Posts da categoria “Reviews”

Shows que merecem um post: Girl Talk

2010-11-28 15:27:11 +0000

Shows sempre são cheios de surpresas pra mim. Da última vez, quis ver o Radiohead mas acabei fritando mesmo com o Kraftwerk. Sábado passado, no Planeta Terra, não foi diferente: fui pra ver o Pavement, mas gostei mesmo foi de ninguém menos que Girl Talk.

Já eram duas da manhã e eu estava exausto, desidratado, e gastando minha última ficha de cerveja em frente ao "palco Indie" (que nomezinho) quando Girl Talk subiu sozinho no palco. Ainda não tinha nada tocando mas o cara já estava em cima da mesa de som, gritando, alucinado: "LEMME HEAR YOU MAKE SOME NOOOOOOOOOOOOOOISE!!!!". E aí entra a música e uns assistentes dele pegam uns leafblowers (sabe, aqueles sopradores de folha?) com rolos de papel higiênico amarrados na ponta e começam, numa gambiarra genial, a disparar papel higiênico no público como se fosse serpentina. E era MUITO papel higiênico. Ironicamente, no outro palco Billy Corgan tocava um show chato usando uma camiseta escrito "NATURE", ao invés do clássico "ZERO", enquanto a gente tava lá desperdiçando metros e mais metros de papel. E quando o caos já estava completamente instalado, de repente sobem umas TRINTA pessoas no palco - gente aleatória, da produção, de outras bandas, VIPs, repórteres, etc. - que começam a dançar e jogar ainda mais papel higiênico uns nos outros. Gregg Gillis (o Girl Talk em si) era de longe o mais animado: o cara estava absolutamente elétrico, pulando e dançando e gritando o tempo todo com um vigor indescritível, inacreditável.

Entendi a proposta na hora.

Instantes depois, apesar de exausto e desidratado, eu fui parar na grade em frente ao palco, pulando e cantando junto. E foi assim que eu vi um dos shows mais divertidos de toda a minha vida.

Aí você deve estar pensando "Porra! Mas teve PAVEMENT no mesmo dia e cê tá aí pagando pau pra um cara que não faz nada além de tocar Britney Spears misturado com Kanye West misturado com Rihanna?". Sim, porque a proposta de Girl Talk não era a de fazer um show "musical", como o das outras bandas, que efetivamente tocaram alguma coisa, que possuem importância histórica e uma discografia ilibada (como o Pavement). A proposta do show do Girl Talk era justamente a de largar toda essa seriedade de lado e simplesmente se divertir. E nada mais divertido que música pop, pirateada e misturada de forma avacalhada - o que, em si, é uma forma de perverter a indústria do entretenimento, coisa que sempre dá uma satisfação interior. Claro que teve um monte de indies cabeçudos que não se permitiram curtir o show porque tocava 30 segundos de Britney Spears ou porque misturava Jay-Z com Black Sabbath. Eu mesmo confesso um breve instante de descrença de mim mesmo quando me peguei cantando, a plenos pulmões, o refrão de "Living on a prayer". Mas era justamente isso a parte divertida do show: a oportunidade de abandonar preconceitos e festejar.

E, convenhamos, tem umas combinações que você jamais imaginaria que funcionariam tão bem, como Lady Gaga e Aphex Twin...

Veja uma parte do show aqui (dá até pra me ver em 5:50), ou baixe All Day, o disco novo de Girl Talk, gratuito e ilegal, aqui.

O Primo recomenda: The Wire

2010-09-29 21:29:49 +0000

The WireNo universo das séries de TV tem de tudo. Tem desde aquelas feitas pra você chegar em casa, tirar o sapato, ligar a tevê, desligar o cérebro e ficar esperando a risada enlatada te informar o momento onde você deve(ria) rir até as que investem em longos e complexos arcos narrativos e que mais parecem um longo filme em 24 fatias de uma hora cada. Variações de formato, cor e textura à parte, todas elas se encaixam em um formato mais ou menos raso e de produção enxuta para, imagino eu, torná-las viáveis financeiramente para os canais de TV.

Daí você tem as produções da HBO, que estão vários níveis acima do "varejão" das séries televisivas em termos de qualidade. São produtos mais adultos, muito mais bem produzidos e com histórias e personagens muito mais profundos que a média. Isso ficou bem nítido pra mim conforme eu assistia Roma ou a excelente Alice (da HBO Brasil). E então resolvi ver The Wire.

À primeira vista, é só uma série totalmente ordinária, com atores desconhecidos, nenhum efeito especial ou atrativo plástico/visual e uma temática nada inovadora de contar as histórias da força policial de Baltimore lutando contra o tráfico de drogas. Mas é tão bem executada, mas tão bem executada, que existe um coro de críticos de TV que afirmam categoricamente que The Wire é a melhor série já produzida para a TV.

E eu concordo plenamente.

Acho que o principal fator que contribui pra excelência de The Wire é o roteiro. Não porque ele é surpreendente ou incomum, e sim porque ele é realista, quase "documentarial". Raríssimas cenas tem trilha sonora, os traficantes e policiais usam suas gírias típicas e seus fucks, shits e niggas o tempo todo (o que deixa algumas coisas ininteligíveis, mas aumenta ainda mais a imersão na história), não há "flashbacks" para relembrar de cenas passadas, nem narração em off para explicar o que alguém está pensando. Porque na verdade não precisa. Muita coisa é dita em olhares, em expressões, em linguagem corporal, assim como na vida real.

Além disso todos os aspectos da investigação policial estão incluídos - inclusive os chatos e técnicos, como a burocracia para conseguir um mandato ou a politicagem do alto comando da polícia que acaba atrasando investigações. Você acha que a série vai ser um "polícia invade boca de fumo e leva todo mundo pra cadeia" e encontra um "policial precisa de provas suficientes para requisitar um mandato que o juiz aprove mas isso não pode passar pelo tenente porque o que ele quer é agradar o chefe dele melhorando as estatísticas criminais do distrito e por isso manda todo mundo sair pra rua pra ficar prendendo ladrão de galinha ao invés de fazer trabalho investigativo", e por aí vai.

E, como se não bastasse, os roteiristas ainda conseguiram, no meio de todo esse realismo, atingir uma profundidade literária que eu nunca havia visto. Sabe quando você lê alguma coisa muito bem escrita e, mesmo depois de fechar o livro, se perde por várias horas pensando no que acabou de ler? Logo na primeira temporada um dos policiais fala que quer se jogar das escadas da delegacia, pra poder processar a polícia por acidente de trabalho e ganhar uma grana. "Eu mereço", diz ele. E, no contexto da série e conhecendo as nuances do personagem, eu passei DIAS pensando no quão genial foi o "eu mereço" que ele disse.

E em The Wire todos os personagens são brilhantes. Todos. Sem exceção. Desde o capanga mais básico até o mais genial dos investigadores policiais. Só pra citar um exemplo: Omar Little, um criminoso com uma cicatriz no meio do rosto, é tão casca-grossa que ganha a vida passando a perna nos outros traficantes casca-grossa. Todo mundo tem medo dele. Já a polícia volta e meia precisa da ajuda dele. Um detalhe: ele é gay. Outro detalhe: Barack Obama é fã declarado dele.

"...o mais durão e malvado da série. Mas isto não é um endosso. Ele não é minha pessoa favorita, mas é um personagem fascinante" - Barack Obama, o presidente dos EUA, sobre Omar Little. Eu não estou brincando.

The Wire, como tudo que é bom, durou pouco: apenas cinco temporadas. Mas vale o download. Tem todas na, er, "Loja do Torresmo", algumas já com legendas em inglês. Confie em mim: você vai precisar delas, por melhor que seu inglês seja.

O Primo recomenda: God of War 3

2010-06-16 02:43:24 +0000

Outro dia eu e Bethania estávamos na cozinha fazendo comida e pensando no que poderíamos ver na TV enquanto almoçávamos. Nossa opção normalmente são as séries que eu “obtenho” via internet, mas Lost tinha acabado, 24 horas também, Fringe também, então não restavam muitas opções. Daí eu tive uma ideia:

- Bom, eu posso ir jogar God of War 3.

Bethania pensou por alguns instantes. Depois disse:

- Mas comer e jogar ao mesmo tempo não vai te atrapalhar?

Pois é, meu amigo. God of War 3 é um jogo tão bom, mas TÃO BOM, que minha esposa para pra ASSISTIR o jogo. Normalmente ela brigaria comigo porque estou jogando videogame na hora do almoço. Em GoW3 ela briga comigo é quando eu faço alguma idiotice no jogo e acabo morrendo.

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O bom do GoW3 é que não há limite nenhum para exageros nas cenas de ação. Afinal, como é um videogame ambientado num universo mitológico de deuses e titãs, vale tudo. Coisas que forçariam a barra em qualquer filme ficam perfeitamente factíveis – e absolutamente embasbacantes – no jogo. Como no fim da batalha contra Poseidon, aonde Gaia, a mãe-terra, desfere o golpe final (leia-se “SOCO DA ROÇA”) no monstro de água criado pelo deus dos mares, e impulsiona Kratos para que atravesse o “coração” da criatura e arranque Poseidon de lá. Essa foi uma das raras vezes que, em duas décadas de vivência com videogames, eu larguei o joystick, levei as duas mãos à cabeça e gritei “putaquepariu” em frente à TV.

É aos 3m50s do vídeo abaixo:

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Detalhe: tudo isso acontece nos primeiros 20 minutos de jogo.

E sobram momentos embasbacantes em God of War 3: eviscerações de centauros, cavalgadas sobre cérberos cuspidores de fogo, olho de troll sendo arrancado e por aí vai.

Acho que o grande trunfo de God of War 3 é que ele, apesar de ser basicamente um “joguinho de porrada”, ele contém uma série de elementos de gameplay e detalhes visuais que não somente mantém o seu interesse no jogo como fazem com que ele fique cada vez melhor conforme você vai jogando.

É importante destacar também que GoW3 não é só bonito. A história da trilogia está no seu ápice – o que, no caso do God of War, significa que Kratos está matando todo mundo que ainda não morreu nos dois últimos jogos da série. E como Kratos está matando deuses, e estes deuses governam a Terra, Kratos está, efetivamente, acabando com o mundo. E não dá a mínima…

Pedaços de posts que nunca concluí

2009-12-29 05:22:13 +0000

Em nenhuma ordem ou contexto específico (Viva o caos!).


Teorias sobre motivação, existem várias. Apenas duas funcionam: 1) Dinheiro e 2) Café. Tem também o 3) Sexo, mas essa tem uma série de complicações jurídicas quando usada em ambientes corporativos.


  • E esses bonequinhos 3D em overlay no campo, hein Globo? Tá parecendo Age of Empires…
  • Que mau gosto o dessa camisa do Flamengo. A fonte do nome do jogador é a mesma dos filmes do Homem Aranha que é a mesma do Playstation 3.
  • Esses gritos de guerra do Flamengo não rimam não? “Dá-lhe dá-lhe ô / Mengão do meu coração”?
  • (Quando a TV digital dá interferência e a tela se enche de “glitches”): E pensar que meus filhos nunca vão saber o que são chuviscos de uma TV analógica fora do ar…

Então que agora eu virei consultor-líder do maior contrato do ano da minha empresa de consultoria e meu dia de trabalho consiste, basicamente, de um continuum de reuniões.

Ontem uma delas era para acertar o escopo do trabalho com uma das gerentes do cliente. Daí que eu cheguei e me sentei na mesa todo pimpão e todo mundo tava batendo cabeça e eu incorporei o exu de consultor-líder e saí, ao mesmo tempo, colocando ordem na bagaça e tomando cuidado para não desautorizar a mulher (que, pô, era a gerente da coisa). E ela lá, só ouvindo.

Até que, no meio do meu “leadership spree” eu saio falando que…

- …então acho importante seguir as orientações da Miriam.

E ela rebate:

- Meu nome é Luiza.


Brunetto
Comida Italiana - Site: Não tem.
Rua Dr. Renato Paes de Barros, 465 - Itaim Bibi

Sabe, normalmente a comida italiana me motiva... motiva a tirar um cochilo depois. Só que a do Brunetto (onde almocei hoje) estava TÃO boa que me motivou a escrever este post. Diz Bethania que os donos moraram na Itália, então deve ser por isso que as massas são tão gostosas. Ah, não deixe também de comer a bruschetta do Brunetto (por mais transsexual que isso possa parecer).

Kebaberia
Kebabs (comida árabe) - http://www.kebaberia.com.br/
Rua Dr. Renato Paes de Barros, 777 – Itaim Bibi Rua Joaquim Floriano 179 – Itaim Bibi

Quando se pensa em Oriente Médio normalmente o que vem à cabeça é "terrorismo", "petróleo", "Prince of Persia"... e, por último, a comida do Habibs. Então os kebabs - "enrolados" de carne grelhada, originados no Irã - acabam passando despercebidos. Mas são uma delícia, é como se fosse a fast-food das arábias.

No almoço é bem cheio, então dá um ótimo lugar para ataque de homem-bomba chegue cedo.

Bolados
Lanches e sucos - http://www.boladossucos.com.br/
Rua Joaquim Floriano, 373 – Itaim Bibi

Minha mulher odeia o Bolados: “Sanduíche não é almoço”, diz ela. No cardápio tem um de peito de peru com tomate seco que discorda veementemente. Vale lembrar que o Bolados, além de bom, é barato, tornando-se uma ótima sugestão para os dias em que sua carteira teve crises bulímicas e tá magrela.

Pibu’s
Lanches - http://www.pibus.com.br/
Av. Pres. Juscelino Kubitscheck, 819

Opção boa (e razoavelmente barata) quando você quer fugir dos lanches tradicionais do Itaim (New Dog, Joakin’s, Fifties, etc). Mas peça o delivery – o restaurante “físico” é praticamente inexistente.

Beacons of Ancestorship, faixa a faixa

2009-10-14 03:05:36 +0000

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Depois de um hiato de cinco anos sem lançar material inédito, eis o retorno do Tortoise, banda das mais caras ao coração deste que vos escreve, retorno este que deu-se da seguinte forma:

1. High Class Slim Came Floatin' In - É o início do disco, mas você chega logo a uma conclusão: Toda banda muito boa tem, obrigatoriamente, um PUTA baterista - coisa mais do que confirmada a cada disco do Tortoise. Foi assim em "Djed", foi assim em "Seneca", e dessa vez não é diferente. "High Class Slim Came Floating' In" é longa (8'14'') mas contém umas cinco músicas diferentes dentro de si. Mais umas duas ou três audições e você terá a surpresa de notar que as cinco músicas fazem referências umas às outras. Sim, Tortoise tem muitas camadas.

2. Prepare Your Coffin - Bem, digamos que é uma daquelas "putaquepariu que filhos da puta como é que eles fazem isso" kind of song.

3. Northern Something - A terceira faixa traz duas certezas: uma é a que a distorção veio FORTE nesse disco, e a outra é que toda banda muito boa, sim, tem um PUTA baterista. Mas note que a parte do "puta" em "puta baterista" refere-se menos à técnica e mais a um certo senso rítmico, uma compreensão dos alicerces de uma boa batida.

4. Gigantes - O título em provável-português, as palmas e as cordas beliscadas dão uma impressão meio "capoeira" à coisa toda. Mas da segunda metade da música em diante o norte-americanismo do Tortoise volta a dominar.

5. Penumbra - É uma "música-pintura" de um minuto: mais estática que dinâmica, pinta uma paisagem de timbres muito mais do que desenvolve uma história.

6. Yinxianghechengqi - Barulhenta demais numa primeira audição e genial em todas as subsequentes. Pense na estética do punk rock usado como veículo para a técnica de progressão harmônica do jazz moderno. Pouquíssimas bandas teriam os colhões para tentar uma coisa dessas. Menos ainda a habilidade de se dar bem no final.

E deste ponto em diante o disco muda COMPLETAMENTE:

7. The Fall of Seven Diamonds Plus One - É a versão musical de um pai dizendo ao filho, num tom preocupado: "Sente aqui, meu filho. Preciso lhe dizer umas verdades". A analogia com uma conversa não é por acaso: as guitarras dedilhadas tocam melodias tão evidentes, tão expressivas, que são mais diálogo que música. Destaque para o ritmo "assombrado", marcado de quatro em quatro tempos ora por um baque seco, ora pelo tilintar de correntes metálicas.

8. Minors - O título dá a dica: progressões harmônicas em acordes menores, tocadas com timbres veranescos. Serve para resgatar o ouvinte do clima taciturno da faixa anterior e para dar o tom do resto do disco (basicamente: menos distorção).

9. Monument Six One Thousand - O disco começa a esfriar a partir daqui. As guitarras escalam escalas modernas sobre um chão de baixo meio ácido. A música parece não saber bem para onde está indo - coisa rara nos discos do Tortoise.

10. De Chelly - É um pequeno interlúdio de menos de dois minutos, bem solene. Lembra Bach e Laranja Mecânica.

11. Charteroak Foundation - Uma faixa bem cerebral, pra fechar o disco. Teclados dançando sobre um ever-repeating baixo tocado fora do ritmo, tanto do jeito certo (tercinas) quanto do jeito errado (realmente fora do tempo em alguns momentos). E, onze faixas depois, você tem a reconfortante certeza de que o Tortoise continua desgraçadamente bom.

O Primo NÃO recomenda: Hotel Sonesta Brasília

2009-10-01 03:13:22 +0000

sonesta Em seis anos de consultoria eu já dormi em tudo que é canto: cama de resort cinco estrelas, hotel de posto de gasolina do interior do Mato Grosso… já pernoitei até em guarita de porteiro de fábrica de armas (é sério!). Mas um hotel que não era pra decepcionar e que me surpreende – no MAU sentido - a cada dia e há muito tempo é o Sonesta de Brasília – “Soneca”, para os íntimos, como eu e o Esparroman (que também já pagou uns pecados por aqui).

Não é brincadeira quando digo que o Sonesta não era pra decepcionar: o prédio do hotel é novinho, deve ter uns 3 ou 4 anos de idade. Os quartos são super bem decorados - alguns tem até varanda. Todas as amenidades de um bom hotel estão aqui: internet, academia, restaurante, sauna, piscina, serviço de quarto 24 horas e tal.

Por fora, bela viola. Por dentro… pão bolorento, como diria o sábio Chaves. Olha a LISTA de coisas que já me aconteceram aqui:

  • Comecemos pela internet, simplesmente inutilizável de tão lenta. Eu já usei internet de algumas DEZENAS de hotéis diferentes Brasil afora, e a do Sonesta é a pior de todas, de longe. É tipo o Rubinho Barrichelo num velocípede. Um absurdo para um hotel que se vende por aí como “hotel de negócios”.
  • Aí você pensa: “Ah, mas é só internet, não é a coisa mais importante de um hotel”. Concordo. Vamos então para algo um pouquinho mais sério: em vários quartos falta água quente no banho, especialmente de manhã.
  • Achou o problema da água quente no banho sério? Então engole essa: o problema da falta de água quente no banho acontece há no mínimo DOIS ANOS e até hoje não foi resolvido.
  • Além de torcer pra não pegar um quarto sem água quente, você precisa também evitar os quartos da lateral do prédio, que são minúsculos, de não sobrar espaço pra passar pro outro lado da cama. E estes são justamente os que tem DUAS camas de solteiro. Isso sem contar os quartos que ficam exatamente atrás do elevador e que são simplesmente inabitáveis por causa do barulho.

    Estes são os problemas “crônicos” – ainda tem os esporádicos, como quarto com porta que não abre ou quarto com problema elétrico onde nenhuma luz ou tomada funciona. Peguei um destes essa semana, por sinal.

  • “Por favor” e “obrigado” não são muito usados pelo pessoal do hotel. A tosquice no atendimento chegou a um extremo na última sexta, quando fui fazer meu checkout: logo após puxar minha reserva no computador o cara da recepção começou a rir quando viu meu sobrenome. Na minha frente. Aí ele viu minha cara de furioso e disse:

    - Desculpe, senhor…

    E quando eu achei que ele ia complementar o pedido de desculpas, ele me manda um:

    - …mas é que tem o Tonico e Tinoco, a dupla sertaneja!

    E continuou rindo, o filho da puta.

  • O restaurante é uma piada, tanto o serviço quanto a comida. Um dos exemplos eu já até postei aqui. Atualmente o máximo que eu peço da cozinha é um prato e talheres pra não precisar usar talher de plástico ao comer comida de um delivery qualquer… e até isso dá errado. Pausa para pequena historinha:

    Semana passada eu liguei pro restaurante do hotel, pedi um prato e talheres. Depois (repare na sequência) liguei pro Grandville e pedi um salmão grelhado com salada e cebolas empanadas pra acompanhar. “Previsão de entrega é 45 minutos, senhor”. Mais ou menos nesse tempo chega o motoboy com o salmão e a salada, mas sem a cebola empanada. Mais uns 10 minutos e ele ligou pro restaurante, confirmando que estava mesmo faltando. Daí ele saiu pra buscá-la e voltou uns 30 minutos depois. Eu comi o salmão, a salada e as cebolas (tudo muito bom, recomendo, tem em São Paulo inclusive) e já estava escornado na cama quando, DUAS HORAS DEPOIS, chega o cara do restaurante com meu prato e os talheres. Sim, DUAS HORAS, não tou brincando.

  • Update: Outro dia achei uma barata no meu quarto (detalhes neste post).

“Pô, você precisa reclamar dessas coisas com o gerente!”, você deve estar pensando. Eu comecei preenchendo os papeizinhos de “Fale Conosco” da recepção e, como não adiantava nada, acabei indo conversar com a Srta. Chananda Tubert, gerente de operações. Sobre a internet, ela disse que o hotel tem um link de 1 MBps (sim, UM MEGA, pro hotel INTEIRO) e que, se fosse pra aumentar, ela teria que começar a cobrar pelo uso. Ou seja, ela me mandou um “foda-se você” bem suave. E sobre a água quente ela ficou de verificar (versão suave do “tou cagando e andando”). Como alguns MESES depois nada mudou, eu fui no site global da rede Sonesta, escarafunchei até achar um email “global corporate” qualquer deles e caprichei no meu inglês em um email CABELUDO reclamando da incompetência da gerente. No dia seguinte ela me abordou no café da manhã e, toda simpatiquinha, me encheu de promessas de melhoria. Nenhuma delas cumprida. E isso foi há mais de um ano.

Então já sabe: ao visitar Brasília, para uma boa soneca, não fique no Sonesta: vá pro Mercure, pro Metropolitan, pro Naoum Express… mesmo que você pague um pouco mais caro.

Cinco reviews aleatórios de cinco coisas aleatórias

2009-06-18 17:48:29 +0000

1) Sanduíche Subway de frango teriaki no pão integral com alface, tomate, cebola, picles, molho de mostarda e mel e uma pitada de pimenta calabresa

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Na foto você vê a versão “publicitário” (esq.) e a versão “cliente” (dir.).

Eu sempre peço exatamente este sanduíche, com estes ingredientes, quando vou ao Subway. É uma reação meio inconsciente, porque me lembra um frango teriyaki que eu comi uma vez, em algum restaurante de algum lugar do brasil (nem me lembro mais) e que estava delicioso. O do Subway nem chega perto, mas traz boas lembranças.

Um destaque é a higiene do Subway, que parece ser muito boa: hoje eu fui entrando na loja, distraído, com meu cachorro junto, a atendente quase teve um troço e me botou pra fora rapidamente.

2) Metal Gear Solid 4 – Guns of the Patriots, para Playstation 3

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Ganhei de presente de dia dos namorados. É um presente que passa uma mensagem interessante, tipo “eu te amo, agora vá ali se esgueirar atrás de um guarda, agarrá-lo e cortar a garganta dele”.

Ainda não devo ter jogado nem 50% do jogo – que é LOOONGO - mas já posso afirmar que no geral ele é mesmo um dos melhores títulos para o PS3. A jogabilidade é excelente: as centenas de armas/itens/gadgets de Snake te permitem ser o quão, er, “criativo” você quiser ser para passar de fase. Estou me divertindo horrores.

A jogabilidade do MGS4 é tão boa que acaba compensando um problema muito chato: as cutscenes, aquelas animações entre as fases que contam a história do jogo. Aparentemente Hideo Kojima, o autor da série Metal Gear, tem um ego enorme e está se achando o J. R. R. Tolkien dos games: entre cada “ato” (Kojima chama as fases de “atos”, afinal, na cabeça dele isto não é apenas um jogo, é um épico) você acaba sendo obrigado a ver cutscenes ENORMES, contando todos os mínimos detalhes de uma história bem mais ou menos. Tipo, logo que você mata o primeiro chefão, te chamam no rádio e ficam CINCO MINUTOS te contando a história de vida do chefão que você acabou de matar. E entre os atos 2 e 3 você é obrigado a assistir UMA HORA DE CUTSCENE. Sim, meus amigos, UMA HORA.

3) Tag “Via Fácil” para pagamento automático de pedágio

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Esse eu comprei quando estava na Fernão Dias, indo pra BH de carro. Perguntei quanto custava, a mocinha disse que tinha apenas uma taxa de adesão de 3 parcelas de R$ 18,76 que valia por CINCO anos.

O tal “tag” ainda tem a praticidade de pagar automaticamente o estacionamento de um monte de shoppings de São Paulo, o que é MUUUITO prático. Acabou aquela novela de toda vez eu virar pra Bethania e perguntar do ticket do estacionamento e ela ficar meia hora revirando a bolsa até descobrir que o ticket estava no bolso da minha calça. Mesmo eu não viajando tanto, desembolsar 11 reais por ano e nunca mais pegar fila de guichê de estacionamento de shopping me pareceu razoável…

…até eu descobrir uma mensalidade de R$ 10 que a mocinha que me vendeu acabou se “esquecendo” de mencionar e que eu só fiquei sabendo que existia quando recebi a fatura. Aí o valor anual passou de 11 para 131 reais e eu tratei de devolver logo essa porcaria.

4) Balas de alga marinha

image Eu fui apresentado a estas balinhas pelo meu amigo Marcos. Segundo a embalagem, elas são 100% naturais e contém agar-agar, um extrato de algas marinhas “riquíssimo em fósforo, iodo e sais minerais. Combate flacidez, age como vitalizante celular, retarda o envelhecimento dos tecidos, evita rugas, fortalece unhas, revigora o couro cabeludo evitando a queda dos cabelos...”, ou seja, é o tipo de coisa que spammers venderiam em emails intitulados “V1AGRA C1ALIS AG4R AG4R”, etc.

O gosto não lembra algas marinhas, e sim jujubas, mas mais duras e sem todo aquele delicioso açúcar em volta. Cada bala de algas tem 21 calorias, o equivalente a sete ou oito jujubas. As balas são boas, mas prefiro jujubas. Já disse que adoro jujubas?

À venda na Liberdade ou naquelas lojinhas de produtos natureba. Só não recomendo o site do fabricante, que não é nada natural (ou seja, foi feito em flash).

5) Solução de desinfecção de lentes de contato Opti-Free RepleniSH

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Quem usa sabe como é: você coloca as lentes no começo do dia, elas vão ressecando e à noite parece que você tem dois post-its nos olhos, prestes a descolar. Aí vem o tal Opti-Free “RepleniSH” (com SH maiúsculo, sei lá por quê) e promete que vai “reter a hidratação, intensificando o conforto”, ou seja, você não vai chegar à noite parecendo o Mr. Magoo.

E não é que o troço funciona mesmo? No fim do dia meus zóios estavam muito mais confortáveis, mesmo depois de mais de 12 horas olhando mulher pelad… err, planilhas de dados no computador. Mas não espere milagres: as lentes continuam ressecando, mas bem menos que o normal.

O rótulo diz que o poder reidratante vem de uns compostos químicos com nomes assustadores, tipo “ácido nonanoil etilenodiaminotriacético” e “miristamidopropildimetilamina”. Acho que se eu pingar isso direto no olho eu vou sair soltando raio igual o Ciclope.

 

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As Férias do Primo, Parte 2-B: A Pousada

2009-02-07 15:08:13 +0000

Com toda certeza, a grande responsável pelo sucesso das nossas férias foi a Pousada Chez Roni, que nos acomodou durante a nossa visida à Baía da Traição.

Saca só o nível do lugar. Parece, sei lá, o Marrocos ou a Grécia - mas é ali na Paraíba mesmo!

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O lugar é bem simples. Não espere TV, frigobar ou telefone no quarto (internet nos quartos – realmente essencial :) - eles já estão providenciando). Mesmo porque não faz sentido encher o quarto com um monte de coisas para te manter dentro dele quando logo ali, do lado de fora, na cara da sua janela, tem a praia e o mar.

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Junto com a simplicidade vem também o bom atendimento. O pessoal não mede esforços para que você se sinta à vontade. Você é bem tratado não por que está pagando: na verdade você é muito bem tratado porque o pessoal gosta de ser hospitaleiro. Tanto que nos últimos dias da nossa estadia vimos um casal de italianos de saída da pousada e a filhinha deles chorando porque não queria ir embora. E o pessoal da pousada chorava junto

Um detalhe interessante é que a pousada é bastante frequentada por gringos, especialmente franceses. O site é bilíngue, o dono é francês e a sócia dele mora metade do ano na pousada e metade do ano na França, com o marido. Vidinha ruim, imagino…

A pousada oferece meia pensão ou pensão completa. Mesmo que você não queira pagar a mais, reserve um ou dois dias para almoçar e/ou jantar na pousada porque, além de tudo, a comida é uma delícia.

Então já sabe: se um dia você for parar na Baía da Traição, saiba que a Chez Roni é très bien e fortemente recomendada.

O Primo recomenda: Alice

2008-12-17 03:38:30 +0000

alice hbo cartazSim, é aquela série que a HBO produziu. “A história de uma menina de 26 anos que sai de Palmas, no Tocantins, e vem parar em São Paulo”. A premissa não podia ser mais clichê.

Então foi com muita surpresa que, após assistir os treze episódios da série, afirmo: Alice é excelente, fascinante e altamente recomendada.

E é tudo culpa da produção. Alice é absurdamente bem executada. Eu digo sem pestanejar que é a MELHOR produção nacional que já vi, mesmo nascendo com uma proposta batidíssima e, portanto, com tudo pra dar errado. A série mostra São Paulo inteirinha, fala dos seus pontos famosos, mostra seus locais mais conhecidos – e manjadíssimos – mas não fica brega. A personagem principal é a menina se descobrindo no “mundo encantado” da cidade grande – e a história não fica artificial. Os estereótipos estão quase todos lá: o pobre, o rico, o doidão, a modelo, o motorista, o morador de rua, o assaltante, mas nenhum deles é estereotipado nem mostrado daquele jeito forçado estilo “ohh, vejam, o diretor quer mostrar a diversidade da metrópole”.

Pra falar dos destaques da série, só fazendo uma lista mesmo:

  • Os atores mandam muito bem. Na maioria são “ilustres desconhecidos” do ramo, e talvez por isso deixem seus personagens tão autênticos…
  • …em especial a atriz principal, a estreante e talentosíssima Andréia Horta.
  • Os diálogos nunca soam artificiais: não é aquela coisa de novela onde todo mundo se esmera pra falar o português certinho e as frases saem todas de plástico. E, vendo com atenção, dá pra ver que a direção das cenas também guarda algumas surpresas mais artísticas: por exemplo, quando Alice cai, cambaleante, no gelo do meio de um ringue de patinação, aquela queda é também simbólica. Curti bastante estes detalhes.
  • A trilha sonora (do Instituto) acerta no ponto exato entre o urbano e o intimista – e sem passar pelo manjado. O tema de abertura, somado com imagens da cidade filmados com lente tilt-shift, ficou tão bom que dava gosto revê-lo em cada início de episódio.
  • Falando em fotografia, essa aí demonstrou um ótimo olho para captar a beleza tosca (mas sempre beleza) de São Paulo. Beleza esta que me doía, já que eu via os episódios sempre em avião, hotel ou ônibus e acabava com saudade de casa, pensando “olha lá a Nove de Julho… o túnel Ayrton Senna… o terminal Tietê…”. De fato, pelo que andei vendo por aí, Alice parece funcionar ainda mais em quem, como eu, não nasceu em São Paulo mas acabou indo parar lá.

A única coisa manjada da qual a série não teve muito para onde escapar foi que, para ilustrar a “porralouquice” paulistana, o pessoal carrega a mão nas cenas de sexo, drogas e baladas na Rua Augusta. Mas não se trata de nudez gratuita pra dar audiência: tudo faz parte da narrativa, e mesmo as cenas mais picantes são feitas com bastante, err, tato. E uma dica: recomendo evitar assistir os episódios em locais públicos, como salas de embarque de aeroportos – você pode ser surpreendido por uma cena de sexo lésbico entre duas senhoras de 50 anos, e seus vizinhos de cadeira vão te olhar meio esquisito (experiência própria).

alice_hbo

Mas o que mais gostei da série é que São Paulo não é só uma locação: é uma personagem. Ela vive, ela está na trama, ela afeta todo mundo o tempo todo. Neste ponto eu tiro ainda mais meu chapéu para a cidade, pois são poucos os lugares no mundo que tem personalidade suficiente para atuar em seriados…

Eu, sinceramente, torço pra algum canal aberto comprar os direitos de exibição da série, mesmo que seja pra passar de madrugada. Essa é uma série que merece ser assistida por muita gente. Enquanto isso, dá pra achar os treze episódios num torrent perto de você.

P.s.: Falando em séries nacionais, toda vez que eu vejo uma chamada para a série “Ó Paí O” – derivada de um dos PIORES FILMES NACIONAIS DE TODOS OS TEMPOS - eu tenho uma CRISE de DESESPERO.

O Primo recomenda: Almanaque Brasil

2008-12-16 01:15:55 +0000

Não é segredo pra ninguém que eu viajo muito. O problema é que eu viajo REALMENTE MUITO, coisa que fica evidente quando eu vou cortar cabelo no aeroporto de Congonhas e o cabeleireiro já me conhece e chega perguntando se quero "o corte de sempre", ou quando eu abro a revista da Tam de dezembro e, no editorial, ela mostra todas as capas das edições do ano e eu percebo que li TODAS. E com tanta leitura aeronáutica eu posso afirmar, com alguma autoridade, que revistas de avião são bem ruinzinhas.

Grande parte da revista da Tam, por exemplo, é merchandising disfarçado. Você pega e lê uma reportagem sobre Frankfurt (para onde a Tam começou a voar no início do ano), outra sobre Orlando (para onde a Tam Viagens está, convenientemente, vendendo pacotes de férias) e outra sobre o show da Madonna (que a Tam está patrocinando). Essa da Madonna, por sinal, tem um dos PIORES textos que já vi. Quando as matérias e entrevistas são boas é porque são "emprestadas" de outras publicações: a revista da Gol, por exemplo, é feita pela mesma editora que faz a revista Trip e é de lá que sai grande parte do conteúdo. Mas fora isto as revistas são obrigadas a seguir uma linha editorial estilo "agradar gregos e troianos" e acaba virando uma mistura de "Caras" com "Você S/A" e com "Viagem". Não é atoa que o saquinho de vômito fica junto com as revistas...

almanaque brasil Então é com muita surpresa que de vez em quando eu encontro uma das melhores publicações da atualidade perdida no meio dessas porcarias: é o Almanaque Brasil, um grande apanhado de cultura e peculiaridades brasileiras. Ao contrário das revistas de avião comuns, onde o texto é muito mais uma distração pra passar o tempo, o "almanaque" é feito para ser lido de verdade, feito para ser leve e divertido mas interessante. E o mais legal é que ele consegue fazer isso pinçando peculiaridades da cultura brasileira - e mais nada. Não se trata de ufanismo defensivo estilo "fora ianques, vamos preservar o que é nosso", é mais num sentido "olha o tanto de coisa interessante que o seu país tem".

E, de fato, ele tem. A revista deste mês, no lugar de entrevistinhas com a celebridade da moda, foi falar com José Júnior, coordenador do AfroReggae. A entrevista é deliciosa: revela a sagacidade do líder que dirige sua obra social como negócio, porque só assim ele consegue ganhar a atenção da molecada de favela antes que o tráfico o faça. Estas matérias mais densas são entremeadas por artigos leves, diversões e curiosidades que talvez nunca aparecessem numa Veja ou Istoé da vida, mas que tem tudo a ver com a proposta da revista - como a divertidíssima história do pessoal do Jogos Perdidos, fãs de futebol que dedicam-se a acompanhar as partidas de times praticamente esquecidos nas terceiras, quartas e quintas divisões do futebol brasileiro (e mundial). A leitura do Almanaque é tão empolgante que eu sempre me pego lendo coisas pelas quais eu jamais me interessaria sozinho, como por exemplo os "causos" de Rolando Boldrim ou as piadas do Barão de Itararé. É que o que veio antes tava tão legal que eu vou lendo no embalo.

Chega a ser difícil acreditar que uma publicação tão boa seja gratuita. E mesmo quem não voa pela Tam pode ler os exemplares passados, inteirinhos, pelo site. Tem também a opção de fazer uma assinatura (meio cara, R$ 8,16 por exemplar) e receber em casa. E mais: o conteúdo do almanaque é licenciado em Creative Commons, podendo ser livremente usado para fins não-comerciais.

O Primo recomenda – Wipeout Pulse (PSP)

2008-11-22 18:12:18 +0000

wipeout-pulse Eu estou completamente e absolutamente viciado no Wipeout Pulse do PSP. Há tempos um jogo não me dava um "barato" tão bom.

A jogabilidade é INTENSA e altamente absorvente, dá aquele "racer's high" de quando você está absolutamente concentrado em alguma coisa como se a sua vida dependesse daquilo - coisa que eu nunca tinha tido em nenhum jogo single player, apenas nos FPS online multiplayer como o Team Fortress ou o Wolfenstein: Enemy Territory. Tudo acontece muito rápido e uma fração de segundos é a diferença entre você estar em primeiro lugar ou virar uma bola de fogo incandescente e explodir. Mas o mais incrível é que, apesar disto, o Wipeout consegue a proeza de ser desafiador sem ser frustrante.

Além de tudo a "usabilidade" do troço é muito boa para sessões ocasionais de jogatina: ele é perfeitamente funcional com ou sem som ou sem os fones de ouvido, e sua estrutura de inúmeras corridas curtinhas é perfeita pra preencher aquelas pequenas esperas do dia-a-dia, como quando você só quer bater uma corridinha de 3 minutos enquanto sua mulher está na C&A experimentando roupas no provador (eu testei isto, e recomendo!). E o esquema de corridas contidas em "grids" de dificuldade progressiva, que vão abrindo conforme você completa o grid anterior, dá aquele viciozinho estilo "só vou passar mais um nível e depois eu paro"... e lá se vão algumas HORAS.

WipeoutPulse_1

E como se não bastasse ele é futurista, ele é visualmente lindo e a trilha sonora, meu amigo... tem Kraftwerk, tem Aphex Twin, tem Stanton Warriors, Optical, Booka Shade e por aí vai. Mas a cereja no topo do sundae é que dá pra jogar via wi-fi, tanto com amigos em redes Ad-Hoc (PSP versus PSP) quanto pela internet mesmo, usando o wi-fi da sua casa. No dia em que eu descobri isso eu quase imbolotei…

Tom Zé, de graça, no interior de São Paulo

2008-10-29 22:34:29 +0000

Eu estou a 400 quilômetros da capital, nesta cidadezinha carinhosamente apelidada de "Dead Cow City", onde não são só as vacas do frigorífico onde trabalho que levam o "dead" do pseudônimo a sério: aqui, diariamente, quase nada acontece.

Então foi com muita surpresa que recebi a notícia de que Tom Zé estava na cidade - e mais, para fazer um show gratuito na pracinha em frente à rodoviária.

Tom Zé e banda

O show é iniciativa do Sesc de São Paulo (que tem twitter, olha só!), como parte de um tal Circuito das Artes. Circuito este que é surpreendentemente ousado: nada de turminha do colégio local fazendo pecinha de teatro ou coral da igreja cantando. O Sesc bateu forte, fugiu da mesmice e apresentou arte de qualidade, abrindo a noite com um espetáculo de dança profissional e de altíssimo nível chamado “Tudo que se espera”, depois passando o premiado (e excelente) curta metragem "Os Filmes que Não Fiz" e, no fim, entregando Tom Zé e sua música nada convencional.

Tom Zé e o violão entre as pernas O público, definitivamente, não estava preparado. Das muitas vezes em que me virei pra conferir a reação da platéia a expressão geral era de perplexidade. As senhoras tricotadeiras de Dead Cow City não escondiam o espanto de ver Tom Zé rasgar a própria roupa, cantar versos como "vá tomar na virgem/seu filho da cruz" ou, fechando os olhos em êxtase, meter o violão no meio das pernas. Mas isso é ótimo, tira o povo da zona de conforto e mexe naqueles cantinhos da consciência que o povo insiste em esconder quando vai à missa ou assiste novela.

E ninguém melhor que Tom Zé para esta missão. Tanto que sua primeira ação logo após subir ao palco foi DESCER e mandar, pessoalmente, o público vir se sentar perto dele (já que havia um vão de uns 10 metros entre o palco e as primeiras fileiras de cadeiras de plástico onde a platéia estava). Mesmo com boa parte do seu trabalho sendo bem pouco acessível para a platéia, a intenção de Tom Zé de se aproximar do público era clara - entre uma música e outra ele fazia piadinha com o mascote do time de futebol local, contava histórias de quando compunha com Rita Lee ou de quando foi chamado para discursar na ONU e até explicava os porquês do seu trabalho: por exemplo, antes de cantar "Atchim" (do disco "Danc-Êh-Sá"), cuja letra é "atchim" e nada mais, ele explicou que a idéia do disco nasceu quando viu uma pesquisa da MTV onde os jovens declaravam que detestavam músicas com letra muito comprida.

Tom Zé e a backing vocal O show teve várias músicas do seu próximo disco, "Estudando a Bossa". Acho que nunca um nome de disco descreveu tão bem o seu conteúdo, porque todas as canções que ouvi eram exatamente isso: estudos da bossa nova feitos em bossa nova. As letras eram quase "documentarísticas", com versos do tipo "Carnegie Hall foi quem pinçou João Gilberto", mas o divertido eram as performances, todas altamente simbólicas e referenciativas: Tom Zé desmontou e montou várias vezes o violão que tocava - e que era falso, tinha cordas de elástico (gominha, borracha, chame como quiser); botou as "backing vocals" para cantar em banquinhos - vários banquinhos, de todos os tamanhos, numa referência clara ao mesmo João Gilberto da letra da música; cantou em português e, na sequência, botou o guitarrista cantando a mesma música em inglês, e por aí vai. O problema é que o "miolo" do show foi com essa bossa nova do disco novo, que é mais lenta e intimista que todo o resto do repertório, e eu achei que isso acabou quebrando o ritmo da apresentação.

Destaque também para a execução de "Augusta, Angélica e Consolação" - três mulheres cujos nomes são os mesmos de três famosas ruas da capital paulistana. Confesso que perdi a compostura e saí cantando o refrão ("Augusta... queeeee saudaaaaade...") a plenos pulmões, com dor de cotovelo de estar tão longe de São Paulo, essa cidade feia e suja que eu gosto tanto.

O show fechou com o famoso “xique xique” e com a turma dançando forró em frente ao palco enquanto a banda cantava o refrão: “Sacode a cultura, sacode a cultura”. Sacudiu, de fato. E me deu, finalmente, uma lembrança divertida pra guardar de recordação desse fim de mundo…

Tom Zé estilo

Acústico Zeca Pagodinho - Uma obra prima

2008-09-26 00:01:10 +0000

Ontem eu saí da minha rotina noturna padrão (ficar na internet até dormir) e fui à um churrasco. Carne vai, cerveja vem, então alguém bota um CD do Zeca Pagodinho pra tocar. Acho que é o "Acústico MTV", o da capinha aí embaixo. Eu já tinha ouvido, incidentalmente (e acidentalmente), vários trechos do CD por aí, mas nunca havia sido exposto à coisa toda de cabo a rabo. E percebi, horrorizado, que o CD é feito de uma genialidade torpe, uma premeditação comercial assustadora e executada com uma perfeição que eu nunca havia visto antes.

20080925 A coisa começa nos arranjos. Na minha cabeça o pagode original era pra ser um ritmo informal, pra tocar batendo na mesa do boteco e chacoalhando a caixinha de fósforo, mas o CD do Zeca Pagodinho tem o oposto disso: arranjos orquestrados, cordas e flautas e o escambau numa produção impecável. Até aí tudo bem, isso é coisa que qualquer Emmerson Nogueira da vida faria, mas o problema é que no CD do Zeca Pagodinho os instrumentos não são tocados, e sim executados - pois há uma diferença entre "fazer música" e "reproduzir o que está numa partitura". O pagode do Sr. Pagodinho é milimetricamente quadrado, minuciosamente pasteurizado, e soa como um hambúrger do McDonalds. Mas isso tudo é parte do plano.

Outra coisa que me assustou foi o esmero dos músicos em cobrir expectativas. Se existem "clichês musicais", eles fizeram todos. Sem exceção. Não há absolutamente NADA de surpreendente, nada fora do usual. Pelo contrário: se existe um procedimento padrão para produzir pagode(*), eles seguiram tudo à risca. No lugar aonde a letra pede aquela frase solta cantada mais aguda, típica de pagode, ele ia lá e cantava. Quando o refrão dá um espaço para você pensar "putz, aqui é exatamente o lugar aonde deveria entrar aquele backing vocal cantando lá-laiá", pronto, lá estava o backing vocal cantando lá-laiá.

Isso, somado com a execução milimétrica dos instrumentos, gera um ambiente musical que, para meu horror, carregava uma semelhança absurda com a identidade sonora da Rede Globo. É sério, pense naquele som lavado e artificial do jingle de abertura de um Jornal Hoje ou de um Jornal da Globo. Temas musicais como esses tem que ser "não desafiantes", afinal o telespectador continua assistindo quando se sente confortável, e a música fácil ajuda a construir esse sentimento de conforto. E o CD do Zeca Pagodinho era planejado para ser exatamente assim, para entregar exatamente o que o ouvinte esperava ouvir, e portanto soar confortável e familiar.

Com as letras das músicas a palavra de ordem era a mesma: manter-se dentro do ordinário, não ser desafiante e investir no que se tornaria facilmente acessível e que, portanto, geraria facilmente uma identificação do ouvinte. Como neste verso:

Se eu quiser fumar eu fumo
Se eu quiser beber eu bebo
Pago tudo que eu consumo
Com o suor do meu emprego

Eu confesso um certo medo ao perceber o poder de um verso desses. De certa forma isso é manipulação em forma de música. 90% dos brasileiros que ouvem isso devem, instantaneamente (e instintivamente), sorrir no canto da boca e pensar: "porra, eu ralo mesmo, eu deveria ter o direito de tomar a minha cervejinha sem encheção de saco". E aí um Zeca Pagodinho virtual dá uns tapinhas no ombro dessa pessoa e diz: "Viu? Eu te entendo, cara!". E o elo se forma.

O reforço do elo vem com as outras letras, relatos de histórias fáceis da vida de todo o dia e de todo mundo. Elas não tinham NENHUMA poesia, NENHUM lirismo. O foco era pintar uma imagem mental fácil, um capítulo de novela em forma de música, então algumas eram relatos secos, factuais, quase jornalísticos de coisas como um penetra numa festa de aniversário.

Bebeu demais
Comeu de tudo
Dançou sozinho
Encheu o bolso de salgadinho
Foi pra fila da pipoca
Roubou o pedaço de bolo e o refrigerante
que estava na mão do aniversariante
Fez a criança chorar

E no churrasco meus colegas de trabalho cantavam junto e exclamavam entre si:

- Cara, esse CD é perfeito. É bom pra caralho.

Eles têm razão. O CD é, de fato, perfeito. Como produto, o disco de Zeca Pagodinho é uma das maiores obras-primas que a indústria da música brasileira já produziu.

(*) - Quanto pê, hein? Dá até uma sigla: PPPPP, ou P5, pra ficar muderrrrno.

Meus melhores de 2008 (so far)

2008-08-20 03:20:19 +0000

É uma lista altamente parcial (no sentido de "incompleta", não de "tendenciosa"), já que eu não fico caçando lançamentos do ano pra ouvir. Tanto que meu vício mais recente tem sido "Heaven or Las Vegas", disco do Cocteau Twins lançado em 1990. Além do mais faltam links e imagens das capas dos discos porque a maldita internet desse maldito hotel dessa maldita cidade está, mais uma vez, me deixando na mão.

Mas chega de disclaimer, vamulá:

Girl Talk - Feed The Animals

É o último trabalho de Greg Gillis, o mestre do mashup pop/rock/rap/Billboard top 100. Infelizmente, "Feed The Animals" repete EXATAMENTE a mesma fórmula do disco anterior, o "Night Ripper", validando a afirmativa de que Girl Talk é um mágico de um truque só.

Só que o truque dele é MUITO divertido!

Vampire Weekend

É a melhor coisa que ouvi em 2008. O som dos caras - que por alguma estranha razão anda sendo chamado de afro-pop - é muito amistoso, as letras são espertas e a dinâmica das músicas passeia num espaço agradável entre o vigoroso e o tranquilo. Mexidas no andamento, nos instrumentos (um órgão retrô ali, uma flauta acolá, um bongô mais adiante) e até na "estética" do som (às vezes puxando pro punk, pro caribenho ou pro kitsch) mantém o interesse firme e forte ao longo do disco. E ainda tem os competentes vocais de Ezra Koenig - que é homem, apesar do nome.

É uma obra-prima cujo único problema é ter apenas 34 minutos.

E, sim, tem muito hype em cima dos caras, mas não se deixe levar por isso.

Portishead - Third

Yeah, yeah, terceiro e antecipadíssimo disco dos papas do trip-hop e tal. Normalmente expectativas elevadas geram uma decepção proporcional, que, felizmente, não aconteceu. Mesmo depois de um hiato de 10 anos, o Portishead entrega o que todos esperavam - e com muita classe.

O disco é denso e construído sob os velhos (e funcionais) pilares do trip-hop: arranjos espartanos, tocados lentamente e em performances fortemente emocionais. Puxa pra baixo o mesmo tanto que o Vampire Weekend puxa pra cima - o que, portanto, o torna des-recomendável pra quem não curte navegar em emoções tristes.

Fly Pan Am - Ceux Qui Inventent N'Ont Jamis Vecu (?)

Olha, apesar deste disco fazer parte desta lista eu confesso que não entendo direito o rock experimental dos franco-canadenses do Fly Pan Am.

As músicas não parecem ir à lugar algum: os caras constróem uma "cena sonora" repetindo acordes nas guitarras por longos minutos, depois misturam live recordings com ruído e vocais perdidos, depois passam longos minutos em hiatos semi-silenciosos, depois "estragam" de propósito trechos das músicas, fazendo-as soar como se fossem glitches de um CD riscado ou um MP3 mal "encodado", e assim por diante. Só que existe uma "moral da história" no meio dessa bagunça: uma construção abstrata mas palpável e, num nível muito estranho da mente, perfeitamente compreensível.

E é isso que, de alguma forma, os torna geniais.

Bonus Tracks: Comentários rápidos sobre outros lançamentos 2008itenses que ouvi.

Daedelus - Love To Make Music To é delicioso como todos os outros discos de Daedelus. Mas, diferentemente do "Daedelus Denies the Day's Demise", esse investe numa atmosfera mais neutra ao invés daquela "animação toda" de sempre e, portanto, demora um pouco mais pra "bater"

O "Með suð í eyrum við spilum endalaust" (também conhecido como "disco do Sigur Rós com os caras pelados na capa")... bem, esse aí é uma grande incógnita. Comprei, ouvi e ele ficou lá, encostado na prateleira virtual do meu iTunes. Não que o disco seja ruim, mas, sei lá, parece que foi apagado pela sombra do disco anterior (o absurdamente maravilhoso "Takk").

A faixa 4 de "The Midnight Organ Fight", do Frightened Rabbit, é tão boa que, sozinha, me fez comprar o disco na hora. Agora pergunta se eu tive tempo de ouvir o resto das músicas... :/

A eMusic inventou uma tal selo chamado "eMusic Selects" para promover bandas. Sim, é jabá, então fiquei olhando torto até que, de repente, apareceu "Keeper's", do Deastro...

E o Tape lançou "Luminarium" em 2008, disco atmosférico e rico de texturas que, infelizmente, não tive tempo de ouvir direito até agora.

O Primo não recomenda - Era uma vez...

2008-07-31 00:34:12 +0000

Antes de ver o filme eu só sabia de duas coisas:

  • "Era uma vez" era o "filme dos sonhos" de seu diretor (Breno Silveira, o mesmo de Dois Filhos de Francisco). Sabe aquele filme que o cara sempre quis filmar? Pois é.
  • O filme era sobre uma menina rica e um cara da favela que se apaixonam. E a história era ambientada no Rio de Janeiro.

Era Uma Vez 

Filmes sobre "amores difíceis", por si só, já são manjados. Este é um terreno difícil pra qualquer diretor, e os que se dão bem são os que conseguem dar uma roupagem diferente ao assunto - como em Dolls ou Amores Brutos ou Closer (de longe o melhor filme de amor que já vi). Mas eu estava esperançoso, afinal o diretor já tinha conseguido me fazer gostar de um filme sobre Zezé di Camargo e Luciano :)

A esperança não durou muito além dos primeiros instantes do filme, que abre com a voz do personagem principal dizendo:

- Da minha casa eu tenho a vista mais linda do Rio...

E aí vem a imagem da favela do Cantagalo. "Não, Breno, não vai por aí não!", pensei eu.

Mas dali em diante ficou parecendo que o diretor pegou uma lista enorme de "clichês para filmes de amor" e se empenhou em cumprí-la INTEIRINHA. Foi como disse a crítica de Ronaldo Pelli, no G1:

Após o início movimentado, (o filme) diminui o ritmo, quase estacionando. Na segunda metade, pouco ou quase nada acontece. O roteiro apresenta uma "barriga" imensa e tem diálogos bobos, além de se encaminhar para uma conclusão óbvia.

O pior é que o filme tem elementos simplesmente excelentes, como a fotografia (muito, MUITO boa) e a atuação dos dois protagonistas (muito, MUITO carismáticos, mas capados pelo roteiro a partir da segunda metade do longa). Mas mesmo sem os clichês e personagens capados, nada, absolutamente NADA seguraria o final do filme, que era não apenas óbvio como também ridículo - tanto que arrancou risadas de muita gente durante a sessão de cinema onde assisti o filme.

É por isto que o título deste post está "des-recomendando" o filme. E foi com muita surpresa que, lendo alguns blogs e conversando com algumas pessoas, percebi que muita gente adorou o filme, o final do filme e a mensagem clichezenta que ele passa. Sei lá, parece que o público brasileiro está acostumado com isso: emoções "de novela", roteiros conhecidos, estradas já trilhadas. Já até comentei meu incômodo com isto aqui no blog.

Bem, como tudo na vida, é questão de gosto...

“Kind of Blue” – Um comentário sobre jazz feito por quem não entende nada de jazz

2008-06-11 03:22:23 +0000

Miles_Ahead.jpg

Semana passada eu ia lendo meus blogs e feeds quando topei com um post, favoritado pelo grande chapa Tiagón, sobre "Kind of Blue", o megaboga disco de Miles Davis. O post dizia que era "o disco mais vendido da história do jazz", "um dos mais importantes e influenciais de toda a música" e tal. Aí encasquetei que, naquela semana mesmo, ouviria "Kind of Blue" pela primeira vez.

O que me motivou foi o fato de que eu não sei nada de jazz. De fato, eu só tenho UM disco de jazz ("Giant Steps", de John Coltrane) e li algumas coisas muito picadas sobre como é que os músicos fazem jazz. Então resolvi me usar de cobaia para ver qual o efeito que "Kind of blue", erigido ao status de master-obra-prima-música-dos-deuses por quem entende da coisa, teria em meus ouvidos de neófito, despreparados para receber tais divindades.

Decidi ouvir o disco na sexta-feira, enquanto voava de Brasília para São Paulo - era o momento mais agradável do fim da semana de trabalho e ainda me dava a garantia de que eu não seria interrompido por ninguém durante uma hora e meia.

A primeira faixa, "So what", abriu, cuidadosamente, os trabalhos. A primeira sensação foi de conforto por perceber que os músicos estavam seguindo o "padrão jazz" que eu já conhecia: apresentar um setting - tipo um tema musical - e depois improvisar por cima. O tema me pareceu simples, duas notinhas, uma longa e uma curta - que até parecem mesmo dizer: "so what?". No entanto as progressões harmônicas eram bastante agradáveis - e desafiantes. Atualmente eu já ouvi o disco umas três vezes mas ainda não consegui me localizar totalmente nas mexidas de tom que os caras dão, especialmente em "Freddie Freeloader", a segunda faixa, que de repente descamba para um tom diminuto que, sei lá, eu não queria ser o cara que ia improvisar em cima daquilo.

Falando em improvisos, eles eram bem do jeito que eu havia lido: o esquema não era exibir técnica e velocidade, e sim trabalhar o lado melódico da coisa - coisa que, pelo que percebi, nosso amigo Miles faz tomando um cuidado todo especial não somente com a melodia, mas com a dinâmica e a expressão. E se considerarmos a melodia como ostorytelling da música, a experiência de ver a história do disco sendo "escrita" em tempo real fez os quase 20 minutos das duas primeiras faixas passarem voando.

"Blue in green", a terceira faixa, reduziu a marcha do disco ainda mais, o que deixou bastante espaço para os instrumentos ficarem ainda mais expressivos. Eu acho isso bastante interessante, essa coisa de dizer mais com menos, de colocar intensidade no meio de discrição (até comentei disso no meu blog "normal" outro dia), mas eu ainda não sabia que o melhor estava guardado para o final. Prosseguindo, em "All Blues", a faixa seguinte, reparei que até então os músicos praticamente não haviam caído em nenhum daqueles "clichês melódicos" - sabe, aquelas sequências manjadas que você vê espalhadas por aí, desde o fim das frases na música clássica (seeempre voltando pro tom básico e resolvendo a tensão construída anteriormente) até nas melodias pop de rádio. E aí eu pensava na base de "All Blues" e aquilo parecia induzir as progressões mais óbvias. Mas é como eu disse antes, não entendo nada de jazz - talvez não seja nada disso, mas pra mim o aparente esforço dos músicos em andar por um caminho genuinamente criativo deixava tudo ainda mais interessante.

E aí veio "Flamenco Sketches" - "esboços de flamenco", numa tradução livre. Meu amigo, minha amiga, eu lhes digo que "Flamenco Sketches" me propiciou uma experiência que tem que ser descrita no detalhe:

Nos primeiros 30 segundos, apoiado pelo piano e pelo contrabaixo, Miles expõe a primeira parte do tema no seu trompete. Melodicamente aquilo não tinha nada de mais, mas eram notas tão bem escolhidas, tocadas de um jeito tão bonito... era um daqueles casos onde o músico pega um punhado de notas simples, descompromissadas, e na hora de junta tudo acaba nascendo uma frase inesquecível - como as notas do tema de Star Wars ou da introdução de Come As You Are, do Nirvana.

Aí, na sequência, a base do piano/contrabaixo faz uma curva de, sei lá, um tom e meio e, para minha surpresa, vai parar num acorde ainda mais bonito. E Miles entra com uma nota - uma única nota - longa, alta e pungente em seu trumpete. Precisamente nesse instante me passaram algumas centenas de coisas na cabeça: a primeira foi "Uou!"; a segunda foi "ah, então é ISSO que aquelas cantoras ficam tentando fazer quando dão aqueles agudos chatérrimos e que todo mundo acha lindo e fica aplaudindo". É que no caso das cantoras elas até acertam a nota, dão a entonação certinha, botam um vibrato pra dar "um plus a mais" mas ainda assim sempre faltava alguma coisa... precisamente a coisa que estava, de alguma forma, contida naquele agudo pungente do trumpete de Miles Davis. Daquele instante em diante a fama de obra-prima de "Kind of Blue" estava plenamente justificada pra mim.

Só na terceira (ou quarta parte, sei lá) do tema, quando o piano toca aquela sequência realmente típica de flamenco (sabe a música do Vega, do Street Fighter? Mais ou menos aquilo ali) é que a música explica seu nome. E Miles vai acompanhando e, de uma forma que eu nunca vi antes, colocando música em todo e qualquer movimento do seu trumpete - inclusive na hora de silenciar as notas ou de tocar, bem en passant, um semitom. É mais ou menos como se o cara produzisse beleza musical até quando está parando de tocar, revestindo tudo de uma expressividade com a qual eu, definitivamente, não estava acostumado.

Fechando o disco veio um take diferente da mesma "Flamenco Sketches", também muito bom mas que não teve muita graça por causa do meu nível de fascínio com o take anterior. E aí o disco acabou e eu fiquei ali, perdido em algum ponto do céu do interior de São Paulo, sem saber que disco eu teria condições psicológicas de ouvir na sequência.

O veredito, portanto, é esse: eu posso não entender muito da coisa, mas achei o "Kind of Blue" fenomenal.

Acselerêitor

2008-05-06 03:26:10 +0000

Eu adoro o podcast da revista XLR8R - Não tem locução nem conversa fiada: ou é um apanhado de música nova ou umDJ set de gente muito fina.

Hoje fui almoçar tirando o atraso dos podcasts e ouvi muita música interessante vinda de lá. Clique nos links pra ouvir a faixa que eu comento:

MC Gringo - Alemão - Isso é globalização, meu amigo! MC Gringo é realmente alemão - um jornalista que mora no Rio e canta funk carioca em português com um sotaque hilário. Note que a base da música é emprestada do Kraftwerk...

Christopher Bissonnette - Jour et Nuit - Ah, o ambient. Aquele gênero musical onde cada faixa tem 10 minutos deporra nenhuma acontecendo. Por isso que, quando o ambient é bom, ele é realmente bom: afinal, é complicado fazer uma música boa usando apenas harmonias, texturas e reverb.

Otic Angst - Need That Love - Tem só 23 anos o tal Otic Angst, mas o moleque produz seu "electro-soul" com esmero: cuida da batida, escolhe bem seus samples, inclui uma ou outra variação inusitada para manter o interesse e depois mistura tudo na medida certa. O resultado? "Need That Love" faz você levantar as duas sobrancelhas e sentir vontade de mexer a bunda.

Débruit - Pointy - Soa quebrada, como se o cérebro estivesse doidão de alguma coisa e só conseguisse pensar pelas metades. Pra quem não usa drogas (meu caso) esse tipo de coisa é sempre interessante, é o jeito "limpo" de conseguir uma experiência mental parecida.

Don Cavalli - New Hollywood Babylon - Imagine Wesley Wilis compondo folk rock para filmes de Bollywood. Coisa linda! E o tal Don Cavalli é, surpreendentemente, francês.

Bonus: Synth Tax, DJ set de Kid Kameleon (que escreve para a revista), contém funk carioca e Bonde do Rolê, mas AINDA ASSIM é a coisa mais divertida do universo e é absolutamente IMPERDÍVEL. Baixe djá e ouça sem preconceitos.

Meus discos do mês

2008-04-29 03:27:10 +0000

Comprei na eMusic. Sim, babo ovo mesmo.

20080428.jpgFennesz & Sakamoto - Sala Santa Cecilia

As paredes de barulho sonoro que o austríaco Christian Fennesz constrói com sua guitarra e seu Mac não são exatamente "acessíveis". Tanto que a comunidade dele no Orkut, por exemplo, tem minguados 37 membros.

"Sala Santa Cecília" é uma parceria de Fennesz e Ryuichi Sakamoto, gravada ao vivo na Itália para o festival Romaeuropa. Sakamoto contribuiu com pitadas eletrônicas, Fennesz entrou com sua sempre competente guitarra "ambient", e o resultado são 19 minutos* de uma sintonia ímpar - e olha que não é exatamente simples "sintonizar" barulho de guitarra hiperprocessado com pops/clicks/glitches aparentemente aleatórios. (Myspace - Site oficial)

* - DICA QUENTE: Músicas longas são o melhor custo benefício da eMusic, já que você paga por faixa. Neste disco você leva 19 minutos de música por US$ 0,26 (sim, vinte e seis CENTAVOS de dólar).

20080428_2.jpgOOIOO - Kila Kila Kila

É meu terceiro disco do OOIOO. Nesse ritmo eu vou completar minha coleção rapidinho...

"Kila Kila Kila" segue a receita básica do OOIOO, ou seja, loucura psicodélica total, guitarras e batidas semi-tribais se repetindo por longas faixas, vocais meio "mantra" meio "coisas que o xamã da sua tribo cantaria". E é por isso que eu aprecio esse pessoal, pois há uma linha muito, muuuuito tênue entre o nonsense puro e simples e a música extraída do meio do nonsense - habilidade esta que eles esbanjam e que me fascina. (Myspace -Site oficial)

20080428_3.jpgTape - Opera

Opera é uma espécie de joguinho entre texturas "analógicas" e "digitais": acordeons misturados com glitches, violões e gaitas mesclados com ruído rosa e por aí vai.

A abordagem do trio de multi-instrumentistas suecos responsáveis por este disco é bem evidente logo na primeira audição. Os instrumentos não são usados do jeito convencional - ao invés de tocar músicas (sequências de notas) eles emprestam texturas, timbres e cores para as faixas. A "moral da história" de cada faixa não está na sequência das notas que são tocadas, e sim em como estas texturas se misturam e se alternam. Se bobear, o título do disco (Opera) deve até ser uma piadinha com este jeito convencional de compor... (Myspace - Site oficial)

TOP discos de 2007

2008-01-05 04:59:26 +0000

Pra mim, 2007 foi um ano bem rico do ponto de vista musical. Ouvi muita coisa nova, descobri muita coisa boa. Mas muita coisa lançada em 2007 eu só estou ouvindo agora, por ocasião das inúmeras listas de TOP discos que me deixam com água na boca, querendo ouvir tudo ao mesmo tempo. Assim, esse meu TOP ficou um tanto quanto migué. Mesmo assim, vamos lá:

Simian Mobile Disco - Attack Decay Sustain Release

20080105 De longe, a melhor coisa musical que me aconteceu em 2007. É dançante, é divertido, é bem produzido, é original e atropela algumas centenas de lançamentos de gente que se considera moderninha mas que, no fim, é bem ruinzinha (cof cof LCD Soundsystem cof cof).

Os seis primeiros segundos de "It's the beat" são suficientes para me dar arrepios, de tão boa que a faixa é; "Tits and Acid" é tudo que o canastrão do Fatboy Slim poderia mas não fez com sua TB-303. "Hotdog" é pra rir da letra e depois cantar junto, perdendo completamente a noção, numa pista de dança; e "Hustler" é, sem sombra de dúvida, a música do ano de 2007.

(Clique aqui para ver o clipe de "Hustler")

Justice - "Cross"

20080105_2 Esse eu nem comentei aqui antes, pois o disco entrou no páreo aos 45 do segundo tempo: baixei o disco no final de dezembro, seguindo a sugestão do blog de André X, o baixista da Plebe Rude. E o diabo do disquinho é simplesmente magnífico - a ponto de me deixar em dúvida se o troféu de "melhor do ano" vai pra ele ou pro Simian Mobile Disco!

Musicalmente, o disco do Justice (que não tem nome, só a cruz na capa, e que o faz ser chamado de "cross") é mais intenso, mais "rock", mais épico, enquanto o do Simian é mais eletrônico, mais classudo, mais musical. O que é ótimo e faz com que terminemos 2007 com duas pérolas divertidíssimas, perfeitas para serem ouvidas uma na sequência da outra.

Em tempo: já que "Hustler" roubou o título de música do ano, pelo menos o de videoclipe do ano tem que ir para "D.A.N.C.E.", a terceira faixa.

(Clique aqui para ver o clipe de D.A.N.C.E.)

Stars Of The Lid - and Their Refinement of the Decline

20080105_3 E, no extremo oposto do Justice e do Simian Mobile Disco, vem isto. "And their refinement..." é música ambient.

O disco - duplo e com duas horas de duração - se desenvolve sem pressa. Suas 18 faixas se espreguiçam ao longo do tempo, revelando beeem devagar do que são feitas. E são feitas de uma beleza magnífica, construída sobre harmonias simples mas sempre eficientes. Vocais? Bem, apenas DUAS frases são ditas durante todo o disco, em "humectez la mouture".

O fato de eu ter chegado neste disco é culpa do The Dead Texan, disco de 2004 que, de tão bonito, me fez pesquisar e descobrir que seu autor era Adam Witzie - uma das metades do Stars Of The Lid.

(Clique aqui para ver um "pseudo clipe" de Apreludes in C Sharp Major - Ignore as imagens, foi um muleque que montou o vídeo)

M.I.A. - Kala

20080105_4 Acho que só eu consigo gostar de M.I.A...

Sim, "Kala" é um disco tosco, com capa tosca. Mas a tosquice, o jeitão meio funk meio "world music" das faixas, os elementos indianos, as letras politizadas ("You think it's tought now? Come to Africa!") e tudo o mais caem muito bem com a belíssima voz da diaba da mulher. Pensa bem: não existe NENHUM outro estilo musical para o qual a voz de M.I.A. serviria. Ela tinha que cantar exatamente o que canta hoje.

Mesmo quando a produção das faixas atinge níveis absurdos de tosquice, ao invés disto "esvaziar" as faixas, o efeito é o inverso: a voz de M.I.A. brilha ainda mais e músicas que tinham tudo pra fracassar (como, por exemplo, "World Town" ou "XR2") ficam ótimas.

(Clique aqui para ver o clipe de Boyz. Dói o olho mas é legal.)

Colleen - Les Ondes Silencieuses

20080105_5 "Les ondes" é, simplesmente, Cécile Schott - uma linda mulher francesa, professora de inglês de um liceu parisiense - brincando de tocar violoncelo, viola da gamba, clarinete, espineta (um tipo de clavicórdio) e outras coisas delicadas, como copos de cristal.

Digo "brincando" porque Coleen não é proficiente em nenhum destes instrumentos. Ela, inclusive, toca devagar porque não sabe tocá-los bem. E isto, que deveria servir de limitador para a música, acaba deixando aflorar melodias de um aspecto muito mais autêntico e poético. Em "Les Ondes Silencieuses", não são as notas que compõem as músicas, e sim os espaços entre elas. O foco não é produzir melodias bonitas, e sim naturais, fruto de uma exploração de como soa o instrumento, ao invés do que é possível fazer com ele.

(Não tem clipe deste disco, mas tem o de "I'll read you a story", do disco anterior dela, que é absolutamente lindo)

Algumas observações adicionais

  • O novo do Of Montreal, chamado "Hissing fauna, are you the destroyer", possivelmente estaria nesta lista. Só que não tenho mais créditos para comprá-lo na eMusic, aí optei por esperar.
  • O do Panda Bear, que eu ouvi logo que foi lançado, que aparece na lista de melhores da eMusic e é campeão da lista do Pitchfork, também deveria estar aí, mas... sei lá.
  • O do Battles eu também só estou ouvindo agora, e me parece realmente bom.
  • Não, não dá pra gostar do LCD Soundsystem. Não sei o que as pessoas vêem nesses caras. E o "In Rainbows" do Radiohead é até legal, mas nem de longe é um dos melhores de 2007.
  • Vale mencionar as coisas boas lançadas em outros anos mas que descobri só em 2007, como por exemplo: Girl Talk, Asobi Seksu, Lemon Jelly, OOIOO, The Dead Texan e Laura.

O Primo recomenda - 1001 discos para ouvir antes de morrer

2008-01-02 21:24:49 +0000

20080102 "1001 discos..." tem a maior pinta de livro oportunista. Pra começar, ele pega carona na modinha atual de lançamentos estilo "coisas a fazer antes de morrer" - o que é, inclusive, considerado tétrico demais por vários amigos meus. Além disso, ele foi lançado estrategicamente antes do natal e tem um formato gráfico estilo "presente ideal para aquele seu neto que não larga o iPod" e "livrinho para mesa de centro de sala de gente rica e metida-a-besta". Só que, disfarçado por trás disso tudo, está um belo registro histórico da evolução da música - em especial do rock - desde os anos 50 até os dias atuais.

Por definição, qualquer lista de "top discos" é extremamente arriscada: o universo a se explorar é complexo demais e, por mais que se esmiuçe discografias por aí, sempre tem alguém que vai criticar a lista e dizer que "foi um absurdo ter esquecido do disco tal". É meio que a síndrome do suporte técnico: não adianta fazer tudo certo centenas de vezes; um erro é suficiente para colocar em xeque a competência do autor. Felizmente, a lista tem mil e um discos, o que reduz bastante a chance de que alguém seja deixado de lado.

Não obstante, é bem visível a preocupação dos editores em incluir todo mundo que seja, de alguma forma, significativo para a história da música. Britney Spears, por exemplo, está na lista com "Baby One More Time" - afinal, como o livro diz, "é inegável o estrondo que a estréia de Britney produziu na música popular". Outros grandes marcos históricos estão todos lá, como o "Thriller" de Michael Jackson (o disco sem "nenhuma nota fora do lugar"), o "Nevermind" do Nirvana ("sem dúvida alguma, o álbum de rock mais importante dos anos 90"), o "The Number of The Beast" do Iron Maiden ("um dos melhores discos de heavy metal de todos os tempos") e vários outros.

O esforço dos editores torna o livro especialmente gratificante para os fãs de música mais "diversificados" - aqueles que tem o ouvido aberto e apreciam as figurinhas manjadas (Rolling Stones, Dire Straits), as aberrações obscuras (Einstürzende Neubaten), os grotescos (Marilyn Manson), os amistosos (Belle and Sebastian), os hiperfamosos (Beatles), os ilustres desconhecidos (Minutemen), os caras do rap e do hip-hop, brancos (Beastie Boys) e negros (Public Enemy), os caras da música eletrônica (Kraftwerk, Chemical Brothers, Daft Punk, Underworld), os caras do jazz (Miles Davis, John Coltrane), os caras do começo do rock (Elvis Presley) e de depois do rock (Tortoise), as cantoras (Björk, PJ Harvey), os cantores (Elvis Costello), os gays (Pet Shop Boys), os politicamente engajados (Rage Against The Machine), os que não ligam pra nada (Pavement, Supergrass), os brasileiros (Mutantes, Caetano, Chico, Sepultura, Elis), etc. Tá todo mundo lá, e sempre em seus melhores discos.

Como se não bastasse a magnífica seleção, o livro tem um formato agradável tanto para folhear como para uma leitura minuciosa: cada página é dedicada a um único disco e inclui a arte da capa, uma lista das músicas com as faixas de destaque devidamente marcadas e comentários sobre cada álbum. Os comentários são curtos, bem escritos, cheios de notas históricas de bastidores, curiosidades e citações dos artistas. O livro mostra os discos em ordem cronológica, desde 1955 até os dias atuais - atuais mesmo, tanto que deu tempo de incluir o Arctic Monkeys, o "Arular" de M.I.A. e até o "Neon Bible" do Arcade Fire.

Por isso tudo, "1001 discos..." é altamente recomendado. O único problema do livro é que ele gera muita ansiedade nos viciados em música com pouco tempo livre (meu caso). Cada página virada gera pensamentos do tipo "eu preciso ouvir este disco"; então, imagine-se pensando nisso algumas centenas de vezes...

P.s.: Para os cinéfilos, vale a lida no review da Larissa Herbst sobre o "1001 filmes para assistir antes de morrer".

Compras do mês d'O Primo

2007-10-22 20:48:34 +0000

Chegou o post que Luiz adora, onde o André só vê as capinhas dos discos e o resto do pessoal passa direto.

Fora o último disco, todo o resto foi comprado na eMusic. Cês viram o Radiohead e o Nine Inch Nails chutando a bunda das gravadoras, né? Pois é. Tou te falando. Daqui a uns 10 anos vocês vão estar todos comprando MP3 online como eu.

Clique nas capas dos discos para visitar a página correspondente na eMusic e dar uma sacada nas amostras das músicas. Ou clique no "play" abaixo:

Podcast do Primo 03 - Compras do mês de setembro

Tracklist
1) Manual - A.M. (0:00 - 2:12)
2) Proem - Sputterfly (2:12 - 4:03)
3) Farben - Beautone (4:04 - 6:15)
4) Isotope 217 - Looking after life on mars (6:16 - 9:00)
5) Oval - faixa 8, sem título (9:01 - 10:31)
6) Worm is Green - Love will tear us apart (10:32 - 12:47)

Manual - Ascend

Manual - Ascend Definição rápida para o som de Manual: é um Proem com guitarras e violões. Só que, possivelmente, só eu conheço Proem por aqui.

Portanto, detalhando, Manual é um eletrônico metade ambient e metade IDM "alto-astral". É um Lemon Jelly sem vocais, com menos groove, mais reverb e mais sobriedade. A ilustração da capa é proposital, pois é o clima geral das músicas: um fim-de-tarde musical bastante sossegado.

Pela sua característica ambient, Manual não aprofunda muito a complexidade ao longo das faixas e, portanto, rende melhor como música de fundo (aquela que você coloca pra trabalhar ou ler).

Uma observação adicional: na minha ida ao FAD tive a grata surpresa de descobrir o Janete & Claire, duo mineiro que faz um som bem na linha Proem/Manual. Bateu um orgulho "roots" ao ouví-los :). Vale a conferida.

Proem - A Permanent Solution

20071022_2 Depois do Socially Inept, que é uma jóia, eu tinha que ouvir mais alguma coisa do Proem. Mas antes uma explicação técnica:

Pode-se separar discos em duas categorias distintas: os "glower" e os "grower". Os "glower" (do inglês "glow", brilhar) são os que te pegam na primeira audição e você adora e ouve até enjoar. Por outro lado, os "grower" (do inglês "grow", crescer) não dão aquele estalo logo na primeira audição - muitos até parecem ruins da primeira vez. Mas conforme o tempo passa você percebe que o disco vai, gradativamente, ficando bom.

Confesso que o A Permanent Solution ainda está "crescendo" em mim (puta frase gay essa, viu). Mas o que já posso afirmar em relação ao disco é que ele não desenvolve idéias muito diferentes do Socially Inept, tornando-se, portanto, "mais do mesmo". A diferença mais marcante é uma nota adicional de introspecção, aparente em faixas sem batida que usam instrumentos leves e analógicos (piano, flauta, etc.), introspecção esta que, conforme o final do disco vai chegando, fica um pouco auto-indulgente demais.

Farben - Textstar

20071022_3 Se você não é DJ, deve concordar comigo que a melhor forma de consumir techno é em sets mixados por um DJ. As faixas soam muito melhor coladas entre si, numa sequência infinita de transições de texturas sobre batidas bem marcadas. Afinal de contas elas foram feitas pra isso.

Só que de vez em quando aparece alguém que faz um disco multi-utilidade, servindo tanto pra colar num mix e ser dançado quanto para ouvir quietinho, sentado num sofá. É o caso de Textstar, do prolífico produtor Jan Jelinek.

Jelinek parece entender mais do que ninguém a razão do minimal techno ser tão bom: a sua característica analítica, de mostrar mais conteúdo e sofisticação com cada vez menos som. E ele parece entender também o porquê do techno propriamente dito ser bom: a música tem que ter um caráter, uma idéia, uma atmosfera que a coloque acima do tuntistum tradicional. Textstar - lançado apenas em CD, coisa rara para produtores de techno - tem tudo isso em abundância.

Outros discos comprados mas que não vou reviewzar com tanto detalhe:

Isotope 217 - Utonian Automatic - Comprei porque é da Thrill Jockey e é de uma banda "irmã" do Tortoise. O "Utonian Automatic" contém a mesma alma de jazz e toda a parte de "guitarras pós-rock" que o Tortoise usou no TNT e no Standards. Se você não suporta esse tanto de eletrônicos que eu fico colocando aqui, vá de Isotope. Mas passe antes pelo Tortoise.

Oval - Ovalcommers - A grande vantagem do Ovalcommers é que ele parece muito com "So" - feito pelo Markus Popp (Oval) e Eri (Microstoria), e que é um dos melhores discos da minha coleção. Mas, alto lá: se você não for um "iniciado" em bizarrices eletro-acústicas vai achar o Ovalcommers "um monte de barulho" e o So "um monte de barulho". Já eu definiria o monte de barulho como "um delicioso paradigma musical".

Worm is Green - Automagic - É melancolia eletrônica entremeada por belos vocais femininos. E ainda tem um cover de "Love will tear us apart" que é de chorar.

Cesar de Melero - Clap your hands vol. 2 - Bethania esteve na Europa mês passado e, ao passar pela Espanha, não conseguia decidir o que trazer para mim de lembrança. Aí entrou numa loja de CDs e decidiu trazer pra mim a coisa mais esquisita que encontrasse. É por isso que eu amo minha esposa :)

Cesar de Melero é um DJ, e "Clap your Hands" é um CD duplo mixado. E eu não sei definir que diabo de música esse cara mixou. Parece "disco house de brincadeirinha" - as músicas parecem saídas diretamente dos anos 80, tem aquela cara de amadoras, os vocais são simplinhos, as letras cantadas são óbvias ("move your feet, get on the dance floor", etc) e o nome dos artistas das faixas mixadas são... er, bem, veja só, temos "DJ Weight Problem", "Frank Chickens", "El General", "Manu Dibango" e por aí vai. Tem como não gostar de um disco desses?

Sessão Primo de filmes ruins com mulheres dando porrada

2007-10-08 23:24:26 +0000

Este ano tem sido bem ruim para o cinema norte-americano. Lançamentos horríveis, pouquíssimos roteiros originais, uma overdose de continuações toscas, adaptações de livros/filmes/quadrinhos/jogos que chegam a dar pena, etc. Assim, para comemorar este estado catastrófico de Hollywood, resolvi fazer uma sessão de "filmes ruins com mulheres dando porrada", pra poder fazer piadas aqui no blog.

As vítimas os escolhidos foram duas adaptações caça-níquel, uma de um jogo e outra de um desenho animado: Dead Or Alive e Aeon Flux!

Dead Or Alive (DOA - Vivo ou Morto)

Cartaz DOA Provavelmente as instruções do diretor para a equipe, ao começar as filmagens, foram: "temos que fazer um filme sexy, mostrar muita mulher de biquíni, muita porrada, mas tem que ser um filme pra criança! O filme NÃO pode ser classificado pra maiores de 12 anos!". Ele acertou na mosca.

Dead Or Alive é, basicamente, mulheres de biquíni quebrando o pau, ora entre elas mesmas, ora com uns personagens masculinos patéticos de roupas (e cabelos) coloridos, ora com centenas de milhares de inimigos com apenas 1 HP - aqueles, que desmaiam com um chute na canela, sabe?

É desnecessário dizer que eu não esperava um bom roteiro ou personagens legais, mas o pessoal abusou. Pra começo de conversa, o filme tinha vinhetas entre as cenas. Vinhetas!! Um letreiro bizarro "DOA" que voava pra dentro e pra fora entre uma cena e outra. Os atores também iam de mal a pior. Eu quase tinha um troço de tanto rir quando via, por exemplo, o ninja Hayabusa, que atuava como se fosse o Moss do "The IT Crowd". A personagem principal (Kazumi) é interpretada por uma atriz que mais parece um zumbi sem expressão. Se ela fosse a atriz mais bonita do elenco o destaque até se justificaria, mas ela é uma das mais sem-graça. Principalmente quando comparada àquela que me deixou babando o filme todo... Tina Armstrong.

Tina Armstrong
A Tina original dos jogos e a versão de "carne e osso". E que carnes!

Vou te contar, a Tina - interpretada pela belíssima Jaime Pressly - ficou de cair o queixo. Coincidentemente, eu só jogava Dead Or Alive no fliperama com a Tina. Lembro que até andava com uma lista dos golpes e combos dela, dobradinha na minha carteira, pra consultar quando eu fosse jogar (pô, eram dezenas de golpes, e eu era um adolescente nerd! Eu mereço um desconto!).

O final do filme - que não dura nem 1:15h - não poderia ter sido mais manjado. O vilão aciona uma autodestruição, aparece um contador regressivo e todos escaparam no último minuto de uma explosão que aniquila tudo - mas não sem antes encher o malvadão de porrada.

Pablo Vilaça, meu "deus" particular do cinema (como diz Bethania), deu ao filme a classificação mínima - uma estrela, e falou mal de tudo. Tenho pena do Vilaça, que tem que avaliar a sério filmes que nem eram pra ser sérios.

Ah, e tem o trailer no YouTube, pra vocês sentirem o nível.

Aeon Flux

20071006_3 Aeon Flux foi a "zebra" da minha sessão cinema. Eu esperava um filme horrível, e o que vi foi até interessante!

A primeira boa surpresa vem do ponto de vista estético. Aeon Flux é um filme muito bonito. Tudo é elegantemente "muderno": as roupas, as locações (muito bem escolhidas por sinal), os diálogos, a tecnologia e armamentos inventados para a época futurista aonde o filme se passa, etc. Além disso, o roteiro gira em torno de um mistério interessante - tanto que nem precisei prestar atenção nas "belezas naturais" de Charlize Theron para não dormir.

Claro que a Aeon Flux original, dos desenhos de Peter Cheng, é um personagem muito mais legal do que o que Charlize Theron representou. Nos desenhos, Aeon é mais fria, mais ágil na "hora do pau" e tem um toque fetichista muito legal que não apareceu em momento algum do filme. E o roteiro, além de algumas inconsistências, é muito reticente em alguns momentos, o que acaba deixando tudo meio blasé demais. Mas, somando tudo e noves fora, Aeon Flux é legal - embora os desenhos originais da MTV continuem sendo melhores.

O Primo recomenda - O Balconista 2

2007-10-01 01:33:43 +0000

Os quatro atores principais de O Balconista 2

Antes de mais nada eu devo agradecimentos inflamadíssimos a Norton, que me mostrou o primeiro balconista e que gentilmente me cedeu uma cópia do segundo filme - filme este que eu havia esquecido completamente. Não fosse ele e eu não veria essa obra-prima.

Eu estava lendo as opiniões do Metacritic e alguém disse que "O Balconista 2" é um "feel good movie", ou seja, um filme daqueles que você assiste e sai se sentindo feliz e de bem com a vida. E é a mais pura verdade. Acontece que é um "feel good movie" sobre balconistas de lanchonete (um dos empregos mais sem futuro do universo) cheio de piadas sobre negros e deficientes físicos, sarcasmo sobre o conservacionismo cristão, histórias de sexo com animais e comentários grotescos sobre clítoris gigantes e "ass to mouth" (se você não sabe o que é isso, não queira saber).

Mas esta faceta esquisita é apenas um dos lados do filme. Tem também o lado nerd, que é divertidíssimo e enche o roteiro de referências cinematográficas. A paródia de Jay (da dupla Jay e Silent Bob) do filme "O Silêncio dos Inocentes" me fez rir como há muito tempo eu não ria de um filme. Tem também inúmeras referências ao primeiro filme, piadas sobre Guerra nas Estrelas - incluindo a clássica disputa de quem atirou primeiro, Han Solo ou Greedo -, Transformers ou O Senhor dos Anéis. E a nerdice não é sem propósito: conforme o filme progride, várias piadas e referências mostram função. No fim do filme, por exemplo, a famosa frase "um anel para todos governar" é usada num contexto simplesmente genial e completamente amarrado com os dilemas propostos pelo roteiro.

E é no roteiro que reside a genialidade dos filmes de Kevin Smith. Alguns diálogos entre Dante e Randal são absolutamente geniais, e ao mesmo tempo completamente factíveis. Some-se a isso o excelente trabalho dos atores (todos, sem exceção) e os personagens nunca parecem atores recitando um roteiro. Eles são tão "de verdade" que realmente se parecem com os funcionários de um McDonalds da vida. E, no fundo, é isso que permite que, no meio do bestialismo e das piadas pornográficas, o público se identifique com os personagens e seu dilema principal: o que é melhor? Viver uma vida pré-programada, a vida que "todo mundo leva", ou viver uma vida que seja do tamanho dos seus próprios sonhos? Independentemente da resposta, ao terminar de assistir, você vai se sentir feliz - mesmo se for um balconista.

Se quiser, tem um trailer no YouTube. E se ver o filme todo, não deixe de ler os agradecimentos de Kevin Smith nos créditos finais. Até eles são engraçados. E agora eu vou ficar cantarolando "goodbye horses" e me lembrando de Buffalo Bill até semana que vem...

Gourmet do nordeste

2007-09-26 18:05:30 +0000

Minha estadia em Aracaju foi breve, mas deu tempo de experimentar um pouco da comida local. Aí vai o veredito:

  • Baião de dois - É um mexidão com nome "cult". Não curti.
  • Macaxeira com carne de sol - Parafraseando Joey Tribbiani, "como é que dá pra não gostar disso? Mandioca, bom! Carne de sol, booom!"
  • Paçoca - quando botei no prato pensei que era só farofa normal. Mas é mais fina e com um temperinho diferente muito bom.
  • Carne de sol grelhada - Carne de sol é aquela coisa de sempre: dura e bem passada. A que eu comi era, portanto, dura e bem passada. Mas era grelhada.
  • Torta de limão - Não, não é comida típica do nordeste, mas tava óptema.

Minhas impressões sobre "24 horas" após assistir todos os episódios

2007-09-12 17:30:46 +0000

AVISO: Tentei não incluir spoilers pra quem ainda não viu a série, portanto meus comentários são tão genéricos quanto possível. Mas se você é xiita com spoilers, sei lá, melhor não ler.

  • A série é, realmente, muito boa e bem viciante. Várias vezes eu e Bethania passamos 5 ou 6 horas assistindo um episódio atrás do outro. A coisa toda é como um graaande filme de ação. E o final de cada episódio praticamente te obriga a dar um "next" no controle do DVD e ver o que acontece depois.
    No entanto eu acho que a série está na hora de acabar. Da quarta temporada pra frente a coisa está indo morro abaixo: parece que as idéias do pessoal acabaram e as mesmas tramas e reviravoltas estão se repetindo incessantemente. A própria Wikipedia tem uma lista de "artifícios de roteiro recorrentes" que, realmente, cansaram. Tomara que eles façam logo o filme da série e dêem tudo por encerrado.
    O que ainda dá sobrevida à "24 horas" é, naturalmente, a bela interpretação que Kiefer Sutherland dá ao personagem principal: Jack Bauer. Jack Bauer, arma em punho, e sua bolsa
  • Jack Bauer é Deus. Ele pode tudo, ele consegue tudo. Sabe aqueles "Chuck Norris Facts"? Naturalmente fizeram também os Jack Bauer Facts. A diferença é que VÁRIOS da lista de Jack Bauer REALMENTE são verdades. Um exemplo da lista: "Não houve mais nenhum ataque terrorista nos EUA desde que Jack Bauer apareceu na TV" :)
    Num dos episódios, onde ele era refém de dois terroristas com metralhadoras, prestes a lançar gás paralisante num shopping, ele havia acabado de recobrar a consciência, estava desarmado e algemado no pé de uma mesa. E ainda assim disse: "eu tenho os terroristas exatamente onde queria". Instantes depois ele escapou, matou os terroristas e salvou todo mundo do gás.
    Jack Bauer é o melhor agente federal de todo o universo conhecido. Em seis temporadas eu só vi Jack Bauer errar UM TIRO (é sério). Jack Bauer já morreu e ressuscitou (é sério!). Jack Bauer passou dois anos sendo torturado na China, foi trazido de volta aos EUA pra ser sacrificado e acabou salvando o país mais uma vez (sim, é sério). Ele é expert em combate corpo-a-corpo, sabe pilotar aviões, helicópteros, entende tudo sobre explosivos, bombas, armas, eletrônica e computadores. Sabe de cor todos os protocolos de segurança nacionais. Ele fala espanhol, russo e entende um tiquinho de sérvio também.
  • Além disso tudo, Jack Bauer ainda tem tempo para ser pegador: além da sua esposa "original" ele já se engraçou com uma terrorista, uma mexicana, a mulher do seu irmão, uma mãe solteira e com a filha do Secretário de Defesa. E tudo isso enquanto defendia os EUA dos terroristas.
  • Mas a maior especialidade de Jack é, de longe, a tortura. Ele leva a coisa tão a sério que chegou a torturar mulheres, e três delas eram ou já haviam sido suas próprias namoradas. Jack chegou a torturar até o próprio irmão. Quem é torturado por Jack Bauer sempre acaba cedendo, mas, obviamente, se as coisas se invertem e Jack é que é torturado, ele JAMAIS dá informações.
    As cenas de tortura são tão comuns na série que acabaram induzindo alguns militares americanos, na vida real, a considerar tortura como aceitável. A coisa foi tão feia que o general-brigadeiro Patrick Finnegan foi ao set de 24 Horas para pedir o pessoal pra maneirar nas cenas de tortura. O próprio Kiefer Sutherland visitou uns cadetes de West Point para "desconvencê-los" de que tortura era bom.

 Elenco da sexta temporada

  • Dando uma olhada rápida no Jack Bauer's Kill Count podemos concluir que Jack matou 175 pessoas durante a série, incluindo: um colega de trabalho (Curtis), um dos seus chefes (Ryan Chappelle), o ex-marido de sua namorada (Paul Raines) e uma ex-namorada que virou terrorista (Nina Myers).
  • Em toda a série temos um total de dois braços decepados a machado. Um deles era o do namorado de Kim Bauer, filha de Jack. Adivinha QUEM decepou o braço?
  • Por sinal, Elisha Cutbert, que fez o papel de Kim Bauer, estava PÉSSIMA no papel. A cada temporada eu torcia pra que ela morresse, de tão irritante que ela era, mas isso nunca chegou a acontecer.
  • Aquele truque de pegar um refém, apontar uma arma pra cabeça dele e usá-lo como escudo NUNCA funciona com Jack Bauer. Eu me lembro de no mínimo três circunstâncias onde algum terrorista fez isso e foi sumariamente executado, instantes depois, com um tiro na cabeça.
  • A ironia máxima de "24 horas" é o fato de que Jack Bauer, o ícone máximo do patriotismo e do amor incondicional aos EUA, é representado por um ator nascido em Londres e criado no Canadá...
  • Nas primeiras temporadas aquele papo de "tudo em tempo real" era levado a sério. Nada era cortado, as viagens de carro duravam exatamente o tempo que tinham que durar, etc. Mas a partir da terceira temporada os roteiristas desistiram de fazer tudo certinho, e em alguns momentos temos algumas "inconsistências", como viagens ao México feitas em questão de minutos.
    O site Jacktracker mostra um overlay do Google Maps com todos os trajetos que Jack fez e o tempo que levou, alguns deles em velocidades inimagináveis. O recorde de velocidade, pelo que vi no site, é quase supersônico: 1038 quilômetros por hora... numa picape!
  • Como tudo é focado na hora na qual o episódio se desenrola, a frase mais dita por todo mundo é "within the hour" (ainda nesta hora). Já Jack Bauer é campeão em dizer "damn it!" (algo como "droga!"), como você pode ver neste vídeo.

Elenco de

  • A Unidade Anti-Terrorista (Counter Terrorist Unit, ou CTU), onde Jack trabalha, é um prédio maldito: oito personagens-chave da série morreram dentro da CTU, ou a serviço dela. A própria esposa de Jack morreu lá dentro, na sala dos servidores. A CTU já foi destruída, invadida e atacada com gás. Em várias temporadas foram descobertos espiões entre os funcionários (provavelmente eles tem o recrutamento mais furado do mundo). Te digo que eu não aceitaria um emprego por lá, por melhor que fosse o salário.
    Além disso, eles tem, ao mesmo tempo, os melhores e os piores sistemas computacionais que existem. Com eles o pessoal consegue, por exemplo, ver a planta baixa de qualquer prédio do mundo em questão de segundos, ou cruzar a lista de passageiros de todos os vôos do país com os registros de todos os hotéis de Los Angeles com uma lista de procurados do FBI. Tudo online. Mas às vezes eles levam 20 minutos para rastrear um simples telefonema.
  • O presidente Lula deveria receber uma cópia de todas as temporadas de "24 Horas" nas quais o presidente é o David Palmer, só pra ele ver como é que se lidera um país. Porque se Jack Bauer é o melhor agente do mundo, David Palmer é o melhor presidente do mundo. Disparado.
    Destaque também para o pior presidente de toda a série, que foi Charles Logan. Digo "destaque" porque o ator que o representou, Gregory Itzin, estava muito bem. A cara de presidente imaturo, orgulhoso e incapaz que Gregory Itzin deu a ele ficou simplesmente excelente.
  • Outro destaque da série é Bill Buchanan, ex-diretor da CTU, representado pelo ator James Morrison. Confesso que queria ser um líder como Bill: sempre equilibrado, sempre por cima das situações e sempre com a confiança irrestrita de toda a sua equipe.
  • Séries são o que há de mais barato na Blockbuster. Usando aquela promoção "leve 3 e pague 2" você aluga uma temporada inteira de uma vez só, e se devolver antecipadamente você ganha crédito de R$ 1,50 por locação. No fim, cada DVD sai por R$ 2,25.
    Claro que pra fazer isso tem um pequeno truque: você precisa copiar os DVDs para seu computador (usando o DVD Shrink, por exemplo) e gravar em DVD-RW pra ir assistindo, porque obviamente não vai dar tempo de ver 6 DVDs a tempo de pegar o crédito da devolução antecipada.
  • Se você já viu bastante 24 Horas, o vídeo abaixo vai ser bastante engraçado. O que aconteceria se Jack Bauer fosse um entregador de pizza?

Fones de ouvido - Os bons, os ruins, as dicas

2007-07-18 15:48:00 +0000

Princesa Léia e seus fones

Não, eu não vivo sem meus fones de ouvido. Pra vocês terem uma idéia, eu ando com três deles na minha mochila, o tempo todo.

É uma delícia botar um bom fone nas orelhas, se desligar da barulhada usual do mundo e descobrir detalhes das minhas músicas que nunca seriam audíveis em caixas de som normais.

Acontece que é difícil separar o joio do trigo ao tentar comprar bons fones de ouvido. Portanto, aqui vai um pouquinho da minha modesta experiência pra ajudar quem se interessar. Não sou um audiófilo experiente, então posso ter errado em alguma coisa. Neste caso, me xingue nos comentários que eu conserto.

Tipos de fone de ouvido

Earbuds (às vezes chamados intra-auriculares, embora não seja o correto): São aqueles pequenos que você enfia na orelha. A maioria dos fones que você vê por aí são do tipo "earbud". Fones desse tipo são muito fáceis de achar. Fones bons desse tipo são bem difíceis de achar.

Como são muito pequenos, os earbuds - tanto os vagabundos quanto os de qualidade - não conseguem reproduzir com perfeição os sons mais graves. Outra desvantagem é que eles não são bons para ambientes barulhentos, tipo ônibus ou avião. Aí você aumenta o volume pra compensar e, daqui a alguns anos, acaba trocando o fone por um aparelho de surdez...

Supra-auriculares (headsets): É o "fone de DJ", aquele modelo grandão e almofadado que você usa sobre a orelha. São confortáves, fáceis de colocar e tirar, e os modelos com traseira fechada bloqueiam boa parte dos ruídos externos. Como são maiores, reproduzem o som com maior fidelidade e são menos nocivos à audição, porque ficam mais longe do seu tímpano do que os earbuds. Mas são mais caros, não são lá muito portáteis e nem discretos (se você tentar usar um deles durante a aula, sua professora vai notar).

Fones supra-auriculares são particularmente bons para usar com jogos de PC, principalmente os de tiro em primeira pessoa.

Intra-auriculares (in-ear ou canalphones): Eles tem um formato esquisito e um jeito ainda mais estranho de usar: você enfia os fones dentro do canal auditivo. E isso, meus caros, é a melhor coisa do mundo.

Fones intra-auriculares são tão discretos e portáteis quanto os earbuds, tem uma qualidade sonora maravilhosa e isolam praticamente TODO o ruído externo - o que é um perigo na hora do cooper, por exemplo. Você só vai perceber que entrou na frente do ônibus quando ele te atropelar, já que a buzina, a freada e o rugido do motor jamais chegarão aos seus tímpanos.

Claro que esse poder todo tem seu preço: fones intra-auriculares são caros. Além disso, o uso dentro do canal auditivo não é exatamente confortável. E, de vez em quando, você vai ter a desagradável tarefa de limpar restos de cera de ouvido deles.

Fones que conheço e recomendo

Qualquer fone que venha junto com algum produto bom (iPod, MP3 player, notebook, etc). Estes tem que ser no mínimo razoáveis, porque senão comprometem o produto que acompanham. Imagine se os fones do iPod tivessem um som ruim: ninguém ia culpar os fones, todo mundo ia sair dizendo que "o iPod é uma droga". Por isso os fabricantes espertos não bobeiam e capricham na qualidade destes fones.

Os dois fones que uso diariamente são o do meu iPod e o que veio com meu finado m:robe MR100.

Philips SBCHP195. Esse é relativamente fácil de achar no Brasil. Ele é bom, durável, o cabo é grande e o som é muito bom, apesar de puxar um pouquinho pros graves. É a melhor opção que conheço para fones supra-auriculares.

Um aviso: estes fones são contra-indicados para filmes de terror. Pra vocês terem uma idéia, eu só tive coragem de assistir O Iluminado até o fim depois que tirei os fones. É que a música funciona muito melhor com eles - o que não é nada desejável quando o objetivo da música é tornar as cenas ainda mais assustadoras...

Shure E3C. Intra-auriculares com isolamento acústico. Não são baratos, mas são magníficos. Esses eu descrevi em detalhes neste post.

Fones que conheço e NÃO recomendo:

Qualquer um da marca Coby. Nunca vou me esquecer da última vez que ouvi algo através de um fone Coby: botei os fones nos ouvidos, apertei o play do meu Winamp e, conforme a música soava, eu me sentia fisicamente mal. O barulho que aquela porcaria produzia era uma mistura de rádio AM com telefone de latinha. Eu fiquei tão revoltado que joguei os fones no lixo, após alguns segundos de uso.

Na verdade, é bom você tomar cuidado com a maioria dos fones tipo earbud, mesmo os de marca boa (Philips, Sony, etc), pois vários são low end (feitos pra vender barato e, portanto, sem qualidade)

Koss Plug. Comprei um deles quando estava no Canadá e, na época, achei ótimo: baratinho, o isolamento acústico era uma beleza, na academia ele tapava aquelas músicas chatas vindas da aula de spinning, e ele era um bom apoio para amenizar 10 horas de motor de avião rugindo na sua orelha enquanto eu voava de volta pro Brasil.

Acontece que o The Plug puxa demais para os graves. Todos os detalhes mais agudos da música se perdem no oceano de "uoooomp, wuooomp" do baixo e da bateria. É como se você botasse um subwoofer dentro da orelha.

Bem, se você gosta de funk, vai fundo que o The Plug é ideal pra você...

Fones com controle de volume, no fio ou nos próprios fones. Esse controle de volume pode até ser prático, mas normalmente degrada a qualidade do som.

Dois cuidados básicos para seu fone de ouvido durar bastante

Guarde seu fone com o fio enrolado gentilmente, sem forçar - principalmente perto do conector, o primeiro lugar aonde o mau contato aparece quando o fone é maltratado.

JAMAIS sopre dentro dos fones para tirar sujeira ou poeira. Por dentro, o fone é uma micro-caixa de som, com um diafragma mais delicado do que a torcida do Cruzeiro. Estraga mais fácil do que você imagina.

Outras informações interessantes

O site Inside Home Recording tem uma avaliação de vários modelos, desde os foninhos do iPod até os modelos mais caros. Meus fones Shure E3C ficaram em segundo lugar na avaliação deles.

O Headphone Reviews tem avaliações de 298 fones diferentes, feitas pelos próprios usuários do site. Tem também um ranking com os TOP 10 fones de cada tipo.

Já ouviu falar em "amaciar" motor de carro? Pois é: dizem que fones de ouvido também tendem a melhorar conforme vão sendo "amaciados" com o uso.

É isso. Se você concorda, discorda ou quer acrescentar alguma coisa, os comentários tão aí para isso. Vai fundo.

O Primo recomenda: Joost

2007-05-25 17:12:00 +0000

Eu ia fazer um loooongo post sobre o Joost. Porque o troço é revolucionário e, se deixar, eu falaria dele por horas a fio. Mas vou tentar me concentrar só no que interessa mesmo.

A idéia do Joost, criado pelos mesmos caras que fizeram o Skype e o Kazaa, é distribuir conteúdo legal de TV pela internet. Digo "legal" nos dois sentidos: "divertido" e "judicialmente nos conformes". Por baixo do capô o Joost usa tecnologia peer-to-peer - ironicamente, a mesma usada pra piratear séries e filmes -, para garantir vídeo de qualidade sem "engasgar" na velocidade da sua internet.

O maior ponto forte do Joost é que ele, bem, ele é lindo, simples, poderoso e funcional. Coisa rara no mundo dos softwares de hoje em dia.


Assistindo um videoclipe. Note os controles no rodapé e nas bordas da tela, que aparecem e somem com apenas um clique.
A interface é de cair o queixo. Parafraseando o Unibanco, "nem parece software". Você abre o Joost e ele ocupa a tela toda como se dissesse "agora você não está mais usando seu micro, está vendo TV. Senta aí e relaxa". Não tem configurações, "settings", "loading", "connecting", nada: Você liga e sai assistindo. A resolução é ótima, o som é ótimo e a quantidade de canais e programas, apesar do pouco tempo de vida do Joost, é enorme. Usar o Joost é tão intuitivo quanto usar uma TV normal. A experiência toda é tão esteticamente agradável e gratificante que o Joost parece ser um produto da Apple...


Cada canal tem esta tela para escolha dos (inúmeros) programas. Ao fundo está passando o impagável videoclipe do "Chacarron", para fins... didáticos.
No entanto o Joost tem dois "comportamentos" que me incomodaram profundamente. O primeiro é que, ao "desligar" o Joost, ele vai continuar ativo na bandeja do sistema, "transmitindo" a programação que você já viu para outros usuários, e devorando seu link internet. Sem avisar. Aí você se pergunta: "Bem, se o Joost está retransmitindo o que eu já assisti, ele tem que ter gravado os vídeos no meu disco". Pois é: o Joost não vai avisar que fez isto, não dirá onde gravou e sequer vai te deixar configurar o quanto de espaço em disco ele pode ocupar. Fuçando um pouquinho o meu PC eu acabei achando as gravações em "Documents and Settings\[nome do meu usuário]\Dados de Aplicativos\Joost\anthill", num arquivo chamado "anthill.cache". "Ant hill" significa "formigueiro" e, da última vez que eu conferi, o meu tinha consumido 854 MB de disco. Pode parecer picuinha, mas eu detesto software que vai chegando e fazendo o que quer. Pô, meu PC não é casa da mãe Joana...

Além disso, o conteúdo do Joost ainda gira muito em torno dos canais pequenos e independentes. A programação de "TV de verdade" depende de convencer aqueles velhos executivos das emissoras, com suas cabeças (e advogados) retrô, que liberar seus programas, de graça, pela Internet, nesses tempos de pirataria desenfreada, é bom. Pra mim o sucesso do Joost depende exclusivamente disto. Mas parece que os velhos executivos estão ganhando, já que o Joost recentemente implantou "bloqueios regionais" e parou de transmitir alguns canais para fora dos EUA, o que deixou vários usuários europeus xingando no fórum do Joost.com.

Ainda assim o Joost é muito promissor e vale uma boa olhada. Recomendado.

P.s.: Como o Joost ainda é beta, precisa de convite para poder usá-lo. Pegue um aqui, mas corra antes que acabem...

O Primo NÃO recomenda - Ó Paí, Ó

2007-04-02 11:59:00 +0000

O meu rol de piores filmes de todos os tempos inclui algumas pérolas, como Pecado Original, Anaconda, Diário de uma louca e outras maravilhas.

Ontem eu adicionei a esta lista Ó Paí, Ó, produção brasileira de Monique Gardenberg que é adaptação de uma peça de teatro de mesmo nome.

Pra ir direto ao ponto: o filme simplesmente NÃO tem roteiro e é apenas um amontoado de cenas com personagens caricatos da Bahia: o travesti, a morena sensual, a baiana do acarajé, o trambiqueiro, a "crente do rabo quente", etc. Todas as cenas do filme consistem, basicamente, destes personagens interagindo uns com os outros de um jeito que devia soar "espontâneo e brasileiro", mas que ficou parecendo apenas gritaria e bate-boca sem sentido. É como se aquelas cenas de favela das novelas da Globo tivessem sido filmadas com lentes melhores e com os atores falando palavrão.

Pra piorar a falta de noção do roteiro, o filme ainda acrescenta, sem razão aparente, algumas cenas de musical. Imagine só: de repente, todo mundo no boteco pára o que está fazendo e começa a dançar. Por "todo mundo" entenda-se: o travesti, a morena sensual, o trambiqueiro, a "sapatão", a baiana, etc, etc. Era pra ser uma cena bem "brasileira", acabou parecendo a cena dos monstros dançando com Michael Jackson no videoclipe de "Thriller". Algumas músicas da parte "musical", inclusive, são cantadas pelo próprio Lázaro Ramos. Nada contra o cara, ele é um dos melhores atores da atualidade, mas a voz dele...

E então, no final do filme, depois de bastante música, dança e bate-boca, inventaram um "clímax" narrativo TÃO desnecessário, TÃO desencaixado do resto da história, que acabou sendo apropriado. Afinal, um filme ruim daqueles precisava de um final à altura (ou seja, horrível).

Por alguma estranha razão o Omelete falou bem. E o Vilaça ainda não se manifestou.

Grandes Discos da coleção d'O Primo

2007-03-23 19:36:00 +0000

Air - Trilha do filme "The Virgin Suicides"

O artista "normal", aquele que grava e lança discos em vez de trabalhar como compositor profissional de trilhas, passa maus bocados quando é chamado para fazer música para um filme. Após anos de destaque, compondo livremente, sem amarras, o cara é obrigado a fazer música de fundo para o trabalho de outra pessoa e, normalmente, fracassa.

Em "The Virgin Suicides", fica difícil dizer se o Air fracassou ou não, porque toda a minha opinião do disco foi construída antes de ver o filme. Na verdade, tudo o que eu sabia do filme era que ele se chamava "As virgens suicidas" e que contava a história de cinco irmãs que se suicidaram. Mais nada. Assim sendo, tudo o que eu tinha nas mãos era uma pergunta: Como seria o universo musical de virgens suicidas? E é isto que o Air responde de forma magistral...

O duo francês compôs como qualquer compositor de trilha sonora: desenvolveu o disco inteiro ao redor de um tema melódico único, manteve a sonoridade "arredondada", os timbres uniformizados num formato básico de órgão-vibrafone-guitarra-bateria-baixo, sem destaque para nada, para não brigar pela atenção do público com o resto do filme. Mas ao mesmo tempo em que formatou seu modo de compor para atender o cinema, o Air manteve a sua identidade musical retrô-moderna, atmosférica e suave. A soma disso com um tema intenso como o do suicídio - e os sentimentos misturados que se relacionam com ele - fez com que a trilha de "As Virgens Suicidas" se tornasse um disco de rara intensidade e beleza.

Praticamente todas as faixas são música "de fundo", discretas, feita para completar e ilustrar ao invés de aparecer e se destacar. Mas apesar da discrição, todas possuem uma carga sentimental forte e inocente da depressão adolescente, devida em grande parte ao tema melódico básico: forte, bonito, mas infinitamente triste. Conforme ele se repete ao longo das faixas, toda aquela ansiedade típica de suicida vai se remexendo entre um som e outro. O Air, definitivamente, acertou em cheio.

Curiosamente, o filme (que nem é lá tão bom) usa muito pouco as músicas que estão neste disco. Talvez porque a diretora (Sofia Coppola), no roteiro, optou por uma abordagem pouco emocional e mais documental para contar a história das cinco irmãs. Já o pessoal do Air foi todo emoção: "Suicide Underground", antepenúltima faixa do disco, usa uma longa narração do filme e a ilustra com a música, formando uma obra-prima que mostra até onde o filme poderia ter ido e não foi.

So - So

Primeiramente, não. A banda não se chama "So-so" (que significa "mais ou menos", em inglês). A banda chama-se "So", e o disco tem o mesmo título.

Eu já mencionei este disco aqui no blog várias vezes, e vou mencionar de novo. "So" é um projeto de Markus Popp (Oval) com Eri (Microstoria). O disco tem 10 faixas sem título, compostas de MUITO ruído, sons desconexos, um pouco mais de ruído, blips ocasionais e a voz de Eri (cantando em japonês e ao violão) processada eletronicamente até o extremo. E é um disco que me abriu os olhos para o quanto a música pode ser bonita quando é apreciada pelo que ela é, sem influência cultural ou expectativas oriundas de velhos paradigmas.

A primeira audição de "So" é profundamente incômoda, porque nenhum som é amistoso. A digestão daquela massa amorfa de barulho ácido não é fácil. No entanto, o esforço para vencer a rejeição inicial compensa muito, porque aí fica possível perceber o que é, na verdade, aquela barulheira toda. Os ouvidos, "desconvencionalizados", percebem a ternura no cantar de Eri, a suavidade dos movimentos harmônicos, a beleza própria, substancial, de cada um daqueles sons desajeitados. Tudo está lá, mas coberto por uma aparência que a princípio parece desagradável, mas que na verdade poderia ser melhor descrita como "complexa" ou "densamente elaborada".

Uma vez confortável com esse universo musical diferente, quem ouve "So" vai conseguindo perceber cada faceta da complexidade toda, e tendo surpresas novas a cada audição - mesmo depois de muitas audições. Até a capa reflete esta temática do belo escondido atrás do tosco, que se mostra pra quem tem "olhos de ver": o que, a princípio, parece ser apenas rabiscos, é na verdade o desenho de um grande navio.

As compras do mês d'O Primo

2007-03-06 06:41:00 +0000

Tortoise - A Lazarus Taxon

Esse CD eu não comprei em MP3: acabei importando do jeito "analógico" mesmo, já que A Lazarus Taxon não é exatamente um CD novo do Tortoise, e sim um "box" com 3 CDs e 1 DVD cheios de remixes, versões ao vivo, faixas bônus, etc. Coisa de colecionador.

Musicalmente falando, A Lazarus Taxon é ótimo. Os remixes são formas de revisitar tudo de bom que o Tortoise já produziu. As faixas bônus são uma dose extra daquela sonoridade de jazz moderno, característica marcante da banda. E encerram em si algumas surpresas experimentais, como "Sexual for Elizabeth" que parece Tortoise tocando na Jovem Pan FM (!?) ou "A Grape Dope", que reinventa o tema usados em "The Taut and Tame" (do Millions now living...). Já o DVD eu ainda não tive tempo de ver direito.

Daedelus - Daedelus denies the day's demise

Todo dia de manhã eu rezo pra Deus e agradeço assim: "Senhor, obrigado por me fazer assinar o podcast da revista XLR8R". Pois é deste podcast que tenho tirado algumas coisas simplesmente geniais (como, por exemplo, J Dilla).

Daedelus apareceu num desses podcasts tocando "Remix for Nothing", uma faixa eletrônica-experimental feita de tudo misturado com tudo, com um objetivo muito bem definido: nenhum. Só pra ver no que dá. O resultado, despretensioso, divertido, ficou muito interessante. A letra do refrão é o máximo:

This... is it.
Yes it is, I say.
The remix, this is.
This is it, the remix.

Para aprofundar meu conhecimento de Daedelus, comprei o seu disco mais recente, chamado Daedelus denies the day's demise. E aí, surpresa: É nele que Daedelus descobriu o Brasil. Mais especificamente, o samba.

As faixas, batizadas de "Samba legrand", "Petite Samba", "Viva Vida", deixam bem claro que Daedelus anda curtindo bastante o repique do pandeiro e a miada da cuíca. Praticamente todas as faixas tem algum samba sampleado, ou usam a mesma estrutura rítmica do nosso velho e bom "paticumbum". "Bahia", então, dava pra tocar fácil neste carnaval. E ainda sobra espaço nas faixas para Daedelus esbanjar genialidade, usando ao contrário tudo que normalmente se usa em música eletrônica: os sintetizadores sóbrios tocam linhas melódicas animadas; os samples de músicas de antigamente não soam nostálgicos, e sim se empilham uns sobre os outros, tocando "chutadinhos", bem século 21. Tocando tudo errado, Daedelus acerta em cheio.

Em resumo, Daedelus denies the day's demise é imperdível. Taí um gringo que samba muito bem...

Set Fire to Flames - Telegraphs in negative

Set Fire to Flames é uma banda "irmã" do Godspeed You! Black Emperor. Ambas compartilham integrantes, soam similares, e tem uma atração forte pelo apocalíptico, pelo obscuro e pelo depressivo.

No site da gravadora Alien8, a história de Telegraphs in Negative é contada. Basicamente, os 13 integrantes da banda acharam um grande celeiro abandonado na área rural de Ontario, no Canadá, levaram o equipamento e se trancaram lá. "O álbum foi formado numa situação de isolamento auto-imposto, com a banda funcionando tanto individualmente quanto comunitariamente, em estágios de pouco ou nenhum sono, níveis variados de intoxicação, e confinados fisicamente", diz o site.

Telegraphs in negative NÃO é um disco divertido. NÃO é um disco fácil. NÃO é um passeio no parque. É uma jornada difícil por consciências atormentadas, por demônios escondidos atrás de cada pilha de feno e de madeira velha. É um disco que vai incomodar e vai lhe deixar deprimido.

No entanto, Telegraphs in negative é intenso, e por isso mesmo profundamente expressivo, atingindo extremos onde, por exemplo, uma faixa contendo apenas trechos gravados de telefonemas ("Mouths trapped in static") fica linda e é mais emocional do que quaisquer 20 minutos de guitarra urrando no último volume.

É preciso uma certa dose de coragem para ouvir telegraphs in negative. Coragem para se trancar com a banda naquele celeiro, no escuro, e ficar ouvindo os próprios fantasmas.

Laura - Radio Swan is Down

Este disco começa bem logo na bela pintura da capa. Já a música é rica, intensa. As guitarras cantam, guiando e construindo o som das cordas, do baixo e da bateria rumo a "paredes sonoras" espetaculares.

Quem conhece Explosions in the Sky vai achar esta fórmula bem familiar. Mas há diferenças. A intensidade rasgada de Radio swan is down é mais constante, e o que evolui nas músicas não é a melodia, e sim variações do timbre da banda inteira, que giram em torno de acordes mais sérios, solenes. Como se fosse um "Explosions in the Earth". Há também uma ou outra pitada eletrônica aqui e ali, como que para garantir o interesse ao longo do disco. Nem precisava: Radio swan is down soa maduro e seguro como poucas bandas conseguem.

Múm - Yesterday was dramatic, today is OK

Eu não entendi nada.

Na minha listinha de "saved for later" do emusic.com, este disco tinha a seguinte observação, feita por mim: "Baixar assim que der refresh nos downloads". Aí baixei, e até agora estou me perguntando por quê.

O disco é todo certinho: Ele soa quase como se não quisesse incomodar. Nenhum timbre é agressivo, todos ficam exatamente em seus lugares: a bateria sustenta, o baixo apóia, a linha melódica dá a... bem, a linha da música, e assim vai. É como um time que joga certo, faz o gol, ganha o jogo, mas só. Falta a ânsia de ganhar, de fazer coisas novas, de dar uma de Maradona e fazer gol com a mão.

Dizendo assim o disco parece uma porcaria, mas não. Yesterday was dramatic, today is OK tem seus méritos: as músicas tem um clima bom e tranquilo, evoluem sem pressa e levam o ouvinte a uma viagem de paisagens bem bonitas. Mas fica a impressão de que podia ter sido muito mais e não foi, parando apenas no "bom". E, como dizem, o bom é inimigo do ótimo - apesar de continuar sendo bom.

As compras do mês d'O Primo

2007-01-31 17:35:00 +0000

(Tudo comprado no eMusic. Barato, sem DRM, sem olho de vidro e sem perna de pau)

Quando eu penso no futuro do meu gosto musical, às vezes eu fico com medo. A cada dia que passa eu me distancio mais e mais do vocal, da guitarra, da música de estrutura "comum", e exploro cada vez mais uma terra estranha, sem ritmo, coberta de barulho, chiados e blips desconexos... e acho tudo maravilhoso.

Radian - Juxtaposition

Tudo começou com o Tortoise. Aí eu passei pelo The Sea and Cake, pelo Trans Am, pelo Oval, pelo Microstoria... e aí ficou bem claro que a Thrill Jockey tinha muito a ver com meu gosto musical esquisito.

Em termos de sonoridade, Radian, portanto, tem "a cara" da Thrill Jockey. Juxtaposition soa incomum, jazzístico, inovador. Camadas de ruído, guitarras profundamente processadas e glitches eletrônicos são colados sobre linhas de percussão, e o resultado final são faixas onde a expressão não está nos sons produzidos, e sim na forma em que eles soam depois de produzidos, no efeito que eles causam, na forma como eles interagem um com o outro. Isso tem um efeito curioso: o resultado sonoro é tão vivo que é difícil perceber que às vezes, sim, tem uma banda, com instrumentos, tocando ali. A criatura acaba se tornando muito mais poderosa que seus criadores...

Bons fones de ouvido e bastante atenção são absolutamente necessários para ouvir este disco.

Belong - October Language

"Soa como enrolar-se em um cobertor quentinho feito de barulho", dizia um dos reviews do eMusic. Eu li isso e comprei o disco na mesma hora, porque sabia exatamente o que ele queria dizer - e é isso que me assusta às vezes.

Belong trilha os caminhos de Fennesz e Kevin Shields, que experimentam com "paredes" sonoras construídas com o som de guitarras ligadas a uma penca de distorções, reverbs e por aí vai. O efeito é uma magnífica onda de ruído, que se contorce e se transforma a cada acorde diferente. Só que no meio daquela quantidade absurda de barulho existe uma melodia, suave, e é como se, no meio do desespero provocado pelo barulho, surgisse um lugar seguro, confortável. Exatamente como o "cobertor quentinho" que o cara falou.

A genialidade deste disco é justamente essa: a capacidade de construir beleza magnífica através do caos sonoro, da agressividade, do ruido. October Language ainda acrescenta uma gama diferente de elementos sonoros e timbres para as músicas, como que para garantir que o disco vai ficar interessante por todos os seus 45 minutos. Nem precisava.

Você já deve ter desconfiado mas não custa lembrar: October Language é pra ser ouvido bem alto, ou com bons fones de ouvido.

Of Montreal - The Sunlandic Twins

 

The Sunlandic Twins estava há muito tempo na minha listinha de "discos para comprar depois", no eMusic. Toda vez que eu revisava a listinha, aquela capa com os gêmeos de mãos dadas no jardim psicodélico parecia cada vez mais convidativa.

The Sunlandic Twins é um pop-rock construído com precisão. As faixas são "pra cima", agradáveis e tem uma solidez melódica a la Beatles, mas atualizada para o século 21 com uma ou outra pitada de eletrônicos. Na verdade, o som da banda (principalmente os vocais) soa muito parecido com os Beatles.

E precisamente por causa disso tudo é que eu tive problemas sérios pra ouvir este disco.

Não que ele seja ruim, muito pelo contrário. Ele é excelente. Acho até que a maioria dos leitores deste blog iria gostar muito de The Sunlandic Twins e detestaria o October Language e o Juxtaposition. Bethania, por exemplo, vai adorar esse disco. O problema, pra mim, é que ele representa exatamente o "convencional reinventado" do qual eu tenho desesperadamente tentado fugir. Além do mais, eu detesto Beatles, então tem uma barreira psicológica que eu preciso vencer primeiro antes de conseguir apreciar o disco...

Compras do mês d'O Primo

2007-01-09 02:56:00 +0000

Tudo comprado no emusic ou no bleep.

Proem - Socially Inept

Não sei se deu pra perceber, mas "Proem" é "poem" (poema) com um R a mais.

A música deste texano de 30 anos parece bastante como o nome: um poema com alguma coisa no meio. As faixas conjugam sons espaciais e dinâmicos, algo como um ambient que se estrutura não na "ambiência", e sim na sonoridade diversa, móvel, narrativa. O resultado é profundo e expressivo como poucas vezes eu já ouvi em música eletrônica.

The Go! Team - Thunder, Lightning, Strike

É tosco, é jovial, é despretensioso. É uma versão punk de Architecture in Helsinki.

"Bottle Rocket", sozinha, vale o disco. De fato, o "team" rende bem mais quando a banda usa vocais (se é que aquela gritaiada pode ser chamada de vocal), mas mesmo as faixas instrumentais não decepcionam. E... eu já disse que é tosco?

Trans Am - Trans Am

Ontem eu e Bethania assistíamos um programa de TV chamado Rockstar Supernova. É tipo um American Idol para escolher um vocalista de rock. Os candidados idiotas cantavam como se estivessem no "Fama" da Rede Globo e não tinham a menor presença de palco. Os jurados não perdiam as esperanças e davam dicas: "Você tem que brigar mais com a música"... "se solte mais, seja agressivo"... "cadê a atitude"...

Eu daria a cada um uma cópia deste disco do Trans Am pra eles ouvirem. Aí, assim que o CD acabasse, eu daria uma bifa na cara de cada um e diria: "Ouviu!?! Sua anta!! ISSO é que é rock!"

The Pixies - Doolittle

Bem... estou tentando reparar o erro de NUNCA ter ouvido Pixies. Antes tarde do que nunca.

Falar aqui que "ooh, Pixies é bom" é chover bastante no molhado. Acho que o máximo que posso dizer sobre o Doolittle é que eu vejo o ano do lançamento do disco e me pergunto o que diabos eu estava fazendo em 1989 que não ouvi isso.

Alarm will Sound performs Aphex Twin - Acoustica

E lá estava eu, tranquilamente, ouvindo meu Pandora, quando...

- Ei... isso é Aphex Twin... tocado por uma orquestra?!?

Sim, oh sim. Todos os "blips", todos os "tóings" são fielmente reproduzidos por violinos, oboés, tímpanos, flautas... até o sample que diz "come on you cunts, let's have some Aphex acid!" é cuidadosamente gritado no meio da gravação.

As compras do mês d'O Primo

2006-12-15 03:05:00 +0000

Zloty Dawai - Dada work chant

Este eu não comprei - baixei de grátis. E fiquei sabendo que havia sido lançado porque recebi um email da própria gravadora.

Zloty Daway são cinco alemães que gravam discos inteiros de uma só vez, tudo no improviso. É meio que um jazz extremo. Os discos do Zloty Daway (tenho dois) são horríveis mas ao mesmo tempo difíceis de parar de ouvir, o que talvez signifique que eles são bons, sei lá.

Para minha surpresa, as músicas funcionaram perfeitamente como trilha sonora para o atraso de uma hora de um dos meus vôos na terça-feira. Aquele maldito aeroporto e os sons todos errados, desconexos... uma coisa tinha mais a ver com a outra do que eu imaginava.

Interpol - Antics

"Interpol?!?!?", dizem em coro os leitores mais acostumados com música indie. "Sim, Interpol", respondo eu. Quando o Antics foi lançado, em 2004, Luiz já tinha me passado os MP3, que ouvi e achei bem ruins. Aí, não sei como, uma das faixas do disco Turn on the bright lights (chamada NYC) caiu no meu iTunes, e o shuffle do iPod insistia em tocá-la frequentemente.

Só aí eu concluí que Interpol é uma daquelas bandas que demoram pra "bater" - como o Architecture in Helsinki, que achei esquisito no começo mas agora estou curtindo bastante. Agora que o vocal de Paul Banks ficou mais digerível, é ótimo curtir o som espaçoso e melódico...

Kid 606 - Pretty Girls Make Raves

Comprar o Pretty Girls Make Raves é o equivalente a ligar bêbado para a namorada, ou chamar o chefe de "asno engravatado" no seu blog e ele ler. Sabe, aquelas coisas que são divertidas na hora, mas depois tem lá suas consequências.

Este disco é de uma fase bem "verborrágica" do Kid 606, onde ele lança disco atrás de disco sem nenhuma preocupação com qualidade. Assim, o Pretty Girls Make Raves é um disco de rave techno de produção medíocre, e que raramente diverte.

Mas a capa é bonita. E mês passado eu só tinha 8 downloads restantes na minha conta do emusic, e o disco tem 8 faixas... parecia a coisa certa a fazer, eu juro...

The Sea and Cake - The Fawn

Poucas bandas conseguem fazer o que o Radiohead fez com o disco Kid A: compor de um jeito completamente diferente do que fazia antes e ficar ainda melhor.

O Sea and Cake também fez isso, mas muito discretamente. Se você ouve desatento, todos os seus discos soam meio iguais. Um igual que, no entanto, sempre agrada. Só que, se você comparar este disco (de 1997) com algum outro lançado após o ano 2000, dá pra notar claramente o desvio do "acústico levemente progressivo" para o "jazzístico post-roquiano".

Destaque para a faixa "Rossignol". Instrumental do jeito que eu gosto, e ainda me lembra a temporada de esqui no Chile...

Migala - La increíble aventura

A capa e o nome do disco parecem dizer: "Os caras do Migala viajaram para a África. Foram fazer um safári. Tiraram férias de quem eles são". Isso fica ainda mais evidente na primeira faixa. Mas conforme o disco prossegue, eles gradualmente voltam ao seu estado normal de espírito: intimista, melancólico, profundamente triste... e absolutamente maravilhoso.

Curiosidade: minha primeira audição do disco foi, também, numa aventura - que nada tinha de "increible": era uma viagem de carro, trecho "São Paulo - Windturn City". Foram 3 horas espremido no banco de trás com mais duas pessoas. Nessas horas eu tenho que agradecer a Deus por permitir que algum bendito inventor criasse os fones de ouvido...

33.3 - Plays Music

Os caras do All Music Guide acham que esta banda com nome "decimal" é, simplesmente, clone das outras dezenas de bandas de post-rock.

Eu concordo. Plays music não acrescenta absolutamente nada de novo ao gênero. No entanto, como as outras dezenas de bandas do gênero, é uma delícia de ouvir. Delicioso o suficiente pra me fazer comprar o disco sem a menor idéia de onde saiu essa banda.

No final das contas, o trinta-e-três-ponto-três foi uma boa adição à minha coleção (sacou o trocadilho?)...

As compras do mês do Primo

2006-11-09 16:55:00 +0000

É, agora eu sou um cara honesto e compro MP3 online. É mais barato do que você imagina.

Mês passado tinha o seguinte na minha sacolinha:

Kid Koala - Some of my best friends are DJ's

Eu tinha que comprar um disco do Kid Koala depois de ouvir "Like Irregular Chickens" no Pandora. Afinal, um cara que faz uma música usando scratches de um cara imitando uma galinha merece todo o meu respeito (?!).

Some of my best friends... acabou não preenchendo completamente a minha necessidade porque eu esperava um disco mais chutadinho, mais corrido, virtuoso, sei lá. Talvez eu quisesse que Kid Koala fosse mais um Mixmaster Mike do que um DJ Shadow. No entanto isso não desmerece o disco, que continua sendo muito bom justamente por ser inovador e muito bem-humorado. Destaque para "Skanky Panky" e "Flu Season": esta última é deliciosa, foi feita com scratches de um cara espirrando (?!??).

Belle and Sebastian - The Life Pursuit

Os caras do B&S tinham um problema sério: fazer um disco melhor que o Dear Catastrophe Waitress...

Bethania tem um tio que toca oboé na orquestra sinfônica, é músico profissional, toca meia dúzia de instrumentos com um pé nas costas. Um dia desses ele foi lá em casa pra assistir os Lost's que eu baixei da internet e acabou ouvindo o Medulla, da Bjork, que estava estrategicamente colocado no som da sala. Ele pediu uma cópia do CD pra ouvir melhor. Como sobrou espaço no disco, eu copiei também o Dear Catastrophe Waitress.

Acertei na mosca: ele adorou... parece bobagem mas eu fiquei orgulhoso de mim com isso. Foi como que um teste da grandeza do Dear Catastrophe..

Mas voltando ao assunto: No Life Pursuit, os caras do B&S desviaram do tom mais "baladinha" do disco anterior e fizeram faixas com muito mais prato batendo, vocal aberto, guitarra comendo. O resultado foi um disco que não "bate" de cara como o Dear Catastrophe.., mas que vai crescendo a cada audição. Está cada vez mais provado que o B&S é mais uma daquelas bandas "constantes", que sempre lançam discos, no mínimo, muito bons.

Architecture in Helsinki - In Case We Die

Taí uma banda estranha. Muito estranha. Os arranjos das músicas são, no mínimo, incomuns. As letras tem uma psicodelia engraçada. Os vocais são feitos num estilo "criança pequena que tomou um LSD do pai hippie por engano". O conjunto do disco tem um caráter meio "felicidade de menino pequeno filho de artista plástico".

Na verdade, eu não faço a menor idéia do que escrevi no parágrafo anterior. É porque eu não sei o que pensar do In Case We Die. Ou ele é uma viagem errada, ou uma peça artística genial, ou uma mistureba de sonoridades que não gostam uma da outra. Ou tudo isso, ou nada. E vice-versa. Sacou? Pois é.

O Primo NÃO recomenda - Ticketmaster

2006-07-05 18:09:00 +0000

Não, peraí, vou repetir:

O Primo NÃO RECOMENDA DE JEITO NENHUM e está a fim de processar a Ticketmaster

Pronto. Agora posso contar a minha história.

Na última quarta-feira eu acessei o Ticketmaster pra comprar quatro ingressos para o Cirque du Soleil; dois pra mim e Bethania, e dois pra um casal de amigos. Combinamos de passar o feriado de Finados no Rio, fazer um turisminho básico (afinal eu só vou lá a trabalho e ainda não conheço nada), e assistir ao espetáculo.

Fazer a compra foi um suplício, já que o Ticketmaster é, sem dúvida, um dos sites de e-commerce mais confusos da internet brasileira. Ele é lacônico nas instruções, abre popup em cima de popup, complica coisas simples (como a compra de "inteiras" e "meias" num mesmo pedido), e por aí vai. Neste ponto eu já estava insatisfeito o suficiente pra escrever um post "desrecomendando" o Ticketmaster. Mal sabia eu...

Quando eu ia finalmente terminando, notei que a "taxa de conveniência" (conveniência?? mal sabia eu!) que eles cobravam era de R$ 140. Veja bem, CENTO E QUARENTA reais, 20% do valor dos ingressos. E não é só isso, tem também mais R$ 6 de "taxa para retirada dos ingressos no balcão no dia do evento"(*). Aí desisti e, como contei há alguns dias, tentei comprar os ingressos pessoalmente na quinta-feira, mas a fila me fez voltar à internet e pagar essa roubação em forma de taxa.

Recebi a confirmação do pedido por email, que dizia o seguinte:

"ATENÇÃO: Sua compra estará sujeita a confirmação do pagamento do cartão de crédito e a disponibilidade de lugares em nosso sistema. Sua confirmação de venda deverá ser enviada em um prazo máximo de 3 dias úteis, por e-mail ou telefone."

Ontem era o quarto dia útil e eu não tinha recebido nada. Acessei o site, tentei fazer o login com o email que usei na compra dos ingressos, botei a senha, e deu "senha inválida". Estranhei, fui no "esqueci a senha" pra ele me mandar o lembrete da senha por e-mail, e deu "E-mail não cadastrado".

Gastei uns cinco minutos procurando um telefone de contato no site, desisti, liguei pro tele-vendas e só lá, escondido nos menus, achei o telefone do SAC (que é (11)6846-6200).

Liguei para o SAC e fiquei uns dez minutos esperando pra ser atendido. A sorte é que eu estava em São Paulo, caso contrário seriam 10 minutos de interurbano pra onerar ainda mais meu pobre bolso judiado pelo casamento. Quando finalmente consegui falar, a atendente me disse:

- É que seu pedido foi recusado, senhor.
- Como é que é??
- Foi recusado, senhor.
- E ninguém me avisa disso não??
- Pois é, seu pedido foi recusado, provavelmente por algum problema de cadastro ou no cartão...

Note que ela fica repetindo a primeira resposta e ignora o que eu disse. Isso aconteceu em todas as vezes que liguei pra lá, com três atendentes diferentes. É extremamente irritante, principalmente quando é sobre uma compra de mais de R$ 800 em ingressos que naquela altura já estavam esgotados e que foi cancelada sem aviso.

Pra piorar, perguntei a atendente porque diabos eu não conseguia nem entrar no site pra ver o status do pedido. A resposta que recebi foi a coisa mais espetacular que já ouvi:

- É que quando um pedido é recusado o sistema apaga o cliente do cadastro do site...

Eu juro que, depois de ouvir essa frase, fiquei dez segundos paralisado, segurando o telefone, sem conseguir dizer nada. Eu nunca havia me sentido tão ridicularizado em toda a minha vida. Era como se eu estivesse em pessoa, na bilheteria, comprando os ingressos, e de repente dois seguranças me agarrassem e me chutassem pra fora da fila.

Pelo MSN, Bethania sugeriu ligar para a Visa e ver se foi problema no limite do meu cartão de crédito. A resposta deles?

- Senhor, não consta nenhuma operação recusada no seu cartão...
- Mas olha aí direitinho, na última quinta-feira... ou nos dias subsequentes...
- Pois é senhor, não tem nenhuma.

Ou seja, meu pedido foi recusado e sequer tentaram fazer a compra. Eu mal podia acreditar. Liguei de novo pro SAC do Ticketmaster. Dessa vez foram vinte minutos de espera. Expliquei a situação pela segunda vez, contei que liguei para a Visa e tal. E achei que não tinha jeito da coisa ficar pior.

Mas eu subestimei a incompetência do Ticketmaster...

- Senhor, consta aqui que o pedido foi cancelado pelo senhor mesmo, por telefone, na última segunda-feira...

Aí eu perdi a paciência por completo e comecei a gritar no telefone como nunca havia gritado antes. Nem da vez que precisei ligar 52 vezes pra Oi eu fiquei tão nervoso.

- Minha filha, você ficou maluca??? De onde você tirou que eu cancelei esse pedido??? Me prove que eu liguei pra vocês!! Vocês não gravam as ligações?? Provem AGORA!! QUERO VER!!!
- Senhor, peço que mantenha o nível dessa conversa...

Já não dava mais. Quanto mais eu perguntava, pior ficava:

- Senhor, me fala o que você está fazendo de errado pra entrar no site e ver o status do seu pedido que eu te ajudo...
- De onde você tirou que sou eu que estou fazendo coisa errada??? Vocês que sumiram com meu cadastro!!!
- Mas o cadastro está aqui, o email é [email protected]...
- Hein??
- carolina xis - ipsilon - zê arroba rótimêio...
- Meu email NÃO É ESSE!!!
- Mas está aqui, o endereço é "Estrada da Vendinha número xis, Barra da Guaratiba, Rio de Janeiro"...
- Eu moro em BELO HORIZONTE!! Esse cadastro aí é outro!!!
- Bom, mas nós não temos como alterar os dados aqui no sistema, ele é só pra consulta.
- Minha filha!!! Este NÃO É MEU ENDEREÇO!!!!
- Sim, mas nós não temos como alterar os dados aqui no sistema...
- Dãããã! Isso você já me disse! Não quero nem saber, quero saber onde estão os ingressos!
- Mas foi cancelado, senhor...
- Eu quero falar com a sua supervisora.
- Ela vai lhe dar as mesmas informações que eu, senhor.
- Eu quero falar com a sua supervisora!!
- Ela vai lhe dar as mesmas inf...
- EU QUERO A SUA SUPERVISORA AGORA!!

Recomecei o papo com a supervisora, dessa vez segurando pra não mandá-la pra aquele lugar. Ela veio com o mesmo papo que eu é que havia cancelado, eu expliquei de novo que sequer tinha ligado pra eles e que eles é que tinham sumido com meu pedido e com meu cadastro, ela me deixou na espera por uns dois minutos e, no final, disse:

- Bom, senhor, acabei de ter uma desistência de quatro lugares aqui, me confirma seu email e endereço corretos por favor...

Que conveniente... "desistência" agora significa "putz, fizemos uma bela cagada e vamos te arrumar assentos senão você nos processa"...

No final a supervisora até admitiu que o pau no meu cadastro tinha sido por erro de sistema mesmo, contradizendo as duas informações anteriores. Não peguei mais detalhes na hora porque precisava correr pro aeroporto (onde, por sinal, perdi o vôo).

Hoje de manhã chegaram novos emails do Ticketmaster, confirmando o novo pedido e, algumas horas depois, confirmando a compra. Agora é rezar para que nada mais dê errado até o dia do show. E aprendi a lição: "Jamais comprarás do Ticketmaster". Aprenda você também.

(*) - E ainda me cobraram essa taxa em duplicidade, mas ainda estou criando coragem pra ligar pra lá novamente.

Filmes

2006-05-30 01:08:00 +0000

Filmes com os X-Men são mais ou menos como sexo: mesmo quando é ruim, é bom.

Foi o que aconteceu com o X-Men 3. O roteiro é um queijo suíço de furos. Por exemplo: O Ciclope desaparece e ninguém está nem aí pra onde ele foi parar... a Fênix, que deveria ter uma personalidade com muito mais iniciativa que a Jean Grey normal, passa metade do filme acompanhando o Magneto com uma cara de "pastel" completamente incompatível com o seu personagem... a história paralela das crises da Vampira com seus poderes fica tão marginal que perde o sentido...

Mas no final o X3 acaba sendo divertido de assistir. E uma coisa: é impressão minha ou a Fênix ficou igualzinha a Kim Gordon??

Aí no domingo eu achei na locadora um filme que sempre quis ver: Cubo, produção canadense de 1997, baratézima, que foi rodada em 20 dias usando como cenário apenas uns cubos gigantes, aonde os personagens encontravam-se presos.

Via de regra, estes filmes tem sempre duas possibilidades: ou são mesmo horríveis ou são incrivelmente bons. Cubo é tão bom que entrou pro rol dos melhores filmes que já vi. Altamente recomendado.

Reviews aleatórios de blogs randômicos

2006-05-23 20:02:00 +0000

Lembram que eu fazia isso de vez em quando? A última vez foi em 2003. Bons tempos...

Lulipopi!

Impressões iniciais: Ah, as menininhas e seus blogs flófis... essa chama-se Luiza, tem 15 anos e, como eu, é libriana e belorizontina.

Layout: Hmm, verde, cinza, Lilo & Stitch e linhas pontilhadas estilo "recorte aqui". É um caso típico de matemática invertida: você soma estilos e o resultado dá zero. Mas pelo menos o layout é caseiro, feito pela própria blogueira.

Conteúdo: Estilo "querido diário" básico, com recadinhos pros amigos e tudo. O duro é o português: "Código da Vince", "anciosa", "ultilitários", etc. Se bem que podia ser em miguxês, então não posso reclamar muito.

Mas continuemos...

"Esse sábado eu fui num churrasco que alguns calouros do CEFET organizaram pra gente poder ir se conhecendo e tals..."

CEFET?? Putz, pontos para a menina. Quem me conhece sabe que, de longe, os melhores 3 anos da minha vida foram passados no meu curso técnico de informática industrial. Tecnicamente eu aprendi muito mais lá do que nos 4 anos de faculdade. E praticamente todos os meus bons amigos vieram de lá. Dois deles são até meus sócios hoje...

Aí você pergunta por que diabos eu dou pontos pra menina só porque ela estuda no CEFET. Bem, o review é meu e eu dou ponto pra quem eu quiser...

"...e não me deixando ir no show da Hilary Duff.. ela sabe q eu amo ela! x}}"

Ok, pontos retirados.

Conclusão: Hmm... tem potencial. Depois do terceiro ano de CEFET aposto que a menina vai estar tinindo. Próximo!

Menininhas...

Impressões iniciais: AGH! Meus olhos!!! É muito rosa!!!!

Layout: Você não está entendendo, é muito rosa mesmo!!!!

Conteúdo: Acho que a melhor forma de resumir o conteúdo do blog é assim: sabe os PowerPoints de fadas que aquela sua tia sem noção manda pro seu email? Pois é.

E... eu já disse que ele é rosa?

Conclusão: Melhor não. Próximo...

EU AMO OS SAPINHOS

Impressões iniciais: Respondo já, assim que parar de pensar em piadas envolvendo doenças venéreas...

Layout: Verde, como os sapinhos. O texto é escrito numa combinação de Times New Roman e - Deus tenha piedade - Comic Sans.

Uma nota, meu caro leitor, minha cara leitora: Comic Sans é uma fonte maléfica. Sabe o diabo? No inferno ele tem um PC, que foi montado pelo Bill Gates em pessoa. Neste PC o Diabo guarda a sua lista de nomes de gente que vai para o inferno. Esta lista é digitada no Word e todos os nomes estão escritos em Comic Sans. Entendeu?

Conteúdo: Bom, logo de cara, no primeiro parágrafo do primeiro post, a autora fica nostálgica ao se lembrar da sessões de, erm, sacanagem que fazia com os amigos em 1998.

"...pois os caras saíam com o saco doendo de tanto beijar peito, bunda, pernas e afins e a mulherada quase se afogava em suas calcinhas, mas PUTARIA q era bom, nada, muito infantil esse tipo de coisinha..."

E aí, pra completar o nonsense...

"...anotava jogo do bicho pra ganhar uma grana, mas fui expulsa depois de quebrar a banca com um bilhete falsificado, o q me rendeu ainda alguns hematomas e alguns dentes a menos, recuperados quando me empreguei numa boca de fumo, mas fiquei muito velha e eles tb me dispensaram, minha carteira profissional é uerro!"

Uau. Essa é pra casar.

O resto dos posts é basicamente a vida da senhorita aí, em noites de pegação desenfreada. Talvez nem sejam verídicos, mas pelo menos são escritos razoavelmente bem. Ou não.

"Bem, invejosas como só de minha beleza de caneta BIC e da minha sensualidade de radinho de pilha, resolveram jogar sal em eu decote... Tudo bem, aceito a brincadeira numa boa... Mas gritei: "Eu sou hiperTENSA, kerélio!"

Conclusão: Melhor não. É um blog "quase" bom, mas que é apoiado num pilar chamado putaria. E este pilar às vezes é bem, ehm, sacana...

Intuição Cinematográfica

2006-03-09 05:38:00 +0000

O livro Blink, do jornalista Malcom Gladwell (que eu já citei aqui), tem várias histórias sobre "intuição à primeira vista". Uma delas é sobre uma especialista em arte que, após ver uma estátua por apenas dois segundos, teve a certeza (correta) de que ela era falsificada - embora não soubesse justificar o porquê desta impressão.

Coincidência ou não aconteceu isso às vezes acontece comigo. E sempre tem algo a ver com filmes.

Quando eu estava no Canadá um dos nossos passatempos preferidos de domingo era ir ao cinema. Numa destas idas eu passei ao lado do cartaz de Crash, que na época estava estreando no hemisfério norte. O cartaz não tinha nada de mais. Na verdade, tinha de menos: era apenas o título por sobre um fundo obscuro, meio preto, meio marrom. Não dizia nada da história, não mostrava atores, não dizia nada.

- Esse filme é excelente. Eu tenho que ver esse filme - Foi o que pensei no mesmo instante.

Eu ainda não assisti, mas Crash ganhou cinco estrelas do Vilaça e foi bem em todas as críticas que li - e acaba de desbancar o favorito Brokeback Mountain ganhando o Oscar de melhor filme e mais duas estatuetas de brinde.

Domingo passado aconteceu de novo: minha irmã apareceu com o DVD de Reencarnação lá em casa e resolvemos assistir. Aí, no momento em que vi o menu inicial do DVD eu me senti péssimo:

- Ah, não quero mais ver esse filme...

Acabei assistindo porque ninguém compartilhou da minha opinião. Não deu outra: Reencarnação entrou para o meu seleto rol de filmes abominantemente horríveis (onde figuram pérolas como Anaconda, Pecado Original e Diário de uma Louca). E olha o que eu li no Omelete:

"Fracasso em todos os mercados onde foi lançado, o filme não merecia tamanho desprezo. Foi prejudicado pela polêmica ocorrida durante a sua primeira sessão, realizada no Festival de Veneza em setembro de 2004. Nela, a película foi recebida com frieza e alguns críticos deixaram a sala no meio da projeção. Algumas vaias também irromperam da platéia."

O pessoal do Omelete acha que isso foi por causa da cena de Kidman e do garoto, nus, na banheira. Eu acho que é pelo conjunto da obra mesmo.

Falando em filmes...

Brokeback Mountain, também conhecido na boca pequena como "o filme do cowboy viado", é simplesmente excelente.

O Vilaça também empolgou e comparou a história dos dois, hã, cowboys viados com grandes romances impossíveis da humanidade, como Romeu e Julieta. De início eu achei que ele estava forçando a barra, mas admito que ele tem razão. Acho que desde que assisti Dolls eu não via uma história de amor tão intensa e bonita.

Eu saí do filme tão fascinado que Bethania ficou assustada com a minha reação. Mas calma, meus amigos, nada mudou e continuo sendo o primo heterossexual de sempre. Só que agora com menos preconceitos.

Ponto Final, novo filme de Woody Allen, também é excelente. A história é, digamos, "redondinha": o filme abre, desenvolve e fecha com tudo encaixando direitinho. Os personagens são outro destaque, ricos, profundos, complexos e bem interpretados por todos os atores. Os diálogos também são sagazes, precisos e deliciosos.

Só que eu me senti meio mal ao sair do cinema. É que a rotina dos personagens incluía coisas como óperas e exposições de arte, e por alguma razão eu acabei me identificando com isso e me senti uns 20 anos mais velho - E nunca é divertido sentir a inexorabilidade do tempo sobre os ombros.

Antes do fim do carnaval também deu pra rever Pulp Fiction, que eu só assisti uma vez há muuuuuuito tempo. Nesta segunda exibição, o filme fez muito mais sentido pra mim - mas perdeu um pouco da sua aura de "filmão", que me pareceu um pouco injustificada.

Detalhe que Pulp Fiction foi lançado em 94 e tem, portanto, 12 anos de idade. E parece que foi ontem que eu o assisti da primeira vez. Alguém aí disse inexorabilidade do tempo?

O Primo Recomenda: Músicas tranquilas

2006-01-06 03:51:00 +0000

Takk, o disco novo do Sigur Rós. Eu sei que já tentei falar dele, mas me faltaram as palavras. Agora vai.

Imagine que você foi no cinema ver um filme qualquer e, por acidente, acabou assistindo algum que se tornou o melhor filme que você já viu em toda a sua vida. Aí você está maravilhado durante os minutos finais, com o coração disparado e um sorriso daqueles de pura satisfação espiritual, quando entra a música da última cena. Hoppipolla, a terceira faixa do disco, seria esta música. Deu pra entender?

Curiosidade: Sigur Rós é "Rosa da Vitória" em islandês.

Systems/Layers, disco da banda Rachel's, foi indicação de Luiz. Outro dia eu tava na casa dele, ele tava copiando umas músicas pro meu pen drive e mencionou esta banda. "Ah, entrei no last.fm e tinha um cara que só ouvia isso".

Copiei o disco sem a menor idéia de que tipo de som eles tocavam, então esperava qualquer coisa: grindcore melódico, emo eletrônico, illbient vocal, psychobilly, o que viesse eu guentava.

Nada podia me preparar para o que veio: avant-chamber, ou música de câmara de vanguarda. Cordas, pianos, oboé, tudo sutil, tudo profundo. Cada música é uma cena diferente, um clima diferente, embora o disco tenha uma personalidade musical, um "tema" (apresentado na segunda faixa, Water from the same source), que abre e fecha essa obra-prima.

A crítica do AMG resume tudo perfeitamente bem com duas frases:

- (Referindo se às músicas): Estes mini-filmes dão a sensação daquelas manhãs chuvosas, e o ouvinte quase pode sentir o cheiro do café de lanchonete enquanto passa apressado por nuvens de fumaça de cigarro e de escapamento de caminhão de padaria.
- Systems/Layers é cerebral e humano, e lhe transporta sem insultar sua inteligência.

FDS Cultural

2005-11-07 05:15:00 +0000

Pois é. Esse fim de semana foi bem rico.

Sexta: O Guia do Mochileiro das Galáxias. Filme cômico...

Finalmente descobri de onde vinham algumas frases que eu via picadas por aí, como a resposta à principal pergunta do universo (é 42) e a frase clássica de Marvin: "Life. Don't talk to me about life"...

Sábado:

Cidade Baixa, filme recém-estreado (que tem até blog oficial). Filme brasileiro do jeito que eu gosto: urbano e cru. E bem executado, principalmente em termos de fotografia e de som. O som direto, então, é delicioso: tem uma cena onde Karinna está no banho, chorando, e o barulho da água caindo e reverberando pelo pequeno banheiro é de uma nitidez magnífica. Eu só achei o roteiro um pouco sem amarras, principalmente no final, mas é uma falha que não desmerece o longa. Eu recomendo.

Destaque para a quantidade absurda de palavrões (incluindo xingamentos inacreditáveis do tipo "vá se f**** no meio da desgraça seu filho de uma p***") e para o personagem chamado Dois Mundos (?!), interpretado por... Dois Mundos (?!?). Pode conferir nos créditos...

À noite teve dança folclórica, dessa vez do grupo Sarandeiros, "concorrente" daquele onde Bethania dança. Era um espetáculo novo, com cenário elaborado e elementos de interpretação. Eu, que nem gosto de dança, acabei achando bem interessante.

Domingo:

Mais dança, por incrível que pareça. Vi o , o novo espetáculo da Cia. Deborah Colker. No primeiro ato o palco é tomado por dezenas de cordas onde os dançarinos se penduram e se amarram. O segundo ato usa uma grande caixa vermelha, no centro do palco. A coreografia é expressiva e muito bem executada, o suficiente para deixar todo mundo de queixo caído, desde o pessoal do ramo até os ilustres leigos como eu. Ah, e a trilha sonora é magnífica, criada pela dupla chamada Monoaural (sem site).

Falando em trilha, eu mal consegui conter minha satisfação no intervalo entre o primeiro e o segundo ato. Porque a música ambiente que deixaram tocando era The Dead Flag Blues, do Godspeed You! Black Emperor...

Dois filmes do final de semana

2005-09-13 02:13:00 +0000

Edifício Master - Documentário brasileiro sobre alguns moradores deste prédio, que fica em copacabana e tem uns duzentos apartamentos. Tinha tudo para ser um pé no saco mas, graças à histórias peculiares de alguns dos moradores, tornou-se interessante. Destaque para o belíssima cena de um senhor que faz uma performance inacreditável de "My Way", do Frank Sinatra, durante a entrevista, e termina em lágrimas, dizendo:

- Essa música me toca muito... dá até uns "shivers" - diz ele, apontando para o braço arrepiado.

Levou um "melhor documentário" no Festival de Gramado de 2002, por sinal.

Chave Mestra - Filmete de suspense do mesmo roteirista de "O Chamado". Só que eu detesto filme de terror, e só fui assistir esse porque o maldito primo da minha noiva não disse que era de terror. Mas paciência...

A história é sobre uma enfermeira que vai cuidar de um véio numa casa antiga, e se envolve em uma série de eventos sobrenaturais e misteriosos (que não vou citar pra não estragar a trama). A maior parte do filme segue o procedimento operacional padrão de como dar sustos no espectador:

1) Escureça tudo e coloque o protagonista andando em câmera lenta.
2) Coloque uma música tensa em um vagaroso crescendo
3) Sincronize o ápice da música com uma ação do protagonista que revele algo novo (ex.: abrir uma porta)
4) Quando o protagonista agir, não coloque nada que assuste neste momento. Retire a música e aguarde uns 10 segundos.
5) Sem avisar, insira o susto de verdade, aproveitando que o espectador achou que o momento tenso acabou...

Apesar de tudo o final do filme é surpreendente. O Vilaça deu até três estrelas pra ele.

Uma vida, um parágrafo (parte 2)

Milton era bem nascido. Filho de um famoso arquiteto. Cresceu numa casa enorme, entrou para a faculdade de direito. Tomou uns chopes a mais na calourada, saiu de carro. Estava cantando "Jackie Tequila", do Skank, na maior altura, balançando a cabeça com os olhos fechados, quando ouviu o pára-brisa estourando. Viu de relance um corpo cair do teto do carro. Saiu em disparada. Prometeu nunca mais beber. A festa de formatura foi no Automóvel Clube. Bebeu champanhe pra poder brindar com os pais. Cancelou a promessa. Fez mestrado na Nova Zelândia. Abriu um escritório quando voltou, casou-se, teve uma filha. Pelo menos uma vez por mês tinha pesadelos com o atropelamento, e acordava gritando. Tratou-se com um psicólogo até os cinquenta e quatro anos. Teve uma grave intoxicação alimentar aos sessenta, e morreu.

...

Wander era superdotado. Com três anos, lia e escrevia. Com dezenove, ao terminar a faculdade, mudou-se para Chicago para fazer mestrado. Num dezembro, nevou quarenta centímetros. Na pressa de fugir do frio, Wander entrou por uma porta errada da faculdade: a da sala do grupo de teatro. Conheceu Tracy. Atriz amadora, loira, linda. Foi amor à primeira vista, embora platônico: ela nunca o notava. A cabeça de artista não a deixava ver muita coisa além da dramaturgia. Wander concluiu o mestrado com louvor, e surpreendeu seus avaliadores do doutorado ao descobrir a solução para o Axioma de Friedrik. O único problema que ele não resolvia era como conquistar Tracy. Acabou conhecendo Valerie, uma moça com QI exatamente igual ao dele. Casou-se e foi criar os filhos numa grande casa no subúrbio. Tinha um robô pra cortar a grama (os vizinhos morriam de inveja). Virou chefe de desenvolvimento da empresa onde trabalhava. Acompanhava secretamente a vida de Tracy, nessa época já casada com um ator. Às vezes, de noite, Wander pegava o carro e passava pela porta da casa de Tracy, com os olhos marejados de lágrimas. Quando se aposentou, reuniu a família para uma viagem de carro. Na primeira noite da viagem, um caminhão desgovernado matou Wander e sua família. Durante o funeral, pouca gente notou uma bela mulher, loira, linda, chorando baixinho no fundo da igreja.

...

Marluce era pobre. A mãe bebia, o pai também. Aprendeu a ler num curso comunitário que deram na favela. Quando o pai batia nela, ela corria pra biblioteca pública. Passava dias escondida, lendo. Uma das bibliotecárias virou sua "padrinha" e lhe pagou os estudos. Fez curso técnico de enfermagem, arrumou emprego num hospital. Com o primeiro salário, comprou um walkman, daquele modelo amarelo da Sony. Não sabia inglês, mas cantava Guns'n Roses o dia todo enquanto limpava o vômito dos pacientes. Um deles até acordou de um coma enquanto ela cantava. Nunca se preocupou em namorar ou casar. Morava sozinha num quarto-e-sala no centro da cidade. Passava os dias lendo. Também aprendeu a tocar flauta doce, estudando sozinha nos domingos. Quando se aposentou, passou para a flauta transversa. Aos setenta e oito anos, foi dormir e não acordou mais.

...

Aníbal só aprendeu a falar aos três anos de idade. Passou a adolescência tirando o atraso: era o cara mais conversador da sala. Conhecia todo mundo na escola. Virou presidente do Diretório Acadêmico na faculdade. Começou a fumar maconha. Depois, começou a vender, e ficou ainda mais popular. Numa segunda-feira, tomou um LSD. Na viagem da droga, ao invés de falar, ele escrevia loucamente. Romances psicotrópicos, ensaios de filosofia transcedental, teoremas matemáticos complexos. Teve overdose umas três vezes, mas não morreu. Foi morar junto com uma cliente: uma menina, filha de vereador, descendente de alemães, que fugiu de casa depois de ser molestada pelo pai. Viveram bem por décadas, usando o cartão de crédito da menina, cujo limite estranhamente nunca estourava. Aníbal já acumulava pilhas de cadernos preenchidos sob efeito do ácido, quando morreu engasgado com uma semente de pêssego. Algumas semanas depois do enterro, sua companheira, que estava na faculdade de matemática, achou um teorema anotado nos cadernos-viagem de Aníbal. Ela propôs o teorema na sua monografia, como se fosse seu. Usaram o sobrenome dela para batizá-lo: axioma de Friedrik...

...

Josias jogava bola desde menino. Jogava bem. Dezesseis anos e ele já estava no time júnior do Atlético Mineiro. Treinava de dia e estudava à noite. No terceiro mês de cursinho, foi atropelado quando andava até o ponto de ônibus. Ficou paraplégico, passou dois meses em coma. Acordou quando uma menina da enfermaria cantarolava "Sweet Child O'Mine", enquanto dava-lhe banho. Josias não aceitou direito o fato de não poder mais jogar bola, e entrou para a faculdade de psicologia. Arrumou um novo hobby: fotografia. Era muito bom nas preto-e-brancas. Aos trinta e dois anos, foi vítima de um sequestro-relâmpago. O susto fez com que a dor de ser incapacitado aflorasse novamente. Engordou, tornou-se hipertenso. Sentia raiva de tudo. Uma vez, na clínica, tratou um paciente que havia cometido um atropelamento bem parecido com o seu. Quanto mais tratava este paciente, mais revivia seu trauma. No fim, enlouqueceu, envenenou o paciente, depois jogou-se da janela. Josias caiu por quatro segundos. Sentiu que voava. Nunca havia se sentido tão livre em toda a sua vida.

O Primo alerta: NÃO ASSISTA Diário de uma Louca

2005-07-18 04:37:00 +0000


Este é o poster de Diário De Uma Louca. Se você o vir por aí, corra. Pra bem longe.

Eu tinha um ranking de filmes ruins que possuía algumas pérolas, como Anaconda, Godzilla, Dungeons and Dragons, etc. Hoje este ranking ganhou um novo líder: Diário de uma Louca.

Este é, de longe, o pior de todos os filmes que eu já vi... e dos que vou ver também.

Antes de mais nada, uma explicação: eu só vi esta bomba porque eu e Bethania estávamos sem nada pra fazer. Até tinha o remake de Herbie, mas como era dublado acabamos optando pelo Diário. Seria melhor ter visto o Herbie dublado, na primeira fileira, com dezenas de crianças fazendo guerra de pipoca em cima de nós.

A história do filme já começa clichê: Helen, esposa de Charles, um advogado rico e bem sucedido, é trocada pela amante e expulsa de casa, indo parar na casa da sua tia chamada Madea (a véia do poster). O filme já começou mal: Charles expulsa Helen de casa de um jeito tão estúpido que nem parece real. A partir daí o filme começa o seu longo declínio: a tia Madea é na verdade Tyler Perry, o roteirista, vestido de mulher. Tyler ainda acumula três papéis "cômicos" (atenção às aspas): Joe e Brian, outros dois velhos.


O "travesti senil" chamado Madea (Tyler Perry) e a imbecil Helen (Kimberly Elise).

Teoricamente, Madea deveria ser o ponto engraçado do filme, mas ela não é nada além de uma velha negra que fala com sotaque de negra e tem aquela atitude geniosa de velha negra de filme. Aliás, o filme parte do pressuposto que só existem negros no mundo, pois, depois da primeira cena, o filme passa mais de uma hora sem nenhum branco aparecer. Nem como figurante.

Além da comédia ineficaz, os diálogos, mesmo os mais comuns, eram sofríveis. Helen alternava entre frases dignas dos Cavaleiros do Zodíaco, como "O que foi que você disse?", e leituras em off do seu diário, que começavam com "querido diário" e tudo. Por sinal, para minha surpresa, após 20 minutos de projeção, Madea desaparece e a história torna-se um drama pior do que novela mexicana, tipo Maria do Bairro. As cenas são patéticas e sem o menor sentido: numa delas, Helen aparece melancólica num restaurante, observando um casal de jovens apaixonados. Ela chora e depois sai, sem maiores explicações. A música de fundo é de lascar: uma mistura de Kenny G com música de elevador, que se repete por TODAS, eu disse TODAS as cenas dali em diante.

Seguindo sua trajetória de "mulherzinha dando a volta por cima", Helen começa a fazer um super-previsível par romântico com Orlando, um peão de siderúrgica. As cenas de Orlando e Helen são até doloridas de tão ruins: uma das piores é quando os dois estão dançando num clube de jazz (frequentado apenas por negros, vale lembrar) e Helen pensa algo parecido com um capítulo daqueles livros estilo Sabrina: "Oh, como será que ele sabe que eu gosto de ser abraçada assim? Eu deveria ter juízo e dizer a ele pra parar, mas não consigo". O golpe final é quando Helen pensa:

- Isto está tão perfeito, aposto que agora ele vai dizer algo bem típico de homem e estragar o clima romântico.
- Parece um conto de fadas, não é? - diz Orlando
- E não é que ele não disse? - pensa Helen, surpresa.

Nessa hora eu e Bethania não conseguimos nos conter e gritamos juntos: "NÃO DISSE? Como assim ele NÃO disse?". Helen ainda solta outras pérolas, como quando ela passa a noite na casa de Orlando (sem sexo) e narra para seu diário: "Ele é um homem bonito, atencioso e, acima de tudo, cristão". Hein?! Como assim?


Helen e Orlando, o peão de siderúrgica que é um gentleman. O prato predileto dele é salmão (é sério!)

Já que a comédia ficou esquecida mesmo, além dessa história, o filme ainda inventa dramas paralelos sem sentido. Debrah, a irmã de Helen, por exemplo, é uma drogada que largou o casamento pra viver nas ruas. E Charles, o ex-marido, acaba tendo que defender um antigo amigo traficante no tribunal. Ao receber a condenação, esse "amigo", de forma altamente ninja, arruma um jeito de (algemado!) puxar a arma de um dos guardas e atirar em Charles, que fica paralítico. Pra filme ficar ainda mais novela, só faltava alguém com amnésia...

Assim, Helen, que estava feliz com seu "namorado cristão", faz a coisa mais imprevisível e idiota que eu já vi num roteiro: primeiro, larga Orlando para tomar conta de Charles. Sim, aquele mesmo que a enxotou de casa pra ficar com outra mulher. Depois, cisma que vai "revidar" tudo que sofreu e maltrata o marido aleijado, deixando-o passar fome e fazendo todo tipo de tortura psicológica, coisas que simplesmente não tem nada a ver com sua personagem carinhosa e submissa.

Aí aparece a mãe de Helen e fala que não é bem assim, que ela devia perdoá-lo. Helen vai lá, o marido pede desculpas por tudo e ela o perdoa. A irritante trilha sonora estilo Richard Clayderman para elevadores continua tocando sem parar, enquanto tudo vai ficando lindo e azul: Charles é mostrado na fisioterapia, começando a recuperar o movimento das pernas, enquanto Debrah, a irmã drogada de Helen é mostrada entrando numa clínica de reabilitação... Qualquer episódio de Chaves teria um roteiro melhor do que esse filme.

Aí, quando o caos parecia estar completo e eu achei que não havia mais espaço pro filme piorar, eis que vem a terrível cena da igreja...


Helen e sua mãe na igreja. Deus que me perdoe...

Todos os personagens estão presentes, ouvindo a pregação do reverendo Carter (negro, é claro), que se extende por uns cinco intermináveis minutos. Depois, vem o coral: Tiffany, filha de Debrah (a drogada), canta um solo. Enquanto a menina canta, surpresa: a dublagem é de uma mulher adulta! O reverendo também canta, depois o coral todo se empolga e os milagres começam a acontecer: Charles, emocionado, anda sozinho até o altar e, na sequência, Debrah (a drogada) entra na igreja cantando como se fosse a Whitney Houston. Pensa bem: o aleijado andou, a drogada se curou, aquilo ali era uma baita duma sessão do descarrego!!!

Foi só aí que a ficha caiu: Durante o filme os personagens soltavam um ou outro comentário sobre Deus, fé ou religião. Eu não havia entendido o porquê disso até ver todos ali na igreja, louvando e cantando: aquele era um filme gospel.

Sim, aquele era um filme gospel!!!

Só agora vi na internet que Tyler Perry (o roteirista e ator que fez a Madea) é escritor de peças teatrais gospel. Foi ele que, por sinal, pagou sozinho por metade do custo de produção do filme. O papo de "comédia" que envolvia o marketing do filme era, portanto, apenas uma isca para atrair gente aos cinemas. O propósito do filme estava ali, claro, enquanto eu via todo mundo cantando na igreja: o filme é um truque para tentar converter o público para o protestantismo...

Um detalhe: na censura americana o filme é PG-13 devido ao conteúdo que inclui drogas (um dos velhinhos que mora com Madea é maconheiro), referências sexuais (do mesmo velhinho, que insiste em xavecar a mãe de Helen) e violência (Madea anda com uma arma, Charles é fuzilado no tribunal, Helen o maltrata na cadeira de rodas). Tudo isso num filme GOSPEL!!!

Quer mais tosquice? Então toma: Madea's Family Reunion, a continuação dessa bomba, já vai começar a ser produzida. Deus nos acuda.

Quentinhas

2005-07-04 03:47:00 +0000

Amanhã eu volto a trabalhar. Como saideira, joguei aproximadamente 10 horas de Half Life 2 este fim de semana...

Márcio, o namorado da minha irmã de vez em quando vem com umas pérolas. A última foi quando estávamos no carro, na sexta-feira.

"Eu tenho um enigma pra vocês: Haviam três pessoas no restaurante e a conta deu 30 reais, 10 pra cada um. O garçom recolheu a grana mas o gerente falou que os caras já eram fregueses de longa data e cobrou apenas R$ 25. O garçom pegou o troco (cinco notas de um real), separou R$ 2 pra gorjeta e deu R$ 1 pra cada. Ora, mas três vezes nove é 27 (que foi o que os caras pagaram), mais os R$ 2 do garçom, temos R$ 29. Cadê o R$ 1 que tá faltando?"

Todo mundo começou uma acalorada discussão sobre o problema e, dez minutos depois:

- OK Márcio, a gente desiste. Qual é a resposta?
- Er, bem... eu também não sei...

Depois do 9 canções, caiu a próxima bomba cinematográfica dessa semana. Guerra dos Mundos, de Steven Spielberg, tem um roteiro simplesmente patético. Alguns exemplos:

- Os "tumultos Spielberg", onde centenas de pessoas em pânico não pisoteiam umas às outras e onde uma barreira humana de CINCO soldados impede TODA a multidão de subir numa balsa para fugir de um ataque dos aliens.

- A casa da ex-esposa do Tom Cruise acaba completamente destruída por um avião que caiu sobre ela. No entanto, o carro, que estava estacionado na porta, não sofreu um arranhão.

- O filho do personagem do Tom Cruise fica louco pra acompanhar, desarmado, o exército que tenta sem sucesso combater os aliens. A justificativa dele pra essa atitude imbecil é, simplesmente, que ele "precisa ver aquilo".

- No começo do filme os aliens usam um pulso eletromagnético para desativar todos os aparelhos elétricos da cidade. Nem mesmo carros, nem o relógio do Tom Cruise funcionam. Mas quando os aliens aparecem, minutos depois, aparece um cara gravando tudo com uma câmera. Mas hein? A câmera é movida a corda, por acaso?

- O golpe final é, bem, o final do filme. Imagine o final mais sem sentido que um filme pode ter. Imagine, por exemplo, que no fim os aliens todos morrem de gripe. Foi mais ou menos isso que aconteceu...

Acabei de ver no Multishow um programa do canal MuchMusic sobre os 10 músicos mais controversos da história. A lista deles foi:

1. Sex Pistols
2. Michael Jackson
3. Madonna
4. David Bowie
5. Ozzy Osbourne
6. Eminem
7. Elvis Presley
8. Public Enemy
9. Marilyn Manson
10. Courtney Love

Antes do programa começar eu comentei com Bethania: "Aposto que vai aparecer Marilyn Manson, Eminem, Ozzy, Madonna e Michael Jackson". Cinco em dez, não tá tão ruim.

Newsflash

2005-06-30 15:07:00 +0000

Eu fico subestimando a Lei de Murphy. Foi só instalar o Half-Life 2 no computador que saiu minha alocação para um novo projeto, aqui em BH mesmo.
Ontem, no supermercado, o promotor de vendas anunciava pelos alto-falantes:

- Atenção clientes, promoção da hora! Uma dúzia de ovos, éé, com doze ovos, somente R$ 1,45...

Hoje de manhã a babá atrasou e meu pai pediu que eu olhasse meu irmãozinho até ela chegar. Como ele havia terminado de acordar, ele estava contando dos sonhos da noite.

- Zézé, hoje eu sonhei que tava tocando aquela música do apê...
- Qual música, Gabriel? - perguntei, temendo o pior...
- Aquela assim: "Hooje é festa, lá no meu apê, pode aparecer..."

Ontem eu e Bethania fomos assistir 9 canções, filme de Michael Winterbottom. Na entrada do cinema tinha um cartaz do The Brown Bunny.

- Brown bunny... coelhinho marrom? - perguntou Bethania
- É... eu ouvi falar desse filme. Diz que é polêmico, porque tem uma cena da mulher pagando um boquete pro cara.

Aí entramos na sala pra ver o 9 canções e vimos boquete, cunnilingus, masturbação (inclusive com pés), sadomasoquismo, sexo em tudo quanto é lugar e posição. Tudo isso explícito como num filme pornô. E, entre as cenas, aparecia Dandy Warhols, Franz Ferdinand, The Von Bondies e outras bandinhas tocando músicas inteiras (as nove canções do título) em shows. Ah, e também paisagens geladas da... Antártida. E eu não estou brincando.

O filme é um fracasso total. O roteiro pode ser resumido assim: "Matt conheceu Lisa num show. Os dois viram nove shows enquanto trepavam como loucos. Depois, Lisa foi para os EUA e Matt foi pra Antártida". E acabou. Destaque para a frase ultraclichê que Matt fala quando vai (sem a namorada) a um dos shows: "É engraçado como, no meio de cinco mil pessoas, você ainda se sente sozinho".

Assino embaixo do que disseram no site do IMDB: "Quem diria que sexo poderia ser tão chato"...

Voltei

2005-06-15 20:07:00 +0000


Pista do Pearson International Airport, em Toronto

14 horas de viagem e muito chá-de-sala-de-embarque depois, chegava eu, no sábado, em Belo Horizonte. O post aqui só veio dias depois: tinha muita saudade pra matar, gente pra ver, coisas pra arrumar...

A viagem transcorreu tranquila. Tive apenas meus dois últimos micos internacionais:

Ainda em Toronto, ao passar pelo raio-x do aeroporto, tirei a chave do cadeado da minha mala do bolso e... esqueci por lá.

Estavam servindo o jantar no avião. A aeromoça que servia as bebidas tinha um crachá escrito "ANA LUIZA", tinha a pele bem morena, olhos negros e cabelo encaracolado. Assim que ela chegou no meu assento, soltei meu pedido em bom português:

- Eu queria um suco de maçã, por favor.

Lentamente, Ana Luiza se debruçou sobre minha cadeira e, com um ar confuso, perguntou: "What?"...

No domingo minha primeira providência ao chegar em casa foi fazer as malas e... sair de novo. Passei o dia dos namorados (e os dois seguintes) com Bethania na Estalagem do Mirante, na Serra da Moeda.


Encosta da Serra da Moeda, com os chalés da Estalagem

Um pouco da vista da pousada...

Pôr-do-sol visto de dentro dos quartos

Essa pousada recebe o "selo Primo" de recomendação: excelente, desde as instalações até o atendimento. Vale cada centavo.

Agora, prosseguindo com nossa programação normal (de viagens da minha cabeça)...

Filmes para ver (ou não)

Curiosamente, uma coisa que eu fiz todos os dias desde que cheguei aqui no Brasil foi assistir algum filme. Até no sábado (dia em que cheguei), de noite eu já estava no cinema pra ver o tal filme da Angelina Jolie e do Brad Pitt...

Sr. e Sra. Smith

Até agora eu não descobri se o Sr. e Sra Smith era pra ser comédia, ação ou romance. Mesmo porque o filme fracassa em todos estes aspectos. A ação, bem executada mas ainda assim no lugar-comum, acaba sendo algo colocado no roteiro como "cenário" para o romance, que é insosso devido à falta de profundidade dos personagens, que tentam parecer engraçados ao mesmo tempo que precisam manter a cara de "agente misterioso e durão". Enfim, misturaram tudo e no final não deu nada. Dá pra se divertir um pouco com as forçadas de barra hi-tech estilo "Missão Impossível", mas nada além disso.

O Vilaça deu duas estrelas, xingou o roteirista e viu méritos na direção e na "química" entre Pitt e Jolie...

Magnólia

Só agora consegui assistir o famoso filme de Paul Thomas Anderson. Assim que as três horas do longa terminaram, eu não conseguia pensar no filme como nada além de esquisito. Mas era um esquisito bom, bem filmado, com atuações consistentes e uma trama eficiente, que se estende por mais de três horas sem cansar o expectador.

O esquisito é por causa do roteiro. Você fica duas horas se perguntando onde diabos vai dar aquilo tudo, quando de repente tem a famosa cena da chuva e complica tudo um pouco mais. Diferentemente de Cidade dos Sonhos, eu não cheguei ao final do filme entendendo tudo o que aconteceu e completamente fascinado com a perspicácia do diretor. Já o Vilaça conseguiu...

O Informante

Eu já havia visto esse filme, mas acabei alugando de novo sem querer. É uma história muito bem contada, com Russell Crowe como ex-executivo da indústria do tabaco, prestes a dar revelações bombásticas no famoso programa 60 minutes, produzido pelo personagem de Al Pacino. Aí segue-se a trama de furações de olho, traições, chantagem emocional, corrupção e o escambau.

Um belo filme, despretensioso e eficiente, com destaque pras atuações de Pacino (sempre ótimo) e Crowe (surpreendendo). O roteiro é muito bem escrito, algumas frases do personagem de Pacino são simplesmente geniais. Só não gostei da trilha sonora, repetitiva em alguns trechos. O Vilaça deu cinco estrelas pra ele.

Kinsey - Vamos falar de sexo

Kinsey é aquele cientista que publicou, em 1948, o famoso livro intitulado "o comportamento sexual do homem". Na época, o cara chocou a sociedade e provocou um belo avanço no estudo da sexualidade humana.

O filme é a história de Kinsey, e . Mais parecia um documentário, e o roteiro é um insulto: algumas cenas eram, claramente, a posição do roteirista sobre as idéias e ações de Kinsey. A atuação de Liam Neeson e de todo mundo é OK, o figurino, cenografia e etceteras foram todos OK, mas a história, na minha humilde opinião, poderia ter sido mais "bem contada".

Discordo das quatro estrelas do Vilaça. Daria no máximo duas...

Curiosidade: o filme é escrito e dirigido por Bill Condon...

Green Beer

2005-03-18 05:38:00 +0000

Hoje é St. Patrick's Day. Dia dos irlandeses celebrarem a morte de "São Patrício", padroeiro da Irlanda. Como a comemoração envolve, basicamente, beber cerveja verde até cair, os canadenses também entram na festa.

O colega que divide a sala comigo está em Winnipeg, então hoje vai ser um dia movido a headphones. Comentários sobre o playlist:

Manhã

The Arcade Fire - Funeral

Este disco estava no meu HD há um tempão e eu ainda não tinha ouvido. Gostei, é um disco maduro e que não fica na mesmice. Cada música tem uma coisa diferente: vocais femininos, arranjos de orquestra, etc...

Aí a faixa final do disco, in the back seat, praticamente pediu que o próximo disco do playlist fosse...

Migala - Restos de un incendio

Custei a sair do meu vício no asi duele un verano, o outro disco dos caras. Daí uma amiga minha, chamada Maíra, falou que o restos de un incendio era absurdamente maravilhoso e que era o disco da vida dela.

Ela não está exagerando.

Mas asi duele un verano é um disco muito, muuuito triste. Ironicamente, este tipo de música faz com que eu sinta exatamente o oposto. Por isso, se você é alguem com emoções anormais e atravessadas, assim como eu, ouça Migala.

Ou leia apenas a letra da última faixa, Instrucciones para Dar Cuerda a un Reloj.

Hope of the States - The lost riots

Não lembro quem me falou que Hope of the States parecia Godspeed You Black Emperor misturado com uma outra banda da qual não lembro o nome. Realmente, volta e meia os caras entram numa loucura sônica com guitarras, violinos e trumpetes, bem no nível do GYBE, mas não se empolgue: é apenas uma banda de rock como outra qualquer.

Ah, e a última faixa tem umas paradas ocultas no final...

Tarde

Dios - Dios
(Dios é a banda e Dios é o nome do disco. Entendeu?)

Mais um disco que esteve parado no meu HD e que eu não tinha ouvido. Baixei porque foi apontado em um monte de listas como um dos melhores discos de 2004...

Este disco começou engraçado: a primeira faixa parecia do Weezer, a segunda parecia do Wilco... depois eu nem ouvia direito os bling blongs das guitarras. O meu trabalho ficou mais interessante que a música. Hmpf...

O refrão da faixa 10 parecia o CD pedindo socorro: "You got me all wroooong... you got me all wrooooong...". Talvez. A última faixa é bem bonita...

Esse disco vai ter uma segunda chance.

!!! - Louden Up Now
(o nome da banda é três exclamações mesmo, mas lê-se "chk chk chk"...)

Os caras do !!! tocam um rock estilo "no-wave" que é eficiente que só vendo. As músicas são grandes mas cheias de "momentos" diferentes, pausas, breaks, interlúdios, é uma salada. E letras largadonas... dear can, por exemplo, sai pregando:

Like I get a fuck like I give a shit like I give a fuck about that shit
Like I give a fuck about that motherfucking shit

Como vocês podem ver é música para toda a família...

Não perca também o trecho de Shitscheissemerde:

I got one: what did George Bush say when he met Tony Blair? Shit, scheisse, merde!...

The Flaming Lips - Clouds Taste Metallic

Os malucos do Flaming Lips foram uma boa opção para fechar o dia. Barulhinhos nonsense, letras nonsense... mas eu já tou meio cansado, então nem deu pra aproveitar o disco tanto assim. Ou será que foi o disco do Migala que, de tão bom, deixou os outros discos muito "marromenos"?

Amanhã eu descubro.

Depois do carnaval, de volta ao Canadá (mas "Closer" do que nunca)

2005-02-16 03:08:00 +0000

De volta ao blog e de volta ao Canadá. A falta de tempo continua. Tive até que escrever parte deste post na sala de embarque do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo...

Aqui tá até quentinho: cinco graus positivos. Tá uma beleza, nem precisa de luvas ou gorro pra andar na rua. E a neve já está derretendo.

As novidades das últimas semanas:

Carnaval no meio do mato

E, quebrando minha tradição de cinco anos frequentando eventos de mocidade espírita durante o carnaval, fui para Conceição do Mato Dentro (MG), ver a famosa cachoeira do Tabuleiro, a segunda maior do Brasil.

Chegamos de noite na cidade, as ruas cheias devido ao carnaval de rua. E, na minha frente, o inacreditável:

- Putz... pelamordedeus... não me diz que aquela danceteria ali chama-se "GINGA BYTE"!!!

Além disso, o cardápio de uma lanchonete próxima também era de lascar.

Pode-se dizer que eu realmente "me joguei" nesse carnaval: levei um tombo feio numa trilha, fui de cara no chão e ralei o joelho. O pior foi só o susto, porque o nariz sangrou um pouco, mas ficou tudo bem. Depois levei outro escorregão, dessa vez debaixo da cachoeira do Tabuleiro, e ralei um braço e o cotovelo nas pedras. Este carnaval deixou marcas profundas em mim...

Air Kelly

Na viagem de volta ao Canadá, no avião entre Belo Horizonte e São Paulo, tinha uma moça num tailleur vermelho-reluzente e com um ar de "nunca voei antes", que se sentou do meu lado. Como é de praxe, antes da decolagem, peguei meu escudo defletor de gente conversadeira (um livro) e enfiei rapidamente a cara nele antes que ela inventasse de puxar papo. Funcionou muito bem, por dois segundos:

- Dá licença, esse livro aí é daquele autor, Brian Weiss?
- Não, é de John Hershey - Respondi, secamente. Ela entendeu e não continuou o assunto.

O avião decolou e, discretamente, dei uma olhada na mulher. Era uma outra versão da Kelly, não parava quieta na cadeira, se benzeu umas três vezes antes da decolagem e, cinco minutos depois, tentou puxar papo novamente:

- Dá licença... você gosta muito de ler, é?

Pensei por um momento: faltavam uns 50 minutos até São Paulo, minha leitura logo ia ser interrompida pelo serviço de bordo, e ela com certeza ia me interromper várias vezes. Guardei o escudo defletor e resolvi ver no que aquilo ia dar.

E em menos de uma hora eu sabia tudo da vida dela: Sonya era uma jovem de 20 anos, nascida em Teófilo Otoni (MG), que falava com um sotaque de nordestina e trabalhava ilegalmente em Portugal desde o ano passado, junto com a irmã, num restaurante. Havia voltado ao Brasil para o carnaval e iria tentar novamente a entrada na terra lusitana com seu visto de turista, desta vez para ficar tempo suficiente para conseguir sua legalização.

Além disso, soltou suas pérolas: confundia as nuvens com montanhas, se indagava porque diabos o sol demorava tanto a se pôr, achava que a turbina empurrava o avião para cima, achava que era possível saltar de pára-quedas caso houvesse algum problema no avião... mas a melhor foi essa aqui:

"Sabe, esses padres e essas freiras falam tanto de sexualidade, mas eu acho que isso é uma coisa, assim, de cada um... tipo, o corpo de cada pessoa é igual São Paulo, cheio de lugares diferentes..."

Pra fechar com chave de ouro:

O Primo recomenda: Closer - Perto Demais

Outro dia eu escrevi num email: "De longe, o melhor filme de 2005". Lá no IMDB, no user comments, disseram exatamente a mesma coisa: "Hands Down Best Film of the Year". E o Vilaça lascou-lhe cinco estrelinhas.

O mais curioso é que Closer é um filme de amor. Mas ao mesmo tempo não é, e por isso mesmo acaba se tornando um. Entendeu? O amor está lá, sim, mas justamente nos momentos em que as pessoas não dizem "eu te amo". Por sinal, quando essas palavras são proferidas, os personagens estão sentindo de tudo: ódio, rancor, culpa, desejo... tudo menos amor.

É por causa dessa salada toda que eu escrevi no parágrafo acima que o filme é interessantíssimo: porque mostra, sem palavras, do que o amor é realmente feito, e como as manifestações de sentimentos truncados acabam sendo confundidas com ele.

Essa é a justificativa do elenco de ponta: Julia Roberts, Natalie Portman, Jude Law e Clive Owen, em atuações espetaculares. Elas tinham que ser, no mínimo, espetaculares, já que grande parte do conteúdo do filme está nas pequenas atitudes de cada um dos seus confusos e profundos personagens. Um bom exemplo é o primeiro beijo de Dan e Anna, no início da história, que diz mais do que qualquer diálogo.

Os diálogos também são magníficos. Todos muito inteligentes, ora brutalmente sinceros, ora simbólicos. Vários deles, inclusive, vão ganhando significado à medida que a história progride, deixando o filme ainda mais legal, até culminar no final, onde de repente tudo ganha um sentido todo novo. E ainda sobrou talento no diretor para adicionar um pouco de comédia, como na cena onde Dan e Larry conversam, anônimos, num chat pornô pela internet.

A trilha sonora poderia muito bem se resumir à belíssima e bem empregada música inicial (e final), mas traz também Smiths, Mozart, Prodigy das antigas (Smack my bitch up) e (surpresa!) altas músicas da Bebel Gilberto. Em português legítimo.

Altamente recomendado. Não perca. Mas vale aqui um alerta final: como bem disse o Vilaça, na melhor crítica que eu já vi ele escrever, é uma experiência emocionalmente dolorosa para a maioria dos expectadores...

O Primo recomenda - Doze homens e outro segredo

2005-01-04 04:22:00 +0000

O ano começou bem na parte cinematográfica. Hoje é noite do dia 03 para 04 de janeiro e eu já assisti dois novos filmes no cinema: Meu Tio Matou um Cara e esse, o Doze homens e outro segredo. O Meu Tio... é fraco, mas não o suficiente pra sofrer uma des-recomendação, por isso nem mencionei ele aqui. Mas o Doze Homens...

Acho que o que torna o Doze Homens... um bom filme é que ele é estiloso: bom roteiro, bem filmado e bem representado. A parte da representação foi fácil, bastou conservar o ótimo elenco do filme anterior e manter a atuação bem humana, fazendo com que os personagens conversassem como se fossem realmente pessoas, e não pessoas repetindo textos.

Steven Soderbergh, que comandou os ótimos Solaris e Traffic (e obviamente o Onze Homens...), fez um belo trabalho de direção nesta continuação. A fotografia é muito boa e até inovadora em alguns momentos, como nas "congeladas" da câmera ou quando a decolagem do avião onde está Tess Ocean (Julia Roberts) é mostrada. A trilha sonora, de David Holmes, figurinha famosa da cena vanguardista eletrônica, não tem nada de eletrônico. É tudo anos 70. E eu fiquei com muita vontade de ouvir o CD da trilha sonora...

O roteiro pode até ter apelado para alguns clichês (que não vou revelar pra não estragar o filme) mas é, no geral, muito eficiente, principalmente no humor. Destaque para as hilárias piadas cinematográficas, como a cena com Topher Grace (o Eric de That 70's Show) fazendo papel de si mesmo ou a sequência envolvendo Julia Roberts (que também não vou revelar). Por sinal, uma piadinha ficou escondida por causa da tradução: quando os colegas explicam a Linus (Matt Damon) o que estava acontecendo na reunião de negociação do primeiro golpe, eles mencionam o apelido do golpe: "Lost in Translation", que é o nome em inglês do nosso Encontros e Desencontros...

No resumo, Doze Homens... é como todo filme de entretenimento deveria ser: divertido, esperto e estiloso. Eu recomendo.

Curiosidade: Segundo o IMDB tem uma música de Roberto Carlos e Erasmo Carlos na trilha, chamada "L'appuntamento". Eu não pude percebê-la no filme, mas se o IMDB falou...

O Primo recomenda - Os Incríveis

2004-12-16 05:26:00 +0000

Anteontem, depois de almoçar com Bethania, acabei me sentindo obrigado a fazer o que mais gosto: procrastinar. Aí fui ao cinema. E Os Incríveis me saltou aos olhos por duas razões:

1. Computação gráfica, yay!
2. Falaram bem dele em vários lugares.

Peguei uma versão dublada e na primeira sessão do dia (14h). Já estava esperando a meninada fazendo guerra de pipoca e aqueles típicos acidentes de dublagem. Não aconteceu nenhuma das duas coisas. Por sinal, não tema as versões dubladas porque achei o trabalho dos dubladores muito bom.

Saí do cinema profundamente impressionado, por vários motivos. O primeiro é o seguinte: computação gráfica tem um "lado negro" em filmes, porque acaba tirando o foco de coisas também importantes, como roteiro e personagens. Isso não aconteceu, talvez pelo fato de toda a tecnologia para produzir o visual já existir. Obviamente houve melhorias: quando o palmtop que Bob recebe dá uma "escaneada" no seu escritório para ver se o ambiente era seguro para reproduzir sua mensagem, o belíssimo efeito do brilho do laser scaneador passeando pelos móveis fez todas as minhas fibras nerds se contorcerem.

Mas me pareceu que os produtores gastaram uma parcela de tempo considerável trabalhando com o screenplay e os personagens principais, e o resultado disso é o que mais sobressai. Cada um deles parece ter sido milimetricamente planejado para refletir a família americana típica. Tem o garoto hiperativo, a filha tímida com jeitão gótico, a supermãe com quilinhos a mais na bunda e o pai que se arrasta num emprego chatérrimo por um salário ínfimo. O visual contribui: cada um dos personagens é uma caricatura ambulante, a personalidade de cada um é amplificada pelo jeitão cartunesco de cada rosto. Todas as emoções são facilmente percebidas, até melhor do que quando se usa atores de verdade. O resultado: empatia instantânea com o público.

Esse é o maior superpoder dos personagens do filme: o carisma.

Já o roteiro é bem dividido e funciona que é uma beleza: primeiro tem a clássica familiarização com os personagens, depois dá-lhe aventura, com a resolução de todos os conflitos pessoais no final de tudo. E o screenplay dá a dose certa de humor e ação no meio do caminho, além de ser recheado de referências a outros filmes, como a clássica perseguição na floresta, com veículos em altíssima velocidade, que se vê em Guerra nas Estrelas. Os próprios Incríveis são meio que uma homenagem descarada ao Quarteto Fantástico.

Mas Os Incríveis tem que ter um ponto fraco (afinal, o que seria do Super-Homem sem a kriptonita...). O único problema que vi no filme foi que ele é muito mais para adultos do que para crianças. Durante uma das cenas, lembro-me de ouví-las comentando, confusas: "Aquele ali que é o vilão"?

E o padrão Disney de filmes com moral no fim foi pras cucuias. A Pixar até tentou consertar: antes do filme eles passam um "curta metragem" sobre uma ovelhinha que é tosquiada e se sente mal por ser diferente. Aí vem um coelho e lhe instrui a não estranhar a diferença: "Não importa se sua pele é branca, negra, amarela ou rosada", dizia ele, claramente entregando pra que o filminho se propõe. E as crianças perto de mim comentavam:

- Que coisa mais chata, passa logo o filme aê!

Em resumo: Os Incríveis é visualmente bonito, bem escrito e tem personagens supercativantes. É diversão garantida, mesmo se você for adulto e assistir uma versão dublada. Pode levar seu filho, sobrinho ou afilhado que eu recomendo, pra você e pra ele.

P.s.: Eu sempre acho umas preciosidades nos comentários dos usuários do IMDB... olha esse extremista religioso aqui, por exemplo...

P.p.s.: O Vilaça me explicou uma cena no fim do filme que eu não tinha entendido. Aparecem dois velhinhos conversando sobre a vitória dos heróis e falando: "Como nos velhos tempos", "Assim é que era bom!" e coisas assim. Na verdade, são caricaturas de dois animadores da "velha guarda" da Disney, Ollie Johnston e Frank Thomas, e sua fala é uma homenagem bem explícita aos pioneiros da animação. Mais um ponto para a Pixar!

O Primo NÃO recomenda - Irreversível

2004-12-10 04:48:00 +0000

Irreversível é "aquele com a cena do estupro da Monica Belucci". Bom, pelo menos é o que todo mundo, inclusive a sinopse atrás do DVD, diz sobre o filme. Eu já aluguei sabendo que ia ficar ou enojado ou inalterado com a cena do estupro, conforme ela fosse bem ou mal feita.

O resultado: fiquei inalterado pela cena. Mas só porque, antes dela, teve uma outra MUITO, mas MUITO mais chocante. Não vou falar como ela é nem onde aparece. Pra não estragar a história, vou contar só uma coisa: tem um extintor de incêndio.

Depois dessa cena eu precisei parar o DVD e dar uma circulada pela casa, porque eu não estava me sentindo bem. O mal-estar foi tão grande que qualquer coisa que viesse depois ia ser fichinha - ou seja, ver o estupro não me despertou nenhum efeito. Eu já estava nauseado demais.

Teve um usuário do IMDB que resumiu o que eu achei do filme em uma frase: Irreversível não é bom nem mau mas é diferente. Mas mesmo assim eu o des-recomendo veementemente, com todas as forças. Pelas seguintes razões:

É um filme que não traz NADA de bom. Pelo contrário, ele rompe a barreira do "entretenimento" e da "representação" e consegue provocar mal-estar físico. E já bastam as agruras da vida pra nos fazerem sentir mal. Você quer pagar pra se sentir mal? Vá a um necrotério que dá no mesmo e sai de graça.
O roteiro é fraco e previsível. Os "créditos iniciais" tem TANTAS dicas pra fazer você perceber que a história vai ser contada de trás pra frente que cansa. E depois de um certo ponto do filme dá pra sacar praticamente tudo que vai acontecer. Isso sem falar nas "falas proféticas" que os personagens começam a ter. Muito bobas.

Mas sem avaliar Irreversível de uma perspectiva moral, dá pra ver certas qualidades técnicas:

Grande parte do mal estar provocado vem da música, composta por ninguém menos que Thomas Bangalter, metade do duo francês de música eletrônica Daft Punk. O último álbum da dupla, Discovery, é uma bela porcaria, mas o Sr. Bangalter fez um excelente trabalho no filme.
Ficou magnífico o trabalho de iluminação, que vai ficando diferente a medida que o filme, hã, regride.
Os efeitos especiais ficaram tão bons, mas TÃO BONS que eu caí feito um patinho. Depois da fatídica "cena do extintor" eu podia jurar que aquilo era um snuff film. Fiquei desesperado, só sosseguei depois que vi, nos extras do DVD, o making of da cena. Só aí eu, ironicamente, acreditei que não era real.

Mas, sabe o que é? Existem tantos filmes por aí que vão lhe dar uma experiência de sonoplastia excelente, iluminação perfeita e efeitos super-realistas, com um roteiro muito melhor e sem o sofrimento que Irreversível propicia. Passe longe desse filme.

P.s.: Vale uma visita na crítica do Cinema em Cena. O Pablo Vilaça deu cinco estrelas e disse que chorou no final do filme. Os leitores do site saíram comentando: "5 estrelas? Tá louco?", "Nota 0", "Filme horroroso", "Dessa vez o Pablo acertou" e demais opiniões divergentes.

O Primo recomenda - Moça com brinco de pérola

2004-11-29 02:47:00 +0000

Eu sei que estou mais de um ano atrasado nesta recomendação mas ela vai mesmo assim.

Quando vi o trailer deste filme, senti uma vontade muito grande de vê-lo por causa de um fator em específico: a fotografia. "Que diabos, parece uma pintura em movimento", pensava eu.

O Pablo Vilaça, minha referência par o bom cinema, disse em sua crítica:

Porém, até mesmo estes aspectos técnicos da produção empalidecem frente à fotografia espetacular do português Eduardo Serra, que se inspirou na obra de Vermeer ao conceber o belíssimo esquema de luzes e cores do projeto. Criando enquadramentos extremamente elegantes, Serra e Webber tomam grande cuidado com os detalhes: veja, por exemplo, a cena em que Griet observa a camera obscura no ateliê do patrão e perceba a disposição impecável dos objetos de cena, a incidência da luz e o equilíbrio do plano: o resultado é tão maravilhoso que poderíamos perfeitamente imprimir aquela tomada em uma tela e pendurá-la em qualquer museu do mundo. E o melhor: este não é um exemplo isolado; não há um só plano em Moça com Brinco de Pérola que não pareça ter sido exaustivamente preparado por Eduardo Serra.

O grifo aí no final é meu, porque foi exatamente o que eu percebi nos instantes iniciais do filme. Griet, a personagem de Scarlet Johansson, começa o filme cortando verduras para uma salada. Aquela primeira cena, das diversas verduras em cima da mesa, davam, sozinhas, um quadro belíssimo. Eu achei que estava viajando, porque não ia dar pro Eduardo Serra fazer "pinturas" com TODAS as cenas do longa... mas foi exatamente o que aconteceu.

Contudo, a imagem não é nada sem conteúdo: As atuações de Johansson e Firth são fabulosas, a intimidade entre seus dois personagens fica cada vez mais explícita à medida em que ambos não conversam, por não haver mais necessidade. Os inúmeros diálogos não-verbais dos dois ficaram muito bem representados.

Aí, pra bichar o final de semana, eu tinha que pegar um filme ruim.

O Primo NÃO recomenda - Anjos da Noite - Underworld

Eu nem vou gastar meu teclado com este filme, vou apenas reproduzir um diálogo entre eu e minha irmã, enquanto assistíamos:

- Putz, mas essa mulher atua mal demais, credo! Como será que botaram uma mulher tão ruim de serviço pro papel principal?
- Deve ser mulher do diretor.
- Que nada... não pode ser.

Aí o filme acabou e eu vi que a direção era de Len Wiseman, marido de Kate Beckingsdale, a atriz principal. Acho que já expliquei o suficiente, né?

Se precisar de mais argumentos, veja a crítica de duas estrelas do Pablo Vilaça.

Discos Novos (parte 3)

2004-11-26 22:25:00 +0000

Partes anteriores aqui: Um Dois

Um fato novo: o Gabriel me passou um CD cheio de bandas que ele baixou, por indicação do pessoal da lista de discussão Mayfly. Aí andei ouvindo algumas coisas já...

Camera Obscura - Underachievers please try harder

Quando vi o nome lembrei d'O Excêntrico na hora, porque tem um evento aqui em BH que ele sempre vai, chamado Câmara Obscura. Mas é um evento gótico/punk/RPGista/metal/etc e tal. Daí fiquei achando que o diabo do CD ia ser um rock sinistro.

Qual não for a minha surpresa quando taquei o CD e vi um som praticamente igual ao do Belle and Sebastian. Sabe aqueles adjetivos ridículos, mas perfeitos pra definir o som do B&S? Tipo, "fofinho", por exemplo? Pois é, aplica-se também ao Camera Obscura. A diferença é que este último tende mais pro lado das baladas bonitas, além de soar bem mais retrô. Underachievers.. poderia muito bem ter sido gravado em 1960.

Interpol - Antics

E os novaiorquinos do Interpol tinham tudo pra me desagradar. Eu achei que eles seriam mais um Ted Leo & The Pharmacists, ou seja, caras que fazem um CD impecável mas muito homogêneo e, portanto, chato.

Mas o CD do Interpol foi sobrevivendo heroicamente no som do meu carro... e passou inteirinho sem que eu sequer pensasse em meter o dedo no botão "next album". Ponto para o Antics, embora eu ainda ache que este CD vai me enjoar muito rapidamente.

Destaque para Slow Hands, faixa rock que eu não consigo definir com outra palavra exceto "eficiente".

Isobel Campbell - Amorino

Eu sei lá por que diabos Isobel deixou o Belle and Sebastian. O que eu sei é que:

O Belle & Sebastian não se abalou. Ao contrário, se superou no novo disco, o Dear Catastrophy Waitress;
O trabalho solo da Isobel, Amorino ficou legal.

A nova banda de Isobel toca coisas bem parecidas com B&S, mas com alguns toques de outros ritmos, como jazz e música brasileira. O que só contribui para a minha afirmação inicial: Eu sei lá por que diabos Isobel deixou o Belle and Sebastian.

The Polyphonic Spree - Together we're heavy

Eu me sinto um cretino quando penso isso, mas não consigo deixar de ver o Polyphonic Spree como uma banda meio "auto-ajuda". Também, com letras no estilo "soon you'll find your way, suicide is a shame"...

Não que isso seja ruim. Na verdade, só contribui para deixar o CD um pouco mais "família". As viagens sonoras da megabanda são mais ou menos assim, bastante épicas e bonitas. Destaque para uma curiosidade: este CD termina com um trecho do disco anterior dos caras.

The Delgados - Universal Audio

Luiz já havia me falado desse disco. Ele contou que ficou absolutamente viciado no Universal Audio, que ouvia todo dia, que era o melhor disco de 2004 e o escambau. E lá fui eu ouvir o bendito disquinho, cheio de expectativas.

Ouvir um disco como esse partindo da premissa que meu maior guru musical está pagando o maior pau pra ele é complicado. Mas já ouvi uma, duas vezes e o Universal Audio ainda não me viciou... embora eu esteja sob forte risco.

O que tenho a dizer até agora é que ele é ótimo. Mais uma vez são músicas comuns, cantadas de um jeito comum, mas que funcionam muito bem, principalmente aquelas cantadas pela Emma. A animadinha Everybody come down, por exemplo: gruda, mas gruda igual Super Bonder. Dentre as "não animadinhas" há valiosas surpresas, como Sink or swim ou a belíssima, eu disse BELÍSSIMA The city consumes us. Só essas duas últimas já são motivo suficiente para uma indicação acertada deste disco.

Mas eu continuo discordando do meu guru. O melhor disco de 2004 é o Misery is a Butterfly, do Blonde Redhead, sem a menor sombra de dúvida, hehehehe...

Discos Novos (parte 2)

2004-11-08 20:39:00 +0000

Outro dia eu comecei a fazer mini-reviews dos discos em MP3 que trouxe de Sete Lagoas. Vamos a mais alguns que ouvi no último período.

THE FLAMING LIPS - Zaireeka

E os lábios flamejantes já começaram atrás porque eles tinham uma tarefa impossível: me mostrar um disco tão bom quanto o Yoshimi Battles the Pink Robot. Mas o Yoshimi é um disco perfeito, e raras são as bandas que lançam dois discos perfeitos.

Luiz me preparou para a audição, explicando que Zaireeka são QUATRO CDs. Mas não são 4 CDs do jeito que você pensou, e sim quatro CDs que precisam ser tocados AO MESMO TEMPO para que Zaireeka faça sentido. A versão que ouvi foi um "stereo mix", ou seja, os quatro CDs já "misturados". Achei legal, mas fiquei com uma vontade louca de ouvir o Zaireeka do jeito que ele foi concebido: com os quatro CDs tocando ao mesmo tempo. Porque pelo que ouvi, ele foi FEITO pra ser tocado com os quatro CDs. Na verdade ele não é um disco, e sim uma meio que experiência sonora, e tem que ser fruída do jeito correto. Bom, quem sabe um dia.

Destaque para a letra absurdamente maluca de "A machine in India", com vaginas no meio e tudo.

FUNKADELIC - Maggot Brain

Funkadelic é um disco de 1971 que, quando toca, te faz ver a enorme nuvem de fumaça de maconha da época em que foi composto. Legítima música para D.A's de faculdade.

Normalmente eu não gosto de coisas antigas assim, mas Maggot Brain foi digerido pelos meus ouvidos sem muito problema. Até mesmo a primeira faixa, um solo de guitarra de 10 minutos, psicodélico até o osso, eu consegui ouvir. Mas, sei lá, não é algo que eu vá pegar pra ouvir todo dia.

THE MENDOZA LINE - We're all in this alone

Esta foi a surpresa da vez. Muito bom esse disquinho! Ele não tem nada de mais, tem lá seu vocal feminino, tem lá suas guitarras popzinhas e funciona que é uma beleza.

Destaque para "Idiot Heart", que me dá déja-vus toda vez que ouço, e para a belíssima, eu disse BELÍSSIMA "Everything we used to be". Por sinal, pelo teor das últimas músicas que tenho gostado, estou vendo que a cada dia que passa eu me torno mais e mais manteigão. Só falta eu viciar em emocore, aí já era.

MOMBOJÓ - Nadadenovo

Esse vai com capinha, ó:

Depois de uma pequena decepção com a Nação Zumbi (que, sem a cabeça de Chico Science, está exatamente assim, zumbi), fiquei meio emburrado com o manguebeat. Mas Luiz me passou esse CDzinho e falou que "esse cê vai gostar". Dito e feito.

Nadadenovo é exatamente isso, "nada de novo". Tem coisas tipo rockabilly, coisas tipo "Roberto Carlos em Ritmo de Aventura", sambinhas, chorinhos, coisas psicodélicas, etc. E essa salada toda, somada com uma produção elegante e refinada, deu um puta resultado.

Destaque para a faixa "Deixe-se Acreditar". Eu queria botar isso num walkman em eterno repeat e amarrar nos ouvidos de Humberto Gessinger, pra mostrar pra ele como é que se faz uma boa letra de música.

MY BLOODY VALENTINE - Ecstasy and Wine

Luiz tinha me falado que não aguentou ouvir este CD até o fim e que MBV realmente era apenas o "Loveless", o disco perfeito dos caras. Bom, eu sobrevivi até a música cinco...

SOUL-JUNK - 1958

"Ahn... então isso que é abstract hip hop", foi o que eu pensei quando esse disco maluco começou a tocar.

1958 é basicamente um conjunto de blips e tóings do capeta. De vez em quando vem um rapper branco e canta por cima. Se você tocar este disco pra sua tia, ela vai dizer algo mais ou menos assim: "Cruz credo menino, que coisa demoníaca é essa, tá tocando de trás pra frente!".

Eu gostei, mas tem momentos em que ele exagera e fica muito inaudível. E olha que meu limite do inaudível vai longe...

Destaque para a faixa instrumental "Tasmanian Pork", que foi construída sobre um sample de uma música de Bach. Bom, pelo menos é o que parece.

UI - Answers

Este disco é indicação de Papel, a.k.a. Gustavo, baterista da extinta banda Postal Oitenta. "Zé, esse disco é a sua cara, cê vai gostar", dizia ele. Acertou em cheio.

As músicas de "Answers" são músicas normais, feitas por pessoas normais, seus baixos normais, baterias normais, etc. Tudo instrumental, mas feito por músicos muito competentes e sem a menor pretensão. E é exatamente por isso que Answers é um disco fodasso: porque soa despretensioso.

Esse ganha o selo "O Primo" de qualidade.

WEEN - The Molusk

O Ween caiu nas graças de Luiz ultimamente. "Você já ouviu Ween? Deveria ouvir Ween, Ween é legal". Aí peguei logo a discografia inteira dos caras e comecei a ouvir pelo penúltimo disco, o "The Molusk". Mas o que tocou foi Wilco com Ozzy Osbourne com piratas com drinking songs irlandeses com Bruce Springsteen com Nine Inch Nails com pop romântico dos anos 80...

Eu estranhei, mas Ween têm se tornado mais legal conforme o disco passa pelos meus ouvidos. É porque é tudo uma grande piada, complicada de entender no começo.

Destaque para "Waving my dick in the wind". Essa é diversão instantânea mesmo, música para se balançar a... cabeça... enquanto ouve.

O Primo NÃO recomenda: Taxi, a.k.a. "o filme com a Gisele Bünchen"

2004-11-08 04:17:00 +0000

Eu estava no banheiro quando gritaram, lá da sala:

- Zé... vamos ver o filme da Gisele Bünchen hoje?
- Vamos...
- Hein?!
- Vamos, ué...

Depois que confirmei a resposta, olhei pros azulejos do banheiro e vi que eu provavelmente estava fazendo uma cagada. Mas não tinha problema, no máximo eu ia ter algo pra falar mal aqui no blog.

Aí fui ao cinema e... o filme começou até engraçadinho. O policial desastrado Washburn (Jimmy Fallon) me fez rir algumas boas vezes nos primeiros 10 minutos. A personagem da Latifah, Belle, também estava razoavelmente legal. Na verdade, eu ri bastante durante todo o filme e mais um pouco depois do final, já que tem os erros de gravação durante os créditos.

E eu ia escrever um post recomendando este filme aqui. Mas enquanto escrevia, pensei: "Taxi é um filme bom para o que se propõe. Mas tem filmes tão melhores... e este blog tem uma reputação a zelar". Daí segue a des-recomendação.

Vamos aos destaques:

Uma coisa realmente me irritou no filme. Na verdade, duas coisas. A primeira foi a quantidade de "damn!" que a Latifah fala. Parece que "damn!" é o caguete do mau ator que também é hip-hopper.
A outra coisa foram as falas em português de Gisele e suas amigas. É a primeira gangue de supermodelos brasileiras que falam com sotaque português de Portugal.
Falando na Mrs. Bünchen, logo que ela entrou na telona, o cinema inteiro começou:

- Ay, mamacita!
- Nossa!
- Uaaau!

E eu juro por Deus que eram as mulheres que faziam estes comentários.

Passou a cena em que Washburn e Belle estão indo dormir e ele faz piada com o sobrenome dela ("precious... my precious"). Depois que o cinema inteiro riu, uma amiga que estava conosco perguntou para o namorado dela:

- Ei, isso é do Senhor dos Anéis?
- Uhhh, é sim...
- AHAHHAHAHAHAHAHAHA.... - e mais cinco minutos de riso histérico.

É noise na fita

2004-10-28 18:09:00 +0000

Ontem à noite eu passei na casa de Luiz e ganhei de aniversário um super-kit de CDs com Serial Experiments Lain completo (yay!). Depois, assistimos os três primeiros episódios de Oh! Super Milk Chan e, algumas horas depois... mais uma lenda caiu.

Eu consegui, depois de muitos anos de tentativas, ver Anderson Noise tocar.

Como eu já disse aqui antes....

Eu já vi Anderson Noise. Na rua, passando de carro... no supermercado... mas NUNCA VI ELE TOCAR

Assim sendo, lá pelas onze da noite lá estávamos eu e Luiz no Deputamadre. O lugar é... bem... tem um bom espaço pra dançar, mas é meio caro. O preço da latinha de Skol, indicador econômico oficial da night, era R$ 3. Mas o real problema do lugar é que, pra consumir qualquer coisa, você tem que comprar uma fichinha no caixa. E é um caixa. E são quatrocentas pessoas.

Este detalhe simplesmente acabou com o meu conceito do lugar e vai me fazer pensar cinco vezes antes de voltar lá. Eu passei 40 minutos na fila pra comprar uma fichinha. Quando estava na boca do caixa, um babaca qualquer passou na minha frente e na frente do segurança que estava exatamente ao meu lado e que foi muito eficiente ao fazer a sua melhor cara de "não posso fazer nada".

Mas falemos do que interessa. A performance do cara começou lá pelas 1:30 da manhã com um barulho estridente do primeiro disco que ele colocou para tocar. Acho que foi a forma dele dizer que o "noise" chegou. Eu e Luiz ficamos na parte mais baixa e escura da pista, de costas para uma enorme caixa de som. Talvez seja por isso que, doze horas depois, eu ainda estou meio surdo. Na verdade, assim que fui embora do lugar (às 3 da manhã), eu só ouvia a minha própria voz, e só porque ela ressoa internamente no meu crânio: o resto era só zumbido.

O set foi bem legal e pode ser facilmente descrito com uma palavra: sinistro! Mas não "sinixxxtro" como os cariocas falam, foi sinistro mesmo, eram músicas com um climão obscuro, de suspense. O público, constituído basicamente por gays e pelas amigas dos gays, parecia estar gostando. Bom, pelo menos eles soltaram os gritinhos padrão em todos os breaks.

Outros detalhes que é bom mencionar:

Logo no início da noite tentei ir ao banheiro mas como era tudo muito escuro, eu não encontrei. Aí achei um segurança:

- Por favor, onde é o banheiro?
- Eu... não sei, é meu primeiro dia aqui...

Enquanto eu chacoalhava o esqueleto na escuridão da pista, um vento refrescante passava por trás de mim. Mas quando olhava pra trás eu via apenas um ventilador desligado.

Fiquei sem entender de onde vinha aquele vento por umas duas horas, até que olhei novamente e percebi que o ventilador estava ligado. É que a única luz da pista era aquela, estroboscópica. As "piscadas" da luz são muito breves e, por isso, as pás do ventilador pareciam estar paradas.

Pelo teor "alternativo" do lugar, resolvi sair com minha velha camiseta com estampa escrita em um "engrish" medonho. Passei pela sala, meu pai falou:

- Ué meu filho, essa sua camiseta está muito velha, muito "foveira"... você vai sair assim?
- Essa é a idéia, pai...

Aí encontrei com Bethania antes de ir. Ela olhou pra mim:
- Nossa, mas você vai com essa camiseta velha aí?
- Essa é a idéia, Bê...

O Primo recomenda: Blonde Redhead - Misery is a Butterfly

2004-10-20 22:03:00 +0000

Esse disquinho estava no lote de 47 discos em MP3 que eu trouxe de Sete Lagoas. O normal seria eu falar brevemente do disco, como tenho feito com os outros, mas tive que fazer uma honrosa exceção para este aqui.

Porque Misery is a Butterfly é, sem sombra de dúvida, o melhor disco de 2004 até agora.

A produção é simplesmente impecável: músicas ricas, intensas, e sobretudo bem arranjadas. Violinos, violoncelos e demais cordas não são economizados. Culpa do Guy Piccioto (Fugazi), o produtor, e de Eyvind Kang, assistente de composição (o "hômi" dos arranjos).

Eu sou um grande fã de música instrumental e não ligo muito pra vocal. Mas nesse disco, o vocal... tinha TUDO pra ser extremamente irritante. Kazu Makino, a cantora nascida em Kyoto, parece uma menininha cantando, ora com doçura, ora com firmeza. Amadeo Pace, vindo de Milão para NY, beira o esganiçado nos seus agudos. Mas só beira, e por isto a voz fica única e interessante.

O equilíbrio das músicas do disco é arrepiante. Elephant Woman, faixa de abertura, menciona o "unfortunate" acidente sofrido por Kazu, que a obrigou a manter a boca amarrada por um bom tempo e atrasou a gravação do disco. Depois vem Messenger que, droga, me lembra o MSN toda hora. Piadas à parte, esta primeira participação de Amadeo nos vocais é marcada pela melancolia, mas de um jeito classudo e bonito, o que mais tarde mostra-se como a identidade deste disco.

Depois vem Melody que é, meu Deus, maravilhosa. Desde a longa e belíssima introdução (com teclados incluídos), passando pelos vocais etéreos de Kazu, até o fade out do final, Melody mostra até onde o Blonde Redhead pode ir. O clima intenso é mantido por Doll is mine e pela faixa título, que é permeada por violinos de suspense durante quase toda sua extensão. Falling man, na sequência, mostra um habilidoso Amadeo em uma catarse vocal. Aqui, a letra pedante (I am what I am / And what I am is who I am) nem é percebida no meio do elegante desenvolvimento melódico.

Segue a celeste Anticipation e depois, Maddening cloud, talvez a faixa mais fácil deste disco diferente. Magic mountain lança o disco rapidamente de volta ao mundo da sonoridade leve. Leva mesmo à "montanha mágica" da letra, simples e bonita por sinal. Depois, Pink love tem uma dobradinha vocal Kazu e Amadeo. Kazu assume a faixa final, a mais legal, Equus. Equus é Melody com a polaridade invertida: pura porrada. O refrão, forte no som, contrasta com a educação da letra:

Allow me to show you
The way which I adore you

É assim que o Blonde Redhead encerra esta obra-prima. Normalmente eu não usaria de tanto lirismo e tanta "nove hora" no português pra falar de um disco. Mas escrevi isso tudo enquanto as músicas rolavam no meu fone de ouvido, então fui um pouco influenciado. Acho que é efeito da maturidade e da riqueza do som...

Isso sim é que é um disco "fino"! Eu recomendo.

P.s.: Luiz diz que o disco perfeito do Blonde Redhead é o La Mia Vita Violenta. Mas há muito eu não ouço esse aí, depois vou até pegar pra ver de novo...
P.p.s.: Luiz, os MP3 deste disco, que você me passou, estão todos com os nomes errados... tive que reordenar/renomear todos eles.

Discos Novos (parte 1)

2004-10-18 14:55:00 +0000

Depois que fui à Sete Lagoas, meu notebook voltou 2,5 gigabytes mais gordo. Tudo de discos em MP3 de bandinhas, er, "alternativas". Algumas delas eu já posso reviewzar brevemente aqui:

BARDO POND - Dilate

É um absurdo o tanto que a primeira música deste disco se parece com Godspeed You Black Emperor. A estética do disco todo tem uma boa semelhança mas, ao contrário do GYBE, Bardo Pond tende a ser mais psicodélico e progressivo do que apocalíptico. Mas é legal!

BEANS - Crane Wars

É legal, profundo, e cada música tem um "setting": barulho de chuva, de fábrica... e tem a presença marcante do acordeon. Ultimamente eu tenho ouvido muita coisa com acordeon (tipo Dntel ou Do Make Say Think ou Migala, que comento mais abaixo). Ele dá um toque meio latino, meio solene às músicas. Eu góstio.

BLONDE REDHEAD - Fake can be just as good

Eu não sei o que o Blonde Redhead tem que o torna tão legal. Seria a dobradinha de vocal "masculino X feminino"? Seria as leves bizarrices que permeiam todas as músicas? Seria o estilão "músicas que a banda do seu vizinho poderia tocar"? Oh, a dúvida.

BUILT TO SPILL - Ancient Melodies of the Future

Este disco tem um problema, o mesmo problema de outro que eu ouvi: o "Hearts of Oak" do Ted Leo & The Pharmacists, indicação do João. O problema é que o disco é muito homogêneo, e isso não mantém o meu interesse. Claro, é bem tocado, bem arranjado e bem cantado... mas é exatamente este o problema. É como gráficos 3D: são bonitos, mas eles às vezes são tão certinhos e tão perfeitinhos que é isso que os torna artificiais.

Luiz me deu uma dica, por email: "Esse disco do Built to Spill é muito fraco, o pior deles. Ouça com atenção o 'Perfect from now on', o disco perfeito dos caras". Vou fazer isso.

CAN - Tago Mago

Eu não passei da terceira música deste disco. Sei lá, não desceu. Depois vou tentar de novo. Diz Luiz: "Num é um disco pra se ouvir a qualquer hora. Mas, eu acho ele fenomenal!!"

THE FLAMING LIPS - Yoshimi Battles the Pink Robot

Minha Nossa Senhora do Divino e Perpétuo Socorro! Este disco é perfeito! De cara ele conseguiu passar pela perigosíssima armadilha de "misturar guitarras e eletrônicos" sem virar um Jota Quest da vida. Além de tudo ele mantém, ao mesmo tempo, o bom humor, a profundidade e a beleza melódica e lírica. Putz, chega, vou parar de babar ovo.

JOHN COLTRANE - Giant Steps (Deluxe Edition)

E depois deste disco eu, finalmente, me interessei por jazz. É porque eu não entendia o jazz: eu já sabia que tinha alguma coisa a ver com improvisação, mas o que eu ouvia não tinha nada a ver com isso. Aí as músicas deste disco seguem o template que eu sempre esperei ver no jazz: toca-se o tema base para a improvisação, depois o povo improvisa em cima. Aí eu entendi tudo e adorei. Destaque para "Naima", belíssima.

MIGALA - Asi Duele un Verano

Nas primeiras audições era um disco triste. Depois, passou a ser um disco bonito. Depois, passou a ser um disco profundo e belíssimo. Hoje ele é um disco "Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias Como Diabos Esse Disco É Maravilhoso". Depois vou ali no Soulseek para "adquirir" o resto da discografia desses caras.

NIGHTMARES ON WAX - Carboot Soul

Essa foi a surpresa: eu já tinha ouvido falar de Nightmares on Wax mas imaginava uma sonoridade muito diferente. Gostei bastante do estilo pop-funk, fácil de ouvir, divertido. Perfeito para dirigir.

RIP RIG + PANIC - Attitude

Foi engraçado, quando botei a primeira música deste disco eu levei um susto: "Que diabo é isso? Gloria Estefan?". Logo vi que estava enganado. Não vou dizer que Attitude é um disco fácil, porque não é: ele é bastante experimental, bastante art-rock-funk-sei lá. Mas, meu Deus, Sunken Love é a música perfeita. Custei a terminar de ouvir este disco porque Sunken Love ficava no meu repeat e insistia em não sair. Só depois, conversando com Luiz na Obra, fiquei sabendo que os vocais eram da Neneh Cherry. Maravilhosos, ponto pra ela.

SEACHANGE - Lay of the Land

Toda vez que vejo o nome deste disco eu penso em sacanagem. Não sei por quê... talvez porque o verbo "to lay" possa ter conotação sexual dependendo do contexto. Mas falando da música, bem, este disco é um disco bem na média: músicas legais, não ruins, nem extraordinárias. O bom é que ele é bem variado nos estilos. Mas acho que tenho que ouví-lo algumas vezes mais para dar uma opinião mais acertada.

No próximo "lote" de discos, que gravei num CD-RW, teremos mais Flaming Lips com Zaireeka, mais Blonde Redhead, mais Coltrane, outra chance ao Built to Spill, a banda chamada Ui, os piadistas do Ween, os brazucas do Mombojó, os loucos do Soul-Junk e do The Ex, e o hour-concour My Bloody Valentine.

Filmes

2004-10-13 04:44:00 +0000

Feriado prolongado é sinônimo de atualização cinematográfica. Vamos aos breves comentários dos filmes destes quatro dias...

Gothica (Na Companhia do Medo)

Esse eu só assisti porque o DVD tava dando sopa aqui em casa; havia sido alugado pelo namorado da minha irmã. Ele fez milhões de recomendações sobre o filme, que ele era excelente, etc, etc. Por isso, assisti o filme sem muitas esperanças de que ele fosse bom.

Gothika chama-se Gothika porque... bem, eu não sei e se você souber, me avise. Mas é a história da Dra. Miranda (Halle Berry), brilhante psicóloga, casada com um gorducho chamado Doug (Charles Dutton). Sua vida é um mar de rosas, como o filme (forçosamente) mostra nos seus minutos iniciais. Mas, numa noite chuvosa, um acontecimento sobrenatural faz com que tudo mude.

Este filme têm me mostrado que, quanto mais um filme se baseia em um roteiro legal para ser interessante, menos ele deve mostrar no seu trailer. Digo isso porque na véspera de quando vi este filme, o namorado da minha irmã fez questão de me mostrar o trailer que estava no DVD. Ele queria me mostrar também o videoclipe do Limp Biskit, mas eu mandei ele se foder. Bom, voltando ao assunto, o trailer tirou a maior parte da graça do filme. Ele mostrou, por exemplo, uma cena-chave: a da primeira aparição da menina, hã, "sobrenatural". Então, quando eu vi o filme, eu já sabia exatamente o que ia acontecer com a Dra. Miranda quando ela estava passando pela ponte. Fiquei sem o susto e sem a surpresa.

Na verdade, mesmo se eu não tivesse visto o trailer, nos primeiros quinze minutos de filme eu já teria descoberto toda a trama, porque ela não é NADA original. Trata-se da velha história do personagem principal, que é o único que tem razão durante o filme todo, e que tem que passar por maus bocados para convencer a todos do seu ponto de vista. E o roteiro tem umas "gambiarras" que só pioram a manjada história.

Mas Gothika tem lá seus méritos. A Halle Berry mandou bem, o Robert Downey Jr. tinha um personagem cativante e muito bem representado... o cenário é muito bom, embora a prisão/manicômio onde o filme se passa seja muito irreal. Onde já se viu uma superprisão daquela? Além do mais o filme usa bem seus efeitos especiais. Um dos pesadelos da Dra. Miranda, que é contado de trás para frente, é interessante. Mas fica só nisso: é um "pipocão" de suspense, legalzinho, mas só.

A crítica do Pablo Vilaça pra este filme deu duas estrelas. Eu concordo.

Scary Movie 3 (Todo Mundo em Pânico 3)

Calma, calma. Este DVD também ficou dando sopa aqui em casa, caso contrário eu JAMAIS teria visto isso.

Bom, resumindo, as paródias deste filme envolvem O Chamado (que eu vi pela metade), o Sinais e o filme do Eminem, que eu não vi. Dei boas risadas com o Charlie Sheen e fiquei babando na Anna Faris, a personagem principal.

O Vilaça deu duas estrelas para o filme e disse que ele é 30% engraçado. Eu que sou mais bobo ri um pouco mais. Mas... quer saber? Falemos de um filme que realmente vale o review.

Kill Bill vol. 2

Esse eu fui ao cinema, me atrasei e não entrei, fui no dia seguinte e encarei um shopping lotado para ver. Ah, Tarantino. Maldito, você tem lá suas razões para ser tão egocêntrico.

Alguns poderiam considerar que o Vol. 2 da "trilogia de dois filmes" é chato. Realmente, ele começa bem devagar quando comparado com o primeiro, porque mostra muitos flashbacks de como tudo começou. Na verdade, Tarantino parece estar aproveitando a brecha para bolar diálogos com frases de efeito e prestar suas homenagens aos antigos westerns e filmes dos anos sessenta. Ah, e para babar ovo da Uma Thurman. Mas, convenhamos, o Tarantino tem TODAS as razões para babar ovo na Srta. Thurman. Mesmo coberta de sangue e terra, com o cabelo detonado, ela continuava linda.

A coisa fica interessante quando o filme mostra o seu treinamento com Pai Mei, o velhinho das barbas brancas e das maiores sobrancelhas da história do cinema. Gostei, em especial, de uma das falas dele, quando tentava ensinar a personagem de Uma a socar através de uma tábua de madeira:

"Não é você que deve temer a madeira, e sim a madeira que deve temer você"

Aí o filme engata uma terceira e vai fundo. A "noiva" continua na sua vingança sangrenta. O combate entre ela e Elle Driver, a mulher "pirata", é simplesmente fantástico e compensa, com muita folga, toda a lentidão do início do filme. O final do combate é simplesmente nojento, talvez a cena mais nojenta da história do cinema. Uau, eu já disse "história do cinema" duas vezes...

Não vou contar mais nada pra não estragar a graça do filme. Mas Kill Bill vol. 2 se garante numa coisa: estilo. É como se o Tarantino dissesse: "Vocês querem entretenimento? Então TOMA entretenimento". Classudo. Divertido quando é pra ser, agressivo quando é pra ser. Eu recomendo!

Quando o filme acabou, o cinema ficou engraçado: tinha gente em pé para sair, mas não saía, porque os créditos finais, com a Noiva passeando pela estrada, no melhor estilo noir, era muito cool para não ser vista.

O Vilaça criticou bastante o ritmo do filme, mas deu quatro estrelas. Pra mim, o ritmo do filme nem fez muita diferença no fim das contas. E ele ainda cita duas cenas que eu adorei: a de Elle lendo no seu bloquinho as informações que ela "viu na Internet" e a da Noiva e outra assassina duelando sobre... um teste de gravidez.

The Day After Tomorrow (O Dia Depois de Amanhã)

Esse eu acabei de ver. Na verdade, aluguei porque vi acompanhado de Bethania e da minha irmã e do namorado, aí optei por um filme pipocão na hora de ir na locadora.

As preocupações que eu sempre tive sobre aquecimento global e mudanças no clima me passavam um cenário de loooongo prazo. Mas no filme, basicamente, o clima terrestre simplesmente puxa a cordinha e "dá descarga". Em questão de dias, a Terra entra numa era glacial. Pra mim, forçou muito a barra. E, como eu não engoli a premissa do filme, ficou difícil fazer o roteiro descer pela garganta, principalmente quando ele cai nos velhos "personagens-heróis" que, "contrariando todas as expectativas", fazem feitos impossíveis e sobrevivem.

Ficou duro engolir o Dr. Jack Hall e sua atitude imbecil de "vou compensar meus anos de ausência saindo como louco pra resgatar, a pé, meu filho que está em Nova Iorque". Ficou duro ver os personagens escapando de uma onda gigantesca na base do cooper. Ficou mais duro ainda ver o vice-presidente fazendo o papel de "não acredito nas previsões deste cientista maluco e só quero saber do meu dinheiro". Mas... mas eu me diverti vendo este filme.

Mas me diverti fazendo comentários sarcásticos e irritando quem estava assistindo comigo. Alguns exemplos:

- O Sam Hall virou o "Donnie Darko" (era o mesmo ator)
- Quando o Donnie Darko salvou a menina que ele estava a fim, eu ficava repetindo "Oh, obrigado Donnie, vou compensar tudo para você em sexo mais tarde neste filme..."
- Na primeira aparição do presidente americano eu não me continha: "Ahhh trem doido... presidente americano é sempre um galã..."
- Quando os desinformados cidadãos saem da biblioteca para morrerem congelados, eu protestava contra o preconceito do filme, pois era um guarda NEGRO que os guiava para fora...

Mas no final, minha irmã até entrou na onda: "Uau, Nova Iorque vai ficar uma beleza agora, com 50 habitantes..."

O Vilaça confessou ter gostado de Independence Day e, por adorar uma catástrofe, gostou deste filme e o deu três estrelinhas. Eu também daria, mas mais pela minha atuação como o chato da noite.

O Primo quase recomenda: Olga

2004-10-09 05:04:00 +0000

Bethania me contou, outro dia, que a tia dela havia arrumado uma versão em VCD, piratíssima, de Olga, e que ela queria fazer uma sessãozinha de cinema na casa dela. Hoje, lá fomos nós.

E então, lá pelos imos de 1995, a Microsoft lançava o Windows 95 e começava a virar motivo de chacota pela tradição dos bugs no seu sistema operacional. Em 24 de agosto de 1996, uma versão bastante estável do Windows, para servidores, atingia sua versão 4.0... tratava-se do Windows NT.

O treco era bão, mas os micreiros da época não tardaram a apelidar o NT de Nice Try...

Olga é exatamente isso. Uma "nice try".

O filme é baseado numa história real fantástica, a fotografia é belíssima, maquiagem impecável, boa cenografia... e o Pior roteiro da história do cinema nacional. Pior com letra maiúscula mesmo. Obra de uma tal Rita Buzzar aí.

Eu quase morri de vergonha de ver Fernanda Montenegro recitando aquelas péssimas falas. Eu quase tive um troço ao ver o casal Olga e Prestes, no navio, e o mala-sem-alça do garçom falando: "Você não vai beijá-la?". Eu não aguentei e comecei a conversar mentalmente com o garçom:

- Tá, babaca, pela cena já deu pra entender, você não precisava falar isso.
- É ano novo! - dizia ele
- Tá, meu filho!! Sai daí!!
- Ela é sua esposa!
- MEU DEUS! Se eu fosse o Prestes eu diria: "Ooooh, sério meeeesmo?!? Se você não falasse eu não teria percebido!!"

Foi uma pena ver o Pior roteiro da história num filme que tinha tudo pra ser um fenômeno. Além disso, a filmagem "novela da Rede Globo" cansa: haja paciência pra tanto close nos atores. Coitados dos olhos da bela Camila Morgado, o diretor abusou deles o tempo todo. E o "zoom do mal" no alemão do navio, quando ele pergunta se Olga era judia, é de matar de rir. Fiquei incomodado também com a trilha sonora do Marcus Vianna. Aquele violininho irritante e seu vibrato eram quase um outdoor onde estava escrito "Ei!! Veja! Foi o Marcus Vianna que compôs esta trilha!!".

Na crítica do Pablo Vilaça a pobre Olga é bem mais crucificada, pelos mesmos argumentos que aqui expus. Mas prefiro considerar o filme não como um fracasso, e sim como uma tentativa. Uma tentativa legalzinha. Por isso, eu quase recomendo.

P.s.: É viagem minha ou a Camila Morgado estava lembrando muito a Jennifer Connelly?

O Primo recomenda: 21 gramas

2004-09-14 05:15:00 +0000

Existem filmes ruins, filmes mais ou menos, filmes bons, filmes excelentes e filmes que me deixam imóvel, tão extasiado que fazem com que eu continue assistindo os créditos rolando na tela por cinco minutos.

Normalmente, estes filmes "paralisantes" concentram, na sua melhor forma, fatores que fazem do cinema uma arte: boa atuação, boa fotografia, um roteiro fabuloso e uma direção impecável. 21 gramas tem isso tudo multiplicado por mil. Falemos de cada um destes aspectos.

Os personagens principais do longa são representados por um belo time: Benicio Del Toro (eu não dava nada por ele até vê-lo neste filme), Sean Penn (eu não dava nada por ele até vê-lo neste filme) e, olha que coincidência, Naomi Watts. A mesma de outro dos melhores filmes de todos os tempos (pelo menos pra mim), o Cidade dos Sonhos, que reviewzei aqui no blog. Eu poderia me desmanchar em elogios à extrema competência, precisão técnica e verossimilhança da senhorita Watts, mas prefiro resumir tudo numa frase: Naomi Watts é, para mim, a melhor atriz de cinema da atualidade.

Curiosidade: a Srta. Watts nasceu na Inglaterra, berço de outra atriz muito genial e que parece mas não é americana: Nicole Kidman. Mais curiosidade: as duas são tão amigas que ela morou junto com Kidman depois da separação com Tom Cruise, segundo o IMDB.

A cenografia/ fotografia anda de mãos dadas com o roteiro de uma forma que potencializa todo o efeito "emocional" do filme. Há uma cena em que um garoto usa um aparelho pra limpar as folhas caídas em frente a uma casa. De repente, um carro passa de relance, o garoto continua lá. É a cena mais normal do mundo, mas eu estava na beiradinha da cadeira, coração disparado, minhas lentes de contato secando de tanto que eu não piscava. Ou quando Cristina está boiando na piscina, para relaxar, e eu quase morrendo de susto. Além destas peripécias, 21 gramas é, cenograficamente, um filme de detalhes. De mínimos detalhes. De fato, a história é, em grande parte, contada por eles. São coisas simples, como os azulejos de bichinho da casa de Cristina ou uma foto da caminhonete de Jack, pendurada na sala, que "amarram" as cenas difusas e permitem entender o roteiro.

Ah, o roteiro. Filmes não-lineares já tendem a agradar; vide os exemplos de Cidade dos Sonhos ou mesmo Amnésia. Mas, com uma edição magnífica como essa, 21 gramas acaba estabelecendo um novo benchmark para o gênero. Além de tudo os diálogos são geniais, principalmente os de Jack, o personagem de Del Toro, quando ele encarna sua faceta religiosa-extremista. Destaque para a cena onde ele diz: "Inferno? O inferno é aqui" e aponta para... bem, não vou contar.

A direção, do mexicano Alejandro Gonzales Iñárritu (??!) que também é co-roteirista, é... difícil de avaliar. Num filme onde tudo é excelente, onde os atores esbanjam talento, onde o roteiro é magnífico, seria a atuação do diretor irrelevante? Ou seria ele a liderança que coordena os talentos e fazem-os produzir bem? Neste último caso, o Señor Iñárritu merece aplausos.

Caso queira saber mais vá ler uma crítica de verdade sobre o filme, como a do Pablo Vilaça no Cinema em Cena. Ele deu cinco estrelas para o filme. Eu daria seis. Ah, e para risadas, leia a crítica do Rubens Ewald Filho (de uma p...) no site E-Pipoca (fora do ar quando tentei acessar, por isso estou linkando a versão do cache do Google). Esse cara não sabe nada de cinema...

Mas vá ver, eu recomendo. Afinal, poucos filmes me fazem perder horas de sono só para escrever um loooongo post como este a essa hora da manhã.

Blog sem Terra

2004-09-08 03:54:00 +0000

Os leitores mais fiéis notaram minha ausência no último mês. Bom, deixa eu dar uma explicação.

Era dia 13 de agosto, estava eu postando aqui sobre minhas férias forçadas e falando as besteiras de costume. Foi depois deste dia, toda vez que tentava atualizar o blog, recebia uma mensagem de erro.

Fuçei um pouco e descobri a causa: era que o servidor FTP do serviço de Páginas Pessoais do Terra estava "em manutenção". Meus posts iam para o site do Blogger mas não iam de lá para o Terra. Imaginei que fosse coisa de um ou dois dias e deixei pra lá.

Duas semanas depois e o FTP não voltou a funcionar. Enviei um email para o Terra. Depois outro.

Somente após o terceiro email de reclamação é que obtive resposta. Segundo eles, a previsão para retorno do FTP era, pasmem, a primeira semana de setembro, ou seja, um simples servidor de FTP ficaria mais de um mês parado. E quando perguntei se seria reembolsado pelo serviço que paguei mas não estou usando, ele me respondeu com uma cláusula do contrato de assinante que diz que tenho direito ao uso dos serviços Terra 24 horas por dia, exceto em casos de problemas com infraestrutura de terceiros (o backbone deles) e manutenções técnicas, o que invalidava meu pedido de reembolso.

Hoje é sete de setembro, segunda semana do mês, e o FTP ainda não voltou ao ar. Aí resolvi me mudar para este domínio que divido com um amigo e que está praticamente sem uso.

Essa não é a primeira vez que passo raiva com o Terra. Já tive problemas de acesso onde eles jogavam a culpa no Velox (e o pessoal do Velox jogava a culpa neles), já tive problemas de emails importantíssimos que eram engolidos pela minha caixa postal e sumiam... só não mudei mesmo de provedor porque meu email de trabalho, o que eu infelizmente imprimi em milhares de cartões de visita que distribuo por aí, termina com @terra.com.br e muita gente deixaria de me encontrar se eu mudar de repente de email. Mas fica aqui a minha des-recomendação. Vá para o concorrente que ele deve estar muito melhor.

(P.s.: Pra piorar, ironicamente, os únicos servidores de Wolf ET onde eu consigo jogar com um ping razoável são os do Uol)

(P.p.s.: Eu não deixei de blogar, mesmo sem poder "publicar" os posts. Abaixo deste aqui vocês acharão dias e dias de posts novinhos, escritos no período "sem Terra" e publicados só agora)

O Primo recomenda: dois filmes "pipocão" que tinham tudo pra ser ruins

2004-08-30 18:52:00 +0000

Primeiro: Eu, Robô

A primeira coisa que deve ser dita é que o Eu, Robô não tem nada a ver com o livro homônimo, do Isaac Asimov. As semelhanças são, basicamente, as famosas três leis da robótica e o empréstimo de alguns personagens-robôs e de alguns humanos, como a Dra. Susan Calvin, personagem marcante no livro mas fraca e abobada na película.

Além do mais, o filme conta com Will Smith no papel principal. Grande parte do seu roteiro dedica-se a fazer merchandising descarado do seu tênis All Star, "vintage model 2004" (já que o filme se passa algumas décadas à frente). As piadas de Smith são fracas e insossas e sua atuação, mediana.

Mas então porque diabos eu estou recomendando este filme? Primeiro porque é um filme de ficção científica e os fãs do gênero, como eu, gostam de um roteiro coeso e de efeitos bonitos. E o filme possui ambos. A história não é lá um primor de redação mas cumpre seu papel e desvia-se habilmente de becos sem-saída, como o de explicar o por que dos robôs estarem agredindo humanos, coisa que é proibida pela primeira lei da robótica. As cenas de ação envolvendo Sonny e os outros robôs NS-5 são de tirar o fôlego, já que os efeitos especiais dos robôs são perfeitamente realistas. Tem até uns momentos Matrix, com pontos de vista alternativos para a ação (exemplo: no carro de Will Smith quando ele capota) e belas cenas em câmera-muito-lenta.

Em resumo, Eu, Robô não é nenhuma obra de arte cinematográfica, mas diverte e vale o ingresso.

Segundo: Colateral

E o Tom Cruise tem se dado bem nas minhas recomendações cinematográficas. A última foi em O Último Samurai. Entretanto, neste filme, Cruise não se dá lá tão bem com o seu papel de assassino profissional. Como action man, ele parecia estar melhor em Missão Impossível.

Pra piorar, Colateral não tem a força roteirística dos samurais (desculpem o trocadilho). Na verdade, minha expectativa era alguma coisa como aquele filme, o Por Um Fio, já que a maior parte da trama se passaria também num lugar pequeno e fechado: o táxi de Max (Jamie Foxx).

No desenrolar das coisas temos clichês, como o do policial que acredita na hipótese mais bizarra para um caso e ninguém acredita nele, embora ele tenha razão. A trama é resolvida, no fim do filme, de um jeito fraco e sem impacto. Alguns personagens importantes são "chutados" para fora da história sem muita explicação. E com todas estas fraquezas, eu ainda recomendo esse filme...

Porque o que me fez gostar de Colateral foi o seu ambiente, causado primordialmente pelo conjunto urbano de Los Angeles e sua fotografia maravilhosa. As tomadas noturnas da cidade são tocantes. Todo o trabalho cenográfico, desde a luz até a composição das cenas, já faz valer o ingresso. A primeira cena, onde Max leva como passageira a advogada Annie (Jada Pinkett Smith), justifica novamente o ingresso pela ótima atuação de ambos em circunstâncias tão complicadas: afinal, que expressão corporal se usa quando é preciso atuar sentado em um carro?

Quando tudo é colocado na balança, Colateral acaba saindo com um saldo positivo e, portanto, eu recomendo. Claro que você que é esperto vai dar preferência para os filmes realmente bons, como o Fahrenheit 9/11, antes de ver estes... mas Eu, Robô e Colateral também quebram um bom galho.

O Primo recomenda MUITO: Fahrenheit 9/11

2004-08-12 04:59:00 +0000

Primeiramente, ALELUIA, consegui assistir este filme... yay! Três vivas pra mim mesmo!

E, segundamente, uma historinha:

Eu gosto de tirar fotografias. Como estou de "férias", estava com a minha câmera quando fui comprar os ingressos do filme. Quando saía do shopping, resolvi fazer uma foto de uma das placas do estacionamento.

Enquanto enquadrava a foto, um segurança passou por mim, falando nervoso no seu walkie-talkie. Minutos depois, outro me abordou, sem graça:

- Tudo bem?
- Tudo...
- Você está tirando foto de algum carro?
- Não, por quê?
- N-nada, só perguntando mesmo.

E saiu, ainda mais desconfortável do que estava.

Antes disso, durante minha estada, vi várias coisas que queria ter fotografado: crianças brincando na mini-creche que fizeram debaixo das esteiras rolantes; O parque de diversões instalado ao lado do shopping. Desisti das crianças pois, com certeza, os seguranças pensariam que sou um pedófilo ou coisa assim. Quando fotografava o parque, um funcionário do shopping, de patins, ficava me olhando meio torto...

Estou contando esta coisa toda porque fiquei chateado de ver o quanto as pessoas andam paranóicas. Algumas até sabem o quanto isto é ruim, como o segurança que me abordou no estacionamento: era como se ele estivesse com vergonha de me fazer aquela pergunta idiota. Esta paranóia é um dos assuntos abordados em Fahrenheit 9/11. E, se no Brasil estamos nesse nível, imagine só os norte-americanos...

Para falar um pouco mais do filme, comecemos pelo título, que parodia o nome de um livro de Ray Bradbury, chamado Fahrenheit 451. Traduzindo o que dizem da história do livro:

Em Fahrenheit 451, na visão clássica e assustadora de Ray Bradbury, os bombeiros não apagam incêndios - eles os provocam, para queimar livros. A sociedade, vividamente pintada por Bradbury, sustenta a aparente felicidade como principal objetivo - onde informação trivial é boa, enquanto conhecimento e ideais são ruins

Michael Moore pinta uma visão ainda mais catastrófica da sociedade, colocando como ator principal o velho conhecido de todos, George W. Bush. Mas Moore pinta uma visão desesperadora, inacreditavelmente chocante, dos Estados Unidos. Eu tive pena dos americanos. Se 50% do documentário for verdade, eu realmente não sei em que mundo meus filhos nascerão.

A "arma de destruição em massa" de Moore (perdoem o clichê, eu, hã, "não encontrei" outro melhor) é a magistral edição do filme. Moore, com colossal maestria, soube misturar a comédia com o drama, com a realidade chocante, mostrando onde devia mostrar e escondendo onde devia esconder, como por exemplo nas não-cenas do 11 de setembro. Nunca achei que fosse dizer isso, mas a forma com que ele retratou o 11 de setembro foi belíssima.

O filme inteiro é uma belíssima e marcante tragédia. Eu jamais vou me esquecer (lá vem um semi-spoiler, não leia se não tiver visto o filme) da fantástica cena onde a carnificina no Iraque é mostrada, com sangue, explosões, mutilados, tudo real e deprimente. Na sequência, quando você não aguenta mais ver tanto sofrimento, aparece Britney Spears. Ela dá uma, duas, três mascadas no seu chiclete e diz, no melhor tom loura-burra que existe: "Eu concordo com as ações do presidente". Esta, meus caros, é a cena mais perfeita que já vi na história do cinema. Os melhores atores e atrizes do mundo jamais fariam melhor. Essa cena, sozinha, vale o ingresso. Se você estiver acompanhado, a cena onde Bush é informado que "o país está sob ataque" e não faz absolutamente NADA, paga o outro ingresso.

Destaque para o trabalho genial de Moore também na trilha sonora do documentário: parecia que Shiny Happy People, do REM, foi feita especialmente para a cena onde foi usada. Pena não terem legendado as músicas. E destaque para o bom humor do documentário: sim, você ri em Fahrenheit 9/11. Ri da irreverência de Moore. Ri para não chorar.

A saída do cinema, após o filme, foi silenciosa. Parecíamos todos que estávamos saindo de um enterro. Na verdade, parecia que todos haviam percebido o que o segurança do shopping, o que me abordou, percebeu: que somos marionetes de um sistema falido. Todos nós, não somente os americanos.

Em suma, tomando como cobaia eu mesmo, que nem sou tão político assim, me senti extremamente compelido a me alistar nas fileiras da turma "anti-bush". Se este é o objetivo do documentário, Michael Moore vai cumprí-lo com muita facilidade. Fahrenheit tem um conteúdo bombástico somado à edição simplesmente perfeita. Para dizer que eu recomendo muito, mas muito mesmo, transcrevo as palavras de Bethania:

"Nossa Zé... esse filme é uma relíqua... você vai baixá-lo da Internet né? Quero ver de novo..."

P.s.: Antes do filme começar, vimos o trailer de um tal filme chamado Cellular. É um clone do Por Um Fio, tem um assassino, um transeunte e um telefonema que nunca acaba. Só que o trailer foi, foi, e foi indo... e mostrando, e mostrando... até que o pessoal que estava sentado atrás de mim começou:

- Ei, mas tá mostrando o filme todo!!
- Putz, nem preciso ir ver o filme mais...

E, nessa onda anti-bush, acabamos tendo como brinde um "anti-trailer".

O Primo recomenda: Uma Saída de Mestre (The Italian Job)

2004-06-21 17:35:00 +0000

O Italian Job tinha tudo pra dar errado: é o típico filme de ação com ladrões ultra-tecnológicos, inteligentes e tão carismáticos que te fazem se esquecer que eles são ladrões e considerá-los como heróis. Além do mais, é um remake...

O roteiro era mais do que previsível e cheio de clichês: tem o clichê da vingança, o clichê do "plano mirabolante", o clichê da tensão sexual entre os protagonistas, o clichê da "frase que Fulano sempre repetia e que outra pessoa repete". Os atores também não são lá essas coisas, inclusive a Charlize Theron e o Mark "Bombado" Wahlberg estão bem ruinzinhos.

Mas, como aventurete e filme de ação, The Italian Job faz um excelente, hã, trabalho. Porque é diferente, bem feito, bem filmado, a trilha sonora é discreta e eficiente...

Além disso, as cenas de ação são muito boas, bem acima da média dos filmes do gênero, porque não focaram no estilo "explosão/barulho/velocidade" e sim em um excelente trabalho de dublês/pilotos/motoristas. A perseguição de lanchas nos minúsculos canais de Veneza é realmente impressionante. O helicóptero que entra dentro da garagem e "duela" com o Mini Cooper de Wahlberg é de tirar o fôlego: colocar um helicóptero voando dentro de uma garagem é loucura, e os caras foram lá e fizeram.

E o filme tem várias coisas legais, como por exemplo:

- Os "carrões" das perseguições automobilísticas são... Mini Coopers!

- Um dos personagens chama-se... Napster!! A história do nome é engraçadíssima. E o filme tem uma ponta de Shawn Fanning, o criador do Napster, fazendo o papel de si mesmo.

- No meio de uma cena (por volta de 1h28min. de filme), tem uma correria no meio da rua e, no meio da multidão... o Homem Aranha. É sério. Eu não entendi nada mas rachei de rir.

Se o que eu falei não bastou, fique com a crítica do Pablo Vilaça, que também elogia o filme. Eu recomendo.

O Primo quase recomenda: America's Army

2004-06-14 21:48:00 +0000

dois anos atrás eu fiz um "O Primo não recomenda", xingando o America's Army, que na época chamava-se US Army: Operations. As minhas queixas eram que o treinamento era ultra-chato e que, no fim, ainda tinha que ficar online o tempo todo pra poder fazer upload dos resultados (naquele tempo eu tinha uma conexão ISDN).

Aí outro dia eu vi que liberaram mais uma atualização para o jogo, que já chegara na sua versão 2.1. E resolvi dar uma nova chance a ele. Afinal, é de graça, e eu estaria usufruindo indiretamente do dinheiro do contribuinte norte-americano.

Por alguma estranha razão, me animei mesmo quando vi que precisaria baixar 740 MB para jogá-lo.

Continuei animado mesmo depois que, com 99% do download concluído, o "Army Downloader", um gerenciador de download horrível e em flash, deu pau, me acusou meu disco de estar cheio (tinham 12 GB livres) e me devolveu apenas 1 KB dos 739 MB baixados.

Não perdi a animação mesmo quando refiz o download mas esperei dois dias pra jogar porque o site oficial (onde você registra seu soldado) estava fora do ar e não estava aceitando "recrutas". Continuei animado depois que refiz todo o treinamento mobral.

Aí eu finalmente entrei no jogo, pra jogar mesmo. E destacaram-se alguns pontos muito bons, sendo o principal deles o realismo.

O máximo de realismo que eu havia visto num FPS de guerra era o que o Enemy Territory me dava. Mas no ET era tudo muito arcade. E tinha coisas que me irritavam, como por exemplo um sniper que dá um tiro na cabeça de alguém e esse alguém não morre. E o AA cobre não somente este detalhe realista como também vários outros que deixam a coisa muito interessante. Exemplos:

- Granadas explodem exatamente como granadas comuns, com quase nenhuma fumaça ou fogo. E o barulho (extremamente realista) da granada deixa um zunido nos seus ouvidos, caso ela exploda muito perto de você.

- Falando em barulhos, é assustador o barulho de balas voando perto de você. Elas fazem um "WHOOSH!!!" de arrepiar.

- O dano das armas é totalmente realista: tiros na sua perna não lhe matam mas fazem você se movimentar muito devagar. Por outro lado, tiros na cabeça são morte certa. E um ferimento é idêntico a um ferimento real: se não é tratado, faz com que você sangre até morrer.

- Quando alguém morre, ele não cai no chão sempre daquele jeito "cinematográfico". A animação é dinâmica. É como alguém que desmaia, o corpo amolece e a pessoa "desmonta" e cai no chão conforme a gravidade mandar. Seria bonito se não fosse tão tétrico e realista.

Até agora eu ainda estou aprendendo a jogar. Não conheço os mapas, morro rápido e passo a maior parte do tempo como "spectator". Mas continuo animado.

O Primo recomenda - Dolls

2004-05-27 04:12:00 +0000

Hoje à noite eu entrei na locadora para pegar um filme. Na prateleira eu já ia me decidindo por um dos filmes do Kubrick que eu ainda não tinha assistido quando, na TV da locadora, começa a tocar J-Pop:

"Ma-me-mi-mo-ma-ru, ma-me-mi-mo-ma-ru, Ma-me-mi-mo-magikaru..."

Na TV, uma japanese idol cantava para as câmeras de um auditório vazio.

- Que filme é esse?
- É Dolls, um filme japonês - respondeu a moça da locadora
- Ei, eu vi esse filme em cartaz mas não consegui assistir... tem ele pra alugar?
- Tem essa cópia aí que a gente tá vendo.
- Ah, então vou deixar vocês terminarem de ver, vou alugar outra coisa.
- Que nada! Pega esse filme mesmo, afinal ele está passando aí por marketing mesmo...
- Hmm... ok, então vou sucumbir ao marketing de vocês.

Eu não sei por que diabos eu quis assistir Dolls quando vi o cartaz no cinema. Mas sei que, depois daquela sessão de J-Pop, eu precisava ver aquele filme.

Agora que assisti posso emitir minha opinião, que é a seguinte: se todos os filmes de amor fossem como Dolls, o mundo seria um lugar melhor. Porque Dolls é um filme MUITO intenso e MUITO, mas MUITO bonito. Acho que este é o primeiro filme de amor que eu gosto.

Bom, na verdade é um filme sobre os excessos do amor.

Dolls é uma história excelente, magistralmente contada e com atuações perfeitas. E que mistura amores muito intensos com Yakusa, J-Pop e teatro de bonecos. Recomendo muito.

Coisas de destaque:

- Alguns argumentam que o diretor, Takeshi Kitano, fica tentando vender uma visão barata do Japão para o público ocidental. Na minha opinião ele filtrou o bom da cultura oriental que, naturalmente, fica muito interessante quando a confrontamos com a nossa.
- Dolls é um filme lento. Mas não se engane, porque a lentidão é proposital. É pra realçar a intensidade da repressão emocional dos personagens (putz). E pra envolver quem assiste. Funciona perfeitamente.
- O trabalho de direção e screenplay ficou excelente. Cada detalhe da história é contado na hora certa. O roteiro é genial, embora, paradoxalmente, as horas onde tudo é dito são as horas onde ninguém diz nada.
- Destaque para a cena de Nukui, o super-fã da cantora de J-Pop, dançando sozinho no seu quarto, com fones de ouvido. Aquilo sim que é cena de amor.
- Destaque mais do que especial para os grandes heróis do filme: os símbolos. A corda, as folhas vermelhas...

Curiosidades bestas:

- Quem canta a musiquinha J-Pop (uuuuuuultra-grudenta) que eu citei é uma japanese idol de verdade, chamada Kyoko Fukada.
- No Japão existem mesmo aqueles caminhões horrorosamente "tunados"!
- Toda vez que alguém entrava num carro eu pensava: "Ué, mas por que ele entrou do lado do passageiro?". Dois segundos depois eu me sentia um idiota.

Indicações

2004-05-17 04:51:00 +0000

Eu empolguei e desde a última sexta estou escrevendo este post... vou indicar três coisas duma vezada: um disco, um filme e um restaurante!

O Primo recomenda: The Books - Thought for Food

O mais legal deste disco é que é muito difícil descrever a sonoridade dele. Nenhum dos rótulos habituais parece se encaixar nele. Não é indie, não é eletrônico, não é acústico e é as três coisas ao mesmo tempo.

Mas todas as músicas são feitas tendo violões, guitarras acústicas, violinos ou baixos como base. Às vezes os violões são severamente picotados e sampleados, e em outras horas eles são tocados (quase) normalmente, em ritmo de blues ou pop ou folk.

Aí vêm os "temperos": os samples vocais. Este disco tem, sem sombra de dúvida, o uso mais criativo, dinâmico e interessante de samples vocais que já vi. Eles são naturais, curiosos, divertidos e inteligentemente posicionados. Por exemplo, a belíssima motherless bastard começa com as vozes de uma menina e um adulto conversando:

- Mommy? Daddy! Mommy?.. Daddy?.. Mom? Dad?
- You have no mother and father.
- Yeah I do!
- No! They left! They went somewhere else.
- No they haven...(ooh I hate you!)
- No, eh, I don't know you
- Dad...
- No, don't touch me, don't call me that in public.

Parece engraçado a princípio, mas conforme a música progride o mesmo sample é usado novamente, e soa completamente diferente...

Também em all your base are belong to them (os mais junkies de internet saberão facilmente de onde vem esse título), você ouve um countdown, depois aplausos, depois alguém diz:

- Oh, I was just clearing my throat...

E depois um "público" cai na risada. E você também.

Thought for Food consegue a proeza de se manter altamente interessante durante todas as faixas. Ele reinventa a música experimental sem ser pretensioso, e se dá muito bem nesse intento. Eu recomendo muito.

O Primo recomenda: Diários de Motocicleta

Eu fui ver este filme sozinho, já que estava sem carro, tinha acabado uma reunião de trabalho chatíssima e havia um cinema em frente o prédio onde eu estava. Do meu lado, no cinema, havia um gay escandaloso que, além de gritar durante todos os trailers, estava gripado.

Mas vamos ao filme... Diários de Motocicleta é, em resumo, a história de dois argentinos que planejam viajar toda a América Latina de moto. Os viajantes são Alberto Granado e Ernesto "Che" Guevara. O filme, dirigido pelo Walter Salles, foi inspirado nos livros que ele e seu parceiro escreveram durante a viagem.

Só por isso o filme tinha tudo pra dar errado porque as armadilhas eram muitas: ele podia facilmente se tornar só uma "vitrine" pras paisagens da América Latina, ou ficar "revolucionário" demais se focasse muito na construção do caráter do líder Che Guevara, ou pecar pelo inverso disso e esquecer completamente este aspecto e virar só uma sucessão de "causos" bobos da viagem. Mas a direção inteligente fez com que todos estes aspectos fossem trabalhados com muito equilíbrio. Ponto pro Walter Salles.

As partes engraçadas se alternavam com as sérias de um jeito muito apropriado. Os diálogos também foram muito bem escritos. Destaque para a genialidade de um dos diálogos, onde Guevara (apelidado de Fuser pelo seu amigo Alberto), de carona na boléia de um caminhão, observa os olhos de um dos "passageiros": uma vaca que ele quase atropelara minutos antes. Ele vira para o dono da vaca e diz:

- Esta vaca está ficando cega.
- E daí? Ela só vai ver merda mesmo... - responde o vaqueiro.

Aparentemente sem sentido, estas duas frases apontam discretamente para o caráter de lider revolucionário de Fuser. Inclusive, os "olhos" têm papel muito importante no filme e foram mencionados por ele em vários momentos. Pena que nessa hora o público não pareceu entender, porque começou a rir.

Inclusive, uma coisa que me irritou foi o comportamento do público no cinema: nas cenas do leprosário de San Paulo, na Amazônia peruana, o público ria quando apareciam os leprosos, justamente nos momentos onde Guevara estava mais sensibilizado a questões como igualdade e segregação. Não cometa este erro e perceba que Diários de Motocicleta vai mais fundo do que parece. Eu recomendo.

O Primo recomenda: Cantábria

(Obviamente, esta recomendação só vale pra quem, como eu, mora em Belo Horizonte)

Na sexta eu e Bethania resolvemos jantar em Macacos, uma micro-cidadezinha a alguns quilômetros de BH. A cidade estava deserta e os restaurantes de lá, também. Aí entramos num deles, chamado Cantábria.

Não havia ninguém no restaurante; só nós, a garçonete, o chef e a melhor moqueca de surubi que já comi em toda a minha vida! Some a isso o ótimo atendimento e o ambiente simples e agradável e você ganha uma recomendação d'o Primo.

Pode ir lá com sua namorada que é garantido. Bom, pelo menos a comida eu garanto, já o que você vai fazer com sua namorada é por sua conta...

O Primo recomenda não recomenda assistiu: Van Helsing - O caçador de monstros

2004-05-06 18:18:00 +0000

Eu nem sei direito o que eu comento desse filme. Vou ficar só nos highlights.

- Eu achei que o filme era do mesmo diretor d'A Liga Extraordinária, porque os filmes são, esteticamente, iguaizinhos.

- Em 90% das cenas parece que você está assistindo um videoclipe. Principalmente nas cenas com Drácula e suas "Draculetes", as noivas. Parece um clipe do Type O Negative.

- Dracula tem três noivas e já fez milhares de "filhos" com elas. Mas ele, com toda certeza, é gay.

- Foi só eu que fiquei incomodado com as orelhinhas pontudas dos lobisomens?

- Não podia faltar: O microfone aparecendo! É na cena da Anna Valerious com seu irmão depois da luta na, er, "carruagem de fogo". Alguém podia me explicar por que diabos ela pegou fogo, né!

- O filme é cheio de "forçadas roteirísticas" para amarrar a história. Eles entram no castelo do Drácula, vão para lugares distintos do castelo, separados por alguns quilômetros (de acordo com o que vimos nas inúmeras tomadas aéreas do castelo), mas levam apenas 2 minutos para atravessar toda essa distância e salvarem uns aos outros.

- Além disso, a forma com a qual eles descobrem o Frankenstein (?!) é ridícula: "Vamos tomar um absinto?" "Vamos". Aí o chão se abre e eles simplesmente caem na casa dele.

- Falando em Frankenstein, vale notar que ele lê a Bíblia e recita o Salmo 22: "Ainda que eu ande pelo vale da sombra e da morte..."

- Ponto positivo para o ex-Faromir, agora frade-cientista, o Carl. Muito engraçado.

- A cara da Anna quando ela agarra a seringa com o antídoto, no finzinho do filme, em pleno ar, é inesquecível. Aplauda no cinema, porque merece.

- Falando em Anna, note que ela só sangrou UMA vez o filme todo, embora tenha sido jogada contra paredes, caído de telhados e rolado de penhascos de formas que nenhum ser humano resistiria. Deve ser aquele espartilho que ela usa.

Filmes! Filmes triplos!

2004-04-10 03:10:00 +0000

E os cinemas continuam lucrando com minha vida de solteiro. Os últimos três filmes que vi na telona foram:

Zemsta - A vingança

Acabei vendo este filme de graça, numa mostra sobre o Roman Polanski (ele atua no filme) que estava tendo no Cine Belas Artes. Consequentemente, tive que esperar quase uma hora e meia pra pegar o ingresso e entrar. Depois, a projeção do filme deixava as legendas num nível MUITO abaixo da tela, então você precisava fazer um balé com a cabeça pra poder lê-las. Além disso, as legendas não estavam muito em sincronia com o polonês falado no filme, e devido a época em que a história se passa, o português usado na legenda foi bem erudito, o que dificultou bastante a vida.

E no fim de tudo, Zemsta nem é realmente um filme. É uma peça de teatro contada como filme. Algumas falas são rimadas, a marcação de cena dos atores é como se eles estivessem num palco, e em alguns momentos os personagens até olham pra câmera e fazem aqueles comentários estilo "pensando alto", para o espectador.

Mas depois que você entende onde diabos amarrou a sua égua, Zemsta é uma ótima peça. Destaque para Polanski, no papel de Papkin, que faz um tipo divertido e carismático. Outro destaque é a história, que dá reviravoltas geniais e perspicazes a todo momento.

O declínio do império americano

Este filme é a maior coincidência...

Sabe tudo o que eu reclamei que o Ken Park não tinha? O Declínio tem. Os filmes seguem exatamente o mesmo caminho: uma vidinha suburbana que esconde mistérios inacreditáveis e comportamentos bizarros de seus personagens, principalmente no tocante ao sexo.

Mas a grande diferença é que O Declínio baila com maestria e graça por sobre o tema, abordando-o com toda a classe, discrição e inteligência que faltou ao Ken Park.

Destaque para a criatividade das histórias e a profundidade e carisma dos personagens. Mas o melhor é que eu não precisei ver nenhum p** duro pra que fosse mostrada a realidade das coisas. Ponto para o diretor, Denys Arcand.

O Declínio é imperdível. Mal posso esperar pra ver As Invasões Bárbaras agora.

A Paixão de Cristo

Bom, para este filme eu deixo o Pablo Vilaça falar por mim.

Concordo com tudo que ele escreveu. Inclusive a parte que mais me comoveu no filme foi a mesma para ele, a que Maria vai consolar Jesus na via crucis e se lembra dele quando menino. Eu, o homem-pedra, quase chorei.

Além disso destaco algumas outras coisas:

- As falas em latim, dos romanos, tipo o Pilatos dizendo: "Ecce homo!" (eis o homem!). Muito legal. Deviam fazer mais filmes com falas em latim.
- Monica Bellucci como Madalena. Não podiam ter escolhido atriz melhor para o papel da ex-prostituta, já que uma das suas características mais marcantes era a beleza física.
- Inclusive tem um problema aí. Os evangelhos não falam que Madalena era a mesma mulher que Jesus salvou do apedrejamento. Nos evangelhos, esta última é chamada apenas de "a mulher adúltera".
- O Diabo. Tirando a última cena onde ele aparece (pra quê aquilo?), a forma com a qual ele foi colocado no filme foi muito boa. Por sinal, o diabo é "a" diabo e eu nem notei...
- Os flashbacks da vida de Jesus como carpinteiro, ainda jovem e fazendo brincadeiras com a mãe.

O Primo NÃO RECOMENDA DE JEITO NENHUM: Ken Park

2004-04-09 06:59:00 +0000

O primeiro diretor que me mostrou que sexo e violência podem ter um fim útil num filme foi Stanley Kubrick, em Laranja Mecânica. Nele há uma cena especialmente forte, onde Alex e seu grupo de drooges invadem uma casa e fazem de refém um casal. A mulher do casal é, então, violentada enquanto Alex canta "Singing in the rain".

É uma cena muito forte, mas especialmente bem colocada; mais à frente somos levados à questionar o que seria mais violento, se seria este estupro ou a lavagem cerebral que fizeram em Alex. Além disso, o caráter extremo de todos os personagens de Laranja Mecânica serve para dar um clima de loucura extremada no mundo onde o filme se desenrola. Em suma: todas as cenas fortes servia a um propósito.

Em Ken Park as cenas são muito fortes, e eu só consigo imaginar duas finalidades para isso:

- Retratar a realidade de forma nua e crua
- Contrastar com a vidinha aparentemente suburbana e normal dos personagens

Quando um filme se propõe a retratar a realidade, o mínimo que se espera é alguma surpresa. Ken Park retrata uma "realidade" tão previsível que dá preguiça.

O filme começou e um dos garotos, Claude, estava ajudando o pai enquanto ele levantava pesos e se gabava dos seus músculos. "O pai dele é gay e vai tentar alguma coisa com ele", foi a primeira coisa que pensei. Bingo.

Depois, Shawn vai até a casa de Rhonda, uma mãe de família, e eles transam. Depois, Rhonda começa a perguntar da namorada de Shawn e eu pensei: "O Shawn namora a filha da Rhonda". Bingo.

Aí aparece o lar super-católico de Peaches e seu pai, viúvo. Peaches é a cara da mãe. "Peaches dá pra todo mundo e o pai vai molestá-la por causa da fixação com a esposa finada", pensei. Essa conta como um acerto parcial pra mim, porque o pai dela não a molestou; só a vestiu de noiva e "casou-se" com ela.

Em suma, todos os personagens são tão profundos quanto poças d'água. Também tinha o detalhe que todos eles usavam drogas, mas isso ia ser tão manjado que nem teve muito destaque no filme.

Aí só resta a opção das cenas fortes servirem pra contrastar com a vidinha suburbana dos personagens. O problema é que as cenas são MUITO fortes e obliteram todo o resto. Temos cenas de masturbação real (uma delas com esperma e tudo), temos sexo oral real, temos pênis totalmente à mostra, eretos, e por aí vai.

Aí fica todo mundo: "OOOHH", o filme vira polêmico, é banido em alguns países, consequentemente ganha destaque na imprensa e, bingo, Larry Clark, o diretor, aparece. Porque é isso que ele quer. Ele, inclusive, faz uma ponta no próprio filme como vendedor de cachorro-quente.

E de repente, tudo acaba. No fim de um bom filme você normalmente discute a história com os amigos, fica pensando no que viu, ou fica só extasiado com a beleza artística da coisa. Eu terminei de ver Ken Park e a única coisa que veio na minha cabeça foi: "Eu vi um bando de skatistas trepando". E só.

Pode passar longe desse filme. Não perca duas horas da sua vida com isso. Se você quiser assistir o filme porque ele é "picante", vá direto à prateleira dos filmes pornô. Dá no mesmo. Se você quer ver é sexo bizarro, ora bolas, você já está na Internet, o paraíso do sexo bizarro. Mas se você quer um roteiro decente, até Missão Impossível é melhor. Vá por mim.

Filmes

2004-04-06 04:48:00 +0000

Agora que todo mundo já riu bastante, posso terminar o review do filme do Kubrick, porque consegui terminar de ver.

Dica: se você for mulherzinha como eu, abaixe o som da TV e não use fones de ouvido que aí fica possível assistir. Mas vamulá:

O primo (continua) recomendando: O Iluminado

Bom, o que mais dá pra comentar sobre esse filme? Vamos aos destaques então:

- Todas as cenas com o Danny, o menino. Excelente atuação, você lê o medo no rosto dele. Mas a melhor é a cena com ele, a faca, o batom e o Redrum...
- Por sinal, alguém explique o pessoal que faz legendas que fica difícil ler "otanissassa" em um décimo de segundo.
- Os decoradores de cenário de Kubrick. Às vezes eu passo mais tempo olhando pra decoração do cômodo onde alguém está do que na cena propriamente dita, tamanho o cuidado com os detalhes. Acho que o Stanley tem uma obsessão com limpeza, simetria e equilíbrio de cores. Só pode.
- Os detalhes assustadores. As gêmeas, quarto 237, história dos três porquinhos, "all work and no play makes Jack a dull boy", e por aí vai.
- O nome do ator que fez o Dick Hallorann, o negão cozinheiro. Como é que alguém pode se chamar Scatman Crothers? Mistura do Scatman John com os Chemical Brothers?
- A foto do final do filme. Maldito Kubrick, ele fez de novo.

Agora, nos extras do DVD tem um documentário sobre os bastidores do filme, filmado pela Vivian Kubrick, filha do Stanley. Só esse imperdível documentário merece mais uma pá de destaques:

1) Jack Nicholson antes da cena com o machado. Ele entra no set assobiando calmamente, olha pra Shelley Duvall e fala, na maior normalidade do mundo:

- Que é isso aí, sal?

E aí começa a "entrar" no personagem, dando pulinhos e dizendo:

- Come on, you fucking fuck! Come on, death to pussy! COME ON! HA HA HA! KILL FUCK PUSSY DIE AXE DEATH YEAH!

Eu dei cambalhotas de tanto rir.

2) Danny Lloyd dando entrevista: "Só quero ver o que meus pais vão comprar pra mim com toda essa grana do filme"

3) Scatman Crothers (mas que nomezinho, viu) chorando e mencionando o Senhor (é, ele mesmo, o cara lá de cima) ao dar entrevista. "I'll never forget this"...

4) Kubrick descobrindo que o melhor ângulo de câmera para uma tomada é... no meio das pernas de Nicholson.

5) Kubrick quebrando o pau com a Shelley Duvall... de propósito, conforme ela mesma conta no final do documentário.

6) Os preparatórios pra cena do baile. Aquilo deu um trabalho danado.

Em suma, o primo obviamente recomenda. Mas com reservas. Lendo umas resenhas na Internet eu descobri uma pá de gente que até hoje tem medo. Tem um que disse que nunca conseguiu tomar banho de banheira depois do filme. Bom, você foi avisado.

Filmes

2004-04-05 04:21:00 +0000

Estar solteiro num domingo é horrível. Como álcool ou drogas não são uma opção para amenizar as coisas, eu acabo fazendo uma sessão tripla de DVDs.

Modéstia à parte, hoje eu fiz uma bela seleção de filmes. Vejamos:

Filme 1 - Das Experiment (A Experiência)

Primeiramente, não é a experiência que você está pensando. Foi sugestão de um amigo, formado em psicologia. É um filme alemão, com o mesmo nome, e baseado na famosa experiência da prisão de Stanford, onde um grupo de voluntários foi colocado para representar o papel de prisioneiros e guardas numa prisão fictícia.

Eles deveriam ficar neste "Big Brother" por duas semanas. Dois dias depois a coisa já começou a dar problema. Rebeliões, guardas sádicos e tudo o mais. Seis dias depois, a experiência foi encerrada por uma série de fatores. Um deles foi o fato dos próprios pesquisadores começarem a perder a noção de realidade e se acharem realmente diretores de um presídio, tamanha a imersão que a experiência proporcionou. No filme o final é outro, mas pelo que li no site oficial, o roteiro é muito fiel ao que aconteceu.

Estrelado pelo ótimo Moritz Bleibtreu, o mesmo de Lola Rennt (Corra, Lola, Corra), Das Experiment vale pela profundidade da história e dos personagens, e o quanto seus aspectos psicológicos ganham proporções conforme a experiência continua.

Destaque para a overdose de homens pelados, que felizmente foi compensada pela bela Dora (Maren Eggert), e pelo excessivo consumo de cigarros.

Filme 2 - Fargo

Fargo é um filme que conseguiu, espantosamente, unir o estilo "thriller" com comédia. Uma hora você está rindo dos caipiras do filme, na outra você vê um criminoso assassinando a sangue-frio.

Baseado numa história real (que coincidência, igual o Das Experiment), Fargo leva o nome da cidade natal de Jerry Lundergard, um vendedor de carros que planeja um sequestro fajuto da esposa para, com isso, ganhar o dinheiro do sogro. Mas o que é baseado na história real é apenas o aspecto "thriller" do filme. A parte comédia é trazida pela excelente atuação dos atores.

Um exemplo cômico é a Xerife Marge entrevistando duas prostitutas. O que se vê é um bando de caipiras conversando:

- Mais ié mess?
- Poizé!
- Mais num é que é...

Vários outros detalhes do filme acabam sendo engraçados, mesmo nas horas trágicas, violentas ou grotescas. Destaque também para a trilha sonora; a música-tema é muito boa. E tem também a fotografia, belíssima, ora explorando a beleza da neve e do inverno, ora exibindo a vida de jeca dos personagens. Há momentos que são verdadeiros quadros, mais notadamente as cenas com carros, na estrada ou nos pátios nevados dos estacionamentos.

Ponto para os diretores, os irmãos Joel e Ethan Coen, que fizeram um trabalho magistral neste filme. Gênios, os dois.

E aí, no final da noite, botei os dois filmes pra brigar com Stanley Kubrick, o diretor que mora no meu coração (de uma forma não-homossexual, é claro):

Filme 3 - O Iluminado

"Mas coomo assim, você, que baba um ovo danado do Kubrick, nunca tinha visto O Iluminado???", vocês devem estar se perguntando.

Verdade, nunca tinha visto. É que eu costumo reservar uns filmes que eu sei que com certeza serão excelentes para momentos de emergência, como este domingo. Ainda tenho no meu buffer alguns filmes do próprio Kubrick, outros do David Lynch...

O Iluminado é baseado num romance de Stephen King. O que fica bem óbvio logo no começo, já que a história é o super-clichê do terror: tudo passa num hotel distante, nas montanhas. Diz a lenda que o hotel foi construído sobre um cemitério indígena. O antigo zelador enlouqueceu e matou a sua família, composta pela mulher e duas filhas, a machadadas. E é pra lá que Jack Torrance (Jack Nicholson) vai trabalhar, com a mulher e o fillho...

E aí você tem os commodities de Kubrick (a maravilhosa fotografia, as tomadas de câmera, os cuidados com o som) somados a um roteiro assustador de Stephen King. Mas faltava uma coisa que sempre fica a critério do diretor: como dar forma ao suspense?

A resposta em O Iluminado é uma só: música.

É manjado falar da música dos filmes de Kubrick, que normalmente tem quase um papel próprio, e compõem as cenas como uma luva. Mas no caso deste filme, a música é tudo. Desde a abertura do filme, o fly-by sobre o carro de Jack que se dirige ao hotel... eu já comecei a sentir medo a partir desse ponto.

Uma curiosidade de cair o queixo: Wendy Carlos, que compôs a trilha do filme, também compôs a trilha do excelente Laranja Mecânica, ambos em parceria com Rachel Elkind. Só que nos créditos do Laranja você vai ler que a trilha foi composta por Walter Carlos, e não Wendy. "Como assim, ele mudou de sexo, é?", você se pergunta.

Mudou sim. Em 1972, W.Carlos fez uma operação de mudança de sexo! Dê uma sacada no site oficial de Wendy e olha a cara do(a) sujeito(a).

Problemas sexuais à parte, a trilha sonora é muito, muito angustiante. Todo o medo que não dá pra ser passado pela atuação dos personagens está contido na música. E o mais fantástico em relação à isso é que dá pra usar a música pra adicionar medo à cenas onde seria impossível sentir medo. Imagine, por exemplo, a primeira cena do labirinto (a com Wendy e Danny), sem a música.

A coisa é tão sufocante e assustadora que, er, bem... que eu cocotei como um fraco e não terminei de assistir o filme todo.

Pô, mas já passa de meia-noite, tá todo mundo dormindo, e para quebrar a escuridão só a luz da tela do notebook! Mas amanhã eu termino de assistir e finalizo este review. Enquanto isso, fiquem aí rindo de mim.

O Primo NÃO recomenda: SOS Notebooks

2004-04-02 19:31:00 +0000

Outro dia eu estava ouvindo música no notebook, com fone de ouvido. Aí me levantei da mesa, o fio estava enroscado na minha perna e "THWAAANG", deu um puxão. Resultado: o plugue do fone de ouvido quebrou.

Levei o notebook num lugar chamado SOS Notebooks. Cheguei lá, uma moça me atendeu. Perguntei a ela:

- E em quanto tempo vocês consertam isso?
- Ah, normalmente a gente pede 48 horas só pra fazer o orçamento... mas como seu problema é simples deve ficar pronto mais rápido...

Agradeci e fui embora. 24 horas depois, como ninguém me contactou, liguei pra lá pra saber como estava o conserto. Disse a menina:

- Olha, o pessoal aqui consertou, mas o problema voltou, aí tão olhando de novo... mas parece que já tá pronto.

Pensei comigo o clássico "WTF?!", mas resolvi ir lá depois do trabalho pra ver como estava. O dono do lugar, chamado Cláudio (nome verdadeiro), trouxe o computador. Peguei meu fiel fone de ouvido, pluguei no lugar para testar.

O plugue estava bambo do mesmo jeito. Se eu não segurasse, o plugue do fone de ouvido caía do lugar. E o som era intermitente, estava com mau contato. Basicamente, foi como se eles não tivessem feito absolutamente nada no computador.

- Mas peraí Cláudio, tá do mesmo jeito... olha.
- Ah... é esse plugue do seu fone de ouvido que é diferente.

Eu caí na gargalhada na frente do cara.

- Meu caro... isso aqui é padrão, não existe este plugue P2, de fone de ouvido, de tamanho diferente! Quer testar? Liga aqui no meu discman e olha a diferença do "encaixe"...

Então ele desistiu de me enrolar, virou pra menina que conserta os notebooks (uma pré-adolescente com cara de gótica que faz curso técnico) e falou com ela: "Conserta isso aqui, amanhã de manhã, primeira coisa."

No dia seguinte, ninguém me telefonou pra falar do notebook. No final do dia liguei pra lá novamente. A menina atendeu e falou:

- Olha, só falta fechar o seu notebook, já tá pronto...
- Ah, ótimo, vou passar aí.
- Não, mas, er, amanhã de manhã a gente te entrega, eu mando um motoqueiro aí entregar pra você.
- Ué, mas não é só fechar e entregar pra mim?
- É, mas a nossa técnica aqui faz faculdade e já são 18 horas e...
- Tá, tá, amanhã de manhã... a que horas vocês abrem? Eu preciso desse computador pras 9 da manhã, tenho reunião.
- A gente abre por volta de 8:30, aí a menina fecha o notebook e eu mando o motoqueiro aí.
- Hmm... então tá. Mas até agora vocês não falaram do valor do conserto.
- Ah, isso é com o Cláudio, mas não fica em mais de 100 reais não.
- QUÊ?!
- Er... mas amanhã você pode conversar com ele, aí explica que foi um serviço simples e tal.

Desliguei o telefone já pensando no pior. Cem reais, ela devia estar brincando. E só depois eu me toquei pra um detalhe: como diabos eles iam mandar um motoqueiro me entregar o notebook se não sabiam o meu endereço?

No dia seguinte, liguei pra lá das 8:35 até as 9:10 da manhã, e tive conversas agradabilíssimas com o sinal de fax da loja. Fulo da vida, deixei meus colegas irem pra reunião (na qual eu deveria estar) e fui pra lá resolver o problema de uma vez por todas.

A recepcionista falou:

- O Cláudio já está vindo. Ficou em R$ 90 o seu conserto.
- NOVENTA reais? - Respondi com os olhos arregalados
- É... mas, o Cláudio tá vindo aí.

Depois de levar um chá de cadeira de meia hora, aparece um moleque, que me entrega o notebook e um fone de ouvido, para teste. Testei e, finalmente, estava OK, firme no lugar e tal. Na sequência aparece o Cláudio, todo "amigo", perguntando onde eu comprei o notebook e tal. Aí fui direto ao ponto.

- Vem cá. Você consertou o plugue do fone de ouvido e quer me cobrar R$ 90 por isso?
- É a nossa mão de obra... é que teve que fazer umas "trilhazinhas" na placa...
- Olha, esse serviço seu não vale R$ 90 de jeito nenhum. Além do mais, vocês tinham que ter me dado um orçamento ANTES de fazer qualquer coisa no notebook...

Cláudio fez sua melhor cara de bunda e falou:

- Você quer que desfaça o serviço?

Eu continuei:

- E não é só isso: vocês não cumpriram nenhuma das promessas de prazo que fizeram, ninguem sequer me deu um retorno em...

Aí o Cláudio fez um upgrade na sua cara de bunda, transformando-a em "cara de bunda arrogante", e falou:

- Quer saber? Toma o seu notebook. Pode levar.

Resultado final: dois dias depois consertaram meu notebook, não paguei nada por isso, e eu não recomendo de forma alguma a SOS Notebooks. Pronto, falei.

O Primo recomenda: Extermínio

2004-02-16 14:56:00 +0000

Toda vez que eu ouvia Godspeed You Black Emperor, banda que eu insistentemente menciono aqui no blog, eu entendia perfeitamente a mensagem da música: uma angustiante sensação de vazio. Essa sensação é "tocada" com extrema maestria pelas guitarras e violinos dos geniais músicos canadenses do Godspeed.

Quando Jim (Cillian Murphy) acorda no hospital, após um longo período desacordado, ele não vê ninguém. Não ouve nada. Nas ruas, não há ninguém.

Para o meu mais completo deleite, a primeiríssima música a ser ouvida no filme, enquanto Jim anda perplexo pelas ruas desertas de Londres, é East Hastings, do Godspeed You Black Emperor. E o filme ganhou seus primeiros pontos comigo: uniu a cena perfeita com a trilha sonora perfeita.

Eu não esperava isso do filme. Achei que ia ser simplesmente um filme básico de zumbis. E o que menos se destacou no filme foram os zumbis, ou os "infectados", como são chamados. E o que mais se destacou no filme foi a profundidade psicológica dos personagens e a forma com que eles lidavam com o aparente "fim do mundo".

Destaque para a bela fotografia (eu ainda estou me perguntando como diabos eles fizeram para filmar as cidades vazias) e para os cuidados com o roteiro. A falta de eletricidade, por exemplo é levada a sério e não é contornada com nenhum argumento estúpido para facilitar a vida dos protagonistas. Destaque também para o diretor, Danny Boyle, o mesmo do horrendo filme A Praia.

Extermínio tinha tudo para ser um filme hollywoodiano típico, com zumbis, explosões e heróis. Extermínio relegou os zumbis e explosões para o segundo plano, destacou os protagonistas como simples seres humanos, carentes e assustados, e o seu heroísmo não era medido pela quantidade de zumbis que matavam, e sim pela bravura em não se deixarem levar pelo desespero.

Reviews

2003-11-27 15:17:00 +0000

Em homenagem aos velhos tempos...

Reviews Aleatórios de Blogs Randômicos

Hoje teremos blogs atualizados a medida que escrevo este post...

Professor Marvel - Achei que o blog ia ser em português, mas não... é em inglês e, melhor ainda, é um blog usado por um professor de "Computer Applications" para passar as tarefas para a turma...

Graças a Deus eu não sou aluno dele. Os assuntos da aula dele são, nessa ordem: HTML, GIFs animados, animações customizadas no Power Point... affe!!! Não me admira os americanos serem uns burraldos.

Net Pulhas - O blog começou com umas tirinhas de jornal esquisitícimas, falando de um estádio que nunca ouvi falar. Aí comecei a prestar atenção no português... e vi que este é um blog português. Não brasileiro, português, de Purrtugall... aí, cansei.

Muliqua - Saco, outro blog em inglês. Cheio de coisitas mangá. Fora isso, a primeira frase que li foi:

"omg!! u guys are sooooooo annoying!!..."

Isso em português daria algo como:

"Kras! Tipo assim, cs são muuuuitu xatu!!!"

Aí, cara, tipo assim, eu não quero mais ler esse blog. E decidi apelar pro Blogger nacional, pra pegar blogs aqui da terrinha.

Blogo, logo existo - E essa aí ganhou o prêmio de "trocadilho mais criativo". Então, já que você existe, vamos ver se a existência dela presta.

A nossa amiga tem 22 anos e faz faculdade de história. E ela ama o namorado. Muito, já que ele aparece em quase todos os posts. O engraçado é ela reclamando que ele nunca faz elogios. E que ela tem que ficar fazendo artifícios pra arrancar algum elogio dele.

Cada vez mais eu fico achando que, pra muitas mulheres, o importante é viver uma ilusão romântica. Tipo, o cara tem que fazer um elogio pra ela, pra que tudo se encaixe nas fantasias que ela espera. E aí a maior parte do esforço da mulher na relação consiste em criar as "situações fantasiosas" que ela sempre quis vivenciar, como por exemplo uma noite romântica na praia ou um comentário específico num momento específico...

Compliquei mais que expliquei, mas tudo bem.

Sei lá - Hmm, um indeciso. Vejamos:

"OI GENTE , RESOLVI ACABAR COM ESSE BLOG !! VOU FAZER DELE ARQUIVO DE PIADAS QUE RECEBO POR EMAIL..."

O_o

Norton, pra me salvar, manda no MSN uma sugestão:

Trabalho Sujo - Ahh!! Layout bonito!! Finalmente, agora até deu vontade de ler. Vejamos.

Hmm, o blog fala de música "descolada", animes, e o cara escreve pra revista "Volume 01". Ele só não devia ter traduzido "what's the point" como "qual é o ponto"...

No final, é um blog descolado e pá, mas, sei lá, acho que não animo de voltar lá não. Prefiro ler o Lúcio Ribeiro.

Complicadinha sim, e daí? - Bom, pelo menos a garota tem atitude.

Os posts são cheios de emoticons, o português é, felizmente, normal, e ela escreve horrores sobre assuntos polêmicos, como cotas para negros em universidades e o caso do Michael Jackson. Por sinal, esse GIF animado de lá me fez rir.

Palavras descalças - Pelo título e layout, é um blog surrealista...

O primeiro post é um poema. Acho que quem escreve poesia no blog devia pensar que isso é o equivalente digital a cena que descrevo abaixo:

- Oie oie! Olha, fiz um poema!

- (Ai meu deus...)

- Quer ler? Quer ler? Olha, olha!

- Hmm... tá, dá aqui.

(leitura, leitura, leitura)

- É, legal

- Não, mas fala aí, gostou? Ou não gostou??

- Ah, legal e pá.

- Ahhhh cê num gostou!

- Não, sô, gostei sim (ai meu saco)

- Ahhh intão tá!!!! :))))

A diferença é que você não vê a cara de "que saco" de quem tá lendo. Se eu quiser ler poesia eu pego um livro da Cecília Meireles, pô.

O próximo post é falando da declaração da Hebe sobre os assassinos lá do casalzinho lá. Olha... gente, façam como eu, a Hebe é uma falha na Matrix, deixem ela pra lá...

Num ímpeto de boa vontade decido dar mais uma chance ao blog e leio o post seguinte:

"Agora nada de amor, nada de excitação, nada disso. Vamos aqui passear. Sabe que aconteceu? Quebrei minhas sandálias vindo pra cá."

Ok. PRÓÓXIMOO!!

51 da PatKaori - Layout legalzim, vejamos:

"Não estou nem acreditando! Ganhei meu primeiro award!!!!! Foi do Blog nota 10."

Putz, até me deu esperança desse blog, pelo menos, ser legal, porque a coisa aqui tá brava hoje.

Mas após uns 2 segundos de leitura, a visita já valeu o boi só por ESTA IMAGEM linkada que ela tem lá:

CruSSificados!!!! Genial, é como estes "reviews aleatórios", mas descendo o pau no português estilo "dexa us comentárius!!!" e no conteúdo imbecilóide da maioria dos blogs. Lindo, simplesmente lindo. Eu até botaria o GIF deles aqui nesse blog, mas tou meio sem tempo de fuçar o template.

Tive que me forçar a parar de ler o CruSSificados pra voltar pro blog da PatKaori. Vamo lá...

Além da "parte social", de ficar respondendo todo mundo e dando explicações pra todo mundo sobre o por que não botou "post especial de aniversário" pra sei-lá-mais-quem, Kaori (?) teve uma idéia interessante: fazer um jogo da verdade pela internet.

Pena que muitas respostas são ilegíveis, tipo essa:

"putyx, a kixa maix bixxara ke eu jah fix exxe anu foi.........komexar a enxer u xaku di um guri ke eu nem konhecia, axandu ke era um amiku meu, ve c pode!!!!!!! "

Mas teve uma pergunta que eu até ia gostar de responder: "O que passa pela tua cabeça quando tá beijando alguém pela primeira vez?"

Na minha passa isso aqui: "!!!!"

Exatamente isso, exclamações. Vai entender.

Mas, no fim das contas, Kaori salvou o dia e foi o único blog aprovado no meio deste review. Palmas para ela.

Miiister Andersonnnn...

2003-11-06 12:43:00 +0000

Ontem à noite eu vi o Matrix Revolutions...

Eu me impus um isolamento voluntário do máximo de informação sobre o filme, pra tentar não estragar as surpresas... mas só os trailers que vi acabaram entregando muita coisa. Se eu não tivesse visto o último trailer, o que tem aquela máquina "espinhosa" conversando com o Neo, o filme seria no mínimo três vezes melhor.

De qualquer forma o filme é ótimo... quando apareceu a Persephone (foram só uns 3 segundos) meu ingresso já estava pago.

Por sinal, a sinopse do filme que está (estava, sumiu) no site de cinema do portal Uai é inventada e, simplesmente, hilária. Olha só como ela começa:

"Ao invés de utilizar Agentes comuns, as Máquinas resolvem utilizar Vírus, que lutam kung fu em gravidade zero..."

No Matrix Essays, blog famoso de comentários sobre o Matrix, ainda não tem nada sobre o filme novo. Mas tem um comentário interessante sobre a cena (que tem no trailer) onde Neo acorda junto de uma menina, numa estação de trem, branca, onde na parede pode-se ver "Mobil Ave". "Mobil" é um anagrama de "limbo"...

Foi uma coisa horrível o fato da atriz que faz o Oráculo ter morrido entre o segundo e o terceiro filme. Tiveram que mudar a atriz. Morpheus e Trinity estranham a nova cara do Oráculo no filme, e os irmãos Wachowsky são bem diplomáticos no roteiro. A oráculo nova responde: "Não tem um jeito fácil de explicar isso..."

Um review do site da BBC desceu o pau no filme. Eu acho que o cara não entendeu de verdade o filme, mas ele tem razão em alguns argumentos. Um deles é o das "cenas com personagens menores que entulham o filme e atrapalham a ação".

Já o Indianapolis Star (link sumiu, desculpem) foi mais neutro, com comentários espirituosos, como o "tênis verbal" entre Neo e o Oráculo ou comentários sobre Morpheus, que virou "só um blip no radar". Ou o melhor deles: "quando Neo chama (Trinity) de Trin, não soa bem". Agora, quando a "Trin" chama o Merovingian de Merv...

O Primo recomenda: Donnie Darko

2003-11-01 22:32:00 +0000

Assisti Donnie Darko sem a menor noção do que esperar. Não li nada sobre o filme, só elogios no fórum da HardMOB e comentários de que tinha um roteiro maluco, estilo Amnesia... então baixei pra ver.

O roteiro não é maluco, é genial! Mas tão genial que precisei ler um pouco na Net pra entender o filme. Talvez se eu assistisse o filme novamente, eu até entenderia sozinho... porque muito da história está em coisas comuns e corriqueiras que os personagens falam e que parece não ter importância. Um exemplo é Donnie, quando diz: "Estou contente pela inundação de hoje na escola. Porque senão nós nunca teríamos tido essa conversa". Lembre-se do que estou dizendo quando estiver assistindo.

Pra coroar o filme entre meus favoritos, também teve coisas que gosto muito, como a belíssima fotografia, simples, urbana e bela, e a trilha sonora nota 10: coisas dos anos 80... pra você ter uma idéia, o filme abre com Killing Moon, do Echo and the Bunnymen... (Putz, só agora notei, Bunnymen...). É um filme onde, sem exagero, tudo está lá por uma razão...

Enfim, não vou falar mais nada. Só falo que o filme é imperdível. Ah, para uma experiência ainda mais fabulosa, logo que terminar de ver o filme, vá no site oficial... pela primeira vez usei um site 100% em Flash e gostei.

Update: Quase me esqueci de falar... além de tudo, o filme discute a sexualidade dos Smurfs. Não perca.

O Primo recomenda: O Homem que Copiava

2003-06-28 04:50:00 +0000

Obs. preliminar: Os acentos anormais do dia de ontem foram cortesia do Blogger novo. Se você tem um blog e ele bichou os acentos, conserte seguindo essas dicas aqui, ó.

Mas eu acabo de chegar do cinema, fui ver O Homem que Copiava, filme escrito e dirigido por Jorge Furtado.

Eu nem me lembro como fiquei sabendo do filme, só vi que entrou em cartaz. Aí fiquei com uma vontade enorme de assistir o diabo do filme, não sei por quê.

Meu instinto nunca foi tão certeiro.

Nos primeiros cinco minutos de filme eu dizia pra mim mesmo: "Esse valeu o ingresso". E o filme ia andando e a história ia sendo contada e eu ia entrando, entrando... e eu nem vi o tempo passando, nem prestei (muita) atenção nos peitos da Luana Piovani, nada: eu fiquei absorvido por aquele filme.

As coisas todas estavam no lugar certo, os mínimos detalhes, aqueles que serviriam pra enriquecer o filme, nem faziam isso, só acrescentavam mais riqueza numa coisa que já era milionária de riqueza. E a riqueza (ou falta dela, ou desejo dela) é que tornou o filme tão verossímil e ao mesmo tempo tão fantástico. É como trinta e oito reais. Não são nada, mas são tudo.

Todas as atuações estiveram fantásticas. Os "globais", os desconhecidos, todo mundo, principalmente o personagem principal. Quequiaquilo. A fotografia era mundana, comum e linda. A música era excelente desde o início do filme até o último momento. Eu não piscava, eu devorava cada centímetro da telona.

Aí o filme ia chegando no final e eu lá, refestelado, embasbacado... e como se não bastasse, o filme lá ia terminando com uma nota 10, e subitamente ela virou um 11. Não, tem mais, nos cinco minutos finais, virou um 12...

O Homem que Copiava é uma das melhores experiências cinematográficas que eu já tive. De longe. É com orgulho que digo que os últimos grandes filmes que vi foram todos nacionais.

Dois CDs

2003-02-08 05:48:00 +0000

Estou com 2 CDs aqui que merecem um review track-by-track, um de tão bom e outro de tão ruim. Obviamente, vou começar pelo ruim, porque dá mais piadas: é o JOVEM PAN NA BALADA 6

Calma, calma, eu NÃO comprei o CD, ganhei no amigo oculto da academia, em Dezembro, e só agora tive coragem de ouvir. A primeira faixa é Mad House - Like a prayer. Quando ouvi o começo da letra (life is a mystery...) e vi que era uma versão do bootleg da música da Madonna que toca no rádio, e que é tirada na cara dura de um MP3 (dá pra ouvir claramente), apertei o next no CD.

Aí a segunda faixa é a única que eu guento ouvir no CD. É Lasgo - Alone. Eu adoro o inglês truncado da cantora (que é belga). Ela não diz If only, e sim 'fonly...

Depois, veio a terceira, DJ Sammy - Heaven. Toca o tempo todo no rádio, então apertei next. Aí acabei apertando next nas outras três músicas que também eram manjadíssimas do rádio. Haja saco, o disco tava tão igual...

Aí veio outro remix tosco, Novaspace - Time after time. Remix da música velha de mesmo título. Eu odeio isso, ODEIO. Os caras ficam sem criatividade pra fazer música nova, aí se apoderam das antigas. A próxima faixa prometia, porque era Molella - Love lasts forever. Pensei: "Pô, Molella, as músicas dance deles nos anos 80/90 eram muito boas!".

E veio a decepção. Essa música eu já tinha ouvido antes, e é uma música que eu não consigo definir com outro termo que não seja música de boate gay. Tem um trecho onde cantam uns caras fazendo voz de machão e na mesma hora vem na minha cabeça aquela cena bem "Queer as Folk", aquele bando de gays musculosos rebolando na pista de dança. Argh. Medonho.

A próxima faixa eu também conhecia, era Mademoiselle - I do what I want. As outras duas seguintes eu nunca tinha ouvido, mas dei next assim mesmo, eram exatamente iguais ao resto do CD, só mudavam as (poucas) notas da melodia e a voz de quem cantava.

Mas nada podia me preparar para a faixa 12, Pink Coffee - Another brick in the wall. Pára e lê de novo o nome da música. Agora lê o nome da "banda". Um remix de música véia só fica pior do que já é quando o nome da "banda" é uma paródia do nome da banda original. E, pelamordedeus, The Wall já venceu, já passou, é velha, chata, manjada, toca em todo lugar, principalmente DAs de faculdade e carros de boys com idade na faixa dos 30. "We don't need no", não eu não preciso mesmo.

A faixa 13 era um bônus nacional: Cláudio Zoli - Noite do Prazer. Os primeiros segundos da faixa são o Cláudião falando numa voz sussurrada: "Vem ficar comigo depois que a festa acabar...". NEXT, rápido!!!

Ahh, agora a 14 e 15 são um "Bônus techno", será que tem algo bom? A 14, Derb - Derb, não é techno. O ritmo é repetitivo como todo bom techno, mas a música se resume ao ritmo e a um sintetizador tocando 3 notas. Três notas. O tempo todo. Basicamente é algo entre o trance de rádio e o techno de rádio. Ah, e eu já conhecia a música também.

Mas na 15... DJ Bart - The Message acabou comigo. Veio um "tum tum tum" num bassdrum bem lo-fi que conseguiu até me animar.. mas aí depois veio um baixo todo trance e um sintetizador mais trance ainda... e eu fiquei: "Mas que diabo de "techno melódico" é esse?". E enquanto eu pensava, o CD me deu o golpe de misericórdia: uma voz, que dizia:

- Let me tell you why you're here... you're here because you know something...
- Meu Deus... não pode ser! - pensava eu.
- What you know you cannot explain... but you feel it. You felt it your entire life...
- Não... meu Deus, é o Morpheus!!
- There's something wrong... you don't know what it is... but it's there... like a splinter in your mind... driving you mad...
- OH NÃO!!! ELES SAMPLEARAM MATRIX!!!!

E aí eu ejetei o CD e comecei a pensar pra quem eu vou dá-lo de presente.

Mas vamos ao segundo CD, o bom, o foda! NOISE MUSIC COMPILATION!

Esse disco é coletânea do selo de Anderson Noise, o Noise Music. É um CD mixado só com músicas de artistas do selo, incluindo o Anderson, Renato Cohen que, na minha opinião é um dos melhores produtores de techno do Brasil, e outros menos conhecidos (por mim) como Jamie Anderson.

A faixa um é do Noise, chama-se Você Mesmo e começa o CD como quem diz: "Toma, distraído!!". É genial. É o Anderson na sua maturidade de produtor. É um techno que te dá vontade de mexer a bunda. Sempre que eu boto esse CD no carro, eu fico igual retardado dando soquinhos no volante quando entra o bassdrum...

Depois vem Formula, de Renato Cohen. Um ritmo com congas eletrônicas e um slap bass combinados de forma bastante interessante. É o Cohen fazendo valer os meus elogios pra ele.

Aí veio o Noise e Marco Lenzi, com Augusta. É uma música mais soturna, com umas guitarras abafadas e longos trechos com sweeps de filtro. Essa não é uma das melhores faixas do CD, mas ainda assim foi bem colocada pelo Noise, porque serviu de introdução pra faixa seguinte.

Change, de Hugh e Latá, remixada pelo Noise, é um "techno com letra", uma voz feminina que repete, sobre um tom ácido, coisas como "there is no norm, except change". Tudo isso com um sub-bass estouradão no fundo. Aí seguiu-se um mix impecável onde Noise lascou, na sequência, sua nova criação (que tem clipe e tudo).

Copacabana é um conceito muito, er, divertido eu diria. Um ritmo dançante, com os snares acompanhando o baixo, e além disso um trumpete maluco: é mais ou menos como se o Noise tivesse feito a música tocando um disco de sons de trumpete na pick-up desligada. Outra bela sacada, eu adoro essa música.

Depois o CD não baixa mais a bola e fica num nível incrivelmente interessante. A sexta faixa é mais Cohen com Acid on House. É um tech-house ácido e bastante, er, pra frente. Foi mal, mas é meio estranho achar palavras pra descrever techno. Ah, tem letra também. Coisas tipo: "Embrace the essence of house..."

A próxima, também do Cohen, é Vodu é pra jacu, título baseado num desenho do Pica-Pau! E aí o Cohen fez exatamente isso, um vuduzão: no meio da música, o bassdrum pára de fazer o "tum tum tum tum" de sempre, fica um tempão fora e, de repente, entra num ritmo quebrado, igualzinho um tambor tribal. Cara, eu adoro essas surpresinhas!...

Aí vem a primeira faixa mais "hard" do disco. Abelhas, do Cohen (ainda) é um ritmo abafado, um sub-bass e um barulho de enxame de alguma-coisa que vai crescendo e crescendo e crescendo... mas dessa faixa eu não gostei muito não, faltou alguma coisa. Uma abelha-rainha, talvez.

Jamie Anderson dá sua contribuição na próxima faixa, com Tornado. Só que ele seguiu a mesma idéia de Abelhas: além da batida, tem dois sons que "rodopiam" no fluxo da música, um "tum" e um zumbido, ora com o volume modulado, ora com o volume constante. Ficou mei chato.

Mas aí Cohen volta, com a "menina dos olhos" do techno nacional: Ponta Pé. A faixa mais famosa do nosso amigo aí acabou me convencendo: é realmente uma bomba. Cohen, malaco que é, usa um som constante de algo parecido com uma guitarra e, de repente, quando a música vai mudar, ele faz um "Tum! Paaam", toca por meio tempo o som num tom diferente e volta ao normal. E essas quebras acabam tornando a coisa muito interessante.

Cohen encerra sua participação com Spank, a faixa 11. Tem um sample vocal que fica falando algo tipo "bang bang!". Fora isso não acontece muito mais coisa, mas o CD já vai se aproximando do fim...

Guaicurus, a próxima faixa de Noise e Marco Lenzi, tem o nome da rua mais tosca e marcada pela prostituição daqui de Belo Horizonte. Guaicurus é escura, alerta, se move nas sombras. A música e a rua. O problema é que ela ficou entre duas faixas fracas e acabou perdendo muito do seu brilho por isso.

Distance, de Marco Lenzi, fecha o CD. É uma construção de acordes descendentes que se repetem sem acrescentar muita coisa. Aí, no crepúsculo da coisa toda, a compilação da Noise Music valeu muito!! Esse CD não vai sair do meu carro tão cedo.

O Primo recomenda - HP Jornada 568

2002-12-27 15:00:00 +0000

Pois é, esse ano resolvi me dar um palmtop de presente de natal. Taí a saga toda e um mini-review.

Primeira parte - Escolhendo o modelo

Tudo o que eu conhecia era Palm, nem sabia da entrada da Micro$oft no mercado de PDAs, então a descoberta dos Pocket PCs foi novidade pra mim.

Pra escolher qual seria a plataforma que eu ia adotar, fui pensando nos usos que eu faria do palmtop, que seriam basicamente: organizador pessoal (agenda, etc), jogos, multimídia (ouvir MP3 ou editar fotos da minha câmera digital, por exemplo) e Internet (usando infravermelho pra conectar pelo meu celular GPRS). Norton, velho amigo e possuidor de palmtops das duas plataformas, me ajudou bastante na decisão.

O palmtop ia precisar ter slot para cartão CompactFlash e porta de infravermelho. Não encontrei Palm com slot CF, e enquanto pesquisava sobre os Pocket PCs, descobri um programa de edição musical chamado Griff. O Palm nunca ia ter algo parecido. Aí acabou a dúvida, era Pocket PC mesmo.

O que atendia melhor minhas especificações era o Jornada 568 mesmo. Tinha tudo e ainda esbanjava 64 MB de RAM. Mas foi mal reviewzado no CNet, onde eu sempre passeio antes de fazer alguma compra de tecnologia. Tirou 6 em 10. Os argumentos pra nota baixa eram, basicamente, preço, tela pouco iluminada e só um slot CompactFlash.

Só que, nos reviews dos usuários, o Jornada foi muito bem e todo mundo estava sem entender por que diabos os editores do CNet deram uma nota tão ruim para um palmtop tão bom. Os usuários que reclamaram falaram apenas coisas bobas, como acumular "poeira eterna" (que não dá pra limpar) nos cantos da tela e o carregador, que faz um apito agudo, audível só em ambientes silenciosos mas que seria irritante o suficiente.

O problema agora era o preço: um iPaq besta tá custando mais que 2000 reais! Já achando que eu ia ter que desembolsar dois contos pra comprar o Jornada, descobri que com a fusão HP-Compaq a linha Jornada ia ser descontinuada e, por isso, o Jornada tava com preço melhor. Só que no Submarino o preço da bagaça era de R$ 1999. Depois de muito fuçar na Internet achei, aqui em BH mesmo, um lugar que comprou um lote grande de Jornadas e tava vendendo a R$ 1600. Foi fácil...

Segunda parte - O Hardware

Justiça seja feita, o Jornada é mais bonito que o iPaq e qualquer Palm. Cabe tranquilamente num bolso de camisa, embora o peso faça com que você fique bem deselegante com aquela coisa esquisita puxando sua camisa pra baixo...

Na primeira foto, lá de cima, você também vê o "direcional" e mais 4 botões, para abrir agenda, tarefas, etc. O melhor: o Jornada não sofre do "problema dos 2 botões simultâneos" que o iPaq tem. Explicando: você não pode, por exemplo, apertar o direcional pra esquerda e algum outro botão ao mesmo tempo, o que acaba com a graça de qualquer jogo. No Jornada não tem disso!

Na foto aí em cima não aparece, mas o Jornada tem uma coisa excelente: uma tampa removível que cobre a tela. Me parece ser proteção suficiente para dispensar aquelas capas feiosas. A parte cinza que envolve a lateral do Jornada é de borracha, pra dar firmeza ao segurar. Ainda na foto dá pra ver um botão de "scroll" e, do lado, o botão "gravar" que liga o Jornada e aciona o gravador de notas de voz que, inclusive, aceita diversas opções de qualidade sonora desde 11.1 a 44.4 KHz, mono ou estéreo. Não me pergunte o porquê do estéreo para um microfone mono...

Falando em som, o alto-falante do Jornada é bem ruinzim, praticamente não tem graves. Mas a qualidade do som usando fones de ouvido é espetacular.

Mais pra direita tem o compartimento da bateria de backup. Ela alimenta uma parte da RAM chamada de HP Sure Store, que preserva seu conteúdo mesmo se a bateria principal acabar. Sim, se você ficar sem bateria, tudo que tiver na memória normal vai pro limbo.

Aí é o Jornada visto de cima. Da esquerda pra direita, aquele buraco parecido com uma fechadura é onde fica a caneta. No meio está o slot CF (tipo 1 ou tipo 2 extendido). Logo acima dele, o botão branco é um botão e LED ao mesmo tempo, que pisca pra avisar de compromissos/carga da bateria/alerta de gravação de voz ativa. Mais pra direita, a tarja preta é o infravermelho e, ao lado, o plugue para fones de ouvido.

Ele tem bateria de lítio-polímero com a maior duração da categoria: 12 horas. No meu caso, como não uso o Jornada continuamente, ela vai sem recarga por uns 3 dias. E não é preciso carregar o cradle com você pra recarregar a bateria, o que é altamente prático.

Ah, e é verdade, o carregador faz mesmo um apito agudo. Não dá pra, por exemplo, ir dormir com o Jornada carregando no meu quarto.

Terceira parte - O Software

Bom, sobre o Windows CE (que agora é Pocket PC 2002), é basicamente algo Windows: botão iniciar, caixas de diálogo e tudo o mais. Bate o PalmOS em milhões de aspectos, como multitarefa, reconhecimento de escrita natural (você não tem que aprender a escrever em Graffiti) mas peca na instabilidade Windows-esca e numa coisa horrivelmente tosca: o botão "fechar" (aquele xizinho no topo da janela) não fecha o programa, só "minimiza", e o gaiato fica lá ocupando memória...

Os programetas Microsoft, de compromissos/contatos/tarefas são muito bons e bem completos, embora existam xis outras opções no mercado. Só achei uma coisa meio chata: o alarme de compromissos só soa uma vez e deixa o LED piscando. E com a tampa fechada e o alto-falante ruim, fica meio difícil ouvir o alerta. Mas tem programas que contornam essa limitação e fazem um toque repetido e com volume progressivo.

Falando nisso... eu tinha medo de que houvessem poucos programas pra Pocket PC. Sei que, pro Palm, tem dezenas de milhares... mas a realidade pro Pocket PC não é muito diferente, tem até sites especializados em freeware pra ele. E, como o Jornada usa processador de 206 MHz, você acha coisas impossíveis para o PalmOS. Tem até um "flight simulator", 3D e tudo, no meu Jornada, de graça.

Uma coisa que me deixou besta foi o infravermelho do Jornada. Peguei um programa de controle remoto e consigo controlar a TV usando o Jornada a uns 5 metros de distância. Além disso, o Jornada deu show "conversando" com meu celular (um Siemens S45). Sem nenhum tipo de configuração, transferi todos os contatos do meu telefone pro PDA em menos de 1 minuto. Só liguei o infravermelho do telefone e mandei enviar: o Jornada recebeu e botou tudo nos meus "contatos". Dá pra transferir compromissos e até arquivos entre os aparelhos. Só faltou configurar Internet via GPRS usando o telefone, mas preciso de umas configurações da minha operadora...

Quarta parte - Conclusão

Sinceridade... o Jornada é uma das melhores opções de Pocket PC no mercado, com preço bom se você souber procurar. Não estou nem um pouquinho arrependido da minha compra e recomendaria o Jornada pra qualquer um que me pedisse uma opção de palmtop...

Reviews Aleatórios de Blogs Randômicos

2002-11-13 20:48:00 +0000

Hoje o critério pros blogs vítim... digo, escolhidos, será estar no Blogspot e ter nome de seriado. Ou seja, eu tenho que digitar arquivox.blogspot.com e vir alguma coisa.

Por sinal, bom começo.

Arquivo X - No topo da página, a mensagem: Arquivo X Toda sexta, das 16:00 às 17:00 Rádio Muda. Rádio muda? Não entendi. E só tem um post, dizendo que odeia tudo que é sigla: OMS, ONU, UNESCO, FBI... bom, eu não gostei também não. Do blog, não das siglas.

Seinfeld - "Um site potoca sobre nada", diz a legenda. Os únicos dois posts são contando de episódios do Seinfeld... e no segundo, o cara diz: ai o final eu fikei boiando pq num entendi nada... mas deu pra rir

Peraí!! Pára tudo!! Tem jeito de não entender um episódio do Seinfeld?!???

Witchblade - Esse está em inglês, e é um blog organizado, que acompanha notícias e fatos sobre o seriado. Muito útil, pra quem assiste. Eu não assisto, mas acho a mulher um filezão.

Cowboy Bebop - Tem o layout do foguinho, está em inglês e o primeiro post diz: "I am the best". Acima, o título do blog, "My life without spell check", e embaixo, o primeiro post. Ah, só tem dois. Esses blogs americanos.... tsc, tsc...

Friends - Nada! Só um post, "just a blog to chat about what's been going on and have fun!". E a minha fun, onde entra??

E.R. - O título do blog é ENNAISSANCE, todos os posts, exceto dois, dizem "t ewsrrtasdf sdaf sda " e é isso aí. Coisa mais Arnaldo Antunes...

Will and Grace - Ooh! É em inglês mas tem conteúdo! O layout é o do abacate e a descrição do blog é "a vida demente de dois melhores amigos". Uau, promete. Mas basicamente, o blog é usado para que os dois troquem correspondência, um escreve um post, como uma carta, outro escreve outro, respondendo. É até legalzim... uma idéia versátil, em vez de mandar email, faz-se um blog...

Charmed - Só um post... mas o layout tem um lance meio Matrix no fundo.

P.s.: Alguns que eu tentei e não achei: Barrados no Baile, Dawson's Creek, That 70's Show, Evangelion, Malhação, Frasier, Felicity, Gillmore Girls

Reviews Aleatórios de Blogs Randômicos

2002-09-24 20:56:00 +0000

Hoje, usando o excelente Blogchalk, só vou reviewzar blogs de gente que, como eu, está em Belo Horizonte...

Pleonasmo Redundante - Layout é, basicamente, nenhum. De início uma frase interessante: "Não é esse o objetivo de um blog: entreter seu criador?". Pior que é hein!...

Dentre os posts, o autor (Nothing Sunyata??) tem o hábito de fazer uma lista de conclusões depois de postar, algumas são bem legais. Agora, a história da caganeira no centro da cidade... não sei se é porque eu moro aqui e posso ler o caso imaginando os locais, mas eu rachei de rir. E ainda ganhei a dica do banheiro do INSS para as emergências estomacais, heh... e tem outras coisas legais, como os posts xingando os candidatos que empesteiam a cidade com propaganda eleitoral. É, não sou só eu que fico puto com isso.

Destaque para o ótimo post sobre o contador que ele botou no blog:
"Inaugurando o contador. Vamos ver quantas vezes eu entro aqui para ler o que escrevo."

Sim, o Pleonasmo Redundante é um blog herói: está entre os 2% (é, só isso mesmo) de blogs que reviewzei e gostei. Gostei mesmo!

BHVips - O link que eu vi no Blogger dizia: "Aqui, só se for de gravatinha".

Eu me recuso a clicar lá. Próximo.

Praça Pública - Parece ser um blog de uma menina... ARGH!! Na seção de links tem um link pro tal BHVips! Nheco!! Desisti de ler no quarto post, onde ela conta que estava indo pra faculdade "e de repente só sinto um ventinho e um barulhão ao mesmo tempo! um ônibus ia me atropelar!!!!! mas se chorei ou se sorri, o importante que emoções eu vivi..."

A mulé quase morre e termina o caso cantando Roberto Carlos. Ah, pára.

Os Fluxos de Daniel Pádua - Hmm, belo layout... nos posts ele menciona a Lápis Raro, se não me engano a agência que fez a última campanha de marketing do banco onde eu trabalho. Boa idéia, mas não tão bem executada, eu diria. Até o nome da agênc... peraí!!! Esse cara é o criador do BlogChalking!!! Puuuuuutz... como eu não percebi isso antes, bem que vi que o nome não me era estranho!

Só pra puxar a sardinha pro meu lado, ééé, tinha que ser um belorizontino, técnico em informática, como eu, pra ter uma ótima idéia como essa do Blogchalk :))

Por sinal, pela entrevista que li, o cara é fera, viu...

Baixa Fidelidade - Bom título, layout padrão do Blogspot e... ah, vá tomar banho!! Copiar e colar notícias num lugar e batizar de blog é foda hein!

Stand Inside Myself - É o blog de uma menina chamada Eveline... nó, a única Eveline que eu conheci (por sinal, num evento espírita, hehe) era um mulherão alto, uma moça linda... mas vamos ver o blog aqui. Layout meio dark, a sombra de mulher atrás dos posts dificulta de ler um tanto... mas vamo lá. Os posts: Um diz "tou sem palavras", outro diz "tô triste", outro diz "um sapo pulou no meu coturno". E aí você percebe como é que um blog realmente consegue extrair o máximo da sua vida cotidiana :)

Mas o interessante é que tem um post lá onde ela fala que usa o blog pra não ter que repetir o mesmo caso pra cinquenta amigas; elas iriam ler no blog e pronto. Putz, a maioria dos meus amigos nem se interessa por esse blog, e eu mal me encontro com eles pra contar caso atoa, e tal... mas isso é mais porque eu, pra fazer um trocadilho horrível, sou igual o firewall aqui do serviço: muito fechado.

E engraçado.. uma força estranha está me compelindo a ler os posts dos arquivos do blog... e eu estou lendo... e eu até peguei um mini-questionário pra responder...

Você já... Nas últimas 48 horas:
Beijou alguém? Sim, minha namorada.
Usou gravata? GRAÇAS A DEUS, não.
Foi sarcástico? De 10 em 10 minutos :)
Foi ao cinema? Fui, ver o do Mel Gibson, "Sinais". Legalzim.
Se sentiu estúpido? Ah, mas isso é permanente.
Conheceu alguém novo?; Não
Falou com alguma paixão sua? Sim, minha namorada (argh, que coisa brega).
Sentiu a falta de alguém? Sim. Senti falta de ficar sozinho...
Teve medo? Eu não...

ARGH, chega... mas, de qualquer forma, ponto pra Eveline, que me prendeu a atenção sabe lá Deus como...

Reviews Aleatórios de Blogs Randômicos

2002-09-06 20:10:00 +0000

Juro que estou tentando trabalhar, mas não tá dando certo. Então vou fazer

Reviews aleatórios de Blogs randômicos

As vítim... digo, escolhidos de hoje vieram do Blogger brasileiro. Nesse exato momento (15:32) eles foram atualizados, aí peguei eles baseado nisso

Revolt - Nó, Revolt é o nome de um joguinho de carrinho de controle remoto para PC muito legal... mas isso não vem ao caso. O layout está "pegando fogo" e ele está dizendo que vai soltar as criticas (sic) (sempre quis usar esse 'sic') em letras de música... bom, vamos ver os posts.

Peraí, ms só tem DOIS posts! O primeiro é tosquíssimo: "Quem curte rock pode chegar...Mas pra quem curte pagode o meu conselho eh vazar!". E só. Bom, eu não curto pagode mas vou vazar...

O segundo, o Tá Meia Boca, deu erro 404.... na verdade está é zero boca, então vou pro próximo.

Japão o mundo dos Animes - Puuutz, o texto "introdutório" do blog tá num verde-musgo contra um fundo azul claro, só dá pra ler selecionando o texto... onde o autor diz que vai fala (sic) (hehe, sic é legal) de animes e talvez do que ele sente... mas vejamos os posts.

Ei, o blog é de uma menina.... e ela fica postando zilhões de imagens de animes e falando de cada um , quando vai estrear, etc... bom, para os otaku de plantão o blog é uma boa pedida. Mas como eu não sou otaku, e no meu "otaku" ninguém mexe porque eu sou espada, vou pro próximo.

Selva - Hmmm, tá. Selva é um nome instigante, abrasileirado...

O primeiro post é sobre a Rio + 10, o segundo é o resultado de um teste (cuja imagem não aparece), o terceiro diz "estamos caminhando" e só, o segundo tem uma foto de uma baleia, aquelas do "Free Willy", e o primeiro é um teste. E cabou!

Theatre of Tragedy - Já posso até ouvir o Cradle of Filth tocando ao fundo... lá vem um blog gótico. Dá pra ver só pelo clima, er, "roxo".

O primeiro post tem uma GIF animado horrível, muito horrível, de uma boca vampiresca. E embaixo, a dona do blog manda beijos pro namorado. Links de poesia, um trecho de Clarice Lispector e, mais embaixo, uma foto de Jesus, o cara, sentado com as costas sangrando sobre sua cruz, caída no chão... whoa... de resto, mais coisas vampirescas, fotos e ilustrações. E eu que achei que a vampiromania da Globo não ia funcionar...

O Primo recomenda: Max Payne

2002-08-07 15:43:00 +0000

Eu sei, é um jogo velho e tal... mas, em toda a minha história "gameira", eu tenho um parâmetro: se eu jogo um jogo todo, inteiro, mais de uma vez, é porque ele é excelente. Os únicos três jogos que tiveram a honra (hehe) de serem jogados por mim mais de uma vez foram: Doom (I e II), Half-Life e Max Payne.

Max Payne é tão bom que até minha irmã jogou o jogo todo. Payne é um policial que tem sua família (esposa e bebê) exterminada por uns viciados que usaram uma nova droga chamada Valkyr. A partir daí, Payne trabalha infiltrado no crime, até que esbarra com um peixe graúdo e é incriminado pelo assassinado do próprio parceiro. A partir daí, o buraco fica cada vez mais embaixo, e Payne vai descobrindo as origens da droga que causou a morte da sua família. Um detalhe: você joga a parte onde chega em casa e encontra os viciados matando sua mulher e filha. Várias partes cruciais para o storyline do jogo são jogados, inclusive dois "pesadelos" de Payne, que ficaram excelentemente bem feitos.

Destaque para os cenários impecáveis do jogo: a estação do metrô dá a nítida impressão de que você realmente está em NY. Mais à frente, a fase do estacionamento (Backstabbin Bastards) é uma das mais legais que já vi. A segunda fase, o velho hotel/prostíbulo entupido de gangsters, é minuciosamente detalhada...

Ainda sobre a história... a interatividade de Max Payne faz com que o jogo se torne realmente um filme interativo. E que filme. Em vários momentos você está prestes a abrir uma porta e escuta os gangsters conversando, revelando partes da história, e às vezes fazendo piada: um dos diálogos que eu nunca esqueci foi o dos gângsteres comentando: "Pô, sabe o que seria realmente legal? Um efeito nos filmes em que tudo ficasse em câmera lenta e você pudesse ver as balas voando"... obviamente falando do famoso bullet time, inspirado no velho e bom Matrix.

O bullet time foi a inovação responsável por elevar Max Payne ao status de clássico. Um clique no botão direito e toda a ação começa a acontecer em câmera lenta, com direito a poder ver as balas voando e tudo. Nada se iguala à sensação de abrir a porta de uma sala cheia de gângsteres, apertar o botão direito e ver, em câmera lenta e com um som de coração batendo ao fundo, Max Payne leeentamente pulando para o lado e matando 3 inimigos antes de cair no chão. Muito cool. A interação com o cenário também é perfeita: abre-se quase todas as torneiras, armários, gavetas... em determinados momentos isso é até engraçado: na fase "Ragnarok" você acaba atrás de um palco montado, com instrumentos. Dá pra tocar a bateria, a guitarra e quando você tenta usar o microfone, Payne diz: "Karaokê nunca foi meu forte"...

E quando o jogo termina, outra diversão começa... na Internet tem zilhões de MODs que você adiciona facilmente ao jogo. Armas novas, fases novas, remakes que deixam o jogo igual Matrix ou 007... só alegria. O primo recomenda, duas vezes :)

O Primo NÃO recomenda; US Army

2002-07-16 15:26:00 +0000

E eu baixei o US Army: Operations... o lendário jogo feito pelo Exército Americano como propaganda para conseguir mais recrutas. Tinha tudo pra ser uma porcaria, mas depois que li bons reviews do jogo e descobri que ele usa o mesmo engine gráfico do Unreal, fiquei curioso.

Mas tinha que ser coisa de americano mesmo!! A desgraça do jogo tem 200 MB, e a tela de início do jogo NÃO TEM um "Start Game" ou nada parecido: Daí cliquei num "Create Soldier" e o trem abriu um BROWSER pra eu REGISTRAR MEU SOLDADO ONLINE...! E se eu não tiver Internet, como fica?? Aí saí e fui no "training"... só o primeiro treinamento que tá liberado, mas se eu passasse dele os outros deviam liberar também. Só que o primeiro treinamento é de familiarização com o rifle M16: fique parado atirando naqueles bonequinhos de papel em forma de gente. Depois, faça isso agachado. Depois, faça isso deitado. Se você se MEXER mesmo que seja UM METRO, dá "Mission failed" e o seu "treinador" fala: "Ei, recruta, fique no seu lugar aê ou!".

Aí, depois de um tempão tedioso atirando nos bonequinhos de papel, deu um "Congratulations" que eu concluí o treino... só que pra eu passar pro próximo eu ia ter que CONECTAR NA INTERNET e fazer UPLOAD DO RESULTADO DO TREINO pra liberar o próximo!!!!!!!!!

Ridículo trinta vezes. O primo não recomenda.

O Primo recomenda: Siemens S45

2002-07-12 18:02:00 +0000

Logo que a Oi, nova operadora GSM, entrou em atividade, saí correndo pra comprar um telefone novo. Isso porque meu telefone antigo (um Ericsson T18, até muito bom) estava com a antena quebrada e sem o carregador de bateria, que roubaram quando arrombaram meu carro há uns 2 meses atrás.

Daí, saí em busca de um novo telefone, e estava decidido a gastar dinheiro em algo realmente foda. Minhas duas opções eram o Ericsson T66 ou o Siemens S45 e, por falta de Ericssons, acabei ficando com o Siemens. E me surpreendi.

As características que me fizeram comprar o S45 foram a bateria de Lítio Íon, que não tem efeito memória e está durando uns 7 dias em média, o display de alta definição (101x72 pontos, se não me engano), a capacidade de conectar com o PC, a Internet rápida via WAP/GPRS e a ausência de flip e antena, duas coisas incômodas do meu antigo Ericsson. Fora isso, o telefone tem o kit básico: vibracall, SMS, etc.

Daí, vieram as surpresas: A lista de telefones é imensa, cabem zilhões de telefones *e* endereços; A agenda de compromissos é tão boa que praticamente aposentei a "analógica" (de papel), e os compromissos podem vir com despertador (que dispara mesmo com o telefone desligado); Tem também cronômetro/contagem regressiva (com alarme)/despertador; Inúmeros ringtones (toques), com 4 "slots" para ringtones personalizados, que podem ser baixados da Internet ou feitos no próprio telefone. Aliás, o "compositor" de ringtones do telefone é um showzinho a parte: Nada de letras estranhas, você insere notas numa pauta musical, com Clave de Sol e tudo, igual Bach fazia no século XVI :)

Mas zilhões de recursos não adiantam nada se o telefone for uma ilha. E em termos de intercomunicabilidade, o S45 detona: Internet via WAP e GPRS (acesso rápido), EMS (SMS com imagens) e transmissão de dados via infravermelho: é divertidíssimo poder ver um logo ou ringtone legal no celular de alguém, sacar o seu do bolso e copiar pra você via infravermelho. E a ligação com o PC via cabo serial é de cair o queixo: Ligue seu celular no micro e acesse-o como uma pasta no Windows Explorer: quer copiar uns logotipos pra servir de "descanso de tela"? Jogue os arquivos .BMP (é, bitmap!) na pasta do celular. Ah, e aquele ringtone legal que você pegou na internet? Copie o arquivo .MID (é, MIDI, rapá!!) pra pasta do celular!

E se o tempo for curto para digitar uma nota pelo teclado do celular, pressione o botãozinho na lateral esquerda do telefone e grave uma anotação de voz com a maior praticidade. E se quiser discar para alguém e estiver no trânsito, use o comando de voz: pegue o telefone, diga o nome da pessoa e ele discará pra você. Esta característica foi testada por mim dentro do carro, com o vidro aberto e um CD tocando, e o celular entendeu perfeitamente e discou corretamente o telefone que pedi.

Uma das maiores surpresas foi o T9. T9 é uma função do telefone que usa um dicionário para descobrir o que você quer digitar, e abrevia bruscamente o tempo necessário para digitar palavras. Tipo, se você quer digitar "bola", não precisa pressionar o número 2 duas vezes para obter o "B". Digite 2 uma vez, 6 uma vez, etc...e saia completando a palavra que, no final, o T9 descobre, usando um dicionário, o que você estava digitando. É uma das coisas mais criativas, engenhosas e práticas que já vi.

E ainda falta mencionar várias outras características do telefone, como os perfis de usuário, a contagem de custo de ligação, toques diferenciados para reconhecer quem está chamando... são tantas as coisas boas... obviamente isso tudo tem seu preço: meu telefone custou R$ 860 reais. Mas tá valendo cada centavo.

Estou tão maravilhado que até a propaganda da Siemens na tevê está parecendo linda. Portanto, o Primo recomenda!

Reviews Aleatórios de Blogs Randômicos

2002-06-14 13:16:00 +0000

Inércia Sensorial - Layout cruzão, sem imagem sem nada. O primeiro post fala da já manjada Amazon que foi clonada pelo iG. O resto me entediou tanto, mas TANTO, que desisti.

Blog do Sexo - Demorou a aparecer. O resumo de todos os posts é a seguinte frase: "Meu namorado me comeu e filmamos tudo". A única diferença são os detalhes. E todos os posts possuem as palavras "Meu amor" no começo. Como tem gente tarada nesse mundo.

Bela Princesa - Ei, a menina mora no Japão... legal. Outro dia eu fui no Clase.net aprender japonês. Japonês é muito, muito mas muito difícil. E é exatamente por isso que eu fico louco pra aprender. Mas vamos ao blog.

O primeiro post fala dos tipos de beijo e ainda dá instruções de como beijar. Segundo ele, o beijo francês, o famoso "french kiss" é de língua sim, mas na bochecha do parceiro. Sinto-me tão inútil, logo agora que eu achava que sabia algo sobre beijo, descubro que não sei nada... hehe!

O resto do blog começou a ter mais GIFs animados do que eu consigo suportar. Então...

Loly Pop - Blog normal, de uma menina, não fosse o detalhe: Ela tem bulimia. Cliquei na hora.

Tipo, o blog vai normal: "Ah, conheci um cara ontem, liiindo, etc, etc". Mas aí ela fala da bulimia, e eu estou impressionado aqui:

"Mas, gente eu tô muuuito mal, a minha garganta está bem inflamada de gripe... e sabem o que é mais horrível?? Mesmo com a garganta assim eu não deixei de vomitar hoje.... e doeu muito. Mas, eu preferi sentir aquela dor horrível que sentir que tinha comida dentro de mim...."

E os GIFs animados subitamente pararam de incomodar. É triste ler isso, pior ainda ver que a bulimia está virando um recurso para chamar a atenção. A mente humana tem uns caminhos que me deixam impressionado...

Reviews Aleatórios de Blogs Randômicos

2002-06-10 14:41:00 +0000

Madame Porcelana - Layout normal, template básico do Blogspot. O primeiro post diz: "Eu amo o mundo e quero abraçar todo mundo". Pelo jeitão inicial, a autora parece uma daquelas meninas utópicas e platônicas pra tudo. Mas aí ela conta uma história de boate em que deu um fora num cafajeste básico que chegou achando que "todas devem se render aos seus encantos". Mas também, o cara chega falando "ei Lolita, agora é sua vez". Falando assim, um Paulo Zulu da vida não pega nem Dercy Gonçalves. Mesmo porque, chamar Dercy de "lolita" é meio descarado...

Voltando ao blog, acho que me enganei: ela ouve coisas compradas na Velvet e tem idéias muito interessantes em relação à opiniões mal pensadas: "(aos que acham que) pagode tem letras ruins (já traduziu Fear of the Dark, metaleiro fodasso??)"

Boa! Ponto para a Madame.

Reduto da S.O.T.P. - Xi, é um blog comunitário daqueles grupos de amigos bêbados... no topo da página, a frase: "Você está no Reduto da S.O.T.P. Somos umas gentes surtadas, metidas, horrorosas, nojentas e implicantes". Aposto que são gays.

No segundo post, a confirmação do que acabei de pensar: "Algo que realmente me impressiona e me põe a pensar: A discriminação dentro do meio de um dos grupos que mais lutam contra tal coisa: os Homossexuais". Fora o uso indiscriminado da expressão mais imbecil que já inventaram: "Ai.. num-sei-quê é tudo de bom!". Chega. Próximo...

Basta ser pessoa! - A primeira frase que leio: ""Ser 'pessoa' quer dizer gostar de meninos e meninas. Ou seja, foi bipede, esta na mira." (pessoa person)". Ah, hoje é dia. Caio num blog gay, agora um blog bi:

"Vou contar uma estorinha...

Você está numa festa estranha com gente esquisita.
Passou a noite toda conversando com uma menininha que, na época, era muito a fim de você e, apesar de não sentir o mesmo por ela, você a respeita e acredita que ela contribuiu para mudanças importantes na sua vida.
Na mesma festa, também está o carinha que você gosta e que lhe deu um fora por razões que você não compreendeu direito ainda."

Ok, deu medo. Próximo...

Anjinha Atrapalhada - Oooohhh!! Que nome mais *cuti*!!! Esse entra para os nomes default de blog, tipo "esta é minha vida", "pensamentos internéticos", e por aí vai.

E a "cutiness" não pára. Os primos defendem a menina de uns caras ogros numa festa e ela diz: "Não é FOFIS????!!". Não, é Pópis. Nunca viu Chaves não? Ugh. Piada horrível.

E esse post meio que me irrita. Não é que a vida é uma droga. É que ela é mais ou menos como um barbitúrico: é ótima em vários casos, mas quando usada para fins "recreacionais", não rola. Argh, chega. Vamos ao último.

Eu Fiz! - Ué, parabéns então. Os três primeiros posts são do cara falando o que vai fazer com a coleção de MP3 dele. E dá-lhe palavrão, inclusive uns neologismos, como "táquipariu". Mas este blog tem o post mais genial que já vi:

"Oh, merda, esqueci o cd no carro!! E eu tenho que copiar logo!!"

O post é apenas isso. Só uma linha. Vejam que poesia contida nessa frase!! Todo o sentimento de insatisfação urbana!! Toda a expressão da ansiedade gerada pela cidade grande e o conflito interior contrabalanceando a ânsia do prazer da alma (música) com o crime da cópia de CDs...

Realmente, este blogueiro está fazendo um excelente uso do seu "ócio criativo".

O Primo recomenda: Homem Aranha

2002-05-24 03:34:00 +0000

"Aah, mas os cinemas tão com filas enoooormes!! E ver com aquela molecada gritando no filme é muito ruim!! E é filme de super-herói americano, nheca!!", você deve estar pensando. Quando vi o filme, peguei uma fila que subia as escadas do Shopping Cidade até os andares do estacionamento. Além disso, havia uma molecada gritando no filme e um rapaz que dava um arroto nojento atrás de mim em todas as cenas românticas.

Mas eu nem prestei atenção nisso, porque o filme prendeu TODA a minha atenção.

Eu colecionava revistas do Aranha na minha adolescência, sabia tudo sobre ele, desenhava ele em todos os cadernos e livros da escola... e o filme, pra mim, foi um empolgante transporte das estórias dos quadrinhos para a telona, sem cometer as 'tosquices' que filmes, como o Spawn, cometeram.

A despeito de todas as críticas, Tobey Maguire foi o Peter Parker perfeito. A recriação das grandes figuras dos quadrinhos, como o J. J. Jameson, Tia May, Norman Osborn, ficaram quase todas perfeitas. Destaque para o Jota Jota, que ficou hilário. E a Mary Jane... bem, as reticências disseram tudo.

Para os fâs mais "hardcore" do herói, o filme deve ter sido horrível: mudaram o esquema das 'teias', explicaram (estranhamente) a aderência nas paredes, misturaram a história de Mary Jane com a de Gwen Stacey na cena da ponte... mas isso são apenas detalhes infortunados de um roteiro que, em sua grande maioria, foi impecavelmente fiel. E para quem não é fã, com certeza é divertido ver a transformação do jovem nerd no amigo da vizinhança...

As lutas, em alguns momentos, me pareceram um pouco artificiais, mas 90% das cenas de ação (e de balanço nas teias) são de tirar o fôlego. Principalmente a última delas, que coroa o filme, é de arrepiar qualquer um que tenha lido algum gibi do Escalador. Em resumo, é um filmão que merece todo o sucesso de bilheteria e o burburinho por trás do seu lançamento. E pelo jeitão da coisa, o que me parece é que, ao contrário da maioria das continuações, o "Aranha 2", tem tudo para ser outro excelente filme!

Informações mais 'pessoais' no post abaixo... mas em suma, o Primo recomenda!

Estou namorando a Mary Jane

Um fato interessante: grande parte da minha atração pelo Aranha é porque, na época que eu colecionei as revistas dele, eu era como ele: adolescente nerd tímido. A auto-identificação foi mais que natural... principalmente na parte da falta de sorte com mulheres.

Daí, minha irmã foi ver o filme, chega em casa gritando: "Zé, o filme é massa demais!!! E a Mary Jane é a cara de Bethânia!!", que é minha namorada. Não dei muita idéia para aquilo, quando outro amigo que foi ver o filme, disse, por email: "e a Mary Jane é igualzinha a Bethânia". Daí, no outro dia, um outro amigo diz: "É a cara dela. O rosto parece muito, principalmente abaixo do nariz".

Então, vendo o filme, fui tirar a prova: de início não achei muuuita semelhança não. O jeitão das duas é igual, mas a cara da Kirsten Dunst é mais larga que a de Bethânia. Só que, na cena do hospital, a coisa começou a mudar: M.J. se sentava igualzinho à ela... exatamente igualzinho. Já estava começando a achar aquilo meio verdade, quando o filme acabou e eu olhei para o lado. Bethânia sorriu e, acho que por causa da luz acesa, pude ver melhor e na minha cabeça veio:

"Putz, realmente parece demais!!"

Então tive um déjavu de toda a auto-identificação com o Aracnídeo, mas dessa vez atualizada: o adolescente tímido e nerd tinha se dado bem na vida e agora estava namorando a Mary Jane...

Hehe, se dei bem!

Reviews aleatórios de blogs randômicos - ESPECIAL

2002-05-16 12:45:00 +0000

O Blog do Lulu Santos (já saiu do ar, sorry): Sim! Você leu certo: é o blog do Lulu Santos! A primeira coisa que você lê no site é uma citação no mínimo ambígua: "Buraco negro... eu adoro vc".

Os posts usam hífen o tempo todo (e o Lulu sabe disso), ficando horriveis de ler. Além disso, "de" virou "d", pra e pro viraram p'ra e p'ro... e os posts são, ou um texto imenso ou apenas uma foto e um comentário de uma linha.

O primeiro post é ele falando da guitarra que levou para o... digo, p'ro ensaio. E fica falando um parágrafo inteiro da bendita da guitarra: "uma c-o-i-s-a,obra-d-arte-total,dá vontade d morder d tão lindona& gostosa". Tem outras citações hilárias no texto:

"guitarra d 12 é p'ra ser magica,disneylandia,saca?aqula coisa meio cravo,meio sitar,inteiramente sino...isso,guitarra d 12 tem q soar como sino,a minha,'tadinha,eu estrangulava,por falta d jeito,d tato,d delicadeza,bronco estupido q eu era."

Seguem fotos de ensaios, um post imenso sobre a "tia" que foi pioneira no uso de sintetizadores (esse eu achei quaaase interessante), e um "review" de um disco do Mondocane (?!):

"muuuuuito legal,pódicrê,o negócio é sincero.
a realização é bem no nivel do idealizado,tem um barroco excessivo,um rococó desnecessário aqui e acolá,pero,eso soy yo."

Cara, pelamordedeus, me lembrem de passar longe de LSD e maconha, porque eu não quero ficar assim quando meus cabelos embranquecerem!!

O Primo Recomenda: Aiptek Pocket Cam

2002-05-02 15:12:00 +0000

Estou impressionado com essa câmera: foi uma das melhores compras que já fiz. Tanto que no Submarino já nem tem mais dela :)

Inicialmente fiquei meio com medo porque o próprio site da Aiptek não fala do produto e não achei nenhuma galeria com fotos de exemplo da câmera na Internet. Mas comprei assim mesmo, na doida... e me dei foi bem.

:: 1.3 Megapixels (resolução máxima de 1280x960)
:: 128 MB de memória interna (cabem 40 fotos de alta ou 180 fotos de baixa resolução)
:: Grava vídeos AVI (2 minutos em baixa ou 30 segundos em alta resolução)
:: Tem flash, timer e foco manual
:: Funciona como webcam
:: Só não tem slot para "smart card" nem display para ver as fotos tiradas. Ambos são completamente dispensáveis.
:: Custou a bagatela de R$ 550!!!

As fotos na resolução máxima são impressionantes! Mal acreditei quando vi. De dia, de noite, as fotos ficam todas ótimas. No post abaixo você vê exemplos de fotos que tirei com ela (na resolução mais alta, e depois redimensionei para 50% do tamanho original). Cê conecta no micro pela porta USB e transfere as fotos/vídeos na maior facilidade. O vídeo em baixa resolução é de babar: bem definido e com fluidez fantástica.

É a câmera perfeita pra quem quer qualidade mas sem aqueles preços cósmicos de câmera digital. Compre djá. O primo recomenda muito. Se você quer mais exemplos de fotos, o site pencam.org tem uma vasta galeria de fotos tiradas com uma câmera da mesma marca e da mesma resolução que a minha.

Reviews aleatórios de blogs randômicos

2002-01-28 20:50:00 +0000

É uma visão deprimente ver meu vizinho de mesa aqui no serviço. Ele tá jogando SunsetRiders. Toda hora ele morre e fica falando: "Pô, acontece tudo rápido demais..."

Queria ver ele jogando Quake 3... você pisca, você morre. Você fica parado, você morre. Você solta o mouse pra coçar atrás da orelha, você morre.

Por sinal, eu tou coçando de vontade de jogar Quake com algum bom adversário...

Mas vamos dar um tempo no meu trabalho e fazer mais um...

REVIEWS ALEATÓRIOS DE BLOGS RANDÔMICOS

Mais uma vez, vamos de destaques do Blig:

Belezura : Li uns 7 posts e vi que não vou ter saco de reviewzar este blog. Então vou pro próximo.

Mude seu mundo : Título instigante, hmm! O primeiro post começa a fazer uma analogia entre "perder as chaves de casa" e "perder a chave pro coração do outro". O outro post resume-se assim: "Pintei um quadro. Me criticaram, mas foda-se. Ou melhor, foda-se não, eu sou classudo. Digamos, 'eu não me importo'".

Mas nosso amigo aí se redimiu no post sobre bucho. Teve a manha de fazer a prece pra agradecer o bucho que não queria! Gostei, o "foda-se" tá se mostrando como personalidade. O problema é que quando aparecem os posts sobre intuição, as letras do Legião Urbana e os comentários sobre o sobrinho de 1 ano dele ("Lindo, fofo. Mordi ele"), mais uma vez reafirma-se o axioma de que homens não conseguem ser sensíveis sem virarem gays. Mas o blog é legal, sem ofensa, viu Fabrício!

Virgem Santa : O primeiro post é assim:

A ideia foi inscrever o e-mail [email protected] ( Da fernanda-vaca- ramello-celular) em todas as listas de discussao lesbicas...nada contra lesbicas, mas ela tem...

E tem outrta sealguem quiser liga no celula dela: 19-9726(...) ele retornou a ligacao pra vaca-vagabunda, soh pra pedir par ela nao ligar e eu peguei na instencao (...)

Tive uma crise de odio e agora meu lado psicopata cresceu... seria eu capaz de matar?

Duas palavras: KI MÊDA!!! Próximo blog, pelamordedeus!!!!!!

O Menino Está Com Sede E Não Temos Mais Laranjas - Boa, nome de blog = propaganda de suco. Vejamos: O primeiro post me dá inveja porque o blogueiro tá saindo de férias. Eu tou voltando de férias. Pra mim, foi um erro tirar férias, eu agora só consigo pensar nas minhas férias do próximo ano...

E o blog está me agradando (ooohhhh!!!). Isso é muito raro, senhoras e senhores! Posts inteligentes, sem erros de português... e vou ter que fazer uma confissão mico: Ele tem razão quando fala da música Fogão de Lenha. Eu escuto a música e lembro quando eu era moleque e ia pra fazenda do meu tio. E eu, sim, acho essa música bonita. Meu Deus, tenho que abrir meu Winamp e desintoxicar agora mesmo, sob pena de ter dano cerebral permanente!!!

Reviews aleatórios de blogs randômicos

2002-01-25 15:32:00 +0000

Só hoje que descobri que o iG agora tem um "blogger", o blig. Então decidi fazer um...

REVIEWS ALEATÓRIOS DE BLOGS RANDÔMICOS

Hoje, com exclusividade para os destaques do, uh, Bligs...

Odeio Blog - Um nome antagônico, mas vamos ver... meu deus!!!! Logo de cara, uma foto maravilhosa da Unidade 01 do Evangelion correndo, em toda a sua magnanimidade!!!! Queisso, o blog já ganhou milhões de pontos comig... er, quer dizer, vamos ser mais imparciais, né...

De início, uma coisa tosca: A foto da mãe de um dos autores, com uma cara meio estranha e, desenhado em sua barriga grávida, uma cara de bebê. Ugh. Mau gosto.

No resto, vamos ver... muita birita, palavrão, piadas no nível da RedeTV... e prosseguem as fotos grotescas. Walter Mercado do lado de Michael Jackson é foda. Bom, eles tentaram entreter num nível "Caldeirão do Huck" mas acabou que ficou mais pra "Ratinho". Próximo...

Entendendo os homens - É, uma boa escolha, tem horas que eu mesmo não me entendo. Por exemplo, outro dia eu assisti "Tropas Estelares" pela quarta vez. É um filme quase nazista, o roteiro é o mais ridículo que já vi e eu assisto só por causa dos efeitos e pela mulherzinha bonita lá. Daí na sequência minha irmã vai ver um filme com a J.Lo, "O Casamento dos meus Sonhos", e eu (doente e precisando dormir) assisto o filme até o final. Credo, como eu sou tosco. Mas vamos reviewzar o blog:

Coisas ruins de cara: TODOS aqueles GIFs animados manjados que você vê na Web estão logo de cara na página. O do email, o do cara digitando... mas vamos aos posts. O primeiro tem uma foto de bebê, seguida de "olha que lindoooooooooooo"... tá bom: repita uma letra mais que 5 vezes numa só palavra e o primo aqui fica irritado. O outro post fala de homem, claro. Joguinhos de dominação básicos, que quase todo relacionamento (não deveria ter mas) tem. Mas tem até uma frase engraçada: "acho que tá chegando a hora de fazer as pazes...ou como diria minha amiga Libriana : formatar o HD e esquecer o que passou". Taí, uma boa forma de terminar o namoro. "Precisamos conversar"... "O que é?" "Eu... bem... acho que é hora de deletar seu nome da minha lista do ICQ... se é que você me entende" "Tudo bem... amigos?".

O próximo post é um daqueles SPAMs do tipo "mensagem para refletir". Pulei na hora. O outro post tem uma frase muito interessante:

Algumas pessoas não gostam do conteúdo do meu blig, podem achar meio bobo, meio sem nexo, mas e daí? Viva a liberdade de expressão ! Se um dia eu

cismar de colocar quantas vezes fui ao WC em um dia, eu coloco...

Tem toda razão, colega! Mas fala sério... quantas vezes vc foi ao WC ontem?

Pelo Buraco da Fechadura - Layout meio hippie, "peace", "love" e o escambau. Lendo o primeiro post, notamos que a autora é meio clubber baladeira. É tudo né, super trendy (hehehe). Ela gastou um post inteiro só pra indicar um blog de contos eróticos... e num post mais abaixo ela conta o que fez no apagão dessa semana: foi pra casa, tirou toda a roupa e ficou lendo uns contos eróticos que tinha impresso. Pelas indiretas dá pra deduzir que ela também aproveitou e deu uns "cliques duplos" no "mouse"...

Bem, digamos que esse blog tem hormônios por todos os lados. O post que me fez desistir da vida foi:

"Pq a maioria das pessoas que tem blig escrevem usando "tipo" ...porque, tipo, isso é mooooito ruim, tipo, muito idiota, tipo, é como o gerundismo, vou tá falando, vou tá fazendo!!! Não é irritante?"

Irritante é dizer "moooooito ruim". Digamos que "mooooito ruim" é muito ruim. Mas eu concordo... gerundismo me dá ânsia de vômito. Vou tá vomitando...

INTERLÚDIO: Acaba de chegar um email pra mim. É um relatório sobre o mercado, tendências da economia, que o Banco manda pra todos os funcionários. O subject: A sedução do enxugamento da liquidez!!! (sim, com as exclamações). O fundo do email é rosa. Aperto DEL rapidamente para não perder mais ainda a vontade de trabalhar... mas vamos continuar nos reviews:

Clube do Suicídio - Nome, uh, instigante... ei, o português dos posts é limpo e sem "vc"s, "tb"s... o segundo post tem até poesia de Drummond... mas o outro post tem o título "o triunfo da violência" e me pareceu um pouco superficial... Numa avaliação final, o blog é legal, mas como o Windows NT: nice try.

Fritas Acompanha? - Belo nome!! Sei lá porque gostei mas gostei. Eu sou mesmo o pior. Mas vamos lá: a autora começa a contar a sua odisséia pra sair de casa, chama as amigas de 2 letras (Cá, Lô, Rô...) e diz: "Homem que sabe escolher jóia sozinho não é qualquer um não...". Nesse caso os gays contam?

Aconteceu uma coisa estranha: eu li o post sobre a saída dela inteirinho... eu não sou disso. Ponto para o Fritas acompanha, embora eu não saiba por quê. Mais abaixo, uma foto do Noah Wyle, o Dr. Carter do Plantão Médico (ER, para os gringos). "pois é, as pessoas envelhecem, infelismente...". Ah, feliSmente ele tá junkie nessa última temporada e tá muito massa. Por sinal a nossa amiga gosta de ER também, colocou uma foto do Dr. Greene onde ele está bem gay, e uma foto da médica pela qual eu até ficaria bradicárdico: Dra. Susan...

Usina do Som - Produz bem?

2001-10-16 20:34:00 +0000

Ei, eu tenho placa de som no serviço agora! Ok...vamos fazer um

REVIEW ALEATÓRIO DA USINA DO SOM

Obviamente, de cara fui ouvir a rádio techno. Só toca Fluke e umas outras coisas mutantes que parece trance ou, no máximo, IDM. Que saco, veio Fluke 3 vezes!!! E outras coisas estranhas tipo Cydonia do Eat Static, que nunca ouvi falar.

Basicamente o canal techno é um lixo. Parece que só tem três discos, com Eat Static, Growlmonizer, Fluke (é, pela quinta vez, sem brincadeira!!). Depois de muito insistir no "Skip", veio uma coisa diferente...Moby. Decepção, Usina! Decepção!! Troquei de rádio.

Boas surpresas na rádio Indie Rock. Bad Best Friend, do Nada Surf, é meio Weezer demais pro meu gosto mas é legal. No next está um Killing Moon do Pavement. Falou Indie, ouviu Pavement, é sempre assim nesses sites mais mainstream. Se bem que eu não posso falar nada, quando me perguntam o que eu ouço eu sempre respondo "ah, umas coisas meio desconhecidas, tipo...". E na sequência o primeiro nome que me vem é Pavement. Na sequência tem um I'm always in love, do Wilco. É legal, mas é Beatles com Pixies? Essa rádio tá começando a ficar muito igual. Depois tem Sparklehorse tocando Pig e na sequência, Jon Spencer Blues Explosion. É, a Usina do Som se salvou nessa.

No canal de House...aargh!! Pet Shop Boys com It's a Sin!! Caraio, essa música é legal e tal, mas house? House??? Vou dar um next e se vier mais porcaria eu vou embora.

Tá. Veio Gonna Make you Sweat do C&C Music Factory, aquela "Everybody dance now". E depois veio Snap. Tá, só house véio. Eles devem ter lido na capa dos CDs...Flash House 5... Old School House Hits... e puseram na rádio. Legal, se eu continuar ouvindo eu devo dar de cara com The House of the Rising Sun.

Ah não, veio um I'm too sexy do Right Said Fred! AAARGH!!!

Fui pro de Drum'n Bass. Pylonz com Elementz of Noize. Eu tenho medo dessas coisas com z no lugar de s. Tá vindo uns DnB altamente sinistros...mas como eu não conheço nada, vou pular de rádio.

Putz..Indie nacional. Essa eu quero ver! Tem Walverdes com Meu Bar, um hardcore gritado básico e depois veio Textículos de Mary com Uma Linda em Berlim. A letra é engraçada...

Deu cinco e meia, vou embora.

Reviews aleatórios de blogs randômicos

2001-08-23 19:18:00 +0000

No Concatenum tem uma lista de 1000 blogs? Oba! Então é hora de...

REVIEWS ALEATÓRIOS DE BLOGS RANDÔMICOS

1) Mimosa - Que coisa mais va...santo Deus! É um blog pornô!?! Cheio de putaria na página principal! Ah nem, pela mordedeus, da mesma forma que tudo no Brasil acaba em pizza, tudo na Net acaba em sexo...pelo menos, nesse link realmente há o blog. Vejamos...do lado esquerdo tem uma descrição básica da Renata, a dona do blog: Obviamente ela gosta de "Again" do Lenny Kravitz. Tem dó, toda mulher a-m-a essa música. Eu acho meio paradoxal uma pessoa gostar de Kravitz e Djavan e ser webmaster de um site pornô, mas tudo bem, a Internet é "eclética" assim mesmo.

Renata até teve uma idéia criativa: todo final de post tem um "recadinho" pra alguém: uma hora é pra mãe, outra é pra uns blogueiros aí...

2) Dreammy - Sabe que olhando de longe o design desse blog ficou legal? O problema é que ela usa a palavra "fotinho". É "fofinho"? "Fotinha"? "Foquinha"?

No primeiro post: ela diz que está estudando química e ouvindo "chupin". Putz, sempre achei que era "Chopin", me enganaram esse tempo todo! Tenha dó, eu quase desisti desse review depois dessa, mas vou dar mais uma chance pra Fernanda.

"O Loko vem pra SP no fim do ano! Oooobaaa!!! :)) Miguinho lokoooo!! :)".

Tá. Próximo...

3) O Estrangeiro - O estrangeiro é um cara chamado, er, Joã? Ô João, conserta seu nome aí. Ele é estudante de Informática da UFPR.

Temos um post malhando o Cruzeiro (boa!), outro falando de problemas pessoais e outro com uma frase de Nietzsche. Mais abaixo, o mito da caverna de Platão, contado com rãs e um poço. Suuuuper eclético! Só que como não tá dando pra fazer nenhuma piadinha infame, vamos ao próximo e último blog:

4) Desconhecida Online - Belo nome...blog estranho. The Cure no fundo da página, uma rosa flúor à esquerda...sim, esta é uma mulher "gótico-cool".

No primeiro post ela chama todos de Losers, em meio a "vc"s, "eh"s e "pq"s...putz...mas olha que legal o que eu achei mais abaixo, a esquerda: "Não gostou!? Foda-se então! Pq eu não to fazendo esse blog só pra te agradar!".

Boa, Ísis!

Pra encerrar, achei no blog dela: Ignorance is Bliss...que diabo de site é esse??

Reviews aleatórios de blogs randômicos

2001-08-21 17:39:00 +0000

Lombeira pós almoço causa um desvio de sangue do cérebro para o estômago...e nesse estado de pouca oxigenação minha mente ordena que eu faça mais um...

REVIEWS ALEATÓRIOS DE BLOGS RANDÔMICOS

Hoje o RADBR cobrirá só blogs nacionais tirados do (hoje extinto) diretório "Diários" do Yahoo! Brasil:

1) BOING BOOM TSCHAK - Esse foi pelo nome Kraftwerkzístico. Se não me engano eu já dei de cara com ele antes, mas não li direito. O blog é da Ana, 35, belorizontina que mora em SP. O design "Paintbrush" tenta ser cool mas falha em 16 cores. É uma zona...

O primeiro post chama-se "Para um amigo" e é um pedido de desculpas mutagênico. Ah nem...vamos lá, pequenino Blog, honre o seu nome.

Seguindo pela leitura, tem o "Você é um cocô" by Herbert Richards que foi engraçado. Filme dublado é realmente um pé na janta. Tem também as legendas erradas, igual no Final Fantasy, que vi outro dia. "Aki, do you copy?", dizia o cara pelo rádio. Na legenda saiu : "Aki, você copia?".

E ela ainda fala do Final Fantasy..."Quem gosta (mesmo) dos gráficos de games vai se divertir (aquelas pessoas que assistem o replay das corridas do Playstation, algo do gênero)".

Tipo que eu gosto!...

2) Rapariga com Barriga Procura - Outro blog pego pelo nome! Na página principal, muito rosa e pouco post (só um). E prometendo-se toda pros leitores. Óquei, vejamos o arquivo...

Mais posts pros outros. "Para os meus milhares de leitores...". Pô, isso me irrita. Pelo menos pra mim, o blog devia ser uma catarse que os outros lêem, mas não uma catarse feita pros outros lerem. E o modo da "rapariga" escrever...ah nem, toda afetada. Tá, próóóóximooo!!

3) Privada Pública - Esse é meu vizinho do diretório do Yahoo!, é o que está embaixo do meu link. Hey hey hey, duas belas frases abrindo o Blog. Uma do Einstein à esquerda e outra do Caymmi. Mas depois tem um post imenso de uma fila de banco que termina falando que "futebol é uma merda". Não, não é, é uma coisa muito necessária pro Brasil, mais do que eu imaginava, inclusive.

Ahaa!! Coisa boa pra ler, ele fez os "melhores CDs da sua coleção". Acho que ele deve ser ou o Cool cheio de Belle and Sebastian e Stereolab e Air, ou o Cool revoltado cheio de Atari Teenage Riot, Sonic Youth e Einsturzende Neubaten, ou o pop básico, com Britney, Christina e Jennifer.

Vejamos: Oasis com Pearl Jam com Nirvana com Alanis com Radiohead...putz. Não, mas peraí, olha os nacionais!! Sepultura com Legião Urbana...fantástico!!! Imagina só! As guitarras uuultrapesadas do Sepultura detonando enquanto o vocalista (já nem sei mais quem é) vai gritando "I AM THE ONE!! ORGASMATRON!!", e nisso o Dado Villa-Lobos vai fazendo um "tum-tum-plá" tranquiiiiilo na bateria. E o Renato Russo? Ora, ele fica fazendo backing vocal em italiano ou francês, sei lá: "C'est les rhythmés de ju demoniér"...

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2001-08-10 22:04:00 +0000

Pela primeira vez eu descobri alguém que não gosta de música. É o cara que trabalha do meu lado, o que vai tirar férias.

Cara, como isso é possível?! Quem não gosta de música, pra mim, não tem alma, tem vácuo no lugar do coração. Cruizcredo.

Pra meus muitos (nove) fãs não ficarem desamparados no fim de semana, vamos aos REVIEWS ALEATÓRIOS DE BLOGS RANDÔMICOS

Minha vida de cão - Tá, peguei esse blog pelo nome, achando que ia ser mais um daqueles...Só que paguei língua, porque o blog é mutcho interessante! Ele é feito por uma estudante de medicina cujo nome não pude achar. É legal vê-la falar de "pancada na cabeça" como TCE ou falar que tá toda doída de ginástica com "dores musculares múltiplas e generalizadas". Fora a história do estetoscópio que achei interessantíssima.

E me lembrei aqui que "Minha vida de cão" é o nome dum seriado que passou no Multishow, com a Claire Danes, que eu gostava muito...mas obviamente, como eu gostei dele, ele parou de passar.

Mais um rapidinho que tá na hora de ir embora...

El hombre que comía diccionarios (fora do ar, desculpem) - Uaaaau! Esse eu fui pelo nome, español...e o design do site é muito maluco (pena que só pra 1024x768). Quanto ao conteúdo, são 6 da tarde e é hora de ir pra casa :)

Reviews aleatórios de blogs randômicos

2001-08-06 15:35:00 +0000

Vamos para a continuação do...
REVIEWS ALEATÓRIOS DE BLOGS RANDÔMICOS

...que interrompi sexta-feira passada.

ZEITGEIST - Eletropop com humor. Às vezes. - Tem uma cara quadrada no topo do blog, que é todo preto-e-branco. E o conteúdo...carácoles, acho que pela primeira vez vou falar bem de um blog. Também, o cara gosta de música eletrônica e não fica nos enchendo a paciência contando que não gosta de copo de requeijão e outras bobeiras pessoais. Além disso, tem reflexões interessantes. Eu diria que este é um blog "cult", ele saca de Underworld, Funk D'Void, Ritchie Hawkin...bom, isso pra mim é legal, mas eu tenho certeza que você, leitor normal, não conhece. Se conhece, me mande um mail xingando que eu mereço.

Pitoco's Blog - Ahh, com esse nome eu tinha que ir ver. Cores "baby" no layout e alguns links para...aleluia.com, eucreio.com.br...e a frase "Jesus vive!" encabeçando o Blog. Tá. Vamos continuar lendo. "Donos de cachorros e gatos acham que seus bichinhos vão para o céu"...hmm...o segundo post chama-se Depende das mãos: "Uma bola de basquete...nas minhas mãos vale uns R$35,00. Nas mãos do Oscar vale R$7.000,00. Depende das mãos que a seguram.". Oh! Mas é diveras. Quer apostar quanto que isso vai cair em alguma coisa religiosa? "Pregos...nas minhas mãos podem significar a construção de uma casa. Nas mãos de Cristo significaram a SALVAÇÃO DO MUNDO". Olha, Jesus deu bons exemplos e foi um cara genial, mas não morreu pra salvar ninguém não, se alguém pode se salvar é só você mesmo e o Microsoft Word.

Os últimos dias de Curtis Cave - Que massa!! O primeiro post é sobre um dos melhores seriados da TV: "Anos Incríveis"...só que o autor do Blog não entende como o Kevin se apaixonou pela Winnie, "sem sal" segundo ele. Pôxa, garanto que metade da audiência do seriado é pelos moleques que também eram vidradões na Winnie...

Só que o resto do Blog vira uma coisa "mulherzinha gótica" contando que comprou cigarros e comeu danoninho. Além do pop-up que pulou do site dele, uma enquete que dizia: "Como você se refere ao órgão genital das meninas?". As alternativas eu não reproduzo aqui porque é muito trash.

E aí, se divertiram? Claro que não, só eu. Vou almoçar e tchau.

Reviews aleatórios de blogs randômicos

2001-08-03 22:05:00 +0000

O saco encheu geral. É hora de fazer aquilo que eu adoro mas que ninguém mais acha interessante. É hora de ser egocêntrico. É hora de julgar, de ser mais mau que um pica-pau. É hora de fazer trocadilhos ridículos começando com "é hora", porquêêê....

Hoje é dia de REVIEWS ALEATÓRIOS DE BLOGS RANDÔMICOS

(Prometo tentar ser mais interessante hoje)

Comecemos pelos gringos. Hoje temos:

A Schizo Asian Girl's Random Thoughts - Esse é da Carol Choi, coreana de 20 anos que mora em San Diego. Confesso que o que me levou a pegar esse blog foi o "schizo" no nome. Bom, layout de template, normal. Lendo os posts, o primeiro reclama do Guestbook, o outro começa falando de preguiça, de chateação, que ela deveria estar fazendo uns "papers" mas não tá a fim, que ela tá chateada com uma pessoa...ih, lá vem homem...e que ela não quer mais falar com ele...pronto. Falou. Agora vem o poema...isssssso, no terceiro post. Daí ela foi no emode.com e colocou no blog o resultado ("you are a hippie chick"), entre outras coisas do tipo "what I want in a man".

É, quando a Carol fala de si é bem confuso. Quando ela tenta descrever o que está sentindo...bem, ela é boa nisso. Olha, não critiquei, legal...ok, mais um gringo:

?????? - É, essas interrogações é porque não achei nem título no blog! Tudo que tem lá é um GIF animado de uma menina dançando. O resto é texto azul em fundo preto. Só. A única salvação desse blog só pode ser o conteúdo. Começou com um poema!!!

Tá, vamos aos blogs bras

-- post interrompido por motivos de força maior --

Reviews aleatórios de blogs randômicos

2001-08-02 15:05:00 +0000

Paranoia?! - Cliquei seco achando que era em português. Esqueci que paranóia tem acento. Este é um blog "default", tem as letras de músicas inúteis (no caso tem "She", do Green Day), as reclamações das notas da escola e os poemas cheios de interrogações ("O que fazer? Qual o sentido da vida? Me pergunto todas as manhãs..."). Mas o coitadinho está perdidamente apaixonado por uma menina. Mas muito mesmo, tanto que ele fala dela em todos, TODOS os posts que li. "Acho que hoje eu vou chegar nela"..."hoje eu liguei pra ela, ela estava feliz"..."conheci a mãe dela"...pô cara, vai lá e chega logo...

Loser - Calma, não é o Loser brasileiro, é outro. Na verdade, outra, é uma menina gringa. Qual não foi a minha surpresa ao clicar em "enter" e o blog surgir num popup cinza e violeta, com uma borboleta no meio...coisa fina, rapá! Mas é chato pacas de ler, embaralha a vista. Os posts relatam a saga de Brenna, que está economizando o dinheiro que ganha tomando conta dos filhos dos outros para comprar equipamento de hockey. Diz ela que fez o blog porque estava entediada. Eu também estou.

O Concorrente - Mas que diabos é isso?!?? "Dercy vence Pokémon em luta recorde"?? "Só pode haver um, Maclaud - parte II: Mullets, novamente, comemora vitória dupla"?? Minha Santa Catacilda, acabou o gardenal desse cara. Loucura loucura loucura!

Cantinho Patético - Começou bem, com as Meninas Superpoderosas no título, e começou mal, com a frase besta do Paulo Coelho. Mas vamos ao conteúdo...ou melhor, "conteúdooooooooo". Minha Santa Aquerrupita, a minha sorte é que Blog não tem voz, porque do jeito que essa menina repete as letras..."dadinhuuuuuu", "melhorrrrrrr", "bommmmmm", "esperooooooo". TODOS os posts são escritos assim..."Oiiiiii hoje eu vou passarrrrrrrr na auto iscollaaaaaaaaaaaa"...Fora os "mto", "Hj", e o indefectível "imença". Dá uma sacada:

"Bomm ... esperooo que eu naum eskeça de dar seta e estacione perto da calçada ( pq será q eu naum consigo esacionar perto da calçada???????)"

Graças a Deus ela não é belorizontina, ou meu carro ia sofrer. E, ah meu Deus, a MESMA letra de "She", do Green Day que eu comentei agora há pouco!! NÃÃÃOOOO!!!

Reviews aleatórios de blogs randômicos

2001-07-26 17:58:00 +0000

1) My life after near-death experiences - Tá bom, aí eu assustei. O dono desse blog é espiritista e chegado em experiências de quase-morte. Altos links pra essas coisas no lado esquerdo da página. Mas o blog dele mesmo é meio grande, só li uma história que ele foi em San Francisco e caiu num bar de velhinhos aposentados e foi obrigado a ouvir o tio contar a história da vida dele, com todos os detalhes, nomes, lugares, datas..."Quando eu era criança pequena lá em Barbacena..."
2) Lucky Patuá - Esse aí se considera um "nerd loser virgem paranóico aos 20 anos". E pelo jeitão do Blog é isso mesmo. Posts imeeeeeeensos falando de como seus amigos de oitava série estavam posicionados em uma velha fotografia e a relação que isto tem a ver com seu presente, passado e futuro...tcharammmmm...
3) Note to Self - Pela descrição do moço, não era pra ser um blog e sim um bloquinho de post-it virtual. O único post é reclamando do layout do blog. Tá, como hoje eu tou bonzinho (leia-se "atoa"), fui ler os arquivos...e vejo somente um post que é a nata do pessimismo, reclamando que o Blogger.com tava com dificuldades técnicas e que a vida é um saco. Deve ser mesmo, todo blog diz isso...
Vou fazer de mais um blog.
4) Psicótico (fora do ar, sorry)- Uaau, em português de portugal...cara, que coisa linda, português magnificentemente bem escrito. Ele até disse "tacanha", cê já viu essa palavra? Fantást...peraí. Putz. O cara é psicótico mesmo, saca só:

"Esta noite basta-me uma cama confortável para poder receber os meus pesadelos..."
"não uso gabardina ...Afinal a minha psicose não está assim tão evoluída. Como dizem sou um psicótico . comtido que apesar de sonhar acordado e ter muitos desequilíbrios não uso gabardina e procuro senhoras descuidadas para expor o meu falo, nem acredito que os marcianos comunicam comigo e que vivem nas canalizações do aquecimento."

Ai jizuiz! O cara até registrou o domínio "psicotico.com".

Reviews aleatórios de blogs randômicos (e Sandy)

2001-07-25 22:07:00 +0000

Letra de música da Sandy (e Júnior) chamada "Enrosca" (hã? Rosca?)

"Enrosca o meu pescoço dá um beijo no meu queixo e geme..."

É pra já...Ungh!

Nada pra fazer, esperando Bethânia (minha namorada) chegar. Cliquei aleatoriamente nos 10 blogs atualizados mais recentemente no Blogger.com e acabo de inaugurar a série:

REVIEWS ALEATÓRIOS DE BLOGS RANDÔMICOS

1) I am my own parasite (fora do ar, sorry) - Título criatiiiivu...com aquelas citações padrão que sempre terminam em "...aquela XXXXX que chamamos de vida". Substitua XXXXX por qualquer palavra, como "besteira", "sonho utópico", "sofrimento", "dor e delicia", etc... Nada para ler. Vamos ao próximo blog...

2) Ilhado - Óia, esse é brazuca e gosta também do AudioGalaxy, e não gosta também de quem avalia blogs. Tem a brilhante citação:

"- Tipo assim, blogs são como diários, escritos por adolescentes incompreendidos/as, programadores nerds-da-cabeça-aos-pés, webdesigners suuuuper-hiper-uuultra-maluquinhos e jornalistas suuuper-hiper-uuuuuuultra-frustradinhos. São publicados na internet e cada um faz do seu jeitinho. Bom, eu avalio esse "jeitinho", compreendeu?"

Eu me encaixo no nerd da cabeça aos pés. Taí, gostei desse Ilhado.

3) Melissa Southwell...23 going on 24 - É, mas a idade mental deve dar uns 15. Uaaau, tem um abacate no template do Blog...e apenas dois posts. Um é do amigo que fez o blog e o outro é dela falando "MIKE I LOVE YOU". Que cuti-cuti.

Bethânia chegou, hora de ir para a vida offline.

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