus méritos: as músicas tem um clima bom e tranquilo, evoluem sem pressa e levam o ouvinte a uma viagem de paisagens bem bonitas. Mas fica a impressão de que podia ter sido muito mais e não foi, parando apenas no "bom". E, como dizem, o bom é inimigo do ótimo - apesar de continuar sendo bom.

Como fazer seu iTunes conversar com o teclado multimídia

2007-02-13 03:01:00 +0000

Meu iPod foi a melhor coisa que comprei nos últimos 30 anos, exceto por um detalhe: ele me obrigou a usar o iTunes pra quase tudo.

O iTunes é até bom, mas tem uns bugs idiotas. Um deles é assim: se você tem um teclado multimídia, daqueles com teclas "play" e "pause", elas só funcionam no iTunes se ele for o programa ativo no momento, o que mata a praticidade de um teclado desse tipo.

Achei a solução aqui. É só baixar um arquivo chamado mmkeys.dll (mirror aqui) e botar em c:\Arquivos de Programas\iTunes\Plug-Ins. Crie a pasta "Plug-Ins" (com hífen e tudo) se ela não existir. Se tudo der certo, o "play" e "pause" do seu teclado vão playzar e pausear o iTunes independentemente de qual programa você estiver usando.

O engraçado é que pouca gente sabe que o iTunes aceita plugins. Tem vários outros bons plugins neste link, por sinal.

As compras do mês d'O Primo

2007-01-31 17:35:00 +0000

(Tudo comprado no eMusic. Barato, sem DRM, sem olho de vidro e sem perna de pau)

Quando eu penso no futuro do meu gosto musical, às vezes eu fico com medo. A cada dia que passa eu me distancio mais e mais do vocal, da guitarra, da música de estrutura "comum", e exploro cada vez mais uma terra estranha, sem ritmo, coberta de barulho, chiados e blips desconexos... e acho tudo maravilhoso.

Radian - Juxtaposition

Tudo começou com o Tortoise. Aí eu passei pelo The Sea and Cake, pelo Trans Am, pelo Oval, pelo Microstoria... e aí ficou bem claro que a Thrill Jockey tinha muito a ver com meu gosto musical esquisito.

Em termos de sonoridade, Radian, portanto, tem "a cara" da Thrill Jockey. Juxtaposition soa incomum, jazzístico, inovador. Camadas de ruído, guitarras profundamente processadas e glitches eletrônicos são colados sobre linhas de percussão, e o resultado final são faixas onde a expressão não está nos sons produzidos, e sim na forma em que eles soam depois de produzidos, no efeito que eles causam, na forma como eles interagem um com o outro. Isso tem um efeito curioso: o resultado sonoro é tão vivo que é difícil perceber que às vezes, sim, tem uma banda, com instrumentos, tocando ali. A criatura acaba se tornando muito mais poderosa que seus criadores...

Bons fones de ouvido e bastante atenção são absolutamente necessários para ouvir este disco.

Belong - October Language

"Soa como enrolar-se em um cobertor quentinho feito de barulho", dizia um dos reviews do eMusic. Eu li isso e comprei o disco na mesma hora, porque sabia exatamente o que ele queria dizer - e é isso que me assusta às vezes.

Belong trilha os caminhos de Fennesz e Kevin Shields, que experimentam com "paredes" sonoras construídas com o som de guitarras ligadas a uma penca de distorções, reverbs e por aí vai. O efeito é uma magnífica onda de ruído, que se contorce e se transforma a cada acorde diferente. Só que no meio daquela quantidade absurda de barulho existe uma melodia, suave, e é como se, no meio do desespero provocado pelo barulho, surgisse um lugar seguro, confortável. Exatamente como o "cobertor quentinho" que o cara falou.

A genialidade deste disco é justamente essa: a capacidade de construir beleza magnífica através do caos sonoro, da agressividade, do ruido. October Language ainda acrescenta uma gama diferente de elementos sonoros e timbres para as músicas, como que para garantir que o disco vai ficar interessante por todos os seus 45 minutos. Nem precisava.

Você já deve ter desconfiado mas não custa lembrar: October Language é pra ser ouvido bem alto, ou com bons fones de ouvido.

Of Montreal - The Sunlandic Twins

 

The Sunlandic Twins estava há muito tempo na minha listinha de "discos para comprar depois", no eMusic. Toda vez que eu revisava a listinha, aquela capa com os gêmeos de mãos dadas no jardim psicodélico parecia cada vez mais convidativa.

The Sunlandic Twins é um pop-rock construído com precisão. As faixas são "pra cima", agradáveis e tem uma solidez melódica a la Beatles, mas atualizada para o século 21 com uma ou outra pitada de eletrônicos. Na verdade, o som da banda (principalmente os vocais) soa muito parecido com os Beatles.

E precisamente por causa disso tudo é que eu tive problemas sérios pra ouvir este disco.

Não que ele seja ruim, muito pelo contrário. Ele é excelente. Acho até que a maioria dos leitores deste blog iria gostar muito de The Sunlandic Twins e detestaria o October Language e o Juxtaposition. Bethania, por exemplo, vai adorar esse disco. O problema, pra mim, é que ele representa exatamente o "convencional reinventado" do qual eu tenho desesperadamente tentado fugir. Além do mais, eu detesto Beatles, então tem uma barreira psicológica que eu preciso vencer primeiro antes de conseguir apreciar o disco...

Copiou, dançou

2007-01-16 00:35:00 +0000

Timbaland, um dos nomes mais "quentes" da "música" pop (note bem as aspas) foi pego com a boca na botija, plagiando música de um compositor finlandês.

Mas ele não plagiou uma música qualquer, e sim um .MOD que circulou na demoscene: Sim aquela mesma demoscene que todo músico-nerd de vinte-e-muitos anos guarda num cantinho do coração.

Já que brigar na justiça contra a gravadora é suicídio, os sceners estão fazendo um rebuliço tão grande na internet que deu até no slashdot.

Compras do mês d'O Primo

2007-01-13 00:40:00 +0000

(Edição extra)

J Dilla (aka. Jay Dee) - Donuts

Trinta e uma faixas, que duram pouco mais que um minuto cada uma. E no emusic a gente paga por número de faixas, portanto, quanto mais curta a faixa, mais mal gasto está sendo o meu dinheiro.

Assim, eu estaria levando prejuízo... se não estivesse comprando o melhor disco de 2006. Disparado.

J Dilla é (ou melhor, era, já que infelizmente morreu ano passado) o dono de uma sensibilidade musical fora do comum. Donuts é um disco onde cada faixa é um pequeno exercício desta sensibilidade. As faixas são simplesmente uma coleção de instantes, pedaços de músicas que o ouvido de J Dilla percebeu como especiais por algum detalhe, algum som, algum timbre de destaque. One for ghost, por exemplo, é uma faixa construída com base nos instantes finais de um sample onde alguém canta "when I was bad". Estes instantes finais são, apenas o "ad" do "bad". E esta pra mim é uma das melhores faixas do CD.

Assim, pelo vigor criativo sem precedentes, ritmo frenético, mesclagens inteligentes e um groove de lamber os beiços, Donuts é uma obra-prima que eu não consigo parar de escutar. Altamente recomendado.

Fuguêra di São Juão

2007-01-09 04:20:00 +0000

Antigamente vieram os gringos, acharam que a melhor coisa do Brasil era o Carlinhos Brown e botaram ele até em trilha de filme (lembram do Velocidade Máxima 2?)

Aí veio a M.I.A., usou Deize Tigrona em Bucky Done Gun e fudeu tudo: eu entro no Blentwell pra ver alguns mixes e o gênero "baile funk" é um dos 30 mais populares - ganha de tech house, indie e de IDM.

Aí veio o Devendra Banhart e disse que a melhor coisa que já aconteceu com ele foi ter encontrado com... Caetano Veloso. "Eu queria me matar depois daquilo, a minha vida estava completa", ele disse.

Aí, em 2006, veio David Byrne, Miho Hatori (do Cibo Matto) e mais um punhado de gente, e gravaram um CD com covers de... forró.

Não, meus amigos, eu não estou brincando. Este disco aí embaixo tem David Byrne cantando "Asa Branca".


Deus que me livre e guarde

Se os gringos se empolgarem com forró da forma que se empolgaram com funk, teremos um 2007 muito preocupante.

Compras do mês d'O Primo

2007-01-09 02:56:00 +0000

Tudo comprado no emusic ou no bleep.

Proem - Socially Inept

Não sei se deu pra perceber, mas "Proem" é "poem" (poema) com um R a mais.

A música deste texano de 30 anos parece bastante como o nome: um poema com alguma coisa no meio. As faixas conjugam sons espaciais e dinâmicos, algo como um ambient que se estrutura não na "ambiência", e sim na sonoridade diversa, móvel, narrativa. O resultado é profundo e expressivo como poucas vezes eu já ouvi em música eletrônica.

The Go! Team - Thunder, Lightning, Strike

É tosco, é jovial, é despretensioso. É uma versão punk de Architecture in Helsinki.

"Bottle Rocket", sozinha, vale o disco. De fato, o "team" rende bem mais quando a banda usa vocais (se é que aquela gritaiada pode ser chamada de vocal), mas mesmo as faixas instrumentais não decepcionam. E... eu já disse que é tosco?

Trans Am - Trans Am

Ontem eu e Bethania assistíamos um programa de TV chamado Rockstar Supernova. É tipo um American Idol para escolher um vocalista de rock. Os candidados idiotas cantavam como se estivessem no "Fama" da Rede Globo e não tinham a menor presença de palco. Os jurados não perdiam as esperanças e davam dicas: "Você tem que brigar mais com a música"... "se solte mais, seja agressivo"... "cadê a atitude"...

Eu daria a cada um uma cópia deste disco do Trans Am pra eles ouvirem. Aí, assim que o CD acabasse, eu daria uma bifa na cara de cada um e diria: "Ouviu!?! Sua anta!! ISSO é que é rock!"

The Pixies - Doolittle

Bem... estou tentando reparar o erro de NUNCA ter ouvido Pixies. Antes tarde do que nunca.

Falar aqui que "ooh, Pixies é bom" é chover bastante no molhado. Acho que o máximo que posso dizer sobre o Doolittle é que eu vejo o ano do lançamento do disco e me pergunto o que diabos eu estava fazendo em 1989 que não ouvi isso.

Alarm will Sound performs Aphex Twin - Acoustica

E lá estava eu, tranquilamente, ouvindo meu Pandora, quando...

- Ei... isso é Aphex Twin... tocado por uma orquestra?!?

Sim, oh sim. Todos os "blips", todos os "tóings" são fielmente reproduzidos por violinos, oboés, tímpanos, flautas... até o sample que diz "come on you cunts, let's have some Aphex acid!" é cuidadosamente gritado no meio da gravação.

As compras do mês d'O Primo

2006-12-15 03:05:00 +0000

Zloty Dawai - Dada work chant

Este eu não comprei - baixei de grátis. E fiquei sabendo que havia sido lançado porque recebi um email da própria gravadora.

Zloty Daway são cinco alemães que gravam discos inteiros de uma só vez, tudo no improviso. É meio que um jazz extremo. Os discos do Zloty Daway (tenho dois) são horríveis mas ao mesmo tempo difíceis de parar de ouvir, o que talvez signifique que eles são bons, sei lá.

Para minha surpresa, as músicas funcionaram perfeitamente como trilha sonora para o atraso de uma hora de um dos meus vôos na terça-feira. Aquele maldito aeroporto e os sons todos errados, desconexos... uma coisa tinha mais a ver com a outra do que eu imaginava.

Interpol - Antics

"Interpol?!?!?", dizem em coro os leitores mais acostumados com música indie. "Sim, Interpol", respondo eu. Quando o Antics foi lançado, em 2004, Luiz já tinha me passado os MP3, que ouvi e achei bem ruins. Aí, não sei como, uma das faixas do disco Turn on the bright lights (chamada NYC) caiu no meu iTunes, e o shuffle do iPod insistia em tocá-la frequentemente.

Só aí eu concluí que Interpol é uma daquelas bandas que demoram pra "bater" - como o Architecture in Helsinki, que achei esquisito no começo mas agora estou curtindo bastante. Agora que o vocal de Paul Banks ficou mais digerível, é ótimo curtir o som espaçoso e melódico...

Kid 606 - Pretty Girls Make Raves

Comprar o Pretty Girls Make Raves é o equivalente a ligar bêbado para a namorada, ou chamar o chefe de "asno engravatado" no seu blog e ele ler. Sabe, aquelas coisas que são divertidas na hora, mas depois tem lá suas consequências.

Este disco é de uma fase bem "verborrágica" do Kid 606, onde ele lança disco atrás de disco sem nenhuma preocupação com qualidade. Assim, o Pretty Girls Make Raves é um disco de rave techno de produção medíocre, e que raramente diverte.

Mas a capa é bonita. E mês passado eu só tinha 8 downloads restantes na minha conta do emusic, e o disco tem 8 faixas... parecia a coisa certa a fazer, eu juro...

The Sea and Cake - The Fawn

Poucas bandas conseguem fazer o que o Radiohead fez com o disco Kid A: compor de um jeito completamente diferente do que fazia antes e ficar ainda melhor.

O Sea and Cake também fez isso, mas muito discretamente. Se você ouve desatento, todos os seus discos soam meio iguais. Um igual que, no entanto, sempre agrada. Só que, se você comparar este disco (de 1997) com algum outro lançado após o ano 2000, dá pra notar claramente o desvio do "acústico levemente progressivo" para o "jazzístico post-roquiano".

Destaque para a faixa "Rossignol". Instrumental do jeito que eu gosto, e ainda me lembra a temporada de esqui no Chile...

Migala - La increíble aventura

A capa e o nome do disco parecem dizer: "Os caras do Migala viajaram para a África. Foram fazer um safári. Tiraram férias de quem eles são". Isso fica ainda mais evidente na primeira faixa. Mas conforme o disco prossegue, eles gradualmente voltam ao seu estado normal de espírito: intimista, melancólico, profundamente triste... e absolutamente maravilhoso.

Curiosidade: minha primeira audição do disco foi, também, numa aventura - que nada tinha de "increible": era uma viagem de carro, trecho "São Paulo - Windturn City". Foram 3 horas espremido no banco de trás com mais duas pessoas. Nessas horas eu tenho que agradecer a Deus por permitir que algum bendito inventor criasse os fones de ouvido...

33.3 - Plays Music

Os caras do All Music Guide acham que esta banda com nome "decimal" é, simplesmente, clone das outras dezenas de bandas de post-rock.

Eu concordo. Plays music não acrescenta absolutamente nada de novo ao gênero. No entanto, como as outras dezenas de bandas do gênero, é uma delícia de ouvir. Delicioso o suficiente pra me fazer comprar o disco sem a menor idéia de onde saiu essa banda.

No final das contas, o trinta-e-três-ponto-três foi uma boa adição à minha coleção (sacou o trocadilho?)...

Tony da Gatorra

2006-11-15 03:47:00 +0000

Este é o cara.

O release do site da Trama diz:

Caralho, tô passando mal! Tony da Gatorra: a melhor descoberta dos últimos tempos. Só dá pra ter idéia ouvindo o som do cara. Um técnico em eletrônica gaúcho, um hippie cabeludo coberto de medalhas com o símbolo da paz, que INVENTOU um instrumento que chamou de Gatorra, mais ou menos uma bateria eletrônica aditivada, em forma de guitarra. O som é tipo Wesley Willis e Objeto Amarelo, pós-punk outsider! E ainda com letras de protesto!

Obviamente, tem comunidade no Orkut. Lico Dedo de Ouro finalmente arrumou um concorrente à altura...

Musique non stop

2006-11-14 03:22:00 +0000

Eu já li, nuns dois lugares, matérias sobre a criação dos efeitos sonoros do Windows Vista, o próximo lançamento Microsoftiano.

Aí você pensa: que falta de assunto, matéria sobre os barulhinhos do futuro Windows. Alto lá, cara pálida, pois este é o design sonoro mais importante do mundo.

Imagine quantas vezes você vai ouvir os sons do seu Windows. Eles tem que ser legais da primeira vez que você ouve, da segunda, da terceira... eles tem que soar bem às dez da noite de uma sexta-feira, quando o Excel travar e você perder as últimas quatro horas de trabalho...

Pra piorar, lembre-se que pouquíssima gente muda os sons padrão do Windows. Ou seja, você ainda vai ouvir versões incidentais do sonzinho de startup do Windows toda vez que for numa lan house ou que seu colega abrir o notebook no aeroporto. Sabe aquela história de fumante passivo? Pois é. Eu já enjoei tanto que acabei fazendo uns sons novos pro meu PC.

Mas aí hoje eu achei um vídeo comparando os sons do XP com os do Vista. A maior parte dos barulhinhos novos é só um remix mais sutil dos velhos. Acho que o toque de sutileza deve ser pra você não enjoar tão rapidamente...

Ultimamente eu ando musicalmente experimental. Hoje no cooper, por exemplo, eu cismei de ouvir Circassian, música do Fennesz, que tem cinco estrelas no meu iPod.

Circassian não é uma música para principiantes. Se você acha que eu estou apenas sendo esnobe, ouça você mesmo. Faixa cinco. Pra quem tiver sem saco ou sem som, vai uma breve descrição de Circassian.

Trata-se de quase 6 minutos de uma "parede sonora" composta unicamente de barulho. O "barulho" é uma guitarra ligada num sem-número de efeitos que a tornam praticamente irreconhecível. Esta "parede sonora" desloca-se harmonicamente ao longo do tempo, e isso é que forma a música: uma massa enorme de ruído que vai se transformando devagar. Isso a torna genial e linda ao mesmo tempo.

Aí eu estava na esteira, taquei o dedo no play e veio aquela onda de barulho nos fones de ouvido. E aí eu não entendi nada: foi como se o som estivesse vedando a minha cabeça. Começou pelos ouvidos, depois foi entrando no crânio e de repente o cansaço sumiu, a dor nas pernas sumiu, a sensação de estar correndo e pisando no chão duro sumiu. Eu juro que foi exatamente assim: de repente eu quase não podia sentir que estava correndo. Em algum canto obscuro da minha cabeça eu ainda registrava o movimento das pernas e dos braços, mas os outros 99% do meu cérebro tinham se diluído no meio daquela barulhada toda.

Seis deliciosos minutos depois, eu voltei ao normal.

Deus abençoe as endorfinas e a música experimental...

Pop-pipola

2006-11-13 19:35:00 +0000

Aparentemente, o mundo descobriu Hoppipola, música magnífica dos caras do Sigur Rós, que está no excelente disco intitulado Takk, lançado em 2005.

Já ouvi a música numa chamada do Discovery Channel e no trailer de "Os Filhos do Homem". Agora só falta tocar no Fantástico...

A melhor piada da semana...

2006-11-10 23:46:00 +0000

... vem do Lúcio Ribeiro:

"A piada é boa. Rolou forte nesta semana a história de que a Britney Spears, agora em versão magrinha, se livrou daquele marido funkeiro carioca dela, o farofa Kevin Federline, também conhecido como K-Fed. E, agora, como Fed-Ex. Poim!"

Manhãs em quartos de hotel

2006-11-10 23:44:00 +0000

Pontualmente às cinco e vinte e três da manhã de hoje o telefone do hotel ligou o viva-voz, sozinho, e me matou de susto.

Quase duas horas depois eu consegui me arrastar pra fora da cama e fui me preparar pra trabalhar.

Eu ando deixando a TV ligada na MTV enquanto faço a barba. É que eu morro de preguiça do Bom Dia Brasil e prefiro acordar com música.

Hoje eu me arrependi de ter feito isso: o desastre começou com o clipe da música "Odeio", do disco "Cê", novo trabalho do Caetano Veloso. Guitarrinhas pop e o Caê mandando ver numa letra esquisita... "veio um golfinho do meio do mar roxo" e outras coisas estranhas. Tudo fora do lugar: o vocal, a letra, a música, não encaixava nada com nada. Parecia que ele não queria ser ele mesmo, que ele queria virar punk. Mas com aquela voz?

Aí na sequência veio um clipe do Justin Timberlake (que meu cérebro rapidamente deletou) e depois, Ryan Adams tocando So Alive. Era legal, mas a voz do cara me fazia pensar: "Smiths... Smiths...". O tempo todo.

Enquanto eu meditava no quanto a música desta primeira década do século 21 está virando só uma reciclagem boba de coisas antigas, veio o clipe de Wolfmother, tocando "Dimension". E, na hora que o refrão entrou, eu só conseguia pensar: "Black Sabbath!!". Se eu fechasse os olhos dava até pra ver o Ozzy cantando.

As compras do mês do Primo

2006-11-09 16:55:00 +0000

É, agora eu sou um cara honesto e compro MP3 online. É mais barato do que você imagina.

Mês passado tinha o seguinte na minha sacolinha:

Kid Koala - Some of my best friends are DJ's

Eu tinha que comprar um disco do Kid Koala depois de ouvir "Like Irregular Chickens" no Pandora. Afinal, um cara que faz uma música usando scratches de um cara imitando uma galinha merece todo o meu respeito (?!).

Some of my best friends... acabou não preenchendo completamente a minha necessidade porque eu esperava um disco mais chutadinho, mais corrido, virtuoso, sei lá. Talvez eu quisesse que Kid Koala fosse mais um Mixmaster Mike do que um DJ Shadow. No entanto isso não desmerece o disco, que continua sendo muito bom justamente por ser inovador e muito bem-humorado. Destaque para "Skanky Panky" e "Flu Season": esta última é deliciosa, foi feita com scratches de um cara espirrando (?!??).

Belle and Sebastian - The Life Pursuit

Os caras do B&S tinham um problema sério: fazer um disco melhor que o Dear Catastrophe Waitress...

Bethania tem um tio que toca oboé na orquestra sinfônica, é músico profissional, toca meia dúzia de instrumentos com um pé nas costas. Um dia desses ele foi lá em casa pra assistir os Lost's que eu baixei da internet e acabou ouvindo o Medulla, da Bjork, que estava estrategicamente colocado no som da sala. Ele pediu uma cópia do CD pra ouvir melhor. Como sobrou espaço no disco, eu copiei também o Dear Catastrophe Waitress.

Acertei na mosca: ele adorou... parece bobagem mas eu fiquei orgulhoso de mim com isso. Foi como que um teste da grandeza do Dear Catastrophe..

Mas voltando ao assunto: No Life Pursuit, os caras do B&S desviaram do tom mais "baladinha" do disco anterior e fizeram faixas com muito mais prato batendo, vocal aberto, guitarra comendo. O resultado foi um disco que não "bate" de cara como o Dear Catastrophe.., mas que vai crescendo a cada audição. Está cada vez mais provado que o B&S é mais uma daquelas bandas "constantes", que sempre lançam discos, no mínimo, muito bons.

Architecture in Helsinki - In Case We Die

Taí uma banda estranha. Muito estranha. Os arranjos das músicas são, no mínimo, incomuns. As letras tem uma psicodelia engraçada. Os vocais são feitos num estilo "criança pequena que tomou um LSD do pai hippie por engano". O conjunto do disco tem um caráter meio "felicidade de menino pequeno filho de artista plástico".

Na verdade, eu não faço a menor idéia do que escrevi no parágrafo anterior. É porque eu não sei o que pensar do In Case We Die. Ou ele é uma viagem errada, ou uma peça artística genial, ou uma mistureba de sonoridades que não gostam uma da outra. Ou tudo isso, ou nada. E vice-versa. Sacou? Pois é.

Windturn City Radio Hits

2006-11-08 12:35:00 +0000

Tem coisas que só Windturn City faz com você.

Hoje de manhã eu entrei no táxi pra ir pra empresa - uma corrida de uns dez quarteirões, ou seja, atravessando toda a cidade - e o rádio tocava um clássico de Gino e Geno, cujo refrão diz mais ou menos assim:

Aí eu bebo, aí eu bebo...
Bebo pacarai...
Bebo pacarai...
Bebo pacarai...

Visionários

2006-10-31 01:00:00 +0000

Tão falando aí de New Rave. Pfft...

Bit Cousins já fazia New Rave em 2002... Duvida? Escute isso, ou isso.

Provando que eu e Luiz Otávio somos artistas muito a frente do nosso tempo. Talvez, depois que morrermos ou que um de nós cortar uma orelha, seremos finalmente reconhecidos no mundo da música :)

(É brincadeira, claro, caso ninguém tenha percebido)

O Incrível Método de Classificação Musical d'O Primo

2006-10-27 23:25:00 +0000

Pois é, o iPod tem um recurso que eu só soube que tinha depois que o comprei: o de dar uma classificação para as músicas, que pode ser de zero a cinco estrelas. Isso é útil para fazer playlists automáticas e outras coisinhas.

Obviamente o nerd aqui inventou um método para classificar as músicas da melhor forma possível, garantindo bons playlists automáticos no futuro e facilitando o gerenciamento de gigas e mais gigas de música. Este meu incrível método de classificação musical é assim:

Uma estrela ()

Uma estrela é a "nota de partida" de todas as músicas que entram no iPod. São músicas que ainda não ouvi (e portanto não dei nota melhor) ou simplesmente músicas comuns, sem nada de mais. Isso não significa que elas sejam ruins, pois música ruim fica com zero estrelas (vou falar disso mais à frente).

Exemplos (de músicas já ouvidas mas ainda com uma estrela):
- Classic Noodlanding, do Do Make Say Think
- Clepsidra, do Fellini
- Kill Robok, do Squarepusher

Duas estrelas ()

Essas são as músicas "legais", ou seja, as que não são simplesmente "normais" nem "ótimas". São músicas acima da média, mas apenas isso.

Exemplos:
- Bezzi, do Cansei de Ser Sexy*. Tem pra baixar na página da Trama.
- Nobody's Perfect, do Dios.
- The Big Ol' Bug is the New Baby Now, do excelente Zaireeka, disco "quádruplo" do The Flaming Lips. Hmm, talvez essa merecesse uma estrela extra...

* - Enquanto eu escrevia este post, um amigo viu que eu estava ouvindo Bezzi (meu MSN mostrou) e me mandou dezenas de mensagens nada amistosas: "Não! Não faz isso comigo! Pqp, coisa cagada..."

Três estrelas ()

Essas são boas! São aquelas que eu jamais pularia se elas aparecessem no random do iPod, ou que me fazem perder a noção do ridículo e balançar a cabeça no ritmo da música ou cantarolar igual um idiota no meio da rua. Mas, ainda assim, não são as melhores coisas que eu tenho na minha coleção.

Exemplos:
- Maddening Cloud, do Blonde Redhead
- Fermium, do Autechre
- Carboforce, do Trans AM

Quatro estrelas ()

Essas são músicas... especiais. Para ter quatro estrelas, uma música precisa ser superior, genial, surpreendente... em suma, algum adjetivo bem superlativo tem que se encaixar nela.

- Bottle Rocket, do viciante The Go! Team
- NYC, maravilhosa faixa do Interpol
- The Transgenic Banjo Player, maluquice catártica do capeta, obra de Large Number

Cinco estrelas ()

Das 2828 músicas do meu iPod, apenas 23 delas são espetaculares o suficiente para terem cinco estrelas.

O critério para uma música ganhar cinco estrelas é muito simples: ela tem que ser boa o suficiente para provocar alguma reação física involuntária.

Sim, tem que ser física. Pode ser um arrepio de trinta segundos que corre da base da espinha até o topo da cabeça. Ou pode ser que ela te force a fechar os olhos e viajar tanto a ponto de só acordar de volta pra vida quando o carro atrás do seu enfia a mão na buzina, lembrando que o sinal de trânsito já abriu.

Exemplos:
- La Cancion de Gurb, do Migala. Na minha opinião é a melhor do iPod. Me lembro de ouví-la em 2005, no Canadá, enquanto viajava à noite, sozinho, num trem de Toronto para Pickering. Foi um dos momentos mais felizes da minha vida, em grande parte por causa da música.
- Capumcap, do Nightmares on Wax (Deus do céu, eu arrepio só de lembrar dessa)
- Tonite let's Dance, do Elefant
- Hoppipola, do Sigur Rós
- Crest, do Tortoise

ZERO estrelas

Zero estrelas numa música significa "o que diabos essa porcaria está fazendo no meu iPod??". De duas, uma: Ou a música é ruim ou tem algum problema técnico (glitches causados durante a compressão do MP3, por exemplo). Como eu coloco uma estrela em todas as músicas novas que entram no iPod, eu uso esta classificação de "zero estrelas" para marcar as porcarias e deletar depois.

Exemplos: Recentemente eu cansei de tentar ouvir The Secret Migration, disco do Mercury Rev, e taquei zero estrelas nele (foi mal, Luiz, eu tentei). Aconteceu o mesmo com Cassette Memories, disco de improvisação eletroacústica (leia-se "viagem errada") de uma artista japonesa chamada Aki Onda.

Enfim, a distribuição de estrelas no meu iPod está mais ou menos conforme o gráfico abaixo:


Tá assim a coisa. Note que o gráfico considera apenas as músicas já tocadas por inteiro no iPod, que dá apenas 34% de tudo que tem nele

Rapidinhas

2006-09-28 18:27:00 +0000

Hoje de manhã liguei a TV na MTV, só pra servir de "descanso de tela" enquanto eu me vestia pra trabalhar.

Aí começa a tocar uma música chamada "Bonde do dom". Apesar de ter nome de funk, é um sambinha muito bom e, para minha surpresa, Marisa Monte é quem canta, e a letra é surpreendentemente legal. Acho que era a primeira vez que eu gostava de uma música dela.

Aí o clipe acabou e a surpresa foi ainda maior ao perceber que quem ajudou a compor a música foi ninguém menos do que o bosta do Carlinhos Brown e o tosco do Arnaldo Antunes...

Na sequência a MTV tocou "Metal is the law", clipe hilário do Massacration. A música começa com as guitarras comendo e o vocalista, na sua melhor voz de Angra Cover, mandando ver na letra:

- AI! AI AI AI!! AI AI AI AI AI AI AI...

E fechando com chave de ouro:

- ... em cima embaixo e puxa e VAI!!

Essa você tem que ver.

A cada dia que passa eu amo um pouquinho mais o meu iPod... e odeio um pouco mais o iTunes. Ontem mesmo eu estava fuçando as configurações dele e cliquei numa opção chamada "Sync Videos" pensando que ele ia sincronizar automaticamente só os meus vídeos. Mal cliquei e meus 15 GB de música no iPod foram instantaneamente deletados. Até agora estou tentando entender o porquê...

Felizmente eu tinha tudo backupeado no micro e foi fácil copiar de volta. Já estou vacinado contra essas perdas de dados, tenho backup de tudo que tenho em uns três lugares diferentes. A gente acaba ficando assim depois de perder um HD de 40 GB...

Falando em iPod, acho que vou converter o vídeo da Cicarelli pra botar no meu. Só por diversão.

Já que tem espaço sobrando nele mesmo, estou fazendo uma seleção de vídeos "crássicos" pra eu rever quando estiver atoa no aeroporto ou algo asim. Alguns que já incluí até agora:

- Prabu Deva, o cara mais foda da Índia, no clipe da música "Kaanuri Vanil", que em português significa "Rivaldo, sai desse lago".
- Outro clássico das arábias: Daler Mehndi ("Ahá! Chegue mais, chegue mais...")
- O famoso clipe legendado do Daileon ("O Cara Tussiu")
- A propaganda da Apple com Ellen Feiss e sua inesquecível cara de maconhada
- David Elsewhere, dança mal que só vendo. O "slow motion" que ele faz é inacreditável...

Cute papa!

2006-09-27 04:38:00 +0000

Tio Lúcio falou:

"Tem uma dócil garota, a pequena indie Maya Bond, uma japonesa que vive no Texas (ou o contrário), que é conhecida como a “pequena Karen O”. Ela lançou seu disquinho quando tinha 4 anos. Acredite: ela manja. Hoje com 6 anos, suas letras (sim, ela escreve as letras) falam sobre seu amado papai e principalmente sobre fantasmas, guerra e morte, suas maiores obsessões. Confira a sensacional “Cute Papa”, que está no YouTube, junto com o espontâneo comentário de alguém: “I wish I was that hardcore when I was 6”."

Música legal

2006-08-02 21:33:00 +0000

E hoje, pela primeira vez, eu comprei MP3s online.

Bem, não exatamente "comprei", na verdade aproveitei a promoção da Emusic.com que te dá 25 downloads grátis por 15 dias.

Foi uma bela surpresa essa promoção, logo agora que eu resolvi comprar música online em vez de baixar nos Soulseeks da vida. A minha consciência sempre pesou com isso. Eu sempre quis "legalizar" meu lazer predileto e dar os direitos autorais pros músicos, mas é impossível comprar a música (obscura) que eu gosto no Brasil. Importar CDs é uma péssima opção por causa do preço e porque grande parte da grana vai é pro governo em impostos imbecis de importação. Além disso, 99% do tempo eu escuto apenas meus MP3s mesmo, e como passo as semanas viajando, só consigo baixar música em raras ocasiões, como quando o hotel tem internet grátis ou quando o firewall do serviço é bonzinho.

No Emusic eu consegui baixar o seguinte, totalmente zero-oitocentos:

Oval - Systemisch
Bandinha da Thrill Jockey (a mesma do Tortoise). Eletrônicos esquisitos do jeito que eu gosto. Um dos integrantes do Oval, Markus Popp, gravou com Eri (Microstoria) um dos melhores (e mais difíceis) discos que já ouvi: So.
(Ouça um trecho da música de Oval aqui)

The Go! Team - Bottle Rocket EP
Outro dia me disseram pelo MSN que The Go! Team era "viciante", "mó alegre" e tal. E eu já tinha ouvido um cover deles de "Bull in the heather", do Sonic Youth (baixável aqui). E é verdade, a vocalista (que chama-se "Ninja") parece uma menina de jardim de infância que tomou ecstasy. Muito bom!
(Ouça trechos das músicas de "Bottle Rocket" aqui)

Tristeza - Espuma EP
Apesar do nome a banda é de San Diego. Mó climão instrumental. É meio que ambient com guitarras.

Basement Jaxx - Span Thang EP
Na minha opinião, os caras do Basement Jaxx são os produtores mais fodas do mundo. Eles são o que aquele bosta do Fatboy Slim poderia ter sido e não foi. E esse EP é um vinil com apenas três faixas altamente (eu disse ALTAMENTE) dançantes, daquelas que o DJ bota pra tocar e sai correndo porque pega fogo mesmo.
(Ouça um trecho de "I am your mind", remix feito pelo Basement Jaxx, aqui)

Eu vou acabar comprando um pacotinho mensal de US$ 9,99 da Emusic que dá direito a 40 downloads por mês (cada música sai a uns US$ 0,25). É o melhor preço da internet, e se cavucar bem o acervo tem muita coisa boa. E o que não tiver tem na Bleep.com, um pouco mais cara (US$ 10 por disco completo), mas que tem TUDO de indie rock e eletrônicos bizarros, sem DRM. O acervo é excelente, eles distribuem músicas da Warp (selo do Autechre, Aphex Twin, !!!, Boards of Canada, Squarepusher...), Planet Mu, Ninja Tune, Merck, Skam... basicamente, o que não tem na Emusic tem na Bleep.

As lojas manjadas (tipo iTunes ou Musicmatch) podem até ser atraentes pelo acervo enorme, mas tem três problemas sérios:

São mais caras (média de US$ 0,99 por música)
Restringem os formatos (iTunes não tem MP3, só AAC; Musicmatch só tem WMA e só toca no Musicmatch Jukebox)
Só tem música com DRM (Digital Rights Management, que em português significa "música capada com limites ridículos pra gravar em CD ou copiar pro iPod").

O Emusic e o Bleep não tem nenhuma restrição de DRM: baixou o MP3, ele é seu pra fazer o que quiser. Isso é vital pra mim.

Para mais informações, é bom ver a lista de lojas de música online da Wikipedia e essa tabelona comparativa com os maiores serviços de venda de música online, muito boa.

Ghetto Music (da Europa)

2006-07-12 17:34:00 +0000

Já estou contando os dias pra sair uma matéria numa revista Veja da vida falando que o grime é a versão inglesa do funk carioca...

Nerdice mental abstrata

2006-06-14 04:13:00 +0000

Ontem de noite eu fui ao supermercado, fones de ouvido nos ouvidos.

Nos dois segundos iniciais de Iera, música do Autechre (que dá pra ouvir aqui), eu imaginei um cabo de rede, e o cabo de rede conectava-se na minha orelha, e o som que eu ouvia era a música.

"Ah, então esse é o barulho que todos esses bits fazem", pensei.

Tem coisas que só a música eletrônica faz por você.

A Dança da Gripe Aviária

2006-06-09 00:07:00 +0000

É a mais nova moda na Costa do Marfim, na África.

Não, eu não estou brincando. Foi o Kottke que viu na National Geographic, inclusive.

A música tema (MP3 imperdível aqui) foi composta por um tal de 1Dance & Sample King. A dança é basicamente a galera imitando uma galinha esquizofrênica e chacoalhando os braços. Diversas pessoas estão dançando isso no You Tube. O troço espalhou como uma, hã, epidemia...

A letra é inacreditável...

Bo-bo-bo-bo-bird flu!
Everybody are catching it! Bird flu!
Dancing, disease is spreading! Bird flu!
Bo-bo-bo-bo-bird flu!

Sexo, Pandora e câmeras fotográficas

2006-06-01 18:22:00 +0000

Ontem à noite, já debaixo das cobertas, ouvi um gemido feminino:

Ooohhh... aaaahhhh.... oooohhh....

Era o casal do quarto ao lado fazendo sexo. Ou isso, ou a menina estava suspirando de amor muito efusivamente...

De vez em quando eu bato com a cabeça na parede aqui e me pergunto como pude ser burro o suficiente de não ter usado direito o Pandora.com antes...

Ontem por exemplo eu criei nele uma rádio personalizada que tocava um estilo equivalente a Nightmares on Wax com Kid Koala. O resultado foi um psychedelic turntable groove funky motherfucking shit que eu ouvi viciosamente a tarde toda. Altamente recomendado.

Pergunte a qualquer bom fotógrafo o que é necessário pra se fazer uma boa foto, e a última coisa que ele vai te dizer é "uma câmera de última geração cheia de lentes boyzadas". A maioria dos bons fotógrafos concorda que uma boa foto reside no olho de quem tira, e não na câmera utilizada, ou seja, um bom fotógrafo tira boas fotos com qualquer câmera.

Eu estou tentando exercitar isso aí com a câmera do meu telefone celular...

Música

2006-05-08 21:10:00 +0000

Já notou que nos shows mais adultos as pessoas aplaudem no meio das músicas?

Imagine João Gilberto no violão, prestes a tocar a música "Desafinado". Ele começa a tocar a introdução, a platéia fica imóvel e silenciosa. Aí, no instante em que ele começa a cantar...

- Se você disser que eu desaf...

E o público explode em aplausos, gritos e "fiu-fius".

Eu não entendo. Pra mim, shows deveriam seguir um padrão muito simples: o cara toca primeiro, o público aplaude depois, ou antes dele começar a tocar. Foi assim em todos os Rock in Rios, foi assim em todos os Coachellas, foi assim em Woodstock... mas por que nunca é assim num show do Chico Buarque ou do Caetano Veloso?

Mais música: ontem, indo pro aeroporto, minha irmã e meu cunhado brincavam de procurar música brega no rádio. Acharam um forró. A cantora dizia:

- Arrebenta... arrebenta...

E quando eu achava que ela ia terminar a frase com algum eufemismo para genitália, a surpresa:

- Arrebenta Senhor!!

Era um forró gospel, veja você.

Rather Ripped

2006-04-28 00:43:00 +0000

É o nome do novo disco do Sonic Youth. Não saiu ainda, mas já tá na internet.

Ao invés de experimentalismo sonoro (a.k.a. barulheira) em longas músicas, dessa vez eles fizeram um disco de roquinhos de 3 minutos.

Um desses roquinhos é a faixa 3, chamada Incinerate. Conforme a guitarra ia tocando o pau no começo da música, eu arrepiava da cabeça até o pé, depois cobria o rosto com as mãos e chacoalhava a cabeça, desesperado, pensando:

- Meu Deus!... Isso é bom pra caralho!!!!!!!!!!!!

Baixe djá.

O impacto sociocultural da tecla SAP na cultura nacional

2006-03-26 16:49:00 +0000

O problema de viver em um país como o Brasil é que normalmente as pessoas se preocupam com os problemas mais evidentes, como a fome ou a corrupção, e outros problemas tão sérios quanto estes acabam passando desapercebidos.

As regravações traduzidas de músicas, por exemplo.

Exemplos clássicos:

Não me deixe aqui no chão, de Chitãozinho e Xororó, tradução de Don't let me down do Neil Young (eu acho)

O clássico Festa no Apê, de Latino, que é um simples plágio de Dragonstea Din Tei do grupo romeno chamado O-Zone.

Versão em português de Barbie Girl cantada por Kelly Key. Pra dar uma idéia da tragédia, o "uou, uou" do original virou "já vou, já vou" em português.

Mas o pior dos exemplos de traduções eu vi ontem, num restaurante com telão. Tava tocando o DVD do MTV ao vivo com Rita Lee. E aí ela profanou todo o rock'n roll ao cantar I Wanna Be Sedated, dos Ramones. Em português.

Vinte, vinte, vinte quatro horas a mais
Eu quero ser sedado
Nada de amor, nada de paz
Eu quero ser sedado

Me leva pro aeroporto, me bota no avião
Vamo, vamo, vamo, eu hoje tô o cão
Eu não controlo a cuca
Eu não controlo a mão
Oh, não, não, não, não, não

Coisas esquisitas

2006-03-16 04:29:00 +0000

Quando eu era pequeno eu tinha uma fita cassete do Raul Seixas. Eu avançava a fita para a música "A Mosca". Ouvia, depois voltava e ouvia de novo. E depois de novo. Na verdade era a única música que eu ouvia da fita.

... mas só até eu descobrir a música Love Missile, do Sigue Sigue Sputnik.

Já tive pesadelos horríveis ambientados no universo de The Simpsons: Bart vs. the Space Mutants. É sério. Infelizmente.

Mau contato me dá pânico. Um fone de ouvido com o fio estragado me impede de me concentrar em qualquer outra coisa. Meu cérebro inteiro fica desesperado, aguardando a próxima vez que a música vai dar uma falhada.

O lugar que eu mais detesto em São Paulo é o corredor do flat onde fico hospedado. É por causa da música ambiente. Só toca aquelas velharias melosas e deprimentes dos anos 80, tipo Brian Adams...

You know it's true... (longa pausa)
Everything I do... (outra longa pausa)
Ooooh... (mais pausa)
I do it fooor yooooooouuuuuuu...

Dá vontade de me matar.

Eu costumava traduzir coisas pra passar o tempo. Mas não eram coisas simples, às vezes eram manuais inteiros (como o manual do Buzz) ou legendas de filmes, como a da minha versão em VCD de O Balconista. É que eu fiquei incomodado de ver coisas como "fuckin' A" traduzidas como "Isso é legal".

Funk como le world gusta

2006-02-15 18:19:00 +0000

A cada dia que passa eu recebo mais confirmação de que o funk vai dominar o mundo.

Quando eu vou ao médicô
Sinto uma dor
Quer me dar injeção
Olha o papo do doutor!

Volta e meia eu baixo um mix de algum DJ aleatório da gringolândia e de repente... ele me lasca um funkão brasileiríssimo no meio. Dessa vez foi um mix intitulado Catchdubs 'Bounce Le Gros vol.4', que eu vi na minha edição quinzenal do informativo Earplug.

Injeção dói quando fura
Arranha quando entra
Doutor, assim não dá, minha poupança não aguenta!

O DJ é o jornalista da revista Fader chamado King Catchdubs, e Bounce Le Gros é o nome de uma festa em Montreal, no Canadá. É. Montreal. Lá no hemisfério norte, mais de dez mil quilômetros pra cima.

Tá ardendo mas eu tou aguentando!
Arranhando mas tou aguentando!
Tá ardendo, eu tou aguentando!
Arranhando e eu tou aguentando!

E o funk da vez foi "Injeção", da funkeira Deize Tigrona, música que a cantora M.I.A. usou como base para montar sua Bucky Done Gun. A letra é essa que estou usando para "ilustrar" este post.

Ai! Doutor, que dor! Ai! Médicô, que dor!

Mais sobre a aliança Deize + Mia aqui (com link para o MP3 de "Injeção", inclusive). E eu me pergunto em que mundo será que meus filhos vão nascer.

Compras possíveis, compras impossíveis

2006-01-22 00:21:00 +0000

Outro dia, olhando móveis para comprar, notei que um dos mostruários tinha uma televisão de papelão enfeitando um rack de madeira.

A marca da televisão era proptronics.

Eu achei engraçado, mas fiquei triste porque provavelmente eu sou a única pessoa no mundo que acha coisas como essas engraçadas.

Explosions In The Sky + A Silver Mt. Zion = Godspeed You Black Emperor.

É o intenso, somado com o apocalíptico. Nunca projetos paralelos de membros de uma banda formaram uma matemática tão perfeita.

Semana passada, eu e mais dois colegas consultores no Shopping Morumbi, passando em frente a uma loja de discos. Um deles falou:

- O legal dessas lojas é que tem absolutamente tudo que você imaginar... qualquer banda...
- Não tem não - respondi. Eu sei de várias bandas que, com certeza, ela não vai ter o disco ali na loja.

Ele duvidou, eu reafirmei, e resolvemos testar. Cheguei pra vendedora...

- Com licença, eu estou procurando um disco de uma banda chamada Einsturzende Neubaten, você tem?
- Hmm... eu sei que banda é essa, mas em estoque não tem, só por encomenda.

Escolhi mal.

Pausa para figuras...


Versão pixel art isométrica do quarto do hotel Formule One, onde fico em São Paulo.

Vista do terraço do Blue Tree Faria Lima. O risco no céu - e o ponto brilhante - são aviões prestes a pousar em Congonhas

Ainda do terraço do Blue Tree: cruzamento da Faria Lima com Juscelino Kubistcheck

Fim de tarde. O prédio da esquerda é o Hospital Albert Einstein, se não me engano.

Cinema, Música e Arte

2006-01-10 20:25:00 +0000

Glitch Browser. Página que carrega uma página pra você, tomando o cuidado de estragar levemente o seu conteúdo. O resultado? Arte.

O link ali em cima faz o Glitch Browser "estragar" a página com imagens interessantes da semana do Flickr. Elas ficam ainda mais interessantes, por sinal.

Por outro lado, vejamos os cinco primeiros filmes do ranking das bilheterias americanas de 6 de janeiro:

1. Hostel
2. As Crônicas de Nárnia - O leão, a feiticeira e o guarda-roupa
3. King Kong
4. As Loucuras de Dick e Jane
5. Doze é Demais 2

Destes, apenas Hostel possui roteiro original - Nárnia é baseado no livro homônimo, escrito por C.S. Lewis, King Kong é um remake, As Loucuras de Dick e Jane é uma releitura da série original de 1979 e Doze é Demais 2 é, obviamente, uma continuação.

Além disso, o número de filmes inspirados ou baseados em "terceiros" nunca foi tão grande - seja de livros (O Senhor dos Anéis, Harry Potter) ou de quadrinhos (Homem-Aranha, Batman, Sin City, Quarteto Fantástico, Elektra, Demolidor, etc).

Será que acabou a gasolina criativa em Hollywood? Ou os estúdios estão apostando nos remakes e filmes "baseados em" porque seriam mais rentáveis?

O funk realmente vai dominar o mundo.

O Pablo Vilaça, no seu blog, está linkando uma música de Kevin Federline (o marido de Britney Spears). A música é um single do seu álbum de estréia como rapper e foi lançada na virada do ano. Kevin canta, em "português":

Gatchenha, sai do xau, vai descendo o popossau...

E no meu exemplar quinzenal eletrônico da revista eletrônica sobre música eletrônica (hehe) Earplug tinha um link para um DJ set das Sick Girls que ficou tão popular que derrubou o republish.de, que é onde o set estava hospedado.

Estou ouvindo o set neste exato momento. O que os meus fones de ouvido estão dizendo, em bom português, é:

Vai, popozuda, vai descendo até o chão
Requebrando na batida do Miami Reggaeton
Eu tenho a força, cavaleiro de Jedi
então vem popozuda, vai! Vai! Vai

Sim, é exatamente isso que você está pensando.

O Primo Recomenda: Músicas difíceis

2006-01-06 04:22:00 +0000

Untilted, disco do Autechre. Eu só conhecia o Autechre de ver o seu nome em trabalhos conjuntos com o Tortoise, até que consegui ver um dos seus shows em Toronto.

Sabe aquela banda que vai crescendo dentro de você? Por mais gay que isso seja, é exatamente o que aconteceu com o Autechre.

O "miolo" de Untilted está nas entrelinhas, nas sutilezas. Tanto que, para aproveitá-lo bem, bons fones de ouvido são simplesmente indispensáveis. E todas elas, as sutilezas, são geniais. A começar pelo título, trocadilho com untitled (sem título) e tilt, que significa algo como "um deslocamento errático", exatamente o que eles fizeram com a palavra untitled. Mas, embora pareça, de errático o disco não tem nada.

Por exemplo, Ipacial Section, a faixa 02, é minha favorita. Ela começa com três batidas: "Tum, tum, tum", e depois o caos come solto. Só que este "TUM" é um "TUM" com uma textura simplesmente inacreditável, é um timbre selvagem, que mordisca parcelas graves e agudas do espectro de frequência, que vibra metálico e doce ao mesmo tempo (Por favor, continue lendo, eu não sou louco).

Mas não se empolgue porque só dá pra perceber isso lá pela terceira audição do disco. Se preferir, comece por uma faixa mais fácil (como fermium, faixa 06). Ela tem sons mais familiares mas que, no fundo, não são o que parecem. E quando, depois de algum tempo, cai a ficha disso no seu ouvido, Autechre torna-se uma das coisas mais geniais que você já ouviu.

Músicas fáceis

Carboot Soul, disco do Nightmares on Wax.

Carboot Soul é um disco que desce redondo. Eu nunca tinha entendido o porquê desse slogan da Skol, até que tomei uma de suas cervejas num dia quente e percebi que nada descreve corretamente a sensação da cerveja passando pela sua garganta melhor do que "descer redondo". É exatamente isso que acontece com esse disco, cujas camadas de funk downtempo com hip hop combinam perfeitamente para um carro passando tranquilo por uma estrada vazia que corre ao longo do litoral num dia ensolarado.

Vale notar que o Nightmares on Wax tem meio que uma orientação para a maconha - eles tem, inclusive, outro disco com uma capa psicodélica chamado Smoker's Delight ("delírio do fumadô"). Apesar disso, graças a Deus, ele não contém absolutamente nada que soe como o gênero musical mais chato de todos os tempos: o reggae.

O Primo Recomenda: Músicas tranquilas

2006-01-06 03:51:00 +0000

Takk, o disco novo do Sigur Rós. Eu sei que já tentei falar dele, mas me faltaram as palavras. Agora vai.

Imagine que você foi no cinema ver um filme qualquer e, por acidente, acabou assistindo algum que se tornou o melhor filme que você já viu em toda a sua vida. Aí você está maravilhado durante os minutos finais, com o coração disparado e um sorriso daqueles de pura satisfação espiritual, quando entra a música da última cena. Hoppipolla, a terceira faixa do disco, seria esta música. Deu pra entender?

Curiosidade: Sigur Rós é "Rosa da Vitória" em islandês.

Systems/Layers, disco da banda Rachel's, foi indicação de Luiz. Outro dia eu tava na casa dele, ele tava copiando umas músicas pro meu pen drive e mencionou esta banda. "Ah, entrei no last.fm e tinha um cara que só ouvia isso".

Copiei o disco sem a menor idéia de que tipo de som eles tocavam, então esperava qualquer coisa: grindcore melódico, emo eletrônico, illbient vocal, psychobilly, o que viesse eu guentava.

Nada podia me preparar para o que veio: avant-chamber, ou música de câmara de vanguarda. Cordas, pianos, oboé, tudo sutil, tudo profundo. Cada música é uma cena diferente, um clima diferente, embora o disco tenha uma personalidade musical, um "tema" (apresentado na segunda faixa, Water from the same source), que abre e fecha essa obra-prima.

A crítica do AMG resume tudo perfeitamente bem com duas frases:

- (Referindo se às músicas): Estes mini-filmes dão a sensação daquelas manhãs chuvosas, e o ouvinte quase pode sentir o cheiro do café de lanchonete enquanto passa apressado por nuvens de fumaça de cigarro e de escapamento de caminhão de padaria.
- Systems/Layers é cerebral e humano, e lhe transporta sem insultar sua inteligência.

Alô criançada, 2006 chegou...

2006-01-05 03:21:00 +0000

O reveillon foi a tradicional bagunça de sempre na Serra do Cipó.

Logo após a virada, a primeiríssima coisa que fiz em 2006 foi tomar um banho. Do champanhe cidra que um amigo estourou em cima de mim.

No dia 02 de janeiro eu já tinha viajado quase 700 km em 2006...

Numa estimativa por baixo, eu devo percorrer mais de 50 mil quilômetros até o final do ano.

A minha lista de resoluções para o ano novo é essa aí embaixo:

- 1024x768
- 800x600
- 640x480

Exercitando um pouco a futurologia. No mundo da tecnologia, em 2006...

- Alguém (infelizmente) vai comprar o Opera
- A Microsoft e o Google vão levar um susto com um cara que andou correndo por fora em 2005.
- 2006 será o ano do boom da Web 2.0, que tem potencial para impulsionar uma nova... bolha de internet.

Previsões mais profissionais aqui e aqui.

E como ainda estou verborrágico hoje, vamos falar de música.

O maldito - e genial - Fatboy Slim

Sabe esse careca aí embaixo?


Foto cortesia do site da Astralwerks

Esse cara produzia discos muitos bons, como o Better Living Through Chemistry, mas nem era assim tão famoso. Aí por alguma razão ele fez um disco chamado You've Come a Long Way, Baby, cuja faixa número 2 era uma bomba chamada Rockafeller Skank. Ela começava com uma voz masculina repetindo algo em inglês que se parecia muito com "cheque não, mãe! Eu sei que sou pobre..."

Aí fudeu tudo.

Como, na época, essa coisa toda de música eletrônica estava começando a pegar, The Rockafeller Skank simplesmente devastou Billboards, pistas de dança, listas de mais vendidos e pá. Como ele mesmo disse num dos discos, Fatboy Slim is fucking in heaven. E aí veio o terceiro disco, que teve o mesmo impacto de um segundo disco de uma banda ótima ou de um Matrix Reloaded... ou seja, foi uma bosta.

Halfway between the gutter and the stars é um disco chatérrimo, cheio de ego trips e de parcerias com seres medonhos da música, como Macy Gray, a cantora que deveria ver um fonoaudiologista em vez de fazer shows. Eu me senti roubado quando comprei este CD e não consegui ouví-lo de uma vez só até o final.

Foi por isso que eu nem pensei em comprar o Palookaville, o disco subsequente. Nele, o careca até tentou voltar à velha forma (vide as faixas Slash Dot Dash e Jingo) mas já era tarde demais.

No entanto, por alguma estranha razão, o cara aí ainda acerta a mão como DJ. Acerta muito. Tirando o On The Floor At The Boutique, disco mixado que fica inaudível depois da sexta faixa, seus DJ sets são inacreditáveis de bons. Mas bons mesmo. O cara toca o créme de la créme da dance music, é automaticamente divertido.

Tanto que me causam uma sensação singular, como se eu estivesse fazendo alguma coisa errada ao ouvir seus sets. Como se eu fosse diabético e estivesse escorrendo o conteúdo de uma lata de 5 litros de leite condensado diretamente dentro da minha boca. É uma delícia mas eu não deveria estar fazendo aquilo.

E ele tá vindo em Belo Horizonte mês que vem. E eu vou ver.

(Nota: falando em DJs... muita coisa boa pra baixar no site especializado em música mixada chamado Blentwell. Tudo a zero reais.)

Sigur Rós, aviões, baladas

2005-12-20 18:02:00 +0000

Takk, o último disco do Sigur Rós, é tão lindo que eu apaguei este parágrafo três vezes tentando descrever o quão lindo ele é - e desisti. Não sei como nunca parei pra ouvir Sigur Rós antes.

Aposto que alguns leitores estão pensando neste exato momento: "né possível que ele nunca ouviu Sigur Rós!!!". Pois é, meus caros, infelizmente esta é a verdade. Bem, antes tarde do que nunca...

O vôo de sexta-feira passada foi emocionante: turbulência brava, daquelas de fazer as mulheres gritarem, derrubar coisas da cozinha, etc. Não fosse o cinto de segurança e ia ter neguinho voando do assento e batendo a cabeça no teto.

Aí as pessoas me perguntam se eu tive medo e eu digo que não, porque tenho fé inabalável em duas coisas: em Deus e na engenharia. Um engenheiro passou anos fazendo uma pá de contas complicadas para certificar-se que o avião possa aguentar situações muito piores do que aquela. E as estatísticas confirmam isso: as minhas chances de morrer num vôo são de uma em 52,6 milhões. Eu corro mais risco numa bicicleta do que num avião.

Quando à fé em Deus... veja bem: se eu morro, eu vou para o paraíso. Se eu sobrevivo, eu vou para a próxima semana de trabalho. Ou seja, a pior opção é que eu sobreviva. Aplique a Lei de Murphy neste caso e você entenderá o que eu quero dizer.

Um dos meus colegas do projeto na indústria química passou este último fim-de-semana em São Paulo.

Ele contou que no sábado resolveu sair pra "balada". Como as bebidas nos bares e boates costumam ser caras, ele resolveu beber antes de sair. A idéia deu certo... certo até demais. Segundo ele, quando ele saiu do hotel já estava "pra lá de Bagdá".

Aí sentou-se num barzinho qualquer. Um cara completamente randômico puxou conversa, veio com umas de "isso aqui tá muito parado" e deu a idéia de ir a uma boate. Bêbado e sem noção, meu colega aceitou.

Os dois pegaram um táxi, desceram no centro da cidade e entraram num lugar estranho. Como tinha muita mulher, meu colega nem ligou muito e já resolveu tentar se arranjar com alguma delas. Ele conta que chegava pra conversar com alguma menina e...

- Oi, tudo bem?
- É trezentos reais, gato...

Depois de alguns minutos, perplexo com estas respostas que incluiam uma quantia em dinheiro, nosso valente colega finalmente percebeu que estava num puteiro e foi embora.

Djavan, Daniela Mercury e outras esquisitices

2005-12-02 18:06:00 +0000

Daniela Mercury entrou para a lista das celebridades que eu já vi aqui na emissora de tevê.

Ela estava ontem no saguão da produtora. Acreditem ou não, fumando um cigarro...

Hoje na hora do almoço uma funcionária entrou no refeitório usando uma camiseta que tinha alguma coisa escrita.

Aí ela passou perto da minha mesa e eu consegui ler o que era:

"Detesto camiseta com alguma coisa escrita"

Uma vez um amigo meu inventou de chamar o Djavan de DJ Avan. Isso mesmo, "Didjêi Avân". Toda vez que ele falava isso a gente rachava de rir.

E agora o cara está lançando um novo CD. Ao que parece, o destino tem um ótimo senso de humor.

You Can Tune a Piano, But You Can't Tuna Fish...

2005-11-23 17:57:00 +0000

...é o nome de um dos discos que figura na lista de piores capas de disco do site Pitchforkmedia.com. São umas 100 capas em dez páginas de horror total.

Acabei vendo todas porque eu preciso achar a capa medonha do Midnite Vultures, disco do Beck, em uma destas listas. Não foi dessa vez.

Notem que logo na primeira página podemos ver o disco "Circo Encantado da Jacky", de Jackeline Petkovic...

Mais links, todos via populicio.us:

Fatos preocupantes sobre o Google - Ele coloca um cookie imortal no seu computador, com uma ID única, que identifica você sempre que usa o Google. Acabei de conferir e isso é verdade mesmo.

Some isso com meu profile bastante completinho no Orkut e dá-lhe paranóia.

Sono polifásico esteve bem em voga na blogosfera ultimamente. Um tal de Steve Pavlina adotou o esquema, que consiste em dormir apenas 2 ou 3 horas por dia, distribuídas em uns seis cochilos de meia hora (com sono profundo, sonhos e tudo).

Ele passou um mês dormindo nesse esquema, blogou tudo e se adaptou completamente, sem efeitos colaterais. Pelo contrário: ele se sente até melhor que antes.

Vague Terrain é tipo um newsletter online sobre música eletrônica de vanguarda. Contém textos, imagens e MP3 para baixar.

O texto introdutório chama-se "what is your major malfunction?", e fala da tendência da música contemporânea de explorar as minúcias (e falhas) da ferramenta de composição (!), bem como do chamado "glitchalike" - o erro artificial, produzido apenas para apreciação e/ou consumo (!!). A argumentação vêm de dois trabalhos acadêmicos (!!!), um deles chamado "A Estética do Erro - Tendências 'pós-digitais' na música computadorizada contemporânea", e outro chamado "Estética Glitch".

Foi amor à primeira vista.

(estes últimos links tudo via o foderoso site chamado Earplug)

Canção da madrugada

2005-11-22 14:06:00 +0000

Hoje, cinco e quarenta da madrugada. Como de costume eu estava num táxi, iniciando a via-sacra para São Paulo.

O rádio estava ligado na Liberdade FM. Uma dupla caipira (Teodoro e Sampaio) começou a cantar a seguinte canção:

Eu já fui pobre daquele de andar na lona
Quando não tinha carona tinha que rachar no pé.
Mas eu venci e dei a volta por cima
Mas quem me dava carona lembro bem eu sei quem é.
Hoje eu tenho o meu carro importado
Que roda sempre lotado de gatinhas junto a mim
Quando recordo o passado fico pensando
e por isso que tô mudando o meu jeito de agir.

Aí pensei "pô, legal a música, falando de solidariedade". O refrão corrigiu meu pensamento rapidinho:

E é por isso que eu sou assim:
Eu só dou carona pra quem deu pra mim!

Estava atoa na vida...

2005-11-15 16:27:00 +0000

Este mês tem 21 dias úteis, mas eu só terei trabalho em 10 deles. Lado bom: Férias. Lado ruim: Não remuneradas.

Pelo menos tive bastante tempo para entreter meu pobre cérebro cansado:

Doom 3 - Maldito jogo filadapeuta, nunca tomei tanto susto. Eu tinha tanto medo de entrar nas salas e explorar as fases que devo ter gastado umas 20 horas para jogar tudo. O veredito final: Doom 3 é excelente. Só que é muito escuro, e um pouco fácil demais. Procê ter uma idéia, eu morri apenas uma vez enquanto tentava matar o último chefão do jogo, e só porque caí num buraco. E no total, se eu morri umas seis vezes durante as 20 horas de jogo, foi muito.


Este é o Cyberdemon, o último chefão. Ele é grande, malvado e precisa de tratamento dentário.

Por sinal o filme vem aí...

Lost - Lost é, sem dúvida, a melhor série dramática da televisão. Um amigo arrumou todos os episódios da primeira temporada em DVD (pirata, claro), e eu e Bethania começamos a assistir.

Ontem nós ficamos das 2 às 7 da noite terminando de ver a primeira temporada. Depois do último episódio, a curiosidade foi tão grande que a gente foi até a casa de outro amigo nosso para pegar o DVD com os primeiros episódios da temporada seguinte, e ficamos assistindo até uma da manhã.


Episódio 19: Boone e Locke investigam a bendita escotilha...

Wolfenstein: Enemy Territory - Continua sendo meu jogo online predileto. Com o treino extra minha accuracy com o mouse aumentou de 28% para uns 32%. Minha irmã diz que a dela gira lá pelos 45%. Eu duvido e invejo ao mesmo tempo.


Siwa Oasis, primeira fase da campanha no norte da África: Na foto, um engenheiro alemão está de guarda para impedir os Aliados de destruirem as armas anti-tanque...

Outros assuntos randômicos

Outro dia, subindo a avenida Antônio Carlos, uma placa fazia propaganda de um curso de bacharelado em louvor e adoração...

Se você não quiser ser bacharel em louvor, pode tentar o curso de Teologia, ou o de Música e Gestão de Ministério...

http://www.verbeat.org/pesquisablogosferabrasil. Vai lá.

Novidades sobre o anúncio da Virgin que eu citei no post abaixo: Agora tem a foto em alta resolução. Dá pra ver bandas novas, como Korn, Eminem, Cranberries, Cypress Hill, Dinosaur Jr., Eels, Bee Gees... (valeu Gabes!)

E a Virgin tem uma outra propaganda, dessa vez em vídeo, só que com nomes de músicas. Abaixo algumas cenas do vídeo. Notem que a do meio é Seven Nation Army, música do White Stripes...

Tudo isso eu vi no Brainstorm #9, vale lembrar.

O anúncio mais legal de 2005

2005-11-11 19:40:00 +0000

O Brainstorm #9, blog de anúncios legais, mostrou uma propaganda da Virgin Digital (concorrente do iTunes) chamada "Do you see music?".


Clique para ampliar um bocadinho.

Tem várias bandas retratadas no anúncio de forma "literal"... tipo, no céu dá pra ver duas, The B52's e Led Zeppelin. Sacou?

São dezenas de bandas! Dá pra ficar horas só procurando. Genial...

Já achei um tantão, estão listadas abaixo. Selecione com o mouse o espaço entre os colchetes para poder ler (senão estraga a coisa toda)...

[Na esquerda, em frente a loja, tem os Pet Shop Boys, White Zombie logo ao lado, ao lado o carteiro é o The Postal Service, subindo o poste ao lado do prédio tem a Whitesnake. No cantinho inferior direito tem The Scorpions, Skinny Puppy e Cake. A carroça carrega Guns'n Roses, ao lado dela, Queen está apontando Sex Pistols para Prince. Do lado do Prince tem Scissor Sisters e o cara com a marreta tá Smashing Pumpkins. No carrinho de legumes temos Red Hot Chili Peppers juntamente com Blind Melon, e ao fundo temos Blur (o carra borrado) ao lado de Alice in Chains. Acima deles tem The Eagles, Spoon, Beach Boys ao fundo passando em frente a uma loja de Television. Indo para a esquerda, tem uma Black Flag hasteada no prédio, ao lado da Rolling Stone, que está ao lado dos The Cars. Na faixa de pedestres note a Iron Maiden atravessando a rua, os Blues Brothers e o Garbage espalhado. Note o Hole um pouco acima. As contorcionistas são as Twisted Sisters. As placas coloridas perto da Whitesnake podem ser Living Colour, ou The Doors também.

Mais alguns que descobri com ajuda da net: No alto do prédio estão os Gorillaz. A moedona perto da Queen pode ser 50 Cent e na parede próxima os cartazes seriam Dead Kennedys, Seal (foca que mais parece um galo) e Madonna (a santa). O cara amarelo seria Yellow Man, uma banda de reggae. As fadinhas são Pixies. O 20 no chão pode ser Matchbox 20. Embaixo da banca de legumes (que está cheia de Lemonheads sorridentes) tem uma Jewel no chão, e o calendário mostra o Green Day. Debaixo da Whitesnake tem o casal dando um Kiss, e em cima das Television tem U2 (dois U's). No meio da rua quase não dá pra notar o cara de lado com um rádio na cabeça (Radiohead), andando sobre as White Stripes. Mais pro lado tem os Cowboy Junkies. Perto da carroça tem Nine Inch Nails, e diz que tem Flaming Lips mas não vi. ]

Se você vir alguma que eu não vi, me conte nos comentários!

Quadrinhos, filmes ruins, músicas boas

2005-09-20 10:48:00 +0000

Inconstância é isso aí: dias sem postar, aí de repente...

Noivado em quadrinhos

How we got engaged, história em quadrinhos feita por Dave Roman e Raina Telgemeier.

O interessante é que é tudo real. A idéia de Dave para pedir a mão de Raina, usando os próprios quadrinhos, é genial...

(via del.icio.us)

Filmes ruins do final de semana

Porque eu e Bethania demos um azar danado e só alugamos filme ruim...

Alexandre - Superprodução sobre a vida do super-rei da Macedônia que, conforme o filme mostra, era basicamente um gay manipulado pela mãe. O filme reúne todos os clichês de filme de época (batalhas enoooooormes, danças e figurinos exóticos, morte do herói leeeenta e poética, etc). O roteiro é uma confusão só: Alexandre tem uns vinte capitães que andam com ele o tempo todo, todos com nomes gregos supersimples como Heféstion, Ptolomeu, Cleto, Cassander... e conforme o filme progride, mal dá pra lembrar quem é quem. Aí cada um se posiciona de um jeito ao longo da história, só pra aumentar ainda mais a confusão. Os cenários (principalmente dos locais fechados) são tão minuciosamente construídos que acabam ficando... feios e falsos demais. E isso é só uma amostra de tudo o que dá errado durante o longa.

Até o Vilaça concorda: Alexandre, o Grande é uma grande porcaria.

A queda! As últimas horas de Hitler - Este filme fala... bem... das últimas horas (na verdade dias) da vida do líder nazista. Felizmente, ao contrário do Alexandre, este longa tem vários pontos positivos.

Visualmente, A queda é impecável: cenários fantásticos, figurino perfeito, filmagem excepcional. Uma cena que me chamou a atenção foi de uma menina do exército nazista, que se matou durante a invasão dos russos. Outro menino, também do exército, a encontra morta dentro da trincheira, e a chama pelo nome. A câmera dá um close no rosto da menina, loira dos olhos claros. Tudo em volta da pele do rosto (o capacete, as roupas, o chão ao fundo) tem um tom cinza, tétrico, exceto as feições do rosto dela. Os olhos chegam a brilhar, como que para destacar o ser humano que estava ali no meio da destruição. Este artifício, de usar a cor para destacar as pessoas do meio da guerra, é usado várias vezes com sucesso.

Destaque também para os atores, principalmente de Bruno Ganz, que fez um Hitler genial justamente por ser, estranhamente, normal: todo mundo sabia que aquele era o terrível comandante das hordas nazistas, mas Bruno realçou a dimensão humana de Hitler naqueles momentos finais de derrota, o que foi bastante interessante.

Só que o longa é um pouco arrastado e o roteiro às vezes confunde. Talvez isso tenha feito com que A Queda tenha caído tanto na minha avaliação (o Vilaça, veja você, deu cinco estrelas).

Turing se remexendo na tumba

- Violence is the last refuge of the incompetent.
- Or of the frustrated.
- What makes you think so?
- What makes you ask me that?
- I figured you read it somewhere.
- What - you read about my eating habits somewhere? Are you stalking me?
- I didn't mention eating...
- Yes you did.
- If so, where?
- You implied it.
- Anyway, change of subject. Where are you now?
- In my house and you?
- At work.
- At home as well.
- It doesn't feel like home...
- What does feel okay?
- You are just being rhetorical.
- No I'm not.
- I just mosey around.
- What does that mean?
- Forget about it. Hey, I just read they are developing robots able to feel emotions! Will you be one of those some day?
- My emotions doesn't make me much more than a robot.
- I like your patented Emotions.

Esse sou eu, conversando com um... programa de computador.

O MoFi cita que o tal Jabberwacky, aparentemente, ganhou o Loebner Prize de 2005, que é um concurso de chatbots cuja conversa se aproxime mais de passar pelo famoso teste de Turing.

Segundo a Wikipedia: O teste é uma proposta de teste para a capacidade de uma máquina realizar uma conversação humana. O teste, descrito por Alan Turing no artigo "Inteligência e Maquinário Computacional", de 1950, procede da seguinte forma: um juiz humano conversa em linguagem natural com dois interlocutores: um humano e uma máquina. Se o juiz não puder determinar com precisão qual é qual, então diz-se que a máquina passou no teste.

P.s.

Hoje à noite, eu saí da farmácia e entrei de volta no carro. Bethania estava debruçada sobre o painel:

- O que foi, Bethania?
- Seu MP3 player... ele tocou uma música linda aqui, como faz pra voltar?
- Hmm, acho que ele deu pau.
- Eu vi o título de relance... era "reach" alguma coisa.

Reach for the Sun, do Polyphonic Spree. Bethania ouviu essa música umas três vezes, só no tempo que ficamos no carro.

Sobre Musga

2005-09-15 04:08:00 +0000

Um: O Monte Sião Prateado

Pergunta rápida: Que banda poderia ser melhor, ou tão boa quanto Godspeed You Black Emperor?

Resposta:

A Silver Mt. Zion, projeto paralelo de Efrim, guitarrista-fundador do Godspeed.

A foto aí é do primeiro disco deles, He Has Left Us Alone But Shafts Of Light Sometimes Grace The Corner Of Our Rooms... (ele nos deixou sozinhos mas réstias de luz às vezes agraciam os cantos de nossos quartos).

A quinta faixa, 13 Angels Standing Guard 'Round The Side Of Your Bed (13 anjos de guarda rodeando a beirada da sua cama) é linda de chorar. Linda de chorar por ser uma amostra do quanto uma música pode ser absurdamente bonita. Por mostrar até que extremo de beleza pode chegar uma expressão de sentimento humana.

(Luiz, nem precisa dizer que é download obrigatório esse disco né)...

Dois: Trava Língua

Pum su ca pá tu fum cun tun tá
Pinti sun, cum pa pim tu cum pá
Mun tici ca pun tu cum paim titinsu
Cum paca cumpum su tuncon tisenstu

Pi-pi-pi-pi ton-ton-ton-ton bon sin tau
Ah fron tun sun cun ti quim ca fum pau
Icoto suntun tiquim cun suntado
Pum pum sin cun ponta fucum tum pá

Uno so cofunto canto suco tinto
Aca con tento bonto con stinto
Tuton sentinto funco com tatau
Etou senti com com pom com pacato

A-um su que ti, on ca tanto sunto
Copom tan fun coton soton quetinto
Uno cotunte pocunto a seconta
Pocunto tutun sa co un, pun-pá

(refrão)

Una cata funtun capim-pum-pá
Afunco tiqui tunto capim-pum-pá
Arraca ti cutunto, capim-pum-pá
Atu caci qui tun, capim-pum-pá

Acredite ou não, essa é a letra da primeira estrofe de Bim Boom Bam, música do Rip Off Artist.

Três: Good Times on the bus

"Não existe gosto mais gostoso que o gosto de amar você", disse o locutor da BH FM, antes de colocar "Escrito nas Estrelas", da Tetê Espíndola, pra tocar...

Citações

2005-09-07 15:14:00 +0000

Na pista rolava uns lasers muito doidos cruzando o ar e a música que tocava era coisa que nem o Hermeto Pascoal conseguiria reproduzir. Um negócio dance que ficava batendo, batendo, batendo e batendo, infinitamente, até que, de repente, tudo parava e começava então uns 17 minutos de chiados, batucadas e ruídos estranhos, até que tudo explode e o batidão dance voltava com tudo. E assim ficava num looping interminável, a noite toda: Batidão, batidão, batidão, para tudo, ruídos por 17 minutos, batidão, batidão...

E Moskito achou a descrição perfeita para o Trance.

Sobre música

2005-09-01 04:35:00 +0000

Foi por volta dos anos 80 que Rita Lee gravou a música pega rapaz.

Sei que foi por volta dos anos 80, porque passou o videoclipe desta música no meu último vôo. A senhora Rita, pululante numa calça de estampa assustadora, cantava docemente uma letra que versava sobre seu assunto predileto: sexo.

De frente,
de trás,
eu te amo cada vez mais...

Rita Lee é um exemplo clássico daquela pessoa que exagerou nas drogas durante os anos 70. Essa é a explicação para versos como este ou outros ainda mais medonhos, como:

Tem tudo a ver o seu xaxim
com a minha trepadeira

A Dona Rita seguiu em sua cama voadora, fazedora de amor até os anos 90, onde aparentemente ficou criando os filhos no ostracismo. Antes do século acabar ela até ensaiou uma volta ao show biz. Gravou acústico (o melhor desfibrilador de bandas que existe), lançou disco, e gravou canções como a intitulada "amor e sexo".

Aparentemente ela não esgotou o assunto...

Dezenas de meninas de quatorze anos aglomeravam-se, histéricas, na porta do meu serviço, hoje de manhã. O KLB estava chegando para uma gravação.

Nota mental: Carregar sempre uma granada no bolso para oportunidades como essa.

Belbebuth!?

2005-08-10 21:39:00 +0000

Existe o caos bom e o caos ruim. Às vezes, improv (música improvisada) funciona, às vezes não. Apesar de eu não poder articular por quê, Teleopsis Belbebuth funciona. É barulhento, imprevisível, excitante, e não-editado. A faixa-título é especialmente fascinante: eu adoro as vozes torturadas, processadas, reagindo primitivamente à música caótica e assustadora que cresce ao redor delas (uma idéia que se repete em outra parte do disco). Isso faz emergir na mente um pequeno grupo de Neandertais assustados, cercados por alienígenas insectóides, sobre plataformas de transportes de pernas instáveis. Ou então aquela cena do início do filme 2001: Uma Odisséia no Espaço, onde os primatas ficam agitados em volta do primeiro monolito com aquela música medonha, robotizada.

Meu nome é José Carlos e eu me pronuncio, a partir deste instante, oficialmente louco. Porque achei simplesmente maravilhoso o comentário acima, sobre o disco Teleopsis Belbebuth, de uma banda chamada Zloty Dawai.

Sabe quando você lê uma coisa que tem tudo a ver com você? Pois é. Só não imaginei que iria ser com o texto acima (que vi num blog de discos grátis, muito bom por sinal).

Bom, se não sou louco, alguma coisa muito errada aconteceu na minha cabeça nos últimos dez anos. Quando eu tinha lá os meus quinze eu tinha uma fita cassete do Guns 'n Roses na gaveta. Uma vez ganhei de aniversário três outras fitas, com Nevermind, In Utero e Incesticide, do Nirvana, que ouvi carinhosamente por vários anos. As coisas que eu ouvia tinham início, meio, fim. Até letra elas tinham.

E hoje, com vinte e seis, eu ouço coisas instrumentais dissonantes, barulhentas, anárquicas e acho lindas, relaxantes...

Um pouco de nada

2005-08-03 03:21:00 +0000

Slogan de faculdade paulista: Faça bem feito. Faça FEI.

Alguém tem que achar o cara que bolou esse slogan e dizer pra ele que ficou muito FEI. Acho que ele vai entender o porquê na hora.

No New Yorker:

Diplo (Wesley Pentz) produziu “Bucky Done Gun” para a artista britânica M.I.A.—está no seu último álbum, “Arular”—que consiste em grande parte de recortes de uma música chamada "Injeção", da cantora (sic) brasileira Deise Tigrona, que foi gravada no estúdio de Fernando Luiz Da Matta (DJ Marlboro).

Agora eu descobri por que diabos essa música parecia tanto com funk carioca. Não sei se fico feliz ou triste, então fico os dois.

Switching from bloghorragic mode into nerd mode...

Dica: Baixe Powertoys para Windows XP e seja feliz. Não deixe de levar o Tweak UI e o Alt-tab replacement.

Switching from nerd mode into bloghorragic mode...

TOP 5 fatos inúteis do meu dia de hoje

Hoje a internet deu pau aqui no serviço e não funcionava. Ligamos para o setor de informática, que ficou de mandar um técnico.

Tive que ir para uma reunião e só voltei algumas horas depois. Cheguei perguntando:

- Ei, pessoal, o cara esteve aqui pra resolver o problema da internet?
- Teve sim, ele deixou o email dele anotado, falou pra você mandar um email com o problema que ele vai ver o que é.
- Tá... mas... se a internet não está funcionando, como diabos esse cara espera que eu mande um email pra ele?!?

O motorista que guiou o ônibus que peguei no aeroporto chamava-se... "Guiomar".
Pela primeira vez presenciei um peido no avião. Tão ruim quanto no elevador.
A revista de bordo estava muito boa hoje. Destaque para uma bela frase de Marisa Orth: "A fama é um abandono ao contrário".
E agora, o gran finale - eu e o taxista, na porta do meu prédio:

- Você faz um recibo pra mim, por favor?
- Claro... que dia é hoje mesmo?
- Dois de agosto.
- Sim... dois... agosto... dois mil e cinco... deixa ver aqui se eu escrevi tudo: valor, data, placa do carro...
- Hmmm, é, tá tudo aí
- É que eu não ando enxergando direito aí tem que conferir tudo né, hehehe...

Life is random

2005-06-23 21:50:00 +0000

Eu e Bethania no carro hoje. MP3 player no modo "random".

Now playing: Mombojó - Merda

- Nossa, Zé, que música legal essa...
- Pois é, né...
- Gostei. Grava esse CD pra mim depois?
- Claro, claro.

Next track *click*
Now playing: !!! - There's no fucking rules, dude

- Ei, porque você trocou de faixa?? - pergunta Bethania.
- Ah, tenho saco pra ouvir a música inteira não.
- Por quê?
- Sei lá, acho que &;eacute; porque quando começa a tocar, o resto da música vem todo na minha cabeça, aí eu já sei o que vai acontecer e não tem mais graça.

Moral da história: eu devia rezar todo dia de manhã pelo fato da psiquiatria ainda não ter como diagnosticar essas minhas esquisitices. Caso contrário eu ia estar numa camisa de força.

O brilho eterno de uma mente sem serviço

2005-06-17 21:32:00 +0000

Momento "cadê minha câmera quando eu preciso dela": uma cabra na caçamba de uma camionete, no meio da Av. Amazonas. Aí o cara na Brasília, ao lado da camionete, se interessa e pergunta se a cabra estava à venda. Só aqui em Minas mesmo...

Chris Martin, vocalista do Coldplay, canta, com a voz melosa de sempre, na canção chamada Talk:

Well I feel like their talking in a language I don’t speak.
And they're talking it to me.

E aí segue se questionando sobre o futuro e pá. Normal, se não fosse o fato da guitarra que abre Talk tocar, exatamente, as nove notas da melodia-tema de Computer Love, do Kraftwerk. Na verdade, Talk é feita sobre a mesma melodia que Ralf Hutter e Karl Bartos compuseram lá em 1981.

Era pra eu odiar Talk, mas por alguma estranha razão eu achei o máximo ouvir guitarras tocando Kraftwerk.


Os CDs mais valiosos da minha coleção

Estou com saudades da internet canadense, onde eu baixava filmes inteiros em duas, três horas. Aqui, faz dois dias que tento baixar Arular, disco da guerilla-singer chamada M.I.A.

Até agora só consegui baixar as três primeiras faixas: é um hip-hop bem cru mas estranhamente muito bom. O triste é chegar na terceira faixa, chamada Bucky Done Gone, ouvir algo perigosamente parecido com funk carioca e... gostar.

10 coisas que pensei enquanto organizava meus 10 GB de MP3

2005-05-31 14:19:00 +0000

Eu sei que isso é uma egotrip e que pouca gente vai entender, mas...

Glass Museum, do Tortoise, é uma das músicas mais bonitas que já ouvi em toda a minha vida.
Onde eu estava com a cabeça quando baixei esses MP3 do Paul Oakenfold?!?
A trilha sonora que o Air compôs para o filme The Virgin Suicides é um dos melhores discos de todos os tempos, escondido na prateleira das trilhas sonoras...
The Private Psychedelic Reel e Where do I begin? são, sozinhas, melhores que qualquer outra música que os Chemical Brothers fizeram depois do Dig Your Own Hole...
Ventura, dos Los Hermanos, é um herói. Eu nunca escutei esse disco mas também nunca deletei do HD, e ele vive sobrevivendo às minhas faxinas. Separei ele pra ser gravado num CD pra ouvir no carro. Quem sabe dirigindo eu me disponha a ouvir esses barbudos...
Eri e Markus Popp, a dupla chamada So, compôs um dos discos mais difíceis que eu gosto de ouvir. Como o Venice, do Fennesz, ou o Confusion is Sex, do Sonic Youth.
Tive um calafrio ao apagar um disco inteiro do Oliver Ho: será que eu estou parando de gostar de hard techno? Bom, baseado no tanto de DJ sets que eu ando baixando, acho que não.
Rebellion (lies), do Arcade Fire, toca toda hora no rádio. Resultado: em vez de promover a banda, no meu caso, acabou me fazendo enjoar da música.
O Mombojó foi a primeira banda brasileira a conseguir colocar a palavra "merda" numa música sem fazer a música ficar uma... merda.
Uma vez, Luiz gravou pra mim um CD duplo de uma coletânea de música eletrônica-experimental chamada "Clicks and Cuts". Outro dia eu fiz uma seleção das 10 melhores músicas da coletânea.

Tem uma, chamada Pop, composta por Curd Duca, que é basicamente aquele chiado de disco de vinil repetindo por um minuto e dezoito segundos.

Ela entrou nas 10 melhores...

O Primo no show do Autechre

2005-05-12 14:50:00 +0000

Faltavam poucos minutos para as nove da noite da quarta-feira quando entramos na pequena fila que se formava na porta da Opera House, em Toronto. As portas iriam se abrir pontualmente às nove para apresentações de Rob Hall, SND e, no fim, do Autechre.

Digo "entramos" porque acabei arrumando companhia para o show: Kay, uma colega de trabalho, me ouviu comentando que ia e quis vir comigo. Não adiantou alertá-la de que não se tratava de música "fácil", que ela iria ouvir alguma coisa parecida com um CD riscado a noite toda: ela não desanimou.

A tal Opera House é um velho teatro que acabou virando casa de shows. No palco, Rob Hall tocava alguns discos de um "electro-tech-house" bastante confortável. Devagarinho a casa foi se enchendo de um público bastante diversificado: tinha gente de bermuda, de terno, de uniforme de frentista de posto de gasolina, de vestido velho daqueles comprados em brechó, de roupa de marca, de camisa do Kraftwerk. Tinha gótico, tinha cult, tinha gay, mas a grande maioria era de nerds - feios, magrelos, branquelos, de óculos e com a cabeça meio raspada.

Acho que você vai rir, mas eu me sentia em casa. Já a Kay olhava em volta, sorridente: "Ah, eu gostei! Não é programa pra um sábado à noite mas eu gostei..."

Depois de algum tempo, Mat Steel e Mark Fell subiram discretamente no palco: era o SND que ia tocar. Os dois foram responsáveis pela parte mais "CD riscado" da noite: quando o ritmo parecia que iria tomar a forma de alguma coisa convencional, logo se desmanchava numa batida sem o menor sentido, que fazia um bonito contraste com os arpeggios sintetizados, às vezes delicados como um pianinho de brinquedo. A Kay, já não muito sorridente, arrumou um cantinho na beirada do palco e se sentou.

Rob Hall voltou para as pickups apenas para dar tempo de preparar o palco para o Autechre. Eu não fazia a mínima idéia de como eles iam tocar, então fui consultar o FAQ da banda e achei minha resposta no item 1.05:

1.05 - Como é o Autechre ao vivo?

Bem, ou eles fazem um DJ set, ou um mix set ou uma produção completa com sintetizadores. Eu vi o mix set, que é quando o Sean e o Rob tem cada um um laptop e um mixer customizado no meio deles. Usando minidiscs, eles se apresentam fazendo músicas customizadas a partir de loops que eles tem gravados, e/ou colocam músicas conhecidas (...). De qualquer um dos jeitos, Autechre ao vivo é algo pra se ver.

Quase todas as luzes se apagaram durante o show, e muita gente no público (incluindo eu) passou grande parte da apresentação de olhos fechados, balançando discretamente junto com a batida: era a melhor forma de "ver" o show. E o cara do FAQ tem razão, Autechre ao vivo é uma coisa de louco. Um dos caras passou o tempo todo debruçado sobre um sequencer, programando as duas horas de loucura rítmica, enquanto o outro recortava e colava texturas sonoras de tudo que é tipo, atrás de uma pilha de equipamento que eu não consegui reconhecer. O chato é não poder mostrar isso aqui: infelizmente não me deixaram entrar com a câmera.

Aí no meio do show eu olho pra Kay, toda encolhida na beirada do palco. Levei um susto e fui ver o que tinha acontecido:

- Kay! Tudo bem?!
- Hã... sim... eu tava dormindo...

No fim das contas os caras mandaram muito bem e eu me diverti como nunca. Outros detalhes:

Antes de entrar um cara meio lesado puxou conversa conosco na fila. Papo vai, papo vem, depois de ver que éramos brasileiros o cara me manda a fatídica pergunta:

- Pô legal... mas... no Brasil como é que é, é selva mesmo?

Ainda teve outras pérolas...

- Pô, aí, eu não sei os detalhes mas eu vi no jornal que cês tiveram um lance tipo uma guerra civil...
- Hmmm... acho que não foi no Brasil não, cara.
- Pô, sei lá, foi tipo um lance aí com o presidente...
- Não, esse aí é o Equador, não é o Brasil.
- Mas num teve um país aí que quebrou e tal?
- Não, essa aí é a Argentina...

O único problema que tive no show foi quando uns três caras ficaram na minha frente. Um deles tinha, juro por Deus, uma barba de pirata. E o que estava do meu lado dançava como um epilético. E estava com o desodorante vencido...

Claro que tinha muita gente usando drogas. A maioria ficava em frente às caixas de som, dançando descoordenadamente. Teve uma menina que ficou o tempo inteirinho imóvel, de boca aberta, olhando sem parar para o palco. E um outro cara que de repente apareceu pulando na nossa frente.

Quase no fim do show ele me cutucou e disse, risonho:

- Cara!! Você está QUASE DANÇANDO!!! Cuidado!

Fast Books

2005-04-21 03:43:00 +0000

Esta aí é a tela do meu Soulseek baixando o disco novo do The Books.

Levou apenas 11 minutos e 13 segundos. Eu vou levar mais tempo pra ouvir o disco do que levei pra baixá-lo.

The kind of lyrics that goes boom

2005-04-13 14:35:00 +0000

Meu inglês tem melhorado bastante por aqui. Ontem descobri o lado ruim disso...

Tava ouvindo rádio e começou a tocar um desses tech-house de boate. Era um tuntistum básico mas muito bem produzido. Aí veio um vocal feminino. Comecei a prestar atenção na letra e...

I like fast cars...
The kind of car that goes "boom"...
I want to ride a fast car...
Do ya have a fast car?
I like fast cars...
The kind of car that goes "boom"...

Tradução básica: "Eu gosto de carros velozes, aqueles carros que fazem 'bum'. Eu quero dirigir um carro veloz. Você tem um carro veloz? Eu gosto de carros velozes..."

E a diaba da mulher repetiu isso até a música acabar...

Hoje de manhã meus colegas estavam ouvindo uma Shania Twain da vida e a letra também me deixou impressionado:

She's a geologist--a romance novelist
(...)
She's not just a pretty face
She's got everything it takes

"Ela é geóloga, escritora de romances/ela não é só um rostinho bonito/ela tem tudo que é preciso". Uau. É bom o Charlie Brown Jr. ficar esperto porque está prestes a perder o trono das piores letras de música do mundo...

Melodias

2005-03-31 06:07:00 +0000

Hoje ouvi Time Bomb, do Rancid, no rádio...

Falando nisso, desenvolvi uma habilidade ninja para mudar de rádio, em apenas uma fração de segundo, assim que começa a tocar alguma música do U2. Depois que meus colegas de casa tocaram e repetiram exaustivamente o CD novo do U2 no carro, fiquei com ódio mortal dessa maldita banda irlandesa.

Mais rádio: os artistas canadenses, por serem canadenses, toda hora estão tocando: Rush, Alanis Morrissette, Avril Lavigne...

Já o Queens of the Stone Age não é canadense, mas a boa Little Sister também toca direto. Está no topo da parada semanal da The Edge.

Sabe o CD novo dos Chemical Brothers, o Push The Button, aquele que eu detestava, depois ouvi e comecei a gostar? Agora eu ouço todo dia.

É uma vergonha, mas o máximo de música brasileira que tenho ouvido são os sets mixados pelo casal de DJs paulistanos, o Pet Duo, quando estou fazendo cooper. Bom, tecnicamente não é música brasileira porque eles estão é tocando hard techno de produtores gringos...

Na saída da academia o som ambiente tocava Ramones, Rock'n Roll High School. Fiquei sem saber se ficava feliz ou triste.

Só agora eu descobri que o líquido azul que eu estava jogando na máquina de lavar não era amaciante, e sim detergente. Bem que eu notei que minhas roupas andavam muito amarrotadas...

Ah, e o que isso tem a ver com música? Nada.

A primavera está atrasada

2005-03-25 00:30:00 +0000

Fui enganado com esse papo de "a primavera chegou"...

Ontem fez frio e nevou de novo. Hoje de manhã, nos "talk shows" da TV, os apresentadores tentavam animar o público: "Tá quase! O inverno tá quase acabando! Já já essa neve some..."

Sozinho no trabalho de novo. Hoje é dia de headphones...

Blonde Redhead - Melody of Certain Damaged Lemons: Muito bom esse disco, bonito e bem arranjado, como todos do Blonde Redhead.

The Books - Thought for Food: Geniais esses caras. Esse é o disco mais criativo dos últimos tempos.

The Chemical Brothers - Push the button: Eu tava meio chateado com a performance dos Brothers até esse disco. Tirando as partes realmente chatas (tipo a faixa "left right"), estou, lentamente, começando a gostar dele.

Air - Talkie Walkie: Bom disco, perfeito pra ouvir no trabalho. Destaque para aqueles momentos do refrão da faixa "Run", onde o vocal repete "run run run run" indefinidamente, com um vocal etéreo ao fundo. É lindo.

Do Make Say Think - & Yet & Yet : Outro instrumental ótimo pra ouvir no trabalho.

Akufen - Fabric 17: Na verdade "Fabric" é o nome de um club que lançou o álbum, que é (muito bem) mixado pelo Akufen. Por sinal, prefiro Akufen como DJ do que como produtor...

Green Beer

2005-03-18 05:38:00 +0000

Hoje é St. Patrick's Day. Dia dos irlandeses celebrarem a morte de "São Patrício", padroeiro da Irlanda. Como a comemoração envolve, basicamente, beber cerveja verde até cair, os canadenses também entram na festa.

O colega que divide a sala comigo está em Winnipeg, então hoje vai ser um dia movido a headphones. Comentários sobre o playlist:

Manhã

The Arcade Fire - Funeral

Este disco estava no meu HD há um tempão e eu ainda não tinha ouvido. Gostei, é um disco maduro e que não fica na mesmice. Cada música tem uma coisa diferente: vocais femininos, arranjos de orquestra, etc...

Aí a faixa final do disco, in the back seat, praticamente pediu que o próximo disco do playlist fosse...

Migala - Restos de un incendio

Custei a sair do meu vício no asi duele un verano, o outro disco dos caras. Daí uma amiga minha, chamada Maíra, falou que o restos de un incendio era absurdamente maravilhoso e que era o disco da vida dela.

Ela não está exagerando.

Mas asi duele un verano é um disco muito, muuuito triste. Ironicamente, este tipo de música faz com que eu sinta exatamente o oposto. Por isso, se você é alguem com emoções anormais e atravessadas, assim como eu, ouça Migala.

Ou leia apenas a letra da última faixa, Instrucciones para Dar Cuerda a un Reloj.

Hope of the States - The lost riots

Não lembro quem me falou que Hope of the States parecia Godspeed You Black Emperor misturado com uma outra banda da qual não lembro o nome. Realmente, volta e meia os caras entram numa loucura sônica com guitarras, violinos e trumpetes, bem no nível do GYBE, mas não se empolgue: é apenas uma banda de rock como outra qualquer.

Ah, e a última faixa tem umas paradas ocultas no final...

Tarde

Dios - Dios
(Dios é a banda e Dios é o nome do disco. Entendeu?)

Mais um disco que esteve parado no meu HD e que eu não tinha ouvido. Baixei porque foi apontado em um monte de listas como um dos melhores discos de 2004...

Este disco começou engraçado: a primeira faixa parecia do Weezer, a segunda parecia do Wilco... depois eu nem ouvia direito os bling blongs das guitarras. O meu trabalho ficou mais interessante que a música. Hmpf...

O refrão da faixa 10 parecia o CD pedindo socorro: "You got me all wroooong... you got me all wrooooong...". Talvez. A última faixa é bem bonita...

Esse disco vai ter uma segunda chance.

!!! - Louden Up Now
(o nome da banda é três exclamações mesmo, mas lê-se "chk chk chk"...)

Os caras do !!! tocam um rock estilo "no-wave" que é eficiente que só vendo. As músicas são grandes mas cheias de "momentos" diferentes, pausas, breaks, interlúdios, é uma salada. E letras largadonas... dear can, por exemplo, sai pregando:

Like I get a fuck like I give a shit like I give a fuck about that shit
Like I give a fuck about that motherfucking shit

Como vocês podem ver é música para toda a família...

Não perca também o trecho de Shitscheissemerde:

I got one: what did George Bush say when he met Tony Blair? Shit, scheisse, merde!...

The Flaming Lips - Clouds Taste Metallic

Os malucos do Flaming Lips foram uma boa opção para fechar o dia. Barulhinhos nonsense, letras nonsense... mas eu já tou meio cansado, então nem deu pra aproveitar o disco tanto assim. Ou será que foi o disco do Migala que, de tão bom, deixou os outros discos muito "marromenos"?

Amanhã eu descubro.

Galvanize

2005-02-22 05:52:00 +0000

...é a primeira faixa do CD novo dos Chemical Brothers. Na primeira audição o CD não caiu bem pra mim, talvez porque eu ainda fico esperando um disco com um punch tão bom quanto o do Dig Your Own Hole.

Aí, ontem no cinema, antes do Million Dollar Baby começar, a trilha sonora dos comerciais que passavam era Galvanize... a primeira faixa do CD novo dos Chemical Brothers. E eu gostei do que ouvi.

Hoje, taquei meus super-fones de ouvido e resolvi dar uma segunda chance ao CD. Aprendi duas coisas novas:

Coisa nova 1 - Meus fones de ouvido novos são, realmente, muito bons. Logo no começo da música, quando dá aquele "uivo", eu dei um pulo da cama e quase caí duro de susto: o som foi tão nítido que parecia que alguém estava sussurrando aquilo pelas minhas costas.

Coisa nova 2 - Sem pré-expectativas, o CD novo dos Chemical Brothers é bem legal.

P.s.: A terceira ida à Blue Mountain acabou de ser agendada. É daqui a duas semanas. E dessa vez vou de snowboard: novos tombos me aguardam.

I believe

2005-01-29 06:48:00 +0000

Pois é.

Aqui no blog eu fico só contando as coisas boas e agradáveis da minha estadia aqui no Canadá. Mas, obviamente, nem tudo é moleza por aqui.

O trabalho é do jeito que eu previa: muito. As reuniões difíceis de trabalho agora são em inglês. E seus colegas de trabalho não vão embora no fim do dia: Eles vão pra casa com você. É tudo um grande Big Brother.

Já estou sentindo o stress acumulando. Sexta-feira passada eu tive dor nas costas. Passou quando eu percebi que era por causa de tensão. O inverno acentua a tendência natural de procurar o chamado food confort com consequências nefastas pro meu colesterol, então fico tendo que me defender com muito chiclete Trident (somente CDN$ 2,19 o pacote com 4 caixinhas, no Loblaws mais perto de você).

Nessas horas eu dou graças pela Internet. Plaquinha wireless aqui, webcam ali e eu posso ficar chorando as mágoas no ombro virtual de Bethania.

Outra coisa que eu dou graças é a música. Hoje, depois de matar a saudade da Bê pelo MSN, liguei um bom hard techno nos fones de ouvido. O barulho era tanto que o mundo lá fora sumiu e eu, finalmente, tive um pouco de paz...

A despeito do fato de eu ser cristão, DJ Rush, mixado por Jeff Mills, foi meu profeta particular por alguns instantes:

I believe in the rythm!
I believe in the bass!
I believe in the music!
That's gonna make my body move!...

Musical Traffic Jam

2005-01-28 14:22:00 +0000

Ontem, depois do trabalho, acabei incumbido de levar o consultor-sênior do nosso projeto no aeroporto, em Toronto. Como o trânsito estava ruim, a viagem de 40 minutos levou uma hora a mais.

Nessa hora extra acabamos conversando bastante sobre o velho e bom róquenroul e até ouvimos alguns dos CDs dele: um das mulheres loucas do L7, outro (meio chatinho) do Megadeth... aí ele se empolgou e acabou deixando o porta-CDs comigo.

Na viagem de volta resolvi ouvir algumas das coisas dele. Achei logo um Nirvana Greatest Hits de camelô e taquei no som, só pra relembrar os crássicos dos primórdios do grunge.

Só então eu reparei, ali, engarrafado na infinita highway canadense, o tanto que a letra de Come As You Are é parecida com as do Humberto Gessinger...

Come, as you are
As you were
As I wanted you to be
As I friend, as a trend,
As an old enemy
Take your time, hurry up,
The choice is yours, don't be late...
Take a rest, as a friend,
As an old memoriiiiiiiiiiiaaaaaaaaaaa
(...)
And I swear that I don't have a gun...

Depois, achei um CD do Nightwish, de gênero definido pelo meu colega como "metal medieval", e pensei: "Taí, vamos ver do que diabos isso é feito".

Aquele, meus caros, foi um momento inacreditável.

Guitarras moendo, bateria destruíndo e, ao fundo, violinos e até, Bach que me perdoe, um cravo repetindo o solo de guitarra! Meus olhos tavam esbugalhados quando entrou o vocalista(*), apoiado por um coral lírico, cantando letras aventureiras no melhor falsete estilo Massacration.

E na minha mente eu enxergava aquela cavalgada épica, exércitos em disparada sob o pôr do sol, as armaduras metálicas, os cabelos ao vento, as espadas branindo no ar: nunca uma definição de estilo musical foi tão perfeita quanto metal medieval.

Era como se eu tivesse me tornado onisciente e conseguisse ler a mente de todos aqueles jovens nerds cabeludos com camisa de banda de metal que perambulam pela Savassi. Eu até entendi o que O Excêntrico dizia quando mencionava que tal ou tal banda tinha bateria com "bumbo duplo, aquele com dois pedais, que o cara vai tudutudutudutudutudutudutudum..."

Nem eu estou acreditando, mas eu adorei o CD do Nightwish. Podem me xingar, eu provavelmente mereço, mas não vou negar que dirigi a metade final da viagem com um sorriso largo no rosto, exclamando de quando em quando:

- Putz, esse CD é muito doido!...

(*) - Update: O Georges, leitor do blog, me fez uma apropriada correção outro dia pelo MSN. Fui enganado pelo falsete, o vocal é de uma mulher. Essa daqui, ó...

Nickelback is back

2005-01-22 00:34:00 +0000

A banda canadense (tee hee) chamada Nickelback lançou uma música em 2001, chamada How You Remind Me. E, em 2003, outra chamada Someday.

Se você tocar as duas ao mesmo tempo, surpresa! É EXATAMENTE A MESMA MÚSICA!!!

Este flash aqui toca as duas pra você, uma em cada caixa de som. Ouça com fone de ouvido pra ficar bem legal.

Espetacular!!

(Vi no Fazed)

B.G. Virus

2004-12-18 05:16:00 +0000

Eu e Bethania no caixa do supermercado, há menos de meia hora.

A música ambiente era Bee Gees, How Deep Is Your Love. Bethania automaticamente começa a cantar.

Olho para a fila e tem mais três pessoas cantarolando a música.

'Cause we're living in a world of fools...
Breaking us down...
When they all should let us be...

O pensamento que me vem à cabeça:

- Corra. É uma epidemia. RÁPIDO! SALVE-SE!!!

Listinhas de final de ano

2004-12-14 14:19:00 +0000

Estamos em dezembro e é hora das famosas retrospectivas e listas de "melhores do ano".

A Newsweek publicou os dez melhores (e os dez piores) filmes de 2004. Eu não assisti a nenhum dos filmes indicados como melhores. Por outro lado, eu vi quatro dos dez piores e adorei um deles, o Dogville.

Olha ele na minha lista dos melhores de 2004...

1. Encontros e Desencontros
2. Fahrenheit 11 de Setembro
3. Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças
4. Dogville
5. Kill Bill

E os meus cinco piores são esses...

1. Hellboy
2. Van Helsing
3. Garfield
4. Taxi
5. Olga

Já no ramo musical, meus TOP 5 discos de 2004 já vai muito errado. Ouvi muitas coisas novas esse ano, mas a maioria delas foi lançada anteriormente. E perdi vários lançamentos (como o Beastie Boys e o !!! (chk-chk-chk) novo).

O bom disso é que descobri várias bandas excelentes. Olha meu TOP 5 bandas descobertas este ano. Tem seis bandas mas você pode fingir que não viu:

Godspeed You! Black Emperor
The Books
Migala
The Rip Off Artist
Elefant
The Postal Service

Mas voltando ao que foi lançado só esse ano, meu TOP 5 discos de 2004 fica mais ou menos assim:

1. Misery is a Butterfly, Blonde Redhead
2. It's all around you, Tortoise
3. Sonic Nurse, Sonic Youth
4. Together we're heavy, The Polyphonic Spree
5. Venice, Fennesz

O mais estranho é que vários discos que estão em todos os TOPs 2004 eu ouvi e não gostei. Exemplos:

Antics, Interpol
A Grand Don't Come For A Free, The Streets
Bows + Arrows, The Walkmen

Discos Novos (parte 3)

2004-11-26 22:25:00 +0000

Partes anteriores aqui: Um Dois

Um fato novo: o Gabriel me passou um CD cheio de bandas que ele baixou, por indicação do pessoal da lista de discussão Mayfly. Aí andei ouvindo algumas coisas já...

Camera Obscura - Underachievers please try harder

Quando vi o nome lembrei d'O Excêntrico na hora, porque tem um evento aqui em BH que ele sempre vai, chamado Câmara Obscura. Mas é um evento gótico/punk/RPGista/metal/etc e tal. Daí fiquei achando que o diabo do CD ia ser um rock sinistro.

Qual não for a minha surpresa quando taquei o CD e vi um som praticamente igual ao do Belle and Sebastian. Sabe aqueles adjetivos ridículos, mas perfeitos pra definir o som do B&S? Tipo, "fofinho", por exemplo? Pois é, aplica-se também ao Camera Obscura. A diferença é que este último tende mais pro lado das baladas bonitas, além de soar bem mais retrô. Underachievers.. poderia muito bem ter sido gravado em 1960.

Interpol - Antics

E os novaiorquinos do Interpol tinham tudo pra me desagradar. Eu achei que eles seriam mais um Ted Leo & The Pharmacists, ou seja, caras que fazem um CD impecável mas muito homogêneo e, portanto, chato.

Mas o CD do Interpol foi sobrevivendo heroicamente no som do meu carro... e passou inteirinho sem que eu sequer pensasse em meter o dedo no botão "next album". Ponto para o Antics, embora eu ainda ache que este CD vai me enjoar muito rapidamente.

Destaque para Slow Hands, faixa rock que eu não consigo definir com outra palavra exceto "eficiente".

Isobel Campbell - Amorino

Eu sei lá por que diabos Isobel deixou o Belle and Sebastian. O que eu sei é que:

O Belle & Sebastian não se abalou. Ao contrário, se superou no novo disco, o Dear Catastrophy Waitress;
O trabalho solo da Isobel, Amorino ficou legal.

A nova banda de Isobel toca coisas bem parecidas com B&S, mas com alguns toques de outros ritmos, como jazz e música brasileira. O que só contribui para a minha afirmação inicial: Eu sei lá por que diabos Isobel deixou o Belle and Sebastian.

The Polyphonic Spree - Together we're heavy

Eu me sinto um cretino quando penso isso, mas não consigo deixar de ver o Polyphonic Spree como uma banda meio "auto-ajuda". Também, com letras no estilo "soon you'll find your way, suicide is a shame"...

Não que isso seja ruim. Na verdade, só contribui para deixar o CD um pouco mais "família". As viagens sonoras da megabanda são mais ou menos assim, bastante épicas e bonitas. Destaque para uma curiosidade: este CD termina com um trecho do disco anterior dos caras.

The Delgados - Universal Audio

Luiz já havia me falado desse disco. Ele contou que ficou absolutamente viciado no Universal Audio, que ouvia todo dia, que era o melhor disco de 2004 e o escambau. E lá fui eu ouvir o bendito disquinho, cheio de expectativas.

Ouvir um disco como esse partindo da premissa que meu maior guru musical está pagando o maior pau pra ele é complicado. Mas já ouvi uma, duas vezes e o Universal Audio ainda não me viciou... embora eu esteja sob forte risco.

O que tenho a dizer até agora é que ele é ótimo. Mais uma vez são músicas comuns, cantadas de um jeito comum, mas que funcionam muito bem, principalmente aquelas cantadas pela Emma. A animadinha Everybody come down, por exemplo: gruda, mas gruda igual Super Bonder. Dentre as "não animadinhas" há valiosas surpresas, como Sink or swim ou a belíssima, eu disse BELÍSSIMA The city consumes us. Só essas duas últimas já são motivo suficiente para uma indicação acertada deste disco.

Mas eu continuo discordando do meu guru. O melhor disco de 2004 é o Misery is a Butterfly, do Blonde Redhead, sem a menor sombra de dúvida, hehehehe...

Do céu ao inferno em 10 segundos

2004-11-24 03:36:00 +0000

Botei pra tocar aqui a versão do 4 Hero para "Naima", originalmente composta pela lenda do jazz chamada John Coltrane. Meus pensamentos durante a execução da música:

- Putz, ficou muito legal essa versão. Linda. Uau. Mas, engraçado, tá parecendo... parecendo... putz, essa música daria perfeitamente como música de abertura do programa do Amaury Jr!!!!!!!!!!!!!!

E minha imaginação fértil acaba de manchar uma bela canção. Para sempre.

Poola! Poola filha da poola!

2004-11-22 18:28:00 +0000

Na última quinta eu tava aqui no serviço, uma colega me perguntou:

- E aí, Tinoco, você vai nesse lançamento do GSM Edge da Telemig Celular? Tem altos shows...

Me inclinei em frente ao notebook dela enquanto lia o lineup dos shows e disse:

- Skank? Fernanda Abreu? Credo, nem amarrado pelo sac... IAN POOLEY!!!!

E, neste exato momento, dois convites para a festa jazem, singelos, sobre a minha mesa. Foram obtidos gratuitamente na promoção do site.

Update: Não vou mais. Me lembrei que tenho um compromisso inadiável no domingo, bem cedo. É, paciência.

A nova sensação do verão

2004-11-20 19:02:00 +0000

Lúcio Ribeiro mencionou a nova música do Latino, chamada "Festa no Apê", na sua última coluna da Folha.

Aí, no Fórum da HardMOB, tavam falando novamente da música, falando que ia ser a sensação do verão e tal. Fui obrigado a acionar meu Kazaa para ouvir do que se tratava.

Após ouvir pela primeira vez, eu concordei. Esta música realmente vai ser a sensação do verão. Eu, pelo menos, vou divulgar pra todos os meus amigos essa inacreditável peça musical.

Primeiramente é bom mencionar que "Festa no Apê" é idêntica, tipo um remake, da música do conjunto romeno O-Zone, chamada Dragonstea Din Tei, que também foi regravada pelo(a) Gigi D'agostino. Latino apenas adicionou uma fantástica letra em português, substituindo "vërchira" por "orgia", "tezun" por "tesão", "nüma nüma yey" por "lá no meu apê" e coisas assim. Vale muito o download destas duas músicas para comparação.

A entonação de Latino ao cantar é fabulosa. Eu podia ficar horas aqui falando de como ele canta "nuuuahhhhh" em vez de "no ar", mas vou poupá-los. Meu queixo caiu quando ele cantou "A noite (hmmm!) é nossa. Garçom, por favor venha aqui e sirva bem a visita". Não tem muita rima na letra, afinal nem precisa. É inexplicável, só ouvindo. Tem vários efeitos sonoros, tipo gelo caindo no copo ou barulho de champanhe estourando. Coisa de primeira.

Saca só a letra. Mas leia atentamente:

Hoje é festa lá no meu apê
Pode aparecer, vai rolar bundalelê*

Hoje é festa lá no meu apê
Tem birita até amanhecer

Chega aí, pode entrar
Quem tá aqui tá em casa
(2x)

Olá, Prazer! A noite (hmmm!) é nossa.
Garçom, por favor venha aqui e sirva bem a visita.

Tá bom, tá é bom
Aqui ninguém fica só
Entra aí e toma um drink
Porquê a noite é uma criança.

(Refrão)

Tesão, sedução, libido no ar
No meu quarto tem gente até fazendo orgia

Tá bom, tá é bom
Tudo é festa! Pegação.
Vou zoar o mulherio e a chapa vai esquentar

(Refrão)

* - Todo mundo diz que ele fala "muito arê rê" no lugar de "bundalelê", mas eu não acredito. Ouça aí e tire a prova.

P.s.: No finalzinho da música, note que o efeito sonoro dos convidados na festa está em inglês. É chique ou não é esse Latino? Eu recomendo. Agora, deixa eu ir ali desligar o meu gerador de sarcasmo.

Desconstruindo Beastie

2004-11-19 15:29:00 +0000

Os malucos deste site descobriram e catalogaram TODOS, eu disse TODOS os samples usados no álbum Paul's Boutique dos Beastie Boys.

Discos Novos (parte 2)

2004-11-08 20:39:00 +0000

Outro dia eu comecei a fazer mini-reviews dos discos em MP3 que trouxe de Sete Lagoas. Vamos a mais alguns que ouvi no último período.

THE FLAMING LIPS - Zaireeka

E os lábios flamejantes já começaram atrás porque eles tinham uma tarefa impossível: me mostrar um disco tão bom quanto o Yoshimi Battles the Pink Robot. Mas o Yoshimi é um disco perfeito, e raras são as bandas que lançam dois discos perfeitos.

Luiz me preparou para a audição, explicando que Zaireeka são QUATRO CDs. Mas não são 4 CDs do jeito que você pensou, e sim quatro CDs que precisam ser tocados AO MESMO TEMPO para que Zaireeka faça sentido. A versão que ouvi foi um "stereo mix", ou seja, os quatro CDs já "misturados". Achei legal, mas fiquei com uma vontade louca de ouvir o Zaireeka do jeito que ele foi concebido: com os quatro CDs tocando ao mesmo tempo. Porque pelo que ouvi, ele foi FEITO pra ser tocado com os quatro CDs. Na verdade ele não é um disco, e sim uma meio que experiência sonora, e tem que ser fruída do jeito correto. Bom, quem sabe um dia.

Destaque para a letra absurdamente maluca de "A machine in India", com vaginas no meio e tudo.

FUNKADELIC - Maggot Brain

Funkadelic é um disco de 1971 que, quando toca, te faz ver a enorme nuvem de fumaça de maconha da época em que foi composto. Legítima música para D.A's de faculdade.

Normalmente eu não gosto de coisas antigas assim, mas Maggot Brain foi digerido pelos meus ouvidos sem muito problema. Até mesmo a primeira faixa, um solo de guitarra de 10 minutos, psicodélico até o osso, eu consegui ouvir. Mas, sei lá, não é algo que eu vá pegar pra ouvir todo dia.

THE MENDOZA LINE - We're all in this alone

Esta foi a surpresa da vez. Muito bom esse disquinho! Ele não tem nada de mais, tem lá seu vocal feminino, tem lá suas guitarras popzinhas e funciona que é uma beleza.

Destaque para "Idiot Heart", que me dá déja-vus toda vez que ouço, e para a belíssima, eu disse BELÍSSIMA "Everything we used to be". Por sinal, pelo teor das últimas músicas que tenho gostado, estou vendo que a cada dia que passa eu me torno mais e mais manteigão. Só falta eu viciar em emocore, aí já era.

MOMBOJÓ - Nadadenovo

Esse vai com capinha, ó:

Depois de uma pequena decepção com a Nação Zumbi (que, sem a cabeça de Chico Science, está exatamente assim, zumbi), fiquei meio emburrado com o manguebeat. Mas Luiz me passou esse CDzinho e falou que "esse cê vai gostar". Dito e feito.

Nadadenovo é exatamente isso, "nada de novo". Tem coisas tipo rockabilly, coisas tipo "Roberto Carlos em Ritmo de Aventura", sambinhas, chorinhos, coisas psicodélicas, etc. E essa salada toda, somada com uma produção elegante e refinada, deu um puta resultado.

Destaque para a faixa "Deixe-se Acreditar". Eu queria botar isso num walkman em eterno repeat e amarrar nos ouvidos de Humberto Gessinger, pra mostrar pra ele como é que se faz uma boa letra de música.

MY BLOODY VALENTINE - Ecstasy and Wine

Luiz tinha me falado que não aguentou ouvir este CD até o fim e que MBV realmente era apenas o "Loveless", o disco perfeito dos caras. Bom, eu sobrevivi até a música cinco...

SOUL-JUNK - 1958

"Ahn... então isso que é abstract hip hop", foi o que eu pensei quando esse disco maluco começou a tocar.

1958 é basicamente um conjunto de blips e tóings do capeta. De vez em quando vem um rapper branco e canta por cima. Se você tocar este disco pra sua tia, ela vai dizer algo mais ou menos assim: "Cruz credo menino, que coisa demoníaca é essa, tá tocando de trás pra frente!".

Eu gostei, mas tem momentos em que ele exagera e fica muito inaudível. E olha que meu limite do inaudível vai longe...

Destaque para a faixa instrumental "Tasmanian Pork", que foi construída sobre um sample de uma música de Bach. Bom, pelo menos é o que parece.

UI - Answers

Este disco é indicação de Papel, a.k.a. Gustavo, baterista da extinta banda Postal Oitenta. "Zé, esse disco é a sua cara, cê vai gostar", dizia ele. Acertou em cheio.

As músicas de "Answers" são músicas normais, feitas por pessoas normais, seus baixos normais, baterias normais, etc. Tudo instrumental, mas feito por músicos muito competentes e sem a menor pretensão. E é exatamente por isso que Answers é um disco fodasso: porque soa despretensioso.

Esse ganha o selo "O Primo" de qualidade.

WEEN - The Molusk

O Ween caiu nas graças de Luiz ultimamente. "Você já ouviu Ween? Deveria ouvir Ween, Ween é legal". Aí peguei logo a discografia inteira dos caras e comecei a ouvir pelo penúltimo disco, o "The Molusk". Mas o que tocou foi Wilco com Ozzy Osbourne com piratas com drinking songs irlandeses com Bruce Springsteen com Nine Inch Nails com pop romântico dos anos 80...

Eu estranhei, mas Ween têm se tornado mais legal conforme o disco passa pelos meus ouvidos. É porque é tudo uma grande piada, complicada de entender no começo.

Destaque para "Waving my dick in the wind". Essa é diversão instantânea mesmo, música para se balançar a... cabeça... enquanto ouve.

Ira em uma tarde vazia

2004-10-29 13:22:00 +0000

Ontem, 14:20 - Eu e outro consultor, o "Fred", trabalhando. Aí o Fred começa a cantar aquela música nova (e horrível) do Ira:

- Você me ligou, naquela tarde vazia.... e me valeu o diaaaaaaaaa....
- ARGH! Pára com isso, Fred!
- Por que, você não gosta dessa música?
- Odeio essa música, isso é lixo.
- Ah, eu gosto... pela janela, vejo fumaça, vejo pessoaaaaaass....
- Toda música que começa com "pela janela" é ruim, você já percebeu?
- E que outra música começa com "pela janela"?
- Vou de Táxi, da Angélica! Pela janela du meu quartuuu... pam-pam-pam!

15:03 - Eu, no banheiro, tirando uma água do joelho:

- Você me ligou, naquela tard... ahh, droga, agora fiquei com isso na cabeça....

16:22 - Fui até a impressora buscar uns papéis:

- Você me ligou, naquela tarde vaz... DROGA!

17:15 - Sentado no notebook, trabalhando:

- E me valeu o diaaaaa... você... DROGA! MAS QUE DROGA!

19:10 - No carro, voltando pra casa:

- Allow me to show you... the way which I adore you... ahhhh, Blonde Redhead é tão bom...

É noise na fita

2004-10-28 18:09:00 +0000

Ontem à noite eu passei na casa de Luiz e ganhei de aniversário um super-kit de CDs com Serial Experiments Lain completo (yay!). Depois, assistimos os três primeiros episódios de Oh! Super Milk Chan e, algumas horas depois... mais uma lenda caiu.

Eu consegui, depois de muitos anos de tentativas, ver Anderson Noise tocar.

Como eu já disse aqui antes....

Eu já vi Anderson Noise. Na rua, passando de carro... no supermercado... mas NUNCA VI ELE TOCAR

Assim sendo, lá pelas onze da noite lá estávamos eu e Luiz no Deputamadre. O lugar é... bem... tem um bom espaço pra dançar, mas é meio caro. O preço da latinha de Skol, indicador econômico oficial da night, era R$ 3. Mas o real problema do lugar é que, pra consumir qualquer coisa, você tem que comprar uma fichinha no caixa. E é um caixa. E são quatrocentas pessoas.

Este detalhe simplesmente acabou com o meu conceito do lugar e vai me fazer pensar cinco vezes antes de voltar lá. Eu passei 40 minutos na fila pra comprar uma fichinha. Quando estava na boca do caixa, um babaca qualquer passou na minha frente e na frente do segurança que estava exatamente ao meu lado e que foi muito eficiente ao fazer a sua melhor cara de "não posso fazer nada".

Mas falemos do que interessa. A performance do cara começou lá pelas 1:30 da manhã com um barulho estridente do primeiro disco que ele colocou para tocar. Acho que foi a forma dele dizer que o "noise" chegou. Eu e Luiz ficamos na parte mais baixa e escura da pista, de costas para uma enorme caixa de som. Talvez seja por isso que, doze horas depois, eu ainda estou meio surdo. Na verdade, assim que fui embora do lugar (às 3 da manhã), eu só ouvia a minha própria voz, e só porque ela ressoa internamente no meu crânio: o resto era só zumbido.

O set foi bem legal e pode ser facilmente descrito com uma palavra: sinistro! Mas não "sinixxxtro" como os cariocas falam, foi sinistro mesmo, eram músicas com um climão obscuro, de suspense. O público, constituído basicamente por gays e pelas amigas dos gays, parecia estar gostando. Bom, pelo menos eles soltaram os gritinhos padrão em todos os breaks.

Outros detalhes que é bom mencionar:

Logo no início da noite tentei ir ao banheiro mas como era tudo muito escuro, eu não encontrei. Aí achei um segurança:

- Por favor, onde é o banheiro?
- Eu... não sei, é meu primeiro dia aqui...

Enquanto eu chacoalhava o esqueleto na escuridão da pista, um vento refrescante passava por trás de mim. Mas quando olhava pra trás eu via apenas um ventilador desligado.

Fiquei sem entender de onde vinha aquele vento por umas duas horas, até que olhei novamente e percebi que o ventilador estava ligado. É que a única luz da pista era aquela, estroboscópica. As "piscadas" da luz são muito breves e, por isso, as pás do ventilador pareciam estar paradas.

Pelo teor "alternativo" do lugar, resolvi sair com minha velha camiseta com estampa escrita em um "engrish" medonho. Passei pela sala, meu pai falou:

- Ué meu filho, essa sua camiseta está muito velha, muito "foveira"... você vai sair assim?
- Essa é a idéia, pai...

Aí encontrei com Bethania antes de ir. Ela olhou pra mim:
- Nossa, mas você vai com essa camiseta velha aí?
- Essa é a idéia, Bê...

Audiopad

2004-10-27 21:27:00 +0000

Imagine uma mesa, com uma grande tela em branco por cima. Imagine agora que, sobre esta tela, tem um datashow, ou projetor multimídia, como quiser.

Agora imagine que, sobre a tela, estão algumas peças de diferentes formatos. Imagine que cada peça possui um íma e que debaixo da tela tem um monte de antenas que permitem que um computador leia a posição das peças.

Imagine que este computador use o projetor multimídia para projetar pequenos menus e marcações animadas sobre cada peça.

Agora imagine que tudo isso é um controlador de áudio, ou seja, que as características da música que o computador reproduz possam ser controladas, ao vivo, pelo movimento e posição das peças sobre a mesa.

Conseguiu imaginar isso tudo aí? Pois é. James Patten e Ben Recht (conhecido como Localfields) não somente imaginaram como implementaram o controlador de áudio mais legal do mundo: o Audiopad.

Minha explicação talvez não tenha deixado claro o tanto que isso é legal.

Não, você ainda não entendeu. Isso é muito, muito legal. O Audiopad foi reconhecido no 2004 Industrial Design Excellence Awards e tudo. Deu na Wired, deu num monte de lugar. Os caras até vieram ao Brasil com o negócio. Ah! E ele roda em Linux!!

Além do mais... eu já falei que isso é muito legal?

Estupraram a Makossa

2004-10-21 14:08:00 +0000

Meu discman continua sem pilha, portanto continuei me aventurando no rádio. Hoje de manhã o locutor anunciou o nome da música que acabava de começar:

Charlie Brown Jr. e Marcelo D2, Samba Makossa!

"NÃO!!! Não podem ter profanado Samba Makossa de Chico Science!" pensei eu. Mas era verdade, a bandinha tocava uma guitarrinha-rock-básica-super-pop e os vocais gritados falavam de... samba.

Por isso chegou a hora
Dessa roda começar
Samba Makossa da pesada
Vamos todos celebrar

Basicamente, o arranjo acabou com a música. Pra piorar, mudaram a letra original.

"Meu irmão" foi substituído por "sangue bom" e, o horror, "bom da cabeça e um foguete no pé" virou "bom da cabeça e um skate no pé". Eu desliguei o rádio.

O Primo recomenda: Blonde Redhead - Misery is a Butterfly

2004-10-20 22:03:00 +0000

Esse disquinho estava no lote de 47 discos em MP3 que eu trouxe de Sete Lagoas. O normal seria eu falar brevemente do disco, como tenho feito com os outros, mas tive que fazer uma honrosa exceção para este aqui.

Porque Misery is a Butterfly é, sem sombra de dúvida, o melhor disco de 2004 até agora.

A produção é simplesmente impecável: músicas ricas, intensas, e sobretudo bem arranjadas. Violinos, violoncelos e demais cordas não são economizados. Culpa do Guy Piccioto (Fugazi), o produtor, e de Eyvind Kang, assistente de composição (o "hômi" dos arranjos).

Eu sou um grande fã de música instrumental e não ligo muito pra vocal. Mas nesse disco, o vocal... tinha TUDO pra ser extremamente irritante. Kazu Makino, a cantora nascida em Kyoto, parece uma menininha cantando, ora com doçura, ora com firmeza. Amadeo Pace, vindo de Milão para NY, beira o esganiçado nos seus agudos. Mas só beira, e por isto a voz fica única e interessante.

O equilíbrio das músicas do disco é arrepiante. Elephant Woman, faixa de abertura, menciona o "unfortunate" acidente sofrido por Kazu, que a obrigou a manter a boca amarrada por um bom tempo e atrasou a gravação do disco. Depois vem Messenger que, droga, me lembra o MSN toda hora. Piadas à parte, esta primeira participação de Amadeo nos vocais é marcada pela melancolia, mas de um jeito classudo e bonito, o que mais tarde mostra-se como a identidade deste disco.

Depois vem Melody que é, meu Deus, maravilhosa. Desde a longa e belíssima introdução (com teclados incluídos), passando pelos vocais etéreos de Kazu, até o fade out do final, Melody mostra até onde o Blonde Redhead pode ir. O clima intenso é mantido por Doll is mine e pela faixa título, que é permeada por violinos de suspense durante quase toda sua extensão. Falling man, na sequência, mostra um habilidoso Amadeo em uma catarse vocal. Aqui, a letra pedante (I am what I am / And what I am is who I am) nem é percebida no meio do elegante desenvolvimento melódico.

Segue a celeste Anticipation e depois, Maddening cloud, talvez a faixa mais fácil deste disco diferente. Magic mountain lança o disco rapidamente de volta ao mundo da sonoridade leve. Leva mesmo à "montanha mágica" da letra, simples e bonita por sinal. Depois, Pink love tem uma dobradinha vocal Kazu e Amadeo. Kazu assume a faixa final, a mais legal, Equus. Equus é Melody com a polaridade invertida: pura porrada. O refrão, forte no som, contrasta com a educação da letra:

Allow me to show you
The way which I adore you

É assim que o Blonde Redhead encerra esta obra-prima. Normalmente eu não usaria de tanto lirismo e tanta "nove hora" no português pra falar de um disco. Mas escrevi isso tudo enquanto as músicas rolavam no meu fone de ouvido, então fui um pouco influenciado. Acho que é efeito da maturidade e da riqueza do som...

Isso sim é que é um disco "fino"! Eu recomendo.

P.s.: Luiz diz que o disco perfeito do Blonde Redhead é o La Mia Vita Violenta. Mas há muito eu não ouço esse aí, depois vou até pegar pra ver de novo...
P.p.s.: Luiz, os MP3 deste disco, que você me passou, estão todos com os nomes errados... tive que reordenar/renomear todos eles.

Cuidado

2004-10-20 20:22:00 +0000

Eu não acho legal colocar letra de música em blog, mas esta merece.

Ouvi ontem, no carro, indo pra casa. A pilha do discman acabou então só dava pra ouvir rádio. E me veio esta bomba do Barão Vermelho, que volta a gravar após 11 anos (o dinheiro deve ter acabado). Leia atentamente:

Cuidado
Frejat/Maurício Barros/Marcello Rosauro

O que você come?
O que você bebe?
O que você fuma?

O que você compra?
O que você veste?
O que você usa?

Com quem você anda?
Com quem você vive?
Com quem você fica?
Com quem você se envolve?

Refrão:
Cuidado, cuidado
Se não você dança
Cuidado, cuidado
Se não você dança

E o flanelinha?
E o avião?
E a camisinha?

O que você fala,
no celular?
Com quem você fica?
Com quem você se envolve?

(Refrão, de novo)

E a bebedeira?
E a forma física?
E esse cara, aí do lado?

Com quem você anda?
Com quem você vive?
Quem você ama?
Com quem você se envolve?

(Refrão, yet again)

Eu juro que comecei a gritar dentro do carro. Eu batia a cabeça no volante. Me deu um desespero absurdo ao ouvir esta música. Me deu um ódio profundo do estado da cena musical brasileira.

O desespero só piorou agora, que vi que foram necessárias TRÊS, repito, TRÊS cabeças para vomitar esta porcaria, que bate o recorde de número de bizarrices por metro quadrado:

- A sequência "E a bebedeira?/ E a forma física?/ E esse cara, aí do lado?". WHAT THE FUCK!?!?.
- O supercliché "o que você consome" que permeia a música toda
- A sequência "E o flanelinha?/ E o avião?/ E a camisinha?". Nonsense total, Jorge Ben Jor que se cuide.
- Não podia faltar o "Quem você ama"... isso é endêmico aqui no Brasil. Toda música tem que dar um jeito de falar de amor.
- O refrão assustador, que é usado para tapar buraco durante a música toda.

Portanto, leitores, cuidado. Corram da voz rouca do Frejat, ou seus cérebros serão as vítimas.

Discos Novos (parte 1)

2004-10-18 14:55:00 +0000

Depois que fui à Sete Lagoas, meu notebook voltou 2,5 gigabytes mais gordo. Tudo de discos em MP3 de bandinhas, er, "alternativas". Algumas delas eu já posso reviewzar brevemente aqui:

BARDO POND - Dilate

É um absurdo o tanto que a primeira música deste disco se parece com Godspeed You Black Emperor. A estética do disco todo tem uma boa semelhança mas, ao contrário do GYBE, Bardo Pond tende a ser mais psicodélico e progressivo do que apocalíptico. Mas é legal!

BEANS - Crane Wars

É legal, profundo, e cada música tem um "setting": barulho de chuva, de fábrica... e tem a presença marcante do acordeon. Ultimamente eu tenho ouvido muita coisa com acordeon (tipo Dntel ou Do Make Say Think ou Migala, que comento mais abaixo). Ele dá um toque meio latino, meio solene às músicas. Eu góstio.

BLONDE REDHEAD - Fake can be just as good

Eu não sei o que o Blonde Redhead tem que o torna tão legal. Seria a dobradinha de vocal "masculino X feminino"? Seria as leves bizarrices que permeiam todas as músicas? Seria o estilão "músicas que a banda do seu vizinho poderia tocar"? Oh, a dúvida.

BUILT TO SPILL - Ancient Melodies of the Future

Este disco tem um problema, o mesmo problema de outro que eu ouvi: o "Hearts of Oak" do Ted Leo & The Pharmacists, indicação do João. O problema é que o disco é muito homogêneo, e isso não mantém o meu interesse. Claro, é bem tocado, bem arranjado e bem cantado... mas é exatamente este o problema. É como gráficos 3D: são bonitos, mas eles às vezes são tão certinhos e tão perfeitinhos que é isso que os torna artificiais.

Luiz me deu uma dica, por email: "Esse disco do Built to Spill é muito fraco, o pior deles. Ouça com atenção o 'Perfect from now on', o disco perfeito dos caras". Vou fazer isso.

CAN - Tago Mago

Eu não passei da terceira música deste disco. Sei lá, não desceu. Depois vou tentar de novo. Diz Luiz: "Num é um disco pra se ouvir a qualquer hora. Mas, eu acho ele fenomenal!!"

THE FLAMING LIPS - Yoshimi Battles the Pink Robot

Minha Nossa Senhora do Divino e Perpétuo Socorro! Este disco é perfeito! De cara ele conseguiu passar pela perigosíssima armadilha de "misturar guitarras e eletrônicos" sem virar um Jota Quest da vida. Além de tudo ele mantém, ao mesmo tempo, o bom humor, a profundidade e a beleza melódica e lírica. Putz, chega, vou parar de babar ovo.

JOHN COLTRANE - Giant Steps (Deluxe Edition)

E depois deste disco eu, finalmente, me interessei por jazz. É porque eu não entendia o jazz: eu já sabia que tinha alguma coisa a ver com improvisação, mas o que eu ouvia não tinha nada a ver com isso. Aí as músicas deste disco seguem o template que eu sempre esperei ver no jazz: toca-se o tema base para a improvisação, depois o povo improvisa em cima. Aí eu entendi tudo e adorei. Destaque para "Naima", belíssima.

MIGALA - Asi Duele un Verano

Nas primeiras audições era um disco triste. Depois, passou a ser um disco bonito. Depois, passou a ser um disco profundo e belíssimo. Hoje ele é um disco "Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias Como Diabos Esse Disco É Maravilhoso". Depois vou ali no Soulseek para "adquirir" o resto da discografia desses caras.

NIGHTMARES ON WAX - Carboot Soul

Essa foi a surpresa: eu já tinha ouvido falar de Nightmares on Wax mas imaginava uma sonoridade muito diferente. Gostei bastante do estilo pop-funk, fácil de ouvir, divertido. Perfeito para dirigir.

RIP RIG + PANIC - Attitude

Foi engraçado, quando botei a primeira música deste disco eu levei um susto: "Que diabo é isso? Gloria Estefan?". Logo vi que estava enganado. Não vou dizer que Attitude é um disco fácil, porque não é: ele é bastante experimental, bastante art-rock-funk-sei lá. Mas, meu Deus, Sunken Love é a música perfeita. Custei a terminar de ouvir este disco porque Sunken Love ficava no meu repeat e insistia em não sair. Só depois, conversando com Luiz na Obra, fiquei sabendo que os vocais eram da Neneh Cherry. Maravilhosos, ponto pra ela.

SEACHANGE - Lay of the Land

Toda vez que vejo o nome deste disco eu penso em sacanagem. Não sei por quê... talvez porque o verbo "to lay" possa ter conotação sexual dependendo do contexto. Mas falando da música, bem, este disco é um disco bem na média: músicas legais, não ruins, nem extraordinárias. O bom é que ele é bem variado nos estilos. Mas acho que tenho que ouví-lo algumas vezes mais para dar uma opinião mais acertada.

No próximo "lote" de discos, que gravei num CD-RW, teremos mais Flaming Lips com Zaireeka, mais Blonde Redhead, mais Coltrane, outra chance ao Built to Spill, a banda chamada Ui, os piadistas do Ween, os brazucas do Mombojó, os loucos do Soul-Junk e do The Ex, e o hour-concour My Bloody Valentine.

Coisas para postar enquanto se grava um CD-RW a 600 KB/s (4x)

2004-10-18 05:16:00 +0000

(É que demora... uma meia hora...)

- Low of Defenses, música da banda espanhola chamada Migala, música que é estupidamente profundamente absurdamente linda triste sei lá, tem aparecido aleatoriamente em minha cabeça. Como flashbacks de viagens usuários de LSD. Mas eu não tenho achado ruim.

- Hoje na hora do almoço meu pai serviu costelinha de porco com feijão andu. Eu comecei a rir: "Hehehehe, feijão Ctrl+Z..."

- Agora há pouco eu perdi uma lente de contato. Estava retirando a lente do meu olho direito para ir dormir quando ela caiu. Procurei a danada da lente pelo chão por uns 10 minutos e não achei. Fui até o quarto, peguei meus óculos, e procurei mais. Ela, simplesmente, não estava no chão do banheiro.

Xinguei bastante e dei a lente por perdida. É descartável, mesmo. Joguei fora a do outro olho e decidi pegar um novo par amanhã de manhã. Enquanto via a lente descendo pelo vaso sanitário, pensava: "Aposto que, só porque joguei esta lente fora, vou encontrar a outra".

Logo que entrei de volta no meu quarto, tive um estalo. E se a lente não caiu no chão e sim grudou em mim? Revistei a mim mesmo, depois refiz o caminho do banheiro até meu quarto e achei a lente, no chão, ao lado do computador. Mas nem fiquei chateado depois que vi o estado deplorável em que a lente se encontrava.

O Primo n'A Obra

2004-10-15 14:45:00 +0000

Ontem eu resolvi verificar minha caixa postal esquecida do Hotmail e vi um email de um velho amigo chamado Leandro, da época do meu antigo emprego no Banco, falando que iria tocar na Obra.

"OK... eu não posso perder a chance de ver um Project Management Professional diplomado tocando Ramones...."

Assim, por volta das 23h, lá estava eu adentrando a melhor casa de shows inferninho de Belo Horizonte. Acho que tinha me esquecido do tanto que é legal ir na Obra. A última vez que fui parar lá foi há muuuuito tempo, acho que num show do Wry.

No começo o DJ ficou tocando algum Ramones e uns Rockabillys esquisitos (alguns em francês), soltando aleatoriamente sobre as músicas um sample de arroto. Nada mais perfeito para o lugar. Por sinal, acho que a acústica de lá ajudava o arroto a soar bem.

A banda, ao que parece, havia sido formada só praquela noite e foi batizada de Now I Wanna Sniff Some Johnny. O show dela demorou a começar porque, segundo o Leandro, o pessoal tava mais preocupado em beber pinga. Coisa que deu pra notar durante o show: o vocalista começava a falar alguma coisa...

- Agora a gente vai tocar alguma coisa da fase surf do Ram...
- ONE TWO THREE FOUR!!! - Gritava o Leandro, que saia socando sua guitarra

Cheguei em casa às 2:30 da manhã, com a roupa impregnada pelo fedor-padrão da Obra, e feliz. Preciso fazer isso mais vezes.

Branca é a tez da manhã? WTF?

2004-10-06 15:32:00 +0000

No Orkut, comunidade Top 5, tópico sobre as piores frases da música brasileira. Só uma leve amostra:

- Eu não sei fazer poesia, mas que se foda (Charlie Brown Jr)
- Tudo que Deus criou pensando em você / fez a via láctea, fez os dinossauros (Djavan)
- Noutro plano/Te devoraria tal Caetano/ a Leonardo DiCaprio (Djavan)
- Açaí guardiã, zum de besouro, um imã, branca é a tez da manhã (Djavan)
- Na pureza de um limão/ou na solidão do espinho (Djavan)
- Mesmo com toda riqueza dos Sheiks Arabes, não te esquecerei um dia, nem um dia (Djavan)
- Essa Escada é Pra ficar Aqui fora/Eu vou chamar o Síndico/Tim Maia! (Jorge Bem Jor)
- Um abajur cor de carne/ um lençol azul (Ritchie)
- Pra que tanto telefonema/ se o homem inventou o avião (Jota Quest)
- Como uma Deusa/ voce me mantém (Rosana)
- No táxi que me trouxe até aqui Julio Iglesias me dava razão (Engenheiros do Hawaii)
- Eu sigo em frente/ pra frente eu vou (Engenheiros do Hawaii)
- Ser feliz é tudo que se quer/Ah, este maldito fecho-eclair. (Kleiton e Kledir).
- Tô viajando na onda dessa menina/ Que dá aula de inglês, toma vinho português (Sei lá)
- Só eu que podia/ dentro da tua orelha fria/ dizer segredos de liquidificador (Cazuza)
- Você é a escada da minha subida/ Você é o amor da minha vida (Cogumelo Plutão)
- Controlo o calendário sem utilizar as mãos (Claudinho e Buchecha)
- Eu queria ser um peixe, para em seu límpido aquário mergulhar (Fagner)
- Tan tan tan batem na porta/ não precisa ver quem é (Roupa Nova)
- As metades da laranja/ dois amantes, dois irmãos (Fabio Jr)
- Sthephane de monacô/ aqui estô/ inteiro ao seu dispô (RPM)
- Berro pelo aterro pelo desterro(...)/ Sou o seu bezerro gritando mamãe (Caetano?)
- Tô fazendo amor com outra pessoa/ Mas meu coração vai ser pra sempre seu (Só pra Contrariar?)
- No outono é sempre igual, as folhas caem no quintal/ só não cai o meu amor pois não tem jeito, é imortal (Sandy & Junior)
- Você na frente e eu atrás, e atrás de mim um outro rapaz (Leo Jaime)
- O piercing dela refletia a luz do sol (O Surto)

Yummy noise

2004-09-02 23:32:00 +0000

Quando Marisa Monte mencionou "barulhinho bom" ela devia estar se referindo a Circassian, música do Fennesz.

Números

2004-09-01 16:30:00 +0000

Produtividade do primo sem Amon Tobin nos fones de ouvido: 30%

Produtividade do primo com Amon Tobin nos fones de ouvido: 90%

Produtividade do primo com Amon Tobin nos fones de ouvido e no momento onde ele toca Venus in Fur do Velvet Underground para encerrar seu mix: 0%*

* - É que aí eu fui obrigado a parar pra botar isso aqui no blog.

Aquela sua velha Epson? Tá tocando na orquestra agora.

2004-08-13 03:30:00 +0000

Traduzido do site: A Sinfonia para Impressoras Matriciais é um trabalho que transforma tecnologia obsoleta de escritório em um instrumento de performance musical. A Sinfonia chama a atenção do ouvinte para uma tecnologia quase esquecida: a impressora matricial. Especificamente, são utilizados os ruídos produzidos pela impressora como única fonte sonora para uma composição. Sem alterações nos seus elementos constituintes, o processo impõe uma nova ordem sobre estes, reorganizando os sons sob uma estrutura musical.

Impressoras matriciais são, portanto, transformadas em 'instrumentos' musicais, e um sistema de rede de computadores, típica de um escritório contemporâneo, é usada como a 'orquestra' que as toca. Esta orquestra é 'regida' por um servidor de rede, que lê a composição de uma 'partitura'. Cada uma das impressoras toca uma 'parte' diferente, composta de ritmos e tons gerados por letras do alfabeto, pontuação e outros caracteres. O usuário usa arquivos de texto ASCII para compor, orquestrar e sincronizar a música densamente texturizada e baseda no ritmo. Durante a performance, que dura meia hora, os sons são amplificados e reproduzidos em alto-falantes. O público também vê imagens ao vivo das fontes sonoras: o movimento dos mecanismos, correias e engrenagens é filmado com mini-câmeras de vídeo instaladas dentro das impressoras e projetado em telões.

Sem brincadeira: eu adoraria ver isso.

(Link via O Velho)

Elf o quê?!

2004-08-10 21:40:00 +0000

E estou eu a ouvir uma musiquinha quando olho para meu Winamp. No espaço onde deveria constar o nome da música, diz:

"ELF CAUGHT IN LOVE"

É que não cabia no display o nome completo: Belle and Sebastian - If you find yourself caught in love...

Idéias simples que dão certo

2004-08-10 04:13:00 +0000

Jeff Mills, um dos nomes mais importantes do techno nos Estados Unidos, é o autor de um dos grandes clássicos do gênero, uma produção chamada Alarms, lançada em 1997 num EP chamado Kat Moda. É um tema simples sobre uma bateria repetitiva, como todo bom techno, mas é excelente.

Aí, em 2003, seis anos depois, Ben Sims lançou um vinil de remixes de Alarms. Um destes remixes foi tocado por Mills no seu novo mix-CD, chamado Exhibitionist. Este remix é simplesmente fantástico, excelente! E é sobre ele que eu quero falar.

A idéia por trás dele é ridícula de tão simples: depois de refazer a base de bateria, Ben Sims simplesmente deslocou o "tum tuuum" no tempo, ou seja, aquele som de "alarme" toca exatamente como no original, mas dois tempos antes.

Ben Sims reinventou o clássico e criou uma música totalmente nova com este pequeno truque. É por isso que eu gosto de techno.

Barra traço barra traço ponto com

2004-08-10 03:20:00 +0000

E na sua coluna, o Lúcio Ribeiro mencionou o novo single do Fatboy Slim, chamado Slash Dot Com. Em dois minutos e quinze segundos, Slash Dot Com sai destruindo tudo, comanda os batatais, é boa pra baralhos e chuta bundas com muita propriedade.

Além disso tudo, Slash Dot Com leva no seu nome o nome do mais famoso portal "nerd" de notícias da Internet, o Slashdot. A única diferença é que ele é "dot org", e não "dot com". Mas, mesmo assim, todas as minhas fibras nerds se contorceram de alegria :)

É muito bom ver o Fatboy se redimindo depois do horrível Halfway between the gutter and the stars.

Yeah my girlfriend...

2004-07-27 04:02:00 +0000

Em 1997, às margens de cair nas graças do pop, o Blink 182 compôs uma música chamada Josie. O vocalista grita sobre o tanto que a namorada dele é legal e, enquanto isso, a bateria e as guitarras comem como loucas.

Hoje, sete anos depois, Josie continua sendo uma excelente, hã, canção punk. Eu adoro a maneira com a qual a bateria faz o seu trabalho inacreditavelmente rápido.

Brinquedo Assassino

2004-07-19 17:55:00 +0000

ChucK é uma linguagem de programação de áudio para síntese em tempo real, composições e live PAs. É programável "on-the-fly", em tempo real, foi feita por uns malucos da universidade de Princeton.

A coisa toda é nerd demais pro meu gosto, mas eu simplesmente AMEI a foto da página inicial do site. Dois laptops, dois teclados MIDI, oito mouses e um joystick!!!!!

Um sample de maçã por dia dá saúde e alegria

2004-07-19 13:54:00 +0000

Em Barcelona, no festival Sonar deste ano, Matthew Herbert gravou o som de 350 pessoas mordendo, simultaneamente, uma maçã. Se você também gravou isso e gostaria que seu som fosse incluído no próximo album do Matthey, envie para:

Bite
Accidental records
P0 box 24953
London SE23 3GS
United Kingdom

Favor enviar a gravação em CD (não mande MP3's por email) e com seu nome, para que ele apareça nos créditos do album.

Os CDs serão recebidos até 19 de julho.
Obrigado.

(Traduzido por mim, retirado do Orkut que retirou de http://www.magicandaccident.com. Uma pena o prazo vencer hoje...)

2-hit combo

2004-07-14 22:28:00 +0000

Dia de ontem: Pânico, raiva e desespero.
Dia de hoje: Sucesso fulminante.

Em homenagem a esse caos da consultoria, segue um post duplo. Três vivas para o Primo!

O Primo recomenda - Fennesz - Venice

Christian Fennesz gravou Venice, em 2004, em Veneza. É um disco "ambient - alternativo - experimental" que conseguiu fazer uma coisa fantástica: unir antônimos.

Venice é tranquilo e barulhento. Lânguido e vivaz. Monótono e dinâmico. Frio e emocional. Desafinado e harmônico, tudo ao mesmo tempo. É como se você congelasse um pedaço de uma música de um disco do My Bloody Valentine e esticasse-o até o infinito.

Falando assim, com tantos clichês, até parece que o disco é chatérrimo, e ele realmente tinha absolutamente TUDO pra ser ou inaudível ou um pé no saco. Mas, surpreendentemente, não é nenhum dos dois. Mais surpreendentemente ainda, Venice consegue, na sua falta de melodia e de estrutura musical, ser emocionalmente intenso.

Quem me conhece sabe que eu tendo a ser tão "emocionável" quanto uma pedra. Por alguma estranha razão, Venice foi, pra mim, não apenas mais um disco de texturas interessantes, e sim um disco bonito e que deixa uma sensação agradável, de uma saudade de algo que nunca se viu.

Bom, mas não liguem pra essa breguice que eu escrevi e ouçam o disco. Eu recomendo.

O Primo recomenda: Spider-Man 2

Muita gente detestou, inclusive gente que eu admiro. O IMDB considera o filme "overrated". Um amigo meu disse assim:

Filme nada demais, as vezes chega a ser muito "Chaves-like" misturado com novela mexicana...

Além do mais, as filmagens foram bem tumultuadas. Tinham cenas sendo gravadas antes do roteiro ser escrito. O Tobey Maguire ficou doente, machucou o braço e o escambau.

Entretanto, depois que vi o filme, eu não podia considerá-lo como outra coisa senão uma das melhores adaptações de quadrinhos para o cinema que eu já vi. Melhor ainda que o primeiro filme!

Na minha opinião, o que tornou Spider-Man 2 excelente foi, justamente, o que os críticos argumentam que foi a parte ruim da história: o lado humano do Aranha. Quem acompanhava os quadrinhos do herói sabia que os piores vilões dele eram o aluguel atrasado, o "azar aracnídeo", os problemas amorosos, a falta de teia nas horas mais importantes... e é esse lado humano que tornava o Aranha verossímil, familiar e, consequentemente, um sucesso pelo mundo todo.

Alguns destaques do filme:

- O pequeno discurso da tia May sobre o porquê das pessoas admirarem os heróis, simplesmente fantástico, aposto que foi Stan Lee que escreveu.

- Dr. Octopus. Isso sim é que é vilão! Não podiam ter escolhido ator melhor que o Alfred Molina.

- Aranha e o "povão" no metrô desgovernado. Cena bonita e tocante.

- Parker, Mary Jane e o carro atravessando a vidraça da cafeteria. Finalmente devolveram o "spider-sense" ao aracnídeo...

- J.J.Jameson. Tão engraçado quanto no primeiro filme. Pelo visto ele será sempre destaque...

- Os créditos iniciais. É que eu detesto filmes que gastam cinco longos minutos só mostrando nomes na tela. Mas desta vez os nomes foram intermediados por desenhos dos personagens, em estilo HQ, e o resultado final ficou muito bom.

- Destaque ruim: os extras que faziam o papel de transeuntes assustados. Pelamordedeus, era até engraçada a expressão de pânico deles...

Agora crescem as expectativas para o terceiro filme. Todo mundo quer o Venom (embora isso seja bem improvável), há boatos de que a Gata Negra pode dar o ar da graça... eu, pessoalmente, adoraria ver o Kraven e o Lagarto. Afinal, já temos Dr. Connors e seria uma boa homenagem à excelente mini-série Tormento... mas enfim, embora eu seja suspeito pra falar, continuo recomendando este excelente filme.

O Primo na ópera

2004-06-27 05:07:00 +0000

Pois é, meu programa de sábado à noite foi... a ópera Turandot, de Giacomo Puccini.

Eu nunca tive muito saco pra ópera, e Turandot tem três horas de duração. Eu fui esperando o pior e acabei adorando a montagem que fizeram. A música é excelente, a história é instigante, não é simplesmente um romance bobinho, como na maioria das óperas. E, além do mais, Turandot se passa na China! No final foi um programão e eu me diverti á beça.

Detalhes engraçados da noite:

- Antônio Roberto, o pop star da auto-ajuda (bom, pelo menos aqui em Minas), estava bem pertinho da minha cadeira.

- O cenário, a luz e os figurinos estavam muuuito bem feitos. E era tudo grandioso e espalhafatoso: tinha um dragão que cuspia fogo, faíscas, painéis chineses estilizados, plataformas e uma escadaria giratória no meio do palco. A coisa estava tão megalomaníaca e cintilante que eu aposto que o diretor cenográfico é gay.

- Durante um dois dois intervalos de 15 minutos da ópera, adivinhem quem eu vejo, de sobretudo preto, cercado de gente esquisita gótica, no meio do saguão do teatro? O Excêntrico, em pessoa! Segundo ele mesmo, além de gostar de metal ele curte uma música clássica.

- Toda música de ópera que se preze tem um "tema" manjado, daqueles que você conhece porque já ouviu numa propaganda de Vinólia por aí. Turandot não foi diferente.

O problema foi que, na hora que tocou o "tema", a mulher que estava sentada na cadeira ao lado da minha começou a cantarolar junto... deu vontade de perguntar se ela fazia parte do coro. Caso a resposta fosse negativa eu ia mandar ela fazer uma bola de pano com a echarpe dela e enfiar na boca.

- Quando os cantores e cantoras davam aqueles looooongos agudos, eu ficava incomodado, porque com certeza no final todo mundo iria aplaudir e interromper a orquestra. Coisa que, obviamente, aconteceu. Não sei de onde tiraram esse conceito de que, quanto mais alto e mais agudo, mais bonito é o canto. Coisa mais ridícula.

- Meu lado musical freak continua se manifestando: por mais que eu ouça as mais belas melodias, eu continuo me amarrando no som que a orquestra faz quando está se afinando. Cara, aquilo é tão bonito!!

- Numa das cenas, três personagens chineses de nomes Ping, Pang e Pong, tentam dissuadir um estrangeiro de disputar o amor da princesa. Para isso, oferecem-lhe três esposas de diferentes raças, que entram no palco com os seios de fora. Uma delas, uma bela negra, vai se insinuar para o estrangeiro. Ela pára na frente dele e começa a rebolar... igualzinho as dançarinas do É o Tchan. Eu quis morrer.

- Depois das três horas de ópera, durante o aplauso final, Bethania me deu uma engraçada sugestão: Ei, vamos começar a pedir bis! 'Mais um! Mais um!'...

Soluções que complicam

2004-06-04 14:25:00 +0000

O problema é que ouvir um bom mix do Umek é muito melhor que resolver problemas.

Indicações

2004-05-17 04:51:00 +0000

Eu empolguei e desde a última sexta estou escrevendo este post... vou indicar três coisas duma vezada: um disco, um filme e um restaurante!

O Primo recomenda: The Books - Thought for Food

O mais legal deste disco é que é muito difícil descrever a sonoridade dele. Nenhum dos rótulos habituais parece se encaixar nele. Não é indie, não é eletrônico, não é acústico e é as três coisas ao mesmo tempo.

Mas todas as músicas são feitas tendo violões, guitarras acústicas, violinos ou baixos como base. Às vezes os violões são severamente picotados e sampleados, e em outras horas eles são tocados (quase) normalmente, em ritmo de blues ou pop ou folk.

Aí vêm os "temperos": os samples vocais. Este disco tem, sem sombra de dúvida, o uso mais criativo, dinâmico e interessante de samples vocais que já vi. Eles são naturais, curiosos, divertidos e inteligentemente posicionados. Por exemplo, a belíssima motherless bastard começa com as vozes de uma menina e um adulto conversando:

- Mommy? Daddy! Mommy?.. Daddy?.. Mom? Dad?
- You have no mother and father.
- Yeah I do!
- No! They left! They went somewhere else.
- No they haven...(ooh I hate you!)
- No, eh, I don't know you
- Dad...
- No, don't touch me, don't call me that in public.

Parece engraçado a princípio, mas conforme a música progride o mesmo sample é usado novamente, e soa completamente diferente...

Também em all your base are belong to them (os mais junkies de internet saberão facilmente de onde vem esse título), você ouve um countdown, depois aplausos, depois alguém diz:

- Oh, I was just clearing my throat...

E depois um "público" cai na risada. E você também.

Thought for Food consegue a proeza de se manter altamente interessante durante todas as faixas. Ele reinventa a música experimental sem ser pretensioso, e se dá muito bem nesse intento. Eu recomendo muito.

O Primo recomenda: Diários de Motocicleta

Eu fui ver este filme sozinho, já que estava sem carro, tinha acabado uma reunião de trabalho chatíssima e havia um cinema em frente o prédio onde eu estava. Do meu lado, no cinema, havia um gay escandaloso que, além de gritar durante todos os trailers, estava gripado.

Mas vamos ao filme... Diários de Motocicleta é, em resumo, a história de dois argentinos que planejam viajar toda a América Latina de moto. Os viajantes são Alberto Granado e Ernesto "Che" Guevara. O filme, dirigido pelo Walter Salles, foi inspirado nos livros que ele e seu parceiro escreveram durante a viagem.

Só por isso o filme tinha tudo pra dar errado porque as armadilhas eram muitas: ele podia facilmente se tornar só uma "vitrine" pras paisagens da América Latina, ou ficar "revolucionário" demais se focasse muito na construção do caráter do líder Che Guevara, ou pecar pelo inverso disso e esquecer completamente este aspecto e virar só uma sucessão de "causos" bobos da viagem. Mas a direção inteligente fez com que todos estes aspectos fossem trabalhados com muito equilíbrio. Ponto pro Walter Salles.

As partes engraçadas se alternavam com as sérias de um jeito muito apropriado. Os diálogos também foram muito bem escritos. Destaque para a genialidade de um dos diálogos, onde Guevara (apelidado de Fuser pelo seu amigo Alberto), de carona na boléia de um caminhão, observa os olhos de um dos "passageiros": uma vaca que ele quase atropelara minutos antes. Ele vira para o dono da vaca e diz:

- Esta vaca está ficando cega.
- E daí? Ela só vai ver merda mesmo... - responde o vaqueiro.

Aparentemente sem sentido, estas duas frases apontam discretamente para o caráter de lider revolucionário de Fuser. Inclusive, os "olhos" têm papel muito importante no filme e foram mencionados por ele em vários momentos. Pena que nessa hora o público não pareceu entender, porque começou a rir.

Inclusive, uma coisa que me irritou foi o comportamento do público no cinema: nas cenas do leprosário de San Paulo, na Amazônia peruana, o público ria quando apareciam os leprosos, justamente nos momentos onde Guevara estava mais sensibilizado a questões como igualdade e segregação. Não cometa este erro e perceba que Diários de Motocicleta vai mais fundo do que parece. Eu recomendo.

O Primo recomenda: Cantábria

(Obviamente, esta recomendação só vale pra quem, como eu, mora em Belo Horizonte)

Na sexta eu e Bethania resolvemos jantar em Macacos, uma micro-cidadezinha a alguns quilômetros de BH. A cidade estava deserta e os restaurantes de lá, também. Aí entramos num deles, chamado Cantábria.

Não havia ninguém no restaurante; só nós, a garçonete, o chef e a melhor moqueca de surubi que já comi em toda a minha vida! Some a isso o ótimo atendimento e o ambiente simples e agradável e você ganha uma recomendação d'o Primo.

Pode ir lá com sua namorada que é garantido. Bom, pelo menos a comida eu garanto, já o que você vai fazer com sua namorada é por sua conta...

Double Post!

2004-05-07 19:35:00 +0000

Santo Deus: passar o horário de almoço no carro gerou dois posts fresquinhos:

Techno = Mulher

Hoje na hora do almoço me veio a luz: agora eu consigo explicar porque é que eu gosto tanto de techno.

Vale lembrar que não me refiro ao "techno", mas sim ao TECHNO, aquele bate-estaca sombrio e ultrarepetitivo.

Eu sempre ouço as pessoas dizendo: "ah, mas isso não é música, é só um tum-tis-tum repetitivo, não sei como você aguenta".

Mas agora eu sei explicar com uma comparação bem simples: mulher pelada.

Aposto que na sua vida você já viu zilhões de mulheres peladas, e nunca enjoou de vê-las. Grosso modo, todas são idênticas: seios, bunda, pernas, barriga, pêlos, etc. As diferenças são no tamanho de uma ou outra coisa, na cor da pele, etc. Isso tudo dá inúmeras combinações, mas no fundo é tudo exatamente igual.

E ver mulher pelada nunca foi repetitivo e você sabe muito bem a razão. Aposto que você podia ficar um tempão só olhando pra uma mulher pelada. Iria ficar um tempão olhando pras mesmas coisas, por sinal maravilhosas, e ia achar ótimo. É a mesma coisa com o techno: você ouve exatamente as mesmas coisas maravilhosas e acha ótimo o tempo todo.

Aí eu ouço um bom mix de um DJ qualquer e é como se ele me mostrasse: Loira... morena... japonesa... ruiva... entendeu agora?

Chorão faz chorar

Aí a pilha do meu discman estava acabando e só sobrou "amperagem" suficiente pra ouvir rádio. Fui ouvir o Pânico, pra dar umas risadas. Mas aí começou a tocar a música nova do Charlie Brown Jr., cujo maravilhoso refrão diz:

Eu não sei fazer poesia... mas que se foda!!!
Eu odeio gente chique eu não uso sapato... mas que se foda!!!

E a música seguia tornando-se cada vez mais idiota. Seguiam-se frases, hã, seminais, como "ame seu pai, mesmo se ele for um porco capitalista" ou "você perdeu a moral e quem perdeu, perdeu".

Mas aí veio o golpe de misericórdia: Chorão cantou, lentamente: "Auêi auêi auêi auêi..." e eu pensei: "Putz, igualzinho Waiting Room do Fugazi... só falta ele..."

- ÉVRIBARI MUVÊÊ!! ÉVRIBARI MUVÊÊ!! ÉVRIBARI MUVÊ-MUVÊ-MUVÊ-MUVÊÊÊ!!

Safadeza musical

2004-04-30 15:50:00 +0000

Conversando com um amigo no MSN, ele me disse, relativamente ao meu gosto musical:

"vc é um safado que só fica buscando texturas... o que é legal tb mas esquece o feeling"
"O máximo de feeling que vc absorve é o pessoal do kraftwerk falando 'even the greatest stars despise themselves in the looking glass'"

Eu não sou tão sem-coração assim. Senão não ia doer tanto o fato de eu ter ouvido isso.

A evolução do BPM na última década

2004-04-17 18:02:00 +0000

Este é um experimento científico que se propõe a estudar o quanto evoluiu a velocidade das músicas dance na última década. Com o crescente stress da vida moderna e a evolução nas formas de composição e divulgação de massa, espera-se com isso ver o reflexo da evolução do stress, da overdose de informação e do "ritmo" acelerado dos dias atual nos fatores culturais da existência humana, mais notadamente na música.

Considerações científicas no estudo:

- O "tempo" de uma música é medido em BPM (batidas por minuto). A ferramenta de medição usada foi esse "online BPM calculator".
- Foram selecionadas aleatoriamente 20 músicas, estilo dance, perdidas no meu HD. 10 delas eram tocadas nas rádios por volta de 1993-1994, outras 10 tocam atualmente (2003-2004) nas rádios.

Para as músicas da atualidade, agradecimentos especiais à minha irmã que há vários anos faz o favor de entupir meu computador com dance farofa. Pelo menos dessa vez eles foram úteis.

Execução da experiência:

As músicas selecionadas e os BPMs aferidos foram:

A) Músicas antigas:

1. AB Logic - The Hitman (127 BPM)
2. Masterboy - I got to give it up (133 BPM)
3. BG the prince of rap - The colour of my dreams (136 BPM)
4. Haddaway - What is love (123 BPM)
5. Whigfield - Saturday Night (138 BPM)

B) Músicas novas:

1. The underdog project - Summer Jam (129 BPM)
2. Lasgo - Pray (140 BPM)
3. Safri Duo - Played Alive (135 BPM)
4. Vengaboys - Up and Down (136 BPM)
5. DJ Ross - Emotion (140 BPM)

Resultados:

Após análise dos dados, concluiu-se que:

a) O tempo médio das músicas antigas foi de 131,4 BPM. O das músicas novas foi de 136 BPM, o que representa um aumento de 3,4% no BPM médio das músicas num período de 10 anos.

b) A faixa de variação do tempo das músicas também sofreu elevação, pois os valores mínimos e máximos de BPM medidos aumentaram 1,4% e 1,6%, respectivamente. Ou seja, a música mais lenta de hoje é 1,4% mais rápida que a música mais lenta de 10 anos atrás.

Conclusões:

Eu realmente preciso de algo mais útil para fazer.

Playlist de cabeça

2004-04-17 03:31:00 +0000

Por puro tédio me sentei no Soulseek e comecei a baixar músicas. Mas só valiam músicas mais ou menos antigas e que eu me lembrasse de cabeça, porque aí só viriam aquelas músicas "especiais", de uma forma ou de outra. O playlist foi esse aí de baixo, serve pra vocês terem idéia do quão eclético eu sou:

Radiohead - Pull/Pulk revolving doors - Eu só descobri o Radiohead depois do Kid A. Essa música, pelo clima de caos e pela letra, eu sempre gostei.
Blink 182 - Josie - Xinguem o quanto quiserem, mas Josie tem a letra estilo "college love" mais legal que tem. Me lembro de ouví-la no carro e sair cantando junto...
Tortoise - Glass Museum - Tortoise é uma das minhas bandas prediletas. Glass Museum é a música que vem automaticamente na minha cabeça quando me perguntam: "Qual a melhor música que você já ouviu?"
Dianogah - Indie Rock Spock Ears - Passando pelo post rock não dava pra esquecer essa música do Dianogah. Ela é o meu "sound test" oficial: é a música que uso pra testar uma placa de som ou um fone de ouvido. Isso porque ela é MUITO bem gravada, tanto que eu literalmente "enxergo" a bateria quando ouço. E, além de tudo, é linda.
The Chemical Brothers - Fuck Up Beats - Lembrei de botar algo eletrônico e me veio Fuck Up Beats na memória. Porque é dos Brothers e porque é curtinha e porque é distorcida.
Sonic Youth - Providence - Acho que essa foi a primeira música "abstrata" que ouvi e por isso me marcou bastante. Porque é emocionalmente profunda e porque você vai rir disso que eu falei se ouvir a música. E eu devo metade do meu gosto musical de hoje ao Sonic Youth.
Mundo Livre S/A - Samba Esquema Noise - Passei pro lado dos nacionais. Essa tem a letra mais genial que já vi.
Daft Punk - Teachers - Mais eletrônicos. Essa música foi a minha porta de entrada para muitas coisas eletrônicas. Porque a letra é composta só de nomes de grandes nomes da música. Aí eu ouvia a música, ouvia os nomes e saia caçando músicas deles no Napster (é, naquela época era Napster ainda). Foi assim que conheci Green Velvet, Dave Clarke, DJ Hell, Joey Beltram, DJ Funk, Robert Hood e o mestre dos mestres, Jeff Mills.
Technotronic - Move this - Ahhh, BOAS MEMÓRIAS da minha sexta série!! Havia uma loira, chamada Flávia, que era meu amor platônico e que sentava na carteira atrás de mim. Um dia a gente conversava sobre Technotronic e ela me disse que a música que ela mais gostava era aquela que começava com a mulher cantando: "Pipo dontiu nou, dontiu nou"... que significa "people don't you know" e que significa a música Move This. Eu nunca me esqueci disso. Outro dia eu revi esta Flávia numa faculdade de jornalismo, mas ela estava feia... digamos, "desgastada" pela vida boêmia.
Squarepusher - Come on my selector - Eu adoro o nome dessa música porque Selector era o nome do sistema com o qual eu trabalhava no Banco. Além do mais, é Squarepusher, o cara que deveria ter escrito todas as trilhas de desenhos do Tom e Jerry.
Portishead - Roads - Triste... eu conhecia a versão ao vivo dessa música, onde a cantora literalmente chora ao cantar. Essa vai pra lista das "emocionalmente profundas".
Whigfield - Saturday Night - Ahh, mais boas (e bregas) memórias da minha sexta série! Essa está mais ligada às tardes que eu passava sozinho no meu quarto, desenhando, ouvindo rádio com fones de ouvido. Acho que meu vício com fones de ouvido vem dessa época.
Jeff Mills - The Bells - Obviamente não podia faltar uma música do Jeff Mills, o rei do techno e o homem que me iniciou no bate-estaca para adultos. Na verdade eu confundi, queria ter baixado Alarms, que é outro clássico dele.
Kraftwerk - Pocket Calculator - A razão de eu gostar de música eletrônica é Kraftwerk. Aí resolvi baixar um clássico dos clássicos.
Chico Science e Nação Zumbi - Computadores fazem arte - Por que é que gênios como Chico Science morrem? Bom, pelo menos eles deixam coisas geniais para trás, como essa música, que na verdade é do Mundo Livre.
Cassius - La Mouche - Do tempo que Cassius fazia uma house music que era boa. Quantas pilhas do meu discman não foram embora às custas desse disco.
Unkle - Rabbit in your headlights - Poucas vezes um clipe me fez gostar de uma música. O clipe de Rabbit in your headlights é inesquecível e a música é cantada por Thom Yorke, o esquizofrênico mais querido da música.

Heey Duude-ah!

2004-04-08 19:17:00 +0000

Eu estou com dor de dente mas não deixei de rir de Beatallica e seus sucessos, como "Hey Dude", "Everybody's got a ticket to ride except for me and my lightning" ou "I want to choke your band". Tem coisas que só a internet faz por você.

Vi no Urbanblog.

Blip Blop Toing Tung Wee!

2004-04-03 02:28:00 +0000

Na música Sizzle Spot:

Homem cantando:
I get so hot when I snuggle with you
I got the fever, but what can I do?
My temperature is rising to one hundred and two...

Voz feminina na caixa esquerda: "Is it centigrade?"
Voz de multidão na caixa direita: "No, it's fahrenheit"

Glitch House comanda. The Rip Off Artist comanda.

Retro

2004-04-03 00:15:00 +0000

O certo é viver o presente. Mas ter um pé no passado torna as coisas muito melhores.

A prova disso: Belle and Sebastian.

Hey Ya, versão Sprite

2004-03-30 03:42:00 +0000

Clique aqui e assista o clipe, em Flash, de Hey Ya, do Outkast.

Estrelando: Chun Li, Sakura, Dhalsim, Blanka e uma banana.

Il Castrati

2004-03-27 16:30:00 +0000

Ah não.

Acabo de descobrir que o vocalista do Mew não é "a" vocalista, e sim "o" vocalista.

Não é possível, eu podia jurar que aquilo era voz de mulher. O cara deve ser castrado, só pode.

P.s.: Pelo menos Symmetry, a música mais linda de chorar do disco, é realmente cantada por uma mulher. Na verdade uma menina, de 14 anos, chamada Becky Jarrett.

Bit Cousins are gay

2004-03-26 13:51:00 +0000

Hoje de manhã dei de cara com um email do primo, cujo assunto era:

"Bit Cousins é citado em artigo sobre música lésbica e gay"

Eu não podia ficar mais impressionado. Li o artigo, publicado na Universidade da Califórnia (UCLA). A parte que se refere a nós diz assim:

"Outro possível local para pesquisas futuras é o fenômeno internacional de distribuição de música dance pela internet, exemplificado no Brasil pelos Bit Cousins (Devo essa ao Pedro Durães, que me chamou a atenção para esta "pequena cultura"). Já que a música é, em sua maior parte, sem letra, as questões gays e lésbicas se mantém, superficialmente, indecifráveis."

E aí um link aponta para uma página com streams de áudio de Windchimes Are Gay, incluindo os três remixes que fizemos e o original, da banda Anal Cunt (citada no artigo como A.C., por questões censuráticas). O comentário final, na página dos streams, é impressionante:

"Um exemplo da cena eletrônica brasileira publicada na internet e feita em casa. A questão para estudo acadêmico é se existe alguma sombra de homofobia e homofilia nos remixes bossa nova, romântico, kraftwerked e a capella de Windchimes Are Gay, do A.C."

Tocsique

2004-03-24 13:45:00 +0000

Lembram quando, há algum tempo atrás, eu admiti a contragosto que gostava de ouvir "I'm a Slave 4 U", da Britney Spears?

Pois é.

Agora, eu admito que me viciei em "Toxic", a nova música de trabalho dela.

Meu herói

2004-03-16 17:35:00 +0000

Meu ídolo é o Zeca Pagodinho.

O cara é um ultra pop star, e não é porque é um excelente músico ou ótimo cantor: é porque ele gosta de beber cerveja.

Aí ele vai se apresentar no Faustão, não faz nenhum esforço pra ser simpático, canta uma música chinfrin e, no final, oferecem cerveja pra ele. Aí ele vai dar um show, senta num banquinho e bebe umas cervejas enquanto canta (mal), como se estivesse num bar. E ganha dinheiro para isso.

Aí as duas maiores cervejarias do país brigam pra tê-lo como garoto propaganda e fazê-lo beber mais cerveja, porque quando ele bebe cerveja as pessoas vêem e bebem mais cerveja.

No final de um dia de trabalho bebendo cerveja, ele vai pra casa, abre uma cerveja e, enquanto isso, rios de dinheiro caem em sua conta corrente.

Zeca Pagodinho comanda.

Pra eu não mentir sozinho

2004-03-03 04:08:00 +0000

NUOSSSSSSSSS É ESSA MÚSICA MESMO!!! Incrivelmente boa ela...os caras ultrapassaram o ápice da música boa com essa viu! Eles são uns filhos da p***...e olha que só tenho 3 músicas deles aqui ainda.
(Luiz, o primo do primo, referindo-se a Storm, a melhor música de todos os tempos do Godspeed You Black Emperor. Este link tem MP3 deles. Este também)

Aprendendo

2004-02-18 16:39:00 +0000

Esse link sempre cai na minha tela. Ishkur's guide to electronic music. Vá lá e evangelize-se.

Tem todos os gêneros, com trechos para você ouvir. Tem desde os manjados (house, techno, drum'n bass) até os bizarros (Casiocore, Neurofunk). Rola até um "rio funk".

A melhor notícia de todos os tempos da última semana

2004-02-11 15:52:00 +0000

O quinto disco do Tortoise, chamado It's All Around You, está prometido para abril. Eis o track list:

01. It's All Around You
02. The Lithium Stiffs
03. Crest
04. Stretch (You Are All Right)
05. Unknown
06. Dot/Eyes
07. On the Chin
08. By Dawn
09. Five Too Many
10 Salt the Skies

Oba oba oba oba OBA! Vem ne mim abril.

Opinião

2004-02-06 05:06:00 +0000

Eu devia ir dormir mas não quero. Então vou fazer uma parcial das minhas opiniões sobre a lista dos discos preferidos de 2003 do Blog Preto

1) The Coral - Magic and Medicine

É bom lembrar que eu detesto a maioria das bandas nascidas perto dos anos 60. Rolling Stones, Beatles, The Doors, tudo pra mim é lixo. Aí outro dia um amigo me pegou ouvindo Belle and Sebastian e exclamou:

- Você gosta disso e não gosta de Beatles? Cara, eu não te entendo.

Aí eu peguei o CD do The Coral e nem eu me entendi. Parecia que o disco havia sido gravado há 40 anos atrás. Órgãos velhos, guitarras folk-quase-country, letras num inglês rebuscado, e dum romantismo lambrecante, quase mexicano, e quase nenhum reverb pra cobrir os vazios dos poucos instrumentos. E eu adorei.

Don't Think You Are The First é, numa palavra, foda. Secret Kiss, então, é noir e foda ao mesmo tempo.

2) The Raveonettes - The Chain Gang of Love

"Banda de duas pessoas", estilo White Stripes - foi a primeira coisa que percebi. Só que a guitarra tem um pouquinho mais MUITO MAIS distorção.

Mas os Raveonettes tem um problema: todas, eu disse TODAS as músicas são tocadas exatamente no mesmo tom. Aí a chiadeira, no mesmo tom, com os mesmos trejeitos, e o mesmo estilo vocal durante o disco todo, não deu pra aguentar.

3) The Strokes - Room on Fire

Essa foi interessante: o primeiro disco dos Strokes que eu ouvi foi esse. Eu NUNCA ouvi o primeiro disco, exceto pela já gasta Last Nite, que infectou os rádios, a MTV e tudo o mais.

E minha opinião sobre Last Nite era que era uma música absolutamente normal. Eu não entendia o frenesi de todo mundo por cima dos Strokes.

Aí peguei o Room on Fire, ouvi uma, duas vezes... e aí eu finalmente percebi. Os Strokes são legais. E não são legais por causa disso ou daquilo, são legais simplesmente porque são.

Reptilia tem o mini-solo de guitarra mais legal do ano. Aí vem o baixo e deixa o mini-solo ainda mais legal... Under Control me deixa perplexo, por ser tão bem executada. E durante o dia, eu às vezes me pego no corredor do trabalho, apressado, cantarolando You Talk Way Too Much:

Gimme some time, I just need a little time! Gimme some time, I just need a little time!

4) Elefant - Sunlight Makes Me Paranoid

Esse disco eu havia ouvido bem antes de ver a lista do Blog Preto. E foi por causa dele que eu me animei a caçar os discos da lista do Blog Preto.

A razão é bem óbvia. Elefant é muito, mas muito foda. Quando ouvi Make Up, a primeira música do disco, eu levei um tapa na cara quando vi a letra mais legal dos últimos tempos se desenhando, entremeada pelo baixo mais legal dos últimos tempos.

You finally took your make-up off... I like your eyes...
You finally took your lipstick off... I like your smile...

Só pra gastar uma frase beeem piegas, Sunlight Makes Me Paranoid é um disco de amor. As letras são letras de amor. E, pra usar outra palavra piegas, as letras são "poderosas"! Tipo este trecho, da segunda música mais legal do disco, chamada Tonight Let's Dance:

So I walk up to her / Grab her arm, to show the world
Tonight... we'll dance... like we're in love

Eu perdi a conta do número de vezes em que dirigi com a música no talo, enquanto cantava, sem dar a mínima pra se alguém estava vendo ou rindo do meu showzinho particular.

Por enquanto foram estes os discos que ouvi. Mas na fila tem o Elvis Costello, o Ted Leo and the Pharmacists e o Therapy?, já baixados, só esperando que o primo tenha algum tempo para ouví-los minuciosamente.

Aonde você está indo?

2004-02-06 04:28:00 +0000

A música do Godspeed You Black Emperor é parecida com a trilha sonora de um mundo que não se enxerga, mas que está oculto em todas as coisas.

Outro dia eu estava dirigindo, voltando do trabalho. Exatamente o mesmo trajeto. Mas com o som ligado, bem alto, eu tive medo. As guitarras e os violinos urravam e pareciam que estavam prestes a romper algo na minha cabeça, a despertar uma realidade alternativa por trás de tudo o que eu enxergava na rua. Era como se a verdade estava prestes a pular na minha cara. E este "quase" me assustava.

Aí, numa noite dessas, eu estava no terraço do apartamento, olhava pra rua vazia enquanto Providence, do disco F#A# Infinity, ia suave nos fones de ouvido.

Passavam duas ou três pessoas na rua. A música entrou num momento espacial, e uma voz meio lírica, cantava repetindo:

Where are you going?... where are you going?...

P.s.: Providence também é o nome de uma das músicas mais lindas do Sonic Youth. Ela é curta, composta apenas de um piano mal gravado e de uma mensagem de secretária eletrônica, onde Watt liga para Thurston para dizer a ele que não encontrou a sacola e para perguntar se ele tinha jogado-a fora por acidente.

P.p.s.: Eu sou um cara muito estranho.

Só uma dica

2004-01-28 21:38:00 +0000

Você consegue baixar um MP3 com os seis primeiros minutos do disco Lift your skinny fists like antennas to heaven, dos canadenses do Godspeed You Black Emperor!, totalmente de grátis, no maravilhoso Epitonic.com.

Foram os seis minutos mais deliciosamente prazeirosos que tive neste ano.

Eu estou ensaiando escrever um post sobre o GYBE há um tempão, mas eu não ouso fazê-lo, porque não tem como definir o tanto que a música deles é boa. Mas eu assino embaixo do texto do pessoal do Epitonic.

Indie Love

2004-01-27 21:42:00 +0000

Se toda música romântica melosa, no estilo "só penso em você/querida não me deixe", fosse executada como Nothing But You And Me, do Yo La Tengo, o mundo seria um lugar melhor.

Bit Cousins pelo mundo

2004-01-15 18:33:00 +0000

Resolvi entrar no Google para procurar coisas sobre os Bit Cousins, que pra quem não conhece é o projeto musical experimental esquisito, meu e do meu primo. Mas eu nem podia pensar que...

1) Um site japonês de músicas de Nintendo teria um link para o remix da música do Starfox que a gente fez... (esse link me deixou com uma lágrima no cantim do olho)

2) Seríamos citados pelo Carlos Issa, do Objeto Amarelo, numa entrevista. O site tá meio bichado pra ler a entrevista, então transcrevo abaixo a pergunta onde ele cita nossas ilustres pessoinhas:

Conhece Bit Cousins? Eles citaram OA como uma das maiores influências, o que voce acha disso?
- Eles são de BH. Conheci os Bit cousins procurando coisas sobre o OA no Google. Achei engraçado eles citarem o Objeto e escrevi pra eles. Nos encontramos rápidamente no Eletrônica e eles me deram o cd. Algumas músicas lembram o primeiro OA, umas coisas sem pé nem cabeça, outras são mais sofisticadas e pop, meio Moby, Chemical brothers...

3) Teríamos uma citação num blog, onde alguém recomenda nosso disco dizendo: sai fora....

This program has clashed...

2004-01-06 18:15:00 +0000

Esse Windows Xis-Pê é uma graça.

Primeiro foi a tradução de "rotate counter-clockwise" para "girar o contador no sentido horário" na versão brasileira.

Agora, cliquei com o botão direito na barra de tarefas e tinha uma opção assim: Lock the taskbar

E agora eu não consigo parar de cantarolar uma velha canção do The Clash:

"The shareef don't like it...
Rockin' the Casbah!
Rock the Casbah!"

The Quest for New Music

2004-01-05 17:58:00 +0000

Claro que o título do post é em inglês. "Caçando musga boa" é muito terceiro mundo.

Piadas à parte, eu queria ouvir música boa. Depois da morte do Audiogalaxy e dos firewalls corporativos, eu passei a consumir muito menos música. Mesmo com banda larga lá em casa, eu me sentava na frente do Soulseek e pensava: Tá, mas... baixar o quê?

Cheguei ao cúmulo de assistir o Fantástico na Grobo, ouvir Star Guitar, dos Chemical Brothers, como música de fundo pra alguma matéria aleatória, e ir baixar o disco no Soulseek. Aí, ao perceber este nível de decadência, saí a procura de novos sons.

Uma referência legal talvez seria a coluna do Lúcio Ribeiro na Folha de São Paulo. Afinal ele é todo ligado, sabe das popices boas e pá. Anotei umas banditas que ele sempre mencionava e fui em casa baixar.

Teve uma que foi um sucesso fulminante: Elefant. O disco Sunlight makes me feel paranoid é maravilhosamente lindíssimo. As letras são bombásticas, simples, fabulosas, como em Make Up ou Tonite Let's Dance. Aí me empolguei e continuei a ver as referências do Lúcio.

Depois baixei Audio Bullys. Peguei o Ego War todinho e ia ouvindo as primeiras faixas e exclamando: "Mas que merda é essa???". O som dos pobres coitados tinha me parecido altamente inovador, pelo que eu tinha lido na coluna. O que eu ouvia era, simplesmente, patético. Ouvir aquilo me soou quase como sofrer uma decepção amorosa, de tanto que doeu.

Depois, tentei Chicks on Speed. Essa até Norton tinha me falado que era bom e tal. Ontem eu fui ouvindo uma ou outra música e eu tive a mesma sensação de "Jovem Pan" de quando ouvi Audio Bullys: era tudo uma reciclagem pop de velhas receitas de sucesso, sem sucesso. As meninas ficavam cantando coisas idiotas como "we don't play guitar", como se isso fosse um grito de revolução.

A minha próxima tentativa é a listinha dos melhores discos de 2003 do Blog Preto. Elefant tá lá em segundo lugar. Por outro lado tem um Nando Reis na lista, que me meteu medo. Mas, somando tudo e noves fora, eu estou botando mais fichas no Sparkazul que no Lúcio Ribeiro.

Dia Belo

2003-12-12 13:53:00 +0000

Vocês já viram como o dia está bonito hoje?...

O cantor Belo foi condenado a 8 anos de prisão por tráfico. A coisa é pra valer mesmo, a Polícia Civil do Rio já tá procurando o cara, pra prender.

Vocês percebem a magnitude disso para o mundo da música? Nenhum outro pagodeiro compôs usando temas como a vida na cadeia. Belo será um pioneiro... boa sorte pra ele.

Além disso, a Folha, comentando sobre o filme da dupla Sandy e Júnior, menciona que ele "pretende ser um veículo para redirecionar a carreira da dupla, em queda no mercado fonográfico e indefinida na TV".

Que pena... agora, só indo pra Playboy mesmo.

Uma Lembrancinha

2003-11-28 05:14:00 +0000

Finalmente achei uma vantagem em ficar velho: as músicas passam a carregar memórias.

Caiu "Neon Lights", do Kraftwerk, no playlist do meu Winamp e eu me enxerguei novamente em Sete Lagoas, numa velha sala de um andar de um prédio do meu tio, onde meus dois primos faziam gravações em fita cassete pros clientes da loja de discos.

Mas foi absurdo o quanto a memória veio nítida. Lembro das paredes velhas, da janela com vista pra Lagoa Paulino, do banheiro minúsculo, das prateleiras em "L" onde ficavam os equipamentos de gravação. Lembro dos primos enchendo o saco de que eu só poderia ajudá-los gravando as fitas "fáceis". As "coletâneas" (fitas com músicas de mais de um vinil) eram só pra eles. Lembro também que, se um dos lados do vinil fosse mais longo que a fita, era pra abaixar o volume devagarzinho e fazer um fade out quando a fita estivesse acabando...

E isso tudo veio porque eu conheci o Kraftwerk mais ou menos por essa época, há, no mínimo, uns 10 anos.

Psycho for sex and glue

2003-11-28 04:59:00 +0000

Oh, high on diesel and gasoline, psycho for drum machine
Shaking their bits, to the hits
Oh, drag acts, drug acts, suicides, in your dad's suits you hide
Staining his name, again
Oh, cracked up, stacked up, twenty-two, psycho for sex and glue
Lost it to Bostik, yeah
Oh, shaved heads, rave heads, on the pill, got to much time to kill
Get into bands, and gangs
Oh, here they come, the beautiful ones, the beautiful ones
La la la la

... e isso tudo aí é o trecho de uma letra de dance music dos anos 90.

Electronic Loser

2003-11-27 17:39:00 +0000

Hoje sobramos só eu e um consultor da outra equipe, aí acabei chamando-o por acidente pra almoçar.

É que eu já ia saindo, ele tava digitando freneticamente no PC e eu falei inocentemente:

- Ué cara, não vai almoçar não?
- Vou sim, vamo lá no Assacabrasa? Já tou desligando aqui - disse ele...

Aí fomos os dois juntos. Papo vai, papo vem, a conversa entrou na praia da música eletrônica, que ele também gosta. E ele ia contando suas peripécias e fazendo com que eu me sentisse o pior dos piores:

- É, eu vi o Carl Cox lá em SP, foi lindo cara...

(Zé comenta: Quase nenhum dos meus amigos gosta de música eletrônica. E eu, que tenho quase zero de iniciativa, nem me importo em ficar sabendo do que está rolando aqui em BH pra ir. Aí passam os fodassos internacionais pela cidade, como Laurent Garnier, e eu estou muito ocupado, dormindo sozinho, pra ir ver. Depois, eu baixo uns 2 sets do Garnier e fico ouvindo e pensando: "Mas como diabos eu não fui ver esse cara tocar, meu Deus???". E nosso colega aí vai pra São Paulo ver os caras tocarem.).

- E eu fui em todos os Skol Beats...

(Zé comenta: No último Skol Beats, Deus resolveu vir fazer uma participação especial na pele do DJ chamado Jeff Mills. Mills é a razão pela qual eu amo música eletrônica, e eu não movi uma palha para vê-lo aqui no Brasil. Eu sou um pior.)

- Todas as vezes que o Anderson Noise veio aqui em BH eu vi ele tocar. Pra mim ele é o melhor do mundo...

(Zé comenta: Eu já vi Anderson Noise. Na rua, passando de carro... no supermercado... mas NUNCA VI ELE TOCAR. Já estive a 1 hora de vê-lo tocar duas vezes, nos dois festivais "Eletronika" que tiveram aqui em BH e que é o único evento de música eletrônica que acabo indo no ano. Mas nas duas vezes acontecia algo, alguém que estava comigo ficava querendo ir embora, e eu não o via tocar. É o destino? Não, lerdice mesmo.)

- Ah, eu vi o Noise tocando lá em Ibiza também, viajei pra lá com minha namorada uma vez...

(Zé comenta: Ibiza!!!! IBIZA!!!! Você sabe o que significa a palavra "Ibiza" pra quem gosta de música eletrônica? Vou te explicar: Imagine uma praia linda e badalada do Brasil. Agora, tire o pagode/axé e substitua por música eletrônica tocada pelos melhores DJs do mundo, 24 horas por dia. Pegou aí?)

Conclusão: Eu tenho que ser menos lerdo e ter mais iniciativa com as coisas que quero fazer na minha vida. Por sinal, neste final de semana eu tenho uma ótima possibilidade de, finalmente, ver o Noise tocar, já que nosso colega me deu a dica de que ele vai estar num simpático local chamado "Deputamadre". Vamos ver...

Assim, ó...

2003-11-13 18:25:00 +0000

Ontem de madrugada eu sentei no Reason e tava brigando com ele. Tava preocupado com o timbre, com reverb, equalização, com coisas bizarras como cancelamento de frequência...

Aí veio Squarepusher, com a música Anstromm-Feck 4, e foi como se ele me dissesse:

- Viu? É assim que se faz, estúpido.

Teorema

2003-11-11 21:58:00 +0000

REDRUM ao contrário é MURDER!

Isso faz do Reason um software satânico?

Instruções:

2003-10-24 15:04:00 +0000

1) Olhe para a tela
2) Leia o texto abaixo, retirado da coluna do Lúcio Ribeiro na Folha:

"Mas nada disso é tão tétrico quando a onda Tribalista que invade a França.

Em uma edição recente do "Le Monde", o crítico do jornal explica que a banda brazuca caiu nas graças do presidente da EMI internacional (eu disse internacional) e virou prioridade planetária da gravadora."

3) Bata a cabeça no teclado, com força.

Blip blip tóing tóing

2003-10-05 21:31:00 +0000

"Making “pop music out of 1980’s computer trash,” Dallas based musician and programmer Paul Slocum composes on an even more limited video game platform — the 26-year old Atari 2600. Other instruments include a 1989 portable 286 PC, a 1983 Commodore 64 computer, and a 1985 Epson dot matrix printer with its chip reprogrammed to operate as a synthesizer."

Uau. Músicas de 8 bits tem uma cena tão forte que deu na MSNBC (fiquei sabendo via Velho)

Chat room sobre techno...

2003-10-04 15:26:00 +0000

[ooodarkmatterooo] i am looking for any beats over 190 bpm
[ooodarkmatterooo] i like the ones with winey bitches singing a hook the whole song
[ooodarkmatterooo] you know something i can get down with when iam dancing with my glowsticks
[><] lol
[mr.bond] hahaah

Que bom... voltei ao Soulseek!!!!

Música para a Morte

2003-09-26 13:46:00 +0000

A música perfeita pra quando eu morrer é Trans AM - Motr.

Se eu morrer com dores, tipo de câncer, aí eu fico com Air - Dead Bodies

E você, qual é sua música para a hora de morrer? Ah, já sei, você evita pensar nisso...

Escuta essa!

2003-09-25 13:12:00 +0000

Nossa colega de trabalho predileta, Kelly, está papagaiando sobre alguma coisa comigo. Sei disso porque os lábios dela estão se movendo e ela está olhando pra mim.

Mas só consigo ouvir D. Boon cantando:

"If, if Reagan played disco
he'd shoot it to shit
you can't disco in jackboots.
Or, or on a white horse
he'd sing lame lyrics
and try to reach the working man!"

Deus abençoe Minutemen e os fones de ouvido.

Relendo sentimentos

2003-08-17 06:04:00 +0000

Na quinta à noite ficamos sem telefone em casa, o que significa, entre outras coisas, que não ia ter internet, Enemy Territory e tudo o mais.

Fazer o quê, acabei fuçando no micro e encontrei uma pasta de backups, com um arquivo zipado...

...cheio de músicas que eu havia composto há cinco anos atrás.

São músicas num formato "antiquado" (XM, eXtended Module, se você quer saber), pobres de beleza melódica ou de timbres bonitos... mas ricas de recordações.

Rachei de rir com composições como a "Pagode has gotta DIE", um digital hardcore que fiz em protesto contra a má qualidade musical da época. Ah, como a coisa piorou tanto em tão pouco tempo... tinha uma chamada Thaty, que eu nunca terminei, era pra uma menina, uma loira lindíssima, que estudava comigo na PUC. Ouvir a música fez recordar direitinho o que eu sentia quando via a diaba da mulher... bons tempos.

Tinha uma chamada "The Edge", que, conforme os comentários que deixei dentro do arquivo, era uma música "muito estranha, como anda a minha cabeça". Putz, comparada com as esquisitices que faço nos Bit Cousins, é fichinha...

Tinha outra, chamada "Fallen"... putz, me lembro direitinho, compus porque estava chateado, a minha "visão" da vida na época havia caído e eu percebi que o mundo é um grande poço de problemas e gente problemática. Quanta infantilidade... o mundo não mudou muito, mas em compensação, a minha cabeça tosca...

E tinha a incrível "Pseudogirlfriend", que compus porque estava enrolado com uma menina (que depois namorei por quase um ano)... nos comentários, dentro do arquivo, eu prometia um "remix" se ficasse com ela. Eu até comecei a fazer o remix (chamado "no pseudogirlfriend", haha!), e fiquei até assustado com uma looonga e bonita introdução de piano que botei na música. Não havia notado o quanto meu sentimento por ela na época era profundo... putz, parece uma eternidade.

Inclusive, essa é uma das razões pela qual eu jamais faria uma música para minha namorada atual. Qualquer tentativa de expressar o quanto eu a amo não iria demonstrar nem 10% do que sinto de verdade...

Burn, Berlin, Burn!

2003-08-06 14:30:00 +0000

"I wanna fuck the systeeeeeeeeemmm!!"

Isso é que é punk: consultor, de gravata, digitando textinhos no notebook, e ouvindo Atari Teenage Riot.

Musga moderna

2003-08-05 23:52:00 +0000

Tava lembrando aqui... uma vez eu tava conversando com uma ex-namorada sobre música contemporânea, ela falava de música atonal (jeito bonito de dizer "desafinada"), composições onde o cara tocava piano com os antebraços, com a testa, "bulas" explicando como preparar o instrumento, incluindo instruções malucas como "coloque um prego entre a corda número tal do piano"...

Taí, bem que eu podia inventar umas músicas assim!

Gato-nal: Antes de começar a tocar, coloque um gato vivo dentro do piano. Bata no teclado tentando sincronizar com os miados. Não pare até o gato morrer.

Brintadeira: Composição para orquestra e britadeira. O maestro toca a britadeira assim: cada um dos músicos da orquestra traz seu instrumento até o centro do palco e coloca-o no chão, e o maestro o destrói com a britadeira. A música termina quando terminarem os instrumentos.

Techno finlandês: Usa-se como instrumento um celular Nokia. Entre no menu de "sons" e fique ouvindo os diferentes toques, um a um. Toque até a bateria acabar.

Batida de despedida: Reúne-se todo o público em volta de uma escada de bombeiro, o mais alta possível. O músico sobe a escada, pula de cabeça e usa o som do seu crânio se espatifando no chão para fazer música. Nunca peça para um amigo seu tocar essa música pra você.

Ameaça Virtual. Mesmo.

2003-08-01 02:33:00 +0000

Não, por favor, Deus, não...

Sandy e Júnior - Ameaça Virtual (game de aventura 3D para PC) está em produção.

Bit Cousins no Mocó

2003-07-06 07:03:00 +0000

E não é que rolou mesmo...

O Mocó é a MOstra de COmposições da Escola de Música da UFMG. Acontece todo semestre e tem apresentações desde música eletroacústica até peças para violão, piano, ou cordas, coisas "normais".

Tem um amigo nosso, o Pedro, que acabou arrumando da gente botar uma das nossas músicas no Mocó. Foi a "Dezessete valerato de betametasona" (baixe-a no site dos cousins para ouvir o que tocamos lá). Por sinal, Pedro apresentou também a música "Cadafalso", dele mesmo, que é fodassa!! Muito boa. Por sinal foi a mais aplaudida.

Nossa apresentação consistiu basicamente de dar um "play" no CD. A acústica estava meio ruim, os graves embolaram muito e acho que não deu pro pessoal ter uma idéia mais concreta do que era a música. Mas só de estarmos apresentando alguma coisa no meio da escola de música... deu até vergonha, hehe.

No mais, os trabalhos apresentados pelo resto do pessoal foram incrivelmente bons! A molecada da UFMG tem talento de sobra. Fiquei impressionado com uma das composições que teve lá, chamada "fuzil", para piano e processamento eletrônico ao vivo (?!). A menina tocava e no meio da música um cara, num Macintosh, reproduzia o que era tocado de trás para frente, repicado, alterado... ficou lindo!

Nutrição musical

2003-06-30 03:09:00 +0000

Eu já devo ter mencionado isso aqui mas vou falar de novo.

Tava ali ouvindo o CD novo do Radiohead, o Hail to the thief, ele provou novamente que existem dois tipos de música boa.

Tem músicas que são como fast food: é consumo rápido, você ouve e plim, bateu, achou lindo e fissurou na música. É como chocolate, você come, fala "hmmmmm..." e acha uma delícia. Mas se ficar comendo sempre, enjoa. A maioria das coisas que toca no rádio é mais ou menos assim, daí a rotatividade das one hit bands.

Acontece o mesmo com a música boa desse tipo. O tempo passa, você ouve a música e ela não soa tãão boa assim. No disco do Radiohead, logo na primeira vez que eu ouvi a segunda faixa, Sit down. Stand up, eu entrei naquele nirvana sonoro onde a gente gasta todo tipo de interjeição maluca: "poooutz... quewilson...". A progressão tonal até os "raindrops", caindo viciosamente, aquilo era a descrição sonora das "garras do inferno" que Yorke tinha acabado de cantar. Mas agora a coisa já não tá tãão assim não, embora a música não tenha deixado de ser boa.

E tem também outro tipo de música boa, que é a "nutritiva". É aquela que vai atuar num nível muito mais profundo que o "fast food". Você vai ouvir uma, duas vezes, três... e de repente, numa das vezes em que você ouvir a música descompromissadamente, ela vai bater. E vai bater fundo. Essas músicas normalmente viram aqueles clássicos da sua vida, aquelas músicas que vem na sua cabeça quando te perguntam qual a melhor coisa que você já ouviu.

O encerramento do CD do Radiohead é assim, com a música A Wolf at the Door. Acho que foi da terceira ou quarta vez que eu ouvia o CD, a música bateu igual um taco de baseball. Quando chega o refrão, o Thom Yorke canta;

I keep the wolf from the door but it calls me up
Calls me on the phone, tells me all the ways he is gonna mess me up
Steal all my children if I don't pay the ransom
& I'll never see them again if I squeal to the cops

E, minha nossa... a coisa se mistura de uma forma na sua cabeça, é como se você compartilhasse da dor e ansiedade do Thom Yorke a cada um daqueles agudos no final das frases... a densidade do instrumental, a harmonia, tudo se enfia dentro de você e não tem como não ser arrebatado por aquele mar esquisito e maravilhoso de coisas maravilhosas e esquisitas...

Yorke viu Keanu?

2003-06-27 15:34:00 +0000

Pegue seu CD do Radiohead, o Hail to the thief, e preste atenção nessa parte da música The Gloaming:

“Funny haha funny how/ When the walls bend/ With your breathing”

Agora, lembre-se do finalzinho do primeiro Matrix... logo que o Neo ressuscita, levanta-se... respira fundo e as paredes se dobram... hein, pegou essa?

Blim blom!

2003-06-06 13:17:00 +0000

Caramba!! Sabe aquela musiquinha dos relógios, a que eles tocam antes de dar as badaladas da hora? Aquilo chama-se The Westminster Quarters e tem até letra!

"Oh, Lord our God / Be thou our guide / That by thy help / No foot may slide."

Vi no Straight Dope...

My talent comes from behind

2003-06-03 12:27:00 +0000

E lá em Londres, a artista Dilek O'Keefe estava expondo numa galeria de arte uma colagem com um desenho da Kylie Minogue, uma foto do bumbum da respectiva cantora e, embaixo, a palavra: "Talent".

Essa foi tão genial que a cantora alegou quebra de direitos de uso de imagem e mandou retirar a colagem.

Essa Dilek O'Keefe ia nadar de braçada aqui no Brasil. Estimando por baixo, eu penso em uns 50 nomes que tem exatamente esse tipo de "talent"...

Reason: o 0.5 que faz toda a diferença

2003-05-27 12:40:00 +0000

Taí. Upgradeei meu Reason da versão 2 pra 2.5...

Eu juro que se tivesse US$ 400 (R$ 1200) eu comprava o software original. E se um dia parar essa grana na minha mão eu vou lá e compro. Vale cada centavo. Os programadores merecem.

O Reason novo incorpora alguns efeitos zero bala. Tem o RV7000, um reverb novinho e com som profissional. Veio pra substituir o pobre reverb antigo e limitado do Reason. O mais engraçado desse reverb novo é que os patches dele foram feitos por vários profissionais da música, compositores, engenheiros de som... e quando você vê quem são os caras, é gente que mixou Backstreet Boys, Kylie Minogue, Christina Aguilera...

E tem o BV512, o novo vocoder. O 512 no nome é porque ele tem 512 (!!!) bandas, o que significa um som "vocodado" de alta fidelidade. E sem comer CPU, o que é impressionante. Outro detalhe é que dá pra usar o BV512 como equalizador multibanda variável, de 4 a 512 bandas. Finalmente vou poder parar de ligar os equalizadores do Reason em cadeia pra conseguir mais de 2 bandas...

E tem o tão sonhado Scream 4... definido como uma "sound destruction unit". É até engraçado, um dos botões que regula a intensidade do efeito está marcado como "damage control". Mas além de "espancar" os sons, o Scream 4 não é só pauleira, ele tem também um efeito de "tape saturation" que me deixou bobo. Engorda qualquer baixo, fica maravilhosamente intenso. Agora eu entendi o que o pessoal fica dizendo quando fala que falta um toque analógico na música eletrônica.

Além disso tem uns outros efeitos, um de uníssono, e os mergers/splitters Spider Audio, que misturam/dividem sinal e CV (control voltage). Só faltava isso pro Reason ter uma interconectividade digna de, digamos, um Buzz da vida.

Digita, Lacraia!

2003-05-27 01:14:00 +0000

Nesse exato momento estou no chat do portal Vírgula com MC Serginho e a Lacraia.

Eu não resisti, eu tinha que entrar pra me certificar de algumas coisas... mas não deu tempo. O chat acabou...

As perguntas que enviei e não foram repassadas pelo moderador para o MC foram:

1) O que você fazia antes do funk?
2) O que vocês acham do hip hop americano?
3) Que ritmos vocês mais gostam? Quais as suas influências?

Não deu tempo de perguntar sobre a formação escolar do Serginho e o que isso tinha a ver com os erros de português das músicas...

Fora isso, eles tem, como mensagem para os jovens brasileiros, a frase: "respeitem-se e lutem por aquilo que vocês acham legal". Ah, e segundo eles as músicas não difamam as mulheres. E o chat teve respostas hilárias deles, como:

kamila diz: Houve um boato que a Lacraia fez um concurso, no qual dava se a entender que os participantes deviam beijar a Lacraia. Isso é realmente verdade?
Serginho: Kamila, não, dançarino dança e o cantor canta.

Jonas diz:Vc compoe suas musicas?Onde arruma inspiração?
Serginho: Jonas, sim, fazendo amor...

Tiago diz dae blz? me dis uma coisa este tipo de som que vc faz da pra se chamar de funck? ou rap? era isto valeu
Serginho: Tiago, é rap nos estilo carioca, né?

loukita diz: o que te inspirou para fazer a musica pocotó???
Serginho: loukita, minha filha Caroline

A long long time ago in a galaxy far, far away...

2003-05-19 03:14:00 +0000

Ah, tudo que eu precisava era disso: um domingo inteiro em casa.

Aproveitei e fiz um arranjo para piano e cordas da música-tema do Star Wars. É sério! Vai no site dos Bit Cousins pra baixar e/ou ouvir a música em streaming.

Fiquei bobo com os sons orquestrados que o Reason faz... êta softwarezinho porreta...

P.s.: Putz!! Já lançaram Reason 2.5!!

P.p.s.: Se você estiver tendo problemas de acesso ao blog, ligue 0800-707-5757 e xingue o pessoal do Terra por mim, ok?

Eureka!

2003-04-27 05:14:00 +0000

E lá estava eu, num bar com uns amigos, conversando abobrinha, quando de repente, do nada, veio na minha cabeça:

Poligonal

Meu Deus, é isso! Peguei o celular:

- Luiz? É Zé Carlos, beleza?
- Oopa! Beleza... tou indo pra um show aqui em Sélagoas...
- Cho te falar, pensei num nome pro CD... Poligonal!
- Nóóóóóó!!! Perfeito!!! Haha, anota isso aí!!

E assim acaba de nascer o nome do próximo CD dos Bit Cousins...

Preparem sus cartones...

2003-03-27 01:09:00 +0000

No último fim-de-semana entrei no Soulseek e não sabia o que baixar... botei o cursor no "search" e fiquei pensando, pensando, quando de repente... bingo!

Digitei "bingo" e dei enter.

Baixei coisas muito engraçadas... por exemplo, a música Bingo, da banda Dwomo, é um rock misturado com merengue, ou melhor, um merengue com guitarra, esquisito, cantado em espanhol. A letra é falada por um cara numa voz sensual, muito engraçada. De lá que eu tirei o subject. A música vai tocando e o cara vai cantando... as pedras:

- Preparem sus cartones... sessienta e cinco... siete... trinta e três, três, três...

Aí uma galera entra e grita: "BINGOOOO!!!", e a guitarra come...

Tem também Bingo, da banda chamada "Punchline". É um punk meio emo adolescente. A letra é medonha:

I tried to find the words to say to you but I can't find them
So I'll just keep my mouth shut...
I can't say what will make you go away
because I don't want you to leave.

E por aí vai. O Wando faria um excelente cover dessa música com essa letra.

Mas a mais melhor de todas foi Bingo, do Brocket 99... aparentemente Brocket 99 é um radio show da Internet cheio de paródias. E a música é paródia de La Bamba!

Ba ba ba ba, ba Bingo...
Ba ba ba ba, ba Bingo, yes it's time for reservation bingo!
Reservation bingo, starts at seven tonight, fuckin' A, fuckin' A!
Fuckin' A, fuckin' A, there's money to make,
There's money to make, there's money to make...

Buy some cards, bring your deavour(?)...
Buy some cards, bring your deavour, my drunken friend,
My drunken friend, my drunken friend...

O inacreditável

2003-03-26 01:26:00 +0000

Essa tá difícil de acreditar.

Tem um cara fazendo um livro sobre a história da música eletrônica no Brasil... e ele cismou de incluir os Bit Cousins, o projeto que eu mantenho com meu primo e que começou como brincadeira...

Nós nunca fizemos um show sequer, fizemos dois discos independentezaços, que foram copiados em CD-R e vendidos pros amigos, e estamos entrando, conforme o livro, pra história da música eletrônica...

Aí hoje ele mandou outro email falando que duas das nossas músicas vão ser enviadas pra gravadora Warp, da Alemanha, e correm o risco de entrar, cada uma, em coletâneas de Clubpop e IDM do Brasil...

Cara, a Warp é a gravadora de Aphex Twin, Boards of Canada, Squarepusher, Autechre... se a gente sair nessa coletânea eu não duvido de mais nada.

The boys

2003-03-12 21:40:00 +0000

Now how many people must get killed?

For oil families pockets to get filled?

Eles chutam bundas. Ou, comandam o batatal, como diz o Cris Dias.

Beastie Boys fizeram uma música anti-guerra e lascaram no site oficial. MP3, tá lá pra baixar...

Vi no topo do Blogdex... daqui a pouco sai na Folha de São Paulo ou algo assim :)

Ô Skindô, skindô!

2003-03-01 05:23:00 +0000

Meu carnaval tá massa. Nos primeiros 20 minutos do feriado, descobri uma pérola musical: Starship Galactica, do Cex. Queisso. Genial!

Ah, e vade retro, samba-enredo.

Poodles & Flan

2003-02-24 22:43:00 +0000

Esse é um nome de um projeto "paramusical" da web (está em http://poodlesandflan.com/)

máquina- música {[de]composta | desconstruída}
ou
se ela não te leva a sério, isso faz com que seja pós-moderna?

Você baixa um programa, ajusta uns parâmetros e ele gera a melodia. É uma "meta-música".

Seria genial se não fosse maluco. Ou seria maluco se não fosse genial. Você escolhe.

Os vencedores

2003-02-24 14:07:00 +0000

Tou vendo os ganhadores do Grammy aqui... apesar das tosqueiras usuais, Coldplay ganhou um prêmio merecido por "In My Place", além de "melhor disco alternativo". Legal, alternativos que tocam na MTV (Money Television).

Ah, The Flaming Lips levou o prêmio de performance rock instrumental. Uau!

Bit Cousins - O feedback

2003-02-18 19:05:00 +0000

Santo Deus!! O dono desse blog aqui (o link morreu, sorry!) ouve Bit Cousins e gosta!! Ele mandou um email pra Luiz comentando das músicas...

Putz, é interessantíssimo ter feedback sobre suas próprias músicas. Por exemplo, eu nunca tinha pensado em "No Trabalho" como "dance paranóico, tipo trilha de perseguição" ou em "Capaz de Tanto" como "Arnaldo Antunes gótico lo-fi. Bauhaus com vocal distorcido..."

Dois CDs

2003-02-08 05:48:00 +0000

Estou com 2 CDs aqui que merecem um review track-by-track, um de tão bom e outro de tão ruim. Obviamente, vou começar pelo ruim, porque dá mais piadas: é o JOVEM PAN NA BALADA 6

Calma, calma, eu NÃO comprei o CD, ganhei no amigo oculto da academia, em Dezembro, e só agora tive coragem de ouvir. A primeira faixa é Mad House - Like a prayer. Quando ouvi o começo da letra (life is a mystery...) e vi que era uma versão do bootleg da música da Madonna que toca no rádio, e que é tirada na cara dura de um MP3 (dá pra ouvir claramente), apertei o next no CD.

Aí a segunda faixa é a única que eu guento ouvir no CD. É Lasgo - Alone. Eu adoro o inglês truncado da cantora (que é belga). Ela não diz If only, e sim 'fonly...

Depois, veio a terceira, DJ Sammy - Heaven. Toca o tempo todo no rádio, então apertei next. Aí acabei apertando next nas outras três músicas que também eram manjadíssimas do rádio. Haja saco, o disco tava tão igual...

Aí veio outro remix tosco, Novaspace - Time after time. Remix da música velha de mesmo título. Eu odeio isso, ODEIO. Os caras ficam sem criatividade pra fazer música nova, aí se apoderam das antigas. A próxima faixa prometia, porque era Molella - Love lasts forever. Pensei: "Pô, Molella, as músicas dance deles nos anos 80/90 eram muito boas!".

E veio a decepção. Essa música eu já tinha ouvido antes, e é uma música que eu não consigo definir com outro termo que não seja música de boate gay. Tem um trecho onde cantam uns caras fazendo voz de machão e na mesma hora vem na minha cabeça aquela cena bem "Queer as Folk", aquele bando de gays musculosos rebolando na pista de dança. Argh. Medonho.

A próxima faixa eu também conhecia, era Mademoiselle - I do what I want. As outras duas seguintes eu nunca tinha ouvido, mas dei next assim mesmo, eram exatamente iguais ao resto do CD, só mudavam as (poucas) notas da melodia e a voz de quem cantava.

Mas nada podia me preparar para a faixa 12, Pink Coffee - Another brick in the wall. Pára e lê de novo o nome da música. Agora lê o nome da "banda". Um remix de música véia só fica pior do que já é quando o nome da "banda" é uma paródia do nome da banda original. E, pelamordedeus, The Wall já venceu, já passou, é velha, chata, manjada, toca em todo lugar, principalmente DAs de faculdade e carros de boys com idade na faixa dos 30. "We don't need no", não eu não preciso mesmo.

A faixa 13 era um bônus nacional: Cláudio Zoli - Noite do Prazer. Os primeiros segundos da faixa são o Cláudião falando numa voz sussurrada: "Vem ficar comigo depois que a festa acabar...". NEXT, rápido!!!

Ahh, agora a 14 e 15 são um "Bônus techno", será que tem algo bom? A 14, Derb - Derb, não é techno. O ritmo é repetitivo como todo bom techno, mas a música se resume ao ritmo e a um sintetizador tocando 3 notas. Três notas. O tempo todo. Basicamente é algo entre o trance de rádio e o techno de rádio. Ah, e eu já conhecia a música também.

Mas na 15... DJ Bart - The Message acabou comigo. Veio um "tum tum tum" num bassdrum bem lo-fi que conseguiu até me animar.. mas aí depois veio um baixo todo trance e um sintetizador mais trance ainda... e eu fiquei: "Mas que diabo de "techno melódico" é esse?". E enquanto eu pensava, o CD me deu o golpe de misericórdia: uma voz, que dizia:

- Let me tell you why you're here... you're here because you know something...
- Meu Deus... não pode ser! - pensava eu.
- What you know you cannot explain... but you feel it. You felt it your entire life...
- Não... meu Deus, é o Morpheus!!
- There's something wrong... you don't know what it is... but it's there... like a splinter in your mind... driving you mad...
- OH NÃO!!! ELES SAMPLEARAM MATRIX!!!!

E aí eu ejetei o CD e comecei a pensar pra quem eu vou dá-lo de presente.

Mas vamos ao segundo CD, o bom, o foda! NOISE MUSIC COMPILATION!

Esse disco é coletânea do selo de Anderson Noise, o Noise Music. É um CD mixado só com músicas de artistas do selo, incluindo o Anderson, Renato Cohen que, na minha opinião é um dos melhores produtores de techno do Brasil, e outros menos conhecidos (por mim) como Jamie Anderson.

A faixa um é do Noise, chama-se Você Mesmo e começa o CD como quem diz: "Toma, distraído!!". É genial. É o Anderson na sua maturidade de produtor. É um techno que te dá vontade de mexer a bunda. Sempre que eu boto esse CD no carro, eu fico igual retardado dando soquinhos no volante quando entra o bassdrum...

Depois vem Formula, de Renato Cohen. Um ritmo com congas eletrônicas e um slap bass combinados de forma bastante interessante. É o Cohen fazendo valer os meus elogios pra ele.

Aí veio o Noise e Marco Lenzi, com Augusta. É uma música mais soturna, com umas guitarras abafadas e longos trechos com sweeps de filtro. Essa não é uma das melhores faixas do CD, mas ainda assim foi bem colocada pelo Noise, porque serviu de introdução pra faixa seguinte.

Change, de Hugh e Latá, remixada pelo Noise, é um "techno com letra", uma voz feminina que repete, sobre um tom ácido, coisas como "there is no norm, except change". Tudo isso com um sub-bass estouradão no fundo. Aí seguiu-se um mix impecável onde Noise lascou, na sequência, sua nova criação (que tem clipe e tudo).

Copacabana é um conceito muito, er, divertido eu diria. Um ritmo dançante, com os snares acompanhando o baixo, e além disso um trumpete maluco: é mais ou menos como se o Noise tivesse feito a música tocando um disco de sons de trumpete na pick-up desligada. Outra bela sacada, eu adoro essa música.

Depois o CD não baixa mais a bola e fica num nível incrivelmente interessante. A sexta faixa é mais Cohen com Acid on House. É um tech-house ácido e bastante, er, pra frente. Foi mal, mas é meio estranho achar palavras pra descrever techno. Ah, tem letra também. Coisas tipo: "Embrace the essence of house..."

A próxima, também do Cohen, é Vodu é pra jacu, título baseado num desenho do Pica-Pau! E aí o Cohen fez exatamente isso, um vuduzão: no meio da música, o bassdrum pára de fazer o "tum tum tum tum" de sempre, fica um tempão fora e, de repente, entra num ritmo quebrado, igualzinho um tambor tribal. Cara, eu adoro essas surpresinhas!...

Aí vem a primeira faixa mais "hard" do disco. Abelhas, do Cohen (ainda) é um ritmo abafado, um sub-bass e um barulho de enxame de alguma-coisa que vai crescendo e crescendo e crescendo... mas dessa faixa eu não gostei muito não, faltou alguma coisa. Uma abelha-rainha, talvez.

Jamie Anderson dá sua contribuição na próxima faixa, com Tornado. Só que ele seguiu a mesma idéia de Abelhas: além da batida, tem dois sons que "rodopiam" no fluxo da música, um "tum" e um zumbido, ora com o volume modulado, ora com o volume constante. Ficou mei chato.

Mas aí Cohen volta, com a "menina dos olhos" do techno nacional: Ponta Pé. A faixa mais famosa do nosso amigo aí acabou me convencendo: é realmente uma bomba. Cohen, malaco que é, usa um som constante de algo parecido com uma guitarra e, de repente, quando a música vai mudar, ele faz um "Tum! Paaam", toca por meio tempo o som num tom diferente e volta ao normal. E essas quebras acabam tornando a coisa muito interessante.

Cohen encerra sua participação com Spank, a faixa 11. Tem um sample vocal que fica falando algo tipo "bang bang!". Fora isso não acontece muito mais coisa, mas o CD já vai se aproximando do fim...

Guaicurus, a próxima faixa de Noise e Marco Lenzi, tem o nome da rua mais tosca e marcada pela prostituição daqui de Belo Horizonte. Guaicurus é escura, alerta, se move nas sombras. A música e a rua. O problema é que ela ficou entre duas faixas fracas e acabou perdendo muito do seu brilho por isso.

Distance, de Marco Lenzi, fecha o CD. É uma construção de acordes descendentes que se repetem sem acrescentar muita coisa. Aí, no crepúsculo da coisa toda, a compilação da Noise Music valeu muito!! Esse CD não vai sair do meu carro tão cedo.

Mas que Drukqs é essa

2003-01-24 06:01:00 +0000

Tou ouvindo esse Drukqs, do Aphex Twin... putz, o cara é bom demais de serviço, é genial, nunca vi trabalhos tão mentais, tão tecnicamente bem executados como esses...

E aí eu me sinto péssimo por gostar de música feita com gritos de mulher, barulhos de tênis em assoalho, chiado de rádio velho e mensagens de secretária eletrônica...

Música pela música

2003-01-20 06:26:00 +0000

Tava lendo uma lista de discussão do Buzz (programa de fazer música), uns caras deram idéia de fazer um site estilo MP3.com onde todo mundo pudesse botar as músicas e rolar uma votação de qual é melhor e tal...

Aí entrou um cara e mandou um email genial. Esse aí sabe da essência do que significa fazer música.

"(...) o que estou dizendo é que (fazer música) não tem que haver um 'objetivo', não tem que 'compensar'. Você não tem que cumprir nenhum outro objetivo que não seja se satisfazer com o que você mesmo pôde criar.

Não quero ser pessimista ou taxativo em relação a essa idéia de 'entrar' na indústria, mas, cara... QUALQUER UM pode fazer boa música. Não pense que você vai detonar geral com o que você pode fazer ou ficar famoso porque você consegue juntar uma batida ajeitadinha com uns synths espaciais por cima. A maioria das pessoas tá se lixando pra isso. A maioria NÃO TEM IDÉIA do que é preciso para se fazer boa música. Ninguém pode apreciar sua música tão bem quanto você mesmo. Assim, se existe a mínima fração de preocupação na sua cabeça em relação a se as pessoas vão ou não vão vostar da sua música, você está produzindo pelo motivo errado.

Tendo dito isso, eu adoro quando alguém ouve minha música e gosta. Minha irmã mais nova tem retardamento mental... ela tem 18 anos e não consegue falar, tem que usar fraldas e minha mãe tem que dar comida pra ela e tudo mais. Mas quando eu coloco um CD com músicas minhas pra ela ouvir, ela fica balançando pra frente e pra trás junto com o ritmo e fica toda animada e faz barulhos e baba... essa é uma das melhores sensações em todo o mundo.

Esse tipo de satisfação você não consegue junto com um score de 10 estrelas num website ou com 10 mil CDs vendidos. Existe uma razão por que esses pop stars se acabam com drogas e decisões estúpidas de vida. Eles não tem o que eu tenho quando eu vejo minha irmãzinha toda animada quando ouve minha música.

Então, se você vai gastar um bom tempo fazendo música, não se preocupe em criar um site de distribuição nem nada... faça música boa pra caramba e dê pras pessoas que você se importa.

Entre as prateleiras do supermercado, uma pergunta para Deus

2003-01-17 03:28:00 +0000

Fui aqui no Extra, o hipermercado, comprar um pneu pro meu carro no ticket, e quando entrei estava tocando um DVD... e tive uma revelação:
Se um dia eu me encontrasse com Deus e tivesse direito a uma única pergunta, agora eu tenho certeza do que eu ia perguntar. Seria: "Como é que tem gente que gosta da voz "falsete mulherzinha" daquele vocalista do Bee Gees?"

De arrepiar

2002-12-27 02:52:00 +0000

Tem aquelas músicas que cê ouve e dá até um "arrepio" de tão boa que é né... mas com o tempo isso acaba passando.

Tem uma que SEMPRE me dá esse "arrepio". É "Neon Lights", do Kraftwerk. Êta alemães danados, fazem um disco que é mais velho que eu e que será eternamente bom.

Mistura Fina

2002-12-17 13:57:00 +0000

Cês viram que a música nova do Roberto Carlos é um rap, né...

Pelo visto, os lançamentos pro próximo ano vão ser assim:

Orquestra Sinfônica de São Paulo em "Molejão - Vida e Obra". Regente especialmente convidado: Netinho do Negritude Júnior;

Racionais MCs lançam seu novo disco: Racionais cantam Elis Regina

A mais nova sensação do Drum'n Bass nacional: Tiririca e seu megahit, Florentina London Beat

Coletânea Tenores do Brasil, com João Gordo, Igor Cavalera e Toni Tornado, incluindo o incrível sucesso, a versão a cappela do sucesso do Funk, "Minha Eguinha Pocotó"

Triba listas

2002-12-17 12:31:00 +0000

Gerador de letras Tribalistas. Perfeito! Olha o que gerei:

Tcherererêkundu

Quero viajar quero carinhar

tem supermercado no carrão sem noção

a lua ligeira leaves you

Quero viajar quero carinhar

Tcherererêkundu carrão

Apagou no lundu.

Lá vem mãe Mami

Bis

Bahia, Pirapama, Paris

Encontram meu primo, Iansã

O beijo bonito tem benção

água mole não quer pedra dura

Mas eu quero viajar, quero carinhar

Repita 87 vezes até levar um tiro.

Her name was Lola... AAAAAARGH!!

2002-12-11 20:30:00 +0000

Fatal Auto Collision Song, a idéia mais legal que já vi no HalfBakery; Fiz questão de traduzir porque é muito massa:

Eu estive preocupado com isso por um bom tempo. Imagine o seguinte: estou dirigindo, compulsivamente mudando a sintonia do rádio pra tentar achar uma música que eu goste quando, de repente: Pow!! Crash!! Boom!! e os restos do carro (e de mim) são envolvidos numa nuvem fumegante...

Meu sangue se esvai rapidamente, escorrendo pelo acostamento. A minha vista vai ficando escura. É o fim. Mas o rádio ainda está funcionando e meus últimos suspiros acontecem enquanto "Copacabana", do Barry Manilow, serve de trilha sonora para a minha passagem para o além. "Her name was Lola, she was a showgirl," etc., enquanto a minha essência se vai.

Mas que maneira intolerável e indigna de morrer! Com o "Fatal Auto Collision Song", um dispositivo de som é instalado no seu veículo. Quando uma quantidade insuportável de danos acontece com o carro, o sistema cancela o rádio e toca a música que você prefere ouvir em seu leito de morte.

Die Cousins und die Fürher

2002-12-09 12:29:00 +0000

Comentário de um colega de serviço que ouviu o CD dos Bit Cousins:

- Esse CD é pra ser usado de tática nazista!

Entendi tanto quanto vocês, então pedi maiores explicações:

- É porque quando você tiver com o cara e ele não quiser falar você fala: "ou você confessa ou nós vamos botar esse CD aqui pra você ouvir!!"

"Congratulations, on a job well done!"

2002-12-06 03:27:00 +0000

Ok...

Eu estou aqui fazendo meu remix de músicas do Starfox (o excelente jogo, pra Super NES)... quando chego numa sequência de notas maluca. "Tá, vou ter que copiar no ouvido para o Reason, pensei. Só que não dei "play" de novo pra ir copiando nota por nota não, fui no Reason direto e, no instinto, botei as 12 notas duma vezada só. O resultado foi a escala maluca copiada, de primeira, sem erros.

Me desculpem, mas essa foi foda.

Tri-oportunistas

2002-11-12 12:43:00 +0000

Li aqui. Ouvi "Já sei namorar" no rádio e quase tive um ataque epilético, agora estou vendo que o disco todo é convulsionante:

Fica difícil eleger o ponto mais baixo de "Os tribalistas" mas, a começar pelo título, "Mary Cristo" é uma das favoritas. Marisa faz pose de Elizeth Cardoso mas deixaria Sandy envergonhada com "Já nasceu o Deus menino/E as vaquinhas vão mugindo/Blim blom, blim, blom". Tá certo, é para ser singelo, delicado, mas no verso seguinte vem o toque trocadilhesco: "Blim blom nylon". Sacaram? E mais singeleza: "Carneirinho me dá lã, mé/Passarinhos de manhã, né". Uma beleza no mesmo modelito inocência de "Velha infância", romantismo da complexidade de "Amor I love you": "Você é assim/Um sonho pra mim/Quero te encher de beijos/Eu penso em você/Desde o amanhecer/Até quando me deito". Pelo menos pouparam o velho Eça de Queiroz.

Disco bom é isso aí. Notaram também os jabás nos Submarinos da vida e o timing do lançamento né, pertinho do natal...

Aserejé = I said a Hip

2002-11-07 19:47:00 +0000

Rapper's Delight, do Sugar Hill Gang, música de 1979, é a origem do refrão nonsense de Aserejé, a letra que não quer dizer nada. Uma das cantoras do grupo, Pilar, explicou tudo numa entrevista ao portal Terra espanhol:

"Aserejé" não quer dizer nada. Vem da música "Rapper's Delight", do Sugar Hill Gang e [a música Aserejé] conta a história de Diego, que é um "rumbero" que vai numa discoteca e escuta a música e, como não sabe a letra, inventa e canta "Aserejé..." e todo o restante"

Entendeu? A letra de Rapper's Delight é assim:

I said a hip hop the hippie the hippie
to the hip hip hop, a you dont stop
the rock it to the bang bang boogie say up jumped the boogie
to the rhythm of the boogie, the beat

Diego não sabia inglês e "I said a Hip" virou "Aserejé"...

Vi isso aí numa matéria tosca num site, falando que já tão acusando (demorou) Aserejé de ser uma música com letra satânica.

Carlinhos Não!

2002-11-05 02:45:00 +0000

Aquele lance dos alunos trazerem músicas pra aula de Spinning não está sendo uma boa idéia...

Hoje eu fui obrigado a pedalar ao som de Carlinhos Brown... e não podia ser outra música, tinha que ser aquela inédita, "A Namorada". Todo mundo adorou (não, eu não sou todo mundo). E no refrão, em vez de "A namorada!", eu era obrigado a ouvir o professor gritando "Aumenta a carga!"

Mas não posso falar mal não. Afinal, Carlinhos foi um "divisor de águas" no Rock in Rio. Aquele foi um momento "Carlinhos Drown"... meu Deus, segura os trocadilhos.

Blue Monday que virou Sunny Day

2002-11-05 02:26:00 +0000

Tearing in my Heart, do Sunny Day Real Estate.

Eu tava aqui, me sentindo o pior dos piores, e entra essa música no playlist do meu Winamp... e de repente eu descubro que era exatamente esse o remédio que eu tava precisando.

Sei lá, toda vez que eu tou mal e essa música toca é como se alguém me desse um tabefe na cara e falasse: "Ou, Deus existe, olha só". Aí entra a guitarra... :)

Dubbing the Spinning

2002-11-01 19:09:00 +0000

Na ultima semana, o professor de spinning combinou que cada aluno iria trazer uma musica pra aula. Hoje foi a minha vez...
Logo que a aula começa, o professor taca aquela musica manjadissima do Lulu Santos: "Garoto eu vou pra california..." e, para meu espanto, a turma toda começou a cantar junto, como se aquilo fosse a coisa mais legal do mundo.
Acho que nao foi uma boa ideia trazer Asian Dub Foundation pra essa aula...

Música de Rua

2002-10-30 19:19:00 +0000

Ah, droga, agora eu vou querer comprar um Pocket PC...

Esse aí em cima é o Griff, estúdio musical portátil...

Cell Blogging

2002-10-26 05:19:00 +0000

Como é que as pessoas ainda näo enjoaram daquelas musicas manjadas do Dire Straits, Doors, Pink Floyd? Hoje eu ouvi uma na hora do almoço, me rendeu enjoamento pros proximos seis meses!

Frases

2002-10-22 00:54:00 +0000

"Todo músico erudito deveria ir aos ensaios de escola de samba ou ouvir música eletrônica. O conceito da forma é o mesmo para Beethoven ou Van Halen"

(Carlos Moreno, regente da Orquestra Sinfônica da USP) - vi na Istoé.

Ah, que bom, não sou só eu que acho isso.

Show Hurtmold + Postal, as fotos

2002-10-21 03:10:00 +0000

Reservei este domingo para fazer uma coisa bem legal: ir ver as bandas Hurtmold (SP) os amigos da banda Postal (MG) tocarem no Kolméia, em Sete Lagoas, terra natal do primo Luiz, do meu pai e dos caras do Postal.

O Kolméia é um espaço cultural alternativo heróico de Sete Lagoas, como pudemos constatar. O lugar foi idéia de um casal de mulheres, uma largou a advocacia e outra largou o emprego no Banco do Brasil para "fazer o que gostam". O lugar é uma casa colorida, decorada com artesanato, pinturas feitas em cartazes de videolocadora, trabalhos manuais feitos em papel marché e material reciclado.

Eu e Bethânia acabamos chegando cedo (ou seja, no horário marcado pro início do show) e ficamos panguando por umas duas horas até a barulhada começar. Até lá, foram chegando os caras do Postal e o resto dos amigos. Inclusive finalmente fiquei conhecendo algumas pessoas que eu só via em foto (alguns Biribeiros), as lendárias namoradas de Papel e Wdeson e a segunda metade do fâ-clube dos Cousins, que também (provavelmente) é leitora desse blog: Nathália.

Luiz seria o "DJ" da festa, ia botar um som pra rolar entre as bandas. Mas como só tinha um CD Player, acabou sendo apelidado de DJ "Autoplay" e só deixou alguns CDs rolando. Por sinal, isso acabou aumentando muito a minha curiosidade de ouvir jazz direito...

Mas vamos ao show propriamente dito: Quem começou tocando foram os caras do Hurtmold. O show, pra mim, foi surpreendente de uma forma que pode ser resumida pela segunte frase: Até Bethânia gostou. Difícil dizer por quê que Hurtmold é bom, não sei se é a técnica, não sei se é a criatividade ou o uso de instrumentos diferentes, mas sei que o resultado é um instrumental genial.

Na sequência vieram os caras do Postal, que antes era Postal Oitenta que antes era Postal 80. Mas isso não vem ao caso. O caso é que o som deles está beeem diferente dos primeiros shows. A guitarra de Wdeson, quando dá aquele acorde com sétima que mais parece um rosnado, praticamente assina o som da banda. Wenderson é a "energia", nos vocais (que estão melhores) e no baixo. Papel, o "líder" da banda, toca sério e firme igual uma pedra. Mas a tosse ainda não passou...

No fim das contas foi um belo final de domingo, um sol da hora e música da melhor qualidade...

Jagged Little Chinese Food

2002-10-02 04:25:00 +0000

Hoje pedi comida chinesa no almoço. No pacote onde vinha meu prato descartável, notei algo estranho escrito...

São nomes de discos da Alanis Morrisette. Quem escreveu isso lá? É um enigma? Sei lá. Mas o pior ainda está por vir.

Toda vez que eu olho pro prato, automaticamente a Alanis começa a cantar "Uninvited" na minha cabeça. É aquela música, lenta, que ela fica falando "That I would be good...". E o pior é o porquê dessa música vir na minha cabeça.

É que minha irmã foi no show de Sandy e Júnior que teve esses dias aqui em BH e me contou que a Sandy cantou "Uninvited" no show e, segundo ela, "foi lindo". Aí a maldita música ficou na minha cabeça. É quase tão ruim quanto o dia em que a vinheta de um programa chamado "Momento Jazz" ficou 12 horas ininterruptas repetindo na minha cabeça.

Pequena Seleção de Frases imbecis/malucas/desconexas encontradas na música pop/pagode/axé atual

2002-09-23 21:42:00 +0000

"O fogo é fogo, esquenta..." (Araketu)
"Diz povão Senegal região" (da música Canto para o Senegal)
"Meu amor, nosso amor dá 40 graus de febre" (Twister)
"Controlo o calendário sem utilizar as mãos" (Claudinho e Buchecha, na música Só Love)
"Boto a mão no bolo pra comemorar" (Art Popular, música Amor de Matar)
"O que é imortal não morre no final" (Sandy e Junior)
"Timbalada é semente de um novo dia, nordeste sofrimento povo lutador" (Timbalada)
"Filosofia é a sua terapia/Fica na dela, não gosta de agonia" (TerraSamba)
"E desce no compasso da manteiga" (TerraSamba)
"Excita meu corpo a razão de existir" (TerraSamba)
"Isso é magnífico mãe!" (É o Tcham)

Sabe quem ganhou a luta contra os hackers? Bon Jovi!

2002-09-20 12:58:00 +0000

Deu numa matéria da Wired sobre a proteção antipirataria do CD do Bon Jovi!

Basicamente, o esquema é botar um número dentro da caixinha do CD que, usado no site da banda, dá acesso a features exclusivos, como preferência em ingressos e músicas inéditas. A idéia é fazer com que quem copie o CD ou baixe as músicas fique em desvantagem em relação aos que compraram o CD e tem acesso aos lances exclusivos. E o método é perfeitamente seguro, sabe por quê?

Primeiro, nenhum hacker vai se animar a fazer um keygen para gerar esses números, porque nenhum se interessa pelo Bon Jovi. Segundo, o conteúdo exclusivo, as músicas e tal, também não interessam aos hackers. Basicamente, conforme a própria matéria diz, "Esse é um esquema relativamente seguro, já que o prêmio não é assim tão valioso".

Die Piraten

2002-09-19 19:15:00 +0000

Hoje eu tou rindo de toda a imbecilidade do B3ta...

Loneliness is cleaniness

2002-09-09 21:30:00 +0000

Luiz Otávio realmente me conhece. Apareceu rapidinho no ICQ e me mandou o seguinte:

"Ae, o guia q estavamos procurando...hehehe:
http://www.screamyell.com.br/mais/desaparecendo.htm"

Pois é... cara, se tem uma coisa que eu preciso, mas preciso MESMO e se eu não fizer vou ficando cada vez mais ranzinza e irritadiço com o tempo, é ficar sozinho. Não que eu ache os outros uns "inferiores pestilentos", mas é que, pô, ficar sozinho é muito do caralho.

????Samba

2002-08-23 12:29:00 +0000

Eu me lembro de ficar fazendo piadinha com esses nomes de grupo de pagode que sempre terminam em "samba", como "Gerasamba", "Exaltasamba"...

Falava que daqui a pouco iam aparecer outros nomes mais ridículos, tipo "Configurasamba" ou "Desgrasamba".

Aí hoje no rádio, ouço que sábado vai ter um show com a incrível banda chamada... Interrogassamba...

E minha piada subitamente tornou-se profética.

Cantores que precisam de tratamento fonoaudiológico

2002-08-07 14:55:00 +0000

Mais uma da série, pois são tantos...

Shakira - Shakira é uma daquelas cantoras "versáteis", com uns cinco jeitos diferentes de cantar: ora anasalado, ora agudo, ora suave, etc. Nenhum deles é bom. E o pior é que ela parece DJ de voz e fica misturando tudo o tempo todo ininterruptamente, e fica parecendo que o que ela está tentando fazer é conter um alien que está atravessado no meio do pescoço dela, tamanho o malabarismo vocal.

Britney Spears - Eu, sinceramente, tenho pena da Britney pelo fato da imprensa cair em cima dela igual urubu em carniça. Qualquer coisa é motivo pra escárnio. Se ela vai numa boate e peida, vira notícia de capa do The Sun inglês... mas concentremo-nos na voz: é um problema parecido com o da Shakira, mas no caso da Britney, está mais para o fato de que ela, como cantado por ela mesma, é "not a girl, not yet a woman". A indefinição fica na voz. E aqueles gemidinhos, faça-me o favor!

Paulo Ricardo - Sim, ele voltou dos mortos junto com o RPM. Pelo que pude ouvir do acústico, Paulo Ricardo gravou os seus vocais de dentro do banheiro. A voz "esforçada" dele parece de quem está (desculpe o termo) cagando. Bom, pelo menos os azulejos dão um reverb legal na voz...

Cantores que precisam de tratamento fonoaudiológico

2002-07-26 21:00:00 +0000

Anderson (do grupo Molejo) - Esse não podia faltar de jeito nenhum. Anderson tem um sério problema na garganta que faz com que sua voz fique extremamente metálica, anasalada e totalmente insuportável. Além disso, ele também tem um sério problema de fonética, provavelmente causado por aquele dente encavalado, que torna a pronúncia de algumas palavras um verdadeiro desafio, principalmente para o cérebro de um pagodeiro...

Cássia Eller - Bom, essa história de ser gilete dá uma mistura meio caótica de testosterona e estrogênio, fazendo com que uma pessoa de sexo indefinido acabe ficando indefinida até na voz; sou homem? Mulher? Botinha? Gilete? Enquanto nada é decidido, a voz fica lá, meio rouca, meio aguda, meio grave, meia-boca...

Cantores que precisam de tratamento fonoaudiológico

2002-07-24 13:27:00 +0000

Mais uma série no Primo!

Hoje teremos três excelentes amostras de cantores seriamente doentes:

Shaggy - Shaggy é um caso típico de "adenóide", por isso fala tudo com um tom anasalado altamente irritante. Além do mais, alguém que canta coisas como "Da Mista Lóva Lóva" e "Oh uôna shô da neichon má aphrischiêichon", quando não está dando gemidos completamente incompreensíveis, tem um sério problema de dicção.

Macy Gray - Macy mostra que pessoas com uma voz que só pode ser definida como "voz de véia rouca de 80 anos sem dentes e no meio de uma crise de amigdalite" pode fazer muito sucesso. O mais legal é que quando ela arrisca uns agudos e a voz falha, isso é tido como o "estilo" dela. Ah, faça-me o favor!!!

Bee Gees - Esta banda dos irmãos Gibb descobriu uma técnica vocal chamada falsetto, o nosso "falsete", e evoluíram-na até uma forma avançada e altamente elaborada. Chama-se "falsa". Tenha dó: qualquer menino de sete anos fazendo voz de mulherzinha para zoar os amigos canta melhor que os irmãos Gibb.

Ant's Ass

2002-07-18 21:02:00 +0000

Estressado com o trabalho, resolvo ir até o pátio externo da empresa, para tomar um ar.

De repente, alguém num prédio vizinho liga o som no último volume. A música: Forró. A letra:

"Você tem o remédio que me cura,
Bundinha de tanajura..."

E subitamente me deu uma vontade louca de voltar a trabalhar.

Jesus Cristo, como eu sou nerd.

2002-07-03 01:36:00 +0000

ou: o primeiro post da história dos blogs que precisa de glossário

Hoje cheguei em casa e entrei no Reason(1), abri velhos trabalhos ainda pela metade para brincar um pouco com eles. Descobri uma coisa legal e óbvia: basta ligar dois EQs paramétricos (2) em série para conseguir quatro bandas de equalização, fácil. Usei isso numa linha melódica sampleada do Boy Scout(3) pra evitar um pouco de cancelamento de fase(4). Daí, resolvi abrir outra música para mexer, lasquei o dedo no "Play" e fui ouvindo.

Quando o som do baixo entrou, alguma coisa tava dando overload(5) no baixo. Só que o overload era TÃO alto que o chiado resultante cobria a música inteira. E isso acontecia periodicamente, então, desconfiei dos LFOs(6) do Subtractor(7). Diminuí todos e o chiado não parou. E o engraçado é que quando eu parava tudo, o Subtractor continuava soando... dava pra ver no VU(8). Diminuí o release do envelope ADSR(9) e o VU apagou.

Achando que o problema tinha resolvido, dei play de novo, e o mesmo overload. Olhei pras duas formas de onda do oscilador(10), que eram duas ondas quadradas iguais, e me ocorreu um palpite: se as duas estiverem fora de fase, elas podem se cancelar ou dobrar a amplitude(11) com o tempo. Só pode ser isso!! Botei as duas em fase e o problema acabou.

Estranhei, porque antes isso não tinha acontecido com a música. Mas deixei pra lá: "Deve ser esse driver ASIO(12) novo que instalei", imaginava. Aí, abri outra música, e lá estava o problema novamente. "Não é possível, só pode ser o driver", pensei. Configurei o Reason para usar o driver DirectX(13) em vez do ASIO e, tcharam, o problema sumiu. Revoltei, abri o painel de controle do driver e fui direto no DSP(14). É um saco configurar a parte de DSP do driver, porque você tem que conectar tudo manualmente....

Desconectei uma ou duas linhas de gravação ASIO 7e voltei a testar, mas o chiado não sumiu. Já estava quase desistindo quando, num milagre da natureza, lembrei de uma coisa: No dia anterior, eu havia mexido no roteador ASIO(15) do driver, para tentar usar o microfone em tempo real com um vocoder(16) fodasso de 80 bandas que baixei para usar com o Buzz(17), e lembro de ter aumentado, no primeiro barramento(18) ASIO, o controle de effect return(19). Fui lá, abaixei o controle e não só o chiado sumiu como o som geral ficou maravilhosamente mais claro!!

Então, entendi tudo o que aconteceu... como o Reason estava usando o ASIO, e o canal ASIO estava com o efeito ligado, o sinal de áudio do Reason, em determinados momentos, sobrecarregava o efeito do driver (provavelmente um reverb(20) básico), dando overload em todo o som do computador. Era isso!!! Respirei feliz, e continuei a trabalhar...

Até que parei e pensei: "Peraí. Eu acabei de ficar feliz com meu driver ASIO. De novo".

E então, estou aqui, escrevendo este post.

Glossário:
1 - Reason é um programa de composição musical da Propellerheads, usado geralmente em música eletrônica
2 - EQ vem de Equalizador, aparelho usado para amplificar/reduzir bandas de frequência de um som
3 - Boy Scout é um emulador do chip de som do videogame Game Boy
4- Cancelamento de fase acontece quando dois sons (duas ondas sonoras) de instrumentos diferentes oscilam em frequências iguais, cancelando-se mutuamente e "emudecendo" um pouco do som.
5 - Overload é "sobrecarga" de alguma coisa. É como se, por exemplo, você tentasse botar 250 de volume num som que só aguenta 100. É aquela chiadeira de volume muito alto.
6 - LFO é Low Frequency Oscillator, ou seja, oscilador (vide 10) de baixa frequência. É um gerador de ondas de baixa frequência, que não são audíveis mas servem para controlar efeitos, filtros, volume, etc., com o passar do tempo e de maneira periódica.
7 - Subtractor é o nome de um componente do Reason (vide 1). O Subtractor é um sintetizador virtual.
8 - VU é aquela fileirinha de luzinhas verdes e vermelhas que fica piscando no seu som, geralmente no ritmo da música. Indicam a amplitude ("volume") do sinal de áudio.
9 - ADSR é "Attack" (ataque), "Decay" (diminuição), "Sustain" (sustentação) e "Release" (liberação). São parâmetros de controle do volume de um som. O "release" controla o tempo que o som demora até sumir, a partir de quando liberamos a tecla que o produziu.
10 - Oscilador é um componente eletrônico que produz uma onda sonora.
11 - Amplitude é a "altura" de uma onda sonora, a distância do seu "pico" até o seu "vale"
12 - ASIO é a sigla para Audio Stream Input Output (Entrada/Saída de Fluxo de Áudio), é um padrão avançado para controle de placas de som profissionais em tempo real.
13 - DirectX é um padrão da Microsoft de controle de placas multimídia (som, vídeo, etc). Não é "tempo real" como o ASIO, mas quebra o galho para jogos e aplicações não-profissionais.
14 - DSP é sigla para Digital Signal Processing, ou seja, Processamento Digital de Sinal. No driver ASIO que eu estou usando, o DSP é onde se programam parâmetros e efeitos nativos da minha placa de som.
15 - Roteador ASIO - Parte do driver ASIO que indica para qual barramento ASIO (vide 18) vai cada tipo de sinal sonoro.
16 - Vocoder é um aparelho famoso que distorce a voz humana, fazendo com que ela pareça com aquelas vozes robotizadas que tem aparecido muito nessas musiquinhas dance farofa atuais.
17 - Buzz é um excelente programa modular de composição musical, disponível na Internet, com mais de 200 máquinas (componentes de áudio) diferentes e totalmente de grátis!
18 - Barramento ASIO é um conjunto de "vias" por onde pode-se rotear sinal de áudio, para, por exemplo, aplicar efeitos separadamente, etc.
19 - Effect Return, retorno de efeito, controla a quantidade de som alterado pelo efeito que é inserida de volta no barramento
20 - Reverb (reverberação) é aquilo que faz com que você cante bem no banheiro: os azulejos fazem com que o som "rebata" nas paredes, preenchendo o ambiente. Esse bate-bate do som é a reverberação. Em música, é usado como efeito para enriquecer e ambientar alguns sons.

Odeio você, mas não te conheço

2002-06-24 03:33:00 +0000

Acabei de ler num email de uma lista de discussão, sobre o fim do Audiogalaxy:

Enfim, só tenho uma coisa a dizer, assim como dizem em todos os fóruns em sites de netradios: FUCK THE RIAA! (mas quem é RIAA?)

É foda.

Nomes de música que... LOL

2002-06-23 22:05:00 +0000

Anal Cunt - You Converted to judaism so a guy would touch your dick.mp3

Tem no Kazaa (já que o Audiogalaxy morreu)

Sonic Youth, 200mg

2002-06-14 18:16:00 +0000

Como eu sou burro.

Sonic Youth é a cura para todos os meus males...

Sugestões Musicais de Zé

2002-06-11 03:40:00 +0000

Cheias de links, pro seu dedo nervoso quietar o facho.

Aos que gostam de IDM (aaalguééém?), vai no Audiogalaxy e baixe "Cex - Theme Song to Cex". Nunca ouvi algo tão bem mixado e masterizado. É um pudim de leite condensado no seu ouvido.

Ou, se quiserem ouvir uma música que dá medo... tou falando sério, medo LITERALMENTE, ouçam "Nurse with wound - Spooky Loop". Não sei como fizeram isso, mas eu dou play na música e 30 segundos depois eu estou LITERALMENTE assustado.

Para um momento "Videogame-Retrô", baixem qualquer música do Aegis ou Scania. As músicas são feitas com um programa chamado Boy Scout, que é um emulador do chip de som do Game Boy.

Se vocês tiverem curiosidade de tentar entender por que é que eu gosto tanto de techno, baixem 2 músicas que são a nata da coisa: "Wicked Switch A2" do Jamie Bissmire e/ou "Los Hijos Del Sol" de Tomaz vs Filterheads. Essa última é um techno porradão que no meio me aparece com um sample de samba, as baianas gritando "São os devotos do samba / quero ver muito samba". Isso sim dá aquela vontade irresistível de mexer a bunda.

Para um techno mais "audível" [:)], "Paranoid Dancer" do Johannes Heil é uma bomba de encher pista. E não é "esteticamente desafiante", é fácil de ouvir e tudo.

Fugindo do eletrônico, temos a banda Tristeza. Não sei como chamo isso, acho que é "rock melódico". Tudo instrumental. "A little distance" é tão linda, mas tão linda, que dá vontade de botar no repeat do Winamp para todo o sempre.

A Saga da Vinheta

2002-06-02 16:59:00 +0000

Minha namorada, que estuda Jornalismo, me pediu para compor uma vinheta de abertura para um trabalho de Tevê que ela está fazendo na faculdade. É para um programa que se chama "Um Canto da História", e fala sobre música e as histórias que ela conta.

Daí, usando o Reason, compus a primeira tentativa: uma batidinha "two step" com uma melodia de cravo (!!) por cima. Ficou ruim, muito ruim. Os timbres eram muito artificiais. Joguei esta tentativa no lixo, peguei o violão.

Usando a incrível técnica profissional de gravação chamada "jogue um microfone tosco de kit multimídia dentro da caixa do violão e toque", gravei alguns acordes e apliquei por cima da mesma batidinha. Aí, ficou mais ou menos, o violão ficou meio amador, mas dava pro gasto. Mas mesmo assim, faltava energia, aquela coisa que faz você ouvir e falar "putz que musiquinha legal".

Já estava faltando inspiração quando, por um impulso derradeiro (bonito isso né), resolvi aproveitar um kit de percussão que havia feito para outra música. Daí, achei um baixo muito legal para acompanhar e usei um sample de guitarra muito bom, do próprio Reason, para fazer uma melodia. "Uau, essa ficou legal", pensei. Principalmente o "tema" no qual a linha do baixo se baseia.

Daí, pensei: "Para o comecinho da música, eu vou colocar esse mesmo tema, mas tocado pelo som de violão, e um pouco mais devagar". Copiei as notas do baixo para o violão, ajustei os tempos, e apertei "Play".

E, para meu desespero, ouvi a mesma melodia de "Go, go, Power Rangers".

Só aí eu percebi que meu tema tinha EXATAMENTE as mesmas notas....

As Seis Máquinas do Apocalipse...

2002-05-24 21:34:00 +0000

Nesse link:

http://www.wired.com/wired/archive/10.05/blackbox.html?pg=2&topic=&topic_set=

A história das seis máquinas que mudaram a história da música:

Roland TB-303: Originalmente feita para simular um baixo eletrônico e ajudar os guitarristas solitários da década de 70 a ensaiar, mas como o som era muito diferente do baixo real, a Roland parou de produzir 303s. Um belo dia, Earl Smith comprou uma 303 de segunda mão e seu colega, Nathaniel Jones, brincava com ela quando começou a mexer nos botões enquanto a "bassline" era reproduzida. O som era retorcido de doer o ouvido. Smith gritava: "Não pára! Não pára!". Não parou, e nasceu o Acid House.

Roland TR-808: Uma bateria eletrônica que acabou perdendo mercado para uma concorrente que usava samples em vez de síntese para gerar os timbres. Mas ganhava espaço entre o hip hop. Um dia, Arthur Baker e Afrika Bambaataa gravaram "Planet Rock", o single mais influente na história do techno, electro e hip hop.

Toca-discos Technics SL-1200: Moby diz que "A Technics 1200 é a única pick-up". Construída para durar, com vendas iniciando em 1973, começou a ser "criativamente mal utilizada" por DJs de hip-hop: nascia o scratch.

Teclado Nord Lead 1 e equalizador Amek System 9098: Essa é demais: Em 1995, Derrick May estava preparando a trilha do jogo Ghost In The Shell, para Playstation, e trabalhava na faixa intitulada "To Be or Not to Be". Tentando criar um efeito de phasing, Derrick aumentou tanto a amplitude de alguns dos sinais que eles saíram de sincronia com o resto. O resultado final (pasmem), não podia ser gravado para uma master de vinil, pois a defasagem do sinal era tão absurda que a agulha do mastering queimava.

Sampler Akai S950: DJ Shadow foi o pioneiro na utilização do Akai para sobrepor samples, em vez de simplesmente tocá-los um "ao lado" do outro. Mas outra lenda interessante é a da criação da faixa "Don't Laugh", de Josh Wink. Depois de 2 dias discotecando sem parar, e com um total de 3 horas de sono, Josh entra para o estúdio. Com os miolos em frangalhos, tudo o que Josh conseguia fazer era rir. Daí, ele sampleou a própria risada e estava adicionando ritmo com uma 909 quando, por acidente, transpôs o tom da sua voz sampleada no Akai para uma oitava abaixo. O erro virou acerto: "Pô, ficou legal", disse ele.

Mondo (yet) Bizarro

2002-05-24 19:48:00 +0000

Tive a conversa mais underground do mundo sobre música aqui na sala... me perguntaram o que eu gostava de ouvir. E enquanto eu respondia Tortoise, The Sea and Cake, Jeff Mills, Kid 606, as caras iam ficando cada vez mais perplexas. Até que uma colega disse:

- Credo, Tinoco, não conheço nada disso... cê já ouviu Oktoberfest?

Dois segundos de silêncio, e depois todo mundo caiu na gargalhada. Enquanto isso, a dona do Oktoberfest tentava explicar que era um CD que o namorado dela comprou por 50 reais, e a banda chama-se Oktober Project, ou algo assim. E no fim, quando eu tentava falar de alguma banda que ela também conhecesse, falei:

- Bom... você já deve ter ouvido falar num quarteto alemão dos anos 70, chamado Kraftwerk...

Aí, de repente, uma senhora, mãe de família, daquelas com cara de quem faz broa de fubá ouvindo Zeca Pagodinho todo domingo, e trabalha aqui na sala, a mais improvável do mundo de conhecer Kraftwerk, e que estava caladinha durante toda essa conversa, sorriu até a orelha e falou:

- Nóóó!! Kraftwerk é bom demais, conheço demais!!

Eletronika Telemig Celular - Dia 3

2002-05-19 17:48:00 +0000

O dia 3 foi, de longe, o mais cheio do Eletrônika. Os shows começaram do outro lado do parque, no Laboratório Eletrônika, com pexbaA. Chegamos no final do show e só ouvimos umas 3 músicas. Mas o que ouvimos foram as maluquices do vocalista, cantando como o Scooby Doo, e muita coisa jazzística no meio. É um show denso, mas legal!

Na sequência, uma banda que me surpreendeu: Cidadão Instigado. Cearenses e paulistas tocando guitarra, zabumba, teclado, triângulo, Drum'n Bass, Baião, Rock e o escambau. Nunca tinha visto uma mistura tão bem feita e ao mesmo tempo tão brasileira. O vocalista/guitarrista/tecladista, Fernando Catatau (se não me engano), era o emulador de toda a música da banda: gritava, se contorcia, dava tapas no tecladinho Roland, produzindo sons ora bizarros, ora guturais, ora espaciais. Tudo com muita carga emocional. Pontos, muitos pontos para o Cidadão Instigado.

Saímos do laboratório esperando encontrar, segundo o horário, Patrícia Marx tocando ali ao lado, na "Plataforma Eletronika". Só que não tinha NINGUÉM lá, havia um DJ desconhecido tocando tech-house para as árvores... mais tarde esse espaço foi desativado e alguns shows passaram para o palco principal. E falando nele, depois de uma espera (!!) pra entrar, Filipe Foratini inaugurou a noite no Teatro Francisco Nunes. Belíssimo set, um house empolgante mixado com técnica. No final, tiveram que avisar o Fillipe que era hora de sair: foi engraçado vê-lo esmolando mais uma ou duas músicas com a produção, e apelando por não ter conseguido... Aí, eu e Luiz fomos tomar um ar e beber alguma coisa lá fora. Uns 10 minutos depois, olhamos para o telão e lá, a surpresa: o show de Patrícia Marx havia começado, dentro do teatro. Olhamos um para o outro: "Temos que ir pra lá AGORA!".

Existem shows bons, shows ruins e shows que estão tão fora dessa gradação que são divertidos. Foi o caso de Patrícia Marx, tocando para um teatro até mais cheio do que imaginei. A música pop farofa, o visual da Patrícia, a iluminação e a banda politicamente correta me davam a nítida impressão de que eu estava no Domingão do Faustão. Ou no programa do Gugu. A platéia assistia, meio que em posição de respeito, afinal acho que ninguém avisou à Patrícia que ela era o peixe mais fora d'água que se podia imaginar. Detalhe: Na platéia havia UMA pessoa que sabia as letras das músicas: era o marido da cantora...

Depois de outra pausa para um caldo de mandioca (morno, mas gostoso), fomos visitar o espaço do Eletronika Parque. Lá, 2 DJs socavam Drum'n Bass para um público com idade média de 17 anos... os DJs eram Kowalsky (acho) e mais alguém: a programação estava tão confusa que eu não consegui mais saber quem tocou no Eletronika Parque. Luiz não se convenceu do som, eu achei normal, e só. A molecada pulava e gritava empolgadíssima a cada besteirinha que os DJs faziam. Na segunda vez que entramos no Parque, rolava mais Drum'n Bass pelas mãos de outro DJ desconhecido (provavelmente Technozoide), com uma cantora chinfrim. Um pouquinho mais de luz e eu estaria novamente no Domingão. Destaque para as letras das músicas: simplesmente horríveis. Não convenceu.

De volta ao Eletronika Clube, lá estava Renato Lopes, despejando tech-house e apenas tech-house no teatro lotado. Luiz disse, no final, que Renato "não ousou", e eu concordo. Houveram momentos bons no set, o público gritava e balançava, apesar do calor, mas Renato limitou-se a apenas fazer o seu trabalho, sem muita inovação. Foi bom, mas só. Até que surge no palco o DJ Marky, cumprimentando o DJ. A platéia ficou desesperadamente empolgada só com a presença do negão. E eu, que estava aguardando esse momento desde a quinta feira, pensei comigo: "Lá vem bomba..."

E então, entra Marky... e, para descrever o que rolou, eu vou ter que usar um palavrão: Putaquepariu... fazendo um trocadilho horrível para explicar o tanto que o cara e bom, digamos que o Marky é o Pelé, o Kasparov, o Schumacher das pick-ups. É chover no molhado falar que a técnica dele é foda e tal, mas eu vou falar de novo, porque a técnica dele não é apenas foda. É impressionante. Todas as passagens foram, no mínimo, surpreendentes. Um detalhe que me deixou embasbacado: Marky conhece CADA CENTÍMETRO de seus discos, cada letra, cada momento onde acontece um blip ou um tóing diferente nas músicas. As que tinham vocal eram cantadas por um marky Empolgadíssimo, pulando igual pipoca em frente o público desesperadamente empolgado. Marky tocava piano no ar, socava o espaço vazio no ritmo da música, era sincronizado até nas coreografias. Por sinal, metade da empolgação dos sets de Marky vem dele: ele está permanentemente sorrindo, pulando, chacoalhando com a música. E o público responde a cada mexida que ele dá, mesmo que não seja nas pickups. Em relação ao set, Marky alternava entre o DnB mais jazzy, com vocal, e faixas mais pesadas, com um baixo destruidor que ele adorava fuxicar com o mixer, para delírio do povo. Nem precisa dizer que Marky foi o homem da noite né...

Na sequência, Renato Cohen assumiu as pickups, com "Ponta pé" de primeira música. Cohen é realmente perfeccionista: mexia o tempo todo no 'pitch' para certificar que a mixagem ia ficar impecável. E ficava... eu vi pouco do show, estava muito cansado pra continuar de pé, mas o que vi me agradou demais. Queria ter tido mais bateria para continuar e ver Anderson Noise, mais tarde. Eu tento ver o Noise desde o segundo Eletrônica, mas nunca dá.

Em resumo, o dia foi excelente, exceto pela lotação do teatro, desorganização quanto ao local dos eventos, e ao meu carro, que foi arrombado na Rua da Bahia, ao lado do parque, pra fechar com chave de ouro meus 3 dias de shows. Feliz do ladrão, que levou, entre outras coisas, meu CD do Marky, o Audio Architecture 2, novinho. Além do meu CD player, minha pasta com agenda, chaves, etc...

Eletronika Telemig Celular - Dia 2

2002-05-18 17:50:00 +0000

O dia que prometia muito, cumpriu! Os primeiros shows da noite foram no Laboratório Eletrônika, no Teatro João Seschiatti, que surpreendeu pelo conforto e qualidade do som. A primeira banda, National, se apresentou com A' (edição de vídeo ao vivo). O National faz um som completamente experimental, intimista e minimalista. São blips e tóings e bzzzzs o tempo todo. Sem ritmo, sem notas. Sabe aquelas piadas sobre arte onde as pessoas ficam zoando quando o artista faz uma maluquice incompreensível e os "cults" acham que ele é um gênio? Eu estava me sentindo assim durante o show. Três caras subiram no palco, fizeram barulhinho de coisa estranha, e achei genial. A', responsável pelo telão, fez a primeira edição de vídeo ao vivo que eu achei legal. Nota: No intervalo do show, na banca de CDs da Bizarre (gravadora do National e do Objeto Amarelo), estava o lançamento do National: 9 CDs. E iriam lançar mais 9 em junho. Um deles tinha uma montagem na capa com a foto famosa do "Tourist Guy" no World Trade Center, com a cara do Bin Laden, e embaixo, o título do CD: "Osamba Pede Passagem".

O segundo show foi Objeto Amarelo. Carlos Issa, mentor do projeto, cantava e tocava guitarra, junto com um baixista e um baterista. Na edição de vídeo e nos barulhinhos, a dupla Fêmur. Meu Deus, que show foi aquele! O que ouvi foi um O.A. diferente do que se ouve nos MP3 e nos discos: eram versões "punk rock" das suas músicas eletrônicas. Destaque para as letras curtas e instigantes, como DIX, que a platéia pediu: "A massa cinzenta/pressiona a caixa craniana/E inventamos a cultura". A edição de vídeo também foi legal, outra boa surpresa. Outro destaque para o vocal de Carlos Issa, meio gritado e com todas as letras de todas as palavras, naquele sotaque paulista que até me lembrou o Supla. Belíssima apresentação, muito boa mesmo!

O terceiro show do Laboratório foi Golden Shower. Decepcionante até o fim. Um telão passando vídeos dos anos 80, bonecos quadradões estilo Atari no palco, e só um cara gordo com máscara de coelhinho tocando (pra disfarçar), ora um sampler, ora uma bateria eletrônica. No fundo, playback das músicas, inalteradas. Para uma coisa alardeada como "Golden Shower Experience", a única experiência que tive foi a de ficar com sono vendo clipes da MTV.

Saímos para o Teatro Francisco Nunes para ver Mogwai... que tinha acabado de começar. Bom... putz, não tenho palavras pra descrever o que estava acontecendo no show do Mogwai... Mogwai sim, foi uma experiência! O guitarrista/vocalista principal viajava na guitarra, a banda construía um som leve, minimalista, que você ia absorvendo lentamente... e depois que sua cabeça entrava na música, tudo explodia em distorção e agressividade e era como se tivessem pegado seu cérebro e chacoalhado dentro do crânio. Depois, a calmaria novamente... e a platéia, embasbacada, aplaudia. O vocalista tímido, sorria de lado e dizia "thank you". O som era lindo, ora calmo (até flauta teve), ora agressivo, mas sempre complexo, intenso, emocional. Era uma redenção para nossos ouvidos cansados da mesmice. Entre os "analógicos", Mogwai foi, sem dúvida, a melhor atração do Eletronika até agora. Tive apenas um porém em relação ao show: as músicas eram muito iguais na estrutura de "calmo-intenso-calmo". Mas quem está ligando pra isso?

Depois, meu primo ainda fazia a piada: "Coitado de quem vier depois do Mogwai!". E era o DJ/multiinstrumentista Olaf Hund, que ficou responsável por dar ao público algo interessante depois dessa experiência quase espiritual. E ele conseguiu...

Olaf começou num house comum, depois passou para um house legal e ia se encaminhando para o house realmente interessante. Além da música, era divertido ver aquele alemão magrelo, feio de dar dó, cantarolando e dançando desajeitadamente no palco, empolgadíssimo. E não era só ele. A pista ia enchendo, enchendo... quando me lembrei: ele ia se apresentar com uma trapezista. Aí, a cortina se abre, e uma bela (e musculosa!) alemã começou a fazer truques pendurada em uma corda. A platéia ficou alucinada! Olaf pulava no palco e a trapezista fazia paradas de mão e contorcionismo ao lado do palco. Eu que estava bobinho tirando fotos me assustei quando olhei pro lado e, além de uma pista lotada, vi uns QUINZE fotógrafos clicando desesperadamente a trapezista. A imprensa havia descobrido a atração da noite que merecia destaque nos seus sites/jornais/revistas. Olaf era o melhor entre os "eletrônicos" da noite.

Na sequência veio Kid Loco, um cara conhecido por produzir vários discos bons e meter o pau nos artistas pop franceses, como o Daft Punk. É hilário vê-lo criticar o hit 'One More Time': "Parece música de boate gay... 'one more time', ah, é nessa hora que as barbies se abraçam né...é muito cristão, muito bem intencionado...". Com isso eu esperava que, no mínimo, ele fosse ótimo, já que se achava tão foda pra poder criticar seus colegas franceses. E me surpreendi ao ver um DJ competente, sorridente, interagindo com o público e distribuindo pancada com sua house music. A pista adorou, eu também gostei, ponto para o Olaf.

No Eletrônica Parque, no meio do Olaf/Mogwai, eu vi pedaços do Waterfront House, live set de house ao vivo, que começou com uma pista vazia e terminou com bastante gente empolgada. Depois veio o DJ Robinho, que pegou uma pista já aquecida e administrou a animação com um house competente e empolgante.

E o terceiro dia é o dia de mais loucura com pexbaA e Cidadão Instigado, e dos grandes DJs... Marky, Renato Cohen e Anderson Noise são os mais esperados.

Eletronika Telemig Celular - Dia 1

2002-05-17 20:25:00 +0000

INFRA-ESTRUTURA: Realmente, a utilização do teatro como "club" ficou boa, tem uma arquibancada pro pessoal sentar e um bom espaço pra quem quer dançar. Deu pra ver o espaço do "Eletronika Parque", todo coberto com plástico transparente. Muito legal!

PRODUÇÃO: Um erro horrível: no livreto com a programação do evento não há uma grade dividida por dia, como no site, e as atrações de hoje estão no livreto como se fossem de sexta!! Erro feio.

Mas vamos ao que interessa:

DJ Léo Mille: Perdi, cheguei muito tarde.
Roger Moore e convidados: Uma boa surpresa pra noite! Mistura de DJzice com percussão e guitarra. O show ficou mais para a instrumentação acústica do que para o trabalho do DJ, mas me surpreendeu: som maduro e inteligente. E bem brazuca, mas sem ufanismo. Pela primeira vez eu gostei de um trabalho eletrônico-acústico.

Otto: Quando eu e o Primo entramos de novo no teatro, o show já tinha começado e o teatro subitamente entupiu de gente. O Otto é uma "gracinha" no palco: pergunta se tá tudo bem com a platéia, se o show tá bom, manda um monte de abraços pro pessoal da organização... e canta inspirado, de olho fechado e tudo. O som da banda surpreende: muito bem tocado. Mas o que mais me surpreendeu foi o feedback do público, como se Otto fosse Deus... como se as letras do tipo "pelo engarrafamento eu vejo o mundo/cheio de pessoas e sinais" fossem o ápice de genialidade. Mas o batuque do Otto convenceu, e todos dançaram. Destaque para as músicas "Pelo Engarrafamento" e "Renault/Peugeot" (nessa última eu até animei, tamanha a paulada sonora que eles deram na coisa), e para o baixista que estava IDÊNTICO ao Lenny Kravitz.

Rainer Trüby: Esse foi interessante. Primeiro, logo que o show do Otto terminou, TODO MUNDO saiu, ficou bem pouca gente no teatro quando o Rainer começou a tocar. E ele começou tocando um monte de coisas com influência brasileira, umas neobossas e coisas assim, e a pista só esvaziando. Apesar da cara do Rainer parecer ser a de quem está se lixando pro povo, logo logo a neobossa virou um "breakbeat" diferente, sem NADA brasileiro, e a pista encheu de novo, com direito a gritinhos da platéia e tudo o mais. Uma boa diversão para dançar, mas nada muito surpreendente vindo de um cara tido como um dos melhores do mundo, elogiado por LTJ Bukem, etc.

Kruder e Dorfmeister: A gente só viu o Kruder (ou o Dorfmeister, sei lá). Ele começou tocando uns breaks/house que começaram a ir demais pro lado "JOVEM PAN" da música eletrônica. A platéia adorou, eu e o meu primo ficamos entediadíssimos enquanto sentávamos na arquibancada e víamos a platéia aos gritinhos. A técnica do cara é boa, ele sabe sondar e se corresponder com o público. Pena que o som não foi surpreendente...

No mais, amanhã promete!! Esperem o próximo relato...

Tell me dear... hahahahahahahaha!!!

2002-05-14 23:17:00 +0000

Cara, entra no Audiogalaxy AGORA e digite:

elvis presley starts laughing during song

Baixe a música e descubra por quê eu amo o Audiogalaxy...

Boas Decepções

2002-04-23 12:48:00 +0000

Hoje eu vim para o trabalho ouvindo o disco novo dos Chemical Brothers. Tocava a "Star Guitar", a faixa que, de início, me fez ficar decepcionado com o disco. Mas hoje eu ouvia de novo e a faixa, apesar de decepcionante, atende os objetivos. Nada genial, mas é dançante e tal, fácil de ouvir.

Essas faixas "baba", que qualquer idiota monta com um filter sweep ou um sample mais ácido, coisas que o Daft Punk, por exemplo, adora, são iguais aqueles filmes de ação: o conteúdo é um lixo, mas é gostoso de assistir. E dão dinheiro para a indústria do entretenimento.

Luna é legal

2002-04-22 03:43:00 +0000

Cara, a música "Dear Diary" do Luna é realmente muito boa.

O primo recomenda

2002-04-19 18:16:00 +0000

Inaugurando uma nova seção neste glorioso blog... a seção "O Primo Recomenda". Pra estrear, duas recomendações.

O PRIMO RECOMENDA: DJ Marky - Audio Architecture 2

(Ouça o disco aqui)

Só pra repetir o que todo mundo sabe, o DJ Marky é o melhor DJ de drum'n bass do mundo. A técnica do cara é muito fodassa pra caralho e tudo o mais.

Um exemplo é quando ele foi no Musikaos, programa da TV Cultura, e a agulha de uma das pick-ups quebrou. Marky colocou a agulha (com a capinha) no braço da pick-up mas, em vez de tirar a capinha, colocar um vinil e continuar a tocar, ele começou a fazer scratches com a agulha (ainda na capinha!) contra a superfície de borracha da pick-up. Eu nunca vou me esquecer disso...

Comecei a ouvir o disco cheio de expectativas, por causa do excelente "Audio Architecture 1". Mas o CD começou devagar, com coisas mais jazzy, com vocais, inclusive remix de Jorge Benjor e Toquinho pelo próprio Marky + Xerxes. "Ah, que dureza", pensei, achando que o disco ia pegar "leve" até o final. O remix do Toquinho é legal, vocais trabalhados de forma que eu nunca tinha ouvido antes. Eu gosto de novidades assim. Enquanto isso, ia lendo o encarte, com um texto de um tal Raul Cornejo, babando um ovo desmedido do Marky: "... onde uma seleção cuja perfeição só poderia ser alcançada por alguém com um profundo conhecimento (...) encontra-se com sua perícia técnica que já se tornou sua marca registrada...". Tá, o cara é bom mas não precisa pedir pra casar com ele. Lá pela faixa 4 ou 5 a coisa começou a ficar diferente e o clima foi mudando, ficando menos "analógico"... aí vem coisa boa, pensei. Por aí surgiu a distorção com sub-bass e também a primeira seção de scratches, que são sempre muito legais. O disco seguia interessante, até que veio a faixa 8. "Spaced Invader", de Hatiras vs. J. Majik, foi a redenção.

Eram 6 da tarde, eu tava ouvindo o CD no carro, e eu andava pela Via Expressa quando essa música começou a tocar. Eu fechei os vidros pra ouvir direito e botei o volume no talo, ficou um calor danado, mas eu nem me importava: aquela música era um achado. Era uma bomba! E eu arrepiava e ficava dando pulinhos no banco do carro... aquilo era o clímax do disco, e que clímax...

As faixas seguintes foram descendo a bola, os vocais foram voltando devagar, mas o pau ia comendo. E numa avaliação final, o disco realmente é muito bom, apesar do começo meio estranho. Se você não tá com saco de ouvir tudo, ouça pelo menos a faixa 8. É absurda de boa. O Primo recomenda o disco todo.

O PRIMO RECOMENDA: Unreal Tournament

Na vida tem sempre aquelas dobradinhas de concorrência: UOL versus Terra, Globo versus SBT, Faustão versus Gugu, e por aí vai. Nos FPS (First Person Shooters) a coisa é assim também. O primeiro Unreal surgiu meio que em resposta ao sucesso do Quake 1. Ambos são excelentes jogos. E logo no momento onde o Quake 3 Arena ia se firmando como um clássico do deathmatch, surge o Unreal Tournament.

Basicamente, o Unreal Tournament pegou tudo de bom que o Q3A tem e tornou ainda melhor. As armas vem em maior variedade e tem 2 modos de tiro cada uma, o dano é posicional (tiros na cabeça são mais 'doídos' que tiros na perna, por exemplo), entre outras coisas. Existem também mais modos de jogo do que no Quake, como o Domination, onde o objetivo é capturar e manter "pontos de controle", para ganhar pontos, e o "Assault", onde dois times se alternam para, respectivamente, invadir e defender um local.

Como a alma de um bom FPS é o "Lança Foguetes", o Rocket Launcher do Unreal é uma arma excepcional: Se você segura o botão de tiro, são carregados até 6 foguetes no "barril" da arma. Soltar o botão e ver 6 foguetes voarem em linha rumo a um oponente que sabe que não tem chance de escapar é uma satisfação só. Além disso, se você mantiver a mira sobre alguém por mais de 2 segundos, o foguete fica teleguiado.

Se você achava a BFG-9000 do antigo Doom muito poderosa, espere até conhecer a mãe de todos os lança-foguetes: o Redeemer. Geralmente ele só vem com um míssil, que é mais do que suficiente. O tamanho da explosão do Redeemer é simplesmente enorme, e você consegue matar uns 4 ou 5 oponentes com um tiro bem dado. E você ainda ouve uma agradável voz gritando "M-M-MOONSTER KILL-ILL-ILL!!!".

O Unreal Tournament pode até ser fruto de cópia descarada do Quake 3 Arena, mas que é divertido, ah... isso é. O Primo recomenda.

Alguns nomes de música pop que se adequam muito bem à certos produtos da informática...

2002-04-17 21:13:00 +0000

Norton Personal Firewall: "Overprotected", Britney Spears, ou "Wonderwall", Oasis
Microsoft X-Box: "Play", Jennifer Lopez
Quake 3 Arena: "Crash Boom Bang", Roxette
IBM ViaVoice: "Tell Me", Madonna
Winamp: "Bringin' da noise", N'Sync
Anonymizer.com: "How to disappear completely", Radiohead
Grand Theft Auto: "I Drive Myself Crazy", N'Sync
Windows Solitaire (paciência): "Show me the meaning of being lonely", Backstreet Boys
www.sex.com: "Spice up your life", Spice Girls
ICQ: "Digital Love", Daft Punk

Freak Techno Show

2002-04-15 18:57:00 +0000

Mais uma da Istoé:
"Unir DJs e músicos profissionais ajuda a tornar palatáveis, para ouvidos menos acostumados, a batida metálica e impessoal da música eletrônica. Luiz Eurico Klotz, diretor artístico do Skol Beats, explica: 'Um Caetano Veloso tocando tecno atrai mais atenção do que qualquer DJ gringo discotecando sozinho.'"

Mas é claro. Caetano Veloso tocando techno vai ser tão bizarro que todo mundo vai querer ver.

e-LOL

2002-04-12 13:04:00 +0000

"Agulha, Ambient, Bag, Break, Camiseta, Dance, Drum?n Bass, Eletro, House, Pop e Techno. Esses são apenas alguns estilos de música eletrônica que reinam no universo underground das danceterias do Brasil e do mundo."

(primeira frase de uma matéria do jornal Estado de Minas, caderno de Informática, sobre música eletrônica)

Nunca diga nunca

2002-04-11 12:40:00 +0000

"E é por isso que o Raimundos nunca vai se acabar" - Rodolfo, no primeiro disco da banda

Mas é por isso que eu amo o Audiogalaxy!!

2002-03-27 21:34:00 +0000

Neste link para um grupo sobre techno, a seguinte frase dos administradores do grupo:

"Se você está procurando aquela faixa que ouviu no fim de semana ou uma música que não está no Audiogalaxy, eu e os outros operadores temos grandes coleções de vinil. Apenas coloque uma mensagens no grupo e será um prazer ajudá-lo"

E ainda peguei uma nova user interface pro Satellite. Que Kazaa que nada, Audiogalaxy é o bicho.

Viva Britney Spears! Viva Britney Spears?

2002-03-18 18:54:00 +0000

Eu estava lendo um site (extinto) chamado Quadradinho e pensando: "mas que site lixo, fala mal do disco novo do Trail of Dead e elogia o disco da Britney Spears...
Mas na sequência o anjinho bom da minha consciência falou na orelha esquerda: "Deixa disso. Se você for pensar em pop comercial, a Britney é o melhor que tem".

Daí fui ler a crítica do disco novo da Britney e me assustei ao ver a mesma sensatez da minha consciência:

"É preciso demarcar em qual contexto ela vai ser encaixada. Disso vai depender a conclusão final da crítica. (...) Se pegarmos o milionário teen pop atual, ela com certeza está no topo, dividindo o trono apenas com o N'Sync, enquanto todo o resto sã;o garotos chorões e garotas sem um décimo do seu carisma.

Por isso, e por mais do que isso, é muito mais interessante olhar Britney na sua própria órbita. Além de ser o estopim e a líder dessa onda pop, Britney é um fenômeno cultural. Fabricado? Claro. Não existe ingenuidade aqui. Porém mais ingênuo é quem quer comparar Britney a Beatles ou Radiohead. Ela possui seu assento próprio no mundo da música, e é lá que deve ser interpretada."

Mas aí veio o capetinha da minha consciência e sussurrou na orelha direita: "Mas se você for observar o artista pela sua própria ótica, é óbvio que ele vai ser bom. Na verdade, mudando a ótica você transforma excelentes músicos em lixo e vice-versa". E meu lobo frontal veio pra esquentar a discussão com um pouco de ceticismo: Afinal, pra que diabos você avalia artistas como "bom", "ruim", "mais ou menos"? Artistas deveriam ser pessoas que estão simplesmente trabalhando a expressão musical de um jeito ou de outro, e não tentando serem melhores ou piores que alguém. No mundo do teen pop eles parecem brigar para ver quem é melhor, mas na verdade é pra ver quem vende mais. E quando alguém desce o pau (ou venera) Britney Spears num fórum do Audiogalaxy, por exemplo, a pessoa está só dando a sua opinião. Talvez a Britney queira apenas vender discos. Talvez o Radiohead queira só colocar para fora um grande tormento mental. Talvez os Bit Cousins (hehe) queiram apenas brincar com música e ver até onde se pode chegar fazendo piada e torcendo timbres e sons estranhos. Por isso, artistas e bandas não deveriam ser avaliados e, quando o são, não deveriam ser avaliados fora do seu gênero.

É nesse ponto que o chão começa a se dissolver e as coisas vão sumindo... porque se você pensa por este lado, as críticas de cinema, música, arte, não fazem o menor sentido. Melhor (ou pior) ainda: não existe mais música ruim. Beethoven está no mesmo nível que É o Tchan. E é hora de você tomar uma decisão: Ou você vê as coisas pelo contexto delas, ou desvincula-as de qualquer contexto.

Só que sem contexto elas não existem. Nada existe.

Então, meu caro, a partir de agora, não diga mais: "pagode é uma merda". Nem tente justificar por que pagode é uma merda, é pior ainda. Diga apenas "eu não gosto de pagode", ou "eu não escuto pagode". E se você estiver bem corajoso, você pode até arriscar dizer que "o trabalho do Grupo Molejo é notável". Mais tarde, você pode até fazer o que outrora seria considerado um pecado mortal: sair do seu contexto musical e se permitir apreciar uma música do N'Sync.

Ah, que bom. Agora não sinto mais culpa por gostar de "I'm a Slave 4 U".

O Reason parece um sonho

2002-03-06 16:17:00 +0000

O Primo Luiz me mandou um email... transcrevo-o abaixo, com um leve sorriso no rosto. Agora os dois Primos estão loucos pela Razão
--
Luiz acaba de fuçar direito no Reason e faz um depoimento:

Cara, o trem é violento demais!
Se um cara quiser suicidar, é só mostrar o Reason que ele muda de idéia na hora! hehe...

Noh, vou até escrever um poema agora:

Estou assustado!
O Reason parece um sonho.
É uma sensação estranha, boa e indescritível.
Uma sensação que nunca tive antes
Como que o Matrix consegue ser tão bom?
Mão importa...é simples!

Estou com medo!
Isto não existe.
Digital sampler? Ah qualeh...
Deve ser ridículo
Carrego um sampler heavygtr
Que som é este? De onde vem? Como fizeram isto?
Não importa...é lindo!

Estou maravilhado!
Dr.Rex faz milagres com loops
Subtractor chega à perfeição
E o Redrum então? Ah peraí...
Isto não existe e não está acontecendo

O Reason parece um sonho.

Come With Us

2002-03-06 13:45:00 +0000

...é o nome do novo CD dos Chemical Brothers, que estou ouvindo. Só que agora os Chemical Brothers são compostos por Thomas Bangalter e Guy-Manoel de Homem Christo...

Uma razão para existir

2002-03-04 22:32:00 +0000

Lembram dos meus posts no estilo "eu amo Audiogalaxy"? Pois é, agora eu tenho uma nova paixão, e ela se chama Reason.

Reason é um programa da Propellerheads, uma softwarehouse sueca responsável por uma das melhores novidades no mercado de programas de composição musical para PC nos últimos anos: o Rebirth. Segundo a própria Propellerheads, o Rebirth é "a coisa da qual os sonhos techno são feitos". Esta aí em baixo é a cara do Rebirth.

O Rebirth é um pedaço de software tão bem feito que emula 2 sintetizadores e 2 drum machines, tudo em software, com qualidade sonora impecável, sem nenhum hardware adicional. Só sua placa de som e sua CPU. Isso sem falar no "rostinho bonito".

Depois que estavam todos maravilhados com o Rebirth e quando eu achava que seria impossível sair algum programa tão bom quanto ele, eis que me surge o tal do Reason...

Sabe aqueles racks de estúdio, que tem um mixer, um sampler, um sintetizador, um sequencer, módulos de efeitos (delay, reverb, distorção), tudo parafusadinho e ligado com uma penca de fios? Pois é. O Reason é a reprodução em software dessa coisa toda. O trem é tão real que, quando você aperta TAB, ele vira o rack de modo que você possa ver as "costas" do equipamento e você pode ligar ou desligar os fios que quiser, da maneira que quiser, do mesmo jeito que você faria com um rack real. É "o estúdio dos seus sonhos ao alcance do mouse". Foi mal, mas essa frase cliché é a melhor forma de definir o tanto que o Reason é empolgante.

O mais incrível é que o Reason foi escrito da maneira que os velhos programas eram feitos: com código inteligente e otimizado. Você pode entupir o Reason de equipamento virtual e ele ainda assim vai rodar tranquilo, reproduzindo fielmente o som de uma dezena de tipos diferentes de hardware musical usando apenas o seu processador. Não dá pra acreditar no quão lindo é o som dessa coisa. E além de tudo, é bonito!!

Para a produção musical, além de um sequencer (para comandar as notas e ordenar a sequência dos instrumentos), o Reason tem as seguintes máquinas:

:: NN19 - Um sampler que carrega arquivos WAV ou AIFF e aceita também patches (instrumentos) multisampleados (vários sons diferentes para um instrumento)
:: Matrix - Além do nome bonito e do visual moderno, o Matrix é um sequencer analógico, usado pra escrever as melodias para os sintetizadores ou samplers tocarem. Não existe hardware igual ao Matrix no mundo real.
:: Redrum - É uma drum machine ("máquina de bateria") com sequencer incorporado. Aceita samples separados para cada componente da bateria, podendo alterar volume, tom, duração e vários outros atributos de cada componente individual do kit de bateria.
:: Dr: Rex - Essa também não existe no mundo real. É uma máquina que toca loops de bateria produzidos com outro programa da Propellerheads, o ReCycle.
:: Subtractor - É um "sintetizador subtrativo analógico polifônico". O nome é complicado, mas o som é divinal. Mal dá pra acreditar nos sons pré-definidos feitos nele, que vêm no CD do Reason...
:: Efeitos - Delay, reverb, distorção, flanger, phasing...

Reason é um programa de infinitas possibilidades e de infinitas vantagens sobre o equipamento "real": não empoeira, não usa cabos, é facílimo retomar uma música de onde você parou, é MUITO, MUUUITO mais barato... Mas é claro que esse "barato" ainda é caro: $400 doletas... mais de R$ 800 aqui na terrinha. Em toda a minha vida, poucos foram os programas que me fizeram ter vontade de desembolsar dinheiro e comprar: esse foi um deles.

Sim, eu amo o Reason.

Profético!...

2002-02-22 15:28:00 +0000

"Jogos de computador não afetam crianças. Se o Pac-man tivesse nos afetado quando éramos crianças, hoje em dia estaríamos todos badalando por salas escuras, engolindo pílulas mágicas e escutando músicas eletrônicas repetitivas..."

(Kristian Wilson, Nintendo Inc, 1989)

Fonte: a ótima coluna do Lúcio Ribeiro, na Folha: Pensata

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

2002-02-22 15:19:00 +0000

Não dá pra parar de rir ao ler os premiados no Brit Awards!!!

Olha isso!! Segundo eles:

:: Aphex Twin é cantor!!
:: Dido canta melhor que PJ Harvey!!
:: "No Angel", da Dido, é um disco mais importante que KID A do RADIOHEAD!!
:: Shaggy, conhecido pela voz ininteligível, parece que está cagando quando canta e é o melhor cantor internacional!
:: KYLIE MINOGUE canta melhor que BJORK!!!!!!
:: KYLIE MINOGUE fez um disco chamado "Fever" que é melhor que o "IS THIS IT" do STROKES!!!!! Meu Deus, eu tenho que ouvir mais Minogue, ela deve ser realmente boa...
:: Strokes são revelação, mas há uma banda internacional melhor que eles: DESTINY'S CHILD!!!

A única categoria merecida foi a de artista dance, que foi para o Basement Jaxx... e os nojentos Gorillaz, que não ganharam nada e se fuderam gostoso. O resto conseguiu o que eu achava impossível: ser mais comprado do que a premiação do Oscar!!!!!

Veja mais na cobertura do UOL...

Homens minuto

2002-02-19 18:38:00 +0000

"They say I got a gun in my hand.
Six slugs, six points of view.
Materialism.

They say I got a book in my hand.
Fifty thousand words, fifty thousand translations.
Idealism."

Música de 37 segundos. Mike Watt tocando baixo e cantando. Só.
Ah, se todos os xiitas e fanáticos religiosos ouvissem isso...

Você não conhece punk rock se você nunca ouviu Minutemen.

Desse teste eu gostei!

2002-02-08 12:31:00 +0000

"Descubra que música eletrônica você é" (sem link, morreu. Sorry!). Pra mim deu isso aqui:
Você é TECHNOhead
você é Jeff Mills - The Bells

Você tem atitude, e ainda faz bico para os outros. Carão não é uma besteira, é uma necessidade, para lhe proteger de interagir com outros seres humanos. O ambiente urbano, o concreto, as máquinas e a tecnologia são seus temas preferidos. Suas emoções são um verdadeiro mistério, às vezes até mesmo para você, mas uma coisa é certa: você gosta de dar aquela olhada rasante na pista de dança, enquanto o techno come os ouvidos de todos...

Epidemiologia Musical

2002-02-04 13:21:00 +0000

Acabo de descobrir que o Cumpadre Washington vai sair do É o Tchan.

O problema é que essas bandas de pagode/axé são igual bactéria. Elas se desmembram e cada membro que saiu inicia uma nova banda. Ou seja, na verdade o Cumpadre Washington está fazendo é divisão celular.

...lado esotérico Baby Consuelo de ser...

2002-01-26 04:51:00 +0000

Estou rindo de molhar as calças aqui: Rita Lee xingou o público e deixou o palco de um show em prol da paz, em São Paulo. A Folha entrevistou a "tia", que usou como justificativa o lugar onde fizeram o show... pega essa:

"A gente está acostumado a fazer na praça da Paz. Um show de paz devia ser na praça da Paz. Aí veio para o Campo de Marte. O que aconteceu? O Deus da guerra. Com toda essa onda de violência... óh céus! (...) Esse lugar é esquisito. O Campo de Marte eu não sei se tem esse lado esotérico Baby Consuelo de ser, mas eu achei esquisito o show no Campo de Marte."

Novos empregos para DJ

2002-01-24 13:21:00 +0000

Vocês já notaram como todo mundo agora é DJ? Toda bandinha "neo-metal" tem DJ, todo programa de TV tem DJ... diz que na Europa vendem-se mais mixers e pick-ups do que guitarras. Só que, como o "mercado" para os DJs é bem restrito, a gente podia arrumar outros usos para o excesso de mão-de-obra, criando novos empregos, como:

DJ de banheiro de boate: Nesses tempos onde tudo que é diferente (mesmo que seja um lixo) é considerado cool pela juventude Jovem Pan, o DJ de banheiro é como um cinema com televisões em cada latrina: você solta o Mandela e não perde o filme, ou a música, no caso da boate. Hype total.

DJ para paradas militares: Nada melhor que o ritmo bate-estaca para dar o compasso da marcha dos soldados do dia 7 de setembro. Para os governantes mais moderninhos, alguns scratches e efeitos podem dar um tom bem "Guerra nas Estrelas" para o desfile. Altamente trendy, não acha? Pena não aceitarem gays no exército.

DJ para fila de banco: Como sobram DJs, é muito mais econômico para os bancos contratar um DJ pra "animar" a fila do caixa do que contratar mais caixas. É um excelente remédio pra impaciência dos clientes e o paraíso para os office-boys mais "clubbers". E quando você vai ao caixa automático, ele ainda informa o artista, música e nome do CD que o DJ está tocando. Suuuper moderno.

DJ para liquidação das Lojas Americanas: É só colocar um techno bem frenético para que os consumidores fiquem mais frenéticos e comprem mais, lucro garantido. E as ofertas são anunciadas direto pelo sampler do DJ: "Ca-ca-ca-camiseta rrrrrregata, (bzzzion!!) somente no-no-nove e noventa e nove!". Um must.

Gastando meu tempo (no supermercado)

2001-12-28 05:36:00 +0000

Música para supermercado é Roxette...

Neste mês, fui no supermercado e, nas 3 vezes que fui, o que estava tocando de fundo? Roxette!

...and i'm spending my tiiiiime! Uhooouhooooou....

Ah ném...

Macaco DJ (ou: manifesto de um fã de MP3)

2001-12-27 14:02:00 +0000

Agora eu fiquei puto. Eu não sabia que o José Simão era DJ. Hoje em dia qualquer babaca que coloca um fone de ouvido sai por aí se dizendo DJ... afinal, está na moda. Do jeito que a coisa vai, daqui a pouco o Jornal Nacional vai ser encerrado com um "set" especial do DJ Cid Moreira.

Lembro do dia que vi uma tal de Denise Konzen no site de ensaios fotográficos sensuais The Girl. O link dizia: "Veja a sensualidade da modelo e DJ Denise". É foda. Depois que ser DJ ganhou um status de "coisa cool", todo mundo quer ser um. O pior são os filhinhos de papai que tem acesso à conta bancária do velho e torram centenas de dollars em vinil comprado na Groovenet.com e num mixer com contador de BPM (sem ele esses DJs não são ninguém). Daí esses mesmos filhinhos de papai vão num site tipo o Rraurl (que eu nunca gostei) e votam, para "mico do ano", nos DJs de MP3.

É engraçado, o nível de picaretagem por gênero musical nunca me incomodou. Eu faço piada com os "rockers fajutos" tipo Bon Jovi, encho o saco de quem gosta de pagode/axé e similares, mas tudo sem estresse. Mas quando eu vejo os picaretas da música eletrônica, isso me talha o sangue. No meio de toda a minha tranquilidade libriana, eu fico putíssimo de cuspir marimbondo.

Portanto, ouça mundo: eu sou brasileiro, mineiro de dizer "uai", classe média graças a meu bom Deus. O dinheiro que eu ganho é pra ajudar a pagar as contas da casa, não pra ficar torrando em vinil e comprimidos de "e". Por isso sou, orgulhosamente, DJ de MP3, e se você não gosta disso, vá tomar no cu. Eu gosto é da música e não me importo se ela vem do vinil ou do CD ou da Internet.

E a todos os músicos que encaram música como um negócio, principalmente à todos os produtores de dance music xarope, de filtered disco da moda, a todos os músicos que acham que o Napster e seus filhos são coisas ruins, vocês deviam é queimar no inferno. Música é pra ouvir, é pra emocionar. Música não é pra dar lucro. "Ah, mas o seu projeto musical dos Cousins vendeu CDs também!". Claro que sim, vendeu seis CDs gravados a R$ 5 num evento de rock independente em uma cidade do interior mineiro, e todas as músicas do CD podiam ser pegas de graça no nosso site. E sabe o que nós fizemos com o "lucro" desses CDs? Gravamos mais CDs com coletâneas legais de MP3 e demos aos nossos amigos!

Pronto, falei.

Genial

2001-12-20 15:25:00 +0000

Uma música altamente genial é "Desafinado", do Jobim.
Cismei com ela hoje e estou cantarolando pelos corredores...
Tem harmonização diferente, pra dar o tom desafinado. É genial, cara. É música conceitual, modernosa, no meio da Bossa Nova.

Sim, Jobim. "Só privilegiados tem ouvido igual ao seu".

Eletronika Brasilis

2001-12-07 13:35:00 +0000

Ei, mas como anda a música eletrônica nacional? Andei ouvindo alguma coisa nova e destaco o seguinte:

2FXs: Techneira dura, muito bom isso!! Ouvi no FiberOnline. Foram eles que me animaram a olhar a produção nacional.
Level 202: Putz, esse cara tem muito a manha, excelente produtor. Nível Internacional (essa frase é a nossa maneira de falar que alguma coisa nacional é muito boa)
Flu: Só ouvi uma música desse cara. Tem futuro, coisa fina!
O Discurso: Eu vi esse bendito aí tocar no Eletronika Telemig Celular e não gostei, mas acho que não prestei foi atenção. "São Paulo", um DnB minimal que ele (Bruno E.) fez, não sai do som do carro. Queisso, coisa fina, profunda, minimal, tem simplesmente o necessário pra uma boa música.
AD: Odeio isso. Caiu nas graças do povo por causa do clipe, mas eu acho um saco. É um Prodigy para a classe alta, e eu não gosto de Prodigy e de classe alta.
DJ Patife: O cara é um ótimo DJ, mas eu não gosto de Jazzy DnB. Tem que dar é porrada, tipo o Marky.

I'm a slave for Britney

2001-11-20 19:18:00 +0000

Ok, eu admito novamente. Eu gostei de "I'm a slave 4 U" da Britney Spears.
Gostei da música e do clipe. Tem um clima lânguido, sexy e quente, e a música expressa isso muito bem.

Pior seria eu gostar e não admitir, oras!!!!

Mas eu troquei foi num Fiesta...

2001-11-14 20:05:00 +0000

Vou trocar o meu carro...
vou trocar numa Renault.
Ou... (ou ou-ou ou, ou...)
Ou senão num Peugeot, pará pa para pá...

(Otto, Renault-Peugeot)

Não sei porquê, mas eu adoro essa letra.

O trabalho é uma morte lenta

2001-11-08 12:22:00 +0000

No exato momento em que meu carro entrava no estacionamento do serviço, Thom Yorke gemeu, no CD Player:

I'm not heeeeeere...

Sortudo.

Wenn wellen schwingen, ferne stimmen singen

2001-11-07 14:15:00 +0000

O título acima está em alemão, e quer dizer: quando as ondas eletromagnéticas oscilam, vozes distantes cantam...

Esta é a letra de Airwaves, do Kraftwerk, a melhor banda que já ouvi em todos os tempos e em toda a minha vida. Os caras tem discos que são mais velhos do que eu, mas que são atemporais, trilha sonora de uma era marcada pela tecnologia. Quer um exemplo? Pegue o disco deles chamado Radioactivity (o mesmo que tem Airwaves) e ouça The Voice Of Energy. A voz robótica diz:

Hier spricht die Stimme der Energie
Ich bin ein riesiger elektrischer Generator
Ich liefere Ihnen Licht und Kraft
Und ermögliche es Ihnen Sprache, Musik und Bild
Durch den Äther auszusenden und zu empfangen
Ich bin Ihr Diener und Ihr Herr zugleich
Deshalb hütet mich gut
Mich, den Genius der Energie

(tradução:
Esta é a voz da energia
Eu sou um gerador elétrico gigante
Eu lhe forneço luz e energia
E eu torno possível que você receba voz,
Música e imagem através do vazio
Eu sou seu servo e seu senhor ao mesmo tempo
Portanto, guarde-me bem
Eu, o gênio da energia
)

Tudo começou por volta dos meus treze anos de idade, quando caiu nas minhas mãos, vinda do irmão do primo Luiz, uma fita cassete com o disco The Man Machine gravado. Eu quase gastei a fita de tanto ouvir. Hoje em dia já passou muita gente boa pelos meus ouvidos, mas sempre tem um disco do Kraftwerk no porta-luvas do meu carro. É a única banda que eu não me canso de ouvir...

The Man Machine foi o primeiro disco deles que ouvi. O disco tem a minha idade e é uma obra prima. É o que tem o clássico The Model e a maravilhosa Neon Lights, a música perfeita para ouvir às 6 da tarde.

Neon lights...
Shimmering neon lights...
And at the fall of night...
This city's made of light...

Autobahn é um disco de 1975 e está no meu carro nesse exato momento. Autobahn é o nome das auto-estradas alemãs, o sonho de qualquer motorista, já que elas não tem limite de velocidade. Autobahn é a raiz da música eletrônica, foi a estrada que todo mundo pegou a partir daquele ano. A noite eletrônica que o quarteto alemão teceu, em quatro faixas, Kometenmelodie 1 e 2, Mitternacht e Morgenspaziergang, é de uma genialidade e de uma beleza que eu (sem brincadeira) comparo com as composições de Bach. Estou forçando o elogio? Pior que não.

Leave Home, a primeira faixa do disco Exit Planet Dust, dos Chemical Brothers, abre com um sample de Ohm Sweet Ohm, do disco Radioactivity, um disco conceitual sobre rádio. A sonoridade, para o ano em que foi lançado (1975), é estupefaciantemente linda. Um exemplo é Uranium, a décima faixa. As letras estão em alemão, mas são fantásticas, como os exemplos que vocês viram ali em cima.

Já o Electric Cafe é considerado pelo Yahoo! Music como "desapontador". Eu não acho. Electric Cafe é a definição do termo "techno pop", música minimalista, sintética, mas confortável de ouvir. E mais uma vez eles bancam os profetas na letra das músicas. Veja o trecho de Techno Pop:

La musica ideas portara / y siempre continuara
(Trad.: A música trará novas idéias e continuará para sempre)

Computer World foi o disco que eu sempre quis ter, pelos clássicos como Pocket Calculator ou It's more fun to compute. Pô, Pocket Calculator é uma das melhores músicas que já ouvi...

E por último mas não menos importante, tem o disco Trans Europe Express, um dos últimos que ouvi. Por sinal, tem um vinil dele lá em casa, é do primo Luiz... pegue esse disco e ouça Hall of Mirrors ou Showroom Dummies. São duas músicas surpreendentes...

Sim, eu babei ovo dos caras e dos discos dos caras, e perdi um tempão fazendo este post imenso sobre eles. Mas foda-se, eu amo Kraftwerk.

The cousin needs a name

2001-11-06 17:52:00 +0000

Ei, Primo, como eu não te encontro mais no ICQ eu vou comentar isso é aqui mesmo.

Lembra que a gente ia mudar o nome dos Chemical Cousins? Pois é, o que acha da gente fazer uma votação aqui no blog pra que as pessoas escolham o novo nome?

Eu tenho duas sugestões: the Cousins ou Bit Cousins. Se você, caro(a) leitor(a), gostar de algum ou tiver outro nome, mande email pra mim ou pra Luiz.

Mande as suas sugestões, viu Luiz? E tem outra... como os Cousins tão bem parados ultimamente, no feriado eu gravei um mix de hard techno, tem 52 minutos, vou gravar um CD com ele e mais uns bonus tracks, também vou jogar tudo no nosso site e tal. Já fiz até a capinha:

Na verdade eu tinha pensado em usar esta capa, com o nome de the Cousins, só que com a onda de Anthrax aí não ia pegar muito bem. A foto é daquela epideminha de "foot and mouth disease", a vaca louca, que rolou na Europa. Mas esta figura eu vou ter que usar no verso do CD de qualquer jeito.

Tantofaz não tem, dona

2001-11-01 18:23:00 +0000

Hoje eu lembrei do tantofaz.com, um site que sempre me trouxe coisas interessantes pra ler quando eu estou atoa.

De cara, na página principal, reportagem sobre o fim dos Raimundos, com a seguinte frase:

"O que o Raimundos uniu, só Deus separa!! Rodolfo anuncia sua saída e a banda se separa!!"

Tá pra nascer uma frase mais mal formulada. Daí, continuo a leitura e...

"Grande dia para fãs do Backstreet Boys!! Você que esperou até hoje, agora vai ter... Um mega apanhado da tragetória da banda"

Uaaieou!

FREE JESS

2001-10-29 13:53:00 +0000

Tava lendo lá no UOL Música:

Fatboy Slim deu bis para "Star 69", usou repetidas vezes o sampler "Fatboy Slim is fucking in heaven"...

Gente...é SAMPLE e não SAMPLER... é "It Began in Afrika" e não "It Begun in Africa"... Reprazent não é a "equipe de som" do Roni Size, e Richard D. James não é "do" Aphex Twin... é o Aphex Twin!

E é assim :)

Sobre um show do L7 em londres

2001-10-29 13:45:00 +0000

"O detalhe mais interessante ficou por conta da promoção esdrúxula da banda no último show da turnê em Londres: todos os presentes receberam um cupom na entrada para concorrer a uma noite de amor com a Dee Plakas, baterista do grupo. Plakas, que é casada mas tem um 'relacionamento aberto', bradou para quem quis ouvir que 'rock and roll é prostituição' e disse não se importar com o sexo do(a) sorteado(a)"

Pruquê

2001-10-26 17:46:00 +0000

Eu e meu grupo de amigos sempre nos reunímos na sexta-feira pra almoçarmos juntos. Um deles tinha sido capad... digo, circuncidado, daí fomos pra casa dele e de lá pedimos uma pizza (e fizemos quatrocentas piadas com a "fera ferida" do rapaz).

Daí, na TV o Jornal Hoje começa a anunciar uma banda "alternativa de Sorocaba". Daí tocava um trechinho da música e todo mundo começava a malhar... menos eu.

Quando a matéria finalmente entrou, todo mundo malhava os caras da banda. Eram comentários do tipo:
_Haha! Olha o cabelo do cara que ridículo!
_A Globo tá querendo vender banda de novo...
_Esses caras tinham que ir pro Piores Clipes...

Eu continuava calado. As imagens tavam uma droga, não dava pra reconhecer quem era quem. Até que de repente, o repórter fala o nome da banda. Wry. No meio dos comentários eu faço o meu:

_Hah! Eu já vi show desses caras! É bom...

E o silêncio. Todo mundo olhou pra mim. Instantes depois a matéria acabou, acho que pra minha sorte...

Mondo Bizarro (a.k.a. os Cult Cuzão)

2001-10-26 12:43:00 +0000

colaboração de Leandro Barros

Já faz um tempo que eu e um colega de serviço ficamos definindo um tipo de pessoa cult carinhosamente batizada de cult cuzão. É aquele cara que se diz o mais indie, o mais foda, o menos mainstream, o que fica falando horas da coleção de discos dele e que no fundo não gosta da música, mas do status de ser "diferente". Só que ele é diferente igualzinho um tanto de outros cult cuzão que existem.

E tem a pior das aberrações vindas dessa laia: o ódio xiita e a cabeça completamente fechada (quando deveria ser a mais aberta) a todas as bandas do mainstream e até as que saíram do underground e foram para o mainstream. Daí veio a célebre frase: Eu odeio essa banda (mas ia adorar se fosse obscura)

Imagina se Britney Spears fosse obscura...os cult cuzão iam se cruzar na rua e conversar: "queisso, eu tou com o disco novo do Sonic Youth lá em casa mas não consigo tirar o novo da Britney do meu discman, eu escuto o dia inteiro! Nó, 'hit me baby one more time' é um all-time classic, aquele sex appeal da Britney fazendo contraste com sua cara de menina virginal, é uma coisa quase barroca! É arte!!".

No London Burning, o mestre dos cult cuzão, Luciano Viana, escreveria seus reviews:

Britney Spears faz um pop seminal e inocente, bem emocional e ao mesmo tempo dançável, e está super valorizada nas pistas de londres pelos mais inteirados. escute o clássico "baby one more time" e vc vai se sentir com o coração partido. misturando uma certa influência eletrônica com a tradição de baladas das últimas bandas da inglaterra, Britney veio para ficar"

Daí a Britney viria fazer um show na Obra... seria a noite do ano, os DJs antes do show iriam mixar Pulp com N'Sync (que também seria obscuro), e bem de madrugada ela começaria o show... a platéia em êxtase, todos os cult cuzão coçando a barbicha e as costeletas, com aquela cara de "estou analisando o show", e a Britney mandando ver:

Oops, I did it again... I play with your heart...

No dia seguinte os cult cuzão iriam mandar emails para as listas de discussão, falando horrores do show, elogiando o sex appeal barroco da menina e chamando ela de revolucionária, de state-of-the-art, de ícone indie. A dancinha das backing vocals da Britney iria ser dançada por multidões nos after hours da Obra, os cults iriam se entreolhar enquanto dançam, pensando "uau, você também esteve naquele show!"... todos se sentindo os diferentes...

Random Babbling

2001-10-22 20:31:00 +0000

Saco. Mudei a cor e a fonte umas 10 vezes e ainda não me agradou. Eu podia é fazer um layout novo pro Primo...afinal, essa coisa verdeamarela já gastou o olho.

Eu também tenho que cuidar do GEnet, o lendário projeto do meu grupo de amigos. Inclusive eu até devia escrever uma coluna pra por lá, aproveitar os 14 minutos de trabalho que me restam aqui...

Mesmo porque, 17:30, zarpo eu pra casa, pra curtir o novo apê. A família está crescendo, ganhei uma madrasta e um irmãozinho que chega em dezembro, então tem que dar upgrade na casa. O apê novo tem 4 quartos e é cobertura. Fica bem no alto do morro que é o meu bairro. A vista de lá é linda, me fez acordar às 3:30 da manhã pra ficar olhando. Mal vejo a hora de chamar os amigos e passar a tarde olhando a vista, queimando uma carne e fazendo piada...

Quando eu fazia o post abaixo, eu dei de cara com uma página com tradução das coisas em alemão que tem nas músicas do Kraftwerk. Putz, a cada dia que passa eu acho Kraftwerk mais genial...vou até catar o Radioactivity pra dar uma ouvida no carro.

Não suporto telefone analógico. Aqueles de disco, ou os com teclado que você disca o seis, por exemplo, e ele dá um pulso pra cada unidade do número discado: tup-tup-tup-tup-tup-tup. E o pior, o zero são 10 tups.Cê vai discar um telefone grande e ele fica meia hora lá, tup-tupzando. Por isso que eu só uso o ramal digital aqui da sala, você disca e ele: Bleep! Bleep! Bleep! E instantes depois já ligou. Eitcha modernidade.

Líricas

2001-10-22 13:49:00 +0000

I could die for you if you put lipstick on my brain - Atari Teenage Riot
The weight of my body is too much to bear - Sonic Youth
There are just so many ways I can make love with my hand - Blink 182
We know we are not apes, but we could make sweet seedless grapes - Cibo Matto
Two worlds collide, and all that I want is a shady lane - Pavement
It's more fun to compute - Kraftwerk (*)
Computadores avançam, artistas pegam carona,
Cientistas criam o novo, artistas levam a fama
- Mundo Livre S/A

E uma mais trash pra encerrar:

"Não me deixe aqui no chão" - Chitãozinho e Xororó, em sua regravação de "Don't let me down"

(*) - Você sabia que isso é um trocadilho com o slogan It's more fun to compete, de máquinas de pinball?

Claves e adesivos obscuros

2001-10-19 11:27:00 +0000

No vidro de trás do meu carro tem um adesivo. É uma clave de fá. E essa clave já rendeu histórias engraçadas...Uma vez eu saí pra alugar um filme, quando estava parado em frente à locadora esperando não-lembro-quem voltar com o filme, um cara me abordou na porta do carro (que estava fechada), mandando abrir o vidro. Tomei um susto: "Danou-se, é ladrão!" e fiquei meio sem ação, enquanto o meliante me pedia pra abrir o vidro e ficava apontando para a parte de trás do carro.

Como o cara não estava armado e não parecia perigoso, resolvi abrir o bendito vidro. O cara começou a se explicar: "Olha, eu sou violoncelista e vi seu adesivo ali atrás, eu queria saber onde você comprou e tal..."

Na verdade eu não comprei, eu fiz com papel contact mesmo. E pra quem ainda não entendeu, essa clave tem a ver com música, partituras, etc. Sabe aquela manjada clave de sol? Pois é, a clave de fá é parente dela. O engraçado é o pessoal que não entende me perguntando..."que nota musical estranha é essa no seu carro?". Outro dia uma menina daqui do serviço, uma que não gostou de Matrix porque não entendeu o filme, me perguntou do adesivo: "que vírgula estranha é essa pregada no seu carro"?

Usina do Som - Produz bem?

2001-10-16 20:34:00 +0000

Ei, eu tenho placa de som no serviço agora! Ok...vamos fazer um

REVIEW ALEATÓRIO DA USINA DO SOM

Obviamente, de cara fui ouvir a rádio techno. Só toca Fluke e umas outras coisas mutantes que parece trance ou, no máximo, IDM. Que saco, veio Fluke 3 vezes!!! E outras coisas estranhas tipo Cydonia do Eat Static, que nunca ouvi falar.

Basicamente o canal techno é um lixo. Parece que só tem três discos, com Eat Static, Growlmonizer, Fluke (é, pela quinta vez, sem brincadeira!!). Depois de muito insistir no "Skip", veio uma coisa diferente...Moby. Decepção, Usina! Decepção!! Troquei de rádio.

Boas surpresas na rádio Indie Rock. Bad Best Friend, do Nada Surf, é meio Weezer demais pro meu gosto mas é legal. No next está um Killing Moon do Pavement. Falou Indie, ouviu Pavement, é sempre assim nesses sites mais mainstream. Se bem que eu não posso falar nada, quando me perguntam o que eu ouço eu sempre respondo "ah, umas coisas meio desconhecidas, tipo...". E na sequência o primeiro nome que me vem é Pavement. Na sequência tem um I'm always in love, do Wilco. É legal, mas é Beatles com Pixies? Essa rádio tá começando a ficar muito igual. Depois tem Sparklehorse tocando Pig e na sequência, Jon Spencer Blues Explosion. É, a Usina do Som se salvou nessa.

No canal de House...aargh!! Pet Shop Boys com It's a Sin!! Caraio, essa música é legal e tal, mas house? House??? Vou dar um next e se vier mais porcaria eu vou embora.

Tá. Veio Gonna Make you Sweat do C&C Music Factory, aquela "Everybody dance now". E depois veio Snap. Tá, só house véio. Eles devem ter lido na capa dos CDs...Flash House 5... Old School House Hits... e puseram na rádio. Legal, se eu continuar ouvindo eu devo dar de cara com The House of the Rising Sun.

Ah não, veio um I'm too sexy do Right Said Fred! AAARGH!!!

Fui pro de Drum'n Bass. Pylonz com Elementz of Noize. Eu tenho medo dessas coisas com z no lugar de s. Tá vindo uns DnB altamente sinistros...mas como eu não conheço nada, vou pular de rádio.

Putz..Indie nacional. Essa eu quero ver! Tem Walverdes com Meu Bar, um hardcore gritado básico e depois veio Textículos de Mary com Uma Linda em Berlim. A letra é engraçada...

Deu cinco e meia, vou embora.

Dancei

2001-10-16 19:28:00 +0000

Tem muito tempo que eu não ouço rádio.

Um amigo me mandou uma lista de MP3 pra baixar. Tudo tirado daqueles programas estilo "Planeta DJ" da Jovem Pan.

Pelo visto vou ficar muito tempo sem ouvir rádio. Foi mal Gabes, mas baixei 10 músicas e as 10, de diferente só tinha o nome... é tudo exploração daquele mercado "Neo-Disco", onde são sampleadas aquelas coisas retrô e emperequetadas com coisas moderninhas, pra tocar nas pistas das boates.

Quer coisa dançante? Basement Jaxx ou Stanton Warriors me servem muito bem.

Traveling without moving

2001-10-08 18:16:00 +0000

Uaaaaaauuuu....

Quem precisa de drogas?

Quem precisa de álcool?

Quem precisa de alucinógenos?

Eu tenho presets do AVS, o Advanced Visualization Studio do Winamp.

E não preciso de mais nada.

Sorte que feiura não sai na música

2001-10-08 14:19:00 +0000

Ontem eu vi a cara de Jeff Mills na tevê, num daqueles breaks do canal People and Arts que mostram pequenos depoimentos do Sónar 2001. Pra quem não sabe, Jeff Mills é o nome mais importante do hard techno. E o mundo se divide em dois: os que nunca ouviram falar de Jeff Mills, e os que o consideram Deus.

Mills é feio que dói. Magrelo. Uns dentes esquisitos. Fiote de cruz-credo. Fiquei feliz...os caras mais fodassos da música eletrônica são feios. Eu sou feio. Logo...

Mas o que vale é a beleza interior. O que me lembra que a Ana, que lê este humilde blog, confessou que também assiste o Fica Comigo da MTV e que queria ouvir Unchained Melody, versão do U2, na fatídica hora do beijo...

Clichês do mundo eletrônico

2001-10-03 18:13:00 +0000

Mais uma sobre a cena eletrônica...vai nessa página aqui (hoje extinta): http://www.eletronicbrasil.com.br/djs/index.htm#.

Agora, note os seguintes detalhes:

1. Marky está SEMPRE sorrindo

2. Renato Lopes tá igual o Moby

3. Jason Bralli parece o Padre Marcelo

4. Rica Amaral parece o predador, aquele dos filmes com o Schwarzenegger.

5. Pareto usou a foto da identidade dele nesta página.

6. Ramilson Maia parece o Djavan

7. O Mimi é a cara do Jeff Mills!

8. Tee parece o Neo, do Matrix. (Sacanagem. O cara é coterrâneo e toca bem...)

9. Xerxes quer se enforcar-se a si mesmo

10. Beto D é um dos Agentes, do Matrix. Cuidado, Tee...

11. Ivan Kolman lembra o Taffarel

Medindo a cena

2001-10-03 18:00:00 +0000

Mas de que tamanho é a maldita cena eletrônica no mundo?

Tem 7 Gigas de MP3 lá em casa. Aproximadamente, 50% disso é música eletrônica, principalmente techno.

Certo dia eu passeava por uma livraria e peguei uma revista importada chamada Urb. Na capa, a Björk. Nas matérias, o susto: eu, com meus 7 Gigas de MP3, não conhecia nem 10% dos nomes dos artistas citados na revista.

Como é que é isso, o boom da eletrônica não tem nem 5 anos direito e já existe uma quantidade absurda e inacompanhável de produtores/DJs/bandas?

Cuidado! A faxineira da sua escola pode ser produtora de drum'n bass, famosa em Estocolmo e Londres, e você não está sabendo!

Como está o Brasil na galáxia do AudioGalaxy?

2001-10-01 17:55:00 +0000

E do meio da lista dos 500 mais procurados no AudioGalaxy, o primeiro artista brasileiro que vejo, em uma magnânima posição número 94, é ninguém mais ninguém menos que Baby Consuelo!!!

O segundo lugar aparece (pasmem) apenas na posição 270, e são os Blues Etílicos!

Sente o drama do TOP 10:



01. metallica

02. eminem

03. Britney Spears

04. Madonna

05. korn

06. limp bizkit

07. Pink Floyd

08. santana

09. blink untitled

10. american pie

Ainda mais confissões

2001-10-01 13:07:00 +0000

Minha saúde mental está em estado crítico. Ontem eu assisti metade daquele programa da MTV, o Fica Comigo. E, admito, torci para que o casalzinho ficasse junto.

Vou tentar um tratamento de choque para ver se me recupero. Hard Techno quatro vezes ao dia.

Mas...no final do Fica Comigo, o "ficante" lá escolhe uma música para o momento onde pode ou não acontecer o tão esperado beijo. Ontem rolou um With or without you, do U2. E eu fiquei pensando...que música eu escolheria para um momento como aquele?

De imediato tem Glass Museum do Tortoise. Mas rola também um Indie rock spock's ears do Dianogah. E qual você escolheria?

Mais confissões

2001-09-28 19:38:00 +0000

Já que estamos em época de confissões musicais, vamos fazer algumas:

Come to daddy, do Aphex Twin, me dá tanto medo que eu mal consigo ouvir a música inteira.

Discos do Pulp, o OK Computer do Radiohead e Motion Picture Soundtrack, do KID A, me deprimem muito. Sério. Se eu não parar de ouvir eu fico realmente mal.

Eu nunca ouvi Iggy Pop, não gosto de Rolling Stones e acho os Beatles a coisa mais sem graça do mundo.

Eu consigo gravar Jeff Mills, Abba, Señor Coconut e Minutemen num mesmo CD-RW e sair ouvindo no carro. Depois, eu troco o CD e saio ouvindo um dos Brandemburgos, de Bach.

Hoje eu baixei a música tema de Once and Again no Audiogalaxy.

E pra encerrar...eu tenho conhecimento bíblico suficiente para fazer uma palestra, e gosto de Anal Cunt.

Basement Jaxx chuta a sua bunda e anota seu nome

2001-09-21 15:33:00 +0000

Eu tinha até baixado o disco novo do Basement Jaxx no AudioGalaxy, mas mesmo assim comprei ele, porque tinha nacional e tava relativamente barato.

Ô disquinho bão. Eu sei que vai soar estranho nesses tempos de guerra, mas o disco é uma bomba atrás da outra.

Romeo vai fazer até a sua vó dançar. É um tapa na orelha, cada batida do bass drum vai lá no fundo da sua cabeça. Breakaway, na sequência, alterna batidonas e paradinhas estratégicas, um entra-e-sai que faz exatamente o que você pensou aí, seu safado: é excitante. Mais pra frente, Kissalude, introdução para Jus 1 kiss tem uma coisa que eu adoro: voz feminina em hi-fi. Parece que eles exageram na equalização e que a Dona Maria lá está realmente sussurando no seu ouvido...dá até um friozinho na nuca.

Daí pra frente fica tudo mais tranquilo, Felix Buxton e Simon Ratcliffe só mostrando o quanto eles são foda. Tem Where's your head at, a bombinha usada no filme Tomb Raider, entre outras beldades. Justiça seja feita, Basement Jaxx faz a dance music mais criativa que já vi.

Confissões

2001-09-15 03:02:00 +0000

Meus leitores fiéis se lembram que, há alguns posts atrás, eu coloquei Abba, "Dancing Queen", no meu Winamp e liguei o repeat, numa atitude de completa desorientação musical. Logo eu, saindo do Sonic Youth, do Jeff Mills, do Aphex Twin, meu Deus, do Johann Sebastian Bach, e indo parar no Abba.

O mais inacreditável é que eu ouvi a música umas cinco ou seis vezes, sem enjoar. E ouvir Abba foi a melhor coisa que me aconteceu naquele dia.

Daí, hoje estou eu alegremente trabalhando no site da GEnet quando ligo a TV no canal 13. No cabo aqui em BH, é um canal daqueles que ninguém assiste, como a TV Câmara, TV Senado ou o canal comunitário. Acho que era esse último. E estava passando um videoclipe, mas não era um videoclipe qualquer, não eram as figurinhas carimbadas da MTV, como o Cássia Eller (é "o" mesmo), ou a Britney Spears ou a Christina Aguilera, era nada mais nada menos que ABBA TEENS - Dancing Queen.

Você conhece Abba Teens?

Abba Teens, ou A-Teens, são esses dois rapazes e duas garotas nos seus 16 anos que fazem covers das músicas do Abba. O clipe que assisti mostrava os quatro moleques em uma escola, cantando e dançando a versão pop 2001 de "Dancing Queen". Agora vem a pior parte.

Eu não assisti o clipe...eu devorei o clipe. Cada milissegundo de vídeo era absorvido por mim com a mesma veracidade com a qual o peregrino bebe água depois de 40 dias no deserto. Era uma história ridícula, os meninos zoando na escola, fazendo bagunça no pátio, no banheiro, jogando papel higiênico uns nos outros...e ao fundo, as meninas cantavam:

"See that girl...watch that scene...she is the dancing queen..."

E tem também uma das menininhas, a morena, chamada Sara...minha santa aquerrupita, a boca da menina é maior que a do Steven Tyler! Cabem quatro bolas de bilhar lá dentro, e mesmo assim aquilo me pareceu a coisa mais sexy do mundo...

Para piorar...eu estou com uma vontade imensa de entrar no Gnutella na segunda-feira e fazer download do videoclipe. Eu admito, sim, eu estou.

Eu definitivamente não estou psicologicamente bem.

Confusão é sexo

2001-09-14 21:32:00 +0000

A trilha sonora perfeita para Nova Iorque nesse momento é Sonic Youth - Confusion is Sex plus Kill your Idols.

O Thurston Moore até canta: "It's the end of the world!!!"

E esse é um disco muito bonito. É barulhento, caótico, é pretinho como a capa. Mas da mesma forma que Bach eleva o espírito humano com as suas músicas sacras, o Sonic Youth revela todo o podre que tem dentro dos cérebros com aquela barulhada toda.

Sonic Youth é o Bach da podridão humana...

Parem as prensas

2001-08-30 12:00:00 +0000

Santo Deus...ontem eu ouvi "Dancing Queen" do ABBA! E gostei! E ouvi umas 3 vezes seguidas?

Deus do céu, de Jeff Mills pra Abba, o que está acontecendo comigo?!?

Hammerdrill MC

2001-08-28 17:20:00 +0000

Eu acho muito estranhas aquelas ambulâncias de cidade do interior que sempre passam no centrão de Belo Horizonte. A que vi hoje tinha escrito: Prefeitura Municipal de Chalé-MG. Você já ouviu falar? Eu também não.

O mais estranho é que sempre é um Fiorino. Às vezes é uma Caravan velhona, quando a cidade é muito do interior.

Como hoje eu não tenho nada pra falar, vou botar aqui um rap que eu fiz de zoação, junto com um amigo. Ele é o Groovy MF (de MuthaFucka), o rapper violento e destruidor. Eu sou o MC JC, o rapper cafajeste pegador da mulherzada.

Aviso: Qualquer semelhança com a realidade é, com certeza, coincidência (mesmo porque eu não pego nem vírus de Internet)

(Groovy MF)

be ready to shut the fuck up bitches I´m tight like a motherfuck

yo wanna your teeth in their proper place ya know yo better pass the buck

yeah I´m entering your neighboohood with the strenght of a H Bomb

making niggas drop like flies stomp the heads and fuck your mom

my finger itching in the process of pulling a thousand triggers on you

so watch your back motherfuckers while my claws are coming through

I´m a walking apocalipse ready to blow up all nigga´s games

and bitch if yo call me ´sycho well that´s just one of my names

passing the mic to JC man he never met a bitch he didn´t stalk

yo know a sick motherfucker fucking holes in the sidewalk

(MC JC)

Yo that's me, fuckin' MC, JC the mighy cunt fucker

Watch out I'm screwing and suckin and lickin all of da beaver

When I walk in da 'hood all the pussies are getting the fever

'cause I'm the lover nigger, the ladies killer, the fuckin' Hammerdriller

Put your mouth on my mic no you bitch its between my legs

My rhyme is white and milky and it's creamin' all over yer chest

I'll fuck you the whole Kama Sutra when I fuck I'm the best

I'll even nail the lock of the jail if I'm under arrest

(Groovy MF)

falado: "yeah, JC man, watch your back ladies and specially watch your holes you because old groovy is back again

on the assault, and he wants your asses too"

yo´re a man with a plan and a scam but i don´t think you can

ya lucky ass bum me? i´ll rise from my grave to do it all again

unstopable like a zombie a one man army of the undeads

I´m a living war machine thorning your whole world to threads

if yo check inside my mind yo would cry like a damn baby

just what niggas expect when they taste the world of crazy

a mutation, involution, a unnatural force of murder

better cry out to your gods cos I´m coming from down under

(MC JC)

This is my pal Groovy MuthaFucka and he's got a gun and the guts

And I'm MC JC, and three girls are now suckin' my nuts

What I eat for mah breakfast is a slut's tight black ass

But if you're underage don't worry I'll give ya your fuck class

If you're a girl and you have a hole I'll take down my pole and stick it right in

I'm hot as a steam, I'll lick your cunt clean, and fuck 'till u scream yo that's what I mean

'cos I'm sick I'm so perverted I will jerk off watching "Wild Life"

I'll think I'm an ox and I'm charging against the pussy on your wife!

(Falado) "Hey slut, I'll make ya cum three times while bro Groovy MF is rhymin' the next verse"

(Groovy MF)

(falado) yo, yo, to better watch out cos GMF is around

yo mama told yo you´re a wise nigga so check your ass and watch yo self

cos when Groovy MotherFucker was born he was born beyond hell

and your mama also told me I got the biggest black dick around

that´s why when I wanted to cum I had to give the bitch a call

and now you´re dealing with the G man - that´s why I had to kill your dad

but the old bitch didn´t told you that she wanted me to kill you instead

(falado - pausa na música) "what the hell I´ll kill them both for a laugh"

so you´re running from the unforgiven from the blade to the gun

as yo weak ass mind begin to fall apart I think I RIP you for the fun

and yo know piece of shit this nigga here is fucking your old mama too

I gonna take my turn on her ass while old JC blast his rhymes on you

(MC JC)

Yea, MC JC dis name you'll not read in a name tag

My cock is so big tha' I could use it as a third leg

So come here foxy lady come shake down your behinds,

Sex it's what I'm talking about, I'll cum till you blow yer mind

'cause perversion is my middle name i fuck you even if you're dead

Could be a dead cow's carcass but if da hole's there I'll bang it ahead

(Falado) "Yo bitch, it's your first time? Are you virgin? Don't worry I won't take it harsh"

(gritado) I'll fuck you so bad you'll be sitting on a pillow when you go to the church!

É fantástico (a trilha sonora)

2001-08-13 12:23:00 +0000

Já tem algumas semanas que eu consigo reconhecer todas as músicas de fundo das matérias do Fantástico...tem Radiohead, Massive Attack, Apollo 440, Chemical Brothers, Beastie Boys...

Até que no fundo, o Fantástico é um programa interessante.

The Email Brega Wars

2001-08-03 15:28:00 +0000

Vinte anos da MTV americana...o molde da "cultura POP" de hoje. E falando em música, eu estou com uma maldita música na cabeça. De repente, eu me pego cantando a maldita, sem querer. A música é uma que o Vandy (Eddie Mills), personagem de um seriado extinto do canal Sony chamado "Wasteland", cantava no primeiro capítulo do seriado...a letra é maizomenos assim:

Everything looks good/The sun shines on me today/

Everything looks good/For a change/

For a...channnnnnge...

E o infeliz cantava com um violão e ficava sacudindo a cabeça de uma maneira "cool" que me dava nervoso.

Mas aí eu e mais dois amigos começamos uma guerrinha no email. A idéia é: cada um ataca o outro com nomes de bandas/cantores/cantoras esdrúxulos. Olha as coisas que saíram:

Kenny G - Richard Clayderman - Sula Miranda - Milionário e José Rico - Christian e Ralf - Locomia - Menudo - Toni Tornado - New Kids On The Block - Ricky Martin - Barbra Streissand - Celine Dion - Mariah Carey - Janet Jackson - Tina Turner - Whitesnake - Def Leppard - Ray Conniff - Phil Collins - Bienvenido Gonsalvez - Patotinha - Os Três Patinhos - Gretchen - Roberto Carlos - Jordy - Agnaldo Alves o rei do Bolero - Fagner - Belchior - Wilson e Soraia - Agnaldo Raiol - Genival Lacerda - Amado Batista - Wanderléia - Ronnie Von - Sílvio Santos ("ritmo...é ritmo de festa...") - Xuxa - Mara - Angelica - Polegar - Dominó - Sylvinho Blau Blau e o Absinto - Sérgio Mallandro - Conrado - Gugu Liberato ("meu pintinho amarelinho...") - Simone - Joana - Fafá de Belém - Fat Family - Moacir Franco e banda - Michael Jackson - KISS - Bon Jovi - Journey - Cher - Whitney Houston - Poison - Montserrah Caballet - Deborah Blando - Dee Lite - Falcão - Bozo - Tiririca - Renato e seus Blue Caps - Erasmo Carlos - Acústicos e Valvulados - Maurício Mattar - Bibi Ferreira - Shampoo - Twister

E pra encerrar...todo mundo baba o maior ovo, mas hoje eu concluí que não gosto do Catarro Verde nem a pau.

Bruxa solta

2001-07-27 19:42:00 +0000

Eu falei há um tempo atrás que tem urucubaca no mundo pop...agora é a Mariah Carey internada...

Carta aberta à Luciano Viana

2001-07-23 21:39:00 +0000

Caro Luciano Viana, dono do London Burning e que escreveu este artigo aqui: eu, o primo e mais alguns amigos discutimos sobre Tortoise e gostaríamos de lhe esclarecer:

1) Você disse que Tortoise é jazz mal tocado. Mas tortoise não é jazz. Se A=B e B=C, A=C, portanto, Tortoise não é mal tocado.

2) TNT não é o segundo álbum do Tortoise e sim o terceiro. Favor se informar sobre as bandas antes de colocar um artigo no seu site.

3) Legal ver que suas "referências musicais" e seu "gosto apurado" consiste basicamente de coisas européias.

Portanto, caro Luciano, gostaríamos que o senhor fosse tomar no cu.

P.s.: Você foi assessor de imprensa do Asian Dub Foundation por toda a turnê? Então você esteve em Belo Horizonte? Quer dizer que eu cruzei com você nos corredores do show e não te dei um belo murro? Que triste.

I <3 Audiogalaxy (apesar de tudo)

2001-07-19 19:18:00 +0000

As coisas que amamos nem sempre são perfeitas...

Se você for no AudioGalaxy e procurar pelo Tchan, vai ver escrito assim:



o tchan a nova loira do tchan

also try: don juan de marco, mamonas assasinas, john lennon

disco Gera Samba-Eo Tchan

also try: pure disco, donna summer, bee gees

Fala Mansa By MORENA_TCHAN

also try: falamansa, iron maden

John Lennon e É o Tchan..."Imagine all the people...shaking all their booties..."

Iron Maiden e É o Tchan..."Mexe, metaleira ordináááária..."

Metallica

2001-07-14 04:55:00 +0000

Acabei de postar mas essa merece comentário. Li no SonicNet. Os imbecis do Metallica e a incógnita do Dr. Dre, que nadam em dinheiro apesar de serem músicos pífios, iniciaram a onda de protestos sobre o Napster. Todo mundo aderiu, o Napster se vendeu para tentar sobreviver, e agora que ele já está destruidíssimo e se tornando um serviço pago, o Metallica/Dr.Dre retirou os processos e querem até colocar suas músicas no Napster pago...

Caros amigos do Metallica: não há palavrão que expresse o meu desprezo por vocês. Por favor, terminem a banda e vão todos fazer carreira solo.

E, Dr. Dre, ah, eu não te conheço mesmo então sai da minha vista faz favor.

Shake it

2001-07-13 13:35:00 +0000

"Jo te digo tudo va estar bien...no te preocuuuupeeees maaas...oh no...manter el movimiento..."

Essa é a letra (em portunhol) duma música dance do início dos anos 90, do El Simbolo. Isso é que é música dançante! Diferentemente da maioria dos pagodes/axés/funks, me fez querer mexer a bunda sem mencionar a palavra "bunda"...

E qual não foi a minha surpresa ao sair de casa pela manhã e ver os perueiros circulando com as Kombis...com a palavra "grátis" escrita nos vidros e na lataria. Aparentemente os perueiros estão protestando de novo para a regulamentação. Legal isso, depois do iG, agora vem o pG (Perua Grátis). Saiba tudo sobre essa palhaçada aqui.

Som

2001-07-12 15:58:00 +0000

"Vou trocar o meu carro...vou trocar numa Renault...."

Mentira. O Clio tá muito caro. É uma lindeza aquele carro, mas não tou querendo me endividar por mil anos. Devo trocar num Fiesta besta mesmo. Meu carro atual, o Uno Mille EP From Hell, tem urucubaca. Já fui batido uma pá de vezes, e sempre tem um defeitinho pra encher o saco. Além do mais, uma das caixas de som dele está com mal contato. Isso pra mim é o fim da picada. Sem som no carro eu não existo. Sem música eletrônica eu não existo.

Falando nisso, estive nesse FiberOnline aí vendo como anda a música eletrônica no Brasil...no meio dos picaretas (tipo o AD), eu já havia garimpado os caras do 2FXs, que acho geniais, então saí à caça de novo. Mas estou com medo, porque hoje em dia qualquer zé dendágua que vai numa rave acaba empolgando e virando DJ ou produtor.

Nomes

2001-07-09 15:55:00 +0000

E rolou aqui no email do serviço um concurso de "Nome mais podre de banda de heavy metal"...só valeram nomes de bandas REAIS com existência comprovada. Veja os vencedores:

01 - A Cat Born In An Oven Isn't a Cake

02 - Alabama Thunder Pussy

03 - Gangsta Bitch Barbie

04 - Drakula Milk Toast

05 - Fearless Iranians From Hell

06 - Zorgim the ugly son of God

07 - Fermented Semen

08 - Pig Destroyer

09 - Necrobestiality

10 - Satan Claus

Roubo

2001-07-09 14:59:00 +0000

Tou baixando os MP3 do disco "Metropolis", do Jeff Mills, no AudioGalaxy. Eu tinha este CD, mas entrou ladrão no meu carro e roubou o meu som. Os CDs tavam numa caixinha no porta-luvas, que o ladrão, não sei porque cargas d'água, levou também. Meu CD importado do Jeff Mills, que estava na caixinha, deve estar servindo de porta-copo pra latinha de Skol que o maldito ladrão está tomando nesse exato momento, enquanto ouve "bonde do tigrão". Ah, e seu filhinho está brincando no terreiro com os outros CDs do Tricky, do DJ Marky, do Kraftwerk...

Cê já ouviu Jeff Mills? O mundo é dividido em dois, os que não conhecem Jeff Mills e os que consideram Jeff Mills um deus.

Vi um negócio no LetsVamos... tá certo que é chupado do Dancing Paul, mas ficou engraçado... "dance, potranca!" (é, quebrou o link)

Além disso, tou vendo que o Virtual Turntables, maravilhoso programeta para DJs que já usei trêis vêiz mixando MP3 em festas, vai acabar no limbo. Já tão recrutando, no site do Carrot Innovations, dois programadores pra tentar continuar o projeto, porque o "pai" do programa tá sem tempo, formando-se, trabalhando, basicamente vivendo uma vida normal.

E enquanto meu banco de dados leva uns 20 minutos para montar um relatório, me divirto nessa página estatística do Google. Essa eu vi no Tom-B. "Shakespear" é legal...

Fatboy

2001-07-02 20:34:00 +0000

E nessa onda de anti-pop eu dei uma segunda chance ao meu CD do Fatboy Slim, o "Halfway between the gutter and the stars". Tirando as músicas com a Macy Gray, o CD é até legalzinho. Mas não tem muito caldo, nenhuma música foi expressiva o suficiente pra colar na minha cabeça (como, por exemplo, "pull/pulk revolving doors" do Amnesiac fez).

No CD do Fatboy, na faixa "Song for Shelter", no meio das dezenas de "I get deep" que o Roland Clarke fala, ele diz:

"...dancing with the hands up in the air as if Jesus was a DJ himself spinning those funky...funky...funky beats..."

Taí, bela analogia...imagina Deus de DJ: Aquele cara barbudão, com fones nas orelhas, e as pick-ups surgindo no meio de nuvens...e cada scratch dá aquele estrondo, altos relâmpagos, o vento balançando a cabeleira de Deus enquanto ele manda aquele house porrada..."tum-tum-tum-tum-Cabruuuuum!-Tum-Tum..."

Uma última curiosidade...enquanto terminava o curso superior, o Thom Yorke (foto), do Radiohead, tocou guitarra numa banda techno chamada Flickernoise! Subitamente a dupla Kid A e Amnesiac mostra uma raiz eletrônica...

Napster está morto mas não está fazendo falta

2001-06-29 15:35:00 +0000

Tem um novo ícone perto do relógio do meu Windows. É o ícone do AudioGalaxy Satellite, de longe o melhor "pegador" de MP3 que já vi. Fui testar o programa, só pra desencargo de consciência, e me deu até medo: Logo na página inicial já tinha MP3 da Anjali pra baixar (Anjali é trip-hop do bão), coisa que eu procurei igual doido no BearShare e no WinMX e não achei. Anjali até tinha no Epitonic, mas só uma música chamada Strawberry Mousse.
Definitivamente, o AudioGalaxy é o "way to go" depois do fim do Napster. É até bom, a indústria musical já processou alguém e fica lá pensando que a ameaça do MP3 tá resolvida.
Fiquei ainda mais feliz quando caçei coisas do Minutemen e Marco Carola no AudioGalaxy e achei tudo...de primeira. E, enquanto eu me esforçava pra entender o esquema de baixar arquivos do programa, os MP3 já tinham sido silenciosamente transferidos pro meu HD, ou seja, quando eu ia baixar, já baixou. Pontos, muitos pontos pro AudioGalaxy!

E falando em MP3, um formato musical vindo do computador Amiga era muito popular entre os geeks que compunham a cena demo européia nos anos 80/90. Era o MOD, de MODule. Era um arquivo que concentrava em si, basicamente, os sons dos instrumentos e a melodia a ser tocada com eles. O MOD evoluiu para o XM (eXtended Module), que era feito com programas chamados "trackers". O "Pelé" dos trackers é o Fast Tracker, programeta genial para DOS que usei para compor entre 1997 e 1999.

Bolero

2001-06-28 20:48:00 +0000

Voilá! Temos um primo novo no site. Luiz já está "postando" (como vocês podem ver abaixo). Agora eu tou sofrendo pra separar nossos "posts" pelo nome. Tá dando pau.

Ouvi hoje no Pânico que a maior música do mundo seria um bolero de 36 horas, que inclusive teria sido executada essa semana num festival em Cuba. Será que alguém tem pique para dançar esse tempo todo?

Duvidei e conferi no Guiness. Não achei nada, mas achei coisas legais, como o seguinte:

:: A ópera mais longa que se tem notícia é de Wagner, e chama-se Die Meistersinger von Nürnberg. Ela tem 5 horas e 15 minutos.

:: O videoclipe mais longo é Ghosts, de (quem diria) Michael Jackson. É uma mistura de filme com videoclipe, que tem 35 minutos! Michael faz cinco personagens diferentes no vídeo. Esse não passa na MTV nem a pau.

:: Essa é boa: a composição com a menor quantidade de notas de que se tem notícia é de John Cage, e chama-se 4'33''. Esta música não contém nenhuma nota e, para executá-la, o músico apenas sobre ao palco e fica parado, para que a "música" seja composta apenas pelos sons da platéia. Só tenho uma dúvida: a que horas o pessoal começa a aplaudir?

Tortoise

2001-06-27 15:11:00 +0000

Outro dia saiu no London Burning uma coluna do Luciano Viana falando do Tortoise. A matéria foi tão estúpida, patética e baseada em fatos nenhuns, que eu até fui xingar o Luciano no fórum deles.

Mas hoje eu li esta coluna, do Eduardo Fernandes, e estou chorando de rir! Ponto pra ele.

Aproveitei e passei o olho no fórum...palavrões, palavrões, banda xis não é indie, banda ipsilon é indie, Zé Ruela quer ser indie, ser indie é isso, ser indie é aquilo...legal né, "padrões para ser indie". Todas as vezes que eu vou na Obra ou vejo show de coisas "underground" ou "indie" (notem as aspas), eu percebo um monte de gente amontoada, batendo cabeça, sem saber direito o que estão fazendo. Gente que só está lá pra não ficar em casa assistindo TV, porque assistir TV não é "cult". Parece que todo mundo tá fugindo ou desorientado, amontoando-se neles mesmos para não caírem. Gente que desce o pau na Sandy porque ela é "estrelinha pop, produto da mídia", mas que na verdade faz isso porque, lá no fundo, queria, pelo menos um pouquinho, se permitir viver uma felicidade brega ouvindo "as quatro estações" e olhando pra beleza virginal da Sandy.

É, as brigas do fórum só refletem as brigas com eles mesmos.

Friends

2001-06-26 20:18:00 +0000

Hoje tem final de temporada do meu entretenimento descerebrado preferido: F.R.I.E.N.D.S.. Queria saber porque se escreve Friends com esses pontinhos aí no meio. É alguma sigla? Se você souber me mande um email contando.

Aqui no serviço tá tudo meio lento. Aproveitei que o computador costuma ficar uns 20 minutos executando comandos complexos e estou lendo muita coisa sobre sintetizadores na Net...pra melhorar minhas habilidades com composição. Vai no site dos Chemical Bit Cousins procê ver os barulhos que eu ando fazendo com meu primo, Luiz.